The Orphan: Endless Love

27 Capítulo 27 - The Same Smile


O mesmo sorriso

— Então... você é minha madrinha... e tia. – concluiu Abigail, quase sem acreditar naquela história toda. Era surreal! – E como você conseguiu fazer isso? – perguntou incrédula, os olhos azuis transbordando em lágrimas. – Eu... Deus, você mentiu pra mim o tempo todo... minha própria tia!

— Ah, por Merlin, qual o problema de vocês duas? – reclamou, referindo-se ao fato de que Raven e Abigail não lidaram bem com o notícia e usaram os mesmos argumentos. – Você preferia estar morta?!

— Não, eu preferia saber que minha madrinha era minha tia, e que minha mãe está viva!

— Isso, me odeie. Minha irmã fez isso e eu já superei, então vá em frente, é você quem está perdendo. Ah, e você deveria falar com ela... Raven não sabe que ia te contar hoje. – concluiu irritada, recolhendo sua bolsa e saindo pela porta. Abigail não sabia o que fazer.

Ela sempre soube que era adotada e que a madrinha conhecia seus pais... e sempre pediu para que ela contasse a verdade. Na verdade, esse era o seu grande e maior sonho, conhecer os verdadeiros pais.

Mas agora que sabia a verdade, se perguntava se tinha sido uma boa ideia...

Conversar com Niels, George ou Catherine era o que precisava naquele momento, esclarecer as coisas e pensar direito antes de tomar qualquer decisão precipitada. Assim, desceu as escadas do quarto em direção à saída, mas o destino parecia ser um piadista, pois nesse exato momento Ravenna entrou na casa, com alguns livros nas mãos.

— Oh...— surpreendeu-se Raven, que percebeu ser observada furtivamente pela filha. – Eu... não sabia que tinha visitas. Procurando por alguém?

— Não, eu... já estava de saída. – respondeu.

Sua mãe tinha a mesma idade que ela... e Merlin! Era uma mulher linda. Imediatamente reconheceu seus olhos nos dela, e a expressão em seu rosto lembrava muito a sua própria quando repreendia suas filhas. Mas Raven não parecia o tipo maternal... e Abby não sabia se conseguiria lidar com aquilo tão cedo.

— Claro. – concordou Raven, abrindo espaço para que Abigail passasse, o coração apertado e apreensivo.

Quando aquilo iria acabar? Ravenna pensou que estava livre de problemas, mas aquilo... aquilo definitivamente era um problema. Willian era um homem maravilhoso e extremamente gentil, mas também sabia ser cabeça dura, e pelo que ouviu das irmãs... Abigail havia puxado isso dele.

E ela estava certa, Abby realmente era cabeça dura e teimosa, e aquele assunto estava corroendo-a por dentro, então conversar com Catherine foi realmente um alívio para Abby, Cath a entendia muito bem e conseguiu dar bons conselhos... mas mesmo assim, não sabia como lidar com a situação de ter uma mãe da mesma idade. Sua sugestão, então, foi Abigail conversar com Violet, que tivera uma experiência semelhante, afinal, os avós tinham a idade para serem seus pais.

Violet ficou surpresa com o convite quando Catherine a avisou, mas também sentiu-se satisfeita e esperançosa, se Abby queria conversar sobre o assunto, significava que estava aberta para, quem sabe, aceitar se integrar à família Prince. Por fim, concordaram em se encontrar num restaurante trouxa, perto, coincidentemente, da casa dos Prince.

— Quando Eileen voltou... bem, eu não estava num bom momento, a guerra tinha acabado e eu estava no hospital, destruída emocionalmente, à beira de um colapso. – confessou Violet entre uma xícara e outra de chocolate quente. – Foi tão difícil... meu pai tinha morrido e então, de repente, minha avó estava viva! E se não fosse o bastante, éramos idênticas.

— Isso realmente... desculpe, mas quando te vi pela primeira vez, por um momento realmente achei que fosse ela.

— Sim, todo mundo diz isso... – riu. – Mas então, ela me disse sobre ter tido um caso antes do casamento, que meu pai era sangue-puro e meu avô estava vivo.

— Deve ter sido um choque...

