The Other World

1 I - The Other World


Notas iniciais
Olá pessoal, espero que gostem dessa história. Uma boa leitura e até as notas finais.

The other World

Estava como sempre, sentada na minha cama encarando a parede cinza e rachada daquele enorme orfanato no qual eu moro desde que eu tinha apenas 5 anos, meu pai havia me deixado aqui logo após do horrível acidente com a minha mãe, não que eu me lembre, mas pelo o que me contaram. É horrível não poder lembrar do rosto dos seus pais e nem do som de sua voz. Não odeio meu pai pela sua atitude estúpida, me pergunto desde que eu tinha 10 anos porque ele me deixou aqui. Passo horas e horas nesse quarto me fazendo essa pergunta. Gostaria de ter uma foto da minha mãe ou lembrar do som da sua voz, mas a única coisa que eu sei é como ela morreu, dizem que umas pessoas invadiram a nossa casa e houve uma discussão que acabou na morte da minha mãe e meu pai conseguiu fugir comigo e me deixou aqui nesse orfanato. Me pergunto se ele realmente me amava ou se aproveitou a morte da minha mãe para me largar e seguir com a sua vida. Queria que ele voltasse para me explicar a minha história, mas a cada dia que passa eu vou perdendo a esperança, queria poder sair desse orfanato, conhecer pessoas novas, ter experiências de vida.

- Vai ficar ai o dia todo, menina ? Você precisa sair. – falou a irmã Jude,entrando no meu quarto sem permissão. – Anda, você está muito branca precisa pegar um sol, animasse. – ela disse andando em minha direção e dando leves tapas na minha perna.

- Você acha que um dia ele vai voltar ? – pergunto olhando nos olhos da irmã Jude – Sabe, eu fico horas aqui imaginando porque ele me abandonou, se foi para me proteger daqueles caras ou porque ele não me amava mais e não tinha mais motivos para ficar comigo, já que a minha mãe morreu. – pergunto a Jude com os olhos marejados.

- Olha, Kat. – ela diz se sentando ao meu lado – Eu não faço a mínima ideia do motivo dele ter te deixado aqui, não sei se algum dia ele vai voltar e te buscar. Não vale a pena ficar pensando nisso, quando acontecer vai acontecer, tenta parar de ficar pensando nessas coisas siga a sua vida. Esqueça o seu passado, esqueça por algumas horas essas suas preocupações. – ela diz limpando as lágrimas que caia livremente pelo o meu rosto. – Siga sua vida, crie a sua história. – Ela diz se levantando e saindo do cômodo.

(...)

Katherine ficou ali, parada encarando a parede pensando nas últimas palavras de Jude ao sair do seu quarto ‘’ siga sua vida, crie sua história ’’, mas como ela poderia criar a sua história se nem ao menos podia sair daquele orfanato. Pensando nessas palavras ela se levantou e seguiu em direção ao pátio, como sempre ele estava lotado, crianças e adolescentes estavam ali reunidos. Ela se sentou em uma cadeira, longe de todos. Pegou seus fones de ouvido e colocou uma música qualquer para tocar e ficou observando o céu.

- Quando eu disse para você sair um pouco do seu quarto e pegar um sol, eu estava me referindo também a fazer amizades, Kat. – Jude diz sentando ao seu lado e retirando os seus fones de ouvido, fazendo a menina olhar para ela. – Você mora nesse orfanato há 11 anos e eu nunca te vi com uma amiga. – ela diz olhando para a Katherine preocupada.

- Ninguém nunca falou comigo, a não ser para pedir informações. – ela diz pegando os fones de ouvido junto com o celular e o guardando dentro do bolso da calça. – Eu só quero ir embora desse lugar, você mesma disse. – Katherine diz se levantando – Crie a sua história, mas eu lhe garanto que se eu continuar aqui, não vou conseguir escrever nem a metade dela. – ela fala e dando as costas para irmã Jude.

E novamente ela estava lá, encarando a parede de seu quarto. Katherine faz isso a tanto tempo que se lhe perguntarem quantas rachaduras há naquela parede, ela saberia responder sem nem ao menos pensar ou precisar ir contar. Ela sai dos seus pensamentos quando ouve uma batida na porta de seu quarto.

- Entre. – ela diz na mesma posição, olhando a parede, irmã Angelic entra em seu quarto e fica encarando a garota por longos minutos. – Algum problema, irmã ? – ela diz agora encarando a senhora.

- Ah, nenhum. – ela disse despertando do transe – Tem um homem na secretária querendo falar com a senhorita e gostaria que me acompanhasse.

- Homem ? – Katherine levantou de sua cama confusa, não conhecia ninguém do lado de fora do orfanato o que lhe fez pensar que esse homem poderia ser seu pai. – É o meu pai ? – ela diz nervosa e a ponto de começar a chorar.

- Não me falaram nada, vamos lá para ver o que ele quer conversar com você. – a irmã diz puxando a menina pelo o braço, pois ela parecia estar em choque e não conseguia nem reformular uma frase se quer.

