The Orphan: Endless Love

24 Capítulo 23 - I'm sorry


Notas iniciais
Okay, Ravenna pensava que a filha estava morta e Eileen disse que está viva... isso definitivamente não vai dar certo *o*

Sinto muito

— Merlin!— exclamou Goethe derrubando no chão o vaso de vidro que carregava.

— O que está dizendo? – perguntou Ravenna, uma última chance para Eileen confessar que era um engano, virar-se e ir embora.

— Hope está viva. – repetiu.

Mas isso não aconteceu.

— É bom você ter uma boa explicação. – rosnou Ravenna colocando as mãos na cintura, a expressão tão vazia quanto uma noite escura.

Goethe não atreveu-se a recolher o vaso do chão e Violet sequer pensou em sair da sala naquele momento, sabia que seria uma conversa tensa e complicada... Especialmente se pensasse na personalidade forte das irmãs Prince.

— Eu nunca tinha visto você demonstrar tanta preocupação com alguém quanto na noite em que Voldemort descobriu sua gravidez. – começou Eileen com os olhos distantes, mas Violet percebeu resquícios de dor e talvez, só talvez, um choro contido – Quase não acreditei quando inventou aquela desculpa estúpida...

— Essa é uma péssima maneira de começar a se explicar Eileen.

— Não me interrompa Raven. – repreendeu-a – Eu sempre amei meu filho, desde o instante em que descobri a gravidez... E quando te vi daquele jeito eu percebi que você sentia o mesmo pelo seu. – admitiu engolindo em seco – Eu estava errada Raven, amor não é fraqueza... Não quando você usa a racionalidade.

— Sabe que odeio rodeios Eileen! – exclamou impaciente.

— Nós duas sabemos que Voldemort era viciado em poder! – interrompeu logo em seguida – E por mais que eu tenha usado minhas habilidades naquela noite, nunca estive segura de que iria funcionar. A mente dele era uma bagunça, fragmentada... Não podia confiar! E eu sabia que ele não cumpriria a palavra, iria procurá-la antes. – explicou sentando-se no sofá enquanto Ravenna a encarava – Então decidi tomar as minhas precauções. Você parou de visita-la aos 4 anos, mas eu continuei.

— Você o quê?!

— Eu precisava garantir que a garota estava segura! Mantive contato com o Willian e o convenci de que era o melhor a fazer.

— Que tipo de convencimento?

— Sabe muito bem o que eu fiz. – disse sarcástica, fazendo Ravenna passar as mãos sobre os fios negros presos nervosamente – Eu a visitava sempre, ergui feitiços de proteção... Mas quando chegou aos oito anos ela começou a demonstrar Magia Negra, não iria demorar para que Voldemort percebesse. Ele estava sempre me perguntando sobre a garota, dizia que estava empolgado. – riu sem humor – E foi então que tive a certeza de que ele iria recrutá-la mais cedo. Era óbvio que você não queria isso, da mesma forma que eu não queria para o Severo... já era espiã de Dumbledore na época. Eu tinha um plano... Era arriscado, é claro, mas estava disposta a enfrentar os riscos.

— E qual foi o brilhante plano?

— Pare de ser irônica comigo Raven, sabe muito bem que não adianta. – repreendeu-a friamente para logo em seguida continuar – O plano era simples. Trocar a verdadeira Hope Bürckle por outra criança bruxa qualquer, fazer Willian acreditar que era a sua filha e garantir que ninguém além de mim jamais soubesse. – disse encarando o chão e, dessa vez, Goethe teve que amparar a irmã do meio, que repentinamente ficou pálida demais – Era noite quando cheguei à mansão dos Bürckle, obliviei Hope e a troquei por uma garota órfã extremamente parecida, só tive que reajeitar a tonalidade do cabelo. – deu de ombros, para o assombro da neta – Na mesma noite “convenci” Willian de que aquela garota era a sua filha e fiz o mesmo com a garota, que passou a acreditar nas falsas memórias que dei a ela. Enquanto isso, dei um novo passado para minha sobrinha e a levei para uma família bruxa que queria ter um segundo filho, mas a mulher teve problemas e não conseguiria engravidar.