— Oh sim, descobrir que meus avós estavam vivos e tinham a idade para serem meus pais foi... inacreditável. – admitiu. – Mas sabe que... minha vida toda, enquanto estava no Orfanato e depois no Instituto, eu ficava imaginando quem era a minha família. Digo, eu tinha uma mãe, tia e primo, mas eu sabia que uma família também tinha irmãos, avós, pai, talvez mais tios... eu queria uma família grande. E então descobri meu pai, meu irmão e muitos primos e tias. – sorriu. – Perdi uma parte deles, mas também ganhei outros. Eileen e Estevan eram sim absurdamente jovens para serem meus avós, mas com o tempo eu acabei me acostumando. Eles não gostam de serem chamados assim em público e sei que veem em mim o meu pai, e eu vejo neles, em cada mania estranha ou sermão, meu pai. Nós... estamos recuperando o tempo perdido, digamos assim. Acho que a parte mais importante é... aceitar.

— Você foi honesta, então te devo isso também... – suspirou. – Desde que eu me lembro, Eileen era a minha madrinha, e todos nós sabíamos que eu era adotada. Ela me falava dos meus pais biológicos, que minha mãe era uma mulher bonita, com olhos iguais aos meus e de gênio forte, que estava com alguns problemas e não era seguro ficarmos juntas. Eu criei na minha cabeça a imagem de uma mulher bonita, jovem na época, doce, que faria o jantar e me daria um pedaço de bolo antes de me colocar para dormir, cantaria pra mim e daria um beijo de boa noite. – confessou suspirando. – Eu sei que não deveria dizer isso, mas... ela... não se parece em nada com essa imagem. Desde a festa no Ministério eu pesquisei sobre as Prince em todos os lugares em que se possa imaginar, e Ravenna Prince não parece em nada com uma... mãe. Digo... ahhhh, é confuso! Minha mãe deveria ter, hoje, mais de sessenta anos! Um cabelo branco fofinho, olhos doces e um sorriso gentil... mas...

— Mas a tia Raven tem 46 anos, é jovem, cabelos negros, olhos duros e sem sorrisos. – completou Violet.

— É... ela não... não... não sei, não sei o que fazer.

— Sabe, por um longo tempo eu não tinha memórias da minha infância, então pensava que tinha sido criada num Internato qualquer, que uma tia distante vinha para garantir que estava bem e depois ia embora.

Violet então resolveu contar toda a sua história, sobre Lillian, o Orfanato, a “tia Bella”, seu histórico com Magia Negra e a descoberta de Bella ser Bellatrix Lestrange, uma das mais famosas e cruéis comensais de quem se tem notícia.

— Espera, então você foi, basicamente, abandonada por sua mãe, adotada por uma comensal e forçada a acreditar que não tinha um pai ou família? – resumiu, indignada e surpresa, sentindo-se pequena. O que era o seu problema perto do de Violet Krum?

— Por um bom tempo acreditei que sim, essa era a verdade. – disse, era a primeira vez, desde a Guerra, que falava sobre o próprio passado e tudo que aconteceu. E foi com alegria que percebeu que não doía como antes, apenas deixava um rastro de memórias e saudade. – Mas eu conheci meu pai, tivemos nossos problemas, é claro, mas nos entendemos. E então, um dia, caí numa armadilha de Voldemort durante o Torneio Tribruxo e...

A seguir, Violet contou, o mais resumidamente possível, sobre a profecia da Escolhida e tudo que aconteceu no Torneio Tribruxo, principalmente a cena de Bellatrix antes que ela fugisse do cemitério para voltar a Hogwarts.

— Aquela atitude me fez questionar tudo... eu estava emocionalmente vulnerável, mas sabia que faltava informação sobre o meu passado, não podia ser só aquilo. – confessou. – Quase um ano depois, Dumbledore me deu uma missão e eu voltei no tempo para o ano em que meus pais estavam na escola...

Não foi fácil para Abigail acompanhar o raciocínio, já que, para que Violet conseguisse chegar à viagem no tempo, teria que explicar sobre as Horcruxes. Minutos depois, quando finalmente Abby entendeu tudo que aconteceu, Violet voltou para o assunto “mãe”.

