The Partner

7 Relacionamento romântico


Notas iniciais
Estou muito contente por ter ganhado leitoras novas, por isso me empolguei um pouquinho nesse capítulo.
Ignorem se tiver erro de português.

Medaline’s POV

Enquanto Jason dirigia, fiquei olhando para a cidade de Los Angeles que ficava para trás.

Quando ele disse que arranjaria um lugar longe da cidade, não estava brincando. Não tinha nenhum carro atrás da gente. Talvez porque a maioria da população e turistas se concentram mais em Hollywood e nas praias como Miami Beach e Malibu Beach.

— Tem certeza que não podemos fazer isso nos finais de semana? — Perguntei. Porque eu trabalho e isso fica muito cansativo.

— Quanto antes você conseguir, melhor.

Ele trocou a marcha do carro e em mais alguns metros, ele parou o carro no meio do nada. Pensei que ele tinha se perdido naquela escuridão, mas ele saiu do carro confiante e eu fiz o mesmo.

— Dá sua mão. Não podemos nos perder aqui. — Disse entendendo a mão na minha direção e eu peguei.

Ele andou em direção aos matos e eu o acompanhei. A minha sorte é que a calça legging que eu estava usando cobria toda a minha perna, então não sentia muito o mato na minha pele. Já estávamos a uma distancia de dois metros do carro. Então ele se abaixou no chão e passou a mão afastando os matos que saíram do lugar facilmente e mostrando uma porta, como se fosse um calabouço ou algo do tipo. Ele tirou uma lanterna do bolso e se abaixou para procurar a fechadura.

— Por que não usou uma lanterna para virmos do seu carro até aqui? — Perguntei incrédula.

— Porque eu não sei o quanto de bateria ainda resta, usei quase tudo para procurar esse lugar e esqueci de recarregar.

Então ele abriu a porta do não chão e iluminou a entrada onde se via uma escada de madeira, que mesmo a luz da lanterna percebia-se que estava caindo aos pedaços.

— Tem certeza que é seguro? — Perguntei.

— Quer que eu vá na frente? — Perguntou ele e eu assenti.

Ele se levantou e começou a descer as escadas, então iluminou as escadas e fez um gesto para que eu descesse também. Fechei a porta de cima assim que entrei naquele alçapão ou seja lá o que for isso, e segui o Jason que andava em direção a um corredor e então ele achou uma caixa de força. Abriu a tampa e abaixou todos os botões fazendo tudo ali em baixo ficar iluminado.

— Nossa! — Disse impressionada ao ver um salão enorme com vários alvos e vários bonecos espalhados. Parecia uma academia, pois até esteira tinha.

— Nicholas me disse que aqui era usado para treinar bandidos que foram presos recentemente. Adivinha por quem?

— Pelos meus pais? — Chutei.

— Isso. Eles prenderam essa quadrilha. E aqui era onde eles treinavam para, você sabe, combater agentes. Tanto os do FBI estavam atrás deles como os da CIA.

Agentes da CIA. Uma antiga rivalidade com os do FBI. Eles também tem seus espiões, mas a única diferença é que eles trabalham para o governo, tudo que afeta o governo eles tendem a cuidar da melhor forma possível. Quanto aos agentes do FBI, apenas se focam no crime sem se importar que isso inclua o governo ou não.

— Então eles tinham um problema com o governo? — Perguntei, na verdade era óbvio. — Qual?

— Parece que planejavam invadir a casa branca. Ainda não sei ao certo, não pedi informações. Você deveria saber, foram seus pais que os prenderam.

— Eles não entram em detalhes sobre sua missão. Acham que pode ser perigoso para mim saber demais. — Disse. Sempre achei isso uma bobeira.

— Eles têm razão. — Jason falou indo em direção a uma bolsa no canto do salão e a abrindo.

Me aproximei e vi vários e vários revólveres e munições na bolsa. Jason pegou um e carregou.

— Quer esse revólver ou prefere escolher? — Perguntou.

