POV Edward

Estava entrando em meu carro, quando o celular vibrou no porta-luvas. Peguei e olhei, suspirando pesadamente antes de atender.

– Fala Lauren, o que você quer? – falei rudemente.

– Hey, gostoso... Não quer fazer nada comigo hoje? Estou à disposição, você sabe. — sua voz era baixa e sensual.

Eu sabia, é claro que sabia. Mas o cansaço me dominava naquele momento.

– Não, estou cansado. — confessei, já querendo encerrar a ligação.

– Edward Cullen negando sexo? Trocou de time? – ela gargalhou ironicamente. – E hoje é sexta-feira... - lembrou-me.

Bufei alto. Quem ela pensava que era para falar assim comigo?

– Edward Anthony Masen Cullen nunca nega sexo, está me ouvindo?! — gritei um pouco.

– Ai. – fingiu gemer, dando uma leve risadinha. – Então vem logo pra minha casa que estou louca pra te fazer um oral.

Encerrei a ligação sem me importar se ela havia desligado. Estava cansado e precisando descansar, mas quando se trata de sexo eu nunca nego. Lauren era amiga de infância de Emmett, e sempre correu atrás de mim. Por ser uma mulher gostosa, morena e com um corpo cheio de curvas, sempre nos envolvíamos sexualmente.

Cheguei ao seu apartamento e encostei o carro na garagem. O porteiro já conhecia o meu Volvo prata, então abriu o portão sem questionamentos. Estacionei no primeiro lugar que achei, afinal não iria demorar no que pretendia fazer.

Subi até o quinto andar e toquei a campainha impacientemente. Lauren abriu a porta e percebi que usava uma lingerie preta. Quando notou que eu estava observando o seu corpo, deu um sorriso tão malicioso que foi o suficiente para que eu batesse a porta com força e a carregasse para o sofá mais próximo.

My Love — Justin Timberlake

Fui descendo a calça, ficando somente com uma boxer branca. Lauren ficou de joelhos e colocou a mão em meu membro, apertando e fazendo movimentos bruscos. Em seguida tirou-o da cueca, olhando-o como se fosse algo comestível. Começou a massagear meu pênis, colocando-o todo na boca incontáveis vezes. Arfei e segurei os seus cabelos, empurrando sua cabeça com força para mim. Ela fez todo o movimento, terminando somente quando eu gozei em sua boca. Lauren, como sempre, engoliu tudo.

Sem rodeios, tirei o seu sutiã e o joguei no chão. Massageei os seus seios com veracidade, chupando-os. Desci a sua calcinha fina e peguei a sua intimidade depilada, roçando meus dedos ali.

– Puta que pariu! Edward, você é muito gostoso! — sua voz estava rouca.

– Então fala que você quer que eu te foda, sua vadia.

– Me fode, Edward! Daquele jeito que só você sabe, que só a gente faz. — sua voz tremeu em meio ao prazer que meus dedos estavam lhe causando.

E isso bastou. Penetrei-a com tanta força que ela soltou um grito alto.

– E-edward, vai mais devagar. Está me machucando.

– Devagar? – soltei um riso irônico. – Quem foi que pediu para ser fodida agora a pouco, hein? Agora agüenta.

Estoquei mais fundo e ela arfou, mordendo os lábios. Aumentei o ritmo, fazendo-a quicar em cima de mim. Continuei firme, e gozei em seguida. Lauren atingiu o clímax logo após, caindo em meu ombro. Depois ela ficou de quatro e me chamou com o indicador, apontando para suas nádegas. Rapidamente fizemos sexo anal e logo cheguei ao ápice. Lauren não gozou, mas pouco me importava. Sentia-me aliviado, e, ao mesmo tempo, louco para dormir, então decidi que era hora de sair dali.

– Preciso ir. – informei levantando-me do sofá.

– Mas já? Dorme aqui. Podemos fazer o que você quiser, ainda não estou saciada e não recebi meu oral.

Bufei alto. Eu não era o tipo de cara que se importava com o prazer feminino. Sei que poderia até ser egoísmo da minha parte, mas Lauren para mim era apenas um meio que eu tinha de contornar meus instintos sexuais, e não me importava se ela não gozasse ou não recebesse o mesmo que eu recebia. Eu queria sempre receber prazer, não me preocupando em dar em troca. Não me sentia cobrado, só fazia isso quando sentia vontade, mas nunca por obrigação. E não me recordo quando foi a ultima vez que realmente tive vontade de dar prazer a uma mulher, mesmo que fosse através de um oral.

Ela ainda esperava ansiosamente, deitada no sofá.

– Tenho que ir. – fui ao toalete, vestindo-me durante o caminho. Passei um pouco de água nos cabelos e no rosto. Voltei para sala, encontrando-a vestida.

– Como queira. Boa noite, Edward. Você cada vez melhor. – ela colou nossas bocas.

Após o breve beijo saí do apartamento, dirigindo apressadamente pelas ruas de Nova York.

xxx

Ao chegar ao meu apartamento, encontrei meu irmão jogado no sofá, assistindo TV.

– Ora ora, o garanhão da noite em casa há uma hora dessa. Qual foi, perdeu o foda da noite? Quem era a gazela? – Emmett tinha um sorriso irônico no rosto.

– Pelo contrário, advinha quem foi a de hoje?

– A de hoje, ou a de sempre?

– Qual é Emm, você sabe que eu transo com Lauren, mas não tenho nada com ela.

– Faz muito bem. Ela não é flor que se cheire.

– Você já me falou isso umas mil vezes. – revirei os olhos e fui pegar cerveja na geladeira.

– Não podemos negar que ela é gostosa. Transamos algumas vezes, sabia? – gritou meu irmão.

– Não. Sério? – inquiri, voltando para a sala com duas cervejas nas mãos.

– Sim, na época da faculdade. Ela ainda nem tinha todo esse corpo que tem hoje. E, cara, posso afirmar que minha secretária loirinha é muito melhor.

– Imagino. – bebi um longo gole e encostei-me ao balcão. – Você está mesmo na dela.

– Não imagine. – gargalhou. — Você não tem noção do que é aquela mulher na cama. E não estou na de ninguém, apenas temos um trabalho especial, entende? – riu maliciosamente.

– Ah sim, e vou fingir que não sei do que se trata. – ri junto. – Quer cerveja?

– Isso é pergunta que se faça? É o mesmo que perguntar para um homem se ele quer uma vagina. – eu ri alto. — Dê-me logo, seu boiolão. – entreguei a outra garrafa para ele, tentando ignorar o maldito apelido que o burro do meu irmão sempre me chamara.

O infeliz apelido de boiola surgiu na adolescência, quando eu dei meu primeiro beijo, aos 12 anos. Foi um desastre, não consegui nem segurar a menina direito, e ela saiu espalhando para toda a escola que eu era homossexual, uma vez que não supri as suas expectativas. Seu nome era Zafrina e tinha 14 anos. Na época não me importei e depois tratei de desmentir o boato, “pegando” as que continuavam insinuando. Logo a minha "fama" se extinguiu e as mulheres ficaram impressionadas sobre como um cara como eu já poderia ter sido chamado de gay. Todos pararam de me chamar de boiola, com exceção de Emmett, claro.

Alguém me diz por que diabos eu tenho um irmão como esse?!

– Boiolão é esse seu Emmettizinho pequenininho aí, seu imbecil. – bufei e ameacei jogar a garrafa na cabeça dele.

– Você quer ver se é pequeno, seu idiota? — o imbecil já parecia ofendido.

– Eu já vi. — gargalhei. — Ou já esqueceu que eu tomei banho com você na infância? – peguei pesado.

– Mas depois daquele tempo é óbvio que ficou muito maior. – falou mostrando o “tamanho” com as mãos no ar.

– Só isso? Cara, eu sempre soube que o seu trem não passa de um fusquinha caído.

Para minha surpresa, ele começou a gargalhar e levantou as mãos para se defender, tratando logo de mudar de assunto.

– Rosalie sempre me surpreende. Sabe o que ela fez para mim ontem? Um strip-tease, dentro da agência! Foi a melhor coisa que já a vi fazer. Fora fazer oral em mim, porque essa cena não tem preço que pague. – riu. — Ei Edward, podíamos ir amanhã à noite à danceteria do nosso pai, lá tem muitas dançarinas boas, quem sabe temos sorte? – deu uma piscadela, cheio de más intenções.

– Pode ser. Agora preciso dormir, tive um dia cheio. – bocejei.

– Olha só, o menininho do papai teve um dia cheio. – zombou. – Nem trabalha e fica se queixando.

– Você não sabe de nada. – virei todo o conteúdo da garrafa de Heineken na boca, levantando em seguida.

– Ok irmãozinho cansado, boa noite. Vou ficar aqui vendo o baseball mesmo.

– Desde quando baseball virou pornografia? – franzi o cenho e ri, olhando algumas mulheres sem roupa na TV.

– Calado, não revele meu segredo ou morrerá agora mesmo, seu ordinário.

– Ok. – levantei as mãos como se me rendesse. — Boa pornografia e até amanhã. Fique aí se masturbando, enquanto eu dormirei aliviado. – não resisti.

– Vou fazer isso mesmo. Vá logo dormir e pare de me jogar isso na cara, boiola.

Subi as escadas ouvindo Emmett gemer baixinho. Tive que rir. Meu irmão era muito previsível.

Resolvi tomar um banho na suíte do meu quarto. Quando terminei fechei as janelas, liguei o ar condicionado e, como sempre, nem me dei ao trabalho de colocar alguma roupa, indo direto à minha enorme cama de casal e adormecendo tranqüilamente.

POV Bella

– Acorda Bella, ainda temos mil e uma coisas para fazer hoje, antes de irmos para a boate! – alguém me chamou, puxando meu cobertor.

Eu não gostava nem um pouco do fato de acordar cedo, ainda mais que trabalhava geralmente até as 03:00h, mas combinei com Rosalie que sairíamos para fazer compras, e também pagaríamos as contas do apartamento.

Uma música alta tocava e isso me irritou, então logo fiquei sem sono e olhei o relógio que ficava em cima da cômoda. Minha amiga era diabólica.

Billionaire — Travie McCoy feat. Bruno Mars

– Calma Rose ainda é 09:00h. – falei com meu mau humor matinal. — Você sabe que a maioria dos lugares que vamos abre apenas às 10:30h. E desliga essa droga desse som! – gritei e coloquei o travesseiro na cabeça, ficando de bruços.

– Não vou desligar coisa nenhuma. Eu sei, mas até a senhorita se arrumar já fica tarde. – ela tirou o travesseiro do meu rosto, fazendo-me bufar. – Anda logo!

Rosalie geralmente vinha com uma desculpa assim quando tinha que acordar alguém, mas eu a ignorava sempre.

Fui direto para o único banheiro, localizado no final do corredor. Isso era uma das coisas que me irritava, pois tinha que dividir o banheiro com mais duas colegas, ainda mais quando as mesmas ficam mais de uma hora trancadas lá e não deixam eu me arrumar.

– Você vai à Womanizer comigo e com a Alice hoje? – perguntei prendendo os cabelos.

Rose segurou um sorriso e mordeu os lábios, enquanto pensava em como responderia.

– É, eu estava pensando em ir lá um pouco, faz tempo que não saio para me divertir, sabe...

Assenti e entrei no box. Ela estava no banheiro, olhando-se no espelho. Éramos muito amigas e não tínhamos vergonha de ficarmos nua uma na frente da outra.

– E Emmett? – passei o sabonete em meu busto.

– Hoje é a minha folga, então ele não se importará. Também não deve me ligar, o que significa que estarei mais livre.

– Sei. – pigarreei. — É impressão ou você está caidinha por ele?

– Apaixonada por Emmett Cullen? – riu alto. – Não mesmo. Ele é ótimo na cama, tem um instinto selvagem, assim como eu, mas é só isso. Sexo sem compromisso tá na moda, queridinha.

– Não sou do tipo que segue moda para tudo, você sabe. Acho Emmett meio metido, mas seu irmão é mais, pelo o que ouço falar. Nunca falei com ele, só o conheço de vista. – deixei escapar, saindo do box enrolada em uma toalha macia.

– Bom, não conheço o irmão dele. – deu de ombros, passando um batom nos lábios. – Pra mim é só sexo com Emmett e acabou, nada mais interessa. Enquanto não acho outro melhor, o que está difícil no mercado. – ela riu, mas percebi que tinha algo a mais em seu tom de voz.

Creio que Rosalie sinceramente achava que Alice e eu éramos completamente lunáticas, a ponto de ainda não termos percebido o lance entre ela e o Cullen mais velho. Ele era chefe dela na agência de viagens Rehab, mas, às vezes, eles estreitavam um pouco esse laço. Quase todos os dias se envolviam, afinal Rose e eu sempre contamos tudo uma para a outra.

Arrumei-me e a loura esperou na sala. Penteei os meus cabelos castanhos e bati a porta do meu quarto.

– Ok, então vamos logo... – disse já pegando minha bolsa.

Descemos até o estacionamento do prédio e entramos em seu carro, uma BMW escandalosamente vermelha. O carona era super confortável e elegante, sem falar que era a cara da sua dona.

Saímos e andamos por todo o bairro, pagamos as contas em dia e entramos em algumas lojas para que ela escolhesse algumas roupas. Eu não gostei de nenhuma que vi, então apenas a observei. Olhei para a enorme porta de vidro da boutique e vi Lauren Mallory atravessando a rua e entrando em uma loja de grife.Todos diziam que ela era uma puta que saía com Edward Cullen, o filho mais novo do meu chefe. Edward era um rapaz bonito...

Ok, se eu o chamasse só de bonito seria um insulto, porque ele era muito mais do que isso. Olhos verdes, cabelos num tom cor de bronze e bagunçados naturalmente, um sorriso encantador, além de másculo, com um corpo fodidamente sexy. Vestia-se muito bem, era rico, mas seu grande problema era ser um completo boa-vida, pois vivia à custa de seu pai, Carlisle, tornando-se completamente irresponsável e alheio a qualquer tipo de serviço.

Quando decidimos ir para casa já estava quase na hora de ir para o trabalho, sendo assim só tivemos tempo de tomar banho e nos arrumar. A danceteria Womanizer era perto de nosso apartamento, então não precisávamos necessariamente de carro, afinal Alice e eu não tínhamos.

Logo chegamos e encontramos minha amiga já em seu posto, pois entrara mais cedo. Rose foi até o bar pegar uma bebida e esperar a noite começar de fato.

Firework — Katy Perry

– Ela está um pouco estranha hoje, não acha? – Alice me perguntou e balançou a cabeça para o lado da loura.

Será que ela não tinha mesmo percebido o que havia entre minha amiga e Emmett?

– Acho que é impressão sua, faz tempo que ela não sai para curtir. – eu não queria prolongar o assunto. Afinal Rosalie era adulta e sabia muito bem o que fazer da sua vida.

– Tem razão, ela nunca mais saiu e muito menos nos contou com quem está ficando, ou qual o cara que está fazendo todos os seus caprichos, nem nada do tipo. Isso é loucura, Bella! Ela nunca foi assim... Precisamos agir, precisamos arranjar um namorado para ela! – ergueu a mão para o teto em um ato de desespero e eu me perguntei mentalmente se havia pirado ou usado drogas.

– Não seja ridícula, Alie. Rose pode arranjar qualquer cara muito mais rápido do que nós duas, ela sabe o que é melhor para si mesma. — Alice me olhou desconfiada, mas sabia que estava errada, então não me questionou.

Continuei olhando algumas pessoas chegarem e fui para o camarim, com o objetivo de colocar a roupa da minha apresentação.

POV Edward

– Vamos logo, Masen. – meu irmão entrou em meu quarto sem bater na porta. Ele sabe o quanto eu detesto que me chamem somente de ”Masen”.

Me concentrei em algo mais importante.

