The Orphan: Endless Love

14 Capítulo 14 - Perfection Hurts


Notas iniciais
Olá... devem estar furiosos comigo né? Desculpa, sério... não fazem ideia da loucura que foi esse semestre, não tive tempo para quase nada! Mas as férias chegaram e consegui estruturar o resto da história até o final, só preciso escrever ;) Quem sabe não termino em breve? Obs.: leiam as notas de rodapé

“A perfeição machuca”

Dor.

Tudo que sentia naquele momento eram facas afiadas cruzando sua pele impiedosamente. Violet esbravejava, implorava por ajuda... mas ninguém ouvia! Estava num longo corredor escuro e, embora gritasse com todas as suas forças, ninguém aparecia para ajuda-la.

Batia nas portas, mas estavam todas trancadas. Correu... Correu o máximo que pode, mas suas pernas já não davam conta. Quando finalmente abriu uma delas, encontrou um quarto escuro, e dentro dele... Uma cama de lençóis brancos e esverdeados... Com um homem deitado.

– Não... – sussurrou.

Um braço caiu da cama e parecia fraco... a manga negra do casaco estava desabotoada e manchada de sangue enquanto um novo grito escapou pela garganta da morena.

– Você consegue me perdoar?

Escuro.

E então, gritos... vozes ecoando em seus ouvidos. Ao abrir os olhos, viu os destroços de uma guerra, o castelo estava em ruínas e, por todos os lados, ouvia feitiços e exclamações. Ao longe reconheceu Mary, e o feitiço mortal que lhe tirou a vida.

Gritou, mas ninguém pareceu ouvir.

Encontrou Bellatrix em seu último suspiro, e então o chão sobre si desabou. Fechou os olhos assustada, por que não ajudavam? Sentiu-se ser puxada para fora, ouviu alguém lhe chamar... Alastor?

– Alastor! – exclamou, mas assim que levantou sua mão o viu ser lançado para longe. E então Sirius. – Não, não!

Aterrorizou-se quando percebeu o que estava acontecendo... Estava matando-os. Não!

– Violet! – exclamou Moody sacando a varinha.

Não, o que estou fazendo?!

– Crucio! – ouviu-se dizer, fazendo com que Alastor caísse de joelhos. Quase não acreditava, não podia ser real... não, não, não, não, não, não... Não!

Em questão de segundos a porta foi destruída e, assim que virou-se, encontrou Dora e Andrômeda... Talvez pudessem ajudar, certo?

Talvez...

– Desipiens! – exclamou lançando um lampejo incolor em Tonks, que caiu em desespero com gritos rompendo-lhe a alma.

Violet tentou parar, mas parecia que já não controlava seu próprio corpo... Com as mãos formigando com o poder, sabia o que viria a seguir e, aterrorizada, deu-se conta de que queria mais.

– Maio de 1998 -

– E então? – perguntou uma Minerva aflita assim que Robert apareceu na sala de espera.

– Eu... Eu realmente não... Não sei. – respondeu confuso e aparentemente cansado. – Tem alguns cortes nos braços e a Marca Negra ainda está lá, parece que se mexe... Violet está inquieta e mesmo dormindo parece estar sofrendo. É... Horrível. Onde está a Sra. Snape? Eu esperava que ela me ajudasse... Os sedativos não estão fazendo muito efeito, a Violet vai acordar a qualquer momento...

E Robert estava certo. Assim que sentou-se em uma das cadeiras e fechou os olhos derrotado, um grito assustador foi ouvido pelos corredores e o médico não viu alternativas senão procurar por Eileen.

– Sra. Snape? – disse abrindo a porta e encontrando Eileen em pé e as irmãs sentadas, aparentemente o assunto era sério, pois as três mantinham expressões fechadas e pesadas no rosto, o que não mudou quando abriu a porta sem bater – Desculpem interromper, mas preciso da senhora...

– O que aconteceu?

