The Orphan: Endless Love
26 Capítulo 26 - Abby
Notas iniciais

— Janeiro de 2000 —
O casamento tinha sido um sucesso, e no dia seguinte todos os jornais estamparam uma foto do casal, a alegria transbordando por seus olhos. A lua de mel seria numa ilha do caribe, onde Vitor passaria por muitos momentos de ciúme com Violet na praia.
Na Inglaterra, por outro lado, tudo continuou como sempre foi... tirando o fato de que Ravenna e Goethe, finalmente, se apresentaram ao público. Foi um alvoroço quando reconheceram Ravenna Prince fazendo compras no Beco Diagonal e Goethe Prince no Ministério.
— Olha só quem temos aqui... resolveu se mostrar para o mundo, finalmente?
— Você é?
— Rita Skeeter, é um prazer conhecer a caçula das Prince. – disse a loira, estendendo a mão para a morena.
— Claro... – sorriu Goethe, ignorando a mão estendida. – O que a traz ao Ministério? Finalmente foi presa por invasão de privacidade?
— Oh não querida, boatos de que hoje começa um novo auror, alguém famoso... que eu não iria querer perder. – sorriu, vendo que Sebastian se aproximava. – Talvez sejam dois... – completou com um olhar malicioso.
— E você já sabe quem é? – perguntou com um olhar inocente de interesse, cruzando os braços e apoiando-se na bancada da recepção.
— Oh não, mas é claro que vou descobrir...
— Vai ser matéria de capa, não? Uma bomba!
— Oh sim, mas sabe que... eu não te entrevistei ainda! – declamou inconformada. – Sua irmã conseguiu te esconder muito bem... as duas, aliás.
— Oh, sério?
— Essa é a primeira vez que a caçula aparece sozinha... todos os holofotes sempre foram das mais velhas, não é? – provocou. – Deve ter sofrido tanto com isso querida...
— Oh não, foi ótimo. Prefiro não ter perseguidores em cada esquina, dá mais privacidade. Acho que entende, não?
— Parece que sua família ama isso, talvez até demais. – suspirou. – Mas então, você deve ter descansado muito nos últimos... o que, 25 anos? Aposto que nem consegue dormir!
E foi nesse momento, quando Goethe deu sinais de que iria recuar por conta do assunto, que Sebastian resolveu intervir. Mas ficou surpreso quando, assim que parou ao lado da morena, Goethe deu continuidade ao assunto sem parecer estar abalada.
— Oh, você não faz ideia! – exclamou. – Quem não gosta de ficar presa em pesadelos por 25 anos? É claro que acordávamos uma vez ou outra, e a tortura era revigorante. Sabe a sensação de milhares de facas te perfurando ao mesmo tempo, enquanto sente suas mãos queimarem?! Ahh, e tem o sufocamento também, como fui esquecer? É maravilhoso, devia tentar qualquer dia Rita querida, posso te chamar de Rita, não é? – perguntou com um sorriso, de certa forma, sádico. – Enfim, é uma sensação incomparável, inesquecível... e como sou uma boa pessoa, posso fazer isso por você. Vai adorar, descansar bastante... tirar a cabeça dos problemas do dia a dia. E como você odeia privacidade, será ótimo, porque terá alguém vigiando sua mente 24 horas por dia... pelo resto dos próximos 25 anos.
— Ohhh, eu não...
— É claro que não. – concordou com a expressão repentinamente fechada. – Se eu fosse você, Rita, eu pararia de importunar a família Prince. Nós temos... experiências... – insinuou aproximando-se, o tom de voz realmente assustador. – que te deixariam sem palavras. Pensei que fosse mais esperta Rita querida, que soubesse com quem falar para evitar situações como essas. – comentou, o sorriso de volta no rosto.
