The Orphan: Endless Love
25 Capítulo 25 - Welcome to family
Notas iniciais

Bem vinda à família
— Outubro de 1999 –
— Bom dia! – disse Violet entrando na casa na semana seguinte.
Depois que as irmãs Prince brigaram, o clima na casa estava relativamente mais pesado. Por mais que Ravenna entendesse a motivação de Eileen, não podia deixar de pensar que gostaria de saber que estava chorando no túmulo de alguma órfã qualquer... ou que Willian não tivesse morrido sem conhecer a verdadeira filha. Eileen, por ouro lado, achava que a irmã estava fazendo uma tempestade em copo d’água, Hope estava viva, não? Raven deveria agradecê-la, e não ignorar sua presença.
— Vocês não se resolveram ainda? – perguntou vendo que Ravenna lia o jornal com uma expressão irritada e Eileen a ignorava. Goethe, por outro lado, encarava a janela. – E por que tem jornalistas na frente da casa? A Skeeter me seguiu desde a esquina falando algo sobre eu esconder minhas tias.
— “Ravenna e Goethe Prince, irmãs de Eileen, estão vivas” – leu Raven abaixando o jornal. – Sua amiga Skeeter estampou isso em todos os jornais possíveis.
— Ela não é minha amiga. – rolou os olhos fechando as cortinas. – E como ela descobriu?
— Talvez porque suas tias são extremamente discretas, ou porque os vizinhos perceberam que mesmo eu estando fora e você morando em outro lugar tinha outras duas mulheres aqui. São tantas possibilidades! – ironizou Eileen.
— E por que você está aqui mesmo? – rebateu Ravenna.
— Porque eu... – começou Violet.
— Essa casa continua sendo minha Raven.
— Ohhh, então porque não volta pra sua casa e traz o seu marido junto?
— Chega! – repreendeu Goethe silenciando-as. Depois da discussão as irmãs passaram a ouvir com muito mais frequência o que a mais nova dizia. – Violet?
— Certo... No final de semana eu vou levar as madrinhas para conhecer a mansão, e eu queria convidá-las também.
— Não estou a fim de ver um castelo velho, obrigada.
— Raven!
— Bem, é uma oportunidade de conhecer o lugar em que vou morar, reunir a família antes do casamento... Alastor e Minerva também vão, os Black. Enfim, a família toda. E eu realmente queria que vocês fossem. – pediu Violet. – As três.
— Não se preocupe querida. – piscou Goethe – Elas vão, pode acreditar.
Faltava menos de um mês para o casamento e Violet estava quase louca de preocupação. Todos os convidados já haviam confirmado presença e as madrinhas corriam para escolher a decoração do grande dia... embora ainda não tivessem conhecido o lugar.
O noivado havia sido na casa dos Prince, mas o casamento, Vyola insistiu, seria na Mansão dos Krum, que teria espaço suficiente para todos os convidados. Fora a maravilhosa paisagem e o imenso jardim onde seria realizada a cerimônia.
— Prontas? – perguntou Violet no hall de sua casa com Lizzie nos braços.
O grande dia estava a duas semanas de distância e aquele seria seu último jantar em família como solteira. No hall estavam Alessa, Sophie, Tonks e Luna, Maya já estava na Bulgária desde a noite passada e o restante dos padrinhos e familiares chegaria mais tarde.
— Para de enrolação e vamos logo, estou ansiosa pra ver o tão famoso jardim... – respondeu Alessa e, no minuto seguinte, todas aparataram com Violet, que não aguentou a risada quando viu as diferentes reações ao chegarem.
— Você... está brincando, certo? – perguntou Alessa de boca aberta. — Isso não pode ser real.
E não era apenas Alessa que estava estupefata, mas todas elas. Violet optou por aparatar um pouco antes de chegar à entrada... e a área era gigante.
— Como não falou nada antes?
— Acho que o nome já fala por si próprio... Mansão dos Krum.
— Isso não é uma mansão, é um castelo! – corrigiu Sophie encantada. – Um castelo de contos de fadas...
A mansão – ou castelo – fora construída séculos antes e passada de geração em geração, até que os pais de James Krum compraram o lugar e estenderam o terreno para um jardim nos fundos, fazendo várias reformas ao longo dos anos. Todas as paredes eram uma mistura de pedras claras e madeira, janelas por todos os lados e uma enorme área verde ao redor, repleta de árvores e arbustos bem cuidados.