– Violet. Os sedativos não estão ajudando em nada e está inquieta, a Marca... Eu não sei como ajuda-la com a medicina.

Eileen suspirou fundo e, antes que dissesse outra coisa, um novo grito ecoou pelo quarto agora aberto, a conversa com as irmãs teria que esperar.

– Volto depois. – avisou Eileen saindo do quarto sem ao menos olhá-las e correr até o quarto da neta. Mas a visão que encontrou foi de partir qualquer coração.

Sobre a maca uma garota aflita, o rosto manchado pelas lágrimas, o cabelo bagunçado e os braços nus mostrando marcas negras por toda a extensão. Seus pulsos estavam presos com grossas amarras à cama e suas pernas também, e embora tentasse se soltar, o máximo que conseguia era arranhar o colchão e debater-se sobre a cama desesperadamente.

Enquanto Ravenna e Goethe apareciam na porta discretamente, Eileen afastou a cabeceira da cama da parede e colocou ambas as mãos ao lado da cabeça da neta, mantendo uma distância segura. Pretendia ter mais treino para fazer aquilo, mas não havia tempo. Para salvar a neta teria que entrar em sua mente naquele instante... E pedia internamente que ainda conseguisse fazer aquilo.

A mente humana era como um jogo de tabuleiro, sendo o final o centro da mente, o lugar onde qualquer coisa que Eileen dissesse influenciaria a pessoa quando acordasse. O caminho até alí era diverso, para algumas pessoas poderia ser uma cidade inteira montada, para outras um ambiente e outras ainda uma paisagem qualquer. Para entrar na mente, tudo que deveria fazer era se concentrar e seguir o caminho que lhe era mostrado, seja uma cidade ou um corredor. Mas Violet... Merlin, era tudo tão escuro! Sombrio...

Bem no horizonte viu algo brilhar, mas conforme dava passos em frente, sentia algo puxar seus calcanhares... E quando olhou para trás...

– Eileen! – surpreendeu-se Goethe quando viu a irmã ser jogada para longe da neta, em direção à parede.

Eileen ainda estava em choque quando Robert a ajudou a se levantar, quase não acreditava no que tinha visto e se recusava a aceitar que aquilo realmente aconteceu. Só podia sentir mais pena da garota... e de si mesma, que certamente nunca esqueceria aquela cena de sua memória.

– Lee, o que aconteceu?

– Ela está presa... – sussurrou encarando o vazio. – Um labirinto, a mente dela é um grande e escuro labirinto, com monstros, bruxos, fantasmas, criaturas mágicas... memórias. Eu... preciso de uma poção, não tem como fazer nada com ela assim... – disse antes de aparatar.

Goethe ainda estava confusa quando, ao ser tocada por Raven, sentiu-se aparatando. A sensação não era nada agradável e sentiu seu estômago se revirar.

– Tudo bem?

– Estou bem... – arfou – Só... Não esperava.

Ravenna não ouviu mais nada e seguiu pela casa que conhecia muito bem. Aquela era a antiga residência dos Prince, onde nasceram e cresceram até se tornarem adultas. Era o único lugar que sabia ser um refúgio para as irmãs, especialmente Eileen. Enquanto subia as escadas, tentava ignorar a irmã mais arfando logo atrás, talvez fosse um tanto cedo demais para arrastá-la numa aparatação... Tão frágil, acrescentou.

O quarto da mais velha era o último do corredor e, ao ouvir um soluço baixo, Raven preocupou-se. A irmã não era dada a sentimentalismos, essa parte era com Goethe.

– Lee? – perguntou a mais nova ao encontrar Eileen sentada na cama com o rosto coberto pelas mãos. Ao erguer-se, os olhos estavam levemente avermelhados, indicando que chorara muito no caminho. – O que aconteceu?

– A pergunta certa é... Qual memória dela te deixou assim? – corrigiu e, após um olhar para a irmã do meio, Raven percebeu que estava certa.

