The Orphan: Endless Love
28 Capítulo 28 – What’s Wrong With Me?
Notas iniciais
WHAT’S WRONG WITH ME? | O que tem de errado comigo?
— Março de 2000 —
— Você... tem certeza?
— É claro que tenho James, lembre-se que já passei por isso três vezes. – ironizou Vyola encarando Violet pela janela de seu quarto. – Ela está mais cansada ultimamente, reclamou de dor nas costas essa semana e come como se tivesse passado fome a vida inteira!
— Ela pode estar doente...
— Se por doente significa grávida, ohhh sim, com certeza ela está. – sorriu. – Você não percebeu que ela começou a usar roupas mais largas? Sem contar que o humor está bem complicado...
— Bem, eu não vou discutir isso com você... – riu dando-lhe um beijo antes de sair para o trabalho.
Vyola já estava de olho na nora há semanas quando percebeu as repentinas mudanças de Violet, tanto em seu corpo quanto em seu humor. E se suas suspeitas estivessem certas, aquela seria a melhor notícia que poderia receber em anos. Um neto! Ahhhh, como Vyola queria um neto...
Naquela tarde, entretanto, viu que algo estava errado... Maya, uma cadela elétrica e sem um botão de desligar, estava quieta num dos cantos do jardim, e não ousou se aproximar de Violet um minuto sequer, aparentemente com medo. Violet, por sua vez, passou a manhã lendo um livro... mas parecia tão ausente quanto um objeto sem vida.
Violet era um ser de luz, uma mulher animada, sempre em movimento, cantarolando... E naquele momento, a morena estava podando as rosas do jardim... sem movimentos bruscos, sem cantarolar... e com uma expressão extremamente carregada e fechada, o que deixou Vyola extremamente preocupada.
— Hey, você está bem, querida? – perguntou, não obtendo resposta. – Violet?
— O que? – respondeu segundos depois, ainda sem prestar atenção na sogra.
— Você está bem?
— Por que a pergunta? – perguntou calmamente.
— Você parece... distante. O dia todo, na verdade.
— Você esteve me observando o dia todo, Vyola? – perguntou grosseiramente, virando-se para encará-la.
E então Vyola viu dois olhos escuros... tão enegrecidos e profundos quanto uma noite de tempestade. Seu olhar era duro, mas também perdido, e isso a assustou terrivelmente, pois nunca havia visto qualquer outra cor que não fosse a dos olhos safira brilhantes. Isso só poderia significar uma coisa, pensou Vyola, que ela não sabia o que fazer.
A mais velha tentou disfarçar, mas também conhecia a fama da nora no quesito magia negra e não poderia negar: por mais que acreditasse que Violet não lhe faria mal, o medo que sentia era palpável... e a mais nova percebeu.
— Está com medo, Vyola? – perguntou com um sorriso atrevido.
— Não, é claro que não. Só... preocupada. – tentou – Eu preciso entrar, te vejo mais tarde, sim?
Não houve tempo para mais conversa, visto que Vyola apressou os passos e entrou rapidamente em sua casa, trancando a porta de vidro no processo. Ela não poderia dar conta daquilo sozinha, é claro! E só conhecia uma pessoa que poderia ajudá-la e, ao mesmo tempo, controlar Violet, caso ela realmente estivesse fora de si: Eileen.
Com a evolução do mundo trouxa, Vyola deu graças à Merlin que existissem aparelhos telefônicos agora, mais rápidos e práticos que mandar um Patrono à longa distância. Após discar os números, esperou ansiosa até ouvir Estevan atender... e passar para a esposa.
— Vyola?
— Preciso de você aqui. – começou a Krum com a voz ligeiramente embargada, o que preocupou Eileen. – Aconteceu alguma coisa, a Violet não está nada bem...
— O que aconteceu?
— Ela... – começou, mas nesse exato momento Vyola viu sua porta de vidro reforçado cair aos cacos no chão de sua sala, o que a levou a um grito assustado. – Agora!
Por Merlin, Violet havia derrubado uma porta de vidro, um dos melhores materiais da Bulgária, reforçado com feitiços protetores, com as mãos! Ver a nora com o olhar perdido já era horrível, mas vê-la passar pela porta com as mãos sangrando... Merlin, aquilo era mil vezes pior.
