The Precious Blood

51 ENIGMA DE MORTE


Notas iniciais
Adivinhem???? MAIS DUAS RECOMENDAÇÕES!!!! Gente, eu não sei nem explicar o quanto estou feliz! Sério!

Muito obrigado a você RafaNunes e a você Make! Fiquei muito emocionada com o que escreveram!

Este capítulo é dedicado a vocês.

MENINAS, AVISO IMPORTANTE LÁ EM BAIXO!

Então a morte vem, com ela o pranto, com ela a dor. Por que celebramos a vida e lamentamos a morte? O que é bom? O que é certo?

Se a vida é nossa razão, por que ela tem fim?

Se a morte é passagem para a riqueza eterna, por que a tememos? Por que ela causa dor?

Continuaremos a lutar pela vida ainda que soubermos que o Paraíso não é aqui? Então por que viver? Se o nosso galardão está na ‘além-vida’, por que estar aqui? A resposta pra tudo não seria: “deveríamos morrer ao invés de nascer”?

Sarah abriu os olhos… o grito de seu marido a despertou. Ele havia gritado… perto. Olhou ao redor, confusa, completamente confusa. Quando ela tinha dormido tanto? Como? Ela não se lembrava de ter se deitado em sua cama, de ter sequer cogitado a hipótese de dormir quando Jacob saiu. Algo estava errado.

Seu peito se espremeu. Se levantou da cama em um salto, saindo correndo da casa como estava: descalça. Jacob ainda gritava. Correu, olhando ao redor. Não havia lobos por ali, mas ela podia sentir um leve tremor no chão indicando que eles corriam perto. Sua cabeça ainda estava sonolenta, as árvores em torno da estradinha que levava até o coração da reserva estavam borradas… como ela esteve dormindo? Já parecia tarde da noite! Deus! Alguém havia a dopado, manipulado!

Ao chegar perto da parte mais movimentada da reserva, percebeu pessoas saindo de suas casas assustadas, trajando vestes de dormir, seus semblantes sérios, o ar estava pesado. Teve que diminuir o passo. Uivos incessantes eram ouvidos a todo momento. Sentia uma áurea sombria pairando por tudo, quase agarrando completamente o lugar. Uma barreira havia sido quebrada, o inimigo havia penetrado a segurança de La Push.

_ Jacob! – Ela sussurrou. Correu sem se importar que a vissem, mas suas pernas estavam bambas de medo. Entrou na orla da floresta e percebeu logo que não estava a sós.

_ Volte para a reserva. Agora!

_ Niadhi! – Ela sussurrou assustada, olhando para a elfo. Estavam todos eles lá, todos os elfos caminhando para o lugar que ela sabia que Jacob estava. – O que aconteceu?

Assim que a elfo olhou nos olhos de Sarah soube que a mente dela havia sido invadida… Sarah, por alguma razão se deixou enfraquecer, alguma emoção forte demais a deixou exposta pra quem quer que fosse que tivesse a espreita. Ela foi manipulada. Ainda sem responder, Niadhi tocou a cabeça de Sarah e murmurou algo. Imediatamente esta se sentiu mais desperta, mais lúcida.

_ O que aconteceu? – Tornou a perguntar para elfo.

Niadhi suspirou.

_ Um demônio voltou do inferno! – Nos olhos da elfo havia fogo. Sarah se afastou dela.

_Volte a reserva, Sarah. O povo precisará de alento e força. – Desta vez foi Quendra quem falou, dando uma ordem a distância. – Jacob está bem… na medida do possível. – A rainha concluiu seca, respondendo a pergunta muda de Sarah.

Então todos eles se afastaram, deixando Sarah estática para trás, ouvindo agoniada os grunhidos de uma matilha de lobos. Os elfos deslizaram e rapidamente chegaram ao lugar onde um grupo de vampiros e lobos transformados velavam um corpo jovem. Jacob, no entanto, foi o único a perceber a chegada deles. Ele era o único dos lobos que permanecia em sua forma humana.

Quendra olhou os olhos revoltos de Jacob e se abaixou, observando o corpo de Caleb. A mão delicada da elfo circundou a grande ferida no peito do lobo. Jacob a ouviu sussurrar.

_ Ukhaha. Um ukhaha… aqui! — Os olhos da rainha enegreceram, ela olhou para os seus irmãos e murmurou. – Caça!