– Ver meu filho morrer através dela não é fácil... – confessou em um tom baixo que, se não estivessem tão perto, não ouviriam. – Foi... horrível.

– Sinto muito – disse Goethe, mas antes que falasse qualquer outra coisa, Eileen mudou rapidamente de assunto. –, eu não...

– Preciso fazer uma poção. Violet não está nada bem e não consigo entrar enquanto estiver desse jeito. – falou levantando-se e dirigindo-se à parede atrás da cabeceira da cama.

As irmãs a observavam em surpresa quando, ao tocar um objeto qualquer da parede, Eileen abriu uma pequena porta e entrou em um segundo quarto.

– Como você tem um estoque particular secreto nesse quarto e nunca descobrimos? – indignou-se Raven. – Aliás, como você sabe tudo isso? Que eu me lembre, o Lord, e muito menos nosso pai, nunca nos ensinou algo parecido.

– Bem... digamos que, por eu ser a mais velha, tive mais responsabilidades que vocês. Nosso pai prezava pela boa educação e o poder. – disse enquanto tirava um dos livros velhos da estante.

– Isso nós sabemos, treinamos juntas desde... desde sempre, acho.

– Vocês eram pequenas para lembrar, mas eu sempre acordei cedo para treinar com ele e, além das aulas normais, ia dormir tarde estudando. – falou distraidamente ao mesmo tempo em que verificava algumas gavetas. — Nosso pai realmente colocou tudo que sabia em mim, dizia que eu tinha o dever de ser poderosa e astuta, de ultrapassar nossos antepassados e garantir que a próxima geração fosse tão bem treinada quanto eu.

– Espera, como assim?

– Não se façam de idiotas, sabemos muito bem que nosso pai gostava de poder, o que o impediria de colocar todas as suas frustrações sobre a filha mais velha? Já que ele não tinha magia negra, iria garantir que as filhas soubessem usar. Eu não tinha tempo para amigos, se querem saber... E muito menos namoradinhos, como certa pessoa parecia colecionar. – disse ironizando a época em que Goethe aparecia de namorado novo quase todo mês. – Mas isso não importa agora, meu estoque está praticamente vazio!

– Hey, vai com calma e explica essa história direito! – exigiu Goethe, não que a irmã fosse ouvi-la.

– Sinto muito Goethe, mas não tenho tempo para as baboseiras do nosso pai. – cortou rispidamente – Preciso de raiz de asfódelo e... droga, preciso atravessar o continente. Ótimo. – ironizou.

– Sei que vou me arrepender disso, mas... Raiz de asfódelo tem em qualquer boticário, sis*. – intrometeu-se Ravenna, sabia que não arrancaria mais nada sobre o passado da irmã e resolveu deixar de lado, ao menos por enquanto. Adequar-se aos padrões de perfeição dos Prince não era tão bom assim, percebeu, sabia o quanto o velho Joseph Prince era obcecado por poder e controle, e talvez Eileen não tivesse tudo, afinal.

– Para uma poção do Morto vivo sim, mas para essa não... – disse contrariada enquanto transfigurava sua roupa em algo mais confortável. – Preciso entrar na mente dela, não é algo fácil quando a pessoa está perturbada. Mas, existe uma fazenda no norte de Toscana que tem asfódelo modificado, é algo raro, mas eles conseguem amplificar suas qualidades de uma forma inacreditável...

– E como sabe disso?

– Boatos.

– Mentira. – acusou Ravenna, ela sabia muito bem quando as irmãs mentiam. – Seja honesta Eileen, como sabe disso?

Eileen pensou em mentir ou mesmo dizer que não tinha tempo, mas sabia que as irmãs não desistiriam. E talvez precisasse de ajuda. Era um peso muito grande para carregar sozinha, ainda mais depois que descobriu a extensão dos poderes da neta.

Nada é por acaso, afinal.

