The Pirate And The Prince
19 Capítulo 19 - Levy e a Biblioteca de Fogo
Notas iniciais
"Não é verdade essa história de que podemos enterrar o passado. De um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar.". (O Caçador de Pipas)
19
Levy e a Biblioteca de Fogo
Era uma noite fria de Setembro. As árvores ali fora já estavam sem suas folhas e a terra estava molhada e lamacenta pela chuva que caíra mais cedo. Todos no vilarejo mais próximo estavam em suas casas descansando naquela noite aparentemente comum. Mas a pequena Levy McGarden estava na biblioteca de sua família naquela noite. Ela estava deitada no sofá verde que ficava perto da janela enquanto sua mãe estava sentada na poltrona rosa ao seu lado, lendo pra ela. Ela usava um vestido laranja e verde, e seus chinelos brancos estavam ao lado do sofá.
-...E eles foram felizes para sempre. Fim. — disse a mãe de Levy, terminando a leitura de um conto de fadas. Levy sorriu e disse:
-É uma bela história, mamãe. Eu também vou ter um final feliz? Eu vou ter um príncipe encantado? — dizia Levy. A mãe, sem querer estragar as esperanças da pequena menina disse:
-Claro! Um dia um belo príncipe vai aparecer e te levar para um belo castelo num cavalo branco! — disse a mãe. Levy riu e a mãe riu com ela.
Levy McGarden era uma garota muito feliz. Ela morava com seus pais no meio de uma floresta próxima a um vilarejo próspero do reino Strauss. Eles mantinham uma enorme biblioteca próxima de casa, também na floresta, que ficava no meio do curto caminho do vilarejo até a casa. Levy morava com seus pais e imaginava um futuro brilhante pra si mesma. Isso tudo até chegar aquela terrível noite em que ocorreria um acidente que mudaria sua vida. Tudo começou quando seu pai foi apagar as velas que iluminavam a Biblioteca. Ele viu uma enorme ratazana e acabou se assustando, deixando cair uma vela acessa no chão.
-Ah, merda! — e ele correu pra avisar a esposa e a filha pra tentarem apagar o fogo. A biblioteca rapidamente estava completamente em chamas. Naquela noite, que antes era escura e calma, agora via-se um clarão de chamas iluminando a floresta e deixando a noite mais clara do que deveria estar. Mãe e filha corriam de mãos dadas pelos corredores da biblioteca em chamas em busca da saída. Levy tossia e a mãe já tinha algumas queimaduras em seus braços. Quando elas finalmente chegaram ao lado de fora, a mãe de Levy disse a menina:
-Levy-chan... Cof cof... Fique aqui que eu... Vou procurar o seu pai.
-Não... Mamãe... Não me deixe! — pedia Levy, chorando.
-Acalme-se, Levy-chan. Eu vou voltar... Cof Cof... — dizia a mãe. Mesmo tossindo e sentindo dor, ela sorria, o que fazia Levy se acalmar por alguns segundos. Ela soltou a mão de Levy e correu de volta pra biblioteca.
-Mamãe! — gritou Levy, e ela voltou a chorar. Logo a sua frente estavam os livros que marcavam sua vida, sendo destruídos. O negócio de sua família estava destruído. Isso a fazia chorar, além do medo das chamas crescentes do lugar. Depois de alguns minutos, ela ouviu barulhos nos arbustos ao seu redor, fato que ela ignorou nos primeiros minutos, até que um vulto a empurrou pro lado e gritou:
-Cuidado! — logo depois a Biblioteca explodiu e Levy gritou de medo... e dor.
Uma tábua em chamas a atingiu na barriga, fazendo-a chorar de dor e gritar. Depois que sua agonia diminuiu, ela viu algo encima dela. Era o tal vulto que a empurrara. Depois de olhar pro lugar onde ela estava, ela encontrou uma enorme tábua em chamas, o que indicava que o vulto a havia salvado. Então ela foi olhar pra quem a salvou.
Era uma menina, mais ou menos de sua idade. Ela tinha olhos castanhos determinados, cabelos longos e loiros e usava um chapéu de pirata que ficava ligeiramente largo nela.
-Oe! Você está bem? — disse a garota.
-Estou, mas... — disse Levy — Meus pais não saíram de lá... E...
Então a menina voltou a chorar. Seus pais haviam morrido e agora ela não tinha mais ninguém. O que ela devia fazer agora? Que utilidade ela tinha pro mundo sendo uma criança sem nenhum talento especial? Ela chorava desesperada, sem saber oq que fazer, até o momento que ela sentiu um braço abraçá-la enquanto outro lhe afagava a cabeça.
-Tudo bem. Eu estou aqui pra te ajudar. — disse a estranha menina que a havia salvo. A menina sorriu, um sorriso belo e radiante, e disse: — Eu sou Lucy. E você quem é?
-Eu sou... Levy... — disse a pequena, tímida.
-Levy-chan! Posso te chamar assim?
-Sim... Mas eu vou te chamar de... Lu-chan...
-Ótimo! — então a menina virou-se e gritou: — Juvia! Jellal! Me ajudem aqui, eu acho que ela está ferida!
Então duas outras pessoas apareceram. Um garoto, de cabelos azuis e uma estranha tatuagem vermelha debaixo do olho, e uma garota de cabelos azuis enrolados nas pontas. Levy se encolheu atrás de Lucy, até que esta disse:
-Tudo bem. Eles vão te ajudar, e eu também. Já que você está sozinha no mundo, eu e meus amigos vamos te dar uma chance. Nós somos piratas, roubamos pra sobreviver. Se for conosco você terá uma nova família e um lar com comida e uma cama quentinha, mas não será mais bem vista pela sociedade. O que você decide?
-E-Eu... — dizia Levy, pensando. Ir com Lucy e seus amigos era a melhor escolha que ela tinha. — Sim. Eu vou com você, Lu-chan. — a loirinha sorriu e disse:
-Que ótimo! Eu, Juvia e Jellal vamos cuidar de você! Vamos, Levy-chan!
Depois daquilo, Levy se tornou uma pirata. A mais inteligente da tripulação do grande navio Princess Elizabeth. Tudo que restara do acidente fora sua cicatriz e suas tristes lembranças... Lembranças...
Flashback OFF
Levy McGarden acordou assustada em sua cama. Ela arfava e sentia seu rosto molhado. Ao tatear seu rosto, ela sentiu-o molhado. Estava chorando? Só por lembrar-se daquilo? Patético. Ela secou suas lágrimas e se levantou. Ao se trocar, ela levou sua mão ao local da cicatriz. Ela sentiu sua primeira marca de batalha num leve auto-relevo e por um momento sentiu vontade de chorar. Ela fechou os olhos e cobriu a cicatriz. O passado era passado e ela não podia fazer nada pra mudar o que aconteceu. Nem poderia ter feito naquela época, aliás. Ela deixou uma última lágrima rolar, então sorriu. Ela tivera uma segunda chance na vida e agora devia aproveitá-la com sua nova família.
Fale com o autor