— Violet! – exclamou ao perceber que a mulher pisou nos cacos para entrar na casa, e não demonstrou qualquer sinal de dor. – Oh Merlin, Violet, você está bem? Está sentindo dor? – perguntou aproximando-se lentamente, preocupada. – Violet?
— Eu... como? – respondeu a mais nova com o olhar perdido, como se estivesse completamente fora de foco. Sua voz, entretanto, estava mais calma do que nunca.
— Sente-se aqui querida... eu vou cuidar de você. – ofereceu, porém, seu medo era maior que a preocupação. Violet estava com as mãos sangrando, os pés também, e isso parecia significar nada!
Segurando seu braço nas mãos, Vyola recitou feitiços de cura até fechar os ferimentos nas mãos e pés da nora, mas seu rosto continuava impassível, sem reações.
— Onde está a minha mãe? Ela já vem me buscar? – perguntou Violet subitamente, a voz estranhamente infantil. Para o desespero de Vyola.
— Ela... o quê? – repetiu, não acreditando no que estava acontecendo.
— Quem é você? O que você fez com a minha mãe?! – exclamou assustada.
— Eu não... Violet, sou eu, Vyola... Vyola Krum...
— Não, eu não te conheço! Que lugar é esse?!
Violet então assumiu uma postura de ataque, irritada por estar num lugar que não conhecia, com uma pessoa ainda mais desconhecida que o lugar. Vyola, por outro lado, mesmo ouvindo um estrondo no portão principal – e assumindo que Eileen finalmente tivesse aparecido –, não sabia o que fazer, estava desesperada e já não conseguia segurar as lágrimas.
— Violet, por favor... eu...
— Não!— exclamou, e com isso quase tudo que era de vidro, dentro do cômodo, explodiu.
— Mas o que...— começou Eileen ao entrar e perceber o ambiente ao seu redor.
Cacos de vidro com sangue no chão, Vyola sentada no sofá, chorando, Violet em pé, coisas destruídas... e olhos negros.
— Violet?
— E você, quem é? – perguntou na defensiva.
— Eu vim te buscar querida, sua mãe... me pediu.
— Minha mãe? Ela... está bem?
— É claro! – sorriu, aproximando-se. – Ela precisou ir falar com a tia Cissa, e pediu que eu viesse te buscar... Tudo bem?
— Eu... acho que sim... – sussurrou, porém, esse minuto de distração foi o suficiente para que Eileen aproveitasse e a estuporasse.
— Você vai ficar bem. – disse com a neta desmaiada nos braços. – Vyola?
— Eu... Merlin, o que está acontecendo?
— Primeiro vamos ao hospital, mas eu tenho minhas dúvidas.
Estevan então segurou a garota no colo e, acompanhado das outras duas mulheres, aparatou para o St. Mungus, onde encontrou Robert e Alessa conversando.
— Violet?
— O que aconteceu?
— Descontrole de magia, Tupper. – respondeu Eileen enquanto Estevan se dirigia a um dos quartos indicados por Robert. – Vyola?
— Ela... ela... – começou e, no segundo seguinte, despejou tudo que aconteceu, nos mínimos e preocupantes detalhes.
— Aconteceu de novo então... ela voltou pra infância. – concluiu Alessa e, quando os demais não entenderam, continuou. – Quando fugimos para encontrar as Horcruxes, depois que ela tomou aquela poção e se conectou com Voldemort, ela teve momentos de descontrole emocional... mas era porque estava inebriada de sede do poder que as horcruxes ofereciam, então esse vazio era preenchido por alguma lembrança de uma época plena e feliz... a infância. Por isso ela começava a falar de quando era criança, da mãe... uma espécie de fuga.
— Mas dessa vez não existem Horcruxes.
— O que significa que o problema é outro. Vyola comentou que ela está estranha há alguns dias, quieta, perdida... – comentou Eileen desconfiada, erguendo as mãos e fazendo um feitiço simples, que logo denunciou o que estava acontecendo. – Oh Merlin... Ela está...
— Acordada. – interrompeu Robert, apontando para a morena, que se remexia na cama.
— Bom dia Violet... – começou Alessa aproximando-se, tentando fazer o que Mary havia feito da última vez que aquilo aconteceu. – Como está se sentindo?
— Confusa... que lugar é esse?
— Você está no hospital querida, parece que se machucou hoje...
— Você é médica?
— Não, só uma amiga. – sorriu.
— Amiga? Mas eu não te conheço...
