Notas iniciais
Bem vindo leitores novos, estão gostando da história? Um oizinho para os veteranos e sem conta também. Eu andei pensando "Cara, se eu morresse ninguém ia avisar meus leitores do nyah. Ainda tem tanta coisa para acontecer e ninguém nem ia saber o motivo da história nunca ser terminada, ou de um capitulo novo nunca ser postado." Esse capitulo tem um bombardeio de informações. Boa leitura.

— Elas são muito bonitas Jhon.

No meio do salão de sua mansão, Isobel avaliava as duas crianças que Jhon trouxera para ela. O mesmo cabelo castanho liso. Os mesmos olhos brilhosos e curiosos. O mesmo cheiro de inocência e sangue puro. Ambas pareciam anjos saídos das pinturas extremamente meticulosas de um gênio, algo que particularmente agradou Isobel.

Ninguém nunca desconfia de anjos.

Seus dedos correram a face de umas garotas, para logo depois tentar enrolar o dedo indicador nos fios escorregadios da outra.

— Realmente bonitas. – ela ressaltou reparando ambas seguravam na mão uma da outra – Em breve vocês serão tão habilidosas quanto são bonitas, acreditem. Farão todo e qualquer homem perecer a vocês. Vocês vão conquistá-los, dominá-los, enlouquecê-los. Poderão usar o ciúmes também, bonitas como são, não vai ser difícil. – Isobel franziu o cenho vendo as mãos das garotinhas se apertarem e logo as separou, agarrando a mão de cada uma entre as suas de maneira firme enquanto segurava o olhar das meninas – Vocês terão mãos mágicas meninas. Serão mais habilidosas do que qualquer escrava de sangue se quer sonha ser.

Katherine trocou um olhar de descompreensão com a irmã. Até a tarde de hoje ela e a irmã passavam seus dias brincando como crianças normais com apenas uma exceção, sua obsessão por vampiros. Elena sempre fora a mais apaixonada, acabou levando sua curiosidade até Katherine, e ambas se encantavam observando os vampiros sem que ninguém soubesse. Sempre de longe para que eles não sentissem o cheiro delas. E então, quando o sol se pós, e as criaturas da noite poderam andar livremente, seu pai e outro homem apareceram na porta do seu quarto, e as carregaram até a mulher desconhecida.

Elas souberam que a mulher misteriosa era uma vampira no momento em que a viram. O fascínio de Elena pelas criaturas da noite a levou a descobrir um porão repletos deles em casa. A obsessão de Elena logo se tornou o de Katherine também, e elas passavam horas e horas a analisar as criaturas da noite em segredo, depois que o pai as colocava na cama.

Elas não sabiam o que era uma escrava de sangue até aquele exato e precioso momento, nunca tinham reparado na tão pecaminosamente boa forma dos vampiros. Seu fascínio pelos vampiros se devia principalmente aos seus olhos brilhantes e pele impecável. Katherine sempre perguntava a irmã por que elas nunca os viam de dia, e Elena sempre respondia a mesma coisa.

— O sol é mal com eles Kath.

Até os sete, as gêmeas Petrova nunca tinham imaginado que aprenderiam a agradar um homem. A agradar um vampiro. Mas algum tempo depois de encontrarem Isobel pela primeira vez, elas aprenderam tudo isso e muito mais. Seu fascínio pelas criaturas das sombras crescendo a cada dia. Katherine e Elena passaram a ser educadas para serem ambiciosas. Para levar os vampiros as alturas.

Afinal, quanto mais alto se voa, maior é a sua queda.

Katherine abriu os olhos de repente, sentido o corpo frio colado ao seu. Sua coxa formigou e ela a esfregou com firmeza tentando se livrar dos restos do sonho do seu primeiro encontro com Isobel. Forçando sua mente a se situar no presente ela começou a enumerar o que havia de concreto. Era dia. O clima não estava fria. Ela estava em Mystic Falls. Ela estava nua. Ela estava no quarto dele. No quarto do seu Lorde.

Lorde Damon.