– Como entra aqui sem bater? Eu poderia estar sem roupa, sabia? – o fuzilei com um olhar sombrio.

Emmett soltou uma risada estrondosa.

– Edward, até parece que eu nunca vi essa coisa que você tem no meio das pernas. – ele ainda ria.

Oh não, a mesma conversa de ontem... Revirei os olhos.

– Vamos logo, seu idiota. Espero não me arrepender de sair com você. – peguei as chaves do meu carro e saí do quarto, largando-o para trás.

Emmett estava trancando a porta do apartamento, quando o seu celular tocou. Ele colocou a mão no bolso, murmurando alguma idiotice e falando um “é Jasper” para mim. Continuei andando até assumir o volante do Volvo.

– Não vamos no meu Jeep? – perguntou após encerrar a chamada e se dar conta de que eu estava dando partida em meu carro.

– Não, quero ir no meu carro. Se quiser vá no seu. – falei impaciente.

– Nossa, que mau humor! Ok, vamos aqui mesmo.

– A propósito, o que Jasper queria?

– Avisou que está indo para a boate daqui a pouco, nos encontrará lá.

– Ok.

Ao chegamos à danceteria, lembrei do meu pai. Carlisle adorava aquele espaço, e começou a se dedicar muito assim que minha mãe, Esme, morreu. Ele estava viajando há uma semana, a negócios.

Entrei com Emmett, olhando o ambiente. Estava meio escuro, havia apenas algumas luzes fluorescentes e uma música agitada tocava ao fundo. Não havia muitas pessoas, talvez por ser pouco mais das 23:00h.

The Time — Black Eyed Peas

– Ei Edward, olha só quem está ali. – meu irmão apontou para uma mesa distante. Reconheci James e Jacob.

– Vamos lá falar com eles. – disse-me.

Atravessamos todo o salão, e os cumprimentamos com tapinhas nas costas. James era colega de trabalho de Emmett e Jacob era veterinário. Eu não era tão amigo deles, só os conhecia de alguns pubs que freqüentávamos.

– Que milagre vê-los por aqui. – falou James com um sorriso sacana no rosto. – Sentem aqui, caras.

– Caso não se lembra, somos filhos do dono do estabelecimento. – disse o babaca. – Algumas dançarinas gostosas por aqui hoje?

Sentamo-nos à mesa com eles.

– Algumas estavam ali na frente. Cara, estou com o meu lobinho duro até agora. – disse Jake, sorrindo após pronunciar o apelido que chamava seu pau.

Eu achei que fosse vomitar na hora.

– Jacó se excita até se uma mosca pousar na cabeça dele. – zombou James.

– Claro que não, otário. – riu e deu um soco no ombro do loiro.

– O que querem beber? – eu falei numa tentativa de acabar com o papo chato daqueles caras.

– Cervejas! – falaram em uníssono.

– Vai se embriagar, Emmett? Nada melhor do que isso e ainda pegar uma vadiazinha dessa. – James apontou para uma mulher completamente bonita que estava passando na nossa frente. Ela tinha olhos castanhos, seu cabelo era do mesmo tom dos olhos e liso. Ela, obviamente, não ouvira do que ele a chamara, então continuou andando. Usava uma micro saia preta rendada e uma meia calça discreta, com uma blusa curta branca e um salto extremamente alto. Automaticamente senti prazer ao vê-la andar.

– Quem é essa belezinha? – perguntou o moreno Jacob, igualmente interessado. Nós quatro olhávamos para as nádegas da mulher que eram, por sinal, bem atraentes.

– Seu nome é Isabella. É uma excelente dançarina. Entrou aqui há pouco mais de duas semanas. – explicou meu irmão. — Edward não a conhece, não é? – olhou para mim.

– Não, faz um mês que não venho aqui.

– Sinto que todos nós nos divertiremos muito. – o loiro deu um sorriso malicioso.

– Tenho a mesma sensação. Vou buscar as cervejas. – falei.

(...)

Take A Bow — Rihanna

Estava saindo do bar segurando quatro garrafas, duas em cada mão. Foi quando senti um braço batendo em minha mão direita e duas das cervejas quebraram e espatifaram no chão. Ainda sem olhar para a pessoa que havia causado o dano, gritei enraivecido:

– Por que não olha por onde anda?!

– Me desculpe. Eu não tinha te visto. – uma voz doce falou. Virei-me e vi que era a mesma mulher que havia passado em frente à mesa: Isabella.

– Vou pedir para alguém limpar isto. – disse rispidamente.

– Eu mesma pedirei. Como pode ver, eu trabalho aqui. – gesticulou para a roupa.

Dei de ombros.

– Então peça. Vou pegar outras garrafas.

– Eu... Eu posso reparar o dano. – falou aflita.

– Não precisa. – ri sem humor. — Só tenha mais cuidado da próxima vez, ou terá que se resolver comigo. – ela assentiu. — Deve saber quem eu sou. – dei um sorriso completamente sarcástico e me afastei sem olhar para trás.

Voltei ao bar, pegando mais cervejas e indo à mesa. Isabella não estava mais ali, e o chão já estava limpo.

– Foi preparar as cervejas no banheiro, Edward? – Emmett disse e gargalhou, fazendo os amigos rirem junto.

– Houve um pequeno problema. Vocês devem ter visto...

– Nada melhor do que ver aquela delícia abaixando para catar os cacos. Visão privilegiada! Jake, por que não vai lá e quebra uma garrafa de propósito? – James falou rindo descontroladamente.

– Estou indo agora, e posso quebrar outra coisa nela também. – brincou o moreno, cheio de segundas intenções em sua fala.

– Olhem lá, babacas, Jasper chegou. – falou meu irmão.

Jasper Hale era muito amigo da nossa família. Dávamo-nos bem e saíamos sempre que podíamos, apesar de que ele raramente tinha tempo, pois era um advogado completamente atarefado.

– Hey caras! – aproximou-se e nos cumprimentou.

– E aí, como tá a vida? – perguntou Emm.

– Tudo em paz... Só estou precisando relaxar. – sentou-se e bebericou uma das cervejas.

– Veio ao lugar certo. Olha só quanta mulher gostosa aqui. Vou tirar todo o meu atraso. – disse James.

Continuamos conversando sobre coisas banais. Jasper comentava sobre o trabalho, Emmett falava sobre a sua secretária gostosa, James babava pelas dançarinas (assim como Jake) e eu apenas ria e zombava de alguns comentários.

– Vou buscar mais bebida. – falou James, saindo da mesa de repente.

(...)

Os minutos passaram e todos nós continuávamos sentados, rindo e falando imoralidades. Até que o loiro andou em direção à mesa, acompanhado de uma mulher também loira. Meu queixo caiu e meu irmão falou um “não acredito que estou vendo isso”.

James trazia consigo Rosalie, a secretária de Emmett.

– Eu não posso acreditar que viemos parar no mesmo lugar. – meu irmão estava sério e fitava a loira que estava se aproximando da mesa.

– Vocês combinaram algo? – perguntou Jacob, que já estava quase rolando de rir.

– Não. – afirmou meu mano.

– Calem as bocas, ela está chegando. – falei tentando segurar o riso.

A mulher aproximou-se da mesa, sorriu timidamente e falou:

– Boa noite, rapazes. – olhou para cada um de nós, deixando meu irmão por último. — Estou surpresa em lhe encontrar por aqui, Sr. Emmett. – sorriu gentilmente.

– Boa noite... – falou Jacob, olhando-a de baixo para cima.

Sr. Emmett? Segurei o riso novamente. A mulher transa com meu irmão quase todos os dias e ainda tem que chamá-lo de senhor, como se nós todos não soubéssemos o que se passava entre eles.

– Olá, senhorita. Também estou surpreso. Gostaria de se sentar?

Chegava a ser engraçado toda a formalidade entre eles. Reprimi o riso mais uma vez.

– Não, obrigada. Tenho duas amigas que trabalham aqui. O senhor deve conhecer Isabella, que é dançarina, e Alice, recepcionista. Só vim me divertir um pouco, não quero atrapalhar a noite de vocês. – sorriu novamente. – Até logo.

– Espera, não vai. Tenho alguns assuntos da agência para resolver com você.

– Hoje é sábado, e eu não trabalho. Então tenho certeza que podemos resolver ainda nesta semana. Tchau, foi um prazer revê-los. – ela acenou para nós e saiu.

– C-a-r-a-m-b-a! – meu irmão ficou bestificado.

– O que foi, Emmett? Você levou um fora ou foi impressão? – James riu.

– Você deveria cuidar mais da própria vida e desse pau caído. — rebateu Emm.

– Você já viu o pau dele?! – o moreno teve que se apoiar na mesa, de tanto que ria.

– Se ferrou irmão. – disse e ri também.

– É Jacob, esqueceu daquela suruba em sua casa? Você bem que gostou, não foi James? — brincou, mas continuou sério.

Jake fechou a cara na hora e o loiro assentiu e riu ainda mais.

– Calma, Emm. Todo tem seus dias ruins. – Jasper tentou amenizar a situação, mas não adiantou.

– Eu... Preciso ir ao banheiro. – disse por fim.

Meu irmão levantou e saiu, o que fez com que nós ríssemos. Estava claro que ele ia atrás de Rosalie, e este era mais um sinal de que estava envolvido com ela.

Eu bebia uma garrafa de cerveja e estava um pouco alheio à conversa, pois os dois fiéis amigos tinham um papo fútil e Jasper parecia constrangido diante da situação.

POV Rosalie

Havíamos combinado com Alice que a encontraríamos na danceteria. Conversei durante um tempo com Bella, que me contou que esbarrara sem querer em Edward, fazendo com que ficasse mexida por dentro apenas ao olhar os seus olhos verdes. Eu ri e falei que eles poderiam dar certo. Ela apenas bufou, falou que ele era um arrogante e que, portanto, queria distância dele.

Conversamos um pouco com a baixinha, porém ela não pode nos dar muita atenção, já que o ambiente estava ficando cheio. Me afastei das meninas e sentei em um banco localizado em frente ao bar. Tomei uma dose de whisky e vi quando um jovem loiro chegou e pediu informações no balcão principal. Alice informou, e ele sorriu. Era muito bonito e magro. Voltei para perto das minhas amigas e logo ouvi Bella dizer:

– O que foi isso? – ela tinha um sorriso malandro no rosto.

– Isso o que?

Minha amiga nos fitou com uma cara de sonsa, mas logo percebeu que não nos enganaria. Nós ainda esperávamos sua resposta, então ela respirou fundo e confessou:

– É que, bom... Eu... Prefiro os loiros. – a baixinha deu um sorriso amarelo, fazendo com que nós duas gargalhássemos alto.

A dançarina voltou ao trabalho e eu fui ao bar pegar mais uma bebida, quando uma pessoa surgiu e tocou o meu ombro.

– Rosalie Cooper? – ele tinha um semblante divertido e curioso.

– Olá, James. – falei indiferente. Sabia o quanto ele era cafajeste.

Trocamos beijos no rosto.

– Como está? Além de linda, é claro. – mordeu o lábio lentamente.

– Obrigada, e estou bem. – olhei ao redor, tentando demonstrar que não estava interessada em suas investidas.

– Você não sabe quem está aqui... Venha, vamos lá falar com ele.

James me puxou pelo braço, então eu deixei meu copo de whisky no balcão e o acompanhei. Foi aí que vi Emmett sentado e me fitando, igualmente em choque. Quando o loiro me chamara, eu não havia imaginado que meu patrão estivesse tão perto de mim. Fechei os punhos discretamente e cumprimentei os quatro homens, conversando um pouco com meu chefe. Ele mostrou-se interessado e pediu-me para sentar com eles. Recusei, alegando que não queria atrapalhar, já que estava com minhas amigas. Despedi-me, afastando-me antes que me arrependesse de ter feito tal coisa.

Estava confusa e chateada. Por que Emm não me chamara para sair? Ok, eu sei que não estávamos namorando e ele tampouco me amava, mas nos envolvíamos sempre; meu chefe falava coisas bonitas em meu ouvido, e sempre conseguia de mim o que queria. Eu amava esse homem, mas ninguém sabia, nem mesmo minhas amigas. Tinha medo de confessar e Emmett achar melhor que nós nos afastássemos, o que seria muito doloroso para mim e ainda tinha meu emprego que poderia ficar em risco. Preferia guardar este sentimento, optando por ter meu patrão mais como amante do que como um futuro namorado, afinal tudo o que fazíamos era sigiloso. Às vezes Alice e Bella sabiam quando nos encontrávamos, porém não era sempre. As coisas passaram a fugir do nosso controle, então logo seus amigos começaram a fazer insinuações. Apenas afirmávamos ser somente trabalho e nada mais.

Calma, Rosalie, não seja tola – minha consciência informava isso o tempo todo. Por que eu estava assim, sendo que não o vi com nenhuma vadia? Ele estava bebendo com os amigos e o irmão, isso não é normal? Não. Ainda mais quando ele bebe em um lugar cheio de mulheres.

Decidi ir ao banheiro, numa tentativa de ficar sozinha e livre dos olhares dos homens que encontrara.

A danceteria estava meio escura, somente luzes em tons de rosa neon e roxo iluminavam o ambiente. O lugar seria perfeito para eu me divertir com algum homem, se o homem que eu queria não estivesse sentado a metros de onde eu estava. Será que ele iria me procurar? Sacudi a cabeça negativamente.

Apoiei os cotovelos no mármore da pia e coloquei minha cabeça entre as mãos. Percebi que o banheiro estava vazio.

Droga! Por que Emmett mexia tanto comigo? Era um erro ter me apaixonado por ele, uma vez que não era correspondida.

Meus pensamentos foram interrompidos quando uma mão segurou a minha nuca, e quando eu estava enchendo os pulmões de ar para gritar, seus olhos encontraram os meus.

Choque... Surpresa... E por que não dor?

– O que faz aqui? – inquiri rudemente.

– Vim ter o que eu tenho quase todo dia. Vim matar a saudade. Eu quero você, e quero agora. Estou te intimando a me prestar um trabalho. Eu não disse que temos que resolver isso? – Emmett falou com um tom de voz completamente sexy. Aquilo me matava.

Não pude deixar de ficar magoada com isso de prestar um trabalho. Eu tinha plena consciência que ele não me amava, mas saber que via nosso caso como um trabalho era estranhamente doloroso. Eu já devia ter me acostumado com essa situação, mas era difícil. Principalmente depois que despertava em sua mesa e memórias dos momentos íntimos inundavam minha mente.

Respirei fundo, tentando não ceder, não me entregar mais uma vez...

– Não estamos em horário de trabalho. – ri ironicamente. – Além do mais eu não sou vadia pra transar em um banheiro nojento desse.

Ele me olhou com uma cara selvagem e falou:

– Podemos ir para minha casa, minha loirinha.

Emm sempre soube como eu fico derretida quando ele me chama de “minha loirinha”.

Refleti por alguns instantes. Eu era apenas uma mulher que amava loucamente um homem que só queria sexo. Não era melhor ter esse homem nem que fosse só na cama, do que não ter e sofrer, pensando que ele poderia estar com outra? Do que adiantaria eu lutar contra meus desejos? Era errado ceder, mas meu coração sempre falava mais alto.

– Por certo, meu ursão. – dei uma mordida no canto da sua boca. Ele colocou a mão em minhas nádegas. – Saia pela lateral e me encontre na esquina daqui a quinze minutos.

Meu juízo, a essa altura, já havia me dado adeus. Apenas a carne e o coração falavam juntos, e ambos chamavam o nome do homem que tinha o poder de me fazer mais mulher a cada dia.

– Estou louco para aproveitar a noite. – sussurrou em meu ouvido e apertou o lugar em que ainda estava sua mão, dando-me mais um beijo caloroso e saindo logo após.

Emmett era mesmo irresistível e eu era uma boba apaixonada.