— Estamos exatamente entre a Bulgária e a Romênia, e esse é um dos lugares mais seguros da cidade... Aliás, só a família pode aparatar aqui, e agora eu. O lugar mais perto pra aparatar é a estação de trem, o resto do caminho você faz em meia hora e pode pegar algum carro ou carruagem.
— Tradução: é uma mini Hogwarts.
— Palhaça. – riu Violet mostrando a língua pra Luna.
— Você se deu muito bem. – debochou Tonks. – Vai morar num castelo!
— Digno de uma princesa. – insinuou Alessa, que recebeu um sorriso terno da amiga.
Não demorou até que Saoirse e Vitor percebessem que elas já haviam chegado, mas assim que os portões foram abertos, Luna ficou ainda mais encantada com o chão de pedra polida e os arranjos floridos espalhados pelo pátio, onde Maya latia e corria feliz.
— Vocês vão morar com os pais dele? – perguntou Sophie discretamente.
— Tecnicamente não. A mansão é grande e tem duas entradas, Vitor e James reformaram o outro lado e nós vamos morar lá, é como se fossem duas casas vizinhas... só o jardim que vamos dividir, mas acho que a Maya já tomou posse. – riu.
— Sabe, eu me sinto em um daqueles filmes trouxas da Disney... – comentou Alessa aproximando-se. – Esse lugar não parece real, nem um pouco!
A visita à mansão não foi rápida, pois a cada metro quadrado as meninas encontravam alguma coisa para comentar ou encher o saco de Violet. Ao ver o jardim onde aconteceria a cerimônia, já podiam imaginar a decoração e tiveram a certeza de que aquele seria o casamento do ano.
O jantar correu bem, e apesar da preocupação de Violet em reunir os Black, as Prince e os Krum em um só lugar, fora alguns dos padrinhos e amigos dos Krum, tudo deu certo. Ravenna e Eileen ignoraram-se mutuamente, logo, não houve farpas ou discussões.
Mesmo que Snape, Bellatrix e Narcissa não estivessem presentes, ver todos os outros alí deu à Violet a certeza de que finalmente conseguiria o que sempre quis: uma família.
— Novembro de 1999 –
— Eu não sei se consigo fazer isso.
— E eu não acredito que a garota que salvou o mundo não tem coragem de sair desse quarto para o próprio casamento! – exclamou Alessa do outro lado da porta. – Vamos logo Violet, a noiva atrasar é normal, mas você já é um absurdo! Vitor deve estar tendo um treco lá no altar.
— Eles foram embora? – perguntou com a cabeça para fora do quarto para encarar as duas amigas, que riam. – Isso não tem graça! – disse fechando-a novamente.
— É claro que tem... – riu Sophie cruzando os braços. – Você está prestes a desistir do casamento dos seus sonhos...
— Com um pedaço de mal caminho... – continuou Alessa.
— Por causa de uns repórteres na porta! – concluiu a loira, ainda rindo. – Isso não se vê todos os dias.
— Depois do que a Skeeter publicou no jornal eles me perseguem! Eu não aguento mais isso, onde está a paz que deveria ter? É o meu casamento!
— Exato! É o seu casamento, não o deles! Vamos logo Vi... – insistiu Alessa. – Você está linda, as madrinhas estão com roupas ridicularmente combinando e o Moody está quase fazendo um buraco no chão da sala!
— Terei que te levar amarrada para o altar? – ameaçou Eileen.
— Você estava igualzinha no seu casamento Lee, não reclame.
— Fica quieta Raven. – rebateu em um dos poucos momentos de interação entre as duas depois da discussão. – Sai logo Violet, sabe que cumpro minhas promessas.
— Ok, vocês venceram... – suspirou Violet abrindo a porta e saindo do quarto, deixando boa parte dos presentes encantados. – Não me olhem assim que eu volto pro quarto. – disse ameaçando voltar, mas Eileen a abraçou pelos ombros e a afastou da porta rindo.
— Você está incrível querida, e é melhor se acostumar a ser observada durante o casamento... Teremos longas horas pela frente.
— Sabe, só porque sobrevivi ao casamento da minha irmã como dama de honra, não quer dizer que eu vá sobreviver a esse.
— Você é a madrinha!
— Mas o vestido é combinando com o das outras! Isso é quase pior... E eu não sei se consigo me manter em pé por muito tempo.
