The Orphan: Endless Love
17 Capítulo 17 - Horcrux
Notas iniciais

Eileen não sabia o que sentir realmente. Por um lado ficou satisfeita, pois todas as teorias de suas irmãs estavam certas e ela sabia exatamente o que fazer. Por outro, entretanto, viu-se assombrada ao perceber que aquela era a ultima chance de sua neta, que em poucos minutos sairia daquele hospital...
...viva ou morta.
Não havia mais um meio termo.
— Faça. – avisou a Estevam, sentindo seu auto controle desaparecer aos poucos.
— Espera, fazer o quê? – tentou Robert, mas no segundo seguinte Estevam sorriu maliciosamente e estendeu os braços em direção à garota – Hey! O que vão fazer?
E então um jato negro perolado saiu de suas mãos e atingiu Violet no peito, fazendo-a erguer o dorso como se um trovão a tivesse pego.
— Você... está devolvendo a essência, não é? – adivinhou ao ver a reação da garota, que logo passou a gemer de desconforto, evoluindo aos poucos para um grito desesperado preso na garganta – Pensei que tínhamos combinado três meses! A senhora disse que ela não estava pronta e que...
— Não Tupper, não tempos tempo. – rebateu Estevam, sentindo um leve desconforto em seu corpo — Estávamos certos doutor, é melhor chamar as Prince, diga que está na hora. – disse enquanto Eileen tentava segurar a situação, e não estava sendo nada fácil – Agora!
Robert então saiu da sala como um trovão e correu até a sala de espera, onde Ravenna e Goethe ostentavam uma expressão de tédio, porém, assim que virou o corredor percebeu Goethe com o rosto franzido e Ravenna de olhos fechados, como se algo estivesse se apoderando delas.
— Srtas. Prince! Que bom que estão aqui... O Sr. Ambrósio está... bem, ele disse que está na hora. – avisou e, antes que pudesse acrescentar o que tinha visto, viu as duas irmãs caminharem rapidamente pelo corredor até entrarem no quarto.
E novamente Robert fora surpreendido. Violet parecia convulsionar na cama enquanto seus braços puxavam as grossas amarras que a prendiam pelos pulsos. O rosto era misto de horror e dor e seu pescoço tinha várias veias saltadas levemente enegrecidas enquanto gritos desesperadores rompiam sua garganta.
Mas não foi essa a primeira visão das Prince. Logo atrás da garota, Eileen mantinha as mãos rodeando o rosto juvenil com aparente persistência, o olhar era determinado, mas suas mãos trêmulas entregavam que o esforço que fazia era descomunal e logo a derrubaria. Estevam, por outro lado, parecia abatido... E realmente estava. Um tempo antes “roubara” a essência de uma garota de 20 anos, e embora não a usasse, devolvê-la era como retirar um pedaço de si para entregar nas mãos descontroladas de uma criança. Violet parecia querer absorver muito mais do que lhe fora tirado, e Estevam sentia a força com que a moça puxava a aura mágica de volta para seu corpo.
Dois segundos se passaram e logo Goethe inspirou fundo e, antes que pudesse perceber, fora tomada por Magia Negra, transbordando e fazendo-a assumir olhos de coloração escura e veias saltadas. A mais jovem das irmãs sempre fora a mais suscetível ao descontrole emocional diante de tamanho poder, mas também tinha certa consciência de quando acontecia. E enquanto se aproximava para prostrar-se ao lado de Estevam – que permanecia de frente para os pés da cama – Ravenna sentiu uma formigação crescendo em seu peito e sabia que não seguraria aquilo por muito tempo...
— É melhor sair doutor, a tendência é piorar. – avisou apertando a maçaneta da porta com todas as suas forças – Não deixe ninguém entrar, não importa o que aconteça. Entendeu?
— Mas eu...
— A situação é semelhante ao beijo do dementador Tupper, acredite, você não vai aguentar. – avisou, praguejando internamente que o médico ainda não tenha percebido – Sai!
Com um puxão violento, Ravenna empurrou o doutor com as mãos para fora do quarto e, ao mesmo tempo em que trancava a porta, permitiu-se ser tomada pela força das trevas e, assim como a irmã mais nova, deu adeus aos olhos azuis. No instante seguinte Robert percebe três bruxos correrem em sua direção enquanto um clarão preenche o quarto e atravessa a janela de vidro pela qual o médico observava tudo. Enquanto Goethe estava nos pés da cama, Ravenna ficou de frente para a janela e, assim como a caçula, ergueu os braços.