— Esse está bom. — Falei pegando a arma da mão dele e sentindo o peso em minhas mãos.

Jason chutou a bolsa para um lado e segurou meu braço levando-me até um canto do salão.

— Sei que é boa com alvos. E só precisa acertar a bala exatamente naquele alvo.

— Você está brincando né? — Disse incrédula.

— Eu sei que você sabe atirar. Mas eu quero ver você fazendo isso. Talvez sua mãe ou seu pai não a corrigiu adequadamente.

— Está dizendo que minha mãe ou meu pai não souberam me treinar? — Perguntei erguendo minha sobrancelha.

— Estou dizendo que você tem que atirar naquele alvo. — Disse autoritário enquanto apontava.

Suspirei e ergui a arma em minha mão. Segurei com as duas mão e posicionei um pouco abaixo do alvo. A arma ia fazer impulso assim que eu atirasse, e minha mão se ergueria para cima, então, para acertar o alvo eu deveria deixar um pouco para baixo a mira e então atirar. E foi o que fiz.

— Certo. Você acertou o alvo.

Então ele andou pelo salão e parou de frente para mim.

— Agora, atire em mim. — Pediu.

— O quê? — Perguntei confusa. — Eu não posso.

— Atire. Vamos. — incentivou.

— Você está louco? — Perguntei fazendo menção de me aproximar e ele ergueu o braço como sinal de que eu não podia sair do lugar.

— Estou com um colete. Coloquei antes de vir. Vamos, pode atirar no meu peito, não vai me machucar.

— Eu não vou atirar. — Falei incrédula.

— Está vendo? — Disse ele andando de um lado para o outro. — Você hesita. Você não pode hesitar quando for atirar em alguém.

— Mas a gente não mata as pessoas.

— Não matamos, mas machucamos ou quem morre somos nós. — Jason disse como se fosse óbvio.

— Tudo bem. Vou atirar em você. — Disse e ele parou de andar.

Então voltou para lugar onde estava antes e sorriu convencidamente para mim.

— No meu peito. — Disse.

Ergui o revólver em sua direção e mirei em seu peito. Ele me encarou esperando para que eu atirasse.

Certo, isso não estava exatamente em minha mente quando ele disse que iria me ajudar com o meu medo. Minha mãe nunca me pediu para atirar nela, era só nos alvos. Como vou conseguir atirar no Jason? E se ele não estiver com o colete? E se o colete não for tão seguro? Com esse único tiro, ele vai morrer. Não posso mirar no peito dele.

Então eu atirei.

Com o impacto, Jason caiu para trás. Joguei o revolver para qualquer canto daquele salão e corri em sua direção. Ele estava encolhido no chão e eu me abaixei e o virei para poder ver a bala.

— Está tudo bem? — Perguntei desabotoando a camisa dele.

— Sim. — Disse meio atordoado.

Quando terminei de desabotoar sua camisa, vi que a bala tinha feito um furo no colete, mas não conseguiu acertar o Jason.

Ele conseguiu ficar sentado e olhou para o colete e voltou seu olhar para mim.

— Você fez de propósito. — Disse enquanto tirava o colete.

— O quê?

— Você acertou a minha barriga e não o meu peito. — Falou com raiva enquanto se levantava e terminava de tirar o colete.

— Eu não tinha certeza se era cem por cento confiável. — Disse me levantando do chão também.

Ele ficou procurou sua camisa depois de tirar o colete por completo e a vestiu. Desviei o olhar, porque não queria fazer o que toda garota com certeza já fez quando o viu sem camisa.

— Acho que por hoje chega. — Falou pegando o revólver que eu tinha jogado e guardando-o na bolsa.

— Já? — Disse incrédula.

— Eu só queria ver até onde você vai com uma arma na mão. Pelo visto, não muito longe. Então, a partir da próxima aula, eu vou te ajudar com esse seu medo de atirar nas pessoas.

Ia dizer alguma coisa, mas deixei quieto. Ele fez um gesto para que eu subisse as escadas do salão antes que ele apagasse todas as luzes do lugar.