Adormecido ao seu lado na cama, ele não fazia um minimo movimento sequer. Nem mesmo respirar, era como se ela estivesse deitada ao lado de um morto. Katherine sorriu com a ironia. Ele era provavelmente o homem mais vivo que ela já encontrou. Satisfazer Lorde Damon se tornara a atividade preferida de Katherine. Suas próprias habilidades de cama e sua mordida prazerosa, fazia a dor surda entre suas pernas crescer todas as vezes que ela o via.

Antes dele o único capaz de representar algum desafio a Katherine era Mason. Transar com ele no ápice da lua cheia sempre significava uma mordida dolorosa no final. Por ser um lobisomem Mason não precisava de tanto sangue quanto um vampiro, ele só precisava na lua cheia. Entretanto, ao contrario da mordida de um vampiro, suas mordidas era desmedidas e dolorosas. Sem presas para facilitar o processo, era como se ele tentasse arrancar um pedaço dela com os dente, o que de fato aconteceu uma vez.

Isobel não poderia nem sonhar que ela já usava suas habilidades de escrava de sangue, antes de Damon chegar a Mystic Falls. Apesar de ter dado Elena temporariamente ao senhor Matt, Katherine fora estritamente proibida de usar suas habilidades, algo que ela considerava quase um crime, uma vez que ela era tão boa quanto a irmã.

Além da mordida, o sangue de Damon também era interessante. Ele não fazia Katherine ter ânsia de vomito, coisa que ela sentia ao se curar das mordidas de Mason como o sangue que ele arrumava. Era claro como água que alguém da posição de Lorde Damon não compartilharia sangue com uma escrava como ela. Compartilhar sangue poderia ser muito perigoso se feito de forma errada. Humanos víciados, vampiros drenados, ambos se alimentando apenas um do outro, até o ponto onde já não era mais possível satisfazer nenhum. Mas se alguém perguntasse ao Lorde sobre a noite anterior, ele nunca diria que cortou a própria mão e deixou Katherine beber dele. “Não se pode compartilhar o que não se lembrar, mon amour”, sua mente cantarolava.

Ela se sentou, jogando suas pernas para fora da cama quando uma sensação estranha lhe atingiu. Katherine levou as mãos a cabeça, se sentindo tonta, e massageou as têmporas tentando expulsar o mal estar passageiro. Olhando para Lorde Damon que ainda dormia, ela se levantou da cama, vestiu seus trajes e se dirigiu para fora do quarto.

Sua mão corria pela coxa por cima dos tecidos do vestido, talvez o sangue seco estivesse começando a irritar a sua pele. Ela precisava de um banho e de um conjunto novo. Katherine começou a fazer seu caminho até o quarto em que dividia com a irmã, lugar para onde ela estava indo ontem quando todos foram convocados para ouvir o comunicado de Lorde Damon.

Quando ele começou a falar, ela se esqueceu completamente de tudo e todos a sua volta. Sua mente só conseguia se concentrar na sua voz firme e em sua áurea poderosa emanando pelo local, fazendo os humanos tremerem ao seu poder. Ela precisava que ele estivesse dentro dela naquele momento, permintindo-a sentir o seu poder de forma diferente.

Um sorriso sedutor brotou em seu rosto, enquanto Katherine abria caminho no meio dos humanos medrosos na tentativa de chegar até Lorde Damon, que assim que chegou perto dela esticou um dos cachos de seu cabelo observando ele voltar ao normal logo em seguida.

— Você tem esse cabelo seu, mas ainda não consigo diferenciá-las com precisão... Elena?

— Katherine – ela corrigiu suavemente sem realmente se importar com a confusão– Você pode se preocupar com nomes depois meu lorde – terminou em tom de quem tem algo a acrescentar, capturando a atenção de Damon.

— Ou...?

— Ou pode vir comigo, e prometo que nunca mais esquecerá o meu nome.

