The Orphan: Endless Love

10 Capítulo 10 - Too Late?


Notas iniciais
O quão tarde pode ser para um pedido de desculpas?

“Tarde demais?”

– Janeiro de 2000 -

Sophie não pode segurar o nervosismo quando chegou na casa dos pais na manhã seguinte. Não tinha ideia de como começar a conversa e sabia muito bem que ambos não aprovavam a aproximação da loira com Draco... O que fariam quando soubessem que essa aproximação seria bem mais íntima?

– Merlin, me ajude... – sussurrou antes de bater na porta do escritório.

– Ah, olá querida... – disse Meryl assim que a filha abriu a porta, encontrando sua mãe no colo de Pierce e com um sorriso nos lábios. – Está tudo bem? Violet nos disse ontem que você passou mal e foi dormir na casa da Alessa...

– Embora Sirius tenha comentado que Alessa caiu na piscina e iria para casa com o Dr. Tupper. – completou Pierce erguendo a sobrancelha.

Oh droga, eles sabem”, desesperou-se.

– Eu fui para a casa dela primeiro. Descobri hoje que ela caiu na piscina e está resfriada. – respondeu, e era verdade. Alessa mandou um aviso logo cedo lhe informando do que aconteceu e do que teria que falar aos pais. – Ao que parece ela e Robert estão... Como explico?

– Ok, acho que entendemos. – interrompeu Pierce rindo enquanto apertava a cintura da esposa. – Mas e você? Está melhor?

– Oh sim, estou bem, foi apenas um mal estar... Digamos que... Fiquei um tanto... nervosa.

– E parece ainda estar. O que aconteceu Sophie? – interrogou Meryl.

– Draco e eu conversamos ontem...

– Ah, tinha que ser o Sr. Malfoy. Se ele te fez algo eu juro que...

– Não! Não papai, ele não fez nada... – disse rapidamente, aquela conversa seria mais complicada do que pensou. – Como eu dizia... Nós conversamos, resolvemos as coisas e... Voltamos.

– Oh Merlin... – reclamou Meryl levantando-se, e dessa vez sem a interferência de Pierce, que endireitou-se na poltrona rapidamente. – E quais foram as mentiras que ele lhe disse dessa vez? Mais promessas?

Sophie pretendia conversar com a mãe primeiro, a sós... Mas seus planos foram frustrados ao encontrar ambos os pais juntos, e obviamente não a deixariam sozinha. Não tinha como fugir daquilo

Respirando fundo novamente, Sophie sentou-se e passou a explicar tudo que aconteceu – deixando de fora os detalhes íntimos – e garantiu que Draco a amava e a faria feliz. Não foi fácil convencer os pais, eles ainda tinham muitos receios desde que o jovem Malfoy partiu o coração de sua filha. Eles viram como a garota ficou mal depois da guerra e como ficava horas encarando a pequena Ellizabeth, certamente com memórias do ex-namorado e suas mentiras.

Pierce estava quase irredutível, e para a surpresa de Sophie, Meryl acabou aceitando as novidades e garantiu que faria o possível para não matar o futuro genro. E observando o modo como Sophie falava do noivo... Um olhar bastou para entender que a filha era completamente apaixonada e queria aquilo... Como poderia, então, impedir que os jovens seguissem com os planos? Ficaria de olhos atentos, é claro, e teria uma boa conversa com o garoto, mas não os impediria.

No fim, Meryl convenceu Pierce a aceitar o casamento e pediu que Sophie convidasse o jovem Malfoy para um jantar aquela noite... Antes de concordar por completo queria ter certeza que o rapaz não repetiria os mesmos erros.

Foi com um enorme bolo no estômago que Draco Malfoy apertou a campainha aquela noite, um buquê de flores nas mãos e o terno impecavelmente perfeito. Meryl aceitou as flores, mas foi estritamente direta quando o avisou que flores não iriam conquistar uma sogra facilmente e o chamou para o escritório, onde teve as mais longas horas que poderia imaginar em frente à Pierce e Meryl Seyfried.