(...)


Assim que cheguei do Starbucks, joguei minha bolsa no sofá e fui até a cozinha procurar alguma coisa. Já estava me acostumando com a rotina, e eu pretendia fazer uma comida caseira, para agradecer o Jason pela sua tentativa de me ajudar.

Então, olhei para o meu uniforme e percebi que ainda não tinha o tirado. Fui em direção ao quarto e percebi que o apartamento estava vazio. Então tirei meu uniforme no quarto mesmo e o joguei em cima da minha cama. Peguei uma roupa no guardar-roupa e quando olhei para a cama do Jason me arrependi profundamente de ter pensado nele durante o caminho, de ter pensado em fazer comida caseira em agradecimento.

Com uma caneta, peguei o sutiã vermelho enorme da cama dele e o ergui para vê-lo melhor. Ainda tinha um perfume de vadia. Ele continua transando com mulheres desconhecidas. Garoto estúpido.

Terminei de me vestir e sai do apartamento subindo as escadas até o terceiro andar. Não sabia qual era a porta, mas tinha um grande palpite.

Dei duas batidas na porta e esperei.

Um homem alto com a aparência de ter uns trinta e poucos anos atendeu a porta.

— No que posso ajudar?

— Aqui mora uma garota morena, do meu tamanho e que tem cabelos longos e escuros? — Perguntei e o homem assentiu.

— Minha sobrinha, Nina. Por quê está procurando por ela?

— É que eu a vi conversando com o meu irmão, no nosso apartamento no andar de baixo e acho que ela esqueceu uma coisa lá.

— Bom, ela não está aqui. Mas eu posso pedir para que ela passe no seu apartamento para pegar. É só dizer...

— Não precisa. Venho outra hora, é que eu não fico muito em casa porque trabalho. Mas obrigada mesmo assim.

O homem sorriu e eu voltei para as escadas, descendo para o segundo andar.

Encaixando todas as peças do quebra-cabeça: Jason não está em casa, a vizinha que ele come ultimamente também não, então eles estão em algum motel para não serem interrompidos por mim? Bem possível.

Entrei no apartamento e o vi jogado no sofá.

— Chegou agora? — Perguntou sem tirar os olhos da TV.

— Não. — Disse e então fui até o quarto pegando o sutiã com a mesma caneta de antes e fui até a sala. — Pode me explicar o que isso estava fazendo no nosso quarto?

— Você parece uma mulher ciumenta falando “nosso quarto” — Falou ele rindo.

— É sério Jason. — Disse jogando o sutiã nele. — Você estava com a vizinha de novo né?

— Não estava com ela.

— E estava com quem?

— Você não conhece.

— E parece que você também não. — Retruquei nervosa.

— Vai fazer todo aquele drama de antes? — Perguntou ele revirando os olhos.

— Eu só quero que a missão dê certo. E por favor, não traga mais nenhuma mulher para cá. Se você é um maníaco por sexo e tem que praticar isso todo os dias, vá para um motel, mas aqui no apartamento não. Você coloca nossa missão em risco trazendo desconhecidas para cá.

— Só pra sua informação. Eu consegui transar com uma mulher que trabalha no departamento de segurança de Los Angeles. E eu consegui pegar alguns DVDs das filmagens da trajetória que o nosso alvo faz todos os dias.

Olhei para ele pensando. Não sabia se ficava nervosa por ele ter trazido essa mulher aqui ou se ficava contente por ver que ele tinha conseguido algo além de sexo hoje.

— E o que você conseguiu ver? — Perguntei cedendo. Sentei-me no sofá ao lado dele e apoiei minha cabeça sobre minha mão cansada.

— Ela vai ao Starbucks todas as manhãs como sabemos, e a tarde ela fica na casa dela, mas nos dias de segunda e quarta, ela sai de casa E se encontra com um homem três quadras depois de sua casa. Então eles entram em um carro, e parece que ultrapassam os limites de Los Angeles. — Ele passou a mão pelo bolso e tirou um papel. — Anotei a placa.

