The Paths Of A Rain Woman
18 Time To Shine
Notas iniciais
Recostada sob o delicado estofado de estampas brandas, inclinou-se um pouco mais para alcançar a meia que deixara cair sob o assoalho envernizado — aquele mesmo que se lembrava de ter polido como punição por uma das várias aventuras em que Saori insistira em tê-la consigo.
Obviamente, aquele não havia sido um de seus primeiros castigos —envolvendo algum tipo de limpeza, disciplina e mesmo fadiga — e pelo rumo que as coisas tomavam, imaginou que também não seria o último deles.
No entanto, nenhuma delas parecia se importar — de forma que o ciclo jamais teria fim.
Com um suspiro dolorosamente profundo, finalmente foi capaz de encaixar a meia num dos pés, arrastando-a sem cerimônia pela panturrilha — agora enrijecida pelo treino diário que já se acostumara a receber.
— Hoje é o grande dia... — murmurou ela, ciente dos acontecimentos que seria responsável por promover naquele dia pelo qual tanto esperara.
Tentou traçar várias possíveis rotas, tentando prever como seu insensato ato de ousadia poderia vir a terminar; mas as visões que recebeu não foram agradáveis.
Balançou a cabeça e desistiu de tentar adivinhar.
Tinha conhecimento dos riscos, da tática e de todos os problemas que a perseguiriam se algo desse errado; mas apesar de tudo, foi incapaz de prorrogar o sentimento que aos poucos a tomava.
Logo estaria em casa.
Tudo voltaria ao normal — todas as vidas casualmente bagunçadas logo voltariam a encontrar o equilíbrio que já as pertencera um dia.
Mas tudo dependeria das escolhas que faria daqui a poucas horas, quando os portões precariamente cuidados finalmente permitissem sua entrada.
E então teria início o show.
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— E então, Juvi? Pronta para brilhar? — provocou Jackie, afundando o dedo em seus cabelos e cantarolando alegremente enquanto tentava acompanhá-la.
A menina sorriu, desvencilhando-se das mãos da colega e revirando os olhos com a incredulidade eternamente presente.
— A Juvia não vai brilhar sozinha... e ela agradeceria se você não bagunçasse o cabelo dela.
Jackie ignorou-a, dessa vez dando leves puxões enquanto seus dedos brincavam traçando o padrão de suas madeixas.
— Ei! Pra começar, eu te ajudei a escolher o corte. E mesmo que bagunce, até lá a gente arruma nos bastidores.— retrucou em discordância, agora caminhando relaxadamente a seu lado.
Instintivamente, suas mãos seu moveram até encontrar as pontas dos fios, e as imagens do dia em que os cortara voltaram de forma vívida — desde o terror evidente que imaginou ter nos olhos até o momento em que havia sido pega e convencida a mudar de aparência.
Surpreendentemente, o resultado havia lhe agradado, e graças a ele agora poderia desfilar pelos corredores com os claros sinais de um autêntica amante do rock, como tanto insistia ser chamada .
— E então, Juvia, confiante?!
Mesmo sem virar o rosto, sentiu o ânimo elétrico que sua voz transmitia em toda sua glória alegre e borbulhante. Idealizou a expressão que deveria ter — o sorriso indo de orelha à orelha e o olhar vagando como se sonhasse acordada — e sentiu uma pontada de culpa atravessar o peito.
Cambaleou e endireitou-se num solavanco, e mesmo sem olhar para ela cuspiu uma desculpa qualquer a apressou-se em direção ao fim do corredor.
— Bem... a Juvia precisa fazer algo, e-ela já vai!
Não se virou para trás. Nem mesmo esperou por uma resposta.
Saiu um disparada, atropelando séries de estudantes distraídos e quase colidindo com o chão por várias vezes, tanto guiada em parte pela culpa como pela consciência de sua tarefa.
Olhou para o relógio no pulso ainda enfaixado.
Quarenta e cinco minutos restantes.
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Nas proximidades de um riacho, um exausto mago de gelo arrastou-se pela grama, quase cedendo ao alcançar a pequena banca.
— Droga, devia ter trazido a Chelia... — o homem resmungou, cuspindo sangue enquanto falava.
Ao aproximar-se do balcão, pensou em comprar algo e pedir informação ao comerciante; mas todos seus pensamentos foram interrompidos pela manchete de primeira revista que sua visão alcançara.
No título lia-se claramente:
Fairy Tail — Luto? Onde está Juvia Lockser?!
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