— Merlin...— sussurrou Goethe, quase não acreditando na frieza da irmã. Mas depois do que fez com o próprio filho para manter um disfarce, aquilo não era quase nada.

— Hope foi adotada pela família e ganhou uma nova identidade, mas eu não poderia simplesmente desaparecer. Convenci o casal de que eu deveria estar por perto e acabei sendo a madrinha da garota. – confessou – Eu acompanhei cada passo de sua infância, sempre tomando cuidado para que a verdade não aparecesse e reforçando as memórias da falsa Hope, de Willian e da família. Foi realmente cansativo e exaustivo...

— Exaustivo? – debochou Raven com a voz carregada de ódio.

— Mas eu estava certa. Quando Hope completou seus 18 anos, Voldemort não aguentou e foi até ela, exigindo que se juntasse aos Comensais. Mas a garota foi criada pelo Willian e recebeu princípios, então recusou o convite e, como eu sabia que faria, ele a eliminou. – falou simplesmente.

— Merlin Eileen, você criou uma garota para o abatedouro! – assombrou-se Goethe, penalizada pelo óbvio sofrimento de Ravenna.

— Melhor ela que sua sobrinha. – rebateu imediatamente e, antes que uma das duas abrisse a boca, continuou – Eu tentei te consolar Raven, saber se não estaria sendo cruel demais com você... mas então me culpou.

— Quem mais sabia que eu tinha uma filha?!

— Sou sua irmã! – rebateu em voz alta – Achou mesmo que iria entregar minha própria sobrinha para a morte?

— Nós duas sabemos que você é a racionalidade em pessoa, não se faça de santa Eileen!

— Oh claro, e pela razão minha sobrinha deveria ser assassinada? – ironizou, não dando chance de resposta – Até que Voldemort fosse derrotado ninguém poderia saber a verdade. Eu continuei como madrinha da garota até seus dezoito anos, ela sabia que era adotada e também sabia que eu conhecia os verdadeiros pais. – continuou mais calma, bem diferente de Ravenna – Ela tinha uma capacidade incrível de conseguir arrancar coisas das pessoas, nada mágico, mas um carisma natural que certamente veio do Bürckle. Ela sempre me pediu para falar sobre sua família biológica. Apesar de ser óbvio que eu nunca contaria tudo, ela tinha a esperança de que eu iria contar a verdade... e eu prometi contar, quando fosse seguro novamente. – admitiu – Mas fui assassinada. Talvez eu devesse ter feito o mesmo com o meu próprio filho, mas...

— Mas era o seu filho. – concluiu rancorosa – Ninguém tocava nele, certo?

— Raven...

— Nada de Raven. – cortou rapidamente – Eu espero que realmente não responda o que estou pensando, para o seu próprio bem Eileen, mas perguntarei mesmo assim... Ela apresentou sinais de Magia Negra aos oito anos, como Voldemort nunca a encontrou?

Violet teve uma desconfiança de como a avó resolveu o problema, mas seria cruel demais até para Eileen Prince...

— Eu isolei sua essência mágica.

...ou não.

— Ela cresceu pensando ser um aborto, assim nunca teria problemas com magia e ficaria invisível para Voldemort e os Comensais.

— Meu Merlin Eileen... – surpreendeu-se Goethe – Crescer sem magia é uma das piores coisas que podem acontecer a um bruxo... ela...

— Pare de sentimentalismos Goethe!

— Você não tinha esse direito! – gritou Ravenna, o autocontrole desaparecendo imediatamente.

— Preferia vê-la morta? – rebateu logo em seguida – Eu salvei a vida da sua filha Raven!

— E mandou outra pessoa para morrer no lugar dela. Nem eu seria capaz disso Eileen... aliás, como você... Merlin, você realmente é filha de Joseph Prince! Tem alguma... você tem noção do que fez?! Eu nunca pensei que minha irmã fosse tão...

— O quê?! – explodiu a mais velha – Anda Raven, fala na minha cara o que você sempre pensou!

— Doentia!— gritou – Assim como ele você não liga nem um momento para o que as pessoas estão sentindo! Eu sempre levei a fama de fria e cruel, mas acho que erraram de irmã. Eu nem me comparo ao seu nível! Você consegue ser ainda pior que o nosso pai... Alguma vez sentiu remorso Eileen? – exclamou finalmente derramando lágrimas, para a preocupação de Goethe, que sabia muito bem aonde aquilo ia chegar.