– O que o faz pensar, Sr. Malfoy, que merece casar-se com a nossa filha? – começou o auror seriamente.

– Não mereço. – respondeu rapidamente. – Sophie é boa demais para mim e, mesmo depois de tudo que aconteceu, me surpreende ela ter me dado uma nova chance... Eu a amo mais do que posso dizer Sr. Seyfried, e garanto que a partir de hoje farei tudo que estiver ao meu alcance para fazer dela a mulher mais feliz que existe, pois eu já contemplo essa felicidade pelo simples fato de ela ter dito “sim”. – falou o mais sincero que pode.

Enquanto Pierce comandava o “interrogatório”, Meryl atentou-se às respostas do rapaz. Observou com atenção o movimento dos olhos, acompanhou o nervosismo a cada aperto de mãos que Draco fazia e percebeu, surpresa, que o garoto falava a verdade. Draco Malfoy não mentiu uma vez sequer...

E ela sabia disso por ter usado Veritasserum no copo do rapaz mais cedo.

Ainda não aceitava o fato de em breve sua filha ser a Sra. Malfoy, mas entendeu o que Sophie lhe dissera horas antes... Draco realmente havia aprendido com seus erros e estava arrependido pelas mentiras. Não por ter aceito a marca, era necessário na época para salvar o que restou da família, mas as mentiras que falou... Essas sim, eram imperdoáveis e ele se arrependia amargamente.

Com pouco mais de meia hora de conversa, Meryl teve a certeza de que o loiro faria exatamente tudo ao seu alcance para proteger sua filha e seus futuros netos... Via com mais clareza que Draco era o tipo de homem que se dedica inteiramente à família sem pensar duas vezes, e estava feliz por saber que sua filha teria alguém assim em sua vida. E a cada qualidade ressaltada da futura noiva, Meryl captava o pequeno sorriso que surgia nos lábios finos do loiro.

– Uma última pergunta Sr. Malfoy... – disse ela. – O senhor a ama?

– Sim senhora. – respondeu firmemente, esboçando um pequeno sorriso. – Mais do que um dia pude esperar...

– Faria qualquer coisa por ela?

Draco tinha certeza absoluta de sua resposta. Ele mataria por Sophie, sofreria e até mesmo morreria por ela. E Pierce teve essa mesma certeza no tom de voz do rapaz quando respondeu...

– O que for preciso. – garantiu.

– Tem a nossa permissão então. – disse Pierce levantando-se e estendendo a mão – Faça nossa filha feliz, Sr. Malfoy, e será o genro que pedi a Merlin.

– Obrigado Sr. Seyfried... Eu a farei. – garantiu, finalmente sorrindo apertando a mão do auror.

– Só para não perder o costume... — comentou Meryl antes que Draco saísse. – Machuque nossa filha novamente, e terá sérios problemas. – avisou e, após Draco assentir, observou-o sair do escritório.

– O que acha? – perguntou Pierce enquanto a esposa passava os braços por seu pescoço atrás da poltrona.

– Se ele cumprir o que diz... Sophie será tão feliz quanto eu no casamento. – sorriu.

– Então a Sra. Seyfried é feliz? – riu puxando-a pelo braço e sentando-a em seu colo.

– Tive sorte no casamento. – concordou antes de beijá-lo.

– Mamãe! – repreendeu Sophie abrindo a porta sem bater. – Oh Merlin, acho que Lana e eu ganharemos mais irmãos...

– Não seja estraga prazeres Sophie querida... – ironizou Meryl levantando-se e puxando Pierce pelas mãos junto. – Onde está o noivo?

– Esperando os anfitriões para jantar...

– Então não o deixaremos esperando, certo? – sorriu Pierce.

– Obrigada pai, mãe... – murmurou com um sorriso brilhante. – Isso é muito importante para mim e fico feliz que tenham aceitado.

– Basta ele manter as mãos longe do seu corpo e nos daremos bem. – debochou Pierce, deixando Sophie envergonhada. Ahhh se soubessem...