— Isso já ajuda. — Falei pegando o papel da mão dele.

— Madeline — Disse ele pegando a minha mão. — Eu vou tentar controlar o lado mulherengo do Jason. Vou tentar ser mais como o Michael Johnson. Parece que minha lenda é melhor que o meu verdadeiro eu.

— Não precisa mudar. — Falei olhando-o nos olhos. — Só não faça mais essas coisas aqui. Eu não me importo que você saia transando com Los Angeles inteira — Ele fez uma cara de indignação e eu continuei. — Só não traga nenhuma delas aqui, e me deixe fora desse lado da sua vida.

— Ok, esposa ciumenta. — Disse ele rindo e eu revirei os olhos.

Então percebi que ele ainda segurava a minha mão e ele se tocou também, pois rapidamente a soltou. Antes que eu pudesse dar risada da cara dele, meu celular começou a vibrar no meu bolso e eu olhei no visor.

— Lucas! — Disse assim que atendi. — Estou morrendo de saudades.

— Eu também. — Falou ele e pelo seu tom de voz, deduzi que estava sorrindo. — Como está indo com a missão avançada?

— Bem. E você?

— Completei três missões básicas e estou em uma missão intermediária, enquanto você já conseguiu ir para a missão avançada.

— E estou empacada nela até não sei quanto tempo.

— Missões avançadas demoram no mínimo um mês para serem concluídas, você sabe disso muito bem.

— Claro. — Falei me lembrando das vezes que eu tinha que dormir na casa do Lucas por que meus pais estavam em uma missão avançada e não sabiam quando voltariam. — Você ainda está em Geórgia ou está em outro estado?

— Continuo em Geórgia. E você está na Califórnia, pelo que sei.

— Anda bem informado. — Falei rindo.

— Na empresa, o que mais comentam, é sobre vocês dois. Sobre o grande sucesso que o FBI conseguiu unir.

Estamos longe de ser um sucesso — Pensei em dizer, mas o Jason estava ali do meu lado assistindo TV, ele poderia ouvir e talvez se sentir ofendido. Mas é a verdade, não nos damos muito bem como deveria ser. Eu estou tentando ignorar tudo que me irrita nele e acho que ele está tentando fazer o mesmo, só que ele chega a ser mais irritante do que eu com uma gêmea.

— Legal. — Disse e Lucas riu.

— É impressão minha ou esse legal está mais para, “me tire daqui!”?

— É, como sempre, você sabe o que penso só pelo tom da minha voz.

— Esqueceu que no futuro isso será necessário?

— Claro. — Falei rindo de ele mencionar o fato de que quando éramos crianças, planejávamos nos casar depois que nos tornássemos uma dupla. O que não está dando muito certo.

— Ei, Ben assim não. — Lucas disse e ouvi um garoto soltar um palavrão. — Estou no telefone mal educado.

— Sua namorada? — O tal Ben perguntou.

— Amiga. — Disse Lucas.

— Há! Cara, você está vermelho.

— Desculpe, Mad. Meu parceiro é um idiota.

— Você está com Benjamin Patrick, né?

— Isso. E ele está mexendo no HD de um computador que conseguimos pegar numa empresa em foi constado um desvio ilegal de dinheiro.

— Bom, não quero atrapalhar vocês.

— Não está...

Então a ligação caiu.

Desliguei o celular frustrada e me levantei do sofá indo até a minúscula cozinha achar algo na geladeira. Pizza congelada novamente? É, melhor do que nada.

— Era aquele seu amigo loiro? — Perguntou Jason do sofá.

— Isso. O nome dele é Lucas.

— Tanto faz. — Falou ele bufando.

Ignorei o ultimo comentário dele e coloquei minha pizza congelada no microondas. Nada de comida caseira por um bom tempo.

(...)


