The Prince of Love
1 Capítulo 1 - O primeiro encontro
Notas iniciais
O sol entrava pela janela, atravessando a fina cortina que a cobria e indo de encontro aos olhos ainda fechados de Yukari. A luminosidade que incidia no quarto fez com que a jovem acordasse. Ao se levantar abriu as cortinas, permitindo que a leve brisa matinal tocasse seu rosto.
– É hoje... – Pensou a garota enquanto fitava o horizonte.
Ohanami Yukari é uma estudante de 16 anos transferida de uma cidade interior do Japão. Ela decidiu morar sozinha em Tóquio para terminar seu ensino médio em um bom colégio, almejando depois fazer um curso na prestigiada universidade da cidade. Apesar da decisão, Yukari não é o tipo de pessoa que gosta de passar por novas experiências. Seu nervosismo era evidente, o dia só havia começado e a cada segundo enquanto se arrumava e caminhava pela rua ela repetia para si mesma que conseguiria fazer isso, que conseguiria sobreviver ao seu primeiro dia na nova escola que frequentaria: Seishun Gakuen – Mais conhecida como Seigaku. Lá estava ela, de pé, em frente ao imenso portão de entrada do colégio, encarando-o fixamente com os olhos semicerrados. Suas mãos começaram a suar nas alças da mochila que segurava. Era estranha a sensação de não conhecer ninguém na cidade. Sua cabeça estava repleta dos mais diversos pensamentos: O medo de não ser aceita, de se sentir muito deslocada, de se tornar alvo de zoação, ser chamada de caipira dentre vários outros.
–Eu vou embora daqui! - Para longe, bem longe dali, era só o que ela queria naquele momento – fugir. Sem pensar duas vezes Yukari virou abruptamente e esbarrou em outro aluno. Era um rapaz alto, seus cabelos eram castanhos. Ele aparentava estar muito sério.
– Tenha mais cuidado por onde anda. — Disse friamente enquanto arrumava seus óculos e seguia seu caminho.
Yukari ficou sem reação por alguns segundos enquanto o observava ir embora, sem nem ter a chance de se desculpar. Quando voltou a si ficou incrivelmente irritada. Ela não estava mais pensando em sua aula tão pouco na sua aceitação social.
– Grr, acidentes acontecem, viu?! SEU GROSSO!
– Não vale a pena se preocupar com gente assim.
– Sim sim, não vale... – Balançava a cabeça em concordância – O QUE?! Quem é você?! – Virou-se assustada, procurando saber quem falara com ela. Uma moça muito bonita, que tentava a todo custo conter o riso, estava parada ao lado de Yukari. Sua doce voz combinava perfeitamente com os traços delicados de seu rosto, suavemente desenhados pelos cabelos negros e ondulados, que desciam até seus ombros. Seus olhos pareciam duas esmeraldas, escondidas por uma franja em forma meia lua.
– Você é bem distraída, não é? – A morena ainda tentava conter o riso enquanto falava. — E pela forma como você agiu agora a pouco eu diria que você é aluna nova, certo? Tentando fugir daquele jeito...
– Culpada. – Respondeu a ruiva após um longo suspiro.
– Meu nome é Higashi Akemi, muito prazer!
– A-ah! Ohanami Yukari!
– Posso te chamar de Yukki-chan? Espero ser sua amiga! – Disse a garota com um grande sorriso no rosto – Se quiser posso te ajudar a encontrar sua sala, posso ver seu horário?
– Sim, deixa só eu procurar aqui... – Vasculhou pela sua mochila à procura do papel que continha sua turma e grade horária. – Achei! – Exclamou enquanto retirava o papel da bolsa e o entregava à Akemi.
– Você está na turma C do segundo ano? Que legal, estamos na mesma sala!
– Verdade?! – Yukari estava muito feliz por ter encontrado alguém tão gentil logo no seu primeiro dia e sentia que essa poderia ser a luz no fim do túnel, sua primeira amizade.
