The Pirate And The Prince
11 Capítulo 11 - Mágoas Afogadas ao Rum
"Nós, com quem o destino não foi muito generoso, temos um certa cumplicidade com a vida, e procuramos juntos nos defender dela.". (Feliz Ano Velho)
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Cana Alberona, Mágoas Afogadas ao Rum
No dia seguinte, o dia começara com um céu límpido e azul, com um sol radiante iluminando o mar com sua felicidade. O vento levava o navio na velocidade e direção certas, o que dava a Lucy mais tempo pra descansar e aproveitar o dia. Lucy e Natsu estavam deitados no chão do convés, que estava vazio. Pelo jeito o porco do mato que a tripulação comera no jantar da noite anterior estava ruim, então todos estavam em seus quartos... Com baldes em mãos com a fuça enfiada pela janela vomitando, ora no balde, ora no mar. Natsu chegava a sentir pena dos peixes que passavam ali e que teriam de aguentar aquele mar levemente envenenado.
Deitado no chão do convés, de mãos dadas com Lucy, observando o céu, Natsu pensava. O que seria dele se Lucy não o tivesse salvado de se casar e viver infeliz? Será que ele aguentaria ficar o resto da vida casado com uma mulher que ele não ama e nunca amará? Então, voltando de seus devaneios, Natsu ouviu passos subindo as escadas para o convés.
-Oh, olhem só, que amor. O que o casal feliz está fazendo no chão? — perguntou a pessoa. Era uma jovem morena com uma garrafa de Rum na mão. Natsu lembrava-se de vê-la bebendo no seu 1º dia no navio, mas desde que estivera ali Natsu não teve oportunidade de falar com ela. Mas se lembrava vagamente de vê-la repeendendo Gray por sua mania de tirar as roupas e, é claro, bebendo. Aquela garota com certeza tinha uma resistência notável quanto a bebida.
-Ah, Cana, estamos observando o belo dia que é hoje. — disse Lucy, voltando-se pra garota e sorrindo.
-Belo dia? Com certeza não é um belo dia pra Liga do Vômito Infinito ali embaixo. — disse Cana, sentando-se encima de um barril e bebericando seu rum.
-Agradeço aos céus por dormir no quarto da Luce, bem longe do fedor supremo. — disse Natsu, arrancando risadinhas de Lucy e um sorriso de si mesmo. Ele adorava fazer Lucy rir.
-Jura? Pois eu durmo bem no meio da área infestada pelo fedor. A pequena Levy está dividindo seu tempo entre ler e vomitar. Não sei como ela ainda não se casou com o livro. — dizia Cana, debochada.
-Difícil é acreditar que ela não vomitou no livro. — disse Lucy.
-Pois é. Juvia está com Gray tentando ajudá-lo com isso, então você deve imaginar que beleza aquilo é. Um vomita no balde e outro na janela. — disse Cana. Lucy e Natsu riram e assentiram, concordando com a bêbada.
-Como você se livrou disso? — perguntou Lucy.
-Pra quem bebe o dia todo todos os dias, um pouco de vontade vomitar não é nada. Afinal, você sabe que eu tenho um corpo resistente pra isso. — explicou Cana — E vocês?
-Jantamos no porto. — disse Natsu
-Pois é, comemos peixe e não porco. — acrescentou Lucy. Ficaram por alguns momentos em silêncio, ouvindo o mar, até que Natsu resolve quebrar o silêncio com uma pergunta bem indiscreta.
-Cana... O que uma jovem bêbada como você faz aqui sendo pirata? — perguntou Natsu, inocentemente.
-Ah... Isso... — disse Cana. — Bom, vou resumir isso. Eu vivia em uma vila no reino Dragneel. Lucy tinha mais ou menos 14 anos quando me encontrou. Ela me achou caindo de tanto beber na porta do bar. — ela riu e deu um gole de sua garrafa. — No começo, achei ela um pouco assustadora, afinal, alguns rumores diziam que uma jovem garota capitã pirata estava assombrando vilas de diversos reinos. Ela me viu e mandou eu seguí-la. Ela me levou até a fonte no meio da cidade e simplesmente... Me jogou lá dentro.
-Eh?! Lucy, você tentou matar a coitada? — disse Natsu, chocado.
-Ela estava caindo de bêbada, só queria dar um sacode nela. — disse Lucy.
-Eu estava bebendo porque tive uma briga com meu pai. Guildarts... Aquele velho gagá só pensava em servir o exército Dragneel e não me dava atenção. Ele nunca deu. Depois que a minha mãe morreu eu me sentia muito sozinha, então passei a roubar goles das garrafas do estoque secreto do meu pai. Depois de um tempo, passei a comprar minhas próprias garrafas e eu bebia todos os dias. Guildarts me expulsou de casa quando eu cheguei bêbada em casa... Pela 5ª vez. — disse Cana. Então Natsu reconheceu um nome.
-G-Guildarts?! Você é filha do Guildarts?! — dizia Natsu, desesperado.
-Sim, porque? — disse Cana, indiferente.
-Eu o conhecia! Capitão da 1ª Divisão, Guildarts Clive, ele é incrível! E sabe de uma coisa? Ele falava de você o tempo todo. Só pelo que ele faava eu já sentia que te conhecia! — disse Natsu. Cana corou e disse:
-Enfim, quando eu voltei ao meu estado lúcido, Lucy me ofereceu um lugar na sua tripulação. Teto, bebidas e comida a vontade em troca de amor e lealdade. Eu aceitei na hora. Em poucas semanas eu e Lucy já éramos amigas. Não temos uma amizade como a que ela mantém com a rata de livros, mas já é alguma coisa. Eu jamais trairia a Lucy, assim como sei que ela nunca me trairia. Seremos uma família pra sempre, sempre, sempre. — terminou Cana.
-Sim, minha querida Cana, apesar de você ser uma bêbada doidinha, eu te amo. — disse Lucy, rindo logo depois.
-Engraçadinha. Ok, vou cochilar um pouco, afinal, não tô com paciência pra aturar a ressaca acordada. Divirta-se com seu namorado. — disse Cana, se levantando.
-Ele não é meu namorado. — disse Lucy.
-Por enquanto, loira. — disse Cana, rindo logo depois. E sumiu escada abaixo. Natsu se levantou e correu pra escada.
-Onde vai? — perguntou Lucy.
-Vou dar um conselho valioso pra sua amiga. — disse Natsu. Chegando ao fim da escada ele disse a Cana: — Oe, Cana! — ela se virou e disse:
-O que foi, rosinha?
-Só quero de dar uma dica. Olha, não desista do Guildarts. Ele é chato, irritante, lerdo e levemente insuportável mas ele te ama. Dê uma chance a ele. Por favor. — Cana sorriu e assentiu. Tomou mais um gole de sua garrafa e entrou no quarto. Ela sorriu. Natsu não era tão ruim assim... Cana imaginava que ele era só um cara mimadinho quando o viu pela primeira vez. Tá bem, Lucy lhe dissera que ele era legal várias e várias vezes, acrescentando detalhes sobre a personalidade dele, mas Cana nunca acreditara que um príncipe seria tão bom. Lucy realmente tinha bom gosto na questão "escolha seu rei pirata". Sim... Cana estava ansiosa pra ver no que aquilo daria.
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