Lembranças da noite passada lhe fizeram companhia até a ala das escravas. Damon provavelmente lembraria dela, mas não importava, ela sempre podia tentar fazer ele aprender de novo. Cruzando o corredor que levava em direção ao seu quarto, Katherine viu um dos escudeiros de Damon vindo em sua direção. “Tyler”, sua mente soprou enquanto ele se aproximava, fazendo com que ela o reconhecesse ao se encostar na parede do corredor e permanecesse com a cabeça baixa.

Isobel sempre dizia que quando alguém de importância passasse por elas, elas deveriam ser invisíveis.

— Ajam com naturalidade. Seja parte da paisagem. Façam sua presença ser tão subestimada a ponto de segredos serem sussurrados sem que se importem com a presença de vocês.

Assim como o esperado, Tyler passou direto por ela, sem nem olhar em sua direção. Suas roupas estavam com uma aparência meio amarrotada e Katherine percebeu a pequena mancha de sangue no colarinho da sua camisa branca, enquanto suas botas pesadas e a espada presa ao cinto tilintavam na medida em que ele se afastava. Ela alisou a coxa distraidamente, estranhando o fato de Tyler estar na ala das escravas...

Pelo visto ele estava se alimentando. Katherine sabia que ele não era um vampiro como o outro que também vivia junto a Damon.

Ele era outra coisa.

Quando ele desapareceu do seu campo de visão ela voltou a se mover em direção ao seu quarto. A porta se encontrava semi aberta, e Katherine a empurrou sem prestar muita atenção ao seu redor, se dirigindo ao roupeiro e puxando um vestido qualquer.

Ela e a irmã eram a mesma pessoa e possuíam as mesmas medias, não havia necessidade de perder tempo com coisas insignificantes como escolher um vestido. Fechando a porta do roupeiro Katherine arregalou os olhos e prendeu a respiração ao perceber a grande marca de mão ensanguentada na porta. A porta parecia ter sido talhada e ela deu um passo para trás assustada, só para ter seu pé grudado em algo pegajoso. Olhando para baixo ela percebeu que era sangue.

— Mas que m...?

Sua voz morreu antes de terminar a frase, constatando a destruição no quarto. Janela quebrada, vidros espalhados no chão, a persiana perdurada por um dos lados, o criado mudo em pedaços enquanto alguns lençóis repousavam rasgados no chão. Parecia que todo o corpo de Katherine tinha congelado no lugar.

Ninguém deveria ser louco o bastante para entrar no quarto delas. Ela e a irmã já estavam na casa tempo o suficiente para que todos soubessem que ela eram um tipo diferente de servas.

— Não tocar ou ser tocada, vocês duas entenderam?

— Sim Isobel.

Katherine dava prazer a alguns guardas quando queria algo, ou simplesmente para descontar as frustrações que sentia sobre Jhon e Isobel. Já Elena não tinha as mesmas proibições de não tocar ou ser tocada, Master Matthew sempre podia vê-la quando estava em Mystic Falls, e como não tinham segredos, Katherine sabia que o sangue dela não era a única coisa que ele tomava.

No meio de toda essa bagunça e do cheiro férrico de sangue sua irmã estava deitada de lado na cama, seu rosto virado para a parede oposta, dormindo profundamente como se não estivesse ali no meio daquele caos.

Katherine andou até o outro lado da cama, o sangue fazendo seu pé grudar a cada passada.O rosto de Elena estava completamente escondido em baixo do cabelo. Ela tirou cautelosamente os cabelos do rosto da irmã, prendendo a respiração agoniada ao perceber os três vergões assimétricos no lado esquerdo do seu rosto. Eles pareciam com marcas de garras. Katherine sentiu o seu sangue ferver ao sussurrar o nome da irmã. Katherine era a única que podia bater nela.

— Elena – ela sussurrou sacudindo o braço da irmã.

Elena emitiu um som semelhante a um resmungo por estar sendo acordada, mas sua mente desperta logo se lembrou dos perigos da noite a fazendo se sentar assustada.

— NÃO!

— Tá tudo bem Elena, sou eu.