— Ravenna...

— Eu te culpei pela morte dela e você continuou sua vida como se eu não estivesse nem ligando para isso, não é? Como se não existisse um buraco no meu peito toda vez que eu acordava! Você não tinha esse direito! Não pode mexer na vida dos outros sem sequer perguntar!

— Raven – tentou Goethe, preocupada com o rumo da conversa, que já se desviava do assunto principal –, acho melhor...

— Não se intrometa Goethe! – cortou Eileen friamente, levantando-se do sofá – Você fala tanto de mim, mas também sempre se levou pela razão, sis. Quem gostava de torturar os prisioneiros? Você é a única sádica descontrolada da família!

E então um tapa atravessou o espaço vazio e atingiu o rosto da mais velha, que virou o rosto em indignação. Ninguém, jamais, havia lhe levantado a mão para bater em seu rosto. Nem mesmo Tobias.

Goethe rapidamente se aproximou e tentou ficar entre as irmãs, que se encaravam como se fossem realmente iniciar uma chacina. As luzes da sala já piscavam quando Ravenna encarou a matriarca Snape.

— Como eu disse – continuou, massageando a face dolorida e tentando a todo custo ignorar a raiva que crescia anormalmente em seu peito –, não tem controle algum de si mesma. Concordo que sempre usou a racionalidade, mas como eu poderia te contar alguma coisa se sabia que é impulsiva?! E vamos concordar que não consegue manter a mente fechada por muito tempo.

— Você...

— Chega Ravenna! Nós duas sabemos que entrar na sua mente é a coisa mais fácil que existe! – debochou – Se eu te contasse iria se vingar, mas você é péssima para planejar uma vingança decente, iria se deixar levar pela impulsividade e acabaria morta também! Sem contar que estragaria todos os meus disfarces e provavelmente arruinaria a família.

— Arruinaria a família? Eu não acredito que estou ouvindo isso...

— E não é verdade? – rebateu impiedosamente – Acha que ia conseguir se manter calada e fingir a boa moça na frente dele? Ou que conseguiria pensar racionalmente e disciplinar sua mente para enganar Voldemort como eu fiz? É óbvio que não! – exclamou e então alguns dos vasos na estante explodiram – Goethe talvez conseguisse, mas você... Ravenna Prince é a última pessoa do mundo que poderia sequer cogitar a hipótese de esconder algo de Voldemort!

— Acho que está passando dos limites Eileen...

— Ora, por favor, como se Eileen Prince fosse perfeita! – rebateu Ravenna ignorando totalmente a caçula, a raiva florescia cada vez mais e sua vontade era acabar com tudo aquilo, e o “aquilo” incluía Eileen – Hope era a minha filha! Você não podia simplesmente...

— Salvar sua vida?

— Manipular meia cidade! – rebateu fazendo o lustre estourar e lançar os cristais para todos os lados, o que fez com que Goethe rapidamente erguesse um escudo para protegê-las dos pedaços cortantes – Mas você sempre foi assim, não é? Ninguém dizia não à Eileen Prince! Você se achava a melhor de todas nós e não estava nem um pouco preocupada em ajudar suas irmãs e não se importou em quebrar todos os princípios da família para casar com um trouxa! E depois, para mascarar o erro e dizer que foi planejado, inventou que era um disfarce para que ninguém soubesse de sua inclinação a Voldemort. E como se não estivesse satisfeita, traiu seu marido também!

— Você não faz ideia do que eu passei Raven...

— E você faz?! – explodiu, os olhos enegrecendo enquanto os quadros da parede eram jogados ao chão com brutalidade – Faz alguma ideia do que eu passei quando tive que ouvir Willian dizer que eu era um perigo ambulante para a minha própria filha?! – dessa vez a cortina começou a pegar fogo – Ou quando fui obrigada a concordar em nunca mais vê-la?

