The Path

1 Sombras.


Notas iniciais
Primeiro capítulo pertence a Jellal. A ordem dessa fic será: Jellal - Erza - Zeref - Mavis - Um capítulo especial.

"A noite era sempre a hora que ele podia caminhar livremente por onde quisesse. Somente durante a noite, quando as trevas cobriam a luz, e sua presença não era notada ou chamava atenção. A luz do dia podia significar o fim da sua liberdade. A escuridão da noite era seu refúgio, e o escuro das horas noturnas seu aliado. Somente ali, naquele momento, ele podia caminhar livremente sobre aquela terra. Somente naquele momento ele podia fazer mais do que simplesmente se esconder das pessoas como o criminoso que era."

Ele caminhava lentamente por aquelas alamedas escuras, apenas sentindo a solidão da noite vazia que nada trazia ao seu caminho. As mãos iam enfiadas nos bolsos do sobretudo, um capuz cobrindo o rosto para que não pudesse ser reconhecido, embora dificilmente alguém cruzaria com ele àquela hora. Não se importava para onde estava indo, apenas caminhava, pensativo.

Sua mente era um turbilhão de pensamentos em disparada, um seguido de outro, sem trégua. Pensamentos banhados em vermelho. Um tom de vermelho que coloria tudo dentro de sua cabeça, capaz até mesmo de lhe dar forças quando preciso. Mas naquele momento, como em muitos outros de sua vida sem significado, aquele tom era sua tristeza. Sua mais profunda amargura, seu mais profundo desespero.

Suspirou baixinho quando pensou nisso. Nunca possuiria aquele vermelho que tanto o fascinava. Não havia como ele voltar atrás no caminho obscuro que tomara e isso o deixava longe do alcance daquele seu sonho. Sem volta daquele caminho escuro e deprimente que serpenteava à sua frente, sendo seu único destino, nenhuma chance de mudança. Nem mesmo seu vermelho brilhante poderia iluminar aquele lugar eternamente mergulhado em trevas.

Ele seguia para o inferno. Era isso que o aguardava no fim da linha, um inferno onde ele já estivera e voltara, e que um dia seria permanentemente seu lugar. Seus caminhos sempre o levariam para aquele nada sem vida, para aquelas sombras sufocantes que roubavam cada resquício de luz que ainda pudesse existir. E ele nunca a arrastaria com ele. Ela não merecia isso, ao contrário dele.

Parou por um instante, erguendo o olhar para o céu. Algumas nuvens se moveram e uma lua cheia iluminou tudo ao seu redor, banhando o mundo numa luz prateada e cálida, que dava certo conforto. Desceu o olhar novamente à frente, endireitando os ombros e olhou a sua volta. Tinha uma leve impressão de que sabia para onde seguia, mas depois decidiu que isso não era importante. Voltou a caminhar lentamente, os olhos inexpressivos e sem vida mirando o vazio do caminho a sua frente.

Naquele momento percebeu que sua vida era assim. Era como aquela estrada. Vazia, desolada. Por mais pessoas que passassem por ela, elas nunca ficariam. Ele sempre estaria sozinho em sua eterna amargura, enquanto tentava se redimir por todos os seus pecados. Mas sempre parecia que nunca conseguiria. Não entendia por que ainda tentava.

Devia ter entregado os pontos a muito tempo quando tivera a chance. Devia ter tido a decência de pelo menos abrir mão daquela vida. O mundo ficaria melhor assim, não?

Então ele se lembrou que tentara. Tentara abrir mão de tudo. Tentara apagar a vida maldita que residia em si. Mas não pudera. Fora impedido. Fora salvo pelo tom escarlate. Aquele tom que agora iluminava quase todas as suas memórias e pensamentos, aquele tom que banhava sua vida, dando algum significado para ela. Fora aquilo que o salvara.

Agora, pensando bem, era tudo que ele tinha. Era tudo que podia mantê-lo de pé dia após dia. Seu tom de vermelho. Vermelho como o sangue que ainda teimava em correr por aquelas veias pecaminosas. Vermelho como a marca que trazia no rosto. Vermelho como o mais lindo pôr-do-sol ou como uma pétala de rosa. Aquele vermelho era tudo que ele podia desejar e muito mais. Só o que ele queria, do fundo do coração maculado, era poder correr suas mãos por aquele tom, sentir seu cheiro, trazê-lo para junto de si. Cuidar, amar.

E isso era tudo que ele não podia não fazer.

Como alguém como ele, alguém com seu passado poderia trazer para junto de si algo tão puro? Algo que ele até mesmo já tentara destruir? Não, ele não deixaria que sua mácula corroesse a coisa mais iluminada que já existira na face da terra. Não permitiria nunca que seu azul sem vida roubasse o brilho daquele vermelho. Aquela era a sua sina. Amaria para sempre algo que nunca poderia ter para si. Aquele era seu castigo. O pior castigo que poderia existir. Amar sem poder ter.

Deu por si na beirada de um barranco qualquer, saindo de seus devaneios passou a prestar atenção ao local onde estava. Correu os olhos por todo o lugar à sua frente e um pouco abaixo de si e se deparou com uma vegetação baixa e bem cuidada, canteiros de flores e uma fonte de água límpida no centro. Provavelmente o jardim de alguma casa que deveria haver por ali. Já se preparava para ir embora quando um movimento chamou sua atenção e ele olhou mais atentamente naquela direção.

E então ele sentiu sua respiração presa no peito.

Notas finais
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