The Phantom Of The Opera
2 Segundo Ato
Notas iniciais
Ever Dream /
Bless the Child
Nightwish
"I've never felt so alone in my life
As I drank from a cup which was counting my time
There's a poison drop in this cup of Man
To drink it is to follow the left hand path"
II ATO
Minha doce Christine não regressou na semana seguinte ao teatro como deveria o que me deixou preocupado, e apreensivo. Ouvi pelos corredores do teatro que minha musa angelical teria pegado uma gripe forte e por isso não estaria disposta para seus papéis teatrais naquela semana. Como eu não aguentaria ficar sem seu brilho esplendoroso por tanto tempo, acabei saindo da minha aconchegante masmorra, e vaguei pelas ruas mais escuras e gélidas da grande Londres, com destino ao lar de minha adorada O’Zera. Raramente eu me dava ao trabalho de sair às ruas, mas por Christine eu fiz um esforço. Claro que eu não poderia simplesmente bater a sua porta, e esperar ser bem recebido. Meu único intuito era esperar distante, do lado de fora até que minha musa surgisse na janela, para que eu pudesse ver seu belo rosto por alguns instantes e me certificar de que ela estaria mesmo bem. Meu longo casaco escuro com golas altas assim como meu chapéu de abas largas ajudou a me camuflar nas sombras daquelas calçadas. Esperei um longo tempo naquela noite, até finalmente ver minha querida Christine se mostrar rapidamente na janela de seu quarto. Não ficou muito tempo ali, para minha infelicidade, pois logo alguém a fez voltar para o lado oculto de seu quarto onde meus olhos não a podiam seguir. Porém, mesmo tão distante senti meu coração mais aquecido ao ver que ela estava bem. Então voltei ao teatro e esperei que ela ficasse boa logo para voltar a me alegrar.
As semanas foram seguindo sem que Christine voltasse ao teatro. E a cada dia que eu era privado de sua presença, minha raiva aumentava. Colocaram uma substituta em seu lugar, por tempo indeterminado, e eu sequer sabia o motivo. Toda noite eu subia ao topo do palco procurando ver minha musa encenando seu papel, e encontrava aquela reles moça de cabelos loiros e cacheados em seu lugar, destruindo cada personagem com sua interpretação ruim. Dava-me náuseas ver o quanto aquela mulher era simplória e sequer chegava aos pés de Christine. Sua interpretação era pesada, e ela parecia se arrastar sobre o palco. Não entendia como ela conseguia arrancar sorrisos e aplausos dos espectadores, sendo que tudo que ela despertava em mim, era um desejo terrível de estrangular seu pescoço. Revoltado com aquilo, eu sequer conseguia ver todos os atos até o final. Voltava todas as noites para minhas masmorras, tomado de ódio, e um anseio infame de assassinar aquela falsa atriz que colocaram no lugar da minha grande estrela.
– Como ousam? –gritei tomado de raiva enquanto descia as escadas do meu mausoléu. – Canalhas... Assassinos da arte. –joguei meu punho contra alguns objetos sobre a mesa derrubando-os no chão. – Como eles podem substituir minha musa, minha inspiração, meu anjo de mármore...
Estava transtornado, e cada dia longe de Christine seria assim. Desejava tomar aquelas ruas novamente, e invadir sua residência exigindo uma explicação plausível por ela ter me deixado. Mas eu não podia...
– Miserável! –gritei ao virar a mesa pensando no maldito que teria posto aquela megera no lugar de Christine.
Para aumentar ainda mais minha dor, eu era obrigado a ver aquele reflexo grotesco no espelho. Passei a ingerir toda bebida alcoólica e forte que continha naquele cômodo. Muitas das noites seguintes, eu adormecia olhando um recorte de jornal que estampava o rosto de minha estrela após uma de suas peças. Mas certo dia, tomado de raiva eu o joguei ao fogo imaginando que motivos teriam levado Christine a me abandonar. Semanas depois, eu voltei a assistir as encenações, e para minha surpresa lá estava ela, no segundo ato interpretando minha amada Julieta. Christine estava ainda mais bonita e radiante, e sua interpretação cada vez mais formidável. Esperei até o final, para ouvir os aplausos dirigidos a ela, e foram muitos. Depois decidi que queria vê-la, e tomei o caminho do seu camarim em segredo como sempre fazia. Mas para minha desagradável surpresa, Christine não estava sozinha. Ao contrario, estava acompanhada de ninguém mais ninguém menos que o filho do conde, o senhor Wayne que havia lhe enviado as mesmas rosas vermelhas da ultima noite que vi minha Christine.
