The Precious Blood

26 O GAROTO VAMPIRO


Notas iniciais
Ei, amores!! Estou de volta... ameiii os comentários de vc, estão ficando cada vez mais inspiradas e me deixam super lisonjeada com suas palavras! So happy!
Vava, gostaria de te agradecer pela recomendação linda, linda linda que vc fez! Nuss, fiquei com o coração na mão enquanto lia! Obrigada e obrigada!!
Boa leituraaa

Nos dias que se passaram naquela semana de folga, Sarah conheceu uma nova maneira de viver seu dia-a-dia. Embry de repente passou a visitar sua casa constantemente, mais até do que a própria Leah. Ele estava numa empolgação contagiante a respeito do novo negócio que ele e Jacob abririam, depois do casamento tão aguardado de La Push. Ele e Jacob foram ficando cada vez mais próximos e, segundo Leah, reconstruíam o que um dia havia se perdido entre os dois.

Leah sempre ia pra casa de Sarah depois do trabalho, então quase sempre havia um jantar de ‘casais’ entre eles. A conversa girava em torno da reforma do pavilhão que Jacob havia comprado entre Forks e La Push, nas contabilidades entre capital de giro para o primeiro ano, a primeira compra de peças, o perfil dos investidores e clientes, e carros, carros e carros… Leah e Sarah ficavam de canto, rindo da empolgação dos dois.

Mas quando Leah não estava lá, quando Embry ia embora, aquela casa não ficava mais silenciosamente densa. Havia-se criado um habito entre os dois moradores. Antes de dormir Sarah ia para fora e se sentava na beirada da piscina, colocando os pés na água fria. Desde o dia em que Jacob chegou da reunião com a matilha, quando fez a proposta de sociedade a Embry, ele se sentava ao lado de Sarah e os dois simplesmente conversavam.

Por vezes eram conversas amenas, sem um foco particular demais. Sarah chegava a falar da situação do sistema de saúde nos Estados Unidos, discutindo medidas que ela julgava serem necessárias. Ela riu quando viu Jacob cochilar enquanto ela falava dos problemas com o encaminhamento de órgãos de doação, quase caindo na piscina. Mas ele descontou o riso quando ela também cochilou enquanto ele falava das válvulas do motor do ultimo modelo de carro esportivo alemão.

Outras vezes Jacob fazia o que nunca fez com ninguém, além dos lobos que xeretavam sua mente constantemente. Contava a Sarah sua infância, suas brincadeiras no mar de La Push, falava sobre suas irmãs, suas brigas, como elas eram ligadas a mãe. Falou sobre a dura separação de sua família com a morte de sua matriarca. A dor de Billy, sempre disfarçada em um sorriso de trovão. Ambos, tanto Jacob quanto Billy, tentavam ser um para o outro o apoio para suportar a perca, queriam dar a sustentação, queriam disfarçar a dor, mas ambos sofriam. Nestas horas Jacob ficava melancólico, por vezes silenciava-se e ficava bons minutos quieto.

_ Você tinha uma boa relação com seu pai… — Sarah lhe disse um dia.

_ Sim, eu tinha…- Jacob suspirou e bateu os pés na água.

_ Coisas assim não se perdem Jacob… pode passar um tempo longe, distante, mas elas não se rompem. Por dentro continua sempre a mesma coisa. – Sarah lhe disse mansa. Ele olhou pra ela e sorriu.

“A cada segundo perdido cabia um mundo Jacob, um mundo inteiro de experiências perdidas, um mundo inteiro…” Era o que Quendra havia lhe dito. Jacob sentia, naquele dia, a ausência do tempo longe que passou de seu pai, de sua família.

Ele também percebia que, aos poucos, Sarah deixava sair de dentro de si coisas que nem mesmo ela sabia que guardava.

_ Cada vez que um garoto me cantava na faculdade eu tinha repulsa. Eu nunca acreditei que eles pudessem gostar de mim, talvez tenham gostado, mas eu nunca lhes dei chance para que seguissem em frente. Acho que meu olhar os repelia. – Ela disse uma vez, enquanto contava sobre o tempo que fez seu curso de medicina.

Outra noite, Jacob não suportou ficar somente sentado ao lado dela enquanto ela fazia mais uma de suas revelações.

