The Phantom Rider

5 Capítulo V – A casa estranha


Sra. Watanabe queria conversar com eles sobre algumas coisas que gostaria que ambos fizessem.

— Hajime, eu gostaria que você levasse essa lista até o supermercado e trouxesse todas essas coisas que eu pedi na lista. – Dizia a senhora concentrada, entregando o papel a ele. Em seguida, levou a mão ao bolso. – Vou te dar esse dinheiro e você vê se dá pra comprar tudo. Bem, com certeza vai dar, mas nunca se sabe. Qualquer coisa, você pede pra colocar na nossa conta que mais tarde Sr. Watanabe vai pagar. Entendido?

— Sim. – Respondeu balançando a cabeça rapidamente, olhando para lista, sentindo-se um pouco perdido.

— Agora, Mayumi, leve o Buyo ao veterinário. Ele tem que acabar de tomar as vacinas... – Continuou olhando para os lados, para ver se encontrava o animal. – Mas aonde foi que esse gato se meteu?

— Ele sempre some. Você sabe, mamãe. – Respondeu Mayumi soltando uma risada.

— Sim, mas está demais!

Não demorou muito para que o gato aparecesse. Mayumi se abaixou em direção ao felino e o mesmo pulou em seu colo, sem demora. A menina o acarinhou e, por fim, a mãe lhe deu o dinheiro para que fosse vaciná-lo. A jovem e o rapaz saíram juntos pelas ruas para fazer suas devidas coisas.

No caminho, os meninos ficaram um bom tempo em silêncio, o que fez Mayumi estranhar bastante. Geralmente, Hajime era falante, não parava de comentar sobre as coisas e sempre tinha alguma piada para soltar. Entretanto, aquele dia fora diferente...

— Hajime-kun? – Chamou, enquanto que ele deu um pulo levando um susto com a voz dela.

— Sim?

— O que houve que você está tão calado? Não deu um pio o caminho todo e isso não é uma coisa nada normal.

— Me desculpe, é que estou um pouco pensativo.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não... Na verdade, mais ou menos.

— Me conte.

Quando ele ia falar alguma coisa, chegaram à curva que iria separar seus caminhos. Mayumi ficou parada na esquina esperando o jovem falar, enquanto segurava Buyo em seus braços. Hajime refletia um pouco sobre o que tinha a dizer, mas a menina olhava tão fixamente e tão séria que seu coração acelerava e o impedia de mencionar qualquer palavra. Fazia gestos com a boca e respirava fundo diversas vezes. De repente, o gato começou a se remexer no colo de Mayumi, parecendo estar inquieto. Ele queria fugir e já estava ameaçando arranhar a menina.

— Talvez não seja uma boa hora... Leve Buyo para o veterinário, depois nos falamos.

— Está bem. – Respondeu a menina ajeitando o gato nos braços. – Mas me conte. Não se esqueça.

Após isso, ambos seguiram seus caminhos.

Mayumi arrumava o gato em seus braços e agora ele parecia estar mais calmo, enquanto andavam. E ela conversava com ele:

— Sabe, Buyo... Você é um gatinho muito lindo, mas tem andado muito desobediente, de uns dias para cá. A okaasan está muito zangada com você. Você tem fugido demais. Aonde tem ido, hm?

O felino recebia os carinhos em sua cabeça e fechava os seus olhos sonolento, quando chegaram ao veterinário para receber sua vacina. Não demorou muito. Essa era a última de todas. O gato havia ficado doente uns tempos atrás e precisava receber esse medicamento toda semana. Era um bom animal e não era inquieto. Muito pelo contrário, era acomodado demais. Enquanto a menina ia andando pelas ruas com ele dormindo, ela observava o local: era uma rua estranha, com poucas casas e muitas árvores. Ela não se lembra de ter andado por ali alguma vez...