— Alessa Chambers. – apresentou-se sorrindo, aquele era um passo importante, certo? Violet não a estava ignorando e muito menos parecia desconfiada.
— Violet Prince. – respondeu, o que confirmou todas as suspeitas da ruiva, para a surpresa dos demais e, principalmente, de Robert. Violet havia retornado para a infância. – Sabe, a mamãe fala que eu não devo conversar com estranhos, mas você parece ser legal...
— E agora não somos mais estranhos, certo? – completou amigavelmente. – Então, como foi o seu dia?
— Eu... não sei...
— Então vamos jogar um jogo, qual a última coisa que você lembra?
— Rosas vermelhas. Eu estava num jardim tão bonito! – avisou com um brilho passando por seus olhos, e Alessa percebeu. Estava no caminho certo!
— Por isso você se machucou? Os espinhos?
— Acho que sim... mas não está doendo.
— Alguém te curou, então...
— Talvez...
— Foi a sua mãe? – perguntou calmamente, ignorando a surpresa dos demais.
— Não...?
— Violet?
— Eu...— começou, porém, um arrepio percorreu sua espinha e sua mente pareceu finalmente se abrir. Um brilho estranho de reconhecimento preencheu seu olhar, embora ainda estivesse negro.
— Violet?
— Ally...— disse chorosa, finalmente voltando a si e puxando Alessa, que suspirou aliviada, para um abraço. – Oh meu Deus, o que tem de errado comigo?
— Você está grávida. – anunciou Eileen.
***
Descobrir que estava grávida foi um enorme choque para violet, que implorou para que ninguém contasse para Vitor e a família, ela precisava pensar sobre a situação primeiro. Merlin, ela estava desesperada!
Eileen e Ravenna a haviam precavido sobre isso, haviam dito das complicações que poderiam acontecer, de todos os problemas que passaria... e seu histórico de descontrole com magia era extremamente extenso! Mesmo que viesse um menino, e ela estava ansiosa para descobrir, o medo ainda era um fator importante.
Violet pediu desculpas por todo o estrago que havia feito na casa da sogra, e Vyola garantiu que não tinha problema... mas ela sabia que era apenas um jeito de manter a mais nova tranquila. Violet jurara a si mesma, anos atrás, que nunca mais iria causar medo em sua própria família. Mas então... ficava sonhando com o brilho assustado que provocara em Vyola mais cedo.
Para a sua sorte, James e Vitor estavam em outro país resolvendo os últimos detalhes antes de o mais novo assumir definitivamente a diretoria de Durmstrang, então só voltariam para casa em uma semana. E esse tempo foi o suficiente para que a garota se recuperasse, no hospital, para em seguida passar alguns dias com a avó, em Florença.
Por incrível que pareça, ninguém da família ficou sabendo do ocorrido.
Passado o choque, Violet se consultou com Olívia, que assumiria os cuidados de sua gravidez dali em diante. No mesmo dia que Vitor voltou, Violet descobriu que estava grávida de 3 meses... de um menino.
— Graças à Merlin! – exclamou Eileen naquela tarde, quando Violet avisou as tias. – Você deu sorte, não teste isso uma segunda vez, certo?
— Mais alguém da família sabe?
— Vyola, mas só sobre a gravidez.
— E quando vai avisar todo mundo? Vitor, principalmente? – perguntou Goethe.
— Na verdade... eu tive uma ideia essa semana. – sorriu travessa.
***
— Como se sente?
— Nervoso. – respondeu Vitor minutos antes do início do jogo.
— Você vai se sair bem... tenho certeza que esse jogo vai entrar para a história! – sorriu abraçando-o.
— Só espero que seja no bom sentido. – riu.
Violet havia preparado aquela surpresa há alguns dias já, e Draco ficou extremamente satisfeito por ajuda-la. Havia passado pouco menos de 2 semanas desde que soube que esperava um menino, e desde então seu principal objetivo era dar a notícia à Vitor da maneira mais criativa e emocionante possível!
Tudo estava certo para o búlgaro assumir a diretoria de Durmstrang, só faltava um detalhe: seu último jogo oficial antes de encerrar a carreira de Jogador de Quadribol profissional. E por ser um dos maiores e mais importantes jogadores, a liga internacional preparou uma série de depoimentos, que seriam transmitidos antes do jogo no telão principal do estádio, onde todos os jogadores e treinadores deixariam sua mensagem. Porém, todos os espectadores olharam, surpresos, quando Violet Krum e Draco Malfoy apareceram, lado a lado, entre as mensagens.