Eles se dispersaram como vento, ao contrário dos que antes corriam atrás da criatura que causou aquele caos, os elfos conheciam bem o seu oponente… já haviam lutado com muitos deles, há séculos atrás. Era um ukhaha, um demônio procedente da Africa oriental. No entanto, todos eles pensavam que os ukhaha haviam sido dizimados na batalha élfica há oito séculos.

Pela primeira vez, eles estavam enganados. Os elfos eram silenciosos, se movimentavam feito sombras, seus atos eram conhecidos uns pelos outros como se fossem todos os vinte e tantos, um único corpo.

Kadinah logo percebeu que estava sendo perseguida e sabia o que lhe denunciava: o coração que ela havia acabado de comer, o coração jovem e forte do lobo. Sim… este era o seu alimento. Sorriu: era exatamente aquilo que ela queria… que os elfos fossem atrás dela depois que ela tivesse a força revigorada com um alimento tão poderoso quanto o coração de um guerreiro de magia élfica. Ela queria que eles viessem persegui-la, tal como faziam agora: ansiosos, letais. Só assim é que estaria a frente do grupo o elfo mais forte: a rainha.

Kadinah, a ultima demônio ukhaha sobrevivente, sabia como os elfos agiam. Eles vinham não somente para vingança, vinham para saber quantos dela restavam pelo mundo, quais os males que ela havia causado e assegurar que sua raça fosse dizimada completa e definitivamente.

Ela fingiu correr, mas logo percebeu elfos surgindo a sua frente. Sorriu.

_ Olá… — murmurou.

Nenhum deles respondeu, mas imediatamente ela teve que bloquear uma onda de magia que lhe golpeava a cabeça, tentando encontrar o seu único ponto fraco: o centro. Então, os tentáculos distintos que compunham a cabeça da criatura, que mais pareciam galhos secos com vida própria, envolveram-se protetoramente ao redor da cabeça. Outro baque e ela começou a sentir dor. Maldição! Eles adoravam torturar!

Mas eis que o que ela queria aconteceu. A elfo mais forte, canalizando a magia de todos os outros, veio a frente, para eliminar de vez o problema: Quendra!

A rainha avançou tão rápido que seu corpo parecia se materializar de um lugar pro outro… mas o oponente não era tão fraco. Na verdade, um dos mais difíceis que os elfos já enfrentaram. As garras de Kadinah conseguiram agarrar o pescoço esguio da elfo e jogá-la longe. A rainha titubeou, mas logo voltava na direção da ukhaha. Tomou cuidado para desviar dos membros extras que haviam na cabeça da criatura, os tentáculos, e agarrou o pescoço. Quendra só precisava esmagar o interior daquela cabeça. No entanto, as mãos de Kadinah vieram lhe dificultar o processo, agarrando o pescoço da elfo novamente, ficando as unhas e descendo arranhando até o coração.

Kadinah sentiu o poder dos outros elfos blindando o corpo da rainha, tendo força suficiente pra praticamente expulsar suas grandes unhas que perfuravam a pele. Coisa extraordinária eram os elfos, uma pena que grande parte daquilo ia se perder.

A ukhaha esperou até que a rainha a considerasse indefesa e então fez o que fazia de melhor: manipulou a criatura a sua frente por meio de sua fraqueza.

_ Hector! – Murmurou, um sorriso brincando nos lábios, abrindo a mente para que a rainha elfo vislumbrasse seu conteúdo. Quendra afrouxou o aperto e arregalou os olhos castanhos assim que viu tudo o que o demônio a sua frente lhe mostrava.

A rainha desfez a ligação com seus irmãos e simplesmente desapareceu com a criatura demoníaca.

******************

Ela se encolheu mais em seu xale branco, o vento que vinha do mar estava frio e assobiava tristemente, passando por entre os corpos rígidos dos quileutes ali reunidos. Estavam todos na praia, quase no mesmo ponto em que ela havia se casado com Jacob. No centro do círculo de pessoas, não havia um altar, mas um gigantesco sepulcro, composto por uma pilha bem montada de madeiras, flores, muitas flores ao redor da enorme fogueira que seria o ultimo leito de Caleb. O corpo do jovem estava posto acima, seu peito precisou ser coberto por uma túnica para que fosse escondido o arrombo que havia nele. Ele havia sido pintado como um guerreiro quileute, um cocar glorioso havia sido confeccionado as pressas pelas mulheres, com as penas das aves mais nobres que puderam encontrar.