Violet assistia assustada Ravenna se aproximar da irmã com uma fúria palpável nos olhos enquanto a cortina da sala queimava em chamas. Goethe tentou apagar o fogo, mas logo em seguida os objetos que restaram inteiros começaram a sair do lugar e lançavam-se para as paredes um a um furiosamente.

— Ravenna! – tentou Goethe se colocando entre as irmãs, uma péssima ideia.

— Ou talvez quando fui vê-la depois de dezoito anos e ouvi Willian dizer que nossa filha foi assassinada?! – exclamou e, dessa vez, Goethe foi lançada para o sofá com um aceno de mãos – Talvez saiba o que senti quando ele me disse que era culpa minha, que minha filiação a Voldemort causou a morte da minha filha!

— Chega Raven! – interrompeu Eileen já irritada, estava decidida a não brigar, mas a irmã era persistente e sempre conseguiu tirá-la do sério facilmente – Se não fosse por mim ela estaria morta agora! A filha que você nunca disse se amava estaria recebendo a maldição da morte naquela noite se sua irmã idiota não tivesse feito o que fez!

— Hipócrita!

E então outro tapa, mas dessa vez Ravenna foi o alvo. Violet percebeu que as duas iriam duelar alí mesmo e, sem ao menos pensar, colocou-se entre as duas, usando um feitiço não-verbal para afastá-las alguns metros.

— Por Merlin, parem com isso!

— Sai da frente Violet!

— Não! – se impôs assim que a tia ameaçou a avançar, colocando-se em sua frente de novo — Deveriam se ouvir por um momento e dar atenção ao que realmente importa! Hope! Ela está viva, vão procurá-la!

— Não se meta nisso garota, quem mexe com fogo acaba se queimando! – avisou Ravenna, abrindo nas mãos grandes bolas de fogo e lançando para a sobrinha, que desviou assustada ao perceber que se transformou num alvo.

— Não se atreva a mexer com a minha neta Raven! – ameaçou Eileen, finalmente cedendo e, enquanto seus olhos ficavam negros, abriu as mãos e lançou um raio de energia na irmã, que bateu as costas na parede e caiu ajoelhada.

Aquilo foi o que precisou para as duas entrarem num duelo.

Eileen era uma eximia duelista, mas Ravenna conseguia ser tão boa quanto quando seus interesses estavam em jogo. Goethe tentou separá-las mas, novamente, foi atacada. Violet, por outro lado, não acreditava que duas irmãs podiam se odiar tanto a ponto de tentarem se destruir daquele jeito... E sabia que ambas eram fortes o suficiente para deixarem cicatrizes horríveis.

Em questão de segundos a sala estava totalmente em pedaços e um pequeno incêndio começava a se alastrar de um vaso de flores que foi incinerado quando Ravenna tentou acertar a irmã.

— Parem com isso! – tentou Goethe novamente e, dessa vez, ergueu um enorme campo de força que separou as duas e acabou destruindo o que faltava, a voz em Sonorus e a ira óbvia em seu olhar. Ela odiava quando as irmãs brigavam, mas nunca pensou que as discussões de sempre chegariam naquele nível – Será que não percebem que isso não ajuda em nada?!

Então Eileen, tomada pela cólera, lançou a Maldição Cruciatus na irmã sem qualquer piedade e com toda a sua força, mas Violet foi tomada por um impulso e colocou-se entre as duas, sendo atingida no lugar da tia e caindo de joelhos no carpete destruído, um grito escapando por sua garganta e preenchendo o ambiente.

A dor era praticamente a mesma de quando Voldemort o lançara no Torneio Tribruxo anos antes, talvez pior. Quando a garota abriu os olhos, encontrou-se na sede da Ordem, onde a pequena Alpha brincava com Régulus no tapete da sala.

— Hey! O que...

— Não tenho tempo para isso Black, você vai ficar bem querida? – disse Goethe ignorando-o totalmente e dirigindo-se à garota confusa.

— Elas... vão se matar, não é?

— Quem vai se matar? – perguntou Régulus repentinamente tenso.

— Não se eu matá-las primeiro. – rebateu Goethe furiosamente para logo em seguida aparatar.