Edward POV

Criminal — Britney Spears

Vi Isabella subir ao palco, tirando sua blusa e ficando somente com um sutiã detalhado e preto. A morena fazia movimentos de sobe e desce com um poste que havia no centro, sorrindo maravilhosamente e descendo até o chão. Eu estava tão concentrado que apenas ouvia os sussurros na mesa.

– Quer um babador, Edward?

Como aquela mulher era linda. Era magra, tinha os seios vantajosos e umas nádegas que...

– Edward? – a voz de Jacob tirou-me de meus devaneios. Não desviei o olhar da mulher que estava... Deixando-me excitado.

– O que é? – perguntei de má vontade.

– Eu perguntei se você quer um babador.

– Babador é para os fracos, eu quero aquela mulher. – fiz sinal para o palco.

– Se quiser dividir...

Virei-me lentamente e olhei a cara do otário. Seu sorriso irônico e maldoso estava ali.

– Não gosto de compartilhar coisas pessoais. Não leve a mal. – sorri torto.

Voltei a olhar para o palco. Ouvi alguns palavrões pronunciados pelos homens que estavam sentados comigo, e outros gritos e apelidos que alguns outros caras berravam. Concentrei meu olhar em seu corpo, até que parei em seus olhos. Eles eram do tom mais castanho escuro possível, e ela usava uma sombra preta que realçava a cor. Eu simplesmente não conseguia parar de olhar. Até que engasguei com a cerveja ao vê-la se entregar completamente ao pole dance.

PUTA QUE PARIU!

– Caras, eu vou embora. – falou meu mano de repente, voltando à mesa.

– Mas já? O que houve? – quis saber Jasper.

– Trabalho. Ligaram-me agora e eu vou ter que passar na agência para pegar uma papelada, surgiu um imprevisto para amanhã. Vejo vocês depois.

Trabalho há quase 01:00h? Emmett realmente não sabia mentir. Foda-se, estava concentrado na dança da gostosa do palco.

– Tchau, Emm. – olhei para o grandalhão e gargalhei alto.

Meu irmão saiu, mas era óbvio que eu sabia que ele iria ficar com Rosalie. Voltei minha atenção ao palco, quando me dei conta de que a morena não estava mais se apresentando. Olhei para os lados e a procurei, não obtendo sucesso.

– Cara, olha só que ruiva linda passando ali. Vou nela, tchau seus babacas. – falou o loiro.

– E vai me deixar sozinho? – perguntou Jacob, brincando.

James era mais próximo de nós, e Jake era mais amigo dele do que nosso.

– Olha cara, não curto isso de coisa a três, mas se quiser... – riu alto.

– Eca! – berrou Jasper. Eu ri.

– Sai fora, eu gosto de individualidade! — rebateu o veterinário.

– Querem mais uma bebida? Vou pegar para mim, e posso pegar para vocês. – perguntou o advogado.

– Não, obrigado. – falei.

– Eu aceito. Vamos ao bar que vou aproveitar e fumar um cigarro. – disse o moreno.

Os dois saíram e eu olhei para o lado na mesma hora em que Isabella passou. Baguncei sedutoramente os cabelos e...

Era hora de partir pro ataque.

– Isabella! – gritei, indo em sua direção e bagunçando ainda mais meus cabelos. Era meu charme, não podia negar isso.

– Oi? – ela parecia confusa e não usava a mesma roupa de antes.

– Eu queria falar com você. – falei com um desejo explícito.

– É algum recado do seu pai? A propósito, como vai o Sr. Carlisle?

– Meu pai está bem, obrigado. Mas o que quero falar não é nada relacionado a ele.

– Não? – franziu o cenho, obviamente não entendendo nada.

– Não. É algo pessoal. – passei a língua entre os lábios. – Eu queria... Saber como faço para ter você.

Seus olhos se arregalaram. Ela passou a mão na nuca, demonstrando nervosismo. Esperei sorrindo.

– Como? Eu não entendi. — disse ainda nervosa.

– Eu quero ter você esta noite, entende?

– Eu não faço programa. – ela parecia tranqüila ao falar isso.

Eu não sabia o que dizer.

Senti o sangue fugir do meu rosto com essa revelação.

Que mancada!

– Eu... Eu estou envergonhado. Desculpe-me, eu pensei que... — tentei explicar, mas logo fui interrompido.

– Está tudo bem. — suspirou. — Muitas pessoas pensam que sou prostituta por trabalhar aqui.

– Eu achei que você também estivesse afim. Foi um erro, me desculpe.

– Ok, sem problemas. Agora estou indo, tchau, até outro dia. – ela ia saindo quando eu a segurei. Um choque se passou entre meus dedos e sua pele. Ignorei ao ver nossos olhares se encontrarem mais uma vez.

– Espere! – ainda segurava o seu braço. – Você quer uma carona? – mas que diabos eu estava fazendo?

Ela arregalou os olhos em choque e pigarreou, tentando se recompor. Aguardei.

– Eu moro perto daqui, posso ir sozinha. Obrigada. – sorriu constrangida.

– Estou insistindo. – sorri de volta.

Ela deu de ombros.

– Tudo bem. Hã... O senhor pode largar meu braço?

Meus olhos voaram para minha mão, que ainda envolvia sua pele.

– Sim, desculpe.

– Vou pegar as minhas coisas no camarim.

(...)

Em menos de cinco minutos a morena voltou com uma sacola e uma mochila nas mãos.

– Podemos ir. – falou.

Fomos até a saída e a vi acenar para a recepcionista. Entramos em meu Volvo prata e eu coloquei para reproduzir o primeiro CD que achei.

I’m Yours – Jason Mraz

– Belo carro. – disse a morena, fitando-me.

– Obrigado. É mais do que um carro.

Ela nada disse. Dei partida no carona e resolvi cortar o clima tenso que pairava no ar.

– Este Volvo é meu filho.

Ela riu alto.

– Filho? Não se acha novo demais? Estou brincando, eu entendi.

– Seu senso de humor é bom. – falei.

– É, mas só às vezes. A vida não é fácil para mim.

– A vida não é fácil para ninguém, Isabella.

– Me chame só de Bella, por favor. – disse cordialmente.

– É um bonito apelido. Combina com você. – dei meu melhor sorriso.

Ela corou e sorriu.

– Obrigada.

– Onde fica a sua casa? – perguntei ao perceber que dirigia sem destino.

– Oh não, agora está mais longe! Eu nem percebi.

– Nem eu. – falei rindo.

Bella me instruiu como chegar a seu apartamento e, ao parar em frente, falei:

– Está entregue. – sorri torto.

– Muito obrigada, Sr. Edward. Realmente não precisava, mas já que insistiu...

– Senhor Edward? Não, por favor. Isso soa muito velho.

– Edward? – ela mordeu os lábios, demonstrando insegurança.

– Exato, muito melhor agora.

– Pronto. Edward. – repetiu meu nome. — Até mais, e vê se aparece na Womanizer. – ela sorriu.

– Irei sim, tchau. – acenei.

Bella abriu a porta e saiu. Eu esperei ela subir para certificar que estaria segura, afinal era quase 03:00h.

Arranquei com o carona, pensando na mulher que conhecera. Falar que Bella era interessante seria um pecado, porque ela era muito mais do que isso. Era perfeita.

POV Bella

Subi até o meu apartamento sem olhar para trás. Olhei pela janela, através da cortina, e pude ver o Volvo virando a esquina com uma velocidade um pouco acima do normal. Claro que não acreditei na conversa de que Edward achou que eu fizesse programa; devia ser uma cantada muito barata que ele inventou na hora.

Não nego que percebi o olhar que ele me lançou, o flerte por trás daquele sorriso maroto e todas aquelas palavras. Minha paquera foi mais sutil, apenas para deixá-lo interessado e confuso. Funcionou, pois assim que saí do camarim ele foi falar comigo.

O Cullen interessado na dançarina recém chegada na boate de seu pai, eu devia estar sonhando. Provavelmente ele era o cara mais cobiçado da cidade, e, pela sua fama que ouvi nos poucos dias que estou trabalhando lá, ele é o tipo de cara que só usa as mulheres por uma noite e nunca mais olha na cara das mesmas.

Mas eu não sei porque ainda estava pensando nele. Claro que é bonito e tudo o mais, além de gostoso. Até foi educado ao me trazer em casa; aquela sua voz musical e sexy e... Ai, aqueles músculos! Perdi-me um pouco em meus pensamentos, demorando nos músculos do abdômen e descendo um pouco, lembrando de como ele era escultural. E quando eu mais queria imaginar loucuras, escutei a porta da frente se abrir.

– Oi Bella, Rosalie ainda não chegou? – Alice me olhou confusa ao perguntar. – Ela saiu da boate há mais ou menos duas horas, já devia estar em casa.

– Ela saiu sozinha?

–Sim. – me olhou assustada e desconfiada.

Pensei por um momento, sem olhar pra ela. Vi que Emmett Cullen também não ficou até o fim da noite, e não estava perto de Edward quando o encontrei. No mínimo os dois saíram escondidos para um lugar mais calmo. Era de se admirar a estupidez que Rosalie julgava que Alice e eu tivéssemos.

– Ela deve ter recebido alguma ligação... – falei.

– De Emmett? É provável mesmo. Não o vi entrar, na verdade sei que ele estava lá dentro, mas não o vi sair, não pela entrada principal.

– E eu não o vi junto com Edwa... – opa, falei demais. Mordi o lábio, mas era tarde. Minha amiga era esperta o suficiente para entender o que eu estava prestes a dizer.

– O que você ia dizendo? Edward? Esteve com ele? Conte-me, Bella!

Definitivamente eu não devia ter aberto a boca.

– Ele... Achou que eu fosse garota de programa. – admiti.

– Ele O QUE?! – sua voz subiu umas oitavas.

– Isso o que você ouviu e também me ofereceu uma carona, para se desculpar pelo mal entendido. Foi àquela hora em que eu acenei para você e saí.

– Mas eu não estava prestando atenção, afinal te vi de longe. Não achei que fosse o Cullen te esperando.

– Sim, era ele. E, na verdade, não faz muito tempo que cheguei, foi pouco antes de você voltar.

– E isso acabou com qualquer clima que tenha começado? – ela me analisava atentamente.

– Não rolou nenhum clima... – era uma meia verdade, apesar de que eu sempre sentia uma química quando nossos olhos se encontravam.

Às vezes me esquecia como Alice era observadora.

– Eu devo estar imaginando coisas. Edward Cullen não precisa de “climão” para convidar qualquer rabo-de-saia pra transar com ele. Olhe Bella, tome cuidado. O que ele tem em beleza, tem em prepotência.

– Fique tranqüila, eu já dei um fora nele, posso muito bem dar outros. – outra meia verdade, mas não tenho certeza se conseguiria dizer "não" àquele homem novamente.

– É bom que seja assim, Bella. Agora vou tomar um banho e ir dormir. Amanhã não pretendo descansar até muito tarde, tenho que resolver alguns problemas. Boa noite.

– Boa noite Alie, não demora, também estou precisando de um banho.

– Ok, exigente.

Enquanto olhava Alice indo para o banheiro, fiquei pensando no que ela acabara de me falar. Não que eu estivesse interessada em Edward, mas será que...? Balancei a cabeça negativamente, com o intuito de expulsar qualquer pensamento que não me fizesse bem, indo até a cozinha e pegando uns biscoitos, um copo de suco e sentando-me na mesa de quatro lugares.

Quinze minutos depois ouvi a porta do banheiro ser aberta. Deixei o copo em cima da pia e fui até meu quarto pegar minha toalha. Ia fechando a janela quando vi o Jeep de Emmett parado logo abaixo de nosso apartamento. O carro estava todo apagado e ninguém saiu de dentro dele. Estava na cara que estavam transando. Sorri com as loucuras que minha amiga fazia.

Fui tomar banho, e, ao sair, voltei para a janela morrendo de curiosidade. Eu parecia uma velhinha que fica bisbilhotando a vida alheia, mas eu realmente me preocupava com a louca da minha amiga.

Segundos depois avistei Rose saindo do Jeep e acenando, mas não consegui ver o rosto do seu chefe. Como não queria fazer perguntas, nem pegá-la em flagrante (muito menos que ela me pegasse a vigiando), apaguei a luz e acendi apenas o abajur.

Ouvi Rosalie abrir a porta do apartamento e também o barulho da porta do seu quarto ser batida. Escutei alguns passos pelo corredor e logo após o barulho de água caindo. Coloquei minha camisola vermelha e deitei, pensando em Edward. Apesar de ele ter me confundido com uma mulher da vida, eu talvez quisesse ter aceitado sua proposta. Claro que não o dinheiro e sim a parte prazerosa, e, pensando nisso, senti um arrepio percorrer o meu corpo.

Edward, todo aquele homem, com o corpo bem definido e não apenas um rostinho bonito, estava me cantando. Seria mesmo verdade? E não era apenas isso, ele fixou seus olhos em mim a noite toda; sentiu desejo por mim. Qualquer mulher ficaria encantada por ser o centro das atenções de um homem como ele, mesmo que fosse por apenas uma noite. Era melhor do que sentir-se desejada. Era sentir-se lisonjeada.

POV Edward

Desde a noite anterior que não transava com ninguém, e confesso que senti uma expectativa diferente com Isabella. Nenhuma mulher nunca havia me recusado sexo e, no entanto, ela havia feito isso, porém eu sabia que estava errado, já que tentei passar uma cantada sobre ela ser garota de programa, o que confesso que pensei ser, por um momento. Por esse motivo não conseguia sentir raiva ou simplesmente ignorá-la. Bella tinha prática nas danças e tudo o mais, então acabei dando uma mancada e tentei reparar o erro levando-a em casa, o que acho que obtive sucesso.

Voltei para o apartamento sozinho e carente. Estacionei o Volvo, percebendo que o Jeep de Emmett não estava na garagem, sinal de que ele passara ali, provavelmente acompanhado. Entrei em casa, acendendo as luzes da sala e do corredor. Ia passando tranqüilamente, quando percebi que o quarto do meu irmão parecia bagunçado. Aí me dei conta da bagunça e voltei para a sala, encontrando várias garrafas de cerveja com taças espalhadas pelo carpete. A cozinha também parecia bagunçada, e percebi que alguém havia cozinhado recentemente, pois reconheci o cheiro de algum molho. Mais uma prova da presença de Rosalie, já que Emm raramente cozinhava.

Ignorei toda a bagunça, lembrando de que no dia seguinte Sue, que limpava o apartamento duas vezes na semana, viria. Voltei para o corredor e apaguei as luzes que havia acendido. Não sabia se meu caro irmão bagunceiro dormiria em casa, então não arrisquei deixar nada ligado. Fui ao quarto dele, encontrando a cama completamente revirada, vários pacotes de camisinhas jogados em toda parte, travesseiros em cada canto do quarto, e mais garrafas na mesa do computador e ao lado da cama. Um cheiro intenso de suor pairava no quarto. Soltei uma gargalhada, fechando a porta e me lembrando do quanto Emmett era desastrado.

Entrei em meu quarto, me despindo enquanto ligava o ar condicionado, apesar da chuva que agora caía em Nova York. Tomei um banho demorado e assisti um pouco de TV. Ia adormecendo quando ouvi o bip do meu celular, que indicava uma mensagem recebida. Caí no sono antes mesmo de pensar em pegar o aparelho.

POV Emmett

Encontrei minha loirinha me esperando na esquina da Womanizer. Ela estava incrível, e eu realmente não esperava encontrá-la esta noite. Já estava começando a acreditar nessa coisa de destino, porque não era possível que fosse apenas coincidência. Rosalie bufou quando soube que eu havia vindo de carona com Edward, então pegamos um táxi e fomos para meu apartamento.