— Foi aí que eu realmente conheci Bellatrix Black, a mulher que me criou. E era tão diferente do que me lembrava! A Bellatrix do passado, que nunca havia me visto, aceitou o fato de eu ser sua filha adotiva no futuro e... me amou. Por muito tempo eu me perguntei o que havia acontecido com a mulher fria, cruel e insensível do futuro, porque a que estava à minha frente era calma, educada e nem um pouco cruel ou insensível, só tinha gênio forte e uma tendência ao sarcasmo. – riu com a lembrança, saudosa. – Com o tempo, fui lembrando de pequenos fragmentos da minha infância, e esse tempo que passamos juntas... Nós criamos um vínculo forte, e isso me lembrou do quanto me fazia falta ter uma mãe, a minha mãe. E mesmo sabendo de tudo de ruim que ela já fez, e acho que conhece a fama da Comensal Lestrange, tudo que eu pensava era que, se não fosse Voldemort, poderíamos ser uma família. – sorriu. – Bellatrix foi sim uma comensal cruel, com olhos duros e, na maior parte das vezes, uma mulher fechada, irônica e sarcástica. Mas foi ela que me criou, e por incrível que pareça, ela tinha um olhar doce e sorriso gentil, me colocava para dormir com histórias de animais fantásticos e um beijo de boa noite... – disse, fazendo uma alusão às mesmas palavras que Abby usou antes. – E independente de qualquer coisa, eu a amo. Ela foi a minha mãe, e ninguém poderia ter sido melhor.

Abby já estava amolecendo com as palavras da “prima”, e só Merlin sabia o quanto ela estava dividida.

— Eu sei que a tia Raven é fechada, sarcástica, irônica e, muitas vezes, uma pessoa difícil... mas você não tem noção do quão boa ela é. – aconselhou. – Quando eu decidi aprender mais sobre minha magia e meus avós não estavam por perto, a Raven me ajudou... ela me explicou tudo que eu precisava e queria saber, e quando perguntei sobre ficar grávida, ela confiou em mim e contou um segredo que a atormentava por anos! Uma vez que ela confie em você, pode contar que ela vai fazer de tudo para te ajudar. Eu concordo que não é muito sociável e geralmente acaba soando grosseira... mas Ravenna Prince é uma pessoa maravilhosa, só precisa conquista-la. E algo me diz que você consegue fazer isso...

No caminho para casa, Abby não pode deixar de pensar em tudo que Violet dissera... Ravenna não tinha nada em comum com a imagem de mãe que ela havia idealizado, mas talvez... bem, talvez Violet estivesse certa. Raven tinha um olhar perdido quando se encontraram pela primeira vez, na festa do Ministério. E o jeito como a encarou... Merlin, era o olhar de uma pessoa profundamente ferida.

Abigail andou sem destino, mas parece que havia um destino, afinal... Minutos depois, quando se deu conta, estava em frente à casa dos Prince. Abby sempre acreditou em sinais, que nada acontecia por acaso, e estar alí só podia significar uma coisa... Violet estava certa.

Antes que Abby resolvesse desistir, Goethe atendeu a porta. A caçula das Prince não sabia que Hope tinha ido conversar com Eileen no dia anterior, então encontra-la alí, na porta de sua casa com a expressão confusa foi uma baita surpresa.

— Abigail!

— Goethe... posso entrar?

— Oh, claro, desculpa... eu... enfim, não importa. Vamos, entre! – disse abrindo um sorriso enorme, mesmo que Raven não quisesse manter contato, Goethe estava disposta a criar algum tipo de amizade, afinal, aquela era a sua sobrinha... e Merlin, ela estava ansiosa para ser tia. – Quer alguma coisa?

Abby estava ligeiramente confusa ainda, e embora soubesse que estava fazendo o certo, realizando seu maior sonho, ainda estava com medo e insegura. Como Ravenna iria reagir? Eileen tinha lhe dito que ela não sabia ainda, e também que Raven não queria atrapalhar sua vida... então, de certa forma, era Abby quem iria dar as boas notícias.

— Goethe, onde você colocou minha capa? – perguntou Ravenna, entrando no cômodo sem imaginar que Hope estava alí, mas estagnando assim que a viu. – Abigail...

E no momento em que Abby olhou para os olhos azuis escuros bem delineados, toda a sua insegurança foi para o ralo. Estava mais decidida do que nunca! Ela queria tentar... e faria de tudo para aquilo dar certo.

— Oi mãe...

Ravenna ficou sem palavras... Merlin, ela sabia e... estava chamando-a de mãe! seus olhos estavam em choque, e ficaram ainda mais quando Abigail rompeu a distância entre as duas e jogou-se em seus braços.