– Tudo bem... – suspirou. – Acredito que lembram que minha lua de mel foi em Toscana, certo? – perguntou e, após a confirmação das duas, continuou. – Durante a viagem conheci dois irmãos com Magia Negra. Era uma “espécie” diferente de nós, e aparentemente a habilidade era genética, independente de sexo. Obviamente fiquei curiosa e me aproximei dos dois, mas um em especial... Estevan. Eles também ficaram curiosos quanto a mim e acabamos nos tornando amigos; a mãe deles tinha um conhecimento incrível em poções e história da magia negra, mas só ensinaria as futuras noras. – lamentou – Eu não perderia nada, então fiz um acordo com Estevan e fingimos que estávamos noivos. Acabei conseguindo conquista-la e passei um bom tempo com a família, descobri coisas que nunca imaginei que existissem. Nós conhecemos tão pouco... Sempre tem alguém que sabe mais e é mais forte.

– Você traiu o Tobias?

– Não fale besteiras, Goethe – ralhou, não seria uma mentira se não confirmasse ou negasse, certo? — Mas o poder era tão tentador que não resisti. Então me dividi entre uma vida de casal com o Tobias e uma aventura com a família toscana. Por fim tivemos que voltar e “rompi” com o Estevan depois que eu a mãe dele o pegamos com uma ex namorada, foi mais fácil assim. Ela manteve contato comigo e ele também, bons amigos. A última vez que soube algo foi um mês antes de morrer... Devem estar mortos agora, ou bem velhos, mas a fazenda continua lá. – afirmou — Se me lembro bem, era protegida por magia de sangue, mas a mãe fez a besteira de me incluir nela porque achava que iríamos nos casar... enfim, o que importa é... Eles faziam experimentos com plantas e ervas, e lá tem exatamente o que preciso.

– Nesse caso, vou com você. – avisou Ravenna, e Eileen sabia que não adiantaria argumentar contra. Raven tinha a opinião forte e era curiosa, uma terrível combinação para a irmã. – Goethe?

– Bem que gostaria, mas não estou bem ainda para enfrentar uma viagem desse nível. Eu fico aqui.

– Você quem sabe. – disse Eileen enquanto fechava a porta do “quarto secreto” – Só pra saber, tem magia aqui, só eu posso abrir.

– Mas...

– Sinto muito, não confio em vocês ainda. Para usar tudo aquilo precisam aprender muito mais do que nosso pai ensinou. Talvez depois eu as ensine.

Goethe não acreditava no que a irmã dizia. Poxa, já eram adultas! Eram boas o bastante, não? Por que a insistência de Eileen em se manter acima delas?

– Ora, não fique com essa cara azeda, sabe muito bem que eu fui treinada em artes sombrias bem antes que vocês duas, alí dentro tem coisas que nem mesmo nosso pai sabia, coisas perigosas! Agora pare de besteira Goethe, que tipo de irmã mais velha eu seria se deixasse uma faca afiada ao lado de crianças?

– Crianças?

– Certo, escolha errada de palavras... – suspirou Eileen. – Mas a lógica continua sendo a mesma. Raven?

Antes que Goethe dissesse mais alguma coisa, Eileen aparatou com Ravenna ao seu lado e, em questão de segundos, já estavam dentro de uma enorme estufa. A mais velha percebeu que o lugar estava maior, mas além disso nada parecia ter mudado... O mesmo cheiro de orquídeas que tanto odiou quando veio pela primeira vez insistia em lhe importunar, mas ignorou o máximo que pode e foi direto para o armário escondido atrás de uma cortina de ervas bem cuidada. Perguntou-se se um dos irmãos teve algum filho para continuar a cuidar do lugar, ou se era apenas um feitiço de preservação...

Ravenna observava tudo atentamente, e mesmo que não fosse voltar a questionar a irmã, sabia que Eileen escondia alguma coisa. A história estava muito mal contada e, por um momento, sentiu-se melhor em saber que a “irmã perfeita” tinha defeitos, talvez até mais que qualidades.