Ligeiramente desnorteada ela olhou em volta do quarto, procurando sinais dele, mas tudo que viu além de um caos extremo foi Kath sentada na beira da cama. Kath! Se olhar se prendeu na irmã, repleto de fúria mal contida, tornando o ar do quarto ligeiramente mais denso. Nada teria acontecido se ela não tivesse se envolvido com aquele maldito lobisomem. Elena agarrou os dois braços da irmã e começou a gritar.

— Eu vou te matar! – ao chacoalhar a irmã ela sentiu a patada no rosto e levou a mão até a bochecha chiando ao tocar no cortes frescos.

— Você está bem?

— Não fala comigo!

Elena soltou a irmã e colocou as mãos na cama na tentativa de se afastar dela, suas mãos esbarrando em um dos cacos de vidro da janela. Katherine arregalou os olhos vendo o corto profundo na mão da irmã.

— Elena!

— Para de gritar!

— Então me deixa de ajudar, cacete!

As gêmeas se encararam sem perceber a áurea vermelha que irradiavam. Katherine cerrou os dentes com raiva de algo que ela nem mesmo sabia o que era. Alguém tinha se abusado da sua irmã. Alguém tinha abusado de um pedaço dela. O vestido de Elena estava rasgado em vários pontos diferentes, sua perna tinha arranhões que começavam a ganhar um tom de roxo assim como outras marcas no braço.

— Espera aqui ta bem.

— Como se eu pudesse ir a algum outro lugar.

— Não resmunga ou vou te ferrar mais ainda.

Katherine saiu do quarto e voltou alguns minutos depois fechando a porta para evitar olhares das outras escravas. Ela carregava com sigo uma bacia com água e um pano úmido. Com cuidado para não pisar em vidro ela subiu de volta na cama de frente para a irmã. Elena a observou mergulhar o pano na água, torcê-lo e depois passar sobre os machucados do seu braço. Depois, com o pano úmido Katherine começou a limpar a bochecha da irmã que fazia pequenas caretas com os olhos fechados.

O rosto machucado da irmã a incomodava. Quando estava zangada, ela sempre dizia a Elena que um dia ia colocar uma bela de uma ferida na cara dela pra que parassem de confundir as duas, mas agora que seu rosto estava ferida, Katherine se sentia mal por ter o seu em perfeito estava.

— O que aconteceu com você minha linda metade? – perguntou Katherine, sua voz reduzida a tristeza que sentia.

Elena mantinha os olhos fechados tentando igonarar a dor, quando ouviu a voz da irmã. Ela segurou a mão de Katherine na bochecha dela, pressionando ainda mais o pano na ferida. Abrindo os olhos ela se deparou com os da irmã a estudando, ela parecia tão triste que Elena sentiu vontade de se desculpar por sentir raiva dela. Elas deveriam sempre permanecer juntas.

Elena se inclinou para frente, sua testa pressionada na de Katherine, seus olhos se encarando e se refletindo, suas almas conectadas como a imagem de uma pessoa refletida no espelho. Os olhos de Katherine se abrindo amplamente no momento em que ela mergulhou na cabeça da irmã.

— Então esse é o jogo que quer jogar Katherine? – ele lambeu os lábios e continuou – Tudo bem então. Você finge ser a sua querida irmã Eleninha e eu vou ser o garoto lobo necessitado.

Elena olhou para o seu lado da cama rezando para que a irmã brotasse ali, mas sabia onde ela estava agora. Filha da puta! Ela abriu a boca para falar, mas Mason rosnou e pulou em cima dela, esmagando seus lábios ásperos nos lábios macios da menina.

Elena tentou gritar mas a língua de Mason invadiu sua boca, e sufocou suas palavras.

— Vocês não iram tocar ou fazer qualquer coisa que não seja o que lorde Damon mandar.

As palavras de Isobel pulsavam em sua cabeça, fazendo sua pele em brasa formigar em óleo quente. Outro homem estava tocando ela. E lorde Damon não o tinha mandado aqui. O pânico cresceu em seu estomago enquanto ela mexia a cabeça e batia no peito largo de Mason querendo expulsá-lo. Mason se sentia cada vez mais animado a partir do teatrinho em que ela montara. Ela conseguira fechar a boca e suas mão começavam a incomodar de modo que ele sentou na barriga dela, colocando todo o seu peso e fazendo Elena soltar todo o seu ar, para logo depois agarrar as mãos dela e as segurar em cima da cabeça.