A casa do Daniel estava incluída nas qualidades que eu acho essencial. Aconchegante, não muito grande e móveis rústicos no sala e sofisticados na cozinha. Mas agora todos estávamos na garagem. Jason estava sentando do meu lado vendo eles ajeitarem os instrumentos. Conheci dois amigos do Daniel e da Christina, Dean e Derek. Dean é o vocalista da banda e Derek é o baterista.

— Esperam que estejam preparados para ouvir a melhor música do mundo. — Vangloriou Dean.

— Melhor música? — Perguntou Jason. — Então podem tocar, vou ser o jurado. Olha que de música eu entendo.

Christina sorriu para ele enquanto ajeitava sua palheta na mão depois de colocar a guitarra.

— Ghost City? — Perguntou Derek e o Daniel assentiu.

Derek fez barulho com as baquetas como contagem regressiva e então eles começaram a tocar.

A música era ótima. Não consegui ficar parada, e comecei a bater o pé no chão de acordo com o ritmo. Jason sorriu e fez o mesmo olhando para todos tocarem. Dean canta super bem, nem parecia a voz dele no microfone. Christina também não ficava para trás da Guitarra. Derek também. E o Daniel, maravilhoso. Fantástico.

— Então, o que acharam? — Perguntou Derek assim que terminaram de tocar.

— Adorei. — Disse e Daniel piscou para mim.

— É, a música é boa e o ritmo também. Vocês estão aprovados. — Jason disse e Christina veio abraçá-lo e eu me perguntei desde quando eles tinham tanta intimidade assim.

Ficamos mais um pouco na garagem e ouvimos mais duas músicas deles. Todas muito boas.

Então ficamos na sala, e Dean propôs da gente assistir um filme. Me sentei ao lado do Daniel que durante o filme, disfarçadamente colocou o braço por trás do encosto do sofá e então, eu tomei a iniciativa de me deitar sobre seu peito. Ele sorriu e colocou seu braço sobre o meu ombro, onde pretendia colocar depois de disfarçar no encosto do sofá. Christina também estava assim no Jason e eu comecei a rir quando Dean foi fazer o mesmo com o Derek e levou um empurrão o fazendo cair do sofá.

— Está me estranhando? — Perguntou Derek.

— É que todo mundo está assim. — Dean disse se levantando e voltando a sentar.

— Cadê a sua namorada? — Perguntou Logan.

— Está viajando. — Dean disse fingindo estar chorando.

— E você está tão carente ao ponto de abraçar o Derek? — Perguntou Christina e todos rimos.

— Vocês podem e a gente não? — Dean disse inconformado.

— Ei, cala a boca. Chegou a parte boa do filme. — Derek disse e todos voltamos a ficar em silêncio.

Até que Daniel sussurra no meu ouvido:

— Me siga, quero te mostrar uma coisa.

Ele se levantou do sofá e eu me levantei também. Ele subiu as escadas e eu o segui. Entramos num quarto, que eu deduzi ser o dele, e então Daniel fez sinal para me sentar na cama. Me sentei relutante enquanto o via procurar algo na única gaveta do seu criado mudo.

— Achei. — Disse ele tirando um colar de prata da gaveta. Se sentou do meu lado da cama e segurou o pingente na minha direção. — Vi isso e me lembrei de você.

O pingente tinha o formato de um circulo com a palavra Try dentro.

— É lindo. — Falei tocando no pingente.

— Posso? — Perguntou ele fazendo menção ao meu pescoço.

Sorri e me virei de costas erguendo meu cabelo. Ele passou o colar a minha frente e eu senti um arrepio. Não sei se era porque o colar era gelado, ou porque as mãos dele estavam na minha nuca. Então, Daniel fez algo que eu não esperava. Antes que eu me virasse, ele depositou um beijo na minha nuca, onde estava o colar. Se eu sentir um arrepio antes, imagina o que eu senti agora?

Virei novamente e encontrei seu olhar no meu. Seus olhos azuis me encaravam de um jeito carinhoso e eu gostei desse olhar. É assim que o Lucas me olha. E eu sinto falta disso. O Jason pode, porque eu não? Daniel faz parte da missão também e eu não estou namorando o Lucas, isso significa que estou solteira. Livre e desimpedida.