Antes que pudesse fazer qualquer provocação – Eileen odiava quando se intrometiam em suas “missões”, o que deixava tudo mais divertido -, percebeu que não estavam apenas as duas na estufa e, ao virar, deu de cara com uma varinha em seu peito.

– Oops...

– Quem é você e o que faz aqui? – perguntou o rapaz firmemente, uma bomba de reconhecimento caindo sobre Eileen.

Ravenna não pode deixar de observa-lo atentamente, não era um homem que passaria despercebido facilmente. Fosse pelo porte físico invejável, ou mesmo pelos traços firmes do rosto, os olhos esverdeados pareciam dois faroletes, prontos para adentrarem em sua alma. Mas ela não deixaria, é claro. Ao menos não antes de brincar.

– Uma ninfa, não percebe? – ironizou com um sorriso rebelde.

– É melhor se explicar, não gosto de intrusos na minha estufa. – avisou encarando-a mortalmente, o suficiente para Ravenna assumir uma postura de ataque. Eileen, por outro lado, continuava tensa atrás da cortina de ervas e dizia a si mesma que era apenas uma coincidência. – Seu nome?

– Se eu fosse você, eu abaixaria essa varinha. – avisou seriamente.

– Você não faz ideia de com quem está lidando, certo?

– Ora seu...

– Chega! – interrompeu Eileen, desistindo de se manter escondida e dando um passo a frente da cortina, para a surpresa de ambos.

A cena que se seguiu foi no mínimo estranha. Eileen o observou com os olhos translúcidos, a postura tensa e imponente, enquanto o homem a encarava em choque, surpreso e, até mesmo, incrédulo. Ravenna poderia ter feito algo, se não tivesse percebido uma troca de olhares entre os dois, era óbvio que já se conheciam.

– Sinto invadir sua estufa, não o faria se não fosse urgente... – começou ela, tentando ignorar o fato de que o homem à sua frente deveria estar com quase setenta anos, e não com a mesma aparência de 44 anos atrás. – Preciso das ervas... É um...

– Espera, como você... – interrompeu, caindo em si assim que ouviu a voz melodiosa que convivia em seus sonhos pelos últimos 44 anos. – Você morreu.

– E você deveria ter 70 anos. – ironizou erguendo a sobrancelha.

– Devo pegar pipoca para assistir o emocionante reencontro? – intrometeu-se Raven ao ser deixada de fora. Se antes tinha dúvidas quanto ao passado da irmã, naquele momento tinha certeza.

– Acho que lembra no que eu estava trabalhando antes de você desaparecer. Deu certo. – respondeu ele rapidamente, dando um passo à frente e ignorando totalmente a outra mulher, que bufou. – E você?

– Magia Negra.

– Mas existem regras...

– Toda regra pode ser quebrada. Longa história.

– Quando voltou?

– Hoje.

– Inacreditável... – sussurrou erguendo uma das mãos para tocá-la, tinha que ter certeza que aquilo era real e não mais uma das traições de sua mente.

– Não tenho tempo para explicar, mas realmente preciso dessas raízes.

– Testes?

– Preciso desligar a essência mágica da minha neta. – disparou – Acabou de derrotar o Lord das Trevas e não está nada bem...

– Tudo bem, pode levar.

– E...

– Mas vou com você.

– O quê? Não.

– Você volta dos mortos, sem explicação alguma, tenta roubar as raízes que cultivamos e acha que vou simplesmente te deixar ir? Eu aprendi minha lição da última vez.

– Você sabe muito bem porque eu fui embora.

– Está ficando interessante... – comentou Raven, o suficiente para tirar os outros dois do transe e chama-los para a realidade. – Será que eu posso saber de onde o casalzinho se conhece?

– Estevan Ambrósio. E você seria? – tornou a perguntar para a mulher, que sorriu divertida ao reconhecer o nome que sua irmã falara minutos antes. A pulguinha da desconfiança voltou a atormentá-la, era óbvio que na lua de mel Eileen não fora totalmente fiel... Quem diria, não?

