The Poison
3 Chupada zero brother.
De repente ouvi algum barulho vindo da cozinha. Olhei em volta do quarto, mas apenas Lua estava lá e não preciso dizer que estava babando no travesseiro, o que não era nada sensual. Levantei, fui até a cozinha.
— Mas que porra é essa ?! — Disse eu ao ver Felipe esbarrando nas panelas e rindo freneticamente.
— Isso é a minha felicidade, vamos compartilhar a felicidade com o mundo. Vamos! — Disse Felipe enquanto virava-se para me encontrar, meio sonso.
— Isso que está em sua mão seria um cigarro de maconha ? — Disse eu cerrando os olhos e apontando para o mesmo.
— Exatamente, minha linda. Qual é ?
Felipe não parava de dar risada um segundo, e mesmo que tentasse sei que não conseguiria. Fazia umas caretas ridículas.
— Odeio você, imbecil. Você compra a erva e nem sequer chama os amigos. — Disse eu enquanto pegava o “cigarro”.
Dei uma puxada forte e entreguei para Felipe. Soltei a fumaça e esperei a brisa bater.
— Não sabia que fazia essas coisas também, mirradinha. — Disse ele arqueando uma das sobrancelhas.
— Há muita coisa sobre mim que você não sabe. — O encarei e comecei a rir .
— Como assim ? — Disse ele fechando a cara por um momento.
Ri rispidamente e dei-lhe alguns tapas no ombro. Peguei o “cigarro” novamente e dei uma última puxada. Puxei tão forte que dei algumas tossidinhas bruscas. Abanei o ar enquanto a fumaça cobria meu rosto e não podia ver Felipe.
— Nada de mais. — Eu dizia enquanto saía andando até a sala.
Me joguei no sofá e liguei a tv. Ironicamente começou a passar um daqueles comerciais da MTV que não sei como, mas me fez pensar no sentido da vida. Eu já não sabia nem como havia chegado no sofá. Mas ... De repente ouvi alguém falar comigo:
— Você está bem ?
— Oi ? — Disse eu olhando para trás um pouco confusa. — Estou ótima, por quê?
Era Josh.
— Sei lá, você está aí há algumas horas quase sem piscar.
Dei um sorriso convidativo e balancei a cabeça.
— Quer merda hein cara!
— Bom... Não quero saber o que aconteceu mas já posso supor porque Felipe está chapado no banheiro dizendo que quer defecar. — Josh estava segurando o riso.
Olhei para Josh tão agressivamente, sem entender. E segundos depois caí na risada.
— Ah, poxa! Vá ajudar ele canalha.
— Eu não, já imagino a situação.
— Pois é.
Josh foi até o parapeito e fez sinal como se estivesse me chamando. Fui à seu encontro. Ele estava com uma expressão preocupada e distante.
— Me perdoe por ontem. Se não estou tão ruim de memória você disse que iríamos conversar.
Enquanto Josh falava eu cruzava os braços e olhava-o fixamente.
— Exatamente. Eu vou falar tudo, antes que eu me esqueça...
Josh fez que sim com a cabeça.
— Quero que saiba que tu não precisa ficar se mutilando pelo término de seu relacionamento com a Julie. Sei que por alguns anos ela foi o centro das atenções em sua vida e que tu se acostumou com ela de uma forma inexplicável. Eu entendo, mas isso não é o fim do mundo. Ela não está mais aqui, no momento em que você está bebendo e estragando seu fígado ela está lá, com outro na cama. — Fiz uma pausa quando vi Josh abaixar a cabeça.
Dei-lhe um tapa na cara e o encarei cerrando os olhos.
— Cara, vê se toma jeito. Quero dizer... Vive tua vida, sabe? Você é um cara maneiro, sempre tem mina gostosa correndo atrás de ti e tu vai ficar se machucando por aquela vadia?! Tudo bem que ela era realmente gostosa...
— Samantha! — Disse Josh enquanto me dava um soco no braço esquerdo.
— Pensei que gostasse de ouvir a verdade, cara... — Disse eu passando a mão no braço como se tivesse dolorido e sorrindo ao mesmo tempo.
— Sim. Mas você é uma sapata de carteirinha, e ainda fala que a minha ex é gostosa. — Disse Josh cerrando os olhos e forçando um sorriso e balançando a cabeça.
— Como se eu fosse converter aquela guria! Ela gosta de rola. Eu não tenho uma e nunca, jamais pretendo ter... E também, eu nunca faria isso contigo. Eu acho. — Sorri ironicamente após dizer a ultima frase.
— Diz que os homens não prestam mas você é a mulher mais podre que eu conheço. — Disse ele rindo.
— Ah, que isso! Nunca disse uma coisa dessas, até porque sei quem sou e a palavra “prestar” não está no meu vocabulário. — Disse eu enquanto empurrava-o até a sala.
— Estamos conversados ? — Disse ele com um olhar curioso.
— Sim. Só... Dê uma maneirada na bebida e/ou qualquer tipo de droga, sabe. Pode ser?
— Ok, mirradinha.
— Por que insistem nesse apelidinho tosco? — O encarei com um olhar mortífero.
— Magrela.
— Idiota.
— E aquela garota do bar?
— Ah, a Mit ?
— Sim. Sua deusa da beleza. — Dizia Josh com voz de narrador de comercial do bob’s.
— Então... Ela me ligou pela manhã. Vamos sair.
— Quando?
— Amanhã.
— E... Rolou alguma coisa ontem ?
— Nadinha. — Disse eu suspirando. — Só uns beijos e uns amassos.
— Que bosta hein.
— Eu sei, mas consegui pegar em seus seios. — Disse eu levantando um punho.
— Sem chupada?
— Chupada zero brother.
Josh riu.
— De qualquer forma terá outra chance amanhã.
— Ela quer ir com calma, suponho.
— Relacionamento? — Josh arqueou as sobrancelhas.
— Espero que não. — Disse enquanto olhava para o nada.
—Hum... Vou vazar aqui. Mark acabou de mandar sms pedindo pra ir buscá-lo no trabalho.
— Que horas são cara?
—16:00h
— Wow! Vá lá então. Até mais.
— Até. — Disse Josh enquanto fechava a porta.
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