— Goethe. – chamou Sebastian, encantado com o poder de dominação que a morena tinha... E admirado com o quanto ela deveria ter sofrido, mas mesmo assim estava ali, viva, bem. Estava ansioso para conhecer mais daquela mulher fascinante. – Vamos? Ele está esperando.
— Claro. Até mais Rita querida. – piscou afastando-se de uma Skeeter sem palavras, que sequer questionou o “ele”. – Como vocês aguentam uma parasita como essa?
— É uma boa pergunta. – sorriu, lembrando-a de que ele também era novo na cidade. – Mas você se saiu bem. Aliás... Bem vinda ao Ministério, onde vai passar a maior parte do seu dia nas próximas semanas.
— Lar doce lar. E quem seria “ele”? – perguntou enquanto Sebastian abria a porta de um escritório, onde alguém os esperava.
— George Addams, Chefe do Departamento dos Aurores.
— Oh, já vi que é pontual Srta. Prince. – comentou George levantando-se e estendendo a mão em cumprimento. – Bem vinda ao Departamento dos Aurores, a Ministra me deu ótimas recomendações suas, e eu sei sobre suas “experiências”, então estou ansioso para tê-la com a gente.
— Obrigada... eu acho.
— Serei breve, tenho que sair em... 5 minutos. – avisou desculpando-se. – Como você não tem experiência como auror, e não precisou fazer a academia, quero que tenha um treinamento. Serão apenas algumas semanas para habituá-la com os nossos hábitos, normas e qualquer coisa que precise aprender.
— Claro, imaginei.
— Ainda não posso deixa-la sair em missão oficial sem esse treinamento, então decidi que vai participar de algumas, nada muito glamuroso, e terá um parceiro experiente. – disse estendendo alguns papeis para a morena. – Todos os aurores têm um parceiro, mas o seu será temporário, vamos ver o que acontece com os dois e, se der certo, talvez seja permanente. Preciso que assine aqui... é um termo de responsabilidade. Basicamente, com ele você garante que está aqui por conta própria, que não foi coagida e que está pronta para assumir riscos.
— É sério que tem gente que entra por ser coagido? – perguntou incrédula, assinando os documentos e devolvendo-os.
— Você não viu nada. – riu. – Bem, é isso. Minha parte acabou. Qualquer coisa, seu parceiro pode te ajudar, e eu estarei na minha sala também, é claro. Vocês já se conhecem, mas para tornar isso oficial... Este é Sebastian Turner, seu parceiro.
— Sebastian?— repetiu preocupada. – Desculpe, mas... talvez não seja uma boa ideia. Ele é novo aqui também, não?
— Oh não, é uma ótima ideia! – rebateu George, sob os olhares divertidos de Sebastian, que sabia que a morena iria fazer aquilo. – Ele é um ótimo auror, operou alguns anos na Rússia e na Grécia, sabe muito bem como fazemos... só precisa se habituar com os hábitos da cidade, mas isso você já sabe, então serão de grande ajuda um para o outro. – sorriu.
— Se o senhor tem certeza... – concordou, ainda incrédula internamente.
— Sim, sim, será ótimo. Agora preciso ir, foi um prazer conhece-la Srta. Prince. E eu espero ver vocês dois na festa do Ministério, no fim do mês. – piscou antes de deixar a sala.
— Relaxa Goethe, vai ser divertido. – comentou Sebastian logo em seguida, com um sorriso no rosto.
— Você...— começou assim que percebeu o olhar malicioso em seu rosto, deixando claro que ele havia aprontado. – Você arranjou isso, não é?
— Só quis ser solidário. George e eu somos amigos há anos, quando ele comentou que a nova auror precisaria de um parceiro, e que talvez esse parceiro tivesse que ser durão, já que a tal auror tinha uma fama um tanto quanto... sádica, palavras dele. Então me ofereci. E não é que o destino quis que você fosse a tal auror? – sorriu dando de ombros.
— E é claro que o destino te fez o favor de apresentar essa tal auror ontem?
