The Potter Lost In Time.

10 Primeira Prova, Entre Trancos e Barrancos.


A intensidade dos dias foi muito digamos... Desgastante, para não dizer, brutal.

Snape vinha levando a sua ameaça de nos envenenar só para saber se nossos antídotos davam certo muito a sério. O clima pesava sempre que ele mencionava uma ou duas vezes que eu deveria ser mais como o meu irmão e aprender a ficar calada.

Na semana que se passou, ele mencionou em público um artigo novo que Rita Skeeter fez sobre Harry no Profeta Diário. Não é à toa que dizem que eu sou uma típica filha de ruiva. Ou seja, muito esquentada. Deve ser o Rio que me fez ficar assim. Sabe... Rio 40°C. Lembro-me exatamente do dia em que ele fez isso. Fora em uma terça-feira.

– O que pode me dizer sobre o desempenho de seu irmão no Torneio, Potter? – Snape perguntou com o humor negro afiadíssimo. – Já tem as suas apostas?

É claro que ele queria me provocar, mas eu resolvi ignorá-lo. Mas ele é uma praga humana.

– É notável o que minhas fontes dizem por aí. A senhorita Catherine Potter é um atraso para a vida de seu irmão mais velho. Ela foi pega participando de uma brincadeira infantil junto com os gêmeos Weatarby, contra um colega de escola e também um dos campeões de Hogwarts, Cedrico Diggory. – ele disse em seu tom de sarcasmo. Última moda em Londres! – Não esperava que fosse como o seu pai. Um quebrador de regras. Que desgosto, Catherine. – é claro que ele queria me incomodar.

Com raiva, eu peguei o jornal das mãos dele, que me olhava com uma diversão muito mútua. Eu taquei o jornal dentro de sua lixeira – que por sinal queimava o que parava ali. – e ele me encarou puto da vida. Em apenas uma semana, o filho de uma boníssima mãe nos tirou mais de setenta pontos, só com a minha turma. E adivinha de quem é a culpa? Minha? Nãããão imagina!

Após este acontecimento, a semana e o tempo se passaram como eu havia dito. Uma extrema tortura. O professor Moody nos desafiou a sermos cobaias. Ele enfeitiçou cada um com a maldição Imperius, mas o desafio não parava por ai. Ele disse que tínhamos de nos esforçar para sair do transe. O único que conseguiu esta proeza foi Harry, eu nem precisei me esforçar. Do jeito que sou teimosa, Moody quase morreu tentando me enfeitiçar.

O dia da primeira prova chegou. O campo de quadribol deu lugar a uma enorme arena, onde as arquibancadas circulavam o lugar. Eu estava sentada entre Fred e Jorge, que gritavam aos sete ventos: façam suas apostas!

– E aí? – Fred tentou puxar assunto. – Como é que estão as suas apostas?

– Eu ainda estou torcendo pelo meu irmão. – disse sarcástica. – Mas se ele perder, o que eu não espero. Quero que Hogwarts se dê bem nisto tudo.

– Vishe! Eu só queria puxar assunto! – ele disse dramático, mas nenhum pouco ofendido.

– Ok. – suspirei encarando o ruivo, que usava uma touca dourada. – Tente começar por um assunto que agrade a ambos.

– Bem... Sei lá. Acho mais legal te irritar. – bufei. – Deveria ir visitar o seu irmão. Eu guardo o seu lugar.

– Obrigada! – sorri amplamente.

Ele assentiu, como se estivesse em uma guerra interna. Eu saí de lá também com uma em minha mente. Eu hein!

Andei a passos largos até o local onde Harry se encontrava com os outros competidores. Assim que pisei na barraca, os braços de meu irmão envolveram a minha cintura, em um abraço urgente. Ele estava realmente com medo e olhe que só faziam alguns meses que eu o conhecia!

– Cathy! E se eu falhar? – ele perguntou-me baixinho, apenas para que eu ouvisse.

– Você não irá falhar. – sussurrei em resposta. – Você é um bruxo excepcional, e não é só porque é meu irmão. Mas é que você é um cara especial Harry.

Ele me soltou e eu pude olhar em volta. Todos os campeões ali presentes nos olhavam com admiração. Não pude deixar de ficar corada com isso. Se tem uma coisa que eu odeio é atenção em abundância.

Cedrico abaixou o olhar para mim, assim que notou que eu o encarava.

– Boa sorte Harry. – sussurrei. – Boa sorte gente.

Ele fizeram um coro de “obrigados”. Cedrico ainda não me olhava. Eu dei de ombros olhando para Harry e o abracei novamente.

“Nos orgulhe!” – disse me referindo a minha família (in memorian) e aos meus amigos da Grifinória.