— Você, minha gatinha, está com as garras afiadas hoje não esta?!

— Não sou sua gatinha!

— Shhh.

Uma das mãos de Mason serpenteou até o topo do seu vestido, rasgando parte do seu vestido e expondo metade dos seus seios.

— Para!

— Um pouco mais baixo Kath, não queremos acordar Isobel certo.

— Não sou a Kath, eu sou Elena, me deixa.

— Claro, claro. Elena. – ele respondeu com desdém enfiando a mão embaixo do vestido dela e o subindo até a altura da coxa. O cérebro de Elena parecia fritar em sua cabeça e ela não conseguia respirar. Ela precisa sair dali, ele não podia tocá-la. Ninguém podia tocá-la. Respirando fundo ela esticou a perna e deu uma joelhada em Mason o mais forte que conseguiu o fazendo rolar para o lado da cama – Ah, sua putinha, poooorra.

Elena aproveitou que ele gemia de dor e se jogou no chão, arrastando os lençóis consigo como se a cama estivesse pegando fogo. Todo o seu corpo pinicava enquanto ela engatinhava, se levantava e desajeitadamente corria até a porta ouvindo os palavrões que ele emitia. Ela estava quase livre, sua mão tocou a maceta sentindo o corpo voltar ao normal quando Mason a agarrou pela cintura e o mundo girou enquanto ele a jogova em cima do ombro.

— Porra Kath, aquilo doeu.

Elena se contorceu batendo na bunda dele tentando se soltar, o que foi inútil uma vez que ele a jogou de volta na cama. Ela se jogou para o outro lado da cama, tentando correr novamente, mas ele agarrou a perna dela, sem se importar se a machucava ou não.

— Você tá escorregadia hoje né. Agora, aonde estávamos?... Ah é, deixar você tão nua quanto eu.

Um sorriso corrompido se abriu em seu rosto enquanto ele começava a rasgava o vestido de baixo para cima. Foi nesse momento que Elena soltou um grito alto e estridente de pura agonia, interrompido quando Mason cobriu sua boca e chupou o pescoço dela. Elena continuou a gritar em pânico, seus gritos sendo abafados pelas mãos de Mason enquanto seus músculos e pele nua começavam a entrar em contato com a dela. Sua mão livre correu até o seio dela e o apertou forte. Lágrimas escaparam do seus olhos fechados. Ela tentava com todas as suas forças se afastar dele, torcendo seu corpo de todos os modos e se machucando.

De repente, o peso de Mason desapareceu e ela abriu os olhos a tempo de vê-lo ser tirado de cima dela, jogado sobre a mesa de cabeceira e depois atirado em direção ao roupeiro, sua beleza nua destruindo o quarto enquanto Elena limpava a boca com asco.

— Que inferno você pensa que está fazendo?

A voz de Tyler soou mortífera enquanto ele levantou a sobrancelha para o homem jogado aos pés do roupeiro. Ele estava a procura da escrava de Damon durante todo o dia, e assim que entrou na ala das escravas ouvi os gritos horrendos vindos da direção onde lhe indicaram ser o quarto de quem procurava. Lorde Damon definitivamente não tinha mandado esse homem aqui, Tyler conhecia todos os homens que vieram com eles, e aquele ali definitivamente não era um.

Ele podia sentir o fedor de lobisomem sobre ele.

E ele era o único lobisomem que Damon tinha trago.

— Merda, você ta pelado. Pega as suas merdas e dá o fora daqui – em seguida ele se virou para a menina assustada e tremendo na cama. Seus olhos se dilatando enquanto ela se levantava assustada, segurando o vestido rasgado junto ao peito. Apesar do seu estado aterrorizado, Tyler podia afirmar sem pestanejar, que aquela era a porra da garota mais bonita que ele já tinha visto na vida. Parecia até uma escultura, feita sobre medida, programada para ser bonita até mesmo quando se encontrava tão assustada a ponto de não para de tremer. Era a primeira vez que ele via a escrava pela qual Lorde Damon viajou de tão longe só para buscar. Agora ele via que valia a pena. Ele deus dois passos em direção a garota sentindo suas entranhas se aquecerem com a possibilidade de tocá-la. – Você é Elena?