Inicialmente pensaram que seria apenas mais uma mensagem da esposa orgulhosa, que se gabaria por ter Vitor Krum disponível apenas para si mesma... e o começo da mensagem realmente seguiu essa linha, entre gargalhadas e brincadeiras. Entretanto, a presença de Draco Malfoy ainda era uma surpresa quando ele começou a imitar a irmã e...
— Estou grávida!— anunciou Draco com um sorriso enorme antes de o telão apagar, mas não foi para ele que Vitor olhou quando desviou do telão, mas sim para sua esposa, que sorria radiante, lágrimas nos olhos.
Foi instantâneo, toda a plateia entrou em frenesi, Saoirse colocou a mão na boca de surpresa e Vitor subiu de vassoura até o lugar em que a família estava, deixando o “transporte” de qualquer jeito no chão e correndo alguns degraus até Violet, que o esperava ansiosa.
— Draco... digo, você... Violet?
— Você vai ser pai, Vitor. – confessou, as lágrimas correndo livremente.
Segundos depois, quando a ficha finalmente caiu, Vitor abriu o maior dos sorrisos, levantou-se e ergueu Violet num abraço forte e caloroso.
— Merlin...— sussurrou em seu pescoço antes de encará-la. – Você me fez o homem mais feliz do mundo nesse exato momento... Merlin, Violet, eu amo você, vocês! – e então beijou-a. Nenhum dos dois se importou com os gritos e uivos da plateia, o que incluía uma enérgica Saoirse, concentraram-se apenas nos dois corpos, que emanavam felicidade.
— Eu vou ser tia! David, vamos ser tios! – exclamou antes de abraçar o irmão, que começou a rir.
— Também amo você... – respondeu Violet em seguida, finalizando o beijo com um forte abraço. – Mas agora é melhor você descer e vencer esse jogo.
— Às suas ordens. – sorriu, beijando sua bochecha novamente antes de se afastar, incrédulo.
Vitor carregava uma felicidade imensa no peito e, naquela noite, o time búlgaro venceu e Vitor Krum levou o troféu para casa. Quando o jantar, à noite, reuniu toda a família Krum, Prince e amigos, Vitor resolveu devolver a brincadeira.
— Eu gostaria de oferecer um brinde, agora, à pessoa que me fez o homem mais feliz da história! – começou, em pé, com a taça de champanhe na mão. – À Draco Malfoy, a mãe do meu filho! – anunciou, erguendo uma onda de risadas pela sala de jantar até que Draco levantou-se e se aproximou de Vitor, sorrindo.
— Ahhhhh meu querido! Vamos ter um filho maravilhoso! Seus olhos, minha beleza... – garantiu o loiro puxando-o para um abraço. – Seremos os melhores pais do mundo, meu chocolate quente com hortelã...
— Chocolate quente com hortelã? – repetiu ele, rindo.
— Ah, dá um tempo, eu não sabia o que dizer. – rebateu antes de voltar ao seu lugar.
Violet estava plena, completamente e irreversivelmente feliz! Por aquela noite, decidiu não pensar em tudo de ruim que poderia acontecer durante a gravidez, mas na incrível perspectiva de ter uma criança em seu ventre, um menino que nasceria em 6 meses e traria ainda mais felicidade para sua vida.
— Você realmente adora me surpreender, não é pequena? – perguntou Vitor, já no quarto, depois que a família tinha ido embora e, segundo Saoirse, dado uma pequena porcentagem dos abraços que os dois ganhariam pelo resto da vida. – Podia fazer qualquer coisa, mas resolveu falar no meu último jogo, na frente de milhares de pessoas, e me deixar sem saber o que fazer... – riu fazendo cócegas na mulher, que contorceu-se de dar risada. – Quase enfartei quando ouvi que o Draco ia ter um filho meu...
— Ohh, eu vi, foi ótimo! – gargalhou, o som de sua risada preenchendo Vitor de um jeito que apenas ela conseguia.
Vitor assumiu a direção de Durmstrang ainda no final daquele mês, após um longo período de descanso e tranquilidade. Violet havia lhe contado sobre todos os riscos e problemas que aquela gravidez traria... e embora tenha ficado imensamente preocupado e, por um segundo, sentindo-se culpado, a morena o convenceu de que, juntos, passariam por aquilo.