De repente, Buyo pulou de seu colo e foi correndo em direção a uma casa que havia ali na região. Desesperada, Mayumi foi atrás dele, sem nem saber onde que estava andando. Gritava pelo nome do gato de forma em vão. Foi quando se deparou com uma casa emane e velha, com alguns traços de que havia sido queimada há muitos anos atrás. Ficou com receio de entrar, mas o seu gato havia entrado ali. A porta estava aberta e a fechadura estava devidamente intacta, ao contrário da casa, que estava completamente queimada e úmida. Adentrou a sala e estava muito escura, tanto que mal dava para ver a luz que entrava pelas brechas da parede. Agora, com um pouco de receio, passou a chamar seu gato, fazendo um pequeno chiado com a boca, mas nada parecia dar certo. Deparou-se então, na entrada para a cozinha, com o rabo preto, então saiu correndo atrás dele. Atravessou a cozinha emane e, quando deu por si, estava em um quintal enorme e bem cuidado, nos fundos da casa. Impossível não ter aquela sensação de surpresa: havia um lindo jardim, o mais verde que ela pôde achar naquele momento. Haviam flores e árvores, com uma grama linda e bem tratada sobre o chão. Maravilhada com o que via, não pôde conter a sua necessidade de ir ver aquelas plantas. Aproximou-se de um roseiral que havia no canto, próximo ao muro e logo sentiu acarinhar o calcanhar os pelos macios de Buyo. Deu com os braços no gato e tomou-o para si, acariciando a cabeça delicada do bichano, que só sabia fechar os olhos com o carinho da dona.

— Você queria me trazer pra cá, não é mesmo, Buyo? – Sussurrou a menina contente, enquanto deslizava sua bochecha como forma de carinho.

A menina ficou por um tempo ali, apreciando a beleza das plantas. O que lhe intrigava era o fato daquelas plantas estarem sendo tão bem cuidadas em um lugar “abandonado”. Afinal, era isso o que parecia. A casa estava completamente queimada, não haviam móveis e nem chaves. Estava aberta, mas parecia que ninguém se atrevia a entrar. Enquanto conversava com as plantas e seu gato, sentiu em si um arrepio, acompanhado de um frio que lhe subiu à espinha, sem conseguir evitar. Era como se alguém a observasse enquanto ela estava ali. Seus olhos viravam-se volta e meia para trás, com medo de encontrar algo desagradável. Seriam fantasmas? Ela ouvia pequenas gotas que faziam eco de dentro da casa e isso a amedrontava mais. Parecia que não tinha ninguém ali, então por que essa sensação tão estranha e tão assustadora? Quando ela entrou, não teve esse sentimento todo, agora estava tendo? Será que, quando chegou, não tinha ninguém, ou então estava dormindo e ela acordou, sem querer? Sua respiração agora estava lenta, por conta do medo que sentira no momento.

Nesse jogo de virada de olhos, ela encontrou, ao fim do pequeno jardim, uma pequena placa de pedra, escrita algumas palavras. Aproximou-se em silêncio, colocando seus cabelos lisos para trás, para que pudesse enxergar melhor e ajoelhou-se diante da pedra. Sua curiosidade, de fato, era bem maior que o medo...

Querido pai...

Hoje faz exatamente sete anos que se foi e que deu sua vida por mim.

Eu deveria agradecer... Então, fiz este pequeno lugar pra você, no lugar da casa onde mais passávamos juntos e...

Antes que pudesse terminar de ler a frase, ouviu um estrondo horrível de dentro da casa, que a fez levar um susto e até Buyo miou alto.

— Ai, meu Deus! São os fantasmas! – Disse a menina, dando um pulo do lugar onde estava. Tomou seu gato nos braços e saiu dali correndo, indo em direção à porta.

Para sua surpresa, a mesma estava aberta e nada a impediu de sair tão rápido que nem uma bala perdida seria capaz de alcançá-la.

A menina corria com desespero e apertava tanto o seu gato nos braços que mal ele conseguia se mexer. Mas o felino era tão preguiçoso que nem mover-se dali ele fazia. Ao chegar à esquina, deu com a curva direita que servia de acesso para sua rua e, sem nenhuma pausa de tempo para descansar, o fez. Sequer pensou nisso. Chegando às portas do restaurante, entrou no mesmo ofegante e soltando dos braços o gato, caindo logo na primeira cadeira que vira.