– Ravenna Prince. Pra quê a varinha? Acredito que não precisa...

– Dá mais veracidade que um homem de mãos vazias.

– Não temos tempo para isso, se você vem junto é melhor deixar as apresentações para depois. – repreendeu Eileen, voltando à postura altiva de sempre.

– Você que começou irmãzinha... – provocou Ravenna antes de sentir um puxão no estômago.

– Uau, isso foi rápido... – começou Goethe ao ver as irmãs serem acompanhadas por um homem, que logo mostrou-se um velho conhecido. – Você!

– Se conhecem? – indagou Eileen enquanto abria o quarto secreto.

Goethe sabia muito bem quem era o rapaz á sua frente, lembrava-se dele no funeral da irmã mais velha... Não fora uma cena muito normal de se ver.

– Não.

– Vagamente. – disse ela ao mesmo tempo — Goethe Prince.

– Estevan Ambrósio – repetiu.

– Sabem que vou descobrir, certo? – ironizou Eileen com um olhar questionador.

– Sei, mas espero que ele te conte primeiro. – piscou antes de sair do quarto e arrastar Ravenna, à contra gosto, junto.

– Suas irmãs são exatamente como você descreveu, especialmente Ravenna. – riu. — Então... Vai me dizer o que aconteceu? – disse ele se aproximando da mulher, que já começava a preparar a poção com a maior cautela possível.

– É realmente uma longa história...

– A julgar que você está fazendo essa poção, temos tempo.

Ele estava certo, concluiu ela em resignação. E pelas próximas horas de preparo, Eileen explicou tudo que estava acontecendo, desde a neta ser a Escolhida até o momento em que foi internada no St. Mungus na ala de segurança máxima, o único detalhe deixado de lado, entretanto, foi a garota ser uma cópia sua. Talvez ele nunca descobrisse a verdade...

– Sinto muito pelo seu filho.

– Sim, eu também – disse friamente, ainda não esquecera a cena que viu na cabeça de Violet mais cedo — E você? Ao que parece a Magia Negra realmente quebra regras. Imortalidade?

– Bem... – começou — Um pouco antes de você... morrer... eu e meu irmão descobrimos o erro no pergaminho, era um equívoco muito idiota, se quer saber, mas concertamos. Deu certo... Começamos a tomar e aqui estou. Sam já está casado e pretende adotar uma criança.

– E sua mãe?

– Ela... Não gostava de protelar o tempo. Era contra uma Poção da Imortalidade, então se recusou a tomar. – falou enquanto observava a atenção que Eileen dedicava à poção. – Ela morreu há dez anos.

– Sinto muito.

– Sabe, ela dizia que...

Antes que ele pudesse terminar, uma pequena raposa de luz rompeu pelo quarto até posicionar-se ao lado da mulher, que ouviu, preocupada, o relato de Robert sobre Violet ter acordado e estar descontrolada. Não teria mais tempo, afinal.

– Você conhece a poção... Acha que pode termina-la para mim? Só precisa continuar a mexer por alguns minutos. Eu preciso acalmá-la, Violet pode fazer um grande estrago... – disse entregando o objeto que mexia a poção ao homem e indo até o armário de roupas, um movimento da mão e um dos casacos ficou do seu exato tamanho. Aparentemente, seu quarto passou para a neta, e não o filho. – Sabe onde é o hospital, certo? Pegue o elevador até o segundo subsolo, vou deixar avisado que você passará por lá com algo para mim.

– Eileen...

– Por favor. – pediu parando ao seu lado e encarando-o profundamente.

***

Pouco menos de cinco minutos tinham se passado e, enquanto colocava a poção pronta em um frasco, Estevan pensava em como o destino é surpreendente. Nunca imaginou que algo daquele tipo fosse acontecer e muito menos que uma simples adolescente fosse capaz de, em um dia, conquistar a mulher que ele demorou semanas para alcançar. Da última vez que se viram ela estava voltando para casa com o marido, mas naquele momento... bem, Eileen era viúva.