_ No começo eu tinha pesadelo todas as noites. Mas eu nunca contava a ninguém, a nenhuma das freiras do orfanato. Mas eu tinha nojo de mim quando eu acordava… era bom ser mais silenciosa que o comum naqueles dias, porque assim eu podia sair do dormitório e ir ao banheiro sem que ninguém me visse. Eu tomava banho por uma hora… chegava a me ferir enquanto me esfregava. Eu me cobria de roupas nos outros dias, para que ninguém visse as marcas. – Quando ela acabou de sussurrar isto, Jacob já a tinha aninhada nos braços, beijando-lhe o topo da cabeça. Ela ficou quieta e dormiu encostada nele e com os pés na água.

Naquele dia ela teve outro pesadelo. Mas quando se levantou assustada, em um impulso ofegante no meio da noite, já em sua cama, Jacob estava parado a sua frente. Ele lhe beijou mais uma vez a testa e disse:

_ Foi só um sonho ruim… — Na mão dele pendia um cordão dourado, fino e delicado. Ele lhe mostrou e pediu que ela deixasse que o colocasse nela. Havia um pingente pequenino e muito bem elaborado. Era um círculo com desenhos feitos de um fio muito fino de uma espécie de palha dourada.

_ O que é? – Ela perguntou, manuseando o pingente nas mãos.

_ É para você não ter mais sonhos como este… alguém, um dia, me disse que funciona. Mas este pingente eu mesmo fiz e quero que fique com você o tempo inteiro. Chama-se apanhador de sonhos…

_ Posso saber o nome deste alguém que tinha sonhos ruins? – Ela sondou, já de olhos fechados, quase dormindo novamente. Os olhos de Jacob se tornaram mais profundos em um instante fugaz.

_ Não importa o nome desta pessoa… porque ela já não sonha… — Ele sussurrou. – Não sonha, porque não dorme… — Foi a última coisa que ele sussurrou, mas Sarah já dormia.

E funcionava. Ela não teve mais sonhos, dormiu tranquilamente nos dois últimos dias que restavam de sua folga. E depois, quando voltou a trabalhar, também não havia pesadelos.

Sarah descobriu que Jacob não gostava muito de saber os detalhes de sua profissão. Quando ela começava a contar sobre um processo cirúrgico, sobre o corte no crânio, sobre a coloração do cérebro, sobre a textura do tecido cerebral que ela podia sentir melhor que os outros médicos, Jacob fazia caretas e tentava mudar de assunto.

_ Deu certo a cirurgia? – Ele perguntou quando ela só tinha começado a explicar a retirada de um cisto em um paciente.

_ Ora Jacob, você vê coisas muito piores sendo um lobo e dilacerando vampiros com os dentes! – Ela disse risonha.

_ Ok. Mas lá eu estou em ação certo? É diferente…

_ Ah! Tá! – Ela ainda segurava um riso.

Sarah estava quase inconsciente do fato que Jacob lhe tocava mais que qualquer homem lhe tocara. E de uma maneira como certamente, nenhum homem jamais quis lhe tocar. Ela sorria involuntariamente quando ele lhe acariciava atrás da nuca, esfregando os dedos em seu cabelo. Quando Leah e Embry ficavam conversando com eles após o jantar, Sarah se sentava sempre muito próxima de Jacob, porque gostava quando os seus dedos quentes subiam e desciam suavemente pela pele de seu braço.

_ Mas será possível!? – Ela ralhou quando Jacob chegou de surpresa, pegando-a distraída no meio de livros e livros de medicina, e soprou bem atrás de sua orelha.

Jacob se surpreendeu com a sua própria gargalhada. Mas afinal ele tinha conseguido pegá-la desprevenida e a fez pular da cadeira derrubando três livros no chão. Foi engraçado.

_ Parece criança! – Ela falava brava, enquanto catava seus livros velozmente e caçava as páginas que estava lendo.

_ Ranzinza! – Ele respondeu, cruzando os braços e se sentando na cadeira ao lado dela. Sarah voltou a se enfurnar no meio dos livros, com a adorável mania que Jacob percebeu nela: o balançar da perna esquerda e a mão em uma das ondas de seus cabelos, girando-a entre os dedos. Ela sempre lia assim.

_ Você está me desconcentrando. – Ela disse, depois de só alguns segundos.

_ Mas eu estou quieto! – Ele disse, com uma nota de sarcasmo na voz. Ele realmente estava imóvel. Porém imóvel, com os olhos fixos nela, era quase pior do que se ele estivesse fazendo cócegas em sua barriga.

