The Other Side
1 Onde tudo começou...
Anna Underwood’s POV
Acordo com o balanço do mar. Eu e meu pai, John, estávamos viajando de barco até o Mar Mediterrâneo, aonde chegaríamos á capital da Itália atual, Roma. Seus cabelos castanhos e com alguns fios grisalhos balançavam-se devido ao vento. Seus olhos azuis como o oceano sobre o qual navegávamos, estavam atentos ao caminho e não piscavam há cerca de cinco minutos. Ele deve ter passado a noite acordado, de novo. Desde que minha mãe morrera, papai decidiu virar um explorador de antiguidades, indo para várias cidades históricas, junto a mim desde meus onze anos de idade, quando meu pai viera me buscar na casa da minha tia Olívia . Já passamos por diversas partes do mundo, o que era para ser bem legal, quando não aconteciam coisas estranhas. Uma vez, na Grécia, jurei a mim mesma que tinha visto uma estátua da deusa da sabedoria, a Atena Partenos, se mecher um pouco. Desde aquele dia, comecei a ter ideias paranoicas, como se os deuses realmente existissem e estavam prontos para me exterminar a qualquer momento. Estranho, não? Eu sei, e por isso tenho achado que estou ficando louca no decorrer dos anos. Viajar demais pode ser divertido, quando se tem uma casa fixa. John e eu dormimos em hotéis de vez em quando, mas na maioria das vezes, dormimos no barco que meu pai havia batizado de S.S Johanna, a mistura de John e Anna. Eu gostava de ter meu nome em algo especial como a minha “casa”.
– Filha, estamos quase chegando ao porto. – papai disse.
– Estou vendo, pai. O litoral de Roma é maravilhoso! Porque nunca viemos aqui antes? – perguntei, curiosa.
– Bem... Foi aqui que conheci sua mãe, Anna. Por isso não gosto muito de vir á Itália. Traz muita saudade, entende? – ele respondeu, com o olhar triste.
– Achei que tinham se conhecido em Porto Rico, papai! Porque mentiu para mim esse tempo todo?!
– Filha, eu realmente sinto muito não ter te dito antes. É duro para mim ainda, você tem que entender e...
– Duro? Duro é passar a minha vida inteira sem nenhuma foto, nenhuma lembrança, nenhum lugar que me lembre ela! Duro é nunca ter visto seu rosto e nunca ter lhe dado um mísero abraço! Será que você pode pensar em mim, pelo menos uma vez na sua vida?! – gritei.
Peguei minha mochila preta, coloquei-a nas costas e caminhei em direção á cidade. Meus dedos estavam tremendo devido ao vento frio da costa. Tirei a jaqueta que estava amarrada á cintura. Turistas tentavam me pedir informação, mas não respondia, simplesmente balançava a cabeça de um lado para o outro em sinal de “não”. Muitos chegavam falando em línguas estranhas, talvez russo e alemão. Sinto muito, mas eu só sei falar inglês.
Uma garota com a pele cor de chocolate, com cabelos cacheados e castanhos e olhos dourados veio na minha direção. Ou pelo menos eu achei que estava vindo. Ela vestia uma camiseta roxa com as inscrições “SPQR”. Meu pai tinha me ensinado uma vez que isso significava “Senatus Populasque Romanus” que podia ser traduzido como "O Senado e o Povo Romano". A garota estava sendo acompanhada de um menino loiro de cabelos bagunçados, com olhos extremamente azuis que vestia outra camisa estranha, mas esta era laranja e suas inscrições eram “Acampamento Meio Sangue”. Alguém pode me dizer o que diabos é um meio-sangue?
– Você! – a morena gritou, um pouco sem fôlego. – Nós estávamos a sua espera!
– Tem certeza que é a garota certa, Hazel? Ela não me parece uma semideusa ou uma guerreira. Acho que é só mais outra garota comum! – o garoto de cabelos claros indagou para a tal Hazel. Do que ele estava falando? Eu não sou semi nada e pelo visto nenhuma guerreira. Esses dois estavam delirando!
– Ei, a garota comum está ouvindo tudo! Quem são vocês e porque estariam á minha espera? – perguntei.
Sinceramente, eu não sabia mesmo do que eles estavam falando. Semideus era o nome que usavam para os filhos dos deuses com os humanos. Mas são apenas lendas como Hércules, Perseu, Teseu e esses outros caras musculosos e incrívelemente inteligente ou fortes. Pessoas assim nunca existiriam na vida real, era impossível, até porque os deuses não existem, e nunca irão existir em algum lugar além da mente de seus crentes iludidos. Sério, quem é que acredita em algo como um deus grego ou romano?