— Não se preocupe, Robert estará lá para te segurar. – debochou Sophie enquanto Eileen e os demais acompanhavam a noiva para fora do quarto.
Violet optou por se arrumar em sua casa, e todas as madrinhas fizeram o mesmo. Ao descerem as escadas, encontraram um Moody inquieto que lutava com a gravata que o obrigaram a usar enquanto Minerva o repreendia. Mas foi apenas olhar para a noiva que seu mundo parou. Ela estava deslumbrante!
— Vamos esperar lá fora. – avisou Sophie até que, pouco a pouco, restaram apenas Violet e Moody na sala.
— Então...
— Você está linda. – sorriu aproximando-se. – Seu pai ficaria orgulhoso de te ver assim...
— Obrigada Alastor, e acho que posso dizer o mesmo de você, nem parece um ex-auror louco e rabugento com esse terno. – sorriu, encantada pelo grande milagre que era Alastor Moody de terno cinza e gravata.
— Ah, bom, a Minerva tem um jeito estranho de me convencer... – disse sem graça alisando a barra do paletó. A gravata era a pior parte, coçava e incomodava, sentia-se sufocado até, mas como disse Minerva, pela Violet ele podia aguentar algumas horas. – Bom, vamos? O Krum é um vitorioso por não ter desistido a essa altura.
— Obrigada pela parte que me toca. – ironizou aceitando o braço que seu padrinho lhe estendera e caminhando para os fundos da casa, onde apenas Eileen esperava.
— Pronta? – perguntou a mulher, segurando um buquê de rosas vermelhas, as mesmas que Vitor mandou para Violet em seu aniversário.
Violet estava nervosa, é claro, sentia que suas pernas iam traí-la a qualquer momento, mas foi apenas aparatar para a entrada do castelo que todo o nervosismo desapareceu. Todos os padrinhos já estavam alí, cada casal em seu lugar, prontos para entrar. Harry e Draco, ao verem a irmã, imediatamente caminharam até ela e deram um abraço, àquela altura os dois já tinham se acostumado com a presença um do outro, então não se importaram quando Violet recebeu os dois em um abraço apertado com um sorriso no rosto.
— Você está linda! – sorriu Draco. – Muito linda.
— Mal acredito que minha irmãzinha vai casar...
— Harry! Se ela chorar por sua causa eu te mato! – repreendeu Sophie.
— Tá tudo bem... – suspirou Violet, contendo as lágrimas e sorrindo em resposta. – Obrigada.
— Ah, não agradeça ainda, espere até ver a decoração que fizemos. – piscou Alessa.
— Certo, chega de conversa, já avisei que estão todos aqui, assim que começar a música já podem entrar. – avisou Eileen. – E Violet... – disse aproximando-se da garota. – Você está realmente maravilhosa. – piscou antes de sair para o jardim.
Segundos depois, uma música suave começou a tocar e Harry, o primeiro da fila, piscou para Violet antes de dar o primeiro passo para dentro, com Luna ao seu lado. Vitor estava nervoso, céus, como estava nervoso! Violet atrasara exatamente 1 hora, e por um momento ele chegou a pensar que ela havia desistido. Mas deveria saber que sua noiva, e em alguns minutos esposa, ficaria nervosa e iria atrasar.
A cerimônia, como tinha sido combinado, era no jardim da mansão – enquanto a recepção no grande salão principal da mansão –, onde Vyola empenhou-se para deixar tudo o mais perfeito possível. O caminho até o altar começava na escadaria do castelo, eram poucos degraus, mas o suficiente para colocar arranjos de tecidos brancos pela extensão do corrimão, terminando num caminho de grama cortada.
Vyola, com um longo verde deslumbrante, já havia entrado com Vitor, então todos os holofotes estavam voltados aos padrinhos. O combinado era que todas as madrinhas usariam um vestido longo em tons de verde, e enquanto Luna acompanhava um Harry satisfeito, seu vestido era o mais simples e delicado, com pequenas e sutis flores bordadas.
Saoirse e Patrick foram os próximos a entrar, e não teve quem não tenha se encantado com o longo cintilante e o acompanhante, que abriu um sorriso autêntico de felicidade ao caminhar ao lado da loira.