Ao voltar para casa, sentiu o cheiro forte de queimado e, assim que passou pela porta, assustou-se ao perceber Ravenna ajoelhada no meio da sala destruída, com lágrimas descendo por seu rosto incessantemente enquanto Eileen permanecia em pé, os olhos vidrados na irmã e o rosto cortado.

— Já acabou o show? – perguntou a caçula com a voz fria chamando a atenção das demais – Ou devo me preocupar com outra rodada de violência gratuita?

— Sarcasmo não combina com você Goethe.

— Como se você...

— Ora, por Merlin! – cortou – Calem a boca vocês duas!

— Goethe!

— Não! Agora vocês que vão me ouvir! E é melhor ficarem quietas. – explodiu encarando-as firmemente – Nós somos irmãs! Crescemos juntas e, por mais diferentes que sejamos, nunca deixamos de nos importar umas com as outras!

— Não parece que...

— Chega Raven! Vocês brigam desde que nasceram, nada nunca é bom o suficiente para nenhuma das duas! Não é?

— Goethe...

— Não é?!— repetiu – Sabiam que nosso pai gostava disso? Ele amava assistir a discussão de vocês duas porque era naquele momento que ele podia observar até onde cada uma podia chegar e quais armas estava disposta a usar. Chega disso! Até quando vão se machucar desse jeito?

— Você é idêntica à mamãe, não é? – debochou Eileen, porém, seu tom de voz tinha certa urgência que, para a satisfação de Goethe, lembrava culpa e arrependimento. E eram raras as vezes em que viu tais sentimentos na irmã mais velha.

— Sabem qual o problema de vocês? – disse ignorando o deboche – São exatamente iguais.

— Eu não sou como ela!

— Mas tem o mesmo gênio Raven! – interrompeu com uma firmeza e altivez que as irmãs jamais tinham percebido existir – Tão teimosas quanto uma mula empacada! Eileen sempre foi a mais sensata e racional da família, mas vejam o que isso a custou... Além de sua própria família, ache uma pessoa que realmente goste de você e teremos um milagre. – ironizou sem dó – E você Raven, tão impulsiva! Pode ser uma exímia bruxa, mas quando quer parece a mais primitiva das crianças! As duas, aliás, não passam de crianças que vivem discutindo, sempre querendo passar a outra de alguma forma. Já não é suficiente o que têm? Precisam derrubar a outra?!

— Ora, chega com isso, por Merlin!

— O que custa recuar Eileen? – perguntou Goethe, apelando para as palavras que ela sabia que iriam machuca-la – Qual o grande problema em não ser a dona do mundo e da razão? Pessoas erram, e muito! Então desde que você enxergue seus erros e os corrija, não há nada de ruim nisso, prova que é humana... – argumentou – Você sempre reclamou do nosso pai, que ele era possessivo... Mas já parou para perceber que é exatamente como ele? Você quer o controle de tudo Eileen! Você não consegue simplesmente ficar no seu canto, precisa interferir no máximo que puder... Como ele fazia.

— Como eu poderia não ser como ele se vivi quase que exclusivamente para atender às expectativas de Joseph Prince? – ironizou – Não é como se vocês fossem entender...

— Aí está, o egocentrismo distorcido de novo. – acusou – Todas nós sofremos, cada uma a sua maneira. Você foi controlada e moldada por ele? Ravenna e eu fomos acorrentadas e torturadas por 25 anos. Nós enterramos nossa irmã mais velha e Raven a própria filha. Então não aja como se você fosse a com a maior dor, porque não é. – falou, a voz falhando levemente e afetando as irmãs – Você é poderosa e conhece coisas que nós provavelmente nunca saberemos, mas não passa disso.

Goethe parecia ter esse dom natural de deixar as pessoas sem fala diante de suas palavras. E por mais dócil e gentil que fosse, feria como Joseph era capaz.

— E você Ravenna... – disse virando-se para a morena, que continuava no chão – Sempre tentando se sobressair, não é? Esse humor ácido não engana. De todas nós você foi a única que não deturpou os ideais da nossa família... Mas também é impulsiva, caprichosa e orgulhosa. Não pode se contentar com algo, precisa de mais! Não pode simplesmente aceitar algo, tem que se revoltar e criar uma bagunça, para depois precisar de alguém para limpar tudo. Foi assim com o Willian, não é? O proibido te exulta... Você não aceitou a marca porque se identificava, mas porque a sociedade inteira desaprovava e você ama o gosto do perigo, do proibido... Tanto que se envolveu com um dos amigos no nosso pai, quase 15 anos mais velho, por capricho!

