Notas iniciais
"Não havia motivos para chorar de tristeza... Agora, era só alegria. Lágrimas de alegria... Nós sorríamos feito bobos e chorávamos feito idiotas, mas estávamos felizes e é o que importa." - Bruno e Malu

Mary desceu do carro com Juan.

- Merda. — ouvi Bruno exclamar no fundo da piscina.

Ela parecia "marchar", como se estivesse lutando contra o próprio corpo para ir até lá.

Estava vestida de branco, e seus pés pareciam pesar uma tonelada cada um; Juan estava mais desorientado que uma barata-tonta. Ao contrário de Mary, mostrava insegurança... Não que ela estivesse tão segura assim já que transparecia certo medo.

- O que quer? — disse me levantando da piscina sem mostrar medo algum.

- Você morta... — ela olhou no fundo dos meus olhos. Senti um calafrio percorrer meu corpo, e lutei contra mim mesma, tentando deixar minha expressão de um modo que a amedontrasse. Depois de alguns segundos ela gargalhou e se retirou do local, deixando cair do bolso uma caderneta.

"PLANOS" estava estampado na capa.

Abri a boca para chamá-la e devolver aquele caderno, mas logo a fechei, sem emitir som algum. Todos voltaram a brincar e guardei a cardeneta na bolsa. Sentia de algum jeito que aquilo seria útil.

Bruno decidiu passear, quando o sol estava se pondo, com Malu.

Ficaram caminhando descalços pela praia, com a areia realmente quente, vez ou outra vendo as ondas o alcançarem e tocarem seus pés.

Era tentador não pular no mar. As águas tão lindas, claras e que pareciam fazer um convite para que mergulhasse.

As águas cristalinas pareciam ouro líquido quando o sol estava se pondo no horizonte.

- No que está pensando? — sussurrou Bruno vendo que eu estava perdida em meus devaneios.

- Aqui é tudo tão bonito e perfeito... — ela sorriu. — Como será nossa vida?

- Como?

- Ela terá uma rotina?

Bruno sorriu:

- Aquela rotina chata não... — ele me beijou de leve. — Odeio este tipo de rotina.

- E existe a rotina legal?

- Claro que existe... De levantar tarde depois de uma noite de amor com você... — apertou meu quadril. — E ir para o estúdio... Depois fazer algo legal, esperar a época dos shows.

- É mesmo. — sorri pensando melhor. — Então, sem rotina chata, promete?

- Claro que sim. — ele levantou o dedo mindinho. Eu ri. — Mas porque está pensando nisso?

- Sei lá... Penso que você possa se cansar de mim, ou que nós dois possamos nos cansar dessa vida... Eu não sei. — fui honesta.

- Nunca vou me cansar de nada disso. — ele disse sério. Depois abriu um sorriso que me tranquilizou.

- Eu também não... — sorri

Continuamos caminhando.

- Eu te amo... — disse gargalhando e beijando-o.

- Eu te amo mais... — retribui o beijo.

Andamos um pouco mais até eu sentir pontadas fortes na barriga.

Gritei alto de dor.

- MALU?! MALU! — disse Bruno desesperado me carregando.

- H-Hospital. — consegui dizer em meio aos ruídos intensos de dor.

Acabei desmaiando nos braços do Bruno.

Acordei com o bip ritmado do aparelho que media meus batimentos cardíacos.

Bruno estava sorrindo fortemente, com lágrimas, mas de alegria nos olhos.

- Bruno. — disse com a voz fraca.

- Meu amor... — ele disse me beijando, sem sequer parar de sorrir. Depois começou a rir feito bobo.

- Que é? Tá feliz que eu desmaiei? — disse um pouco irritada.

- Sim... — ele disse rindo.

- Ah, tô vendo seu amor por mim, você simplesmente me diz que...

- Você tá grávida... — ele sussurrou por entre a minha frase.

- ... Tá feliz de eu ter desmaiO QUÊ?! — disse só agora percebendo o que ele tinha dito... Ele cortou minha frase do nada e disse tão baixo....

- Você está grávida. — repetiu sorrindo.

Comecei a chorar de alegria e emoção, minhas mãos estavam trêmulas e eu não sabia o que fazer.

Sorri de ponta à ponta, e chorava mais do que nunca.

O abraço de Bruno reconfortou-me e acalmou meus soluços.

Notas finais
@looh_reis
xoxo