Foi decidido, então, que ele trabalharia apenas durante a semana, mas à noite e nos finais de semana ficaria em casa com ela, até que, quando completasse oito meses, ele tiraria férias de Durmstrang e passaria um bom tempo com sua família.
Ainda naquele mês, a primeira da nova geração de Weasley’s nasceu: Victorie Delacour Weasley, e segurá-la foi uma emoção sem tamanho para Violet, que já estava fragilizada pela gravidez. Porém, não foi apenas emoção, mas mudanças de humor repentinas e frequentes começaram a assolar a garota, que por motivos pequenos e, às vezes, idiotas, perdia a calma e o controle de sua magia, o que preocupou os demais.
— Nós estávamos pensando e... querida, não seria melhor ter alguém com você que soubesse exatamente o que fazer, em qualquer situação, durante a gravidez? – perguntou Eileen. – Digo, Vitor pode até ficar todas as noites e finais de semana, e Vyola não se afastar durante o dia... mas nenhum deles sabe o que fazer caso você se descontrole.
— Eu sei me cuidar vó... E estou bem melhor.
— Ahh, está? Já esqueceu da última vez, que perdeu o controle e, além de deixar Vyola em choque, destruiu o portão principal e a porta de vidro da casa dela? – ironizou Ravenna.
— Aquilo foi... tá, okay, eu admito... mas...
— Mas nada. – cortou Eileen.
— Olha, eu sei que você não gosta disso, mas sua gravidez não é como qualquer outra... e tem 3 mulheres aqui que já passaram por isso, mocinha. E que fique claro que eu não sou nenhuma delas. – pediu Estevan, finalmente arrancando um sorriso da neta.
— Certo... quem vai morar comigo então?
— Estevan.
— Espera, quando você falou das “três mulheres que já passaram por isso” eu pensei que uma delas ia comigo... e você não é nenhuma delas, sem ofensas vô.
— Eileen não pode simplesmente largar Hogwarts, Ravenna está em Azkaban e Abigail tem duas filhas para cuidar, fora que não sabe controlar a própria magia ainda. – explicou Goethe. – E eu tenho meu trabalho. Estevan é o desocupado da história, ele vai.
— Obrigado pelo desocupado cunhadinha. – piscou ele. – Mas eu vou, e sem discussão. E agora estou numa fase de pesquisa, posso fazer isso na Bulgária também... e já vou avisando que não vou ficar no sofá.
Por mais que Violet não quisesse admitir, ela sentia, a cada dia que passava, que suas emoções ficavam mais instáveis e imprevisíveis. Ela precisava mesmo de ajuda, e no fim acabou aceitando a sugestão. No fim daquela mesma semana, Estevan mudou-se para a mansão dos Krum e tomou um dos quartos de hóspedes.
Vitor ficou extremamente aliviado com a ajuda extra e, por pressão de Violet, acabou aceitando passar uma ou duas noites por semana em Durmstrang, para realmente descansar.
No mês seguinte, Narcissa finalmente foi solta de Azkaban, e Draco, mais que feliz, foi recebe-la. Não demorou para que a loira se reestabelecesse e, como sugeriu Raven, a diretora de Azkaban, Cissa se consultou com um terapeuta por algumas semanas. Muito em breve ganhou a guarda da filha novamente e, com o tempo, reassumiu os negócios da família Malfoy, sempre com Violet ao seu lado. Sophie, também, ajudou-a bastante.
Ela e Draco já estavam de casamento marcado, o que foi ainda mais decisivo para que, quando Sophie começou a trabalhar no St. Mungus como estagiária, Narcissa levasse um pacote de biscoitos, e Lizzie, para a loira no fim do expediente, as três estavam se aproximando cada vez mais, e Draco adorava saber que as mulheres de sua vida eram tão unidas.
Quando Junho chegou, a vida dos Black ficou mais agitada quando, durante a madrugada, Olívia foi para o hospital e Régulus acordou a família toda com a notícia de que Alioth Black havia nascido.
Violet estava com 6 gloriosos meses, e ainda mais temperamental. Em 80% do tempo, a garota se preocupava em ler, estudar e dormir, mas nem mesmo tarefas calmas como essas eram suficientes para deixa-la em paz. Violet estava irritadiça, e apensar de estar esperando um menino, Eileen garantiu que, conforme se aproximasse do nascimento, ela iria estourar e, provavelmente, destruir algumas coisas, irritada pela dor e incapacidade.