Não podia dizer que estava tranquilo quando chegou ao hospital e viu as inúmeras pessoas doentes em macas... A vida era tão curta e imprevisível, Estevan sempre evitou lugares como aquele, o fim da linha para muitos. Logo saindo do elevador encontrou Eileen no fim do corredor conversando com um dos médicos... perto demais para o seu gosto.

– Finalmente! – suspirou ela assim que ele se aproximou com o frasco em mãos. – Dr. Tupper.

– Claro. – concordou saindo para chamar uma das enfermeiras da área enquanto Estevan se segurava para não questionar a proximidade entre os dois.

– Parece que, apesar de velho, você não perdeu a mão para poções. – debochou.

– Obrigado pela parte que me toca, sempre tão gentil... – ironizou. — O que preciso fazer?

– Depois que a Violet inalar a poção preciso que alguém tire dela seu potencial mágico, sabe como funciona, certo?

– Acho que se lembra que eu sou experiente Eileen, nenhuma criança. – insinuou.

– Tem certeza que quer fazer isso? – perguntou ignorando o tom malicioso — A visão não será nada agradável...

– Já vi muitas pessoas agonizando.

– Já me viu agonizando? – perguntou seriamente, confundindo-o – Porque é exatamente isso que verá alí dentro.

– Como assim?

– Violet é uma cópia minha. – avisou – Os mesmos traços, o mesmo cabelo e, principalmente, os mesmos olhos. Poderia facilmente se passar por minha filha que ninguém diria o contrário. – continuou, atenta à expressão de incredulidade do bruxo – Estou falando sério Estevan, o que você verá alí dentro é uma Eileen mais jovem totalmente desequilibrada, perdida e em desespero, sem contar o fator mágico, o que a deixa perigosa. Se quiser posso chamar a Goethe e...

– Posso lidar com isso Lee. – afirmou, mas, no fundo, não acreditava que pudesse existir tanta semelhança assim, já vira muitos casos em que pessoas da mesma família se pareciam fisicamente, mas nenhum a ponto de confundir. Talvez Eileen estivesse apenas abalada emocionalmente, não negava que pudessem ser parecidas, mas não tanto como ela dizia.

Por fim chegou a equipe médica que cuidaria do caso e um bruxo – a mando do Ministério — ficou de guarda na porta, ninguém poderia interromper o processo. Robert foi o primeiro a entrar e ouvir os gritos desesperados da garota, mas de longe a pior reação fora a de Estevan, que estagnou no quarto enquanto encarava uma Eileen de dezenove anos se debater na maca, com braços e pernas amarrados e cabelos rebeldes espalhados no travesseiro.

– Eu avisei. – sussurrou Eileen passando por ele e encaminhando-se à cabeceira da cama, onde Violet tentava se soltar violentamente. – Shhh... Está tudo bem querida...

Estevan observou, assombrado, Eileen posicionar suas mãos ao redor do rosto da garota e forçar uma conexão, como ele bem sabia ser uma das especialidades da mulher. Violet gritava e dizia coisas inaudíveis que, aparentemente, apenas a avó entendia, pois sussurrava de volta palavras como “eu sei querida”, ou “vai ficar tudo bem, é só um sonho”.

Segundos depois viu Robert abrir o frasco com a poção e banhar um chumaço de algodão. Voltou a si quando percebeu que Eileen conseguira acalmar a jovem, e então o médico colocou o algodão sob o nariz de Violet, que abriu os olhos em espanto e impulsionou o corpo para frente ao inalar a poção. Ele podia sentir uma poderosa energia se despregando do corpo da jovem, era tão forte que chegava a ser palpável... Naquele momento entendeu o que a garota passava, como aguentava tamanho... poder?