“Mas o que ela fazia ao lado dele? E porque pareciam tão próximos?”
Fiquei atrás da parede apenas observando tudo, sem que eles soubessem da minha presença. Então algo terrível aconteceu diante dos meus olhos. Aquele maldito se aproximou de Christine tomando-a pela cintura, e depositando um beijo nos lábios dela. Apertei firmes meus punhos, sentindo um desejo incontrolável de matá-lo ali mesmo, usando nada além do que minhas próprias mãos. Mas tive de me conter, até porque percebi que Christine retribuiu tal demonstração de afeto, o que me deixou ainda mais transtornado.
“Como ela pode? O que estava pensando?”
Christine devia estar fora de si, como ela teve coragem de permitir que aquele miserável lhe tocasse? Wayne fechou a porta do camarim de Christine e empurrou-a contra a estante onde a vi inúmeras vezes se maquiando para a peça. Ambos se recostaram sobre a mesma enquanto trocavam caricias intimas bem na minha frente. Christine estava tomada de paixão, e segurava o rosto daquele traste com ambas às mãos, as mãos que eu tanto desejava que me tocassem com a mesma intensidade. Meus olhos queimavam de raiva, ao ver Wayne erguer uma das pernas de Christine a altura de sua cintura e apertar sua coxa. A perna dela ficou nua, enquanto ele beijava seu pescoço e a fazia gemer apertando o corpo grande dele contra o dela.
– Ah Christine, você me deixa louco! –dizia aquele desgraçado.
– Eu não posso Bruce... –dizia Christine de olhos fechados. – Não devemos...
– Você é minha noiva Christine! –não podia ser verdade. – Não devemos nos privar dos nossos sentimentos... –ele conduziu seus dedos ao centro do corpo dela, logo abaixo de suas saias.
– Não está certo Bruce... –seguia ela tentando resistir.
– Está certo sim! –disse tocando-a. – Eu desejo você e você deseja a mim... Está mais do que certo.
– Por favor, Bruce... — Christine gemeu após dizer o nome dele, o que mostrava que o maldito tinha lhe tocado mais profundamente.
– São apenas algumas carícias Christine... –dizia ele ao ouvido dela. – Não resista, eu sei que você quer...
– Não Bruce... –ela gemia e isso estava me deixando louco.
Eu a desejei por tanto tempo, queria tocá-la, acariciar sua pele, seu corpo, seus seios. Desejava beijar seus lábios, seu pescoço, toda a extensão do seu corpo nu. E agora ela estava dando tais privilégios aquele filho da mãe, maldito. Eu precisava fazer alguma coisa, não podia continuar vendo aquilo. Aquela era a minha Christine, minha... Meus punhos se ergueram praticamente sozinhos em direção à parede fina diante de mim, e eu a esmurrei com toda minha força quase quebrando meus dedos. Mas não senti sequer um pouco de dor, tudo que eu sentia era ódio. Porém, minha reação natural acabou surtindo efeito sobre a estante do outro lado, que ringiu de acordo com a batida.
– O que foi isso? –ouvi a voz dela.
– Não ouvi nada. –continuou Wayne.
– Parece que... –de repente a vi olhando na minha direção, mas sem me ver.
Christine apertou os olhos, provavelmente lembrando que eu costumava usar aquela passagem para invadir seu camarim e vê-la todas as noites. Isso fez com que ela se afastasse do filho do conde, empurrando-o.
– Espere Bruce...
– O que foi Christine? –disse ele injuriado.
– Não ouviu isso? –ela se aproximou da parede e então eu me afastei e corri pelo corredor escuro.
POVs Christine
Tive a ligeira impressão de ter ouvido a estante se mover. Com as caricias ousadas e agradáveis de Bruce, acabei esquecendo completamente que Dorian costumava usar uma passagem de meu camarim, para vir me ver após a peça. Tive medo que ele tivesse visto alguma coisa do que acontecia entre mim, e meu noivo. Eu sabia que Dorian nutria uma profunda admiração por mim, e ele poderia não ficar feliz com tais cenas.
– Então? –se manifestou Bruce.
– Não foi nada! –me virei e o encarei. – Mas acho melhor irmos embora...