Elena estava assustada demais com tudo que acabara de acontecer. Assim que o estranho entrou em seu quarto ela levantara da cama tentando colocar o máximo de distancia entre ela e Mason, embora parte do seu cérebro soubesse que ele a alcançaria fácil se quisesse. Ela queria agradecer ao homem que a salvou, mas ao mesmo tempo queria correr para bem longe dos dois. "Você precisa sair daqui querida". Seu corpo ainda pulsava quando ela percebeu Mason se levantando como o homem ordenou enquanto falava com ela, entretanto, ao invés de ir embora ele veio correndo em direção ao seu salvador. Ela abriu a boca para avisá-lo sobre o perigo mas ele apenas revirou os olhos e virou-se para Mason, antecipando seu ataque, o rodando e atirando para fora do seu caminho.

Mas Elena estava nele

Ela tentou se mover mais foi tarde de mais. Mason caiu praticamente por cima dela enquanto os dois rolaram no chão. Mason gemeu de dor na aterrissagem e percebeu Katherine em baixo de si. Aquela putinha tido ido longe demais, se ela não tivesse feito um escândalo tão grande ele não teria apanhado. Ele não teria sido humilhado por esse merdinha surgido de lugar nenhum. Mason agarrou o rosto dela com as mãos e gritou em fúria.

— Você! Isso é tudo sua culpa sua puta! Sua culpa!

Seu rosto se torceu enquanto garras saiam da sua mão ele dava um tapa no rosto dela, suas garras cortando a pele macia que beijara um dia. Elena gritou quando sentiu seu rosto sendo cortado e Mason recebeu um chute nas costelas rolando de cima dela.

Tyler sentiu o próprio rosto mudar a medida em que o outro lobo avançava ate ele. Aquele filho da puta tinha acabado de bater na escrava de Damon. Ninguém que tocasse as coisas de seu mestre merecia ficar vivo.

Eles bateram de frente e Mason derrubou Tyler no chão, que logo ficou por cima desferindo socos em seu rosto. Mason chutou Tyler de cima dele e ambos ficaram em pé. Tyler jogou sua espada no chão, e usando o impulso das pernas pulou em cima de Mason, que desviou no último segundo, desferindo um soco contra Tyler, vendo sua mão parar atrás de suas costas enquanto ambos rosnavam e Tyler o imobilizava. Tyler jogou Mason do outro lado da sala, para fora da janela. Mason caiu pela janela e Tyler foi logo atrás dele, caindo em seus pés graciosamente enquanto o outro homem pelado desembarcou em suas costas gemendo.

Ele nunca deveria ter batido na garota de Damon na sua frente. Nada de misericórdia de lobo pra ele.

Elena ouviu a janela quebrando e se sentou segurando a bochecha, o snague escorrendo entre os dedos. Seu rosto doía tanto que parecia até que um pedaço seu tinha sido jogado fora. Ela nem conseguia chorar, parou de tentar assim que a primeira lagrima caiu sobre o machucado e ardeu como o inferno. O quarto girou quando ela se levantou ouvindo os rosnados de lobos e os trovões que ecoavam lá fora.

Ela se sentia meio tonta e desnorteada quando tentou caminhar até a sua cama, esbarrando em coisas quebradas pelo caminho. Ela só sentia vontade de se deitar e dormir. Seu corpo caiu sobre a cama e ela percebeu que manchava os lençóis de carmesim. Seus olhos piscaram e quando ela voltou a abri-los seu salvador estava de pé na cabeceira da sua cama. As roupas pingando água, os cabelos escorridos e a respiração instável quando ele se pronunciou.