Chegando lá tratei logo de oferecer cerveja para minha acompanhante, que aceitou de bom grado, sempre pedindo mais. Quando estávamos na terceira garrafa, ela começou a falar que estava com calor e isso foi o suficiente para que fizéssemos amor ali mesmo. Bom, falar que fizemos amor seria um insulto, porque Rosalie e eu sempre fazíamos mais do que isso. Era algo surreal, animal e completamente selvagem.

Levei-a para o meu quarto, e transamos muitas outras vezes em minha cama. Agradeci a Deus mentalmente por ter em casa um enorme estoque de preservativos. Sei que minha loirinha tomava pílula, mas só arriscamos sem camisinha uma vez, e ela falou que não queria mais, mesmo eu afirmando não ter nenhuma doença. No fim das contas eu tive que aceitar, mesmo contrariado.

A certa altura do sexo, Rose me falou que estava com sede, e eu a ofereci outra bebida, mas ela disse que queria água. Saí da cama e fui pegar na cozinha, voltando e encontrando-a em meu banheiro, com o chuveiro ligado, completamente nua. Transamos ali mesmo, ignorando a bebida. Depois disso ela falou que queria ir embora, pois estava preocupada com Edward, que poderia chegar. Falei que não teria nenhum problema, afinal meu irmão era super tranqüilo e não se importaria até mesmo em nos assistir. Rosalie riu e mordeu os lábios, obviamente excitada com a possibilidade.

Ficamos mais um tempo juntos na cama, e a chamei para irmos comer alguma coisa fora. Ela falou que cozinharia, sem nenhum problema. Neguei, alegando que poderíamos simplesmente pedir alguma coisa por telefone, já que ela não estava a fim de sair. Rose insistiu, e eu acabei cedendo e me deliciando com o seu maravilhoso spaghetti, não poupando elogios.

Assistimos um pouco de TV e passava das 03:00h quando ela falou que ia embora. Falei que iria levá-la e ela apresentou um pouco de preocupação, pois ninguém sabia que estávamos juntos. Afirmei que ninguém nos veria, e também éramos solteiros, não devíamos satisfação para os outros. Ela concordou e peguei o carro para deixá-la em casa.

Fomos conversando sobre assuntos do dia-a-dia, mas não falamos sobre trabalho, obviamente. Rose parecia animada, e o mais estranho era que eu adorava vê-la feliz. Edward e meus amigos diziam que eu estava caído por esta mulher, já que estávamos nos envolvendo há três meses, mas não tínhamos nenhum compromisso. Eu não transava com mais ninguém freqüentemente, somente com ela. Rosalie era um furacão, e sempre que transávamos eu me sentia completo. Como nos envolvíamos quase todos os dias, não sentia necessidade de procurar por outras mulheres. E era óbvio que Rose não sabia desse detalhe. Minha loirinha e eu sempre soubemos separar o “trabalho” da nossa vida realmente pessoal.

Em frente ao seu apartamento nos despedimos com um caloroso beijo, que foi ficando cada vez mais intenso. Incrível como parecíamos feitos um para o outro, como se ela fosse o fogo e eu a gasolina, ou vice-e-versa.

Ok Emmett, pode parar de pensar besteira. Ela é só a sua secretária – avisava a minha consciência, se é que ela ainda existia há essa altura.

Promiscuous Girl — Nelly Furtado ft. Timbaland

Beijávamo-nos intensamente. Minhas mãos foram sutilmente para a sua coxa, e Rose começou a gemer entre o beijo. Como ela estava de saia, foi muito fácil colocar a mão em sua intimidade e apertar o seu clitóris, enfiando três dedos dentro dela. Rosalie gritava alto e começou a arrancar a blusa, não me deixando escolha a não ser morder os seus seios com veracidade e transar com ela mais uma vez. Ainda bem que os vidros do Jeep eram muito escuros e já era tarde, então tivemos toda a privacidade.

E a promíscua música embargava nossos gemidos.

Depois de algum tempo, nos despedimos com um selinho e ela saiu, sorrindo. Dei outro sorriso, sussurrando um “adorei a noite”, e recebendo de volta um “até logo”. Voltei para o apartamento satisfeito e saciado.

Cheguei em casa e me certifiquei de que a bagunça ainda continuara ali. Só vi que Edward havia chegado porque avistei o Volvo na garagem. Coloquei as garrafas na pia e apenas subi para o meu quarto, caindo na cama de uma vez.

POV Edward

Sweet Child O’ Mine — Guns N’ Roses

She's got a smile that it seems to me

(Ela tem um sorriso que para mim parece)

Reminds me of childhood memories

(Me fazer lembrar de memórias de infância)

– Droga! – rosnei, abrindo os olhos e tateando pela cômoda, tentando achar o infeliz celular.

Eu havia esquecido de desativar o despertador do aparelho e agora a música tocava alto no quarto. As grossas cortinas de seda deixavam o ambiente completamente escuro, o que não ajudou na busca.

Após desativar o alarme, olhei as horas, vendo que já era quase hora do almoço. Ia colocando o celular ao meu lado quando vi o símbolo de uma mensagem nele. Lembrei-me do bip que havia escutado antes de pegar no sono. Recostei-me na cama e olhei a mensagem, bufando em seguida. Era de Lauren, claro.

[Para: Edward, meu amor]

[De: SUA Lauren]

Oi, meu gato... Como está? Sinto sua falta, sabia? Sei que você também sente a minha e da minha coisinha aqui... Me liga, vamos marcar algum foda pra amanhã. Beijos, delícia.

Às vezes me esquecia do quanto Lauren era vulgar.

Apaguei a mensagem sem nem cogitar em responder, indo ao banheiro em seguida, para escovar os dentes e tomar um banho quente.

(...)

Quando estava devidamente limpo, enrolei uma toalha na cintura e voltei para o quarto, vestindo uma boxer qualquer, uma bermuda jeans e uma regata laranja. Desci as escadas, inspirando um cheiro delicioso de massa. Fui em direção à cozinha.

– Bom dia, Sue. – lhe dei um beijo na testa.

– Bom dia, Edward. O almoço já está quase pronto.

Sue era uma mulher de meia idade, com uns traços indígenas. Ela fazia faxina no apartamento aos domingos e as quartas-feiras, sempre com muita dedicação. Era viúva e havia trabalhado na casa dos meus pais, tendo muito apreço por minha mãe, quando ainda era viva. Carlisle sempre confiou muito nela, e, apesar de certa insistência de nossa parte, para parar de trabalhar para nós, ela tinha Emmett e eu como verdadeiros filhos. Meu pai viajava muito, afinal era um empresário importante, então ele preferia ter o seu próprio apartamento, que era muito aconchegante e ficava próximo ao nosso.

Sentei-me na bancada, vendo Sue mexer nas panelas.

– Parece que a noite foi boa para algum de vocês. Percebi pela bagunça que encontrei esta manhã. – ela comentou baixinho e riu.

– Emm é um sem juízo. – tive que rir também.

– E você, Edward, como vai a vida?

– Está tudo bem. – sorri.

– Fico feliz. Não pensa em fazer nada? Digo trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro... – disse timidamente. Esse era um assunto delicado.

– Na verdade não. Papai tem excelentes condições, como a senhora sabe, e a herança de Esme nos daria conforto para o resto da vida. Já fiz várias faculdades, mas nunca achei a minha área. Acho que tenho vocação para ser vagabundo. – gargalhei alto.

– Não fale isso. Eu o tenho como um filho. Desejo o melhor para você. – afagou minha mão em um ato completamente materno.

Sorri e retribuí o afago.

– Também lhe considero muito, e obrigado, Sue.

– Tem lugar pra mais um aí? – falou o preguiçoso, entrando na cozinha e se espreguiçando.

– Claro que tem. Bom dia, Emmett. – disse a mulher.

– Bom dia, pessoas! – bocejou alto. — Não sei vocês, mas minha noite foi perfeita!

– Percebemos. – revirei os olhos e o idiota riu maliciosamente. — A propósito, irmãozinho, que desculpa foi aquela de trabalho? A quem você tentou enganar?

Ele revirou os olhos, como se fosse explicar algo muito óbvio.

– Não podia simplesmente falar “caras, vou ali transar com Rosalie, tchau”, ninguém sabe que estamos juntos, pelo menos nunca assumimos nada.

– Ninguém sabe que vocês estão juntos? Ok, eu acredito em Papai Noel, sabia Sue? – brinquei.

Ela soltou uma gargalhada da dispensa.

– E quer dizer que agora é oficial? Estão mesmo juntos?

– Qual é, Edward, não banque o careta. Você mesmo é totalmente a favor de sexo sem compromisso, não preciso casar com minha loirinha. – falou mordendo uma maçã violentamente.

– E se isso virar amor?

– Não vai virar... – deu a segunda mordida e logo a maçã havia sumido.

– E se virar? Se é que ainda não virou... – provoquei.

– Cara, acredite em seu irmão mais velho e único, eu não estou apaixonado por Rosalie.

Então Sue pigarreou, chamando a nossa atenção. Foi aí que nos demos conta de que ela já estava ouvindo a conversa.

– O almoço está pronto. Vão querer agora?

– Sim. – dissemos em uníssono.

Ajudamos Sue com a mesa e depois nos servimos. Ela não quis comer, apenas falou que ia arrumar os quartos e saiu.

– E aí, conseguiu pimbar com a vadia ontem? – falou o burro quando já estávamos na sobremesa.

– Com qual? – me fiz de idiota.

– Com Isabella, oras.

– Ela não é vadia... – o fuzilei.

– Daquele jeito? Duvido muito que não seja!

– Ela não é.

– E como você sabe? Pegou ela pra saber? Ou simplesmente perguntou?

Bufei alto e abri o jogo:

– Eu falei que queria tê-la e acabei chamando-a mais ou menos de prostituta, MAS FOI SEM QUERER. – enfatizei o final. — É claro que era pra ser uma cantada idiota, mas ela já devia estar acostumada a ser confundida assim, porque não ficou irritada comigo, apenas falou que é somente dançarina. Eu fiquei muito envergonhado na hora, e ofereci uma carona para ela. Você sabe que ela e Rose moram juntas. E a tal da Alice também.

– Cara, você fez isso?! Eu não acredito! – Emmett largou com força a colher que segurava e praticamente uivou em meio aos risos.

– O que é engraçado, idiota? – franzi o cenho, já com raiva.

– Sua mancada. Como você chama a mulher de vadia na cara? Você estava bêbado?! – ele não sabia se ria ou comia. Comecei a sentir nojo da cena.

– Largue de ser porco, Emmett. – virei a cara para o lado, me recusando a continuar vendo a nojeira. Meu irmão riu ainda mais. — Limpe essa boca imunda e pare de rir da desgraça alheia.

– Porra Edward, você não tem jeito. E eu achando que você não dava moral pra nenhuma mulher...

– E quem disse que eu dou? Não sou você, otário.

– Você deu carona para ela. – lembrou-me. — Lembra a última vez que fez isso por alguma mulher?

Tentei lembrar, e não consegui. Fazia realmente muito tempo.

– Não... – admiti confuso.

– Então, cara, você se interessou mesmo por ela.

– E se eu tiver interessado?

– Acorda Edward, mulheres assim só estão interessadas em nosso dinheiro. Todos sabem que somos ricos, e ela trabalha na danceteria do nosso pai, então, por favor, não caia no conto da Carochinha.

– Pare de falar besteira, Emmett. Pra mim esse almoço já encerrou por aqui.

Levantei da mesa, e não estava mais disposto a ouvir nada que meu tolo irmão fosse me falar. Quem era ele pra julgar a mulher, sendo que nem eu mesmo sabia algo sobre ela? E se Isabella fosse uma interesseira? Não, não poderia ser. Eu vi em seus olhos que ela não tinha maldade, e eles demonstravam toda a sua sinceridade e sentimento, não é possível que... Mas, e se fosse? Estaria eu errado? Apoiei-me na bancada da cozinha, passando as mãos pelos cabelos.

Senti uma mão em meu ombro, mas não me virei.

– Edward, você está bem? – perguntou Sue.

– Estou. Deve ter sido só uma indisposição. — dei um sorriso fraco. — Acho que vou sair um pouco.

– Você não deve sair assim, e se passar mal? – ela parecia realmente preocupada.

– Está tudo bem. — ela poderia ter razão. Resolvi mudar meus planos. — Pensando bem, acho que vou descansar um pouco.

– Faça isso, filho. Vou arrumar tudo por aqui e já estou indo. Até semana que vem.

– Obrigado por tudo, Sue.

– Não tem porque agradecer. A propósito, quando o Sr. Carlisle chegará?

– Acho que semana que vem. Ele ainda está tentando abrir uma filial da Womanizer em Los Angeles, mas acho que as coisas não estão indo muito bem. Vou ligar para ele agora.

– Faça isso. – me incentivou.

– Fazer o que? – quis saber o curioso.

– Por que não cuida da sua própria vida, Emmett? – falei duramente.

Ele me ignorou.

– Fazer o que? – ele repetiu a pergunta, só que desta vez para Sue.

Bufei.

– Vou falar com Carlisle. – fui para a sala.

Peguei o telefone fixo e disquei o número do hotel. Meu pai atendeu rapidamente.

– Oi, filho!

– Hey pai, como estão as coisas?

– Tudo na mesma. É bom falar com você, Edward.

– Te digo o mesmo. E a filial da Womanizer?

– Estamos resolvendo os custos e o possível local é muito central e bastante concorrido. Se tudo der certo, conseguiremos comprar e será um sucesso.

– Estou torcendo. Fui lá ontem e está tudo em ordem, a boate sempre cheia. Estamos tendo muitos lucros.

– Preciso que continue indo, para checar como estão as coisas por lá... Falando nisso, e Emmett, como está? Mande um abraço para ele, por favor.

– Está bem, e vou mandar sim.

– Filho?

– Sim?

– E as dançarinas? Elas tem feito um bom trabalho? Digo, você foi lá ontem e deve ter reparado... – riu maliciosamente.

– Oh sim, claro. – ri também. — São lindas e dançam muito bem. Você tem bom gosto para contratar essas mulheres.

– Na verdade, quem contrata é Emily, meu braço direito. Ela veio comigo, mas deve voltar depois.

– Tinha me esquecido desse detalhe.

Meu pai ficou em silêncio por alguns segundos, então falou:

– Alguma mulher chamou sua atenção?

Nesse momento, pensei em Isabella.

– Sim, na verdade.

– Poderia falar o nome? É importante saber, preciso comunicar à Emily.

– Uma tal de... – enrolei. — Isabella.

– Isabella Swan?

– Sim, acho que é esse o nome.

– Bom, ela é mesmo linda. É novata, mas Emily comentou comigo que se adaptou com facilidade.

– Pude perceber.

– Vou ter que desligar agora. Falamo-nos depois, está bem? Cuide-se.

– Ok pai, um abraço.

Encerramos a chamada e eu fiquei pensando por um momento. Por que tudo o que eu fazia estava sendo relacionado à Bella? Emmett falara dela no almoço, agora Carlisle tocara nesse assunto...

– Mera coincidência! – falei baixinho, pegando as chaves do carro em meu bolso e dirigindo sem destino pela enorme cidade que me cercava.

POV Bella

Já passava do meio dia quando resolvi me levantar. Coloquei um pedaço de rocambole no microondas e comi rapidamente, lembrando que tinha alguns afazeres domésticos. Sabia que Rosalie devia estar dormindo, Alice fora resolver alguns problemas de última hora no trabalho, antes da chegada de Carlisle — que ainda não sabia quando voltaria, mas mandou que ela organizasse algumas papeladas para mandar para ele. — Sendo assim eu estaria livre para fazer uma pequena faxina antes de ir para danceteria também, já que Alice só voltaria a tempo de se arrumar e voltar para o trabalho.