Durante a madrugada, desejos estranhos a acordavam e, por consequência, acordavam Vitor também, que acabava na cozinha preparando macarrão com molho de melancia, por exemplo. Vitor estava cansado, muito! Mas também sorria de felicidade ao imaginar um garotinho forte e saudável chama-lo de pai no próximo ano e, secretamente, pensava em como seria se, ao invés de um menino, uma mocinha com os olhos azuis o abraçasse antes de se formar na escola. Eles já haviam escolhido o nome, e decidiram que, quando chegasse a hora, o filho é que escolheria se ira para Hogwarts ou Durmstrang, e ficariam felizes com ambas as escolhas.
Quando Violet finalmente surtou e quebrou alguns vasos e quadros, Estevan estava lá para impedi-la e, no fim, abraça-la. Ele soube exatamente o que fazer e, no tempo livre, os dois conversavam sobre assuntos diversos... desde magia até o porquê de existirem joaninhas nas rosas do jardim. Violet e Estevan desenvolveram um vínculo paterno forte com a proximidade, e isso fez bem para os dois. Ela sentia falta do pai, e Estevan lembrava um pouco a Severo, muito pouco, mas o suficiente para fazê-la se sentir bem.
Moody a visitava com frequência, e muitas vezes Minerva ia junto e faziam algum tipo de passeio no jardim, seguido por uma pausa para o café, quando trocavam lembranças e, surpreendentemente, assuntos engraçados demais para um velho ex-auror.
Os amigos não ficaram de fora, é claro! Draco e Harry sempre apareciam, felizes com a vinda do sobrinho e ansiosos para ensiná-lo a jogar quadribol e, segundo Draco, a conquistar as garotas.
— Não ouse transformar meu filho num galã sem vergonha, Draco Malfoy! – reclamou ela quando o loiro contou a pretensão.
Vez ou outra, todos da turma de Hogwarts se reuniam para conversar, e eram naqueles momentos em que Violet ficava ainda mais satisfeita por ver Grifinória, Sonserina e Corvinal conviver em paz, sem ódio ou rancor... e foi numa dessas reuniões que Hermione anunciou que estava namorando com Rolf Scamader.
A notícia pegou Violet de surpresa, já que ela sempre achou que a castanha iria terminar com Rony, mas ao ver os dois se abraçarem e o ruivo parabeniza-la, percebeu que tudo não passava de amor fraternal... talvez tivesse alguma coisa no passado, mas, quando finalmente viu Mione e Rolf juntos, e Ron por perto, concordou que era, realmente, passado.
Mas a notícia mais preocupante chegou ao fim de julho, quando Ellinor, prestes a ingressar para seu primeiro ano em Hogwarts, apresentou os primeiros sinais de Magia Negra. Abigail ficou extremamente preocupada pela filha começar a usar essa magia em um lugar tão longe... mas Eileen, porém, garantiu-lhe que tudo ficaria bem, pois ela cuidaria, pessoalmente, de ajudar e ensinar a sobrinha-neta a controlar sua magia. E Violet havia passado por aquilo na própria infância também, concordando que ter alguém por perto em Hogwarts era de grande e extrema ajuda.
Amber tinha apenas 9 anos no momento, mas passava muito tempo ao lado da irmã... e pela convivência e curiosidade, acabou mostrando a própria Magia Negra também. Entretanto, com a caçula seria mais fácil, afinal, Raven prometeu que a ajudaria sempre que precisasse, e Abby também. Era a chance que Ravenna precisava para se aproximar realmente da neta.
Quando setembro chegou, Ellinor embarcou, entusiasmada, no Expresso de Hogwarts e, para a surpresa de todos, foi selecionada para a Lufa-Lufa, e Raven não escondeu sua surpresa.
— Ninguém da nossa família foi para outra casa que não fosse Sonserina... tem certeza de que ela é a sua filha?
— Para tudo tem uma primeira vez, não? – rebateu Abigail rindo, com a carta de sua filha em mãos.
— Isso é uma prova de que aquele chapéu velho já deveria estar aposentado.
— Ah, por favor.... Muitas pessoas da família do Niels eram da Lufa-Lufa e Corvinal.
— Que ótimo...
— Espero que quando ela vier para o feriado você não fale nada disso... okay?
— Mas...
— Mãe!
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