_ Você não tem coisa melhor pra fazer? – Ela perguntou. Jacob já percebia uma certa tensão na voz dela.

_ Não.

_ Tem sim, montar a planilha de custos das peças que Embry lhe pediu.

_ Montar planilha de custos não é uma coisa melhor do que isto. – Ele disse. Sarah engoliu em seco.

_ Isto o que? – Ela perguntou, sua voz mais baixa. Se ele fosse lhe dizer o que seu olhar já dizia, ela provavelmente… surtaria. Mas não, ele não teria coragem de lhe dizer, não teria… ele era fechado e turrão e…

_ Olhar você. – É! Ele disse!

_ Só olhar? – Ela perguntou, virando uma página que ela não tinha absorvido uma única palavra. Ok, ela tinha que admitir que provocou com aquela pergunta, mas o problema era que ela queria saber.

_ Sim, só olhar. Já que eu não posso fazer outra coisa…

_ Não pode? – Um limite máximo de provocação. Jacob sorriu insinuante, já havia percebido o ventre contraído de Sarah, por baixo da blusa justa.

Ele se inclinou pra frente, encostando a cabeça no ombro direito dela. A pele dela se arrepiou, a de Jacob também.

_ Eu posso? – Ele sussurrou.

Neste instante ela fechou os olhos e suspirou.

_ Eu não sei… não sei se eu posso…

Ele se levantou, afastando-se dela. Mas logo ele estava em pé às costas de sua cadeira. A mão dele foi para a base de seu queixo. Ele ergueu sua mandíbula, curvando a cabeça dela para cima. Com o polegar ele lhe acariciou os seus lábios, deixando um rastro quente e formigante.

Ela fechou os olhos e separou os lábios para logo receber a boca de Jacob pressionando a sua e a língua quente fazendo o mesmo movimento que o polegar dele havia feito.

_ Eu te ajudo a descobrir se pode… – Ele disse, movimentando os lábios em cima dos dela para dizer aquilo, jogando um hálito saboroso em sua língua.

Ela estremeceu e ele se afastou.

_ Vou montar a planilha de custos. – Ele disse, desaparecendo pela porta.

Sarah abaixou a cabeça e respirou fundo, com alguma dificuldade. Sorriu e balançou a cabeça. Alguns minutos depois ela conseguiu focar as páginas do livro novamente. Mas de repente Jacob entrou em sua biblioteca com o notebook, catálogo de peças, cadernos e papéis nos braços.

_ O que você está fazendo?

_ Vou montar a planilha de custos aqui. – Ele disse, com um meio sorriso sapeca demais. – Unindo o útil ao agradável. – Sarah deixou o queixo cair. – Que foi? Não consegue se concentrar?… tsk, tsk, tsk! – Ele disse, balançando a cabeça em um sinal negativo. – Que decepção doutora. Eu consigo.

Sarah bufou e riu ao mesmo tempo, produzindo um som estranho.

_ Black, você é um idiota! – Ela disse, e voltou aos seus livros, tendo que ter muita força de vontade para se concentrar.

Agora ela estava ali, distraída mexendo na comida a sua frente e pensando nos momentos que ela passava enquanto estava em casa. Sua casa, o lugar que ultimamente, ela adorava retornar.

_ …e eu não agüento mais minha mãe falando que aquele velhote é uma boa pessoa. Onde já se viu? Ela disse que não tem nada com o velho Swan, mas eu conheço dona Sue. Ela fica lá, lambendo ele. Depois de tanto tempo eu pensei que ela tivesse finalmente largado do pé dele… ela diz: ele não sabe se cuidar sozinho e foi amigo do seu pai Leah! E blá, blá, blá… Eu não gosto dele e pronto! Estou errada a respeito disto Sarah? – Leah olhou para a amiga e ela estava com o olhar distante, suspirando melosamente para um pedaço de cenoura. – Sarah!

_ Diga Leah. – Ela disse suave.

_ Você não está me escutando de novo!

_ Estou sim!

_ Então do que eu estou falando?

_ Da sua mãe e do tal do Charlie! – Sarah respondeu prontamente. Não era difícil saber daquilo, ultimamente tem sido o foco das reclamações de Leah. A loba fez uma careta. – Sinceramente Lee, eu não sei porque você tem tanta implicância com aquele pobre homem. Ele não me pareceu tão mal, estes dias ele pensou que eu tava com problemas com o pneu do carro e se ofereceu prontamente para me ajudar. Muito gentil. – Sarah estava realmente com o pneu furado aquele dia, mas ela já havia trocado sem fazer o mínimo esforço. Quando o chefe Swan parou para lhe oferecer ajuda ela já estava guardando o pneu velho, fingindo alguma dificuldade.