Sophie, por outro lado, preferiu um modelo liso, de cetim lustroso, amarrado nas costas, enquanto Draco levava-a pelo braço com um orgulho duplo estampado em seus olhos acinzentados e terno vinho. Sua irmã estava se casando, e a mulher que amava estava ao seu lado, partilhando dessa felicidade. Alessa, talvez, tenha sido a mais ousada – para variar – ao ostentar um vestido de cetim, com as costas nuas e gargantilhas de esmeraldas caindo por seu pescoço. Robert estava radiante, talvez não tão diferente da sensação de Draco.
Tonks foi a última das madrinhas, e embora triste que Lupin não pudesse estar lá, estava satisfeita. Seu acompanhante, Sebastian Turner, era um grande amigo da família Krum e não poderia ter sido mais gentil e educado ao elogiar a combinação de seus cabelos vermelhos e o vestido verde com pedrarias no colo.
Os próximos a entrarem eram os pais dos noivos, e embora Violet desejasse que Snape e Bellatrix – um casal realmente improvável mesmo em pensamentos – estivessem alí, não poderia se decepcionar, nem tampouco se entristecer, por Moody e Minerva ocuparem a função orgulhosamente. Por Moody acompanhar Violet e Vyola o filho, James e Minerva entraram juntos. A grifinória continuou em suas usuais vestes de tafetá verde, porém extremamente mais sofisticadas, enquanto James dirigia um olhar orgulhoso para o filho, que parecia que iria saltar de ansiedade a qualquer momento.
— Acho que é a nossa vez... – comentou Moody ajeitando a gravata pela décima vez em poucos segundos, mas Violet parecia muito mais preocupada em encarar o buquê em suas mãos. – Violet?
— O quê? – perguntou subitamente erguendo os olhos azuis levemente assustados.
— Ei, o que aconteceu? – preocupou-se ao pegar o rosto delicado entre suas mãos.
— Eu... estou nervosa. Muito. – confessou.
— Tia Violet... – chamou Lizzie, chamando a atenção da mais velha, que abaixou-se ligeiramente para ouvir a garota. – Por que você está nervosa?
— Ohh, bem... não sei. – sorriu abaixando o rosto.
— Sabe, o tio Vitor te ama... e você ama ele. Então não precisa ficar nervosa. – disse em sua lógica e simplicidade infantil, o que fez Violet rir. – E eu gostei desse vestido, posso ficar com ele?
— É claro Lizzie. – gargalhou – Pode sim, você ficou linda. E você está certa... não preciso ficar nervosa. – sorriu antes de dar um carinhoso beijo na bochecha rosada da pequena Malfoy. – Acho que é a sua vez de sair...
— Os adultos só complicam. – reclamou virando-se, ajeitando a cestinha de pétalas de rosas vermelhas e dando os primeiros passos para a escada. Violet e Moody finalmente estavam a sós.
— Ela tem uma personalidade forte... – comentou ele, fazendo-a rir.
— Sim, tem. Obrigada Alastor, por fazer isso.
— Que tipo de padrinho eu seria não fizesse? Agora vamos logo, não sei quanto tempo vou aguentar essa maldita gravata. Por que os homens gostam disso?
— Porque fica elegante e charmoso. – sorriu apertando seu braço. – Não me deixe cair...
— Nunca. – garantiu com uma piscadela antes de puxá-la para fora.
Lizzie já estava no fim da escada quando Violet finalmente apareceu no último degrau. Ela não ousou olhar para nenhum lugar antes de ter a certeza de que estava segura dos degraus, então focou nas lindas e delicadas rosas brancas nos arranjos que enfeitavam o lugar. As cadeiras também eram brancas, e a única cor que se destacava era o vermelho das pétalas que Lizzie espalhava e do próprio buquê. O lugar estava lindo, e ela não poderia estar mais satisfeita.
Enquanto Moody prometeu a si mesmo que não iria demonstrar incômodo naquele terno imensamente desconfortável, Violet sorria com uma felicidade que parecia que iria transbordar pelos olhos a qualquer momento. Alí, no fim daquele caminho, estava o homem dos seus sonhos, que abriu um sorriso enorme ao vê-la.
Céus, estava linda! Quando ele pensava que ela não poderia ficar ainda mais bonita, Violet aparecia com aquele vestido branco deslumbrante, justo com rendas até a cintura, que faziam conjunto com as joias em ouro branco e o par de safiras azuis dos olhos brilhantes. Ele a amava, e sabia que aquela sensação nunca iria acabar. Não se dependesse dele.