Buttons – The Pussycat Dolls

Liguei o som e comecei colocando a roupa na máquina. Dancei e cantei loucamente enquanto recolhia algumas coisas, varria, tirava o pó da sala. Por fim dei uma rápida ajeitada na cozinha, que felizmente não precisava de muitos ajustes. Casa feminina é geralmente organizada e nosso apartamento estava sempre limpo, já que nós três nos dedicávamos a ele, além de quase não ficarmos em casa.

Quando vi eram 16:00h e eu ainda tinha que tomar banho, me arrumar e ir pra Womanizer. Sabia que logo Alice chegaria e também precisaria do banheiro. Peguei uma toalha no guarda-roupa e fui direto para o box.

Assim que saí, a baixinha entrou no apartamento como um raio, acenando para mim.

– Olá, Bella. Vamos logo antes que nos atrasemos.

– Só tenho que me arrumar, o resto está organizado. – informei, passando as mãos nos cabelos molhados.

– Ok. Edward disse que precisa de todos no horário hoje, disse que, como a casa deve lotar, ele quer todos dando o melhor de si.

– Finalmente o filho do patrão decidiu falar algo útil? – falei com sarcasmo.

– É o que parece. Talvez Carlisle tenha conversado com ele, pois Emmett trabalha e só sobra o Cullen para ajudar em alguma coisa.

Revirei os olhos, e Alice foi para o banheiro. Fui para o meu quarto e vesti uma roupa qualquer, não estava com animo para arrumar-me antes, afinal no trabalho trocaria de roupa. Arrumei uma mochila pequena com apenas a roupa que usaria, um salto alto e alguns itens de maquiagem.

Logo a anã saiu do banho e voltou ao seu quarto, praticamente batendo a porta ao passar. Eu estava pronta e comecei a esperar pela minha amiga enroladinha, que logo apareceu apenas secando o minúsculo cabelo.

Então a campainha tocou.

– Quem será a essa hora? – perguntei nervosa.

– Talvez seja Rose.

– Mas ela não está dormindo? – inquiri, olhando a porta fechada do quarto da loura.

– Não, ela saiu cedo. Descemos juntas e ela disse que ia fazer umas compras.

– Eu não limpei o quarto dela porque achei que estivesse lá... – expliquei.

Alice deu uma risadinha baixa e falou:

– Abre a porta, Bella.

Bufei e acabei indo abrir, afinal ela ainda ajeitava o cabelo.

Espiei pelo olho mágico, mas o cara estava de costas para mim, provavelmente verificando se não estava batendo no lugar errado. Abri a porta e ele pareceu se assustar.

– Olá! Isabella Swan? – o loirinho me encarou.

– Bella, só Bella... – revirei os olhos.

– Ok, senhorita Bella, vim para instalar a internet que foi pedida há quase uma semana.

Fiquei boquiaberta por um momento. Lógico que havia me esquecido completamente disso.

– Er... Pode entrar... Como é o seu nome mesmo?

– Mike Mallory, senhorita.

Estranhei o sobrenome, mas abri espaço para o assistente entrar e olhei para Alice com ar derrotado, afinal estávamos atrasadas e teríamos que esperar o cara instalar tudo corretamente.

Dei uma piscadela para minha amiga e saí. Ela logo entendeu e me seguiu até o corredor.

– Vá para a Womanizer. – olhei para o homem que mexia com sabedoria em nosso único computador, localizado na sala.

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– Mas e você, Bella?

– Chegarei atrasada, depois eu converso com Edward.

– Ok, mas não demore!

Alice saiu e eu fiquei o tempo todo ao lado de Mike irritantemente andando para todos os lados, até que ele me desse uma boa notícia. Parecia que o tempo estava passando mais rápido só porque eu já estava atrasada...

Após minutos que mais pareceram horas, ele levantou-se e sorriu para mim, tirando o pó de suas roupas.

– Pronto, agora é só usar. – sorriu. — Qualquer dúvida ou problema vocês tem nosso telefone pra contato.

– Ah, que ótimo, muito obrigada. Tenho que te pagar alguma coisa? – falei em um tom meio irritado.

– Não tem de quê, qualquer problema não hesite em me chamar. Não precisa, a instalação é incluída na compra da internet. Só precisa pagar se quiser. – ele me olhou promiscuamente, e pareceu não notar o quanto eu estava irritada. Isso me chateou ainda mais.

– Tchau, até outro dia! – falei e apontei para a saída.

Fechei a porta praticamente na cara dele, peguei minhas coisas e saí o mais rápido que pude. Olhei no relógio e vi que estava quase uma hora atrasada. Sabia que há essa hora as meninas já deviam ter ensaiado e estariam no camarim fazendo os últimos reparos na maquiagem.

Por sorte eu era uma das últimas, então teria um pouco de tempo para me arrumar, mas precisava correr, ou melhor, pegar um táxi o mais rápido possível, mesmo que o meu destino fosse a algumas poucas quadras dali.

Em dez minutos eu estava entrando na danceteria e correndo disparada para o camarim, quando o Cullen veio em minha direção. Minhas mãos suaram.

Don't Stop The Party – Black Eyed Peas

O bonitão, quer dizer, filho do patrão, veio até mim e me encarou firmemente, antes de dar uma risadinha irônica e disparar sarcasticamente:

– Posso saber o motivo do atraso? Ou é querer saber demais sobre a vida das minhas empregadas?

Fiquei paralisada pelo ódio repentino que me consumiu. Esse Edward não parecia o mesmo homem gentil que me levara em casa na noite anterior.

– Tive que esperar que o idiota do instalador da internet terminasse o serviço em meu apartamento. – disse rapidamente, então embolei um pouco as palavras. Em seguida olhei pra ele como quem dizia “mais alguma coisa?”. E ele não falou mais nada, apenas olhou para mim com o cenho franzido, provavelmente pensando se eu estava falando a verdade.

– Mais alguma coisa, Sr. Cullen? – chamei-o de senhor propositalmente.

Edward refletiu por alguns segundos, me olhou dos pés a cabeça e falou com uma voz mais suave:

– Não, Srta. Swan. Vá para o camarim que você está atrasada.

Odeio que me lembrem que estou atrasada, afinal entrara no trabalho desesperada e ainda tive que aturar isso. Bufei alto e ele assumiu uma expressão... Divertida? Que estranho.

Girei-me e me dirigi até o camarim feito uma criança birrenta, batendo os pés firmemente no chão.

Como havia imaginado, as meninas já estavam fazendo os últimos retoques na maquiagem, então me apressei e fui trocar de roupa, para depois me maquiar. Sabia que teria que dar o melhor de mim nessa apresentação, pois se isso não acontecesse o Cullen contaria ao seu papai como a dançarina rebelde não se comportou bem na sua ausência, afinal fora o meu segundo vacilo. Respirei fundo, isso não estava acontecendo! Sim, estava, na primeira vez em que Carlisle viajou desde que comecei a trabalhar tudo dá errado, não podia ser!

– Bella, é sua vez querida. – chamou a coreógrafa, tirando-me de meus próprios pensamentos. Ela parou na porta e me olhou como se eu estivesse tendo uma síncope. Perguntei-me mentalmente se minha expressão estaria tão ruim assim.

– Já estou indo, Victoria! – dei uma última olhada em meu reflexo no espelho — que não estava tão ruim como imaginara — e respirei fundo três vezes.

Mostre do que é capaz Bella Swan, deixe aqueles caras lá fora excitados apenas com sua a dança! – pensei com fervor, sorrindo maliciosamente e indo até a saída.

POV Edward

Aquela morena estava dando trabalho. Primeiro me derruba a bebida, depois chega atrasada com a desculpa de um cara instalando a internet, e o que seria amanhã?

O pior é que eu queria acreditar nela.

– Edward. – senti Emmett me cutucar. — É ela.

Let's Get Is Started – Black Eyed Peas

Virei-me pro palco, ficando de costas para o balcão do barman. Assim que vi Isabella meu queixo deve ter chegado ao chão.

Deus, como ela conseguia ser ainda mais provocante do que na noite anterior?

Bella segurava o poste, fazendo pole dance sensualmente. O que não era nada comum era a forma como ela estava se movendo essa noite, pois fazia movimentos frios, mas sincronizados ao extremo, calculistas, e completamente provocantes. Provavelmente já sabia que metade ou mais de todos os caras ao meu redor já deviam estar excitados.

Eu não sabia o que dizer, não sabia o que falar... Eu... Eu também estava ficando excitado...

Então Isabella olhou para mim, como na noite anterior. Passou a subir e descer no poste, mordendo o lábio e passando as mãos nos cabelos. Eu a encarava, sentindo o volume entre minhas pernas.

Bella estaria tentando provocar a mim? Evitei me concentrar em pensamentos como esse. Devia ser só impressão.

Prendi-me totalmente a cada movimento que ela fazia, ignorando tudo o que Emmett começava a insinuar ao meu lado sobre eu estar quase literalmente babando pela mulher. Não estava preocupado com meu irmão idiota, não agora.

A linda morena encerrou fazendo gestos obscenos com o dedo, o movimentando para dentro da boca, se insinuando ainda mais. Ela me deu uma última encarada e virou as costas, indo em direção ao camarim. Senti meu membro completamente duro, e confesso que um pouco úmido também.

Essa mulher tinha que ser minha hoje!

Sem pensar em mais nada, pedi uma vodka e virei o copo rapidamente. Eu precisava ter Isabella. Mas, como fazer para tê-la, sem ofendê-la? Será que ela toparia fazer sexo com o filho do seu patrão? Não sabia a resposta, mas precisava tentar.

Pedi outra vodka, e vi Emmett se aproximar de mim.

– Cara, o que foi essa mulher dançando? Estou todo duro aqui! – assumiu.

– Nem me lembre. Estou na mesma situação.

– Pelo menos Rose passou mais cedo lá em casa e...

– Eu não disse que você está apaixonado? – interrompi sorrindo. Eu tinha razão... Ou achava que tinha.

– Corta essa, seu imbecil! – bufou. — Quer que eu te prove que não estou apaixonado?

– Quero! – desafiei.

– Pois bem. Sabe aquela maravilha que estava dançando?

Assenti, mesmo não tendo certeza de qual mulher ele se referia.

– Vou transar com ela agora e faço questão que você veja. Vou provar que não estou apaixonado por ninguém! Isabella... – olhou-me com um sorriso malicioso.

Então percebi o que meu irmão dissera. Eu precisava ter Isabella, e ele queria transar com ela, então...

– Não! – gritei impulsivamente, virando a vodka com tudo em minha boca.

– O que, maninho?

– Não! – repeti. – Você não vai transar com Bella.

Emmett gargalhou alto.

– E por que não?

Pensa rápido, Edward... O que falar?! Ai meu Deus. Vai logo, arruma uma desculpa... Você não pode ficar por baixo dessa situação!

– Porque... Er... – pensa! — Porque ela tem namorado.

Deus, o que eu falei?!

– Namorado? – pigarreou. – Francamente Masen, qual homem deixaria sua namorada trabalhar na profissão dela? – Emmett, obviamente, não estava se convencendo.

– Tem alguns caras que deixam... – argumentei. Ele balançou negativamente a cabeça, com um sorriso sacana no rosto.

Ok, era hora de confessar.

– Olha só cara, eu tive que falar essa parada de namorado, eu não sei se ela tem, mas não deve ter. O fato é que eu quero Isabella, já te falei isso na noite anterior.

Meu irmão riu alto.

– Admitiu!

– O que?! – berrei.

– Era tudo joguinho e você caiu feito um patinho. – gargalhou com a rima que fizera. – Edward Cullen vai se amarrar a alguém... – assobiou.

Como Emmett era idiota!

– Seu imbecil, eu realmente acreditei! – ameacei lhe dar um soco, mas ele segurou meu pulso e riu mais ainda. – E fique sabendo que não vou me amarrar a ninguém.

– Veremos!

Resolvi mudar de assunto.

– E essa história de provar que não está apaixonado ainda está em pé?

– Claro! Emmett, o garanhão, jamais deixa de pegar geral. – sorriu como se falasse a coisa mais óbvia do mundo.

– Só quero ver!

– Olha só cara, tá vendo aquela gostosinha ali? – apontou para uma ruiva.

– Pelo o que sei, ela é a coreógrafa das dançarinas.

Ele pensou por um momento.

– Melhor ainda. Ela vai me ensinar todos os passos, e eu vou lhe ensinar todas as técnicas de "como ser foda na cama!". Tchau, Masen.

Bufei. Meu irmão era realmente irritante.

Vi Emm chegar até a ruiva e a convidar para ir a algum lugar. Ela aceitou prontamente e os dois foram em direção aos banheiros. Ri sozinho, perguntando-me se meu irmão broxaria. O que era provável, já que ele ultimamente só se envolvia com sua secretária e era bem “dedicado” a ela.

Numb – Linkin Park

Sozinho e sem avistar Bella, resolvi tomar mais álcool, pedindo uma Heineken absurdamente gelada. Procurei meu irmão e não o achei, então provavelmente deveria estar pimbando com a coreógrafa cujo nome não lembro. Absorto em meus pensamentos, não percebi quando uma morena de óculos sentou-se ao meu lado, tocando meus ombros e os apertando levemente.

– Olá. – lançou-me um olhar sexy.

– Oi. – falei indiferente, sem olhar em seus olhos.

– Você é o filho mais novo de Carlisle, certo?

Odiava a osadia de algumas funcionárias.

– Para você ele é SENHOR Carlisle. E sim, sou Edward Cullen, o filho mais novo do seu patrão. – falei rudemente.

– Nossa! Prazer Edward, sou Angela. – me deu um beijo no rosto.

Como não falei nada, ela continuou:

– Sou dançarina aqui há meses. Muito experiente, você deve ter visto... – gesticulou para o palco.

Sinceramente não me lembrava de ter visto-a lá.

– Quer saber a verdade? Eu nem reparei. – dei de ombros.

– Posso te fazer muitas coisas. Você é lindo. Tome o meu cartão. – me entregou um pequeno papel rosa. – Me liga se tiver afim de... Você sabe.

– Ok. – falei indiferente, pegando o papel e o colocando no bolso, com a certeza de que não ligaria para ela nem se estivesse morrendo. Não era feia, mas simplesmente não fazia o meu tipo.

– Posso ficar aqui? Podemos encher a cara juntos e...

– Olha só, eu não quero você aqui. – ela arregalou os olhos. – Eu quero ficar sozinho. – enfatizei a última palavra.

– Algum problema?

Cara, essa garota estava ficando insuportável.

– No momento meu problema está sendo você. – disse friamente e ela ficou sem graça.

– Eu, er... Desculpe, não vou mais incomodá-lo. Estarei aguardando a sua ligação, Cullen. – deu uma piscadela e saiu.

Eu tinha o dom de atrair mulher-chiclete, porque não era possível que um cara como eu tivesse tanto azar. Nunca me apaixonara na vida e nunca namorara sério com ninguém, apenas casos de algumas semanas e algumas noites de prazer. Nada mais.

Quando já estava na segunda garrafa de cerveja, avistei meu irmão correndo atrás da ruiva. Eles saíram de algum dos banheiros e a ruiva gesticulava como se fosse para ele parar de falar com ela. Logo após a mulher saiu rapidamente da danceteria e o brutamontes ficou na porta, olhando para o nada. Uma cena muito cômica, por sinal. Fiz sinal com o dedo quando o metido a pegador me olhou desolado, e então veio cabisbaixo em minha direção. Eu ri mais ainda.

– O que aconteceu?

– Você ri porque não foi contigo. – falou chateado.

– O que foi mano?

Emm respirou fundo algumas vezes, pegou a minha garrafa e bebericou um pouco, depois respirou fundo uma última vez e declarou tristonho:

– Cara, eu estou achando que sou gay.

– O que???! – cuspi toda a cerveja na cara dele.

– Obrigado por ter cuspido na minha cara, Masen. Agora estou mais feliz. – ironizou.

– Gay?! Emmett Cullen?