Sarah olhou para o marido, para o seu semblante pesado, cansado, mas ainda firme. Enquanto o corpo de Caleb estava sendo preparado para a cerimonia fúnebre, durante o restante da madrugada e início do alvorecer, o alpha se transformou em lobo, foi para o penhasco mais alto de La Push e uivou incessantemente por longas e longas horas. Durante este tempo, não se pode ouvir um único vão suspiro ou choro de nenhum quileute, somente o lamento do alpha, que parecia proclamar a dor de seu povo aos quatro cantos do mundo. Sarah não pode se aproximar dele, conteve-se em conservar seu coração em prece pela alma de Caleb, seu adorável garoto, enquanto auxiliava na preparação do corpo e nos proclames oficiais de sua morte.

Ela ainda estava assustada, paralisada de medo, pois não sabia o que causou a intorpecência em sua mente durante todo caos que ocasionou a morte de Caleb. E além de tudo, os elfos haviam desaparecido desde o momento em que se afastaram do corpo de Caleb... Sarah não gostava do silêncio deles. Mas aquilo não prendia sua atenção no momento, pois tinha seus olhos e coração voltados para a cerimonia que acontecia a sua frente.

Os lobos veteranos, em suas formas humanas, encontravam-se em uma fileira composta na cabeceira do lugar onde o corpo repousava, todos pintados tal como Caleb. Em cada mão, uma tocha queimava em um fogo ardente, estando a maior delas nas mãos de Jacob. Ele estava um passo a frente dos outros, seu olhar fixo no horizonte, parecendo ver muito mais além do que todos ali.

Todos o demais quileutes, incluindo Sarah, seguravam um ramalhete de acácias em suas mãos e, quando o corpo de Caleb foi colocado no tumulo, eles ergueram seus ramos ao alto e quebraram os talos. Eram as acácias símbolo da imortalidade da alma e o gesto de partir as flores proclamava a fragilidade da vida.

Sarah apertou os olhos, as lembranças de Caleb apostando corrida com ela, de sua inocência, dos abraços, dos sorrisos lhe voltando a mente como em um filme. Quando ela abriu os olhos, Jacob estava mais a frente, sua tocha um pouco mais erguida.

_ Caleb… — Ele disse. Sua voz estava forte, mais grave que o costume, mais limpa, menos rouca. Era a voz do alpha.- Tu nasceu como guerreiro, viveu como guerreiro e deixou a Terra como um. Seu nome está gravado em nós como sinônimo de coragem, de luta. Tu agora se tornou maior do que todos nós... porque ainda é guerreiro. Deixaste de viver como homem para ser espírito. És um Espirito Guerreiro. Mais radiante do que o sol, mais belo do que a lua é o teu espírito eterno em nós, menino guerreiro. – Jacob parou por um momento o seu discurso ao ouvir o suspiro profundo da mãe de Caleb, Nadie Yuorah, ao seu lado esquerdo. A mulher caiu sob seus pés, não suportando mais ficar firme, mas logo foi segura pelo marido.

Sarah observou a veia no pescoço de Jacob saltar, Leah envolver protetoramente o seu próprio ventre, contorcendo a expressão e fugindo o rosto da direção em que a mãe de Caleb sofria. Jacob deu um passo a frente e Nadie deu um grito, precisando ser segura não só pelo marido, mas por Sue e pela sobrinha, prima de Caleb. Jacob desceu sua tocha sobre o amontoado de palha na base do sepulcro, os outros membros da matilha repetiram o gesto do alpha e logo a chama se espalhou.

_ Senhor da Vida… receba Caleb Yuorah em teus domínios. – Jacob disse, em seus olhos negros as chamas se refletiam. Sarah reconhecia sob toda a firmeza e suntuosidade da voz de seu marido a dor, o pesar... uma tristeza profunda e pura. – Leve-o para longe... para os aléns de qualquer um de nós que fica. Conceda-lhe a paz de animal tranquilo, de árvore serena, de rocha segura. Que o fogo que consome este corpo que já não tem valor, acalente em braços quentes sua alma, que seja dispersada ao vento, no giro das águas e suba em direção aos Teus braços. Reduza este corpo ao pó e imortalize e engrandeça esta alma. Caleb retorna para o lugar de onde veio, maior, muito maior do que partiu.