— Não foi capricho!

— Então o quê? Amor? Nós duas sabemos que você não ama tão facilmente, o máximo que acontece é uma simpatia fria. Às vezes nem eu sei se você ama suas irmãs... Na verdade, eu nunca sei nada de vocês duas. Nenhuma emoção, sentimento... – disse em mágoa – Nada.

— Goethe... – tentou Eileen, finalmente deixando suas lágrimas caírem.

— Mas isso não importa, certo? – debochou – “Os Prince não mostram sentimentos. Esconda, não sinta”. Era isso que nosso pai dizia, não é? Mas mesmo assim, nós somos uma família. Temos poucos anos de diferença e crescemos juntas, aprendemos desde cedo que não devemos abandonar a família, aliás, foi o próprio Joseph Prince que disse isso. Esqueceram essa parte? – ironizou cheia de rancor – Não se destrói uma família, não se ataca uma irmã e, principalmente, não tenta matá-la.

— Eu não...

— É claro que não matou! Foi preciso derrubar a Violet para pararem! Aliás, que droga Eileen, você realmente jogou a maldição Cruciatus para mim?! Sua irmã?!— exclamou incrédula – E você Raven, como pode me jogar daquele jeito? Não quero nem pensar no que aconteceria se estivessem sozinhas... Pensei que fossemos irmãs, e não competidoras. Deveríamos cuidar umas das outras! Lembram o que nosso pai falou antes de morrer?

— “Não destruam nossa família, estejam sempre unidas e não permitam, em hipótese alguma, que alguém as separe.”— citou Ravenna levantando-se para sentar no sofá destruído.

— Vocês mesmas estão separando nossa família. – disse com amargura – É tão difícil assim confiar que sua irmã realmente só queria salvar a vida da sua filha Raven? E é tão difícil assim não enganar suas irmãs de forma deliberada, mesmo com boas intenções Eileen?

— Era a vida dela! Por Merlin, não façam tempestade em copo d’água!

— Não se trata disso Eileen, essa foi apenas a gota que faltava para transbordar! – exclamou indignada – Você sempre foi assim! Sempre tentou controlar nossa vida sem o nosso consentimento, nunca se importou em perguntar nada, apenas ia e fazia... Como acha que nos sentíamos quando você não explicava nada, apenas tomava as decisões que achava serem as corretas sem nos consultar? Foi assim a vida inteira Eileen, e foi assim com Estevam.

— Eu sou responsável por vocês duas! – exclamou, Eileen tinha raiva de se sentir tão exposta, odiava a sensação de alguém desvendando sua mente, descobrindo os segredos e derrubando os muros que ergueu com tanto afinco! – Nossa mãe morreu quando você nasceu Goethe, e nosso pai estava longe de ser a pessoa indicada para cuidar de um bebê, uma garota de 4 anos e outra de 7! – confessou raivosa – Quem vocês acham que passou a ter a responsabilidade de criar duas crianças?

— Eileen...

— Não, você colocou seu ponto Goethe, minha vez. – disse engolindo a mágoa – Eu tomo as decisões por todos porque fui ensinada a fazer isso! Eu tive que assumir a responsabilidade como senhora da casa aos sete anos! Vocês acham mesmo que era a governanta quem planejava e cuidava de tudo a respeito da casa e dos empregados para as reuniões e festas importantes que aconteciam? Acham mesmo que, assim que Goethe nasceu, eu como mais velha não fui treinada para assumir quase tudo que nossa mãe fazia? Para ser a bruxa exemplar digna de orgulho em Joseph Prince?

— Você...