Daniel estava se aproximando, um pouco hesitante com medo de que eu fosse rejeitá-lo, mas eu também me aproximei e então nossos lábios se encontraram.

Macios. Essa foi a primeira coisa que eu consegui pensar sobre os lábios do Daniel, além de serem sexy e irresistíveis. A mão dele encontrou minha cintura e nos deixou mais próximos, dando a oportunidade de aprofundar nosso beijo. Sua língua conseguia percorrer minha boca de um jeito carinhoso, sem deixar de ser audacioso. Eu gostava disso, ele tinha pegada, conseguia me fazer flutuar nas nuvens, literalmente falando.

— Vocês estão... — Então Jason se interrompeu quando viu o que estava acontecendo.

Parti o beijo rapidamente e olhei para a porta que pensei estar fechada.

— Desculpe, disseram que vocês estariam aqui. E precisamos ir Isabel, lembra da ligação da mamãe que estamos esperando? — Disse Jason se referindo ao nosso treino.

— Ah, me esqueci. — Disse me levantando da cama e Daniel também. Virei-me para ele e lhe dei um selinho. — Até mais. — Falei sorrindo enquanto acompanhava o Jason até as escadas.

Saímos da casa do Daniel e entramos no Corsa que o Nicholas conseguiu para o Jason.

No caminho, ficamos em silêncio. Hoje estávamos indo mais cedo para o nosso lugar de treinamento, pois é final de semana e o Jason insistiu que teríamos mais tempo já que eu não trabalho nos finais de semana.

— Você não vai me contar o que vamos fazer hoje? — Perguntei quebrando o silêncio.

— Segredo. — Respondeu rápido.

— Na próxima vez que viermos, quero dirigir.

— Espero não morrer. — Pensei que ele estivesse sorrindo por causa do seu comentário, mas ele estava sério. Parecia sem emoção, estava com a mesma cara. E isso não é normal, geralmente ele é muito sarcástico e têm sorrisos marotos no rosto toda vez que eu o fuzilo com os olhos.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei por fim.

— Nada.

— Tem certeza?

— Estou pensando. Você não deveria ter feito aquilo.

— Define “aquilo“. — Disse.

— Você não devia ter beijado o Daniel. — Falou ele dando uma rápida olhada na minha direção e depois voltando para a estrada.

O quê? Quer dizer que ele pode transar todos os dias e eu não posso dar um simples beijo?

— Por quê? — Perguntei calmamente.

— Por que eu sou o andorinha. Eu é que tenho que me envolver em um relacionamento romântico, não você.

— Você transa todo dia com uma garota diferente, e eu não posso beijar um garoto?

— As garotas com quem eu transo não tem nada a ver com a missão. E o garoto que você beijou tem. Isso é perigoso.

— Perigoso é você ir pra cama todo dia com uma garota diferente e correr o risco de ser reconhecido quando estiver com a Christina ou quem sabe pior, quando estivermos em outra missão mais importante.

Ele freou o carro do nada, me fazendo ir para frente com tudo, por sorte não bati no vidro da frente.

— VOCÊ TÁ LOUCO? — Gritei para ele tirando o cinto de segurança que me salvou de um belo encontrão. Sai do carro com raiva batendo a porta com toda a força.

Jason fez o mesmo.

— Só estou te dando um aviso. — Disse enquanto abria o porta-malas do carro.

Ignorei ele e segui pela grama que já estava ficando maior, e abrir a porta quadrada no chão. Como estava ainda de dia, consegui enxergar as escadas e já sabia onde estava a caixa de força, então foi fácil.

Jason chegou trazendo novamente outra bolsa, já que a outra estava no canto do salão ainda intocável. Parece que não iríamos mexer com revólver. Ele trazia consigo armas de cano fino enormes. Então colocou a bolsa no chão e abriu, revelando um monte de bolas coloridas.

