The Outbreak Dead
2 Esperança
Notas iniciais
Acordei e olhei para os lados pra ter certeza de onde estava. Minha cabeça latejava de tanta dor. Bebi um pouco d'água, aproveitei que estava em um banheiro e fiz minhas necessidades.
— Faz tempo que não uso um banheiro — pensei.
Então dei um sorriso de canto de boca, me vesti e guardei a água e o biscoito na mochila. Abri a porta devagar, olhando para ver se estava seguro. Tudo limpo. Saí do banheiro e procurei algo que me seria util. Encontrei mais uma garrafa de água, algumas barras de cereais e um isqueiro. Os guardei e fui embora.
Ao sair da loja de conveniências, avistei um helicóptero. Seria essa minha salvação?
Pulei, gritei, fiz sinais, e nada. Não pararam. Já era de se esperar, afinal, deveriam ter pensado que sou um morto-vivo qualquer. Pelo menos tive a certeza que não sou o único não-infectado e minhas esperanças de achar meu irmão aumentaram.
Eu precisava encontrar algo para me locomover mais rápido, nem que seja uma bicicleta.
A rua estava tranquila, se ouvia até os sons dos pássaros cantando, isso me deixou bem. Me fez lembrar da época em que eu era feliz e não sabia.
*Flashback
"Minha mãe me levava, de olhos fechados, até a sala de casa. Estava um silêncio total. Quando abri os olhos, meus parentes, amigos, namorada. Todos ali, fazendo uma festa surpresa pro meu aniversario de 17 anos."*
Pisquei forte, acabando assim com essa lembrança perfeita que levo comigo. E pensar que todos estão mortos, todos. Todos com exceção de meu irmão mais velho.
Respirei fundo e pus-me a andar. Com cautela, fui seguindo caminho até chegar na avenida principal. Centenas, talvez milhares de carros abandonados, tombados, batidos, alguns pegando fogo. Apressei meus passos, precisava sair rápido do centro da cidade.
Já devia ser por volta do meio-dia, o sol estava quente demais. Bebi água e continuei andando. Já estava andando a umas duas horas, resolvi descansar um pouco, caso precisa-se correr em alguma situação. Entrei em um carro, estava intacto por dentro. Olhei no porta luvas -e por coincidência- havia um par de luvas dedo-cortado. Tinha também um celular e algumas fotografias, bem, isso já não importava mais. Guardei as luvas na mochila, encostei no banco e fechei os olhos, acabei cochilando.
Acordei assustado. Tive pesadelos. Pesadelos com os malditos que hoje são minha realidade.
— Até nos sonhos essas pragas me perseguem, porra! — exclamei. Tenho que sair daqui. — pensei.
Coloquei minha mochila nas costas, sai do carro e fui-me.
Pelo caminho, havia brinquedos espalhados, roupas, bolsas, tudo que você imaginar. Olhei pra uma boneca que estava no chão e logo lembrei da minha irmãzinha. Ela tinha apenas um aninho quando foi infectada, junto de minha mãe.
Uma lagrima escorreu sobre meu rosto, a sequei e ia continuar andando, quando ouvi um grito. Mas não era um grito comum. Era um zumbi! Um não, uns. Uns quinze, no mínimo.
— Não sei como esses desgraçados me encontraram! Inferno! — gritei.
Preciso fugir. Pois enfrentá-los seria morte na certa. A minha morte.
Corri. Corri como nunca havia corrido antes. Sem olhar pra trás, corri entre os carros abandonados e o chão jorrado de sangue.
Mas a estrada era imensa, parecia que não tinha fim. Eu fugia sem direção, não sabia pra onde ir nem o que me esperaria mais a frente.
Consegui um boa distancia dos desgraçados, respirei aliviado. Más eu não podia parar. Cheguei perto de uma estrada de terra, não pensei duas vezes e entrei. Logo mais a frente, pude enxergar algumas casas, por sorte já havia despistado os zumbis.
Segurei minha faca com força e continuei a andar. Tentei abrir algumas portas, mas todas estavam trancadas. Olhei pela janela, e vi a torneira da pia pingando. Tive certeza que tinha alguém lá.
Chamei, ninguém respondeu. Continuei chamando, e nada.
— Eu não estou infectado! — gritei. — Por favor, me deixe entrar! — e bati na porta mais algumas vezes.
Quando finalmente desisti de chamar, resolvi verificar outras casas.
— Ei, você! — disse uma voz feminina. Rapidamente me virei e com as mãos levantadas, disse, novamente, que não estava infectado.
— Espero que esteja falando a verdade. — disse a garota, com uma arma apontada a mim, olhando-me de cima a baixo.
— Pode confiar. — logo disse.
— Vamos entrar antes que algum zumbi apareça. — e saiu andando.
Seguindo-a, entramos naquela casa. Estava tudo tão arrumado, nem parecia que lá fora estava acontecendo um apocalipse.
Ela sentou em um sofá e perguntou meu nome.
— Dan. — respondi.
— O meu é Andrea. — falou com um sorriso no rosto.
Por um momento me peguei admirando Andrea. Ela era linda. Olhos negros assim como seus cabelos, que eram na altura do ombro, bem lisos. Magra, vestia uma regata branca apertada com um shorts preto curto, e um all-star.
— Ei Dan, está tudo bem?
— Está sim, mas.. Não tem mais ninguém aqui? — perguntei.
— Não. Somos só nos dois. Nós e a vontade de sobreviver.
Fiquei calado. Apenas abaixei a cabeça e me sentei junto a ela.
— Estou vendo que você está muito cansado, e precisando de um bom banho. — disse ela, seguida de uma risada. Apenas concordei com a cabeça e perguntei onde era o banheiro.
— É ali, logo a esquerda. E tem toalhas na gaveta embaixo da pia. Agradeci e fui pro banheiro.
Estava mesmo precisando tomar banho, afinal fazia mais de três dias desde a ultima vez. O mau-cheiro estava terrível. Tirei as roupas e joguei-as em um cesto de lixo.
Me deliciei com o banho. Como era bom, mesmo que por minutos, esquecer um pouco o que estava acontecendo.
Terminando o banho, me vesti com uma calça mais justa, que assim como minha camisa, eram pretas. Coloquei minhas luvas dedo-cortado e meu boné. Me olhei no espelho, fazia tempos que não me sentia bonito, sendo que sempre fui um dos mais bonitos do colégio, mas isso não vem ao caso.
Saí do banheiro e fui até a sala. Foi aí que, Andrea me disse que estava atrás de sua mãe, e que iria procurá-la.
— Estou procurando meu irmão. — falei.
— Ótimo. Assim os procuramos juntos. — Andrea respondeu com um sorriso ao canto da boca.
Abri minha mochila e bebi um pouco de água. Logo, Andrea disse que precisávamos sair o quanto antes daquele local, pois acabara a comida e não podia perder tempo para acharmos nossos entes queridos, antes que fosse tarde demais. Concordei e me sentei.
Ela chegou perto de mim e me mostrou uma foto de sua mãe. Peguei a foto, não me era estranha. Continuei encarando a foto, até que..
Notas finais
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