(...)

Katherine estava sentada frente a frente com aquele homem, sozinha. Já fazia 5 minutos que eles estavam ali, se encarando, ninguém não dizia nada o que já estava irritando Katherine.

- O que você quer comigo ? – ela diz acabando com o silêncio irritante entre os dois o homem continua a encarar a menina. – Olha, tira uma foto minha, lhe garanto que dura mais. – ela diz se levantando, mas o homem segura seu pulso.

- Me desculpe. – ele diz soltando o seu pulso. – É que já se passou tanto tempo... – ele fala olhando para a garota com ternura.

- Quem é você ? – ela pergunta com medo da resposta.

- Seu pai. – ele diz deixando algumas lágrimas rolarem em seu rosto, Katherine permanece em pé encarando aquele homem, depois de anos e anos imaginando como seria como ele voltasse, como seria a sua aparência e sua voz. Ele estava ali, em sua frente.

- Por...q-que – ela respira fundo, estava nervosa, surpresa,magoada,irritada era muitos sentimentos juntos a acertando tudo de uma vez. – POR QUE VOCÊ ME ABANDONOU AQUI E DEPOIS DE ANOS VOLTA ? – ela grita já nervosa, pensava que quando seu pai voltasse iria se sentir feliz, mas estava enganada a única coisa que ela sentia era raiva, ravia por ele ter a deixado quando ela mais precisou de ajuda, raiva por ele ter voltado, raiva pela morte da sua mãe, raiva de tudo – PASSEI ANOS AQUI, SOZINHA. PENSANDO SE UM DIA VOCÊ IRIA ME BUSCAR, TODOS OS MEUS ANIVERSÁRIOS EU FICAVA TRANCADA NO QUARTO PENSANDO EM VOCÊ ! VOCÊ ME ABANDONOU AQUI SEM SE IMPORTAR COMIGO. E O ENGRAÇADO É QUE EU NÃO CONSIGO TE ODIAR, EU PRECISEI DE VOCÊ E VOCÊ NÃO ESTAVA COMIGO, NUNCA ESTEVE.

-EU SEI QUE EU ERREI. – ele diz nervoso e ainda chorando – Eu não deveria ter te abandonado aqui. Eu te amo tanto, eu tive que lhe deixar aqui, para o seu próprio bem. Todos os dias eu desejava vim aqui te buscar e te levar para casa para poder conhecer a sua família, mas sempre tinha algo para me impedir, você correria perigo comigo, perto de mim. E eu posso te explicar toda a história. – ele diz olhando nos olhos da sua filha.

- Então me explica. – ela diz se sentando novamente e secando as lágrimas que teimavam cair pelo seu rosto – Só não lhe garanto que eu te perdoe por isso.

- Eu não posso te explicar aqui, eu vim te buscar. – ele diz segurando as mãos da garota – Quero te levar para casa, para a nossa casa.

- Eu nem sei se você é meu pai de verdade, pode ser um assassino e quer me tirar daqui e depois me matar, não vou. – ela diz se levantando e indo até a porta .

- Não ! Olha, a Jude ela sabe que eu sou seu pai, ela me viu quando eu te deixei aqui, eu lhe entreguei para ela. – ele diz nervoso, mexendo nos cabelos sem parar. – Por favor, vai comigo. Se você não quiser morar comigo, eu deixo você voltar. Confie em mim. – ele lhe implora.

- Eu nunca vou confiar em você, mas eu vou. Você vai me trazer de volta caso eu não quiser viver com você. – ela diz sem olhar em seus olhos e sai dali o mais rápido possível, ela corre até seu quarto e se joga na cama e solta todas as lágrimas que estava segurando.

Ela pega o travesseiro e colocar em seu rosto e solta um grito que é abafado pelo travesseiro, por um lado ela estava feliz porque ele tinha voltado para busca-la e explicar a sua história, mas por outro estava com raiva porque ele havia abandonado ali, ela cresceu sem um pai. Apesar de todas aquelas crianças que estavam ali também cresceram sem um pai e sem uma mãe não fazia a sua raiva diminuir. Ela iria com ele, mas quando ele terminasse de contar a sua história para ela, ela iria embora. Katherine terminou de arrumar as suas malas e foi em direção a secretaria, aonde esta seu pai conversando com irmã Jude.

- Olá, Kat. Entre. – ela diz para a menina que estava parada na porta da secretária.

- Estou bem aqui, vamos ? – ela diz com raiva. – Eu poderia saber o seu nome ? – ela diz com sarcasmo.

- Jeremy. Jeremy Montessori. — ele diz sorrindo para a filha — Depois terminamos de conversar, Jude. Vamos. — ele diz segurando a mão de Katherine que faz questão de soltar. — Não me encoste. — ela diz sem olhar nos olhos do pai.

Notas finais
Então, espero que tenham gostado, me digam o que vocês acharam, se algo deve ser melhorado ou qualquer coisa. O próximo não irá demorar para ser postado. Até o próximo capítulo.