Leah fez outra careta.

_ Eu não gosto dele.

_ Por que motivo? Francamente, eu andei sondando coisas sobre ele de tanto você falar.

_ O que você fez? Tá maluca! Você não pode fazer isto! – Leah pensou assustada: E se Sarah descobrisse alguma coisa sobre a “vampira-estraga-vida-Swan”?

_ Por que não? Ora Leah, ele foi amigo do seu pai, o Seth me disse que ele é boa pessoa e…

_ O Seth é um bobo! Ela vê tudo de bom em tudo de ruim. – Leah disse, logo enfiando um pedaço generoso de carne na boca.

_ E ele foi amigo de Billy também! Agora nisto eu achei estranho, Billy ficou desconfortável quando eu perguntei porque ele e Charlie não estavam mais tão próximos… — Leah engoliu o bolo de carne em seco. Sarah estreitou os olhos. – Qual o verdadeiro motivo da sua implicância Leah Clearwater?

_ Nada, nada Sarah, eu sou infantil mesmo. Estou com ciúme de minha mãe, é isto! – Sarah percebeu Leah mudar de assunto. – Vamos acabar logo de comer e sair deste restaurante antes que o prazo de meu almoço vença e eu não consiga ir com você visitar o pavilhão. Embry me mataria, faz tempo que eu estou prometendo que vou e não vou.

_ Não vou comer mais, se você já terminou a gente já pode ir. – Sarah disse, ainda com voz desconfiada.

_ Vai pedindo a conta então. – Leah lhe respondeu, com os olhos baixos. Ela não devia ter entrado naquele assunto, Sarah era sensitiva demais.

Sarah afirmou com a cabeça e procurou no balcão do restaurante pequeno e charmoso, um garçom. Era o Salty. Não demorou ela encontrou o sorriso brando e acolhedor da dona do restaurante. Angela Cheney saiu do balcão acariciando sua barriga já avantajada no quinto mês de gestação e se encaminhou para a mesa das duas.

_ Mais alguma coisa meninas? – Ela perguntou, com sua voz meiga de sempre.

_ Não Angela, na verdade nós só queríamos a conta. Pode ver pra nós? – Leah falou. Angela fez um sinal para o funcionário que estava no caixa.

_ Só isto mesmo? – Ela perguntou solícita.

_ Não. Senhora Angela, quando é que você vai parar de andar neste restaurante? Você é a dona, não precisa ficar aqui com esta barriga, trabalhando e inchando os pés. – Sarah disse risonha, acariciando a barriga de Angela.

_ Ah doutora. O Ben fala a mesma coisa, mas eu canso de ficar parada em casa, prefiro vir aqui. Além do mais eu não faço nada pesado, porque ele não deixa sabe? – Sarah sorriu para a mulher, cuja beleza suave havia ficado mais resplandecente com a maternidade.

­_ E como estão as coisas com este garotão? – Ela perguntou. Leah balançou a cabeça com a mania de médica que ela dizia que Sarah tinha.

_ Melhor não poderia estar. – Ela disse, sorridente. – Já volto com a conta de vocês, tudo bem?

Ela se afastou e Sarah desviou seu olhar para a televisão na parede do restaurante. Um rosto lhe chamou a atenção. Leah observou a cor de Sarah se esvair de seu rosto aos poucos.

_ … ele era um bom menino. Trabalhava de voluntário no orfanato, as crianças adoravam ele. Eu não sei o que pensar, ele não seria deste tipo de garoto que fugiria por besteira, nem nada. Era da escola pra casa, da casa para o orfanato e do orfanato pra casa de novo, e só! Ele desapareceu e deixou um grande buraco por aqui. Tudo que nós queremos é que o Henrique seja encontrado logo, aquele garoto enchia de luz onde quer que estivesse. – Uma mulher ruiva de meia idade dava seu depoimento choroso para a repórter do telejornal.