– Meu nome é Jason Grace. E essa é Hazel Levesque. Nós estamos procurando pela outra filha de Belona, irmã de Reyna e Hylla, outras amigas nossas. Seria essa o motivo da sua vinda a Roma ou não?
– Espera, vocês disseram que essa tal de Reyna e a outra... Hillary? São filhas de Belona? Tipo, a deusa romana da guerra? Vocês estão zoando comigo ou o quê? – comecei a rir. Os dois fizeram uma expressão de desapontamento e Hazel prosseguiu:
– É Hylla, e os deuses são reais, sim. Pelo que posso sentir, também é uma semideusa, assim como eu e Jason. Ele é filho de Júpiter, deus dos céus e tempestades. E bem, eu sou filha de Plutão, deus do mundo inferior e das riquezas subterrâneas. Argh! Como eu odeio falar sobre o meu pai. Mas enfim, seus pais estão vivos ou apenas um deles?
– M-meu pai está vivo. Mas minha mãe morrera há anos atrás. Porque a pergunta? – respondi.
– É uma deusa... – Jason disse, boquiaberto. – Eu acho que é a garota certa, Hazel!
– Qual é o seu nome? – Hazel perguntou.
– Anna. Bem, Anna Underwood.
– Anna Underwood... Tem certeza que seu nome não é Anna Avilla Ramírez Arellano? — Jason indagou.
– O quê? Bem, eu tinha Avilla no nome, mas meu pai preferiu retirar para que eu não fosse apegada as raízes da minha mãe e...
– Você tem que vir conosco! – Hazel puxou minha mão e me forçou a segui-la. Jason nos acompanhava depressa.
– Hazel! – disse, sem fôlego – Meu pai, eu tenho que encontrar...
E em uma questão de segundos, senti meu corpo desabar no chão, e o mundo em volta virar um mar de escuridão.
***
– Gente, acho que ela acordou! – disse um garoto moreno e magro com cabelos cacheados e orelhas que lembravam um elfo do Papai Noel latino. Ele vestia um macacão de oficina, e carregava um cinto de ferramentas na cintura.
Levantei da onde estava deitada, e me sentei, confusa. Aonde eu estou?
– Uau. – me espreguicei. – Por quanto tempo estou dormindo?
– Três dias. – uma garota alta, loura com olhos cinzentos como o céu em dias de tempestade respondeu. Ela vestia a mesma camisa laranja que Jason estava usando. Isso é algum tipo de acampamento de férias? – A propósito, sou Annabeth. – finalizou.
– TRÊS DIAS? – assustei-me. Papai devia estar me procurando feito louco uma hora dessas. Por mais que eu estivesse com raiva dele, ele continuava sendo o meu pai. E eu me preocupava com ele, afinal ele é a única pessoa que tenho por perto desde que a tia Olívia faleceu. Não podia ficar sozinha, eu tenho 15 anos. Não posso me sustentar, nem ao menos sobreviver sozinha. Sem comida, água, dinheiro... Aonde que eu fui me meter?
– Anna! – Hazel me abraçou. – Fico alegre em ver que está bem. Desculpe pela forma que te puxei antes de você cair e desmaiar.
– Tudo bem. – respondi.
– Venha, tome um pouco de néctar. Vai se sentir melhor. – a tal Annabeth me deu um frasco com um liquido cor de caramelo. Tomei e fechei os olhos. Senti o delicioso gosto do bolo de chocolate que meu pai e eu sempre comemos quando vamos para uma lanchonete de beira de estrada em Porto Rico. Abri os olhos e disse:
– Isso é... uma delícia. Aonde vende?
– Não, boba. Isso é o néctar dos deuses, não se vende em lojas. – Annabeth disse, com um sorriso carinhoso.
– Ah. – respondi, sem graça; — Agora vocês podem me explicar aonde eu estou e porquê?
– Talvez Reyna possa te explicar isso. – Hazel falou.
– Olá irmãzinha, mal posso esperar para conhecê-la e testá-la. – uma garota de cabelos castanhos como os meus, e olhos ferozes, respondeu. Ela usava camisa roxa como a de Hazel Levesque e usava um jeans surrado, com um tênis branco. Com aquela roupa parecia ser inofensiva, mas seu olhar era totalmente desafiador,e com assustador, quero dizer aterrorizante.
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