Violet estava deslumbrante e arrancou suspiros e sorrisos de muitos dos convidados, mas nada a tirava de seu foco: Vitor. Aquele era o momento decisivo em sua vida, quando ia deixar para trás, definitivamente, todas as coisas ruins e tristes que aconteceram para dar lugar a uma vida feliz, plena, e cheia de amor. Ela tentava segurar as lágrimas com todas as suas forças, e se não fosse pelo braço de Alastor segurando o seu, ela pensaria estar flutuando. Sentia-se uma mulher de sorte... começou toda essa história como uma garotinha órfã, mas acabou ganhando irmãos, uma mãe, padrinhos... um pai maravilhoso. Agora, estava ganhando a última parte, uma família, seu futuro marido estava alí, em pé em seu terno cinza, com a já conhecida expressão galanteadora de quem havia encontrado um tesouro.
Essa era uma das coisas que ela mais amava nele, o jeito como ele conseguia demonstrar seu amor e admiração com um olhar. Mais um passo e, com um beijo em sua testa, os braços de Alastor foram substituídos pelo de Vitor, que segurou-se ao máximo para não beijá-la alí mesmo.
O casamento de Violet Snape Black e Vitor Krum foi o acontecimento do ano, e embora o escândalo das Prince ameaçasse acabar com isso, nada aconteceu. Nenhum repórter chegou perto do enorme jardim da mansão dos Krum e tudo ocorreu perfeitamente bem. Quando a hora dos votos chegou, Violet não conseguiu segurar as lágrimas com a troca de lembranças entre os noivos.
— Acho que eu nunca te falei isso, mas... – começou ele segurando as mãos da noiva gentilmente sobre seu peito. – Eu me apaixonei por você desde a primeira vez em que a vi. Me encantei com o seu jeito provocativo, de quem não deixa nada barato e que fala o que vem à cabeça. A pessoa mais teimosa, cabeça dura e maravilhosa que eu conheço. Uma pessoa forte, que contra todas as possibilidades se provou boa o bastante para vencer uma guerra e continuar de pé. – sorriu. – Acho que já te disse de todas as formas possíveis tudo que eu amo em você, e também acho que nunca vou me cansar de falar, então... eu amo você, Violet Eileen Prince Snape Black, e vou continuar amando até a última estrela parar de brilhar.
— Você conseguiu... eu realmente te odiava no começo, um garoto presunçoso, narcisista, com a síndrome da superioridade. – disse com um sorriso travesso enquanto muitos riam pela confissão. – Mas no fim me conquistou e eu finalmente vi o que tinha atrás daquele garoto estúpido: um homem maravilhoso, um amigo leal e... bem, preciso confessar que um homem charmoso, romântico, gentil... que me deixava corada com cada demonstração de carinho em público, que me deixou nas nuvens com as rosas que me deu de aniversário, uma por dia durante todo o mês do meu aniversário. O mesmo homem que me deixou sem graça no Baile de Outono e que me ajudou quando eu não via mais saída... – sorriu acariciando seu rosto delicadamente. – Você viu minha melhor parte, mas também estava lá quando deixei sair meu lado mais obscuro. E mesmo assim continuou ao meu lado. Eu amo você, Vitor Krum, e mesmo que a última estrela pare de brilhar, vamos dar um jeito de acendê-la novamente. – sorriu.
— As alianças, por favor. – pediu o juiz e, no momento seguinte, Tonks empurrou um Teddy envergonhado, que carregava um coelhinho de pelúcia nos braços, até o altar. O garoto era realmente pequeno, mas estava feliz que os padrinhos estavam se casando. Segundo sua mãe, aquele era o momento mais feliz para os dois, e ele deveria estar assim também.
Após Violet e Vitor, cada um a seu momento, abaixarem para pegar as alianças das orelhas do coelhinho e dar um beijo do afilhado, com mais um “amo você” deslizaram os anéis dourados por seus dedos e, finalmente...
— Eu os declaro marido e mulher, o noivo já pode beijar a noiva.
...se beijaram.
Aquele era o momento pelo qual esperaram por anos, desde o primeiro olhar, passando pelas expectativas de ambos os lados, pela guerra e por todos os momentos em que sorriam um para o outro. Ali, finalmente começariam uma nova vida, mas dessa vez juntos... e ninguém iria separá-los.