— O destino é surpreendente. – concordou rindo, Goethe ainda estava com a expressão desconfiada. – Sabe, eu sou uma boa pessoa, e um bom auror, não precisa se preocupar.
— Se você diz... – insinuou, mas por dentro estava realmente preocupada.
— Bem, por hoje e amanhã vou te apresentar para todo mundo, mostrar a Academia e o Departamento, salas de treinamento, regras... – começou ele, mas Goethe sabia que seria uma péssima ideia passar tanto tempo com alguém com quem teve um contato... além do profissional.
Ele realmente mexia com ela, isso nunca iria negar, mas estava disposta a deixar isso de lado... ao menos enquanto estivessem em missão.
— Depois disso, vamos te apresentar para os nossos contatos mais importantes... e então vamos para missões de reconhecimento e investigação, nada muito ativo. E se você se comportar... posso te levar numa de verdade depois.
— Oh, eu sou uma boa garota.
— Claro que é. – concordou encarando-a furtivamente. – Sabe, não foi legal me deixar sozinho ontem... Uma boa garota não faria isso.
— Ahhh, o pior que poderia acontecer é um dos Krum te encontrar, pensar que estava bêbado e dormiu por lá. Sozinho.— deu de ombros com um sorriso inocente. – Pobrezinho, o amigo bêbado da família.
— Muito engraçado... – disse se aproximando vagarosamente, as mãos no bolso.
— Olhe pelo lado bom: estava impecavelmente vestido.
— Oh, obrigado por isso então. – sorriu, agora a centímetros de distância da mulher, que apenas cruzou os braços. – Eu esperava poder, ao menos, me despedir.
— Eu te perdoo. – piscou. – Então, por quanto tempo esse treinamento vai funcionar? E já vou avisando que não sou do tipo que vai dizer sim senhor para tudo que você falar.
— E qual o seu tipo? – provocou antes de puxá-la pela cintura e beijar seus lábios.
***
— Você já não bebeu o bastante? – perguntou Goethe a Ravenna, que virava o quinto copo de vinho.
— Não enche Goethe. – ralhou afastando-se, eixando uma irmã de boca aberta.
Desde a revelação de Eileen sobre Hope, Raven passava muito tempo sozinha, pensando... Goethe tentou conversar, mas a irmã não queria falar sobre o assunto e exigiu que não tentassem encontrar a filha. Segundo ela, a garota – que já não era mais uma garota – estava bem sem ela.
— Hey! Que bom que te encontrei Goethe, venha, quero te apresentar a algumas pessoas... – disse George assim que a encontrou.
Goethe já estava trabalhando como auror captor há algumas semanas e só reunia elogios dos supervisores, sua tática era certeira e a mulher era rápida e silenciosa, exatamente o perfil de um bom auror. Infelizmente para ela, Sebastian era um bom parceiro e foi promovido a “parceiro oficial” no fim do treinamento. Ela tentou convencer George de que não era uma boa ideia, já que eles flertavam quase todos os dias, mas aparentemente ambos eram racionais e bons demais para que o Sr. Addams desistisse e colocasse outra pessoa no lugar de Turner, então, não restou alternativa senão aceitar e fazer o possível para não concentrar-se nele durante as missões.
— Como está indo com o Sebastian? – perguntou enquanto caminhavam para onde sua esposa, Catherine, aguardava com algumas pessoas.
— Ahhh, está ótimo, George.
— Sem cantadas nas missões? Ou flertes?
— Quer mesmo saber sobre isso?
— Okay, só... não deixe que isso atrapalhe, certo?
— Não tenha dúvidas quanto a isso. – riu e, assim que percebeu que Sebastian estava entre as tais pessoas que seu chefe falou, resolveu provocar. – Mas só por curiosidade, posso castrar meu parceiro caso isso aconteça?
— Goethe Prince, o ser mais doce que conheço. – ironizou Sebastian sorrindo.