Sarah não conteve a lágrima, deixou-a cair enquanto via cada quileute beijar seu ramo de acácia, se aproximar da fogueira e jogar no fogo. Eles retornavam ao lugar de onde vinham e então se ajoelhavam, fechando os olhos e erguendo as mãos ao alto. Aos poucos o círculo que outrora estava de pé ficou ajoelhado e vozes baixas sussurravam preces sagradas. Sarah fez então seu caminho, ternamente apertou seu ramo de flor no peito, para depois beijar, inspirando o odor suave e puro da planta. Ela passou por Jacob e lhe apertou a mão. Ele não se moveu do lugar em que estava, seus olhos fixos na fogueira, mas retribuiu o aperto.

Ela ousou chegar mais perto do fogo do que os outros, as chamas quase tocaram suas mãos quando ela jogou as flores.

_ Vá em paz, Caleb. E zele por nós. – Ela sussurrou.

Ela voltou então para o lugar em que estava, perto de Rachel, Kim e Emily. Se pôs de joelhos então, ergueu as mãos, abaixou a cabeça e, tal como todos os outros pediu pelo espírito do jovem guerreiro quileute.

Quando todos estavam já nesta postura, Jacob deu um olhar de comando aos companheiros e eles se afastaram, para se juntar aos demais lobos na orla da floresta. Jacob não discutiu quando Leah seguiu com eles e se transformou também. Eles se transformaram... todos os lobos. E faltava um, faltava um pedaço, faltava um membro, os corações dos lobos batiam aleijados. Faltava um.

As lembranças da matilha eram um turbilhão que repassava toda a vida lupina de Caleb, o alpha se lembrava de quando ele se assustou com a transformação, de quando ele o recebeu. O primeiro lobo a se transformar depois de dez anos da matilha formada.

O lobo negro, Sam, não havia vivido com Caleb na matilha, mas o sentia ainda enraizado em todos ali e, consequentemente, nele próprio também. Jacob esfregou as patas no chão, com seguidas cabeçadas no dorso de alguns, colocou os lobos em um perfeito círculo e então todos eles uivaram enquanto sentiam o cheiro de Caleb se alastrar no vento conforme a fumaça era dispersada.

Os uivos tomaram conta de tudo, foi ouvido a quilômetros de distância. Dos quileutes em comunhão ao redor da pira fúnebre na praia, a prece deixou de ser sussurrada. As vozes se ergueram juntamente com o uivo dos lobos… Além da fronteira para a Reserva, os Cullen permaneciam petrificados em um silêncio mórbido. Nem mesmo Rosálie tinha coragem de dizer qualquer coisa diante da notável dor dos lobos. Nessie e Milla estavam grudadas uma a outra, silenciosas.

E todos, mesmos aqueles que não queriam admitir, mesmo aqueles ignorantes acerca do mundo sobrenatural que os rodeava, sentiam muito mais aquela morte, pois sabiam que ela era um anuncio de tempos funestos… talvez aquela morte não seria a única.

Aos poucos as pessoas se levantaram, uma a uma foram se afastando da grande pira fúnebre que ia se reduzindo a cinzas. Sarah permaneceu em seu lugar quando as preces acabaram, o fogo a hipnotizando, fazendo-a perder a noção do tempo e do espaço. Quando deu por si os lobos haviam parado de uivar e na praia só restava poucas pessoas. A família de Caleb, Rachel, Emily, Sue e Billy.

A mãe de Caleb ainda tinha o rosto banhado por lágrimas, ainda murmurava frases inconformadas, havia uma certa revolta nos traços dela. Quando a pira estava quase reduzida a pó, os lobos retornaram para a praia, já transformados. Sarah se levantou do chão imediatamente, logo que viu Jake vir a frente dos outros.

