Não havia muito movimento na confeitaria de Townsville naquele dia, apenas o suficiente para mantê-la aberta. Perto do balcão, um rapaz dava em cima da entediada garçonete, que não via a hora de ir embora. Em uma mesa perto das grandes janelas de vidro que estavam de frente para a rua, Senhora Kim suava de nervosismo. Se ela caísse da janela a queda dos dois andares entre a confeitaria e a rua não a mataria, mas ela certamente não sairia viva de atropelamentos múltiplos. Aquela era uma rua bem movimentada e ela seria esmagada e espalhada pela rua como um patê.

Sentada à frente da Senhora Kim, a mulher mexia o café calmamente.

— Senhora Kim, responda a pergunta. — Ela disse.

— Eu... eu não vejo o porquê de vocês terem que me interrogar. Claro, eu era professora delas quando elas eram crianças, mas, Deus, isso fazem anos!

— Eu expliquei para você. Nós temos que interrogar todos que tem alguma ligação com elas.

— Eu só sou uma professora de maternal!

— Senhora Kim, eu vou perguntar apenas mais uma vez. — A mulher falou, inclinando-se para frente. — Você sabe onde elas estão?

Senhora Kim lembrou-se da janela e da morte eminente.

— Eu as vi uma vez, três meses atrás. Elas apareceram na minha casa. Elas... elas não pareciam nada com as meninas que eu conheci. — Senhora Kim começou a chorar— Elas eram tão bondosas, sabe? Elas salvavam o mundo. Quando elas apareceram na minha casa... parecia que toda a bondade fora sugada delas é o que restou foi apenas um corpo vazio e desalmado, preenchido com mal. Elas falaram para eu não contar. Ou... ou elas viriam atrás de mim.

— Senhora Kim, você sabe o que elas estavam procurando ou para onde elas iriam em seguida?

Um cheiro estranho preencheu o recinto. A garçonete foi a primeira a sentir, mas não se incomodou mais do que estava incomodada com o rapaz que tentava de todas as formas conquistá-la. Quando a Agente Gilmore percebeu já era tarde demais. Um pensamento começou a formar em sua cabeça: " Aquilo era... Gás?".

— Elas... – Senhora Kim gaguejou, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, uma explosão. Pedaços de vidro da janela espalharam-se pelo chão. A agente, Maria Gilmore, caiu da cadeira, o rapaz e a garçonete conseguiram se proteger atrás do balcão. Nenhuma fatalidade... até o momento.

Dos resquícios da janela, surgiram três pessoas.

— Ouvi que vocês estavam nos procurando. — Florzinha falou.

— Que coisa feia, não é, Docinho? Nós falamos que se a Senhora Kim abrisse a boca nós voltaríamos por ela. — Lindinha falou com uma voz infantil e gargalhou.

Docinho não falou nada, apenas segurou a Senhora Kim pelo pescoço, que estava assustada demais para reagir e a ergueu no ar.

— É uma pena que a Senhora Kim tenha morrido com a explosão – Lindinha continuou – Estas confeitarias realmente deveriam ter mais cuidado com vazamentos de gás.

Ao comando de Florzinha, Docinho soltou Senhora Kim que foi esmagada pelos carros. A agente tentou fazer algo para impedir, mas não tinha forças para se mover.

Florzinha aproximou-se da agente caída e segurou seu queixo, a obrigando a olhar em seus olhos enquanto falava.

— Diga para seus amigos da PANIC que eles não são suficientes para nos deter. Se continuarem tentando, vão acabar como a Senhora Kim.

Quando Florzinha soltou seu queixo, tudo começou a ficar escuro e não demorou muito para que a agente perdesse os sentidos.

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Agente Hakua Holderbach caminhava apressadamente pelo longo corredor que levava à sala onde se armazenava fichas e documentos. A sala funcionava como uma biblioteca e regularmente precisava que alguém a organizasse. Em um canto da sala Agente Bellara Mcginn analisava uma pilha de fichas.

— Agente Mcginn? – Hakua perguntou.

— Eu não faço mais missões de campo, Agente Holderbach. – Ela disse, ainda olhando para as fichas e apontando para sua bengala.

— Você tem que parar de se culpar, Bella. E parar de usar a bengala como desculpa. Desde o ... hum... "acidente" você não sai desta sala, e eu sei o quanto você adora missões de campo.

— Bom, alguém tem que arrumar esta sala, não?

— Sim. Bem. Não foi por isso que eu vim falar com você. A chefe quer falar com você.

Bellara congelou. Fazia dois anos desde o "acidente" e nesses dois anos a chefe a ignorara. Ela não recebera nenhuma punição oficial, apesar de se punir arrumando arquivos. Ela sempre suspeitara que a chefe não escolhera punição suficiente para ela. Bellara já cometera erros em missões antes, mas daquela vez ela tinha estragado feio as coisas.