— Sebastian Turner, o ser mais narcisista que conheço. – retribuiu.
— E lá vamos nós de novo... – riu George abraçando Catherine. – Goethe, esses são Niels e Abigail Holt... – disse apontando para o casal, entretanto, a mulher, Abigail, não tirava os olhos dela, encarando em curiosidade e ansiedade a auror, que sentiu-se levemente incomodada. – Abby é minha irmã e Niels é um auror dinamarquês, eles estão de férias e resolveram finalmente visitar o pobre irmão George... – debochou, mas parou quando percebeu que Abby e Goethe se encaravam levemente nervosas, mas Goethe com resquícios de um sorriso surpreso nos lábios. – Vocês... se conhecem?
Merlin, aquela era Abigail Adams, vulgo Hope Bürckle, sua sobrinha! E Ravenna estava na festa, então isso não era nada bom... E Eileen estava certa, Hope era muito parecida com Santhye Prince, mas com os olhos de Ravenna... O cabelo era até os ombros, de um castanho escuro quase preto, levemente ondulado... e Merlin! Aquele era certamente o sorriso de Willian Bürckle.
— Não! Não, claro que não. – antecipou-se. – É um prazer conhece-los.
— Você me parece familiar... – respondeu Abby. – Você disse Prince? Algum parentesco com Eileen Prince?
— Culpada, minha irmã. – sorriu, virando-se para Niels para tentar desviar o assunto. – Então você também é um auror Sr. Holt?
— Isso. E pelo que eu soube a senhorita é uma das melhores do Ministério Inglês.
— Ela está viva?— comentou Abigail num sussurro.
— E tem o melhor parceiro pra isso. – continuou Sebastian antes que Abby abrisse a boca novamente, já tinha percebido que Abigail havia deixado Goethe estranhamente sem argumentos.
— O mais humilde, como pode ver. – concordou Goethe, agradecendo mentalmente pela intervenção. Hope devia lembrar-se da madrinha, e é claro que iria relacionar Goethe Prince com Eileen Prince.
— Os dois são ótimos, na verdade... e apesar de estarem sempre se provocando até que formam uma boa dupla. – elogiou Catherine, que havia acabado de voltar ao trabalho depois da morte da filha.
— Gostaria de uma dança, parceira?
— Achei que não fosse pedir, parceiro. Não se enganem, ele é bem lerdo às vezes. – piscou Goethe para os demais antes de puxar Sebastian pelo braço. – Foi um prazer conhece-los, até mais George, Catherine.
E então sumiu entre as pessoas arrastando um Sebastian preocupado.
— O que aconteceu? Você conhece a Abby?
— Ela... espera, Abby? – estreitou os olhos.
— O irmão dela é um velho amigo, é claro que a conheço... mas não do jeito que está imaginando, meu anjo. Você fica uma graça quando está com ciúmes...
— E você é um idiota, meu anjo. – ironizou. – Não importa, a questão é que... Lembra da filha perdida da Raven, que eu te falei? É ela! E é claro que ela lembrou da minha irmã e associou Eileen Prince a Goethe Prince! – preocupou-se, Sebastian havia se tornado, além de um alvo em flertes, um grande amigo... e o assunto Hope Bürckle foi um dos segredos que compartilharam em uma das muitas saídas noturnas.
— Espera, a Abigail é a Hope? Como você sabe?
— Eileen foi bem clara quando disse que a irmã do meu chefe é a verdadeira Hope Bürckle... E agora? Ravenna vai surtar, e se Eileen ver isso eu nem...
— Hey! – interrompeu segurando seus braços e encarando-a. – Respira...
— Ela é muito parecida com a minha mãe... e quando digo muito, é realmente muito! É assustador... – disse ignorando a tentativa de Sebastian de acalmá-la. – E ela...
— Goethe! – exclamou, finalmente chamando sua atenção.