— Merlin...— sussurrou Goethe, com um sorriso radiante.

Raven ainda estava surpresa, mas a emoção que tomou conta de seu peito parecia explodir, sua filha estava lhe abraçando! Não demorou para que toda a pose de “durona” caísse por terra, seus braços logo rodearam Abby e fechou seus olhos.

Ambas estavam emocionadas e não sabiam o que dizer, apenas se abraçavam... com lágrimas rolando impetuosamente. Todas as lembranças de quando Hope era apenas um bebê voltaram em sua cabeça e atingiram-lhe sem piedade, flashes de quando ela e Willian encaravam a pequena criança dormir em seu berço enquanto pensavam num nome... Hope não tinha aberto os olhos ainda, e Will estava ansioso para provar sua teoria de que ela puxaria a Prince... e ficou estonteante quando, na manhã ensolarada do final de semana, a pequena Hope abriu seus olhos e mostrou todo o brilho das duas safiras polidas, sorrindo logo em seguida. “Ela tem seus olhos...”, dissera ele, completamente feliz e satisfeito, “Sim... mas o sorriso é o seu”.

— Minha menina...— sussurrou, rendendo-se ao sorriso que crescia em seu rosto.

Goethe não poderia estar mais feliz, aparentemente as coisas iam se ajeitar... então decidiu deixar as duas sozinhas, elas tinham muito o que conversar.

Eileen já havia contado tudo o que aconteceu e o que fez, mas Ravenna tinha muitos detalhes a acrescentar... a começar de Willian.

— Ele era um amigo do meu pai, puro sangue. Membro do Ministério Britânico trouxa. – falou. – Eu tinha acabado de completar 18, estava curiosa sobre os trouxas e um tanto irritada, minhas duas irmãs tinham se envolvido com eles e isso era um absurdo na nossa família. – confessou. – Então fui a um bar, um dos mais bem frequentados de Londres... e lá estava ele. Pela primeira vez conversamos sobre coisas que não envolviam meu pai ou a política... até o amanhecer. Foi a primeira vez que eu conheci o verdadeiro Willian, o homem por trás do político. E ele era encantador. – sorriu, e Abigail percebeu que Raven tinha muito carinho ao falar de Willian. – Nos tornamos amigos primeiro, nos entendíamos como ninguém conseguia... Ele era divertido, encantador, charmoso... e apesar de não querer se envolver comigo por causa da idade, com o tempo acabou acontecendo.

Abigail parecia sonhar acordada com a história que a mãe lhe dizia. Era como ouvir uma história aos moldes de Romeu e Julieta, e apesar de não ter perguntado, tinha certeza de que Ravenna sentia algo forte por Willian, o que a deixou nas nuvens... saber que tinha sido gerada por duas pessoas que se gostavam era, de certa forma, maravilhoso.

Raven então contou exatamente o que aconteceu quando descobriu a gravidez, o medo... e o modo como Willian a abraçou quando soube. Durante os próximos meses, Ravenna tinha ido morar com ele e, pelo que Abigail percebeu, aquele tinha sido um dos melhores períodos da vida de sua mãe.

— Seu pai ficou tão feliz... – sorriu. – Ele levantava todas as noite para ver se você estava bem, te dava leite e adorava brincar com você no tapete... E, Merlin, você não faz ideia do quanto vocês eram ligados. Willian costumava te carregar no colo por toda a casa, mostrava seus livros, o jardim... Acho que isso me deixou mais tranquila, quando tive que ir. Saber que ele cuidaria tão bem de você, te daria tudo... Willian era um homem maravilhoso, e um pai incrível.

— Eu não... eu não tenho nenhuma lembrança dele. – admitiu cabisbaixa. – Eu sempre soube que era adotada, e Eileen falava de vocês dois, mas eu nunca... eu nunca lembrei realmente, do rosto de vocês.

— Eu sinto muito... por tudo.

— Vocês... se amaram?

— Ohhh... no início? – começou, cuidadosa, ainda confusa sobre o que realmente sentia por Willian. – Não, definitivamente não. Era apenas atração e... de certa forma, curiosidade pelo proibido.

— Mas?