Logo que se afastaram, Violet sentiu-se ser abraçada por uma Saoirse eufórica, passando de abraço em abraço até chegar em Moody e Minerva, que a beijaram e felicitaram. Nem mesmo a pose durona de Alastor foi o suficiente para esconder que ele estava a ponto de chorar, o que arrancou uma gargalhada de Minerva assim que Violet perguntou o porquê de ele estar tão quieto.
— Bem vinda à família querida. – sorriu James antes de beijá-la e abraça-la.
Violet não poderia estar mais feliz quando Vitor a arrastou para o salão de baile, subindo as escadas como recém-casados e dançando a primeira valsa juntos. Era um dia especial, propício a romance.
— Quem você acha que é o próximo? Sophie e Draco ou Alessa e Robert?
— Ahhhh Violet, sempre o cupido, hein? – riu Vitor girando-a gentilmente.
— Ah, fala sério! É óbvio... você já viu como o Robert encara a Ally? E eu diria que o passado obscuro do Draco está bem perto de ser esquecido... olha aquilo e me fala se estou errada. – desafiou com um sorriso travesso. E Vitor não teve como discordar. Alessa e Robert já estavam obviamente apaixonados, só precisavam admitir. Enquanto isso, Sophie e Draco pareciam extremamente envolvidos um com o outro para perceberem os olhares do salão.
Violet riu e divertiu-se como nunca, dançou com o marido, depois passou para os braços de Harry, Draco, James, Moody e, por fim, Estevam.
— Você não tem noção do quanto eu estou feliz de poder ver isso... estar aqui. – declarou ele durante uma das valsas lentas. – Está feliz?
— Muito! – sorriu.
— Sim... aliás, eu diria que está brilhando! – sorriu acariciando o rosto da neta gentilmente. – Seus olhos brilham, Violet, e eu não poderia estar mais orgulhoso de ser... bem, você sabe o que.
— Sei... – gargalhou ela, abraçando-o apertado pela cintura antes que avisassem para todos se sentarem.
Violet não sabia o que ia acontecer, mas corou imediatamente assim que viu Alessa assumir o microfone e pedir silêncio a todos.
— Ah não...
— Preocupada? – gargalhou Vitor.
— É lógico! É da Alessa que estamos falando... e depois dela não duvido nada que Draco e Harry aproveitem a deixa para me envergonhar o máximo possível.
— Ahhhh, o seria de nós sem nossos amigos?
— Ela vai querer me matar depois disso, mas eu preciso dizer. – começou a ruiva, sob os olhares envergonhados da melhor amiga. – Ei! Não me olha assim não, é óbvio que vai ter discurso no seu casamento! Certo... por onde eu começo? Quando Vitor Krum chegou em Hogwarts para o Torneio Tribruxo, os dois começaram a implicar um com o outro, provocações no café, no almoço e no jantar... – sorriu travessa. – Mas eu já sabia que algo estava acontecendo, principalmente quando ele a convidou para o baile. Eu falava, Sophie falava... até Rita Skeeter falava que eles iam acabar juntos e ela não acreditou. Bem... EU AVISEI! – exclamou seguida por risos e gargalhadas de todos. – Vitor, você é um cara de ouro para aguentar essa menina... está para nascer alguém mais teimosa que ela.
— Como se você fosse diferente...
— Eu sei, por isso ainda tenho esperança. Se a soberana da teimosia encontrou o príncipe encantado, eu também posso. – piscou e enrubesceu assim que Violet gritou um “vai lá Rob”. – Piadas a parte... esse é um dia maravilhoso e vocês merecem... acho que de todos aqui, eu e a Sophie fomos as que mais presenciaram esse amor, desde o começo. Convivemos com as brigas idiotas e aguentamos toda a melação que possa existir! Então... se vocês conseguiram ficar 5 anos sem casar, e ela enrolou bastante, muitos outros virão. E antes de fazer o grande brinde, só um aviso: eu serei a madrinha do primeiro filho, okay? – disse arrancando risos de todos, e uma vermelhidão em Violet. – Aos noivos! Quem é o próximo?
— Eu! – disseram Draco e Harry ao mesmo tempo.
