The Pirate And The Prince

4 Capítulo 4 - Conversa de Velhos Amigos


Notas iniciais
Desculpem não postar mais cedo. Era pra eu ter postado na sexta, mas eu fiquei sem tempo sabe se lá por que. Mas enfim, vou tentar postar diariamente os caps, só nos fins de semana que não.

“Como você pode ver dentro dos meus olhos como portas abertas, direcionando você até meu interior, onde me tornei tão entorpecida sem uma alma. Meu espírito dorme em algum lugar frio até que você o encontre e o leve de volta pra casa.”. (Bring me to life — Evanescence)

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Conversa de Velhos Amigos



Lucy guiou Erza e Gray até o seu quarto, um cômodo um tanto largo e mais confortável, como esperado dos aposentos da capitã de um navio grandioso como o Princess Elizabeth. Ela deixara Natsu lá, afinal, era a melhor cabine do navio e mesmo que ele tenha sido raptado Lucy queria garantir o seu conforto. Quando se saía do quarto de Lucy, chegava ao convés, onde os piratas geralmente ficavam, então ela sempre teria total controle do navio se ficasse naquela cabine. Mesmo que o quarto dela estivesse sempre bagunçado, ela se mantinha feliz ali sempre que possível.

Gray se sentou na cama dela e apoiou os cotovelos nas pernas, parecendo preocupado. Erza se sentou ao lado dele, de forma delicada, como a princesa que ela era faria, por mais que ela não desse a mínima pra sua postura. Lucy fechou a porta atrás de si e disse:

–Certo, o que foi?

–O que foi? O que foi?! Como você tem a coragem de perguntar o que foi?! — dizia Erza, visivelmente irritada.

–Erza! O que foi que eu fiz? — Lucy perguntou. Gray olhou pra ela e disse:

–Porque raios você o trouxe pra cá?

–O que? — disse Lucy.

–Natsu! — disseram Gray e Erza em uníssono.

–Porque você trouxe justo o Natsu pra cá? Você sabe as consequências que isso pode trazer! — disse Erza, irritada.

–Na verdade não, o que poderia acontecer? — disse Lucy, em tom irônico.

–Não brinque conosco! — disse Gray, se levantando exaltado. — O pai dele tem um exército gigante que você não poderia derrotar sozinha nem se quisesse! E a Lisanna tem algumas tropas no reino dela. Pequenas, mas tem! O que você espera que aconteça, que o rei deixe o Natsu ir para que o reino afunde sem um herdeiro?

–Lu, você sabe que se a Lisanna quiser, ela pode te matar com um gesto de mão! Trazê-lo para cá não foi exatamente a melhor ideia que você já teve. — disse Erza. Ela suspirou e foi até Lucy, que estava de cabeça baixa. — Eu sei que é difícil pra você. Pra mim também foi, assim como foi pro Gray.

–Não... Você não entende. — disse Lucy, começando a chorar. — Eu sei que você o ama. O Jellal. Assim como sei que o Gray ama a Juvia. Mas... É diferente! Juvia e Jellal estavam esperando por vocês! Eles nunca deixaram de amar vocês! Nunca! Mas o Natsu... Ele nem sabe quem eu sou. Ele não faz ideia do que aconteceu. Você acha que ele vai se importar se eu morrer de repente? Se eu deixá-lo em casa e nunca mais aparecer? É claro que não! Ele provavelmente vai ficar agradecido! Ele provavelmente me odeia! E... Isso dói. Muito.

–Mas Lucy, mesmo assim... — dizia Gray, agora de braços cruzados, preocupado com a atual situação.

–Mesmo assim nada! Eu não podia deixá-lo se casar com aquela albina chata. Não, não, não! — disse Lucy, balançando a cabeça num gesto negativo. A jovem já havia perdido sua pose de poderosa capitã pirata e agora quase chorava de tão desesperada e confusa que estava. Mas ninguém ali realmente poderia culpá-la.

Erza suspirou e a abraçou. Fez carinho nos seus cabelos, mas ficou quieta. Afinal, ela entendia tudo aquilo. Erza amava Jellal desde... Sempre. Quando Jellal foi declarado como traidor e obrigado a sair do país, Erza quase morreu. Ela chegou até a entrar em depressão, de tão terrível que foi perdê-lo, e não só ele. Gray também não ficara nada bem quando Juvia, irmã mais nova de Jellal, fora colocada junto com ele na listinha de Indesejáveis da família Strauss. Mas com Lucy era diferente. Não era como se Natsu estivesse esperando ela voltar ou estivesse procurando por ela. Não era como se ele se importasse. Não era como se ele a amasse, como um dia ele amou. Naquele momento ela era apenas a vilã que o havia raptado, e que ele provavelmente mataria para ter a sua liberdade de volta se tivesse chance. Gray se jogou na cama dela e disse, com um suspiro:

–Ei, Lu?

–Sim? — ela disse.

–Juvia estava mesmo esperando por mim? — perguntou ele, hesitante.

–Ora, mas é claro seu idiota. Quem você acha que passou noites em claro ouvindo ela falar da saudade que sentia do seu Gray-sama? — Gray sorriu, sonhador. — E nem pense que com Jellal era diferente, Srta. Erza. Se ele não se declarar pra você ainda essa semana, eu juro que o mato, afinal eu que fui a cobaia dele nas vezes que passou noites em claro ensaiando isso pra você. — Erza corou, e ao mesmo tempo sorriu.

–Lucy, se isso for mentira e você estiver me dando falsas esperanças eu juro que te mato, sua loira mal amada. — disse Erza.

–Não se preocupe, estou falando sério. Agora vão. Se deixarem esses assuntos pra quando for tarde demais eu juro que colocou cocô de gaivota no jantar de vocês. — disse Lucy, limpando as lágrimas e se recompondo. Ela era a capitã. Havia passado por muita coisa. Ela, acima de todos ali naquele navio, deveria se manter forte até o último segundo.

Ambos assentiram e saíram do quarto. Lucy limpou a última lágrima e pôs a expressão sorridente no rosto. Ela sabia que era má ideia manter Natsu lá, com ela, mas o que ela poderia fazer? Devolvê-lo pra ele se casar com Lisanna? Nunca. Por mais perigoso que fosse tentar mantê-lo com ela, Lucy precisava tentar. Ela se negava a continuar fugindo. Ela aceitaria as consequências de suas atitudes e tiraria proveito de tudo que pudesse. Afinal, ela não tinha escolha. Ela nunca teve. Ela abriu a porta do quarto e sorriu. Estava quase na hora da diversão, e ela não queria perder isso.