— Eu cresci muito rápido e, mesmo que nosso pai tenha forçado no início, eu gostei. – admitiu – Adorava ter o poder de mandar e desmandar em tudo naquela casa, ainda mais por ser o alvo de tanto empenho e satisfação do nosso pai... Eu me tornei responsável por vocês duas no momento em que nossa mãe morreu e ainda mais quando o nosso pai se foi. Na verdade, ele me fez prometer que cuidaria de vocês anos antes. Eu me acostumei, gostei da sensação e então tornou-se automático. Sou a mais racional porque não considero a hipótese de algo dar errado e as pessoas que me importam sofrerem. – confessou, o coração palpitando mais rápido – Quando eu soube da Hope e Voldemort muitas coisas passaram na minha cabeça, mas a primeira foi você Raven. Eu sabia que se importava com ela e, de certa forma, eu também. Ela era da família... e não se abandona família. Por isso fiz o que fiz, porque novamente estava assumindo a responsabilidade por alguém que eu tinha certeza precisar de ajuda. – admitiu – Não fuja dos fatos, você realmente não ficaria quieta se soubesse a verdade. Minha racionalidade, que vocês tanto condenam, foi usada para acalmar meu lado irracional e contribuir para não despedaçar o seu ainda mais. É óbvio que doeu perder uma filha, mas você não teve muito tempo para pensar sobre isso porque logo foi presa também e agora sabe a verdade. Não precisa levar para o caixão a dor do coração partido que eu, por exemplo, sinto agora. Severo está morto, e talvez se eu usasse a razão com ele também, todos estaríamos vivos e Voldemort seria derrotado muito antes pelas minhas próprias mãos, sem que ninguém mais precisasse morrer no processo. Mas eu me deixei levar pela emoção e não consegui me afastar do meu filho para protegê-lo, como você fez.

— O que aconteceu com ela? – perguntou minutos depois, as três estavam machucadas profundamente.

— Foi adotada por um casal de bruxos, tem um irmão e já está casada, com duas filhas.

— Merlin, minha filha já tem duas filhas... – murmurou em desespero, fechando os olhos e passando as mãos nos cabelos nervosamente. – Eu... simplesmente perdi sua vida inteira. Deve estar com... 40, 42 anos?

— 44. – corrigiu Eileen se aproximando vagarosamente – Olha, eu sei que está irritada comigo e provavelmente quer me matar nesse exato momento, mas... Raven, pense que apesar de todo o sofrimento que está sentindo agora, Hope esteve segura! Ela não foi criada como uma bruxa poderosa em Magia Negra, como uma Prince ou mesmo uma Bürckle, mas ela recebeu todo o carinho que poderia ter... – disse sentando-se ao lado da irmã e abraçando-a pelos ombros – Ela teve uma família longe dessa loucura toda... Sinto muito querida, mas eu fiz aquilo que julguei ser necessário para mantê-la viva e bem.

— Eu sei. – admitiu engolindo em seco – Mas ainda não dá pra engolir essa história toda... Ela é praticamente da minha idade agora Eileen... Como... como posso sequer me aproximar sabendo que ela teve uma vida e família? Não é como se ela precisasse de uma mãe a essa altura... Sem contar que ninguém em sã consciência acreditaria nisso tudo.

— Ela vai acreditar Raven... – falou, grata pela irmã finalmente ceder – Você quer conhece-la?

— Você disse que ela assumiu outra identidade para não ser encontrada...

— Abigail. – sorriu – Abigail Addams.

— Addams?— repetiu Goethe surpresa – Eileen... Ela por acaso tem algum parentesco com George Addams?

— É o irmão dela. Por quê?

— Porque ele é simplesmente o Sub Secretário Sênior do Ministério e acabou de assumir a responsabilidade do Departamento de Aurores.

— Bem... Os Addams eram... digamos que... privilegiados. – continuou Eileen — Família puro sangue bem quista na sociedade... e com uma sede enorme de ter um segundo filho. Abigail cresceu como a irmã mais nova de George e, pelo que eu soube, casou-se com um bruxo puro sangue também, com quem teve duas filhas.

— Filhas...

— Você quer conhece-la? – tornou a perguntar.

— Não. – recusou levantando-se no mesmo instante – Ela não precisa de uma família louca agora, sua vida já está formada e tudo está certo. Saber sobre nós só iria atrapalhar... É melhor deixar as coisas como estão.

— Eu sinto muito Raven...

— Eu também. – disse antes de aparatar.

— Ela não vai me perdoar tão cedo.