Imediatamente, a passos trôpegos, ela partiu para perto de Jacob, ansiosa por lhe ter em seus braços, para que ele pudesse enfraquecer em seu colo, para que em seus braços ele deixasse de ser alpha, que pudesse ser apenas um homem que padecia, que sentia, que temia. Ela precisava acolhe-lo, dá-lhe forças, porque a força dele era também a dela. Quando os olhos de Jacob encontraram com os dela, apesar de toda a compostura que ele ainda mantinha, o mais ereto dos poucos companheiros da matilha que tinham retornado para a praia, Sarah percebeu a necessidade de tudo aquilo, a necessidade dela.

Tão conectados estavam que nenhum deles perceberam o burburinho entre as outras pessoas da praia e a movimentação conturbada da mãe de Caleb. Jacob só percebeu a mulher quando estava quase em cima dela. Os olhos de Nadie crispavam ódio e asco voltados para Sam, Embry, Leah e principalmente a Jacob.

_ Maldição! Isto tudo é uma maldição! – Ela disse, sua voz gasta, direcionando-se a Jacob como se o xingasse.

_ Senhora Yoruah…

_ Você se responsabilizou pelo meu filho, Black! Você me garantiu que isto tudo não seria ruim para o meu menino! Mas você colocou ele pra morrer! VOCÊ COLOCOU ELE PRA MORRER! – O grito de ódio da mãe fez Jacob engolir em seco. Sarah se aproximou da mulher, mas sua voz desapareceu em algum lugar dentro de si.

_ Nadie, as coisas não são assim. Você sabe, você é uma quileute, conhece tudo isto tão bem quanto qualquer um de nós. – Billy disse, tentando ser cordato.

_ Tia, pelo amor de Deus, pare com isto! – A menina Carlie, prima de Caleb, implorou a tia. Mas nada parecia adiantar. O marido de Nadie segurou os braços dela, murmurou algo para que ela se contesse, mas ele também parecia partilhar do mesmo rancor que a esposa.

_ Não! Não… Meu menino não devia estar nisto! Não devia! Por que nenhum dos mais velhos não morreram? Ele era o caçula, o mais indefeso! Você tinha que protege-lo, você tinha que tê-lo livrado da morte! Ele não merecia! – Os soluços da mulher quase a impediam de falar, mas ela prosseguia, quase se esganiçando, mas prosseguia.

Ela andou cambaleante para Jacob, ainda com raiva, se livrou dos braços do marido e foi. Transtornada ela começou a dar sucessivos golpes no peito desnudo de Jacob. Imediatamente os outros se movimentaram pra tentar impedi-la, mas Jacob fez um sinal mínimo, para que não se movessem. Jacob sabia que ela precisava extravasar a dor, culpar alguém, castigar alguém, vingar a morte de seu filho. Ele não lamentava aquilo, não sentia raiva da mulher por ela estar tentando feri-lo fisicamente como se tentasse impingi-lo uma parte da dor que ela sentia. O que Jake lamentava era o fato de que quando ela parasse, quando ela voltasse pra casa e tentasse dormir, ela perceberia que nada daquilo adiantaria. Nada iria diminuir a sua dor, ninguém teria outra escolha senão senti-la. Todos no fundo compreendiam aquilo e assistiam a cena chorando junto com a mulher.

_ Maldição! Malditos! Não é uma dádiva é uma maldição! Ma-malditos! – Enquanto esmurrava o peito de Jake com mãos trêmulas e braços fracos, ela maldizia a magia que rondava o seu povo. – Você devia ter impedido… impedido ele… morrer! – Ela lhe deu um ultimo tapa, desta vez na face, Jacob virou o rosto acompanhando o movimento da mulher para que ela não machucasse a mão.

Depois disso ela se afastou, os olhos alucinados, ela colocou as mão no peito e depois cobriu a face chorosa. Não demorou muito ela sentiu um toque quente sedoso e extremamente delicado lhe acariciar o cabelo. Era tão terno que parecia o próprio Caleb fazendo carinho na mãe. Ela chorou mais. Lentamente as mesmas mãos quentes afastaram as suas próprias, tirando-as do rosto. Nadie olhou pra cima e se deparou com o rosto sério, imponente, porém compreensivo de Jacob.

_ Eu não pude… e não tinha poder de fazer isto. – Jacob tomou folego e continuou. – Quando a morte tem que vir para alguém… ela virá.

No exato momento em que Jacob disse aquilo, Sarah deu um passo a frente, sua expressão tensa, um estilhaço de dor cortou algo mais dentro de si. Nadie estava mais branda para com o alpha, mas ainda assim sacudia a cabeça freneticamente, negando.