Tudo bem que eu não tinha nenhum preconceito, mas nem em sonho eu imaginava meu irmão homossexual.

– Não, idiota! Como você é tonto! Eu falei isso porque o que aconteceu tem a ver com essa frase. – falou, limpando-se como pode.

– Não estou entendendo nada. – dei um longo gole no resto da cerveja.

– Escuta, lembra que eu te falei que não estou apaixonado por Rose?

– Claro que lembro, você nega isso toda hora.

Ele revirou os olhos.

– Então, eu não estou apaixonado por ela, mas...

– Mas o que, seu anta?

– É que é difícil admitir.

Revirei os olhos, e o esperei continuar. Emmett respirou fundo e confessou:

– Mas eu não consegui transar com a Victoria. Pronto, foi isso.

– Espera aí. Emm, você bro...? – não terminei a frase, já estava rindo descontroladamente.

– Sim, Edward, eu broxei. — admitiu envergonhado.

Caí na gargalhada novamente e tive que colocar a mão na barriga de tanto que ri.

– Você... Broxou! – tentei assimilar o fato e não consegui. Eu ria feito um louco.

Emmett ficou irritado rapidamente.

– Você nunca broxou, palhaço?

– Nunca! – declarei feliz.

– Nem com a vadia da Lauren?

– Nunca. Não teria porque esconder isso de você, nós não temos segredos, esqueceu?

Ele assentiu.

– Que vergonha... – falou.

– Concordo! – gritei, segurando o riso.

– Porra Edward, você não está ajudando!

Voltei a rir novamente.

– O que eu posso fazer?

– Ir atrás de Victoria e convencê-la a me dar uma segunda chance.

– Ah, sem essa. Você não conseguiu na hora H e agora sobra pra mim? Por que não vai atrás dela?

– Porque ela falou que não quer me ver nunca mais. Deu-me umas bolsadas dentro do banheiro e um tapa na minha cara. Sabe o que significa isso? Estou arrasado! – falou cabisbaixo.

– Explique tudo.

– Usei toda a minha lábia para levar a ruiva ao banheiro e estávamos completamente sozinhos. Victoria é bonita, mas confesso que prefiro Rose. Estávamos nus e fizemos as preliminares, mas na hora H não foi. Rosalie entenderia e...

– Emmett. – interrompi.

– Diz.

– Você reparou uma coisa?

– Não. – falou em dúvida.

– Você tocou no nome de Rosalie duas vezes, enquanto a história envolvia outra mulher.

– Ora, que besteira! O que isso significaria?

– Que você está apaixonado por ela. – afirmei convicto, sorrindo.

– Olha só, o Don Juan sabe muito sobre o amor...

– Posso nunca ter me apaixonado, mas eu te conheço, cara. Você nunca ficou tão ligado a alguém como está agora.

– Não acredito nisso, é impressão sua. Olha só, eu vou embora porque pra mim já deu.

– Devia ir atrás de Rosalie...

– Está louco? Hoje é domingo, ela não trabalha e não vou incomodá-la, pode estar com outro homem ou sei lá. Amanhã tiro meu atraso, e não vai ser com ela. Voltaremos aqui e irei pegar a dançarina mais gostosa. – afirmou.

– Se eu fosse você, tentaria não me iludir muito... Mas a aposta está lançada.

– Qual aposta? – coçou a cabeça.

Eu sabia que Emmett adorava apostas e desafios, então ficaria mais fácil assim.

– Se você conseguir dar uma pimbada com alguma mulher além de Rose, eu dou em cima mais ainda de Bella. – falei rapidamente. Só não entendia porque escolhera Isabella, mas não ia voltar atrás.

– Boa! – animou-se, sorrindo novamente. — E se eu não conseguir?

– Aí você vai ter que se declarar para sua loirinha. – ri.

– Epa! – vacilou. — Não vou iludi-la. Eu sei que não a amo.

– Ok, então você vai ter que ao menos pensar em confessar. Certo?

– Combinado! Amanhã resolvemos isso. Agora eu vou pra casa, você vai?

Olhei ao redor e não vi a morena que tanto queria ver. Olhei as horas e vi que passava das 02:00h. Resolvi ir para casa, então. Pude ver Alice ao passar pela recepção e só então vi que Bella estava sentada ao seu lado. A danceteria já estava sendo fechada, então dei boa noite pra as duas, fixando meus olhos em Isabella. Ela pareceu alheia e não deve ter percebido o meu olhar.

Entrei no Jeep com Emmett, e ele assumiu o volante. Fomos falando banalidades e ele parecia preocupado com o ocorrido, afinal era a primeira vez que broxara. Tentei tranqüilizá-lo em meio aos meus risos, mas foi difícil.

Tomei um banho relaxante e me joguei na cama completamente nu.

POV Bella

Acordei e chequei as horas, vendo que passava das 10:00h. Eu entraria mais cedo no trabalho, juntamente com Alice. Já Rose não havia aparecido ontem na danceteria. Confesso que fiquei chateada quando Edward veio me chamar a atenção por ter chegado atrasada, mas toda a chateação passou assim que o vi me encarando enquanto dançava. Ele parecia apenas me ver em seu campo de visão e isso me agradou estranhamente e me motivou a fazer movimentos mais sensuais e provocantes durante a dança. Sorri com a lembrança.

Levantei e me espreguicei, sentindo um estranho incômodo entre as minhas pernas. Já sabia o que estava acontecendo.

Após fazer a minha higiene matinal, vi que estava realmente menstruada. Bufei alto de raiva, resolvendo tomar um banho. Lavei os cabelos com meu shampoo de morango, secando-os assim que terminei. Amarrei uma toalha embaixo dos ombros e outra na cabeça, marchando para o meu quarto. Preguei um absorvente com abas em uma calcinha preta e a vesti juntamente com um sutiã da mesma cor, colocando um vestido solto azul claro. Apliquei desodorante e creme em todo o corpo, massageando minhas pernas e coxas. Passei uma loção floral e saí do quarto, indo tomar café. Passei pelo quarto de Alice e vi a porta aberta. O de Rose também estava.

– Bom dia. – falou Alie ao me ver passar pela porta da cozinha. Ela estava sentada comendo uma maçã.

– Bom mais ou menos dia. – falei com mau humor.

Rose também estava sentada na mesa e disse contente:

– Bom dia, flor do dia! Que dia lindo, não?

– Nossa, que bom humor. – falei. – Pena que não posso dizer o mesmo de mim.

– Que foi, tá com TPM? – inquiriu a baixinha.

– Pior que sim. – bufei. – Tenho vontade de não ir trabalhar quando estou assim. Na verdade tenho vontade de ficar de cama esses dias todos, comendo chocolate e falando mal da vida dos outros.

– Por que não pede uma folga hoje? – perguntou a loura.

– Não dá, esses dias tem sido muito corridos. Ontem já cheguei atrasada por causa do técnico e fui chamada a atenção. Hoje tenho que ir de qualquer jeito, e não posso me atrasar. Edward tem sido irritante, mas Carlisle é mais razoável, assim como Emily.

– Isso é verdade. Bom, então o jeito é encarar e tomar remédios.

– É o que vou fazer assim que tomar café. – falei, levantando-me.

– Mas o que aconteceu pra estar com esse bom humor todo, Rosalie? – quis saber Alice.

– A vida é bela, o mundo é belo. – rodopiou.

Cara, eu nunca tinha visto Rosalie assim. Será que ela bateu a cabeça?

– Você bateu a cabeça? – falei o que havia pensado. – A propósito, não tinha que estar trabalhando agora?

– Bati... E foi no pau de Emmett. Não estou em sã consciência, socorro! – brincou. — Não, hoje só entro depois do almoço.

– O pau dele é tão duro assim? Nossa... – brincou Alice. — Isso significa almoço em trio?

– Alice! – repreendeu a secretária.

– Em dupla. Não me inclua. – respondi a pergunta da baixinha.

– Ninguém merece você nesses dias, Bella. Fica chatinha hein. — rebateu.

– Nem eu me agüento ok? – revirei os olhos. – Então fica quieta e me atura, vocês já deviam estar acostumadas.

Preparei um sanduíche para mim, enquanto ouvia a conversa das minhas amigas.

– E como foi a noite? – perguntou Alice.

– Normal. Fiquei sozinha, assisti a um filme muito besta que nem lembro o nome e dormi cedo. – disse Rose.

– Por que não apareceu na boate?

– Não estava afim... Nada de mais.

– E Emmett?

A loura tossiu, dando um gole de suco em seguida.

– O que tem ele?

– Viu como você fica só quando eu falo o nome do seu chefe?

– Como assim? Lá vem você com suas fantasias...

– É sério!

– Sério nada. Não posso mais transar com o cara que vocês já acham que estamos namorando.

– Seria normal se esse cara não ficasse no seu pé o tempo todo.

– No meu pé? Pelo contrário. Nós, geralmente, nos vemos somente em horário de trabalho.

– E nesse período rola sexo. – sentei-me na mesa.

Rose ruborizou.

– Sim, às vezes... Mas não é sempre.

– Mas rola. – acusou Alice.

A secretária bufou e mudou de assunto.

– Nós vamos almoçar aonde?

– Por mim eu como macarrão instantâneo aqui mesmo. – dei uma mordida em meu alimento.

– Quero ir à um japonês que inaugurou aqui na esquina. Vamos, Bella?

Alice sabia o quanto eu gostava de comida japonesa. Meu humor estava péssimo e nem isso parecia me convencer.

– Sem essa, Alice. – falei, alheia a qualquer joguinho seu.

Ela colocou a mão no queixo, pensando.

– Que tal um restaurante que tem de tudo, então? — sugeriu.

– Ótimo. – falou a loura.

– Droga, esqueci de comprar macarrão instantâneo... Você comprou Rose? – olhou cinicamente para a amiga.

– Não. Desculpa Bella, mas vai ficar sem almoçar se não for conosco.

Bufei.

– Vocês são terríveis. – levantei para lavar a louça.

As duas riram.

– E aí? – perguntou Alie.

Sem ter nenhuma opção, resolvi ceder.

– E eu lá tenho escolha?

A baixinha de cabelos espetados deu um pulinho, animada.

– Vou tomar banho. – disse.

Fui para a sala, com o objetivo de entrar na internet para me distrair. Fiquei vendo algumas notícias e e-mails, e o tempo praticamente voou.

(...)

Duas horas depois eu estava em meu quarto, arrumando minha mochila para a noite. Coloquei absorventes suficientes e algumas peças escuras, alguns itens de maquiagem e um salto maior do que o da noite anterior. Sabia que Alice também estava arrumando as coisas e Rose estava no trabalho, então um sono terrível — que devia ser o efeito do vinho que tomara no almoço — me consumiu.

Três minutos depois eu já havia adormecido.

(...)

Uma hora depois...

– Bella, acorda! – a idiota me sacudiu.

– Hã? – falei assustada.

– Acorda, já está na hora de nos arrumarmos!

– Alice, eu preciso dormir. – virei-me para o lado oposto.

– Ficou louca? Quer perder o emprego?

– Carlisle gosta muito de mim, tenho certeza que não perderei se faltar hoje e além do mais eu estou de TPM e... Espera aí, estou com febre? – coloquei a mão na testa.

– Oh meu Deus, está quente mesmo! – ela colocou a mão em minha testa também.

– Não tenho como trabalhar. Dê um jeito por mim, por favor! – falei suplicante e me jogando novamente na cama.

Eu estava feliz em minha inconsciência, e...

– Bella!

Dormir era tudo o que eu precisava.

POV Alice

Bella pegara no sono novamente. Eu teria que me virar com Edward. Respirei fundo.

Calma, Alice. Nem tudo está perdido. É só você conversar com o patrãozinho e...

E nada, e aí vamos todas perder o emprego. Eu precisava desse trabalho, e a maluca da minha amiga também. E agora, o que fazer? Peguei o celular com o intuito de ligar para Rose, afinal no apartamento não havia remédio para febre, já que raramente ficávamos doentes. Foi aí que uma idéia me atingiu.

Ligar ou não? Ok, se eu ligar, o que falarei?

“Edward, Bella adoeceu.”

Não... Vamos tentar assim:

“Olá Sr. Edward, tudo bem? Aqui é Alice. Estou ligando para justificar a ausência da minha amiga Bella esta noite, ela não está passando bem e infelizmente terá que ficar em casa hoje. Obrigada, um beijo.”

Um beijo? Não. Um abraço... É, está melhor.

Respirei fundo cinco vezes e a coragem me dominou. Procurei o número na agenda do aparelho e apertei o botão SEND, ouvindo o primeiro toque e rezando mentalmente para que não perdêssemos o emprego.

POV Edward

Estava saindo do chuveiro, quando ouvi meu celular tocar em cima da cama. Sem me preocupar em me enrolar na toalha que segurava, peguei o aparelho e vi que a ligação era de um número desconhecido. Hesitei. Será que deveria atender?

E se fosse algo grave?

Decidi atender ao quarto toque.

– Alô. – comecei a me secar pelo quarto.

– Alô.

– Quem fala? – a voz era familiar.

– Er... Aqui é Alice. Olá Sr. Edward, tudo bem?

Alice? Que estranho.

– Sim. Aonde conseguiu o meu número?

– Seu pai nos passou, assim que viajou. Falou que o senhor assumiria os negócios e seria importante que tivéssemos o número do seu celular.

– Ah sim. Aconteceu alguma coisa? Parece nervosa.

– E estou... Bom, desculpe incomodá-lo, mas estou ligando para justificar a ausência da minha amiga Bella esta noite, ela não está passando bem e infelizmente terá que ficar em casa hoje. Obrigada, um beij... Abraço!

Deixei a toalha que segurava cair sem querer.

– Espere. – pigarreei. — O que ela tem?

– Febre.

– Deve ser só uma febre passageira, então é só tomar algum remédio e ir trabalhar. Carlisle não gosta que os empregados faltem.

Ouvi Alice respirar fundo do outro lado da linha.

– É esse o problema, Sr. Edward. Ela não está bem, e a febre não é pouca. Vou ligar para uma amiga e pedir para que traga o remédio para amenizar a febre.

– Ela pode falar comigo agora?

– Não, está dormindo. Entende agora minha aflição?

Estudei a situação por um momento. Se Isabella estivesse realmente doente, não teria condições de dançar.

– Sendo assim, certo. Mas meu pai será informado, saibam disso. Eu posso levar o remédio aí e aproveito para ver como a dançarina está.

O que eu disse?!

– O-o senhor? Aqu-ui? – gaguejou.

– Sim, algum problema?

– Não, nenhum. – falou com uma voz fraca. — Eu vou para o trabalho daqui a pouco, e nossa amiga Rosalie deve trabalhar até mais tarde. Bella ficará sozinha, apesar de que não gostaria de ter que deixá-la.

– Quer ficar com ela? Posso liberar você também.

Eu estava sendo... Generoso?

– Infelizmente não dá. Preciso cuidar da recepção.

– Compreendo. Obrigado pela dedicação, Alice.

– Não tem porque agradecer. Quero que saiba que nós valorizamos este emprego e somos gratas ao seu pai.

– Ok. Então você vai trabalhar e eu levo o remédio para ela daqui dez minutos, pode ser?

– Certo, e eu acerto com o senhor aqui. Muito obrigada, senhor Edward.

– Só Edward, por favor. Senhor é para o meu pai, que ele não saiba disso.

Rimos juntos.

– E qual remédio devo levar?

Alice me passou o nome corretamente, e eu o anotei.

– Então até já. – falou.

– Até.

Não sabia o que tinha me dado para ver Bella em sua casa. Talvez curiosidade? Vontade de vê-la novamente? Não sei. Só de pensar em ir à Womanizer e não encontrar seus lindos olhos castanhos...

Arrumei-me rapidamente, passando no quarto de Emmett antes de sair.