— Você passou de todos os limites Lee. – repreendeu-a Goethe – Mas acredito que o tempo vai ajudar... tenha paciência, ela está machucada. Então... Hope... como ela é?

— É o Willian. – deu de ombros – Com os olhos dela. Mas lembra muito nossa mãe.

— E tem duas filhas. Elas têm...?

— Provavelmente sim. – concordou – Eu fui procura-la mês passado para saber como estava e descobri que as meninas devem ter no máximo dezoito anos. Estudaram em um Colégio Mágico canadense e aparentemente não foram envolvidas em nenhum escândalo com magia negra... Talvez tenham aprendido sozinhas, como a Violet.

— Falando em Violet...

— Sim, eu sei. – suspirou – Onde está?

— Ordem. – falou e, no momento seguinte, viu a irmã desaparecer. Ela nunca imaginou que, no mesmo dia, as irmãs iriam discutir ao ponto de realmente duelar, depois trocar ofensas e ela mesma repreender ambas, para no fim todas acabarem confessando partes doloridas de seu passado...

Não era bem como uma reunião de família ou um “eu amo vocês”, mas era um grande passo para aquelas que, um dia, receberam da irmã mais nova o apelido de “vigas de aço”. Rindo com o pensamento, Goethe observou bem o lugar e, decidida, resolveu que as irmãs iriam limpar tudo aquilo... elas querendo ou não.

E enquanto Goethe ia para seu quarto, Eileen conversava com a neta.

— Você não precisava ter visto aquilo e eu perdi o controle da situação. – começou baixando o rosto – Não deveria te machucar tentando fazer o mesmo com a minha irmã.

— Acho que você deveria pedir perdão a elas, e não a mim. Eu estou bem.

— Nós conversamos. – admitiu – Não foi algo tão... família... mas, considerando os membros, foi até bom demais.

— E quanto à Ravenna? Com Hope, digo.

— Ela entendeu... Por mais que esteja magoada, sabe que foi o melhor a se fazer na época. – deu de ombros, já demonstrara muito de suas emoções por um dia só – Mas não quer conhecê-la.

— Mas... por que? Ela pode recuperar o tempo perdido! Pode...

— Ela acha que já não é necessária na vida da filha, já que ela tem mais de 40 anos.

— Quem... quem é a Hope hoje?

— Abigail Addams.

— Addams? – repetiu, o sobrenome ainda a assombrava – Oh Merlin! Abigail é a irmã do George, certo?

— Sim.

— Eu nunca a vi, mas a Mary parecia idolatrar a “tia Abby”. Se bem que ela dizia o mesmo de mim, então... – insinuou – Mas e agora? Ela simplesmente vai ignorar que a filha existe? Isso não ajuda em nada. – disse lembrando-se da época em que Severo fizera a mesma coisa.

— Oh não, conheço minha irmã... Ela não vai conseguir se manter longe por muito tempo. E vou dar um jeito nisso.

Notas finais
Uooooooouuuu, o clima fechou na casa dos Prince! Eileen é realmente uma caixinha de surpresas... Ravenna finalmente mostrou o que sentiu e Eileen acabou transparecendo uma pontinha do que passou. Mas Goethe se posicionou! Ela estava meio apagadinha, não? Então... Abigail Addams. Já sabem, certo? Personagens novos na área! Alias, que história hein! O que acham, Eileen fez certo? Me falem TUDOOOO, quero saber de vocês ;) No próximo teremos o tão sonhado casamento! Preparem os lencinhos ^^ Quem serão os padrinhos? E a daminha de honra? —--------------- (...) E antes de fazer o grande brinde, só um aviso: eu serei a madrinha do primeiro filho, okay? – disse arrancando risos de todos e uma vermelhidão em Violet – Aos noivos! (...) Foi uma carta bem grande, acredite, o Morcegão conseguia escrever bastante quando queria mas... no final, ele sabia que você ia acabar se casando com o Krum e que ele não estaria por perto, então pediu para que eu lesse uma coisa aqui. – disse tirando do bolso um envelope pardo com um pedaço de papel. – Não tem nada muito vergonhoso. – piscou debochando. —--------------- Alessa sendo Alessa... E Moody sendo Moody.