— Mas, Willian era charmoso demais, tentador demais e... bom demais. – confessou, fechando os olhos. – Nos tornamos bons amigos, ele entendia exatamente o que eu sentia, e eu dava a ele a aventura e a... paixão, que ele sempre quis. Éramos... Merlin, éramos perfeitos um para o outro. – confessou. – Por um tempo fomos “amigos com benefícios”, mas eu seria hipócrita se dissesse que isso não mudou. Digo... nós moramos juntos por pouco mais de 1 ano, em seus primeiros meses de vida dormimos no mesmo quarto para cuidar de você, mas mesmo depois que não precisava mais disso, nós não voltamos a dormir separados.

— A cada dia, ele fazia alguma coisa que me deixava encantada, um gesto qualquer... um sorriso. – sorriu encarando o vazio, viajando por suas memórias. – Ele sempre me acordava com um beijo, e sempre piscava quando me encarava do outro lado da sala, enquanto você brincava no tapete. Nós nunca chegamos a falar nada, mas o jeito que ele me olhava... era como se eu estivesse em um pedestal, e eu nunca entendi isso.

— Ele te amava, então?

— Acho que sim... – admitiu. – E eu acho que, sem perceber...

Raven então lembrou de tudo que passou com Willian, do jeito que ele a olhava, o quanto ela adorava vê-lo brincar com o bebê ou mesmo acariciar sua barriga durante a gestação. De como ela se sentiu antes de ir embora, do abraço que trocaram e das lágrimas que ela segurou até estar longe o suficiente para que ele não percebesse. Porque ela tinha certeza de que, se ele a visse chorar antes de partir, ela nunca conseguiria ir.

— ...eu me apaixonei por Willian Bürckle. – confessou, pela primeira vez em sua vida, em alto e bom som. – E eu nunca falei isso para ele.

Abigail parecia sentir a dor que a mãe demonstrava, e isso a deixou horrível. Ao puxa-la para um abraço, percebeu que estava certa. A história de Willian Bürckle e Ravenna Prince era uma tragédia digna de Scheakspeare.

— Ele dizia que você tinha os meus olhos, que adorava olhar para essas duas pedras brilhosas e lembrava de como nos conhecemos... – disse afastando-a para segurar seu rosto nas mãos. – Mas o sorriso é definitivamente o dele.

E dessa vez Abigail abriu o maior dos sorrisos, o de felicidade. Ela sempre quis saber como eram os pais, conhece-los... e agora sabia que eram incríveis... e que deixaram sua marca nela. Os olhos da mãe, o sorriso do pai.

— Ela... Eileen. – disse enxugando as lágrimas – Ela te disse seu nome? Seu nome de batismo?

— Pensei... que fosse Abigail. – disse, surpresa pela mudança do rumo da conversa.

— Quando você nasceu... – começou. – Merlin, você era tão pequena! Por alguns segundos, eu não pensei no que me aguardava quando eu voltasse para casa, mas... no que aquilo representava. De alguma forma, eu tinha esperança de que ele não iria me procurar, e que eu poderia ficar com vocês dois para o resto da vida. – confessou. – Era a minha única esperança...

— Mas ele veio te procurar. E a mim, depois.

— Sim... mas por alguns dias, eu fiquei feliz em acreditar naquilo. – sorriu enxugando suas lágrimas, para finalmente encarar a filha. – Seu nome era Hope. Hope Prince Bürckle.

— Hope...— repetiu com os olhos marejados. – Merlin, isso é tão estranho... Por que... por que ela mudou meu nome?

— Era mais seguro... e Hope não é um nome tão comum assim. – riu. – Apesar de tudo que eu passei, pensando que estava morta... De certa forma, agradeço a Merlin todos os dias por ter uma irmã tão enxerida. E que ela nunca ouça isso. – confessou.

— Eileen... se ofereceu para... devolver minha magia.

— E você vai aceitar?

— Não sei... – confessou pensativa. – Digo, eu vivi minha vida toda sem magia, me acostumei e não tenho problemas com isso. Mas... bem, eu sei sobre a Magia Negra, que só se manifesta nas mulheres. E eu tenho duas filhas, elas têm também, não é?

— Provavelmente. – concordou. – Sabe, essa decisão é sua, e você precisa pensar bem, é uma mudança e tanto, vai ter que aprender a controlar desde o zero, vai perder o controle às vezes e vai sentir medo. Mas também vai ver que usar magia é maravilhoso, e os limites para o que se pode fazer com Magia Negra quase não existem, você vai se sentir poderosa, forte... e vulnerável. – alertou. – Se quiser, temos muitas pessoas que podem ajudar nisso, ensinar a controlar.