— Paintball? — Perguntei me aproximando.

— Isso. Vamos fingir que essas são armas de verdade. — Disse ele me entregando uma. — E que eu sou um cara muito perigoso que está te seguindo, você vai atirar em mim e tentar se desviar dos meus tiros. É fácil. Depois a gente parte pro revólver e munições de verdade.

— Certo. — Falei carregando a minha arma. — Mas eu não quero sujar minha roupa, não vou para casa com a roupa toda suja de tinta.

Ele tirou algo da bolsa e jogou na minha direção. Ergui aquele pedaço de pano e fiz uma careta. O short parecia uma calcinha, e a parte de cima era um biquíni.

— Não vou usar isso. — Falei.

— Você é que sabe. — Disse ele dando de ombros enquanto se despia, ali na minha frente.

Suspirei derrotada.

— Onde me troco? — Perguntei.

— Aqui mesmo. — Falou ele como se fosse óbvio.

— Não vou me trocar na sua frente — Disse o observando tirar a calça e ficar só de cueca box. — Diferente de você, eu tenho vergonha.

Ele revirou os olhos e se virou de costas.

— Pronto, prometo não olhar.

Coloquei minha arma num canto e comecei a tirar a roupa, mas em momento algum deixei de tirar os olhos dele para ter certeza se ele não estava olhando. A parte mais difícil foi ter que tirar o sutiã para colocar aquele biquíni. Mas eu fiz.

— Pronto. Pode se virar.

Ele se virou e me olhou da cabeça aos pés, com aquele sorriso que eu disse que ele sempre tem.

— Nada mal. — Comentou.

— Não vamos ter proteção? — Perguntei ignorando seu comentário malicioso.

— Não. Em um ataque de verdade, você não vai estar com colete, cotoveleiras e etc.

Ele seguiu em direção aos alvos e os trocou de lugar deixando um do lado do outro e formando quatro fileiras no salão. Então pegou os bonecos e os colocou aleatoriamente.

— Vamos fingir que os alvos são muros e que os bonecos são as pessoas inocentes. — Disse ele. — Você só pode tentar me atingir. Se você atingir um dos bonecos, perderá dez pontos e se consegui acertar alguma parte do meu corpo ganha trinta, mas se consegui acertar o meu peito exatamente no coração, ganha cinquenta.

— Mas se você fosse um bandido de verdade, você estaria morto. E a gente não mata as pessoas. — Falei.

— Isso é um treino. — Jason disse impaciente. — Se eu consegui te acertar, você perde dez pontos, e se eu consegui acertar o seu coração você perde o jogo. Fim.

— E você não perde pontos? — Perguntei erguendo as sobrancelhas.

— Sou o vilão, baby. — Falou ele piscando para mim.

Revirei os olhos e ajeitei a arma em minhas mãos, ficando atrás de um dos “muros”, enquanto o Jason fazia o mesmo. Estava com um cinto cheio de munições, assim como ele.

— No três. — Falou já escondido atrás dos alvos. — 1... 2... 3... Já.

Ele se ergueu sobre o muro e tentou me acertar, mas eu me abaixei. Andei abaixada olhando ao meu redor enquanto trocava de muro. Quase bati a cabeça em um boneco, mas consegui desviar. Vi a sombra do Jason em dos muros e atirei. Não consegui acertá-lo. Ele veio em minha direção e eu comecei a correr dele desviando de seus tiros. Quando consegui me esconder em um muro, ergui a arma na direção dele e atirei umas três vezes. Nada ainda. Então quando me virei para ir até o outro muro, dei de cara com o Jason sorrindo para mim com arma apontada na minha direção. Rapidamente ergui a minha arma e atirei na mesma hora que ele atirou em mim. Ele acertou minha barriga e eu ri com aquilo, e consegui acertar seu braço. Ele acertou uma das minhas pernas e eu consegui acertar seu ombro. E então, em pouco tempo estávamos cheios de tinta por todo corpo, não dava pra saber exatamente onde foram os tiros e quem já tinha morrido. Com certeza uma pessoa não sobreviveria com mais de cinquenta tiros por todo o corpo. Isso significa que nós dois morremos.