— Desculpa. – suspirou antes de desistir e abraça-lo pela cintura, descansando o rosto em seu peito. – Aliás, obrigada por... mais cedo. Ela ia perguntar da Lee.
— Imaginei que sim. – comentou aproveitando o abraço da morena, não era sempre que conseguia uma aproximação daquelas, principalmente levando em consideração que, desde o casamento, Goethe não deixou que a relação entre os dois passasse de flertes e saídas noturnas de amigos. – O que vai fazer?
— Me manter o mais longe possível da Raven e da Eileen. – respondeu afastando-se do abraço, e foi nesse momento que viu Violet caminhar com algumas coisas no braço em sua direção. – Violet! Merlin, se a Hope ver a Violet vai pensar que é a Eileen! Aí sim nós... Hey! O que é isso?
— Ah, bem... acho que a Sophie e o Draco se ajeitaram. – riu Violet com o blazer e a gravata em suas mãos.
— Espera, Sophie? Sophie Seyfried? – surpreendeu-se Goethe maliciosamente.
— Ao que tudo indica eles sumiram pelo jardim...
— Ahhh, eu sei como é... saudades desse tempo. – insinuou Sebastian abraçando Goethe pelos ombros, que deu uma cotovelada em seu estômago.
— Você vai embora? – perguntou levemente nervosa quando percebeu que Abby se aproximava, decidida. – Oh droga...
— É, eu não estou muito bem... tenho minhas teorias, mas nada confirmado ainda. Preciso encontrar o Vitor e... Você está bem? Parece meio pálida.
— Ohhh bem, sobre isso... aconteceu uma coisa engraçada... – disse, arregalando os olhos ao ver Ravenna caminhar em sua direção, tinha no máximo 10 segundos antes que a irmã aparecesse, e Abby estava a 5. – Isso será um desastre.
— O que? – perguntou, mas antes que Goethe pudesse responder...
— Com licença, desculpe, mas eu preciso te perguntar uma coisa.
— Ah, oi! – respondeu Goethe segurando a sobrinha de costas para Abigail, ambas estranhando a situação enquanto Sebastian segurava o riso com a cena que seguiu. – Eu não posso falar agora, preciso ajudar uma amiga... tadinha, acho que bebeu demais. – desculpou-se puxando Violet e esmagando-a num abraço.
— Só quero saber se sua irmã está viva! Por favor, é importante...
— Sim, ela está... – suspirou – Loucura, não?
— Mas... como? Digo... ela foi morta por Você-Sabe-Quem, não?
— Voldemort não era tão esperto quanto parecia.
— Goethe, estou indo, você fica? – perguntou Ravenna aparecendo logo ao lado, ignorando totalmente Abigail, que encarou-a curiosa, a mulher também lhe era muito familiar. – E por que está abraçando a garota desse jeito?
— Ahhh, bem... ela...
— Eu vou pra casa. – disse Violet soltando-se da tia, que prendeu a respiração assim que a garota a encarou e virou-se para as outras duas.
— Eileen...— sussurrou Abby surpresa ao encará-la. – Merlin, você é igual a ela...
— É o que dizem. – disse erguendo os ombros. – Você a conhece?
— Violet, querida, você não ia pra casa? Raven?
— Tá, já entendi! Parece que alguém quer se livrar de mim... – riu. – Sou Violet Snape Krum, aliás, foi um prazer conhece-la...
— Abigail. Abigail Addams Holt. – respondeu, o que pareceu ser uma bomba em plena guerra.
Ravenna empalideceu e encarou-a instantaneamente... aquela era a sua filha! Hope estava bem à sua frente e já era uma mulher formada. Violet finalmente entendeu o que Goethe estava fazendo e não sabia o que dizer... mas tinha que ser rápida, pois Eileen já tinha terminado a conversa com a Ministra e se dirigia em sua direção com Estevan.
— Então eu... eu preciso ir. Vitor deve estar me esperando.
— Desculpe, mas você tem algum parentesco com a Eileen?