As duas seguiram juntas para o corredor onde ficam os armários, trocaram seus sapatos e guardaram o peso extra dos livros que não seriam necessários para as primeiras aulas. Subiram as escadas e entraram na sala 2-C. Yukari sentou-se na cadeira próxima da janela, enquanto Akemi ficou na cadeira ao lado, mais no centro da sala. A turma estava muito movimentada, todos ali pareciam se conhecer a tempos, inclusive Akemi, que conversava com a sala toda praticamente.
–Ela parece ser tão popular...– Pensava Yukari enquanto encarava a vastidão do céu azul com seus olhos esverdeados. Estava um dia muito bonito, típico de primavera, estação que acompanha o início do ano letivo. –Primavera... Eu gosto da primavera.Não faz muito calor nem muito frio.– Completamente perdida em seus pensamentos a jovem não percebeu quando o professor responsável pela turma entrou na sala.
– Bom dia turma. Sou o professor de vocês, Niusa Seito. Antes de dar início à aula gostaria de anunciar para vocês que temos uma nova aluna, transferida do interior do Japão. Ohanami, pode levantar e apresentar-se para a turma? – Um silêncio tomou conta do ambiente. – Senhorita Ohanami...?
– Yukki-chan... – Cochichou Akemi, tentando chamar a atenção da amiga que estava completamente distraída, sem resultados. – YUKKI!
– Ah, O QUÊ?!
A sala inteira começou a rir.
– Estamos esperando você se apresentar. – Disse o professor Seito enquanto fazia um movimento com a mão, indicando para a garota se levantar. Novamente o silêncio súbito contagiou a sala. Yukari estava apavorada. Ela realmente não sabia o que dizer, sem contar que naquele momento estava recebendo a atenção de todos. Atenção a qual ela não queria de jeito nenhum.
– E-eu... Me chamo Ohanami Yukari... –O que mais posso falar sobre mim?– Eu vim... Vim de uma cidade do interior e...
– Está bem, pode sentar. — Disse Seito, já impaciente pelo tempo perdido – Vamos dar início à aula.
Yukari sentou-se novamente e respirou aliviada. Akemi olhava para ela com um sorriso sutil enquanto fazia um sinal positivo com seu polegar, como quem dizia que apesar de tudo Yukari tinha se saído bem.
O tempo foi passando, aula após aula, almoço, mais aula... Até que finalmente a campainha que anuncia o término das aulas finalmente tocou. O dia havia sido bem calmo para a novata. Nada poderia ter sido pior do que o momento da apresentação pelo qual ela passara mais cedo.
– Essas coisas são mesmo necessárias...?– Resmungava Yukari para sua amiga.
– Não foi assim tão ruim Yukki-chan! Não faça essa carinha de choro.
– Sou tímida na frente de pessoas que eu não conheço! Mas me sinto a vontade perto de você, Akemi.
– Vou encarar isso como um elogio. De qualquer forma... Mas me diga, você tem dupla personalidade ou algo assim? Você é tão fofa e agora está fazendo esse biquinho choroso tão engraçadinho, porém mais cedo você parecia uma pessoa completamente diferente! Estava tão irritada com o rapaz no qual você esbarrou...
– Err... eu também sou um pouquinho pavio-curto. Quando me irrito acabo falando e agindo sem pensar, só isso. – As duas caminhavam em direção ao portão principal da Seigaku enquanto continuavam conversando.
– Me desculpe por não poder te mostrar o colégio hoje Yukki-chan, preciso mesmo ir para minhas aulas de piano. Não posso me atrasar.
– Você é mesmo uma dama, não é? – Disse admirada. — Não precisa se preocupar comigo, eu vou dar umas voltas aqui para conhecer tudo melhor. – A garota sorriu.
– Então até amanhã. Não se meta em confusão, viu? – A jovem deu um sorriso delicado e seguiu seu caminho.