Robert assistiu, surpreso, as duas irmãs jogarem uma espécie de luz branca brilhante na direção de Violet e, ao perceber que a magia que Estevam usava era de outra cor, entendeu tudo.
“Estávamos certos”, foi o que ele disse. Tudo se encaixava!
— Robert! – gritou Régulus no fim do corredor, acompanhado por Tonks e Pierce Seyfried, mas foram totalmente ignorados.
Os gritos da menina ficavam cada vez mais altos e desesperadores. Robert nunca presenciou o beijo de um dementador, mas já ouvira de amigos aurores que a sensação era horrível... Mesmo que você não fosse o alvo, sua alma parecia se rasgar junto com a do prisioneiro... e aquilo parecia acontecer, pois ao mesmo tempo em que Estevam devolvia a magia perdida – remendando a essência mágica –, Goethe e Ravenna amplificavam o poder de cura da garota, como se fossem o curativo da ferida aberta pelo Ambrósio.
E era bem óbvio que todos alí sentiam dor, a julgar pela expressão desesperada das irmãs e a extremamente abatida de Eileen, que ainda controlava-se para não se deixar ser possuída pela própria magia. Ela tinha um excelente controle, mas nunca fora muito boa com sua consciência quando a Magia Negra a tomava por completo... E aquela era uma péssima hora para se descontrolar.
— Hey! O que está acontecendo alí dentro? – perguntou Pierce com a voz altiva e exigente enquanto Régulus se dirigia para a porta.
— Não! – impediu Robert – Ninguém pode entrar!
— O que está acontecendo? – repetiu Pierce irritado.
— Nós já sabemos que ela absorveu muita energia e poder na guerra, certo? – disse e, após a confirmação dos três, continuou – Mas não foi só isso. Eileen me procurou hoje cedo e conversamos. Ela tinha uma teoria... e agora está óbvio que acertou. – ironizou apontando para o quarto preenchido por luzes – Todos nós achávamos que ela tinha destruído Voldemort, mas nos enganamos... ela apenas o absorveu.
— Espera, como assim?
— Violet destruiu as Horcruxes absorvendo seu poder, certo? Mas não funciona assim. Tudo que ela absorveu ficou preso dentro ela, na essência mágica, e como um vírus infectou todo seu corpo. – tentou explicar, mas os demais não pareciam entender nada – Voldemort e todas as Horcruxes trocaram de hospedeiro e passaram a viver dentro dela, como se ela fosse o próprio Lord das Trevas. A alma dele está lutando contra a dela por controle... Uma luta muito forte que a fez perder a noção de tudo, como uma autodefesa. Não foi ela que atacou seus amigos, ou quase matou um deles ou mesmo quando isolou-se em casa. Era a alma maligna de um ser perturbado e violento que tomou conta dela, fraca demais para resistir...
— Oh Merlin!— assombrou-se Tonks, um grito fino e estridente ecoava do quarto.
— Violet tornou-se a última Horcrux de Voldemort. – concluiu com pesar.
E então todo o controle de Eileen desapareceu, os olhos ficaram negros e vazios – como se olhassem para uma imensidão sem significado –, sua postura tornou-se altiva e as mãos pararam de tremer enquanto a fina camada de luz que as cobria estendeu-se para as laterais do rosto da neta.
Violet começou a se movimentar com ainda mais brutalidade, como se estivesse sendo invadida e preenchida por uma intensidade muito grande de energia, os braços e pernas debatendo-se descontroladamente numa tentativa desesperada de liberdade enquanto seus movimentos tornavam-se mais violentos.
— E como as demais, precisa ser destruída.
— Não... Não!— recusou-se Régulus, não poderia perder a prima daquele jeito.
— Magia Negra ainda pode destruir uma Horcrux, mas não será a dela a fazer isso... Estevam. – avisou, chamando a atenção para o bruxo que apontava para o peito da garota – Eles terão um segundo, se agirem no tempo certo ela sobrevive. As Prince estão usando magia curativa para mantê-la viva, e embora ela pareça sentir dor, elas estão garantindo que não seja pior enquanto Eileen tenta controlar a mente perturbada e evitar que Voldemort resolva voltar. E Estevam...
— Harry.— murmurou Tonks, lembrando em como a Horcrux que estava em Harry Potter foi destruída na guerra – Oh Merlin, isso é perigoso demais... ela pode...