— Mas elas também vão sentir tudo isso, não é? E... eu não vou poder ajuda-las, se não souber como é.

— Bem, sim... seus pais terem as mesmas habilidades ajuda bastante, eu e minhas irmãs tínhamos nosso pai, mas acho que sabe que Violet não teve ninguém, então o caminho foi mais complicado. – concordou. – Mas como eu disse, não é uma decisão que se tome de uma hora para outra... Pensa bem nisso, certo?

— Obrigada. – sorriu agradecida.

— Então... como elas são?

— Ah, são maravilhosas! A Elinor tem 11 anos e já está se preparando para ir a Hogwarts, a Amber tem 9 e tem o gênio mais complicado que conheço.

— Oh, isso é normal na família... já vai se acostumando. – comentou e, após um sorriso de admiração da filha, completou, incrédula. – Eu sou muito nova para ter duas netas...

— É...

— Mas Eileen está a um passo de ter bisnetos, então acho que consigo lidar com isso.

— Março de 2000 —

— Vyola Krum quer falar com você... algo sobre a Violet. – avisou Estevan entregando-lhe o telefone, que tanto relutaram em aceitar dentro de casa.

— Vyola?

— Preciso de você aqui. – começou a Krum com a voz ligeiramente embargada, o que preocupou Eileen. – Aconteceu alguma coisa, a Violet não está nada bem...

— O que aconteceu?

— Ela... – começou, mas nesse exato momento Eileen ouviu o barulho de vidro se quebrando, seguido por um grito de susto de Vyola. – Agora!

— Vyola!— chamou, mas a chamada havia caído.

— O que aconteceu?

— Algum problema com a Violet, um descontrole, ao que parece... – respondeu tirando o casaco e correndo para a porta.

Segundos depois, juntos, estavam na colina que levava ao castelo, e Eileen odiava que o lugar fosse tão longe e complicado de chegar. Só conseguiram alcançar o castelo cerca de 10 minutos depois e, ainda assim, o portão estava trancado.

— Tanta proteção e olhe só, ninguém entra, mas ninguém sai também. – reclamou irritada.

— Você tem que se decidir, ou o castelo é seguro ou não deveria ser. – ironizou Estevan, rindo quando a esposa lhe deu um olhar mortal.

— Por que eu me casei com você mesmo?

— Porque você me ama. – sorriu. – Okay, talvez os dois juntos? Somos poderosos, acho que conseguimos, não?

— Você não é de se jogar fora, isso eu admito. – deu de ombros, para logo em seguida erguer a mão e, ao mesmo tempo em que Estevan, atingir o grande portão de madeira.

Ele estava certo, afinal. A magia de ambos, combinada, era extremamente forte e derrubou todas as barreiras mágicas que protegiam o castelo. O portão, por sua vez, simplesmente explodiu e se partiu em milhares de pedaços, fazendo um enorme estampido que acordaria qualquer pessoa, em qualquer situação.

— Tá, talvez não seja tão protegido assim... se nós conseguimos...

— Eileen! – repreendeu-a novamente, dessa vez rindo. – Certo, onde estão?

— Pra cá. – disse apontando para a direção que deveria levar até a entrada da casa, mas mesmo imaginando o que poderia estar acontecendo, não estava preparada para o que viu nos olhos da neta. De novo.

Notas finais
Eileen, doce como sempre... E Ravenna e Hope finalmente tiveram seu “final feliz” ♥ Eu realmente queria trazer Willian de volta, seria tão fofo... e improvável. #triste E esse finalzinho????? Violet não está nada bem... E no próximo teremos grandes revelações para o Vitor. ********************* Capítulo 28 – What’s Wrong With Me? — Eu gostaria de oferecer um brinde, agora, à pessoa que me fez o homem mais feliz da história! – começou, em pé, com a taça de champanhe na mão. – À Draco Malfoy, a mãe do meu filho! – anunciou, erguendo uma onda de risadas pela sala de jantar até que Draco levantou-se e se aproximou de Vitor, sorrindo. — Ahhhhh meu querido! ********************* Draco e Vitor?!