— Você(respiração) é (respiração) Elena? – ela assentiu tontamente enquanto ele sorria – Ótimo (respiração) porque (respiração) eu ( respiração) estou (respiração) faminto.

Ele puxou a camisa molhada por cima da cabeça, enquanto Elena piscava entre a consciência e a consciência, se perguntado se estava imaginado um lobo e um homem entrando e saindo de foco na sua frente. De repente ele estava em sua cama a puxando pelo tornozelo e engatinhando até ela. Elena demorou um pouco para processar o que ele estava fazendo, sentindo os formigamentos no corpo de novo.

— Não. – ela tentou protestar se sentando, mas Tyler apenas a empurrou pelos ombros de modo que ela logo estivesse deita.

— Relaxa, lorde Damon me mandou aqui.

Elena sentiu seu corpo relaxar em a névoa em que sua mente se encontrava. Seu corpo não queimava mais, Damon tinha mandado ele, estava tudo bem. Se ela pudesse dormir só um pouquinho....

Tyler olhou para a janela quebrada observando a chuva que o encharcara e perguntou risonho.

— Sabe que dia é hoje? – quando ela fez que não ele respondeu – Hoje é dia de lua cheia – um sorriso cheio de presas brotou em seu rosto antes que ele terminasse – Dia de saciar a fome.

Katherine sentiu sua cabeça doer, enquanto Elena se sentava na cabeceira da cama, compartilhando da mesma dor. Katherine não percebeu que estava chorando até que o primeiro soluço estrangulado escapasse de sua garganta, a fazendo levar a mão a boca, engasgando com a dor invisível. Ela se levantou da cama e andou pelo quarto enquanto soluçava incontrolavelmente, suas costas batendo na parede enquanto ela se deixava escorregar até o chão. Suas mãos se mexeram sozinhas e aranharam seu rosto e braços repetidas vezes, querendo tirar as sensações das mãos invisíveis de Mason tocando nela. Ela nunca tinha sentido isso antes quando ele a tocava, essa sensação repugnante e nojenta.

Seus dedos se infiltravam entre os fios chocolate, os puxando com força ao mesmo tempo em que batia a cabeça na parede querendo que a dor fosse embora. As mãos de Mason estavam todas sobre ela, fazendo seu corpo queimar por desrespeitar as regras. Seu rosto coçando pelo arranhão que ela não levou. Suas próprias unhas arranhando seu pescoço enquanto ela sentia os dedos fantasmas rasgando seu vestido. Aquilo era demais, demais, demais.

E então as sensações de desespero foram substituídas pela aceitação de alimentar Tyler. Seu músculos ficando viseis enquanto ele retirava as peças de roupa molhadas. Seus cabelos bagunçados e seus olhos famintos a observando enquanto subia na cama. A pele dourada coberta de gotas d’água enquanto ele subia a barra de seu vestido lentamente, beijando sua perna do tornozelo até a parte interna da coxa. Seu rosto criando feições caninas, seus dentes se tornando afiados enquanto ele mordia sua perna com força, a fazendo gritar e sentar na cama com o susto, tentando empurrar a cabeça dele por reflexo.

Katherine já havia sentido aquela dor, mas Elena nunca tinha, fazendo Katherine sentir a dor da primeira mordida toda de novo, sua dor desconcertante, comparada a mordida de um vampiro. Suas mãos puxavam os cabelos escuros dele com força, tentando passar um pouco da dor que sentia a ele enquanto ele gemia. E ele gemeu, gemeu como só alguém que finalmente estava sendo saciado poderia fazer enquanto bebia dela. Rápido, voraz e com fome. Assim que se sentiu saciado, ele colocou seu vestido de volta no lugar, lhe deu um beijo casto nos lábios, os manchando com seu próprio sangue sussurrando.

— Obrigada por ser a melhor coisa que eu já provei. Eu posso ver porque o Lorde Damon gostou tanto de você.

Quando ele partiu, tudo o que ela podia sentir eram os lençóis se tornando pegajoso debaixo do seu rosto enquanto seu corpo sedia a sonolência causada pelas dores que sentia. Katherine levou a mão ao peito sentindo o coração bater furiosamente enquanto ela chorava e soluçava, sua respiração escassa e irregular enquanto suas emoções estavam afloradas.