— Um segundo a mais ou a menos... e ela morre. A vida dela está nas mãos deles. – concluiu, mas no segundo seguinte Régulus gritou e caiu de joelhos enquanto uma das mãos apertava o braço – Régulus?
— Impossível... – sussurrou surpreso ao reconhecer o formigamento em seu braço esquerdo onde, após subir a manga da blusa, percebeu a Marca Negra escurecendo-se novamente com ainda mais força... A sensação era mil vezes pior do que quando a recebeu do próprio Milord.
— A Marca Negra... – assustou-se Tonks enquanto um novo grito, ainda mais enérgico e gutural, preenchia o segundo subsolo, fazendo todos os funcionários estagnarem.
Violet então inclinou-se para frente numa tentativa de se soltar do aperto e, ignorando a dor crescente no peito, Régulus percebeu que a garota abriu uma expressão diabólica no rosto.
— Isso... deveria acontecer, certo? – perguntou Tonks incerta.
Mais branca que um crânio e com os olhos grandes e vermelhos... as pupilas de Violet assemelhavam-se às de um gato e brilhavam entre a imensidão de luzes. Uma grande cicatriz estendeu-se pela lateral esquerda do rosto da garota enquanto a Marca Negra brilhava de tão escura em sua pele quase translúcida... filetes negros subiam pelo braço como um tatuagem, mas pareciam cortar a pele internamente.
Antes que qualquer um dos bruxos assumisse que Voldemort realmente estava tomando o controle da garota, que estava a soltar-se nas amarras de couro prestes a se romper, Estevam agiu.
— Avada Kedavra!
Então uma luz verde atingiu Violet, que desabou no colchão instantaneamente.
Acompanhada por um grito de Régulus – que caiu novamente com o tamanho da dor que pulsou em seu braço marcado –, a máquina que media os batimentos cardíacos parou de apitar e um som fino e constante denunciou que o coração parara.
— Não...— sussurrou Tonks, lágrimas descendo desvairadamente.
As irmãs Prince continuavam a lançar aquela magia estranha esbranquiçada para a garota, que continuava imóvel e sem batimentos cardíacos... morta. Eileen, entretanto, conseguiu recobrar parte de seu controle e Régulus observou, assustado, quando ela passou a mover os lábios, mas a mulher parecia não aguentar por muito tempo.
Pierce ajudou Régulus a se levantar e logo as irmãs acompanharam Eileen no que aparentava ser um encantamento antigo enquanto aumentavam a intensidade do feitiço perolado repositor. Tonks já chorava abertamente, cedendo aos soluços enquanto Régulus a apertava – numa situação não muito diferente – em seus braços e Robert batia os punhos na parede, impaciente e torcendo para que aquilo funcionasse... E foi quando baixos bipes foram ouvidos no quarto.
— Vamos Violet... — murmurou Robert ainda mais ansioso que antes.
O intervalo entre os bipes era longo e parecia querer desistir, mas enquanto Régulus sentia toda sua dor dissipar-se, o som ficou mais alto e rápido, o intervalo cada vez menor. Novamente Estevam aproximou-se da cama e, dessa vez, Robert sabia exatamente o que o bruxo faria.
— Enervate!
O corpo pequeno e pálido da garota deu um pulo, mas nada além disso. Fez o feitiço outras duas vezes, mas novamente não funcionou.
— Enervate!— tentou uma terceira vez... e então duas safiras luminosas abriram-se.
Violet inclinou o corpo para frente como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo terrível, estava aflita e a respiração acelerada... o coração parecia querer disputar uma maratona e a sensação era horrível quando deitou novamente, encarando o teto do quarto, o peito subindo e descendo rapidamente.
O sorriso que Tonks abriu foi extremamente contagiante e logo os demais a seguiram. Robert passava as mãos nos cabelos, ainda incrédulo, Pierce suspirou impressionado e Régulus ergueu a prima num abraço apertado de alívio.
Ravenna e Goethe finalmente retomaram seu controle e deram um passo para trás – também arfando –, tudo parecia bem... mas Eileen estava longe disso. Acabara de se envolver num duelo contra Voldemort dentro da mente da neta e esgotara todas as suas forças, estava fraca, extremamente cansada... e quando afastou as mãos do rosto da garota sem fôlego, sentiu os joelhos cederem e perdeu a consciência, porém, antes que chegasse ao chão Estevam correu ao seu encontro e a segurou nos braços.
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