_ Henrique Soull tinha dezessete anos e estudava no colégio central de Seattle. Ele desapareceu há quinze dias, segundo a polícia, após sair do orfanato Wateerom durante a noite de segunda-feira. Seus familiares se encontram em desespero por notícias do garoto que…

Enquanto a repórter narrava detalhes do desaparecimento do garoto, fotos dele apareciam na tela, brincando com crianças pequenas, ao lado de uma moça jovem e bonita — provavelmente a namorada — junto da família, ganhando prêmios no colégio. Sarah olhou bem para a face negra daquele garoto e estremeceu. Sua mente se turvava com o rosto dele, parecendo mais pálido, os olhos negros transfigurados em um vermelho pulsante, os dentes, insuportavelmente brancos e alinhados, e os traços, mais nítidos e perfeitos, contorcidos em uma expressão de pavor. Um vampiro! Sarah tinha certeza que ele havia se tornado um vampiro, pois era aquilo que ela via.

“_ Pelo amor de Deus, não façam nada comigo. Me ajudem, eu não quero ser quem eu sou. Eu não quero ser isto que eu me tornei… — Sarah via um Henrique vampiro acuado no meio de enormes criaturas que rosnavam para ele. Tomava conta da mente de Sarah um outro pensamento, não era seu.

_ Desde quando sanguessugas imploram por Deus? – Era um pensamento feminino e arrastado. Raiva e asco impregnavam-no.

_ Não quer ser um sanguessuga? Mas ele matou, olha a cor dos olhos deste maldito! Ele deve ter se fartado de sangue humano há pouco tempo! – Outro pensamento raivoso dizia, acompanhado de um uivo amedrontador.

_ Acabe com isto Leah! – Aquele era um pensamento rígido e imponderável. A força daquele dizer telepático causava uma forte influência para o corpo daquelas criaturas. Uma loba cinza se aproximou perigosamente do vampiro que um dia tinha sido um bom humano.

­_ Não! Por favor, não, eu sei que vocês podem me entender, eu sei, eu sinto! Me ajudem, eu faço qualquer coisa pra voltar a ser o que eu era… eu não quero isto. – A voz cristalina e perfeita do jovem vampiro implorava. Sarah queria implorar com ele, mas não tinha controle sob aquilo que via.

_ Não há volta para isto, vampiro. – O pensamento feminino soou definitivo. A boca da loba se abriu velozmente e abocanhou o pescoço de granizo, trincando-o e fazendo proliferar o cheiro agressivamente doce. As outras criaturas abocanharam os outros membros.

O vampiro Henrique foi dilacerado sob as vistas de Sarah.”

_ Sarah, pelo amor de Deus, fale alguma coisa! – Leah sacudia o rosto pálido e de olhos vidrados de Sarah sem saber mais o que fazer. A mulher parecia em choque, rígida feito um pedaço de madeira.

Sarah piscou. Depois olhou para a televisão, apontando o fim da reportagem com o garoto, havia uma foto dele no canto da tela.

_ Você o matou! – Ela sussurrou somente para Leah ouvir. Só então Leah olhou para a TV, vislumbrando a foto do jovem. Sua mente trabalhou buscando aqueles traços em sua memória. Encontrou. Há uma semana eles, os lobos, haviam encontrado aquele sanguessuga nos arredores de Forks e Jacob lhe deu a ordem para que o matasse.

Um arrepio passou por todo o corpo da loba e ela olhou espantada para a amiga.

_ Está tudo bem. Ela vai ficar bem, nós precisamos ir. – Leah disse para as pessoas que rodeavam a mesa delas.

_ Leah, leve ela lá pra dentro! Ela está sem cor! – Angela disse preocupada.

_ Está tudo bem! Eu vou levar ela pra casa. – Leah passou os braços ao redor do corpo de Sarah como se a apoiasse e a levantou, mantendo o peso dela, disfarçadamente, em seus braços. Sarah lhe olhava estranhamente e Leah ainda tinha o coração acelerado com o que ela havia dito.

Leah saiu com Sarah do restaurante às pressas, esquecendo até de pegar o troco da conta que pagou apressada.

_ Me solta, eu posso andar! – Sarah disse, se desvencilhando de Leah. Ela entrou no carro e bateu a porta, esperando Leah entrar do outro lado.

Leah entrou e acelerou seu carro ainda muda, sem conseguir dizer uma única palavra. O que era aquilo? Como Sarah sabia que ela tinha matado aquele garoto? Não, não, ela não matou o garoto, ela destruiu um vampiro, um maldito vampiro!

_ Vocês mataram o vampiro que ele era. – Sarah sussurrou sinistramente, parecendo em transe com seus olhos fechados. – Mas também mataram o humano que ele foi. – Leah segurou firme a direção, quase quebrando o volante.