– Tudo bem... –disse ele um pouco a contra gosto.
– Vamos... –andei rumo a estante pegando meu casaco e depois andei até a porta.
Assim que Bruce e eu saímos do camarim, eu desliguei as luzes e tranquei a porta com minhas chaves extras. Depois ele me levou para casa, mesmo contra sua vontade. Ainda dentro do carro, em frente a minha casa, meu noivo insistiu em me tocar intimamente. Mas apesar de gostar em parte dos seus toques atrevidos, eu precisava me guardar para o dia do nosso casamento, ou afinal de contas ele poderia acabar desistindo se eu me entregasse a ele antes de ser tomada como sua esposa. Isso não ficaria bem para uma moça de nossa época.
– Muito bem Bruce, eu preciso descer! –disse afastando seus lábios dos meus.
– Diga que vai sonhar comigo. –ele sorriu maliciosamente.
– Se isso acontecer eu terei problemas também para dormir! –sorri.
– Em breve não poderá mais fugir de mim senhorita O’Zera. –ele tocou meu nariz com a ponta do dedo.
– Boa noite senhor filho do conde! –abri a porta eu mesma.
– Tenha bons sonhos Christine!
Sai do carro e abanei meus dedos a ele em um até breve. Depois subi as escadas da entrada da residência de meus pais, e adentrei a mesma. Minha adorável avó veio me receber, já preocupada pelo meu atraso.
– Onde esteve Christine? –disse ela. – Está tarde.
– Estava com Bruce vovó... Não se preocupe... –sorri e lhe dei um beijo na testa.
– Minha única neta a sós com um cavalheiro é motivo de sobra para me deixar de cabelos brancos... –disse torcendo os lábios finos e enrugados.
– Eles já estão demasiado brancos não acha vovó? –sorri.
– Ora, não seja grosseira...
– Não estou! Agora preciso subir e tomar um banho!
– Vá, vá... –resmungou ela.
Subi as escadas com um sorriso estampado no rosto, e fui até meu quarto. Entrei rindo da mãe de meu pai, e disse:
– Ah vovó! Sempre tão adorável!
Deixei meu casaco sobre a cama, e depois tirei meus sapatos. Tudo que eu precisava era de uma banheira de água bem quente para relaxar meu corpo daquela noite no teatro. Fui para o banheiro, e me despi totalmente. Ainda podia sentir o cheiro de Bruce no meu corpo, e era muito agradável. Entrei na banheira, uma perna de cada vez, depois me sentei imergindo metade do corpo na água. Deitei minhas costas para trás, enquanto segurava as mãos na beira da louça branca, e fechava os olhos. Inevitavelmente lembrei meus momentos com Bruce no meu camarim, e também acabei pensando em Dorian. Não o via há tanto tempo, e já estava sentindo falta de nossas conversas. Ele era extremamente frio às vezes, e um pouco desagradável com alguns comentários, mas era um bom amigo. Sempre me levava flores amarelas, as minhas favoritas para me presentear pela minha interpretação. Eu não entendia muito bem, todo o fascínio que ele via em minhas personagens, mas gostava de todo o carinho que recebia dele.
– Será que ainda vai me ver no teatro? –me perguntei.
Eu não sabia de onde Dorian surgia todas as vezes que nos víamos, mas sabia que ele usava as passagens secretas do teatro para vagar indiscriminadamente por ai sem ser visto, ou como ele dizia incomodado. Na verdade eu pouco sabia sobre ele, já que Dorian era muito reservado, e apenas falava de mim o tempo todo. Tudo que eu sabia sobre ele era seu nome, Dorian. Nem seu sobrenome ele tinha me dito. Mesmo assim, com todo esse mistério eu gostava de estar com ele. Dorian era bem agradável e gentil quando queria. Outras vezes parecia estar sempre zangado e insatisfeito, mas eu acreditava que o motivo era algo que ele escondia debaixo de sua mascara misteriosa. Sempre tive curiosidade de ver por baixo dela, e descobrir o que ele tinha de tão espantoso, mas ele jamais me permitia chegar tão perto. Me aprofundei mais na banheira e relaxei...
"Nunca me senti tão sozinho em minha vida
Enquanto bebi um cálice, estava contando meus dias
Há uma gota de veneno neste cálice do homem
Beber nele é seguir o caminho do norte"
Nightwish — Bless the Child
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