– Uau, que gatão! – brincou, arrumando a blusa. – Pronto para pegar geral hoje?

– Eu não vou. Aconteceu um imprevisto, e eu explico depois.

– Como assim não vai? E a aposta, cara? – falou irritado.

– Faz assim: você vai lá, transa com qualquer uma e me manda um vídeo, aí eu acredito e cumpro a minha parte, ok?

– HAHAHA, que engraçado você... Devia ser comediante.

– Sei que levo jeito e olha só, a aposta trás vantagens para você de todos os lados.

– Como assim?

O burro ainda não tinha entendido.

– O que você vai ter que fazer pra provar que não ama Rose?

– Dar uma pimbada com outra mulher! – falou se sentindo um super-herói.

– E se não conseguir fazer isso, o que terá que fazer?

Emmett coçou a cabeça, então falou:

– Me declarar para minha loirinha e isso não é bom.

– Ou pensar em se declarar, o que já é um bom começo, no seu caso. Terá vantagens, já que aparentemente Rosalie está na sua também, então o risco de levar um fora é mínimo.

– Tem razão...

– Sempre tenho. Mas ok, boa noite.

– Não vai mesmo me contar o que está acontecendo?

Saí rapidamente do quarto, gritando um “grave o vídeo!” e batendo a porta. Ouvi meu irmão xingar um “porra”, mas ignorei.

Já dentro do Volvo, ouvi o celular tocar. Pulei, pensando ser Alice. Minha fisionomia desabou quando vi que era Lauren. Não atendi. Liguei o som no volume máximo, ouvindo uma música que adorava.

Sexy Bitch — David Guetta feat. Akon

Passei na farmácia mais próxima e pensei três vezes antes de comprar o remédio.

A sorte estava lançada.

(...)

Estacionei o carro na frente do prédio. Havia dado carona para Bella há dias, e me lembrava claramente do edifício. O porteiro fez menção em me anunciar, mas eu logo falei meu nome, e ele falou que Alice lhe avisara. Informou-me que era o oitavo andar, 802 precisamente. Agradeci e peguei o primeiro elevador.

Pude ver a porta do apartamento encostada. Senti minhas mãos suarem estranhamente. Passei-as na calça instintivamente. Empurrei a porta e vi apenas a penumbra que vinha da luz do corredor.

O apartamento era simples, mas bonito. Detalhes em madeira chamaram minha atenção, principalmente na decoração. Tudo era muito arrumado e limpo e a decoração era extremamente feminina, com gatinhos de madeira em cima da estante e corações de metal enfeitando a mesinha de centro. Um estranho e belo contraste. O que expressava a diferença de gostos entre as mulheres que moravam ali. Havia dois sofás espaçosos e marrons e eu me perguntei se Isabella já usara aqueles sofás com algum homem.

Mas o que isso tinha a ver com a situação?

Pude ver que o espaço não era muito grande. Uma cozinha americana à leste, provavelmente havia atrás uma pequena área de serviço. Uma TV média na estante e um computador em frente. Havia conforto, e, ao mesmo tempo, simplicidade. Completamente diferente do meu, que estampava luxúria. Sorri ao lembrar em como meu apartamento com Emmett era bagunçado.

Ao chegar ao corredor, me deparei com um dilema interno: quatro portas. Qual seria o quarto de Bella?

Resolvi abrir a primeira porta. A luz do corredor iluminou a cama e vi que não havia ninguém ali. Sapatos e bolsas estavam jogados em toda parte, e imaginei que seria o de Rosalie.

A segunda porta estava entreaberta, então quando a empurrei pude ver Isabella deitada de lado, agarrada a um travesseiro. Adentrei e deixei a porta do mesmo jeito que estava anteriormente.

O quarto de Bella era mais bonito do que o anterior. As paredes tinham um tom claro de azul e o piso era também de madeira. Havia um abajur no canto da cômoda, guarda-roupa, um armário e nenhuma bagunça. Tons de rosa claro também brincavam no ambiente, porém logo eram substituídos pelo branco. A enorme cama de casal também era de madeira, e era maior do que a cama do quarto que vira anteriormente.

Concentrei-me somente na mulher deitada na cama. Usava uma saia jeans curta que deixava suas belas coxas expostas, e uma blusinha preta. Sua expressão era serena, tranqüila. Sua respiração estava normal, e pude jurar que a vi sorrir. Ela deveria estar sonhando. Vi que na cômoda havia um copo de água, então aproveitei e coloquei os comprimidos ao lado. Já ia saindo do quarto quando a ouvi sussurrar algo, como se tivesse me visto. Virei-me rapidamente e percebi que ela não tinha me visto, apenas sorria serenamente e balbuciava coisas.

Senti um súbito desejo de ser daquela mulher. Um desejo de protegê-la, ou de, ao menos, tocar o seu rosto com meus dedos compridos.

Direcionei-me até a cama e toquei sua testa com muito cuidado, a ponta do seu nariz fino, suas bochechas rosadas e, por último, sua boca corada. Novamente senti um estranho arrepio quando nossas peles se tocaram e concentrei meu olhar somente nela, imaginando loucuras... Ah, se todas essas fantasias fossem verdade!

E então, quando tudo parecia perfeito, meu celular tocou alto no quarto.

DROGA!

Fui em direção à saída do quarto, quando sua voz me paralisou.

– Quem está aí?

Apertei o botão de rejeitar chamada. Eu ainda estava de costas, então ela não podia ver meu rosto. Resolvi virar-me e ficar de frente para ela. E Bella, mesmo com a pouca luz que iluminava no ambiente, me reconheceu.

Bottletops – Plumbline

– Edward?! – perguntou com voz rouca.

– Sim, sou eu.

Vi seus olhos se arregalarem, em choque. Isabella passou a mão pelo corpo, como se fosse para certificar que estava vestida.

– Eu posso explicar!

– Acenda a luz, por favor.

Fiz o que me pediu e agora nós nos fitávamos completamente. Eu estudava cada reação dela.

– O que aconteceu? Céus, eu perdi o emprego! Veio aqui me demitir? Mas não é o empregado que vai até o trabalho e assina a demissão? O que está havendo? – tagarelou.

Gargalhei.

– Pode me explicar o que está havendo?! – perguntou séria.

Eu apenas a fitei.

– Tudo bem. Alice ou Rose vão me explicar isso. Meninaaaaas! – gritou.

– Elas não estão aqui. Estamos sozinhos. – falei sério.

– Está começando a me assustar.

Gargalhei de novo e ela franziu o cenho, colocando a mão na testa em seguida.

– Essa droga de febre ainda não passou. Eu perdi o emprego por causa dela, e agora? Meu Deus!

– Escute, vou te explicar o que aconteceu e porque estou aqui. Alice me ligou para justificar sua falta no trabalho e eu falei que compraria o seu remédio e traria aqui. Não estou aqui para te demitir, apenas vim... Cuidar de você. Falei para sua amiga que poderia ter folga também, mas ela recusou, dizendo que tinha que ficar na recepção. E Rosalie, pelo o que sei, deve estar com meu irmão na agência, se é que me entende.

Bella arregalou os olhos, como se fosse infartar.

POV Bella

Eu morri e estou no céu? É isso? Deus, alguém me explica como essa perfeição chamada Edward Cullen pode estar aqui em meu apartamento? E o que é pior, me prestando favores? Não, isso definitivamente não existe!

Pisquei fortemente os olhos, com o intuito de acordar logo desse sonho maravilhoso. Já estava ficando torturante, e o pior era que parecia real. Abri novamente os olhos e Edward ainda estava lá, só que agora sorrindo torto.

Vou ter um AVC, não é possível!

– Bella? Está tudo bem? – perguntou, sentando-se em minha cama.

– S-sim. Só preciso esclarecer umas coisa-as. – gaguejei.

– À vontade. – abriu os braços para me fazer continuar.

– Você disse que trouxe remédios para abaixar a febre. Ok, onde eles estão? – desafiei, achando que fosse algum joguinho para vir em meu apartamento.

– Ali. – apontou para a cômoda.

Senti meu queixo cair. Não era brincadeira dele.

– Tome. – ordenou, pegando o copo de água e destacando um comprimido. – Foi a própria Alice que me falou que era para comprar este. Vai melhorar. – então colocou a mão em minha testa, fazendo-me sentir um estranho formigamento.

– Santo Deus, você está queimando em febre!

Assenti, suspirando.

– Tome. – repetiu. — Vai melhorar.

Automaticamente engoli o remédio, devolvendo o copo em suas mãos.

– Obrigada. – sussurrei.

– Não por isso. – sorriu torto mais uma vez.

– Tem algumas outras coisas que quero esclarecer.

Ele assentiu e sentou na ponta da cama.

– Por que está aqui?

– Eu já disse, vim trazer o remédio.

– Sim, mas por quê? Eu sou somente uma funcionária como qualquer outra daquela danceteria.

– Não. Você tem um brilho a mais, Isabella.

Segurei o riso. Edward parecia estar falando sério, então pude sorrir.

– Não tenho nada de especial.

– Tem sim, eu garanto.

Sorri e decidi mudar de assunto.

– Bem, a questão é: você já fez isso por alguma funcionária antes? Costuma ser gentil assim? – minha curiosidade me dominou.

– Acredite, não. Nunca fiz isso por ninguém. Quando Alice me ligou, eu estava me arrumando para ir à Womanizer e, no entanto, me solicitei para vir aqui, ficar com você.

– Obrigada. – sussurrei novamente. – Quanto lhe devo? – perguntei, levantando-me da cama.

– Hein?

– O remédio. – revirei os olhos.

– Mil dólares. – brincou. — Vai pagar ou não?

– Puta merda, que remédio caro é esse? Acho que prefiro ficar com febre...

– Não fale assim, doença nunca é algo bom.

Rimos juntos.

– Tem razão. – pigarreei. — É sério Edward, quanto lhe devo?

– Absolutamente nada. – me garantiu.

– Faço questão...

– Olha, se insistir eu não faço mais nada pela senhorita.

– Obrigada, então. Bom, será que estou perdendo muito? – duvidei de sua capacidade propositalmente.

Eu ri e Edward fez uma careta, fazendo-me rir mais ainda.

– Garanto que sim!

– Sei... – duvidei.

– Quer provar? – ergueu uma sobrancelha sedutoramente.

– Não entendi. – me fiz de burra.

– Deixa pra lá... Bella deite-se, você precisa repousar.

– Certo. – encostei-me na cama novamente.

– Posso fazer uma pergunta pessoal?

Vacilei. O que ele queria saber?

– Sim.

– Cadê ele que não está aqui com você?

– Ele quem?

– Seu namorado. – bufou.

– Ah, isso. Não tenho namorado, na verdade nunca me apaixonei.

– Sério? Eu também nunca passei por isso. Deve ser muito bom, não é?

– Com certeza.

Nossos olhares se encontraram mais uma vez.

Bubbly – Colbie Caillat

– Agora é minha vez de fazer uma pergunta pessoal.

Ele riu e revirou os olhos.

– O que quiser.

– É que é muito pessoal. E não sei se devo, afinal você é filho do meu patrão e...

– Shiu! – me interrompeu. – Não quero que me veja como filho de Carlisle, mas como um amigo. E pode me perguntar o que quiser, vamos lá.

Amigo? Uau!

Decidi perguntar logo de uma vez.

– E Lauren Mallory?

Então Edward tossiu. Uma crise terrível, foi preciso ir à cozinha para pegar água, pois não parava de tossir. O acompanhei cambaleando e logo voltamos e sentamos novamente em minha cama, um de frente para o outro.

– Não tenho nada com Lauren. – declarou por fim.

– Nunca teve?

Edward esquivou-se, aparentemente negando responder.

– Desculpe, eu não quis invadir a sua privacidade. – falei decepcionada. É claro que eu não tinha o direito de perguntar isso. Já sentia o arrependimento chegando.

– Está tudo bem, posso responder isso. – suspirou. — Às vezes nos envolvemos e ela fica muito no meu pé, porém não temos nada sério.

– Ela pode não gostar de você estar aqui, então, talvez, seja melhor você ir embora...

Edward piscou os olhos por alguns instantes, arqueou uma sobrancelha e perguntou:

– Quer que eu vá?

Essa pergunta me pegou de surpresa. O que responder?

– Hã, não. Digo, sua companhia é muito agradável. – sorri.

– A sua também. Vejo que fiz bem em te trazer o remédio, afinal estamos nos divertindo.

– Realmente. – concordei.

Então o seu celular tocou novamente. Edward rapidamente olhou o visor e assumiu uma expressão carrancuda, rejeitando a ligação.

– Mais essa agora... – falou com desdém.

– Não vai atender? – eu parecia curiosa demais.

– Não. É Lauren.

Opa, isso me pegou desprevenida.

– Ah. – murmurei.

O celular tocou de novo. Edward fez menção em desligar o aparelho, mas eu resolvi me meter.

– Por que não atende?

– Ela é muito inconveniente.

– Se não atender, ela vai continuar tentando até você desistir. É melhor ceder. Vá por mim, eu sou mulher e sei como é isso. — afirmei sorrindo fraco.

Ele pensou por alguns segundos.

– Acho que tem razão.

O filho de Carlisle pegou o aparelho, hesitou por alguns instantes e então atendeu.

POV Edward

– Posso saber aonde é o incêndio, Lauren?

– Calma gato. Pra que tanto estresse?

– Não seja cínica.

– Cínica, eu? Francamente! O que deu em você?

– Como quer que eu reaja após todas essas ligações? Se eu não atendi é porque não quero falar com você, não percebe?

– Você é um grosso comigo, mas já estou acostumada. Olhe, tenho um presentinho pra você. Acho que vai gostar...

– E o que é?

– Venha aqui em minha casa agora e verá.

– Sem chance! Esquece isso, Lauren.

– Como assim esquecer? Edward, você e eu somos praticamente amantes sexuais. – riu. – Garanto que não vai se arrepender se vier aqui.

– Eu não vou. – falei convicto.

– Posso saber onde você está? Por que para me rejeitar desse jeito só deve ter encontrado alguém melhor de cama do que eu, se é que existe. – gargalhou ironicamente.

– Não te interessa. E não preciso disso, ok?

Lauren soltou uma gargalhada.

– Olha só, estou te esperando agora. O seu vinho preferido já está ali e fiz um jantar maravilhoso para nós.

– Ficou louca? Pode ligar pra outro cara, porque já falei que não vou. Agora pare de me fazer gastar o meu latim e pare de encher o meu saco.

– Rumpf. – bufou. – Vai se arrepender. Aliás, já sei o que fazer. Tchau, queridinho. Beijos nessa coisa gostosa aí no meio das suas pernas.

Desliguei a chamada e olhei para Bella. A morena me fitava com olhos apreensivos, e eu procurei me recompor.

– Desculpe por isso.

– Tudo bem. Já percebi que essa mulher é chata mesmo. – riu baixinho.

– Chata é pouco. É insuportável.

– Então por que ainda se envolve com ela?

A olhei incrédulo, e Isabella mordeu os lábios, como se tivesse se arrependido de falar aquilo.

– É que é difícil explicar...

– Não tem problema, eu entendo. Não precisa me falar nada.

Alguns minutos se passaram até que eu resolvesse desabafar:

– Antes eu achava que precisava dela, porque sempre que não dava pra transar com alguma outra mulher, ela sempre estava disponível. Lauren tira minha carência sempre que eu quero, e é só isso. Não tem amor, não tem sentimento. Sabe, gostaria de me apaixonar um dia.

– Entendo. – murmurou novamente.

– Está melhor?

– Sim, o remédio reduziu a febre e já estou com sono novamente.

– Então acho que é melhor eu ir embora e deixar você dormir. Estou meio cansado. – sorri.

– Tem alguns sofás na sala, sinta-se à vontade.

– Obrigado, mas preciso ir.

– Que horas são?