— Ai Deus! Você acha que ela vai me demitir? – Agente Mcginn perguntou a Hakua, enquanto se dirigiam ao escritório da chefe.

— Espero que não – Agente Holderbach falou – Eu apostei com Agente Reed que você não seria demitida e eu estou precisando de 10 pratas.

— Ótimo. Com colegas como vocês quem precisa de inimigos.

— Ei! Para sua informação, Catarina Lopez apostou que ela a mataria e sumiria com o seu corpo. Chegamos. Ela está te esperando. Boa sorte.

Bellara engoliu em seco e entrou no escritório. Senhorita Belo sentava-se confortavelmente em sua cadeira giratória de couro em frente à sua escrivaninha, com uma cara de poucos amigos. O fato de que era possível ver sua cara significava que Bellara provavelmente não sairia viva daquela sala e que Catarina ficaria rica.

— Senhorita Belo, como vai? Você fez alguma coisa com seu cabelo? Está lindo! Realmente ressalta... – Bellara falava, com um sorriso amarelo.

— Agente Mcginn, sente-se.

— Sim senhora, Senhorita Belo, chefe.

Momentos de silêncio se passaram, nos quais Bellara considerava ser os finais de sua vida.

— Olhe, eu vou ser sincera com você. Eu estou cansada. Eu estou com medo e estou com raiva. Todo o trabalho de todos esses anos está prestes a ir por água à baixo e eu não tenho certeza de que podemos lidar com isso. Eu estou te dizendo isso porque eu confio em você. Você é uma das agentes mais antigas e eu preciso de toda ajuda que eu conseguir. Agente Mcginn, nós temos um problema e eu vou precisar da sua ajuda.

— Então você não vai me demitir? – ela perguntou e acrescentou em voz baixa – ou me matar?

— Não. De onde você tirou esta ideia?

— Que bom! E você está me colocando como chefe de missão? Eu não vejo o lado ruim disso! Quer dizer, nós temos um problema. E... Que problema seria este?

— Agente Mcginn, você dividirá o posto de chefe da missão com outra de minhas melhores agentes. Eu a chamarei e ela explicará os detalhes. Acredite, ela sabe a gravidade do problema de perto.

Bellara não entendeu o porquê de Senhorita Belo não a punir, sendo que ela tivera dois anos para planejar uma punição e ao invés disso ela a recompensara com uma missão. Entretanto, ela estava prestes a entender, assim que Agente Maria Gilmore entrou na sala, com a cabeça enfaixada.

Sim, a perfeita agente da qual todos gostavam, admiravam é que nunca cometia um erro sequer. Não era a toa que o pai de Bellara, Sr. Mcginn se orgulhava mais de Maria do que de sua filha.

Bellara olhou para Senhorita Belo, que tentava esconder um pequeno sorriso.

— Olá, irmã postiça. – Bellara a cumprimentou sarcasticamente.

— O que ela está fazendo aqui? – Maria perguntou a Senhorita Belo, completamente ignorando Bellara.

— Bom ver você novamente, sendo que você tem me ignorado por dois anos. – Bellara murmurou.

— E eu pretendo continuar ignorando.

— Agente Mcginn será sua colega em liderar esta missão. – Senhorita Belo explicou.

— Eu não vou trabalhar com Bella... Agente Mcginn. Eu sou mais que capaz de liderar está missão sozinha. Eu não preciso da ajuda de ninguém, principalmente dela!

— Não é o que as bandagens eu sua cabeça faz parecer.

— Você vê a infantilidade? Ela não é madura o suficiente para lidar com essa missão.

— Eu sou infantil? Fazem dois anos e você não tem a maturidade para me perdoar.

— VOCÊ matou a minha mãe!

— Eu nunca mais conseguirei andar sem A PORCARIA DESSA BENGALA!

— Você matou a MINHA MÃE!

— VOCÊ age como se ela não fosse minha mãe também. Ela casou com meu pai à 17 anos. Ela praticamente me criou. VOCÊ NÃO É A ÚNICA DE LUTO, MARIA.

— VOCÊ MATOU A MINHA MÃE!

— FOI UM ACIDENTE!

— CHEGA! – Senhorita Belo gritou. – Aqui não é um consultório de terapia! Eu escolhi vocês porque achei que vocês fossem profissionais. Então ponham suas diferenças de lado e ajam como profissionais. Vocês vão trabalhar juntas porque eu estou mandando. Eu sou a chefe aqui então respeitem minhas escolhas.

As irmãs postiças ficaram quietas.

— Viram? Não é tão difícil. Essa é uma missão muito importante, então tomei a liberdade de chamar toda ajuda possível. Vocês não liderarão apenas agentes da PANIC. Super-heróis de todos os cantos chegarão amanhã para nos ajudar. Então, pelo amor de Deus, Agente Gilmore, conte o que está acontecendo para podermos começar logo com isso.

— Elas estão de volta. – Maria falou – As Meninas Superpoderosas voltaram.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.