_ A morte virá para todos nós aqui, Nadie… cedo ou tarde. É o caminho natural da vida. O tesouro maior não está na Terra… — Sue lhe disse mansamente, com muito cuidado.

_ Não! É mentira! – Nadie agarrou os pulsos de Jacob e pediu com os olhos para que ele a soltasse. Assim ele fez. A mulher se virou para os outros. – Vocês mentem! Eu… eu duvido que algum de vocês assistiriam passivamente a morte de alguém que vocês amam, sem tentar lutar contra, sem tentar impedir! Eu duvido que algum de vocês se conforme com a morte de alguém precioso acreditando que era sua hora de morrer! Não é assim! ME FALE SE É MENTIRA!

Ninguém poderia desmenti-la… nunca. Todos sabiam que no fundo, quase ninguém aceitava a morte. Estavam presos: a vida… davam valor: a vida. Como se o amor só fosse completo entre os vivos. E seria realmente assim?

Jacob abaixou a cabeça, apertando os olhos. Era verdade o que a mulher dizia. Nadie olhou para cada um dos rostos apáticos e inertes que lhe encaravam, incapazes de ir contra qualquer uma de suas palavras, mas havia um olhar, um rosto que parecia entender tudo o que se passava dentro de si como se vivesse a mesma coisa. Como mãe, Nadie estaria disposta a descer ao inferno para poupar a vida do filho, ela morreria no lugar de seu garoto, único filho. A índia reconheceu o mesmo sentimento nos olhos castanhos brilhantes de Sarah Black.

A moça lhe acenou, um movimento mínimo de entendimento e se aproximou dela. Pegou-lhe as mãos.

_ Ninguém deixou de lutar pela vida de seu filho… mas não foram suficiente. Ninguém deixaria de lutar desesperadamente pela vida um do outro, ninguém aqui prefere a morte. Caleb faria a mesma coisa. Todos farão de tudo um pelos outros para preservar a vida. Não se engane. Reze, reze conosco Nadie, para que sejamos o suficiente. Não queira que ninguém mais se sinta tão impotente quanto estamos nos sentindo agora. – Sarah levou as mãos da mulher aos lábios, beijando-as ternamente. – Vá pra casa, Caleb ainda permanece conosco… de alguma forma, permanece.

Nadie, a índia de rosto cansado e poucas rugas abaixou a cabeça, soltou um último suspiro.

_ Vamos querida… agora chega. Venha. – Seu marido lhe sussurrou, lhe envolvendo pelos ombros.

_ Sim…

A índia se deixou conduzir e se afastou, não antes de olhar para as brasas se tornando cinzas amontoadas no meio da praia e soprar um beijo naquela direção. Ninguém pode dizer mais nada. Sam e Embry se direcionaram ao que sobrou da fogueira que tinha se erguido, apagaram o que ainda restava de fogo e tudo se tornou um amontoado de cinzas que foram pegas em punhados e pouco a pouco jogados no mar. Jacob e Sarah foram ajudar, mas a morena deu ordem expressa pra que Rachel e Emily levasse Leah para repousar.

Quando não havia mais nada a fazer, Embry e Sam voltaram para suas mulheres, para os seus filhos, deixando Jake e Sarah na praia. A sós, Sarah abriu os braços e Jacob foi para ela, se encolhendo lá da maneira que pode. Abraçados, eles caminharam pra casa.

Notas finais
Tistinho este capítulo, né? É, é, eu sei!

Mas é o seguinte, eu posto TPB em outro site tbm. Neste, a fic tava bem adiantada e por isto venho publicando capítulos com mais frequencia aqui. Só que agora a fic está no mesmo capítulo que no outro site. Isto significa que vou atualizar junto, nos dois sites, ao mesmo tempo. Então pode ser que eu demore mais a atualizar aqui. MAS NÃO VOU PARAR! Okay?

Ah, a fic tem uma pagina no face! Lá tem fotos de personagens, músicas que me inspiraram e spoiler tbm! Dão uma curtida: http://www.facebook.com/ThePreciousBlood?fref=ts

É isto: COMENTEM!!!
Qualquer dúvida, deixem nos comentários que eu sempre respondo! Bjsss!!!