The Perfect Ball

2 Shot me down


Notas iniciais
Oieeee! Desculpem a demora, aqui está o capítulo. Espero que gostem e não deixem de comentar. Podem achar muito dramático, mas são sentimentos reais ç.ç ahsuashu até o final ^^

Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia, porque simplesmente não era verdade. Eu não havia consumido nada. Não havia ido a festas. Não tinha feito nada além de treinar, treinar e treinar. E era assim que tudo terminaria?

Eu poderia dizer que era mentira. Poderia dizer que era tudo uma farsa, qualquer coisa. Mas é claro que Humphrey não acreditaria em mim. Nem ela, nem mais ninguém. Eu era apenas a garota do interior que por sorte recebera uma chance do bondoso presidente do clube. E que acabara de estragar tudo.

Senti meus braços serem puxados pelo segurança, sinal de que meu tempo havia acabado. Humphrey se virou e entrou na quadra, e normalmente eu a seguiria. Mas não hoje. Hoje eu seria arrastada para fora dali, pois aquele não era mais o meu lugar.

As lágrimas iam caindo enquanto eu andava desesperada pelas ruas. Não sabia onde estava, nem para onde estava indo. Aquilo era uma mentira. Tudo fora uma mentira.

A buzina dos carros indicava o horário de pico, em que pegar um ônibus estava fora de cogitação. No entanto, não era isso que significava para mim. Para mim, aquele som era terrivelmente parecido com o som do apito da minha treinadora. Tudo era parecido demais, e aquilo me partia o coração.

As bolas quicando, a pele raspando no chão, as pancadas que eram direcionadas a nós. Essa era a minha vida. Era o que eu faria eternamente, se possível. O único motivo pelo qual continuar seguindo em frente. Porém, isso tinha tido um fim rápido demais. Todos os meus motivos tinham acabado. Eu não tinha nada.

A chuva começou a cair, eu não me importava. Não me importava de ficar doente, porque o vôlei era a minha doença. Para qualquer pessoa, isso tudo seria extremamente dramático, sem sentido. Mas não. Não para alguém que soubesse o significado de vencer. Imagine não respirar, imagine perder os braços, imagine ficar em uma cadeira de rodas eternamente. Só então estará perto de imaginar um jogador de vôlei sem vôlei.

Queria que alguém me acolhesse, que falasse que tudo ficaria bem. Alguém que me abraçasse e falasse que tudo não passara de um sonho ruim. Mas eu não tinha ninguém. Eu não tinha nada.

Continuei vagando sem rumo, até que ficou escuro o suficiente para me alertar. Não era seguro ficar andando à noite no meio da cidade. Mas também não era seguro ficar sozinha. Nenhum lugar era seguro.

Me forcei a ir para casa, sabendo que minha tia estaria lá. Porém, ela era a última pessoa que eu queria encontrar. Peguei um ônibus, e mergulhada em pensamentos, a viagem passou rápido, rápido demais. Bati na porta e ela se abriu rapidamente.

– Seja bem vinda, Piper. disse Claire McLean, sem um pingo de animação.

Eu entrei sem falar nada. Dava para ver em seus olhos a decepção, a vergonha. Como se eu já não me odiasse o suficiente.

– Você sabe que temos que conversar. Não vou brigar com você nem nada disso, até porque não sou sua mãe. Mas já liguei para Tristan. Ele sabe de tudo.

Tudo o que te falaram ou tudo o que aconteceu realmente?, pensei.

– Quero que seja sincera, Piper. Sente aqui. — minha tia apontou a poltrona de frente para ela, que estava sentada no sofá. Andei até lá e joguei minha bolsa no chão ao lado. Não queria estar ali. Esse era o pior momento de minha vida. — Você me deve muitas explicações. Deve a todos nós. De verdade, não sei o que tem na cabeça, Piper. Mas tudo bem, é um direito seu fazer o que fez. Eu só não imaginava que fosse fazer. Eu tinha esperanças. Eu tinha esperanças de que tudo o que estamos fazendo valesse a pena, tudo para você realizar seu sonho. Porque nós te amamos, Piper. Mas parece que estávamos enganados.

– Sinto muito, tia Cla...

– Não Piper. Não vou dizer que não estou chateada com você, nem que não estou com raiva, porque estou. Eu nunca esperava isso... Não de você! — ela começou a chorar e eu enfiei as unhas no braço. Não tinha noção de tempo, mas deviam ter se passado alguns minutos até que Claire continuasse.

– Eu não esperava, Piper... Seu pai e eu fizemos tudo para você! Eu abri mão de tudo por você! E é isso o que dá em troca? Vergonha? Humilhação? Você não é mais minha sobrinha, Piper! O que quer da vida agora? O que acha que vai fazer agora? Você não pode mais jogar. E mesmo que pudesse, nenhum time iria aceitar alguém com esse histórico.

– Tia Cl... — comecei a falar, mas ela me interrompeu novamente.

– Eu não tenho palavras, Piper. Não tenho palavras para descrever o que estou sentindo. Se você soubesse o quanto eu queria desaparecer agora... Não vou mais ficar aqui, até minha reputação com os vizinhos você estragou. Você vai morar com seu pai, e torça para que ele aceite você de volta.

– Olha, me desculpa, caramba! Não sei o que te disseram naquela merda de papel, mas eu não fiz isso! Eu não fiz nada! — gritei. Lágrimas escorreram pelo meu rosto já molhado. — Alguma vez passou pela cabeça de vocês que eu poderia não ter feito isso? Por que acha que eu iria estragar tudo, tia Claire? Você sabe que eu não sou assim! Sabe que eu não tenho motivos!

– Eu não quero saber! Pouco me importa, Piper! Sei que recebi aquele papel, e que vou acreditar no que está lá! Você quebrou a confiança que tínhamos em você!

Não suportava ser repreendida, ser julgada, por algo que não tinha feito. Claire afundou o rosto nas mãos, seus ombros sacudiam violentamente. Eu não queria isso. Nunca quis. Então subi correndo as escadas, me enfiando no quarto e trancando a porta.

Minha vida era um lixo.

Procurei alguma coisa, qualquer coisa que pudesse me ajudar, até que meus olharam pousaram em uma tesoura afiada em cima da escrivaninha.

Eu acabara de perder a única coisa que imaginava restar.

A peguei com os dedos trêmulos e imaginei o estrago que aquilo faria.

Eu não me importava. Eu não tinha nada.

Afundei a ponta cortante em meu antebraço, fazendo o sangue escorrer, tentando acabar com a dor psicológica de qualquer maneira.

Tudo o que eu queria nesse momento era deixar de existir.

Notas finais
não esqueçam de comentar *-*