— Porra. – ela gemeu com a voz embargada.

— Eu sei, me desculpe. Você sabe que as emoções são transferidas com as memórias. Você está sentindo...

— O que você sentiu.

Elena concordou com a cabeça logo se arrependo ao sentir o ferimento latejar.

— Isso dói, como você conseguia dormir com ele?

— Acredite, era muito mais prazeroso do meu ponto de vista. Você fodeu a coisa toda!

As gêmeas riram e em seguida um silêncio pairou sobre ela, enquanto se perdiam em pensamento. Katherine olhava para frente, visualizando a bagunça no quarto, sua mão mergulhada em baixo do vestido, alisando a coxa com os dedos, sentindo a mordida que nunca foi dela. Sua mente se perdendo no quanto ela queria odiar Mason por fazê-la sentir aquilo. E Tyler. Ele era um lobisomem também, isso explica algumas coisas.

Elena agarrou o pano úmido e subiu o vestido o passando nas marcas de dentes, sujas de sangue e roxas nas bordas enquanto recordava as sensações da pele molhada do escudeiro na dela. A mordida doeu como algo que ela nunca tinha sentido antes, mas ele não foi tão mal com ela, se ela não estivesse tão envolta em uma nuvem de sonolência e dor, até teria dado prazer a ele em retorno. Elena levantou os olhos da sua coxa quando ouviu a voz da irmã ecoar no quarto.

— Nós precisamos arrumar sangue para você.

— Se isso chegar a Isobel ela vai sangrar Mason até a morte. – ela disse seria.

— Não foi Mason que te mordeu! – respondeu na defensiva.

— Você realmente acha que ela vai se importar se foi ele ou não? Olha pra esse quarto Kath! Olha pra mim! – Katherine continuou segurando sua raiva mal percebendo que elas já gritavam.

— E você vai dizer o que a Isobel? Como vai explicar o que ele fazia aqui?

— Talvez eu diga que ele veio atrás de você!

A cortina que se encontrava semi pendurada caiu com um estrondo no chão fazendo ambas se sobressaltarem. Elas estavam fazendo de novo. Katherine olhou para Elena com um olhar ferido enquanto abaixava o tom de voz.

— Vai em frente Elena, conta para ela. Deixa a Katherine, que não pode fazer nada, ser castigada de novo enquanto você agrada a quem Isobel quer.

Elena se lembrou do dia que conheceu master Matt e testou suas habilidades pela primeira vez. Era Katherine quem deveria vê-lo, mas no fim vieram buscar Elena, e ela foi mesmo sem entender o porquê. Depois de passar tanto tempo admirando, foi à primeira vez em que foi realmente mordida. E ela amou cada segundo. Mais tarde naquele dia quando chegou ao seu quarto, descobriu que a irmã estava sendo castigada de novo. Isobel queria Kath, não ela. Mas Kath não estava disponível, então ela teve que se contentar com sua outra metade, sua cópia.

— Me desculpa. – as duas se encararam soltando o ar pela boca – É só... Como pode deixá-lo mordê-la? É tão diferente sem as presas. Dói.

— No calor do momento você não senti muito, o prazer ajuda eu acho.

— Como conseguia esconder?

— Mason arranjava sangue.

— Sim, mas aonde nós vamos arranja?! – Katherine olhou para Elena de maneira significativa,a fazendo perceber a resposta para sua pergunta – Isso é arriscado, e se ele contar a Isobel?

— Ele não vai.

— E se ele contar?

— Ele não vai contar. Ele é obcecado por você! – Katherine frisou querendo ganhar a confiança da irmã.

Elena encarou a irmã em silêncio pensando que coisas demais tinham acontecido por um dia.

— É melhor você estar certa. — Katherine fez um sinal de vitoria com as mãos enquanto ele sorria e olhava ao redor do quarto — Vamos ter um trabalhão pra arrumar isso aqui.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.