— Mayumi? Minha filha, o que houve? – Perguntou sua mãe, preocupada.

A jovem mal conseguia mover-se e respirava com profundidade. Pôs a mão em seu coração e o mesmo batia tão acelerado que nem mesma ela conseguia entender o quanto o seu peito doía. Seu corpo estava tomado de pelos e sua roupa branca já estava preta, por conta da cor do bichano. Era inevitável, mal conseguiu responder à mãe. Olhou o relógio que estava na parede e deu outra vez um pulo de susto. Era onze e quarenta e cinco, hora da escola. Subiu correndo para a casa, sem nem dar ouvidos para Sra. Watanabe. A senhora então, deu com os ombros e não deu muita importância para o assunto.

Mayumi correu para o seu quarto, que ficava no teto da casa. Era um antigo porão que foi transformado em um lindo estabelecimento para a jovem. Ela era cuidadosa e mantinha aquele lugar nos seus conformes para que nunca precisassem reclamar e nem mesma ela se incomodar com a bagunça. Pegou seu uniforme e correu para trocar-se e ir à escola. O local onde estudava era diferente dos demais. Era um colégio que costumava preservar os costumes japoneses. Era cara, mas eles preferiram que a menina estudasse naquele colégio, pelo menos o seu Ensino Médio e, naquele caso, ela já estava no último ano, prestes a fazer faculdade.

A jovem não enrolou muito, acabou de se arrumar e desceu para almoçar. Rapidamente, terminou e correu para a escola. O colégio não ficava muito longe, dava para ir a pé. Ao chegar, entrou em sua sala e logo encontrou duas amigas sentadas sobre duas carteiras à espera da aula. Ela foi em direção às meninas e passou a conversar tranquilamente. O professor logo chegou para dar início à aula. Essa escola era especial, somente para descendentes japoneses. Por isso, na época, ainda não possuíam muitos alunos e também sua aquisição era difícil, somente quem possuía muito dinheiro, ou então uma bolsa de estudos. Só possuíam três turmas de Ensino Médio e isso era suficiente para darem aulas para os poucos alunos do colégio.

Mayumi queria prestar atenção na aula, mas tinha algo que não a deixava quieta. Seus pensamentos se direcionavam para outros locais e nada tirava de sua cabeça o fato de ter encontrado aquela casa “mal assombrada”. Ela se perdia em pensamentos e seus olhos fugiam imediatamente janela afora, pensativa e reflexiva. Copiava um pouco aqui, escutava um pouco ali e nem na hora do recreio a menina saiu de dentro da sala. Pegou o livro que lia e perdeu-se em pensamentos novamente.

Mayumi-chan¹, amiga. Você está bem? – Perguntou uma de suas amigas durante o intervalo da aula. – Ficou longe a aula inteira, pensa que não reparei?

A menina suspirou profundamente e largou sobre a mesa o livro.

— Estou preocupada, Erika-chan... – Respondeu.

— Com o quê?

— Estou com um mau pressentimento... Não é de agora, sinto que algo está para acontecer.

— Ai, credo, Mayumi! Assim você me assusta! – Exclamou a menina, arregalando os olhos em direção à amiga que, por sua vez, estava concentrada e parecia falar sério.

— Seja lá o que for... Eu quero saber o que é.

— Mas... – Tentava dizer a amiga. – Tem acontecido alguma coisa?

Mayumi olhou para os lados e refletiu um pouco. Será que deveria levar em consideração? Ela, provavelmente, lhe acharia maluca. Fantasmas não existem!

— Mais ou menos... – Respondeu, por fim, após uma longa pausa que nem mesma ela havia notado que tinha feito.

— O quê?

— Se acontecer alguma coisa, você vai saber. Com certeza, Erika-chan.

Notas finais
[1] Nota: Sufixo chan: Utilizado para crianças e meninas, de uma forma menos formal e mais íntima.
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Agooora o negócio vai começar a esquentar. KKKKKKKK