Ele assentiu e eu me retirei de lá.

Voltando ao mesmo lugar em que estava sentada na arquibancada, percebi que Hermione não estava lá. Provavelmente estaria aonde eu acabei de vir, mas fora só um palpite.

– Tempo recorde! Até parece que você não quer que seu irmão ganhe! – é claro que não preciso citar que os gêmeos disseram isso em coro, preciso?

– Mas é claro que eu quero que ele ganhe! Mas é que... Ele está quase verde de medo. – disse fazendo uma careta. – Não quero que ele fique mais assustado do que aparenta estar.

A gargalhada dos gêmeos foi inevitável. Com o tempo, eu aprendi a decifrá-los. Fred usava uma cor que era meio que um ocre ou um ouro, sei lá. Já Jorge, usava roxo. Fred tinha uma risada melodiosa diferente da do irmão, que era hora exagerada, hora muito engraçada. Mas os dois eram como imãs. Além nunca se desgrudarem um do outro, eles se completavam.

Acho que passo tempo demais com esses dois malucos.

– Olha lá! O Diggory vai entrar! – disse Jorge, interrompendo a minha linha de pensamentos.

O canhão fora disparado – por Filch. – e ele entrou na arena, onde um dragão, chamado Focinho-Curto sueco verde-azulado o esperava. Cedrico não mostrou intimidação para com a criatura. Ao fundo eu podia ver a equipe de treinadores de dragões pronta para qualquer impasse.

O Diggory conseguiu pegar um ovo dourado que o dragão protegia juntamente com toda a sua ninhada. Mas é claro que não foi tão facilmente. Ele quase foi incendiado, estava todo chamuscado e o feitiço que ele usara não fizera o efeito que ele esperava.

Logo após ele, veio Fleur Delacour, que tentou lançar um feitiço para cegar o dragão, um Verde-Galês. Ele era bonitinho, mas fez um estrago do tamanho do Expresso de Hogwarts.

Ela capturou o ovo de ouro e também estava chamuscada. O perfeito rosto de veela – uma espécie de ninfa, ou algo do tipo, cujo Hermione. Elas eram seres muito belos, mas irritadiços. – e seu cabelo loiro-platinado.

Depois dela, veio Vítor Krum, que pegara um Meteoro-Chinês. Ele tirou o ovo de lá com destreza. Só que... Não, né? Ele foi bem pior que um pato manco. É claro que tinha toda aquela manha de jogador fodão, essas coisas assim. Mas na prática... Era péssimo. Porém, mesmo assim ele conseguiu pegar o ovo, então palmas para ele.

Clap, clap.

Por fim, veio o meu irmão. Em minhas mãos, encontravam-se duas bandeirinhas – feitas por Fred e Jorge. – com os dizeres “VAI, VAI POTTER!”, assim como eles diziam num jogo de quadribol. “GO, GO GRIFFINDOR.”

Harry de início se deu mal. Pegou o Rabo-Córneo húngaro. Ele fez um feitiço convocatório e logo a sua Firebolt apareceu linda e nova para ele, que montou na mesma e ganhou altitude.

Ele engambelava o dragão, que logo se soltou. Meu irmão voou para longe, em direção à Ponte Coberta. O dragão o seguiu e a torcida vibrava.

Minutos agonizantes se passaram e nada de notícias do meu irmão mais velho.

– O que será que aconteceu com ele? – perguntei temerosa.

– Acalme-se Cathy! Ele vai voltar. Harry Potter a criatura mais teimosa que eu já vi na vida. – Fred disse.

Eu sorri e ele me abraçou de lado. Instantaneamente, acho que senti-me com se estivesse... Sei lá... Protegida.

Um urro foi ouvido. Eu afundei a cabeça no peito de Fred, as lágrimas já escapavam de meus olhos teimosos. Pronto. Agora só tem eu de Potter no mundo! Não.

– Hey! – Fred estava animado. – Olhe Cathy!

Levantei a cabeça, enquanto um vulto de um garoto moreno de cabelos revoltos, olhos verdes, usava óculos e estava muitíssimo sorridente passara perto de mim. Ele rodopiou no ar e encarou a minha face banhada por lágrimas. Ele se aproximou de mim e puxou meu braço, colocando-me desajeitadamente em cima da vassoura.

– O que pensas que estás a fazer? – perguntei irritada.

Ele gargalhou, passou pelo lugar onde os ovos estavam e pegou o ovo de ouro, sendo ovacionado pela multidão. Ele parou em frente ao que deveria ser a Ala Hospitalar improvisada.

Ok. Ele vai morrer de uma morte muito lenta em 3, 2, 1...