— Neta. Será que as pessoas nunca vão parar de perguntar? – ironizou Eileen à suas costas, e quando Abby virou-se, a mais velha desejou que não tivesse aparecido para se despedir das irmãs.
— Eileen! – exclamou num misto de surpresa, ansiedade e raiva. – Pensei que estivesse morta...
— Vaso ruim não quebra. – respondeu simplesmente, voltando seu olhar para Ravenna, que parecia que iria desmaiar a qualquer momento, o mesmo para Violet.
— Você simplesmente desapareceu... – acusou ressentida.
— Vocês se conhecem? – interrompeu Estevan, que recebeu uma cotovelada da cunhada.
— Ela é minha madrinha. E você?
— Meu marido. Mais alguém quer ser apresentado? – ironizou Eileen rolando os olhos.
— Você me deve algumas coisas Eileen.
— Ela deve a muitas pessoas. – comentou Ravenna com os olhos úmidos, encarando-as rapidamente antes de sair em direção à saída.
— Ela está bem? – preocupou-se Abigail, sentindo uma estranha compaixão pela mulher, que parecia realmente a ponto de desabar. — Não parecia muito...
— Oh não, ela só precisa de ar. Vou ver como ela está, Sebastian?
— Claro, eu vou junto. – concordou antes de cumprimenta-la e acompanhar Goethe e Violet, que resolveu sair também.
— Abby, escuta...
— Você desapareceu sem dar notícias! Todo mundo pensou que estivesse morta! Eu pensei que tinha te perdido... Você me fez uma promessa, disse que contaria a verdade... e então apenas sumiu, depois eu li nos jornais que estava morta! E olha só, está bem aqui, viva! Até se casou de novo... e Merlin, você deveria ter 70 anos!
— 67. – corrigiu. – E isso é uma longa história, aqui não é...
— Por que não me procurou?
— Porque eu pensei que você soubesse e não quisesse contato! Digo... quem hoje não conhece a história das irmãs Prince, que voltaram dos mortos na Segunda Guerra?
— Irmãs... aquelas eram suas irmãs! Goethe e Ravenna, não? – constatou, satisfeita por lembrar.
— Olha, eu vou responder a todas as suas perguntas, mas não aqui e nem agora. Onde você mora?
— Dinamarca.
— Não me admira que não saiba da história, Dinamarca?! O que foi fazer na Dinamarca? Enfim, não importa. Olha, se quiser pode ir à casa dos Prince amanhã e eu te conto tudo que quiser saber, embora eu não saiba se ainda vai me considerar sua madrinha depois disso...
— Onde é essa casa?
— Pergunte ao seu irmão... ou nora, ou qualquer pessoa que more na Inglaterra. – disse dando de ombros. – Te espero às três.
— Você não mudou nada.
— Você mudou bastante... está mais parecida com ela. – murmurou encarando-a. – Parece que é uma maldição de família afinal, tenho dó dos futuros filhos da Violet... – disse referindo-se a quanto Abby lembrava Santhye e Violet a Eileen. – Bem, foi bom revê-la Abigail... te vejo amanhã.
— Eu... – tentou responder a mais nova, mas Eileen já havia saído enquanto puxava Estevan consigo. – Claro.
***
— Uau... – comentou Vitor, à noite, assim que chegaram em casa. – A noite foi agitada então...
— Sophie e Draco desaparecem, e nós sabemos o que aconteceu, então Alessa cai na piscina e vai embora com o Robert...
— E nós sabemos o que provavelmente vai acontecer. – completou rindo, se jogando no sofá, onde Violet o acompanhou logo em seguida.
— E pra encerrar a noite com chave de ouro, a filha perdida da tia Raven aparece, e amanhã vai conversar com a minha avó... – suspirou encostando o rosto no ombro do marido. – E tudo isso numa mesma noite.
— Cansada? – perguntou beijando sua bochecha.
— Nem um pouco...
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