Ergueu as mãos e, ignorando as impressões que teve desde que entrou no quarto, começou a sugar toda a essência mágica da cópia de Eileen. Violet gritou ainda mais, era como se um pedaço de si mesma fosse retirado de seu corpo sem dó nem piedade. A dor era excruciante e, enquanto isso, Eileen conseguiu alcançar o centro de sua mente e, conforme o planejado, introduzir memórias falsas que certamente a acalmariam.

Poucos minutos depois, Robert acompanhou, ainda admirado, uma Violet sonolenta fechar os olhos e deitar tranquilamente. Eileen, por outro lado, cerrou as mãos e os olhos, apoiando-se na cama como se realmente não conseguisse se manter em pé. Estevan sabia como ela se sentia e estendeu a mão para ajuda-la, não que ela fosse aceitar.

– Pra quê essa poção exatamente? – perguntou Robert logo em seguida.

– Para trazê-la de volta preciso ir até a mente dela.

– Como Legilimência?

– Legilimência é para descobrir segredos, eu pretendo implantá-los.

– Isso é possível? – perguntou admirado.

– A mente humana é traiçoeira e cheia de labirintos Dr. Tupper, mas geralmente é fácil de controla-las, desde que a pessoa em questão esteja calma ou extremamente distraída. – começou – Mas ela... Ela está totalmente perturbada, não tem um pensamento sequer que não seja desconexo ou assustador. Entrar numa mente assim é muito perigoso, as chances de eu ficar louca são grandes, posso me perder lá dentro e então... acabou. Por isso nunca ousei tentar duas vezes com Voldemort.

– Você já entrou na mente dele?!

– Isso não vem ao caso Tupper. – cortou – O que interessa é que ela é muito poderosa, e isso complica minha vida para tentar entrar na mente dela, por isso a poção, para “desligar” sua essência mágica até que esteja bem o suficiente para retomar o controle de si mesma.

– Mas como ela...

– Vou me certificar que a mente dela se recupere, enquanto isso você deve garantir que o corpo fique saudável. Certo?

– Claro... – concordou, ainda que a contragosto, queria saber muito mais!

– Perdão, mas... O que está acontecendo na mente dela agora? – perguntou Estevan, não contendo a curiosidade.

– Pelo pouco que vi, ela está revivendo tudo que aconteceu desde que se lembra, as memórias boas e as ruins também. – comentou encarando-a em pesar — O quadro piora pelo fato de ter magia negra, as energias negativas da Marca Negra e de Voldemort abriram uma luta em sua mente.

– De um lado a depressiva Violet que perdeu os pais, do outro, a Violet cruel que assassinou Voldemort e está tentando dominar seu corpo... – completou Robert, entendendo o raciocínio e a gravidade do assunto. – ...e está conseguindo.

Notas finais
*sis –abreviação para “irmã” em inglês; é um dos nomes que Ravenna adora usar para provocar a irmã mais velha. *o* Eileen cheia de segredos hein... Quem aposta o que aconteceu nessa lua de mel, quando ela deveria estar com o marido? E a Violet, tadinha! Esse é só o começo, pretendo mostrar como está a mente dela e como as pessoas ao seu redor vão se comportar, especialmente as Prince e nosso novo personagem, que por sinal é um belo personagem ;) Estevan será muito importante mais pra frente e resolverá muitas das dúvidas que temos até agora *o* E essa Ravenna hein? Adora provocar rsrsrsrs Curiosidade #10 - Eileen não estava planejada na história, mas então a frase “Violet era idêntica à avó” apareceu e vi uma boa deixa para introduzir uma personagem que não sabíamos nada a respeito... E isso foi incrível, pois foi como pegar um vaso vazio e encher com coisas minhas. Não deixem de comentar hein, olha só o que nos espera: ---------- Cap. 14 – A Sweet Dream... - Meu pai... Meu pai está... - Vivo, é claro! – riu, não conseguindo evitar – Ainda está magoado pelo que fez ontem... ---------- *o* Se tudo der certo, teremos um total de 33 capítulos! Beijossss e até depois!