_ C-como? … Como você sabe que nós… que eu… que aquele da reportagem era… o vampiro que nós matamos? – Leah concluiu a frase com dificuldade, completamente confusa com a cena que tinha presenciado. Será que Jacob havia contado a ela? Mas como ela havia reconhecido o garoto da televisão?

Sarah não respondeu, ficou quieta, respirando profundamente. Nem ela sabia a resposta para aquela pergunta. Ela não fazia a mínima idéia de como tinha visto aquilo, de como tinha tanta certeza de que aquilo era verdade e nem porque tinha sentido compaixão por um vampiro, seu pior pesadelo, seu predador natural. Inimigo, portanto.

Mas o que Sarah via era o humano Henrique. Ela não queria que a alma boa, que ela tinha certeza que o garoto tinha, tivesse se perdido. Ela via resquícios do coração humano do jovem na lembrança daqueles apavorantes olhos vermelhos. Um dia ele tinha sido humano, amou e foi amado por sua família, amigos. Ele fazia falta para alguém. E estava morto. Destruído porque se tornara um vampiro, cuja imortalidade lhe foi dada por um instante fugaz. Imortalidade que não era garantia de eternidade.

_ Ele era um vampiro Sarah! Um vampiro que vive para matar humanos inocentes! – Leah disse.

_ Humanos inocentes como ele um dia foi. Ele se tornou vampiro porque um outro vampiro miserável transformou a sua vida humana, inocente, em algo abominável. É este vampiro que vocês têm que matar! – Sarah disse raivosa.

Leah parou o carro bruscamente.

_ Que merda é esta Sarah? Como você sabe disso? Como você sabe?! – Leah gritou.

_ Não sei! – A morena sussurrou, colocando as mãos no rosto em desespero.

As duas ficaram quietas, acalmando suas respirações.

_ Você não vai contar nada disto a ninguém, ouviu Leah? – Sarah disse, depois de alguns minutos.

_ O que? Como não? Jacob precisa saber, nós precisamos saber o que foi isto…

_ Muito menos para o Jacob! Você vai esquecer tudo isto Leah, não vai se lembrar de nada!

_ Eu não posso merda! Eu não posso esconder qualquer coisa da mente do meu Alpha! Ele sente minhas emoções, mesmo que eu desviasse meus pensamentos, ele sentiria minha perturbação e iria me incitar a dizer, a mostrar e eu não posso fugir disto. – A loba ainda estava pasmada com tudo aquilo, não sabia o que pensar, não fazia conjecturas sob o que poderia ser aquele rompante de Sarah.

_ Ele não vai descobrir, você não vai mostrar isto a nenhum dos lobos! Se você realmente quiser, ninguém vai desconfiar. – A voz de Sarah de repente ficou mais grave. Ela sentiu algo estranho sair de dentro de si e impregnar o tom da sua voz. Mas ela sabia com aquilo que Leah iria conseguir fazer o que ela havia dito, de alguma forma, ela conseguiria.

Leah também sentiu aquilo. Ela não diria nada a ninguém, tão pouco revelaria aquele pensamento.

_ Quem é você? – Leah sussurrou, olhando de esguelha para a mulher de postura rígida ao seu lado, com os olhos fixos na paisagem da estrada vazia. – O que é você? — Ela sussurrou novamente, era mais um pensamento em voz alta, um pressentimento estranho sobre a amiga.

Sarah respirou fundo e relaxou. Seus olhos tornaram-se novamente cálidos e naturais. Ela sorriu e disse:

_ Eu sou Sarah Black, Lee. Sou só uma humana um pouco sensitiva. Agora vamos, Jacob e Embry estão nos esperando e nós temos só uma hora ainda.

Leah encarou Sarah por um instante e com mãos tremulas, voltou a ligar o carro para partirem ao encontro de seus homens.

Notas finais
Ééééé... este é um pequeno gostinho dos misterios que estão ao redor de Sarah... hummmm... Só posso dizer que sua descendência élfica não é tão simples... Not!
E agora, Leah ficou desconfiada, hãn? O que vcs acham que vai acontecer??
Hummmm... agora um avisinho básicooo: preparem água gelada, ventilador, ar condicionado ou qlqr coisa assim, pq o próximo capítulo vai ser quenteee... huhul!!! Bjs minhas lindas! Amo vcs!!