— Ganhei! — Disse quando ele se jogou no chão rendendo.

Meu corpo estava todo dolorido e eu sabia que ficaria marcas. Aquilo machuca e muito. Mas eu consigo aguentar dores piores que essas.

Me joguei também no chão, ao seu lado. Ambos estávamos rindo.

— Na verdade eu te matei primeiro. — Disse ele.

— Eu te matei primeiro. — Retruquei.

— Certo. Quando propus o paintball, não esperava isso. Não chegamos a lugar nenhum.

— Claro que sim. — Falei me levantando um pouco. — É só contar quantas marcas de tinta nós temos. — Disse cutucando sua barriga com o dedo em todas as marcas de tinta e o fazendo rir.

— Isso faz cócegas. — Disse ele rindo enquanto eu o cutucava ainda mais. — Tá, você ganhou!

— Viu? — Falei rindo enquanto me levantava do chão. Ergui meus braços acima da cabeça e me alonguei. — Isso machuca.

— Sim. Tive que me esforçar ao máximo para você não acertar o Jerry.

— Jerry? — Perguntei confusa.

— É melhor você não saber quem é ele. — Jason disse sorrindo maliciosamente e eu me toquei quem era o tal Jerry.

— Sério mesmo que você faz isso? — Perguntei rindo.

— Faz o quê? — Disse ele fingindo-se de inocente.

— Dá nome ao seu órgão genital.

— Diz pênis. Fica muito melhor. Órgão genital é coisa de nerd. E se for se referi ao meu, diz Jerry.

— Ainda tenho uma bolinha na minha arma. — Disse sorrindo e apontando para o “Jerry”.

— Você não vai fazer isso né? Ai eu não vou ter filhos.

— E ai não vai sair transando com qualquer uma e botando nossa missão em risco. — Conclui.

— Por que você não esquece isso? — Perguntou ele se levantando. — Está com ciúmes?

— Eu com ciúmes? — Disse sarcástica e abaixando a arma. — Você com certeza está louco. Jamais me envolveria num relacionamento romântico com você. Parceiros lembra? E McPherson e McCann não combinam.

— Eu estou aqui, superseduzente só de cueca e todo sujo de tinta, irresistível e você ainda diz que não se envolveria comigo? — Falou sorrindo.

— Isso.

— Você que é louca. Todas as garotas do mundo pagariam para estar aqui comigo, assim. E você tem isso tudo — Disse ele apontando para o seu corpo. — e ainda diz que não me beijaria.

— Eu não disse que não te beijaria.

— Então você me beijaria?

— O quê? Não! — Respondi rapidamente. — Para com esse joguinho, eu sei aonde você quer chegar com isso.

— E aonde eu quero chegar? — Insistiu.

— Sério mesmo que você quer continuar com isso? Eu não vou te responder. — Me virei e joguei a minha arma em cima da bolsa com metade das munições de antes. — Onde eu tiro essa tinta? — Perguntei.

Ele sorriu e pegou uma mangueira no canto do salão.

— Não acredi... — Antes que eu pudesse terminar de falar veio um jato de água em minha direção.

Ele mirou a água na minha barriga e quando em encolhi ele mirou em minhas costas. Com um pouco de dificuldade, andei em sua direção com o rosto virado para não cair água nos meus olhos e consegui segurar a mangueira que estava em suas mãos. Ficamos horas brigando pela mangueira e vendo quem conseguia molhar mais o outro. Na verdade, estávamos ensopando o salão também.

Esse com certeza foi o meu melhor treino. Até porque, com os meus pais eu não tinha diversão, era tudo sério, não tinha brincadeiras. E aqui com o Jason, eu me senti bem e mais contente desde o incidente do beco.

Notas finais
Leitores fantasmas que a cada dia crescem, deixem reviews PLEASE