— Os dois vão ter que dividir os holofotes. – brincou Alessa, e para a surpresa de todos, eles aceitaram. Foi com muita vermelhidão, e um pouco de lágrimas, que Violet ouviu os dois irmãos falarem de como ela era teimosa, que todo mundo já sabia do romance dos dois e que até fizeram uma aposta para ver quanto tempo ia demorar até o casamento. Harry ganhou, o que deixou um Draco nada satisfeito. Depois de leves ameaças a Vitor, logo Saoirse ocupou o lugar e, assim, todos os padrinhos tiveram seu momento. Mas a pior, ou mais emocionante, parte, foi quando Alastor Moody decidiu pegar o microfone.
— Eu... não estou acostumado a fazer isso, então vamos com calma... – começou Moody, para a surpresa de Violet, que tinha certeza que o padrinho nunca iria falar em público algo íntimo, como era esperado dos discursos. – Infelizmente, a pessoa que mais queria ver esse dia não está. Severo, o morcego das masmorras, era o homem mais complicado que eu conhecia... mas quem eu encontrei quando fui à Hogwarts no Torneio Tribruxo era um homem completamente diferente. E não é novidade a ninguém que isso aconteceu graças à filha dele... – disse encarando-a profundamente, só a menção de Snape já trazia lágrimas aos olhos azuis, e pela boca do padrinho a situação ficava ainda mais emocionante. – Você conquistou pessoas que, aparentemente, eram impossíveis de amar. Primeiro uma sádica comensal, um professor rabugento e assustador, e então um velho auror aposentado que desconfia até da própria sombra. Snape e eu conversamos, quando você foi pedi-la em namoro Krum. – completou engolindo em seco e reunindo forças para continuar. – E embora nenhum dos dois aceitasse bem, você sabe, ciúme de pai, nós concordamos em algumas coisas... No início ele não acreditava que você fosse bom o suficiente para ela.
Vitor tinha memórias bem vívidas sobre o dia em que foi conversar com Snape e Alastor, talvez um dos mais difíceis de sua vida, até mais que a guerra.
— Mas desde o momento em que eu a vi com você, sabia que seria uma questão de tempo... e Snape também, por mais que não admitisse. Ele te amava Violet, e queria o melhor para você. – confessou. – Tinha apenas... medo de te perder. Quando a guerra acabou recebi uma carta dele, onde dizia toda a verdade, se desculpava e... pedia para cuidar de você. Foi uma carta bem grande, acredite, o Morcegão conseguia escrever bastante quando queria mas... no final, ele sabia que você ia acabar se casando com o Krum e que ele não estaria por perto, então pediu para que eu dissesse uma coisinha aqui. – disse tirando do bolso um envelope pardo com um pedaço de papel. – Não tem nada muito vergonhoso. – piscou debochando.
Violet não sabia o que pensar, seu pai havia deixado um discurso pronto para um eventual casamento? E queria que Alastor lesse? Aquilo não iria dar cero, ela já podia sentir o coração falhar uma batida enquanto Vitor apertava sua mão gentilmente.
— Já passamos por muita coisa, mas mesmo assim não consigo acreditar que ganhei um presente tão maravilhoso como você, mesmo com todas as coisas que fiz...— começou. – É difícil, para um pai, ver sua única filha partir, mesmo que seja apenas um casamento. Mas... e eu nunca ousaria admitir isso e voz alta, quando olho para vocês dois, perdidos um no outro quando se olham, dá para sentir todo o amor que brilha por seus olhos... Lembro que, enquanto assistia a primeira dança de vocês dois, no Baile de Inverno, já sabia que alguma coisa estava mudando, e preciso confessar que você, Vitor Krum, é o único homem que eu aceitaria leva-la, porque sei que a ama. Violet foi o meu mundo, você sabe, e agora creio que seja o seu também, então cuide bem da minha garota, é uma joia que deve ser tratada com toda a devoção que merece. E quanto a você princesa, eu nunca te deixarei, sempre estarei aqui... No seu coração. Você é o meu maior orgulho, sempre.
Violet já chorava a essa altura, e Vitor estava satisfeito que o “sogrão” realmente gostasse dele, e prometeu em seu coração que viveria para honrar aquelas palavras.
— Para finalizar — continuou Alastor, dessa vez por conta própria. –, eu só queria repetir a frase que meu amigo disse quando se conheceram, Sr. Krum... Espero que a faça feliz e, em hipótese alguma, atreva-se a magoá-la. Aos noivos!
Violet não demorou para levantar e envolver Moody num abraço apertado enquanto as lágrimas desciam freneticamente.
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