– Confusão, em que tipo de confusão eu poderia me meter? – Pensava consigo mesma enquanto caminhava pelos corredores desconhecidos da Seigaku. A jovem percorreu cada centímetro do colégio, curiosa a cada coisa que via. Passou por todas as salas de aula, biblioteca, sala de música, laboratório, secretaria, recepção, sala dos professores, enfermaria, diretoria, era coisa demais! Provavelmente levariam dias para ela se acostumar onde fica cada um desses lugares. Os colégios da sua antiga cidade não eram tão grandes assim.
– Será que todos os colégios em Tóquio são assim? — Se perguntava. – Ah! É verdade, vou olhar o lado de fora também!
O sol já estava se pondo, devia ser por volta de cinco horas ou mais. O céu estava tingido com um lindo tom vermelho-alaranjado, característico de um fim de tarde. A novata caminhava calmamente, dando a volta por todo o lado de fora do colégio, apreciando cada local pelo qual ela passava. Passou por um lindo canteiro de flores, que provavelmente pertencia ao clube de jardinagem e continuou seu caminho até se deparar com as quadras de tênis, que para sua surpresa encontravam-se ocupadas.
– Nossa, já está no fim do dia e eles ainda estão praticando? Quanto empenho. – Quando morava com seu pai no interior os dois costumavam frequentar em um clube de tênis. Ela acabou se apaixonando pelo esporte, mas deixou isso de lado quando decidiu vir para Tóquio, afinal, era preciso se concentrar nos estudos. Apesar de ter parado de praticar tênis ela resolveu apreciar um pouco do treino antes de ir para casa. Enquanto observava o jogo ela reparou em um rapaz de cabelos castanhos, alto e que usava óculos....
– Ahn?! É aquele cara grosso de hoje de manhã! Mas que raiva, agora não tem pra onde fugir! Vou ir lá tirar satisfação com ele! – Tomada pelos seus sentimentos, e bufando de raiva, a garota passou pelo portão que dava acesso às quadras e foi logo tomando ar para começar a reclamar com o rapaz quando sentiu um puxão em seu braço.
– O que pensa que está fazendo, mocinha? Não é qualquer um que tem permissão para entrar aqui não! — Disse a treinadora do clube masculino de tênis, Ryuzaki Sumire.
– Mas, mas, mas... É tudo culpa dele!! – A jovem apontou o dedo para ninguém menos do que o capitão do time, Kunimitsu Tezuka.
– Hm? Tezuka, você conhece essa garota? Sabe do que ela está falando e por que ela está invadindo nosso treino?
– ... Não. – Disse o capitão sem nem tirar os olhos de um papel que segurava.
– Mas que absurdo! Você é um grosso mesmo! Você sabe muito bem quem eu sou, me desculpa ter esbarrado em você, TÁ? Não precisa ser tão ESTÚPIDO!
– Se não se importar poderia resolver seus problemas pessoais depois? E fora da quadra, de preferência... – Disse a treinadora após um longo suspiro. — E também, você está chamando a atenção de todo mundo.
– O que? – Ao olhar em volta percebeu que todos estavam chocados, olhando para a louca que invadira as quadras sem mais nem menos.
–AH! Que vergonha! – Ela realmente não queria chamar atenção, mas parecia que esse era seu maior dom. Yukari se desculpou com Ryuzaki e saiu correndo, tampando seu rosto que estava completamente corado de vergonha. Sentou-se no gramado que havia em volta das quadras para recuperar-se e tornou a fitar os jogadores que estavam em quadra, curiosa para saber se algum deles ainda estava prestando atenção nela. Para seu alívio, quase todos a ignoraram e voltaram às suas atividades, porém uma pessoa ainda olhava em sua direção... Um rapaz ruivo de olhos azuis. Possuía um corpo atlético e aparência gentil. Seus olhares se cruzaram naquele momento e o coração da jovem disparou em seu peito. O ruivo deu um enorme sorriso para ela e acenou com a mão direita, fazendo um sinal de vitória. Ela sentiu seu rosto corar mais uma vez, sem entender.
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