Olhei meu relógio de pulso e informei:

– Quase 02:00h.

(...)

Alguns minutos após conversarmos assuntos casuais, ouvimos a porta da frente abrir. Fiquei meio tenso, sem saber o que fazer. Então ouvimos a voz de Alice.

– Bells? – chamou ao passar pelo corredor.

– Aqui!

A baixinha empurrou a porta do quarto, dando de cara comigo sentado na ponta da cama e Bella encostada à cabeceira.

– Oh, desculpe. Não sabia que você ainda estava aqui. – falou olhando para mim.

– Edward e eu só estamos conversando, você não atrapalhou nada.

– Exatamente. Eu vim trazer o remédio àquela hora e acabei ficando para conversar com Bella. Bom, vou indo.

– Eu te acompanho até a porta. – falou a morena, sentando-se.

– Não, deixe que Alice faça isso. Você precisa repousar, para estar inteira amanhã.

– Certo, então obrigada mais uma vez, Edward. – sorriu.

– Por nada, qualquer coisa é só me ligar. – dei o meu melhor sorriso torto e saí do quarto, seguido por Alice.

– Como ela está? – perguntou quando passamos pelos sofás.

– Melhor. Eu tinha vindo somente trazer o remédio, mas ela acordou e então ficamos conversando. O remédio a deixou sonolenta novamente.

– É normal. Eu nem sei como te agradecer.

– Não precisa, Isabella já me agradeceu muitas vezes.

Ela riu.

– Quanto foi o remédio?

Alice foi até o sofá e pegou a bolsa.

– Não precisa me pagar.

– Mas você nos fez um favor e eu insisto em pagar senh... Edward.

Satisfeito por ela não ter me chamado de senhor, resolvi brincar um pouco com a situação.

– Já que quer pagar, faça isso continuando com essa dedicação à Womanizer. Está bem assim?

– Sendo assim, obrigada. – abriu a porta para mim.

– Alice? – perguntei virando-me.

– Sim?

– Emmett estava lá?

– Ele passou lá e saiu não muito tempo depois. Parecia chateado com algo.

Será que meu irmão broxara novamente? Segurei o riso e Alice não percebeu.

– Hã... Ok. Boa noite.

Sorri e saí do apartamento contente.

POV Rosalie

Estava em minha mesa quando vi alguém despejando papéis em cima. Ao certificar dei de cara com James, que me encarava sorridente.

– Faça esse trabalho pra mim, sim? Minha secretária está viajando, e preciso destes relatórios para amanhã cedo.

Não acreditei.

– Como é que é?! – inquiri, levantando-me.

– Isso mesmo, cara Rose. Separe estes papéis e os organize, preciso disso o mais rápido possível. – o maldito sorriso ainda estava em seus lábios.

– Desculpa querido, mas não sou substituta de ninguém. – falei calmamente, ignorando a raiva que começava a me consumir.

– Como ousa falar assim comigo?

– Como ela ousa o que? – falou meu patrão, juntando-se a nós.

James, vendo seu superior sair de sua sala, esquivou-se.

– Nada, eu já estava de saída, não é mesmo Rose? – deu um sorriso cínico.

– O que aconteceu, Srta. Cooper?

– Sr. James pediu-me para arrumar uns papéis para ele, mas eu sou a secretária do senhor e já tenho muito serviço. – expliquei.

– Exatamente. Olha aqui, James, Rosalie não vai fazer nada para você. Está sem secretária? Se vire. Contrate outra ou faça você mesmo o serviço.

– Nossa, que defesa! – ironizou o miserável, saindo em seguida.

– Obrigada, Sr. Emmett.

Ele apenas sorriu e me lançou uma piscadela sexy. Isso foi o suficiente para meu coração pular em meu peito.

xxx

Estava digitando alguns relatórios quando meu patrão chamou-me em sua sala. Levantei-me, arrumei minha saia e bati levemente na porta.

– Sim?

– Entre e feche a porta, Rose.

Fiz o que me pediu, e então meu ursão falou.

– Estou indo embora agora.

– Já?

– Sim, o trabalho por hoje acabou. Você ainda tem muito o que fazer?

– Tenho que terminar os relatórios e preparar uma papelada.

Emmett levantou da sua cadeira e veio até mim, chegando por trás. Pegou meus cabelos e os afastou, tendo acesso ao meu pescoço. Começou a depositar beijos molhados ali. Senti sua ereção em minhas nádegas e pude sentir a minha excitação formando-se entre em minha parte baixa. Precisava parar com isso.

– Emm. – falei, procurando afastar-me. Foi inútil, pois continuei em seu abraço.

– Você quer, Rose? – perguntou, desabotoando o primeiro botão da minha blusa.

Vamos Rosalie, seja forte!

– Não. – falei e consegui sair delicadamente de seu abraço.

Meu patrão franziu o cenho.

– O que te deu hoje?

– Só não quero arriscar agora.

Ele deu de ombros.

– E mais tarde?

– Não sei.

– Aliás, mais tarde não... – falou como se lembrasse de algo.

– O senhor não estava de saída? – mudei de assunto.

– Sim, até mais gatinha. – me deu um selinho.

Suspirei fundo, falando um “até mais, meu amor” baixinho, tendo certeza de que ele não ouvira.

POV Emmett

O boiola do meu irmão havia pulado fora da aposta, eu podia sentir isso. Havia se comprometido a ir comigo à boate, e do nada resolveu dizer que não ia. Fiquei revoltado, sem falar que ainda estava chateado pelo fora que minha secretária me dera mais cedo. Sem ter o que fazer, resolvi ir à danceteria. Não tinha o telefone de nenhuma totosinha, então o jeito era sair e gravar o tal vídeo para o Masen acreditar que eu não estava apaixonado pela loura.

Revirei meu armário atrás de uma filmadora, mas nada achei. Então lembrei que Edward tinha uma que há muito não usava. Rumei ao seu quarto, encontrando a minha salvação dentro do seu armário. Chequei se estava tudo certo, e vi que sim. Peguei uma sacola pequena e coloquei a filmadora. Sorri, me achando o máximo.

– Perdeu Masen. Vai ter que pegar a Bella! – falei comigo mesmo, gargalhando alto e saindo do apartamento.

xxx

Quando cheguei à boate, vi que estava meio vazia, talvez por ser segunda-feira. Vi Alice na recepção e nem sinal de Bella.

Meu irmão estava me enganando direitinho. Será que ele estava com a dançarina?

Não me importei com nenhum deles, apenas procurei a mais gostosa ali. Havia poucas opções... Uma morena de óculos piscou pra mim, então avaliei o produto: meio alta, cabelos pretos, roupa sexy e pele morena. Ela piscou de novo, então fui com tudo.

– Oi... – mordeu o lábio.

– Qual é o seu nome, belezoca?

– Angela. Prazer, Emmett.

Eu não tinha falado meu nome pra totosinha e ela já sabia. Eu era mesmo famoso. Sorri.

– Vem comigo, vem. – lancei-lhe meu melhor olhar sedutor, levando-a para o banheiro masculino.

O banheiro estava vazio, então seria mais fácil do que eu esperava.

A sorte estava ao meu favor.

– Entra primeiro e tira a roupa, eu vou lavar as mãos.

Ela prontamente obedeceu, fechando a porta em seguida. Aproveitei a deixa e a espiei. Angela estava de costas, então coloquei silenciosamente a pequena filmadora ao lado direito da parede, de modo que só filmava nós dois.

Entrei no cômodo e a agarrei os cabelos com firmeza, apertando-a contra a parede com toda a minha força.

– Ai! – berrou depois que trocamos alguns amassos.

Eu estava com tudo.

Continuei agarrando a vadia com força. Coloquei minha enorme mão em seu seio direito e comecei a apertar, pressionando-a com força.

– Você é muito bruto! Não quero nada com você. Trate de não me procurar mais! – gritou, recolheu toda a roupa e foi para o banheiro feminino.

Que mulher louca! Ela dá em cima de mim e eu que a procurei?

Mas eu tinha um plano B.

Voltei para o salão e pedi um whisky, virando rapidamente. Até que uma loira me olhou sedutoramente. Ela parecia Rosalie...

Pedi mais um copo de bebida, bebendo tudo de uma vez novamente.

A loira veio até mim e pediu uma vodka, sentando-se ao meu lado.

– Está um calor, não? – perguntou abrindo as pernas um pouco.

– Pode ficar ainda pior. – sorri maliciosamente, ainda olhando suas pernas.

– Como se chama, delícia?

– Emmett Cullen, filho do dono disso tudo aqui. – gesticulei para o ambiente. – E você, totosinha?

– Totosinha?

Bufei.

– Sim, é um modo carinhoso de chamar uma mulher gostosa.

– Oh, obrigada... Meu nome é Jane. Sou amiga de uma das dançarinas, estou aguardando-a para ir embora.

– Vamos brincar baby? – eu queria acabar logo com o papinho.

– Sim! Qual é o jogo? – perguntou animada.

– Pega-pega. Vamos lá, está comigo.

Sorry Blame It On Me – Akon

Jane largou o copo no balcão e saiu correndo para o banheiro masculino. Entramos e fechamos a porta. Ela arrancou o vestido preto e me agarrou. Beijamo-nos ferozmente, e eu a conduzi para dentro de um dos cômodos. Pedi que fosse tirando a roupa, e dei uma desculpa qualquer para colocar a filmadora no chão, mas dessa vez virada para cima dessa vez.

A beijei com fervor, e ela pareceu meio perdida em meio a tanto fogo.

– Minha loirinha... — lhe dei mais um selinho.

A mulher riu e falou:

– Tigrão...

Mas ela não me chamava de ursão? Não importava.

Peguei um preservativo que estava dentro da carteira e estava pronto para dar uma pimpada, quando ouvi um estalo forte.

– AAAAAAAAAAAAAAH! – Jane arregalou os olhos e já estava colocando novamente o sutiã, olhando a filmadora espatifada. Ela havia pisado no aparelho.

– Eu posso explicar! – gritei. Vesti a cueca e peguei os destroços.

– Seu cachoro, você ia filmar a gente transando?! – falou incrédula.

– Não, er... Sim. Mas não era nada pessoal, EU JURO!

Senti meu rosto arder. Foi aí que me dei conta de que tinha levado um baita tapa na cara. Acho que era algum tipo de tradição se estabelecendo.

– Era tudo joguinho! Como pude me deixar envolver? Aquilo de “vamos brincar” tinha intenções malvadas. Como pode?!

– Rose, eu...

– E ainda errou meu nome! – me deu outro tapa, só que mais forte. — Nunca mais fale comigo, sinto nojo de mim mesma por quase ter transado com você. Um homem que se acha bonito, mas é um maníaco e provavelmente ia postar tudo na internet, manchando a minha reputação. Cafajeste!

E ela se fora. Fiquei sozinho e praticamente nu no meio do banheiro. Senti uma tristeza tão grande que me permiti chorar.

Eu era um cara que raramente chorava, pois era sempre brincalhão e de bem com a vida. Tinha delirado quando estava com Jane, trocando seu nome e a confundindo com minha secretária. Seria efeito da bebida? Eu não era fraco com álcool.. De qualquer forma sentia-me um fraco, um incapaz. Nunca tivera problemas sexuais e agora estava sentado e chorando como um moleque inexperiente.

Seria muita ironia do destino que eu tivesse tentado três vezes e nenhuma desse certo? Seria muita coincidência eu conhecer uma loira que tinha tudo pra transar comigo, se ela não tivesse pisado na porcaria da filmadora? Será que Edward tinha razão? Afinal, por que eu ficara tão chateado com o fora que minha secretária me dera mais cedo? Por que me incomodava intimamente a idéia de pensar nela com outro homem? Ela era apenas mais uma em minha vida e éramos livres.

Era ela livre, porque eu agora estava nesse sofrimento, lutando contra meus sentimentos.

Senti um aperto forte no peito e suspirei. Meu coração falou mais alto e eu não sabia desde quando guardava esse sentimento dentro de mim.

Só sabia que estava completamente apaixonado por Rosalie Cooper e iria lutar por ela.

POV Rosalie

Estava desligando o computador da Rehab quando meu celular tocou. Eu era a única ali, já que todos haviam ido embora.

– Alô?

– Rose, sou eu.

– Algum problema?

– Não é bem um problema, eu preciso conversar com você.

– Pode ser amanhã? Estou exausta e precisando ir para casa.

– Precisa ser o mais rápido possível. Por favor, é importante. Aceita dar uma volta comigo?

– Tudo bem. Estou saindo da agência agora. Aonde iremos?

– Vamos no Jeep, eu te pego aí e depois te deixo e você pega a BMW. Certo?

– Estarei aguardando.

– Já estou chegando, pode descer.

Desliguei todas as luzes e peguei o elevador. Confesso que fiquei meio balançada com o fato de Emmett me convidar para dar uma volta, mas estava preocupada com o seu tom de voz. O que será que acontecera? Será que ele se apaixonara por outra pessoa e queria terminar o que nem tinha começado direito? Mil coisas passavam em minha cabeça.

Logo meu chefe chegou e seguimos conversando. Ele não quis adiantar o assunto, mas eu podia ver um brilho diferente em seu olhar.

Nothing But A Song – Tiago Iorc

Paramos nas margens do lago Erie, um dos mais bonitos de Nova York, localizado no Central Park. Descemos em silêncio e o meu ursão pigarreou, antes de começar a falar.

– Rose, eu tenho uma confissão a fazer.

Ele segurou minha mão e a colocou do lado esquerdo do seu peito. Pude sentir o martelar sob ela.

– O que está havendo?

– Eu... Er... Não sei como dizer.

Emmett gaguejou? Que estranho. Eu já estava ficando louca de nervosismo.

– Fale logo, estou ficando nervosa.

– Rosalie, eu estou apaixonado.

Senti meus olhos ficarem cheios de água. Quando a primeira lágrima desceu em minha face foi que me dei conta de que estava chorando.

– Por que está chorando? – ele franziu o cenho e beijou uma lágrima que ameaçava chegar a meu queixo.

Devia abrir o jogo e falar que o amava? Afinal o que eu perderia falando a verdade?

– Você disse que está apaixonado...

– Sim. – confirmou.

– E isso não é bom...

– Por quê? – sua voz alterou-se.

– Porque tudo o que temos vai ter que acabar, não consigo e não quero ser amante.

– Amante? Do que está falando?

Se eu não ia ser amante, isso só podia significar que...

– Quando você disse que está apaixonado, está se referindo à outra mulher, certo?

– Não, meu amor. – riu. – Estou me referindo a você.

As lágrimas — agora de felicidade — aumentaram, e eu sorri radiante.

– Você está apaixonado POR MIM?

Assentiu.

– Meu ursão, eu também te amo!

Joguei-me em seu colo, com uma perna de cada lado. Meu amor riu e me segurou como sempre fazia.

– Mesmo? Nunca imaginei isso.

– Sim! Amo-te há um tempo, só não sabia se você sentia o mesmo. Tive medo de abrir o jogo, e hoje vejo que perdi tempo.

Então ele me colocou novamente em pé e me rodopiou no ar, beijando-me intensamente. O cenário era perfeito, a brisa leve tocava meus cabelos e sentia-me completamente feliz.

– Eu te amo, minha loirinha. – ofegou. – Quer namorar comigo?

Eu podia ficar ainda mais feliz? Sim, podia. E estava.

– Sim! – beijei-lhe os lábios com fervor. – E, bom, precisamos comemorar. – dei uma piscadela maliciosa para ele.

– Sei um jeito perfeito para fazermos isso... – puxou-me para o Jeep.

Fizemos amor novamente em seu carro, que era muito espaçoso. Quando terminamos, meu ursão falou algo como “não broxei!”, fazendo-me rir de suas palhaçadas.

Pela primeira vez transei com um homem que realmente sabia que me amava, e que estaria comigo pelo resto da vida.

Continua (...)