O jantar foi muito bem sucedido quando, para surpresa de todos, Pierce e Draco se descobriram compartilhar muitos interesses e passaram a ter uma conversa leve e fluida. Não precisaria muito, concordou Sophie, para que a família se desse bem.

E assim foi.

Semanas passaram-se e Pierce e Meryl pareceram aceitar melhor o casamento, mas, obviamente, Rita Skeeter conseguiu colocar fogo no mundo bruxo ao anunciar na capa do Profeta Diário o casamento, questionando até mesmo a sanidade da loira e sua rapidez em apoderar-se do solteiro mais rico da atualidade.

Entretanto, nada importou para o casal. Sabiam exatamente o motivo de estarem se casando e não deram importância aos rumores, que logo cessaram. Sophie e Draco estavam felizes, juntos! Passeavam com mais frequência e, vez ou outra, eram clicados aos beijos pelas ruas de Londres.

– O que acha de... Rosas? – perguntou Sophie, encostada à Draco no jardim da casa de seus pais, brincando com um dos cachos loiros em suas mãos.

– Não, rosas não... – negou Draco. – Estive pensando em flores do campo.

– Flores do campo?

– São suas favoritas não é? – perguntou, recebendo um sorriso da noiva, que beijou-o rapidamente antes de deitar novamente.

– Sim, e ainda bem que vamos nos casar no inverno... Espero que tenha neve.

– A neve estragaria nossos planos.

– Mas deixaria a paisagem incrível! – completou sonhadora. – Sabe, nós estamos planejando os detalhes da decoração, o lugar... Mas ainda não falamos dos padrinhos. Estive pensando em um ou dois casais para cada um, mais nossos pais. O que acha?

– Ótimo, nunca entendi a necessidade de dez casais de cada lado... – debochou. – Eu não tenho dúvidas dos meus. Violet, é claro.

– Ah não, Violet é a minha amiga! Fica do meu lado.

– É a minha irmã. – respondeu indignado enquanto Sophie levantava-se para encará-lo.

– Não do mesmo sangue.

– Nem do seu, espertinha. – debochou apertando seu nariz – Nem pensar, não abro mão dela. Violet e Vitor ficam do meu lado.

– Isso é maldade Draco... Somos amigas a mais tempo.

– Fomos criados juntos. – rebateu – Eu a pedi em casamento quando era pequeno, ela tem que ser no mínimo minha madrinha!

– Você a pediu em casamento?!

– Éramos crianças. – explicou erguendo os ombros distraidamente. — E os seus padrinhos?

– Alessa e Robert. – respondeu como se fosse óbvio. – Era para ser a Violet e a Alessa, mas ok, estará lá de qualquer forma. Isso que importa. E Lizzie levará as alianças.

– Ótimo, tudo resolvido. – sorriu beijando seu pescoço novamente.

– Nem tudo... – disse tentando afastá-lo, mas não tendo muito sucesso. – Draco!

– O que? – desistiu

– Sua mãe. Com quem ela vai entrar?

– Comigo.

– Claro, e depois ela ficará lá sozinha?

– Ah, isso...

– Você não tem nenhum primo, ou... Não sei, alguém com quem ela gostaria de ir?

– Na verdade... – disse com a expressão culpada, como se fosse uma criança que acabara de aprontar.

– O que você fez?

– Nada. – recusou. – Ainda.

– Draco?

– Ok, olha... Eu ia te contar isso depois mas... Estou pensando em reunir a família Black. Mamãe, a irmã e os primos, especificamente.

– Espera... Até onde sei... Sua mãe odeia o Sirius e não quis contato com a Andrômeda.

– Mas não odeia o Régulus. – rebateu. – Depois de tudo que aconteceu e o tempo que passei “longe”... Eu tive muitas oportunidades para pensar. E essa rixa entre eles é ridícula! Quando eu viajei para o passado com a Violet e o Potter, eu vi como eles se davam bem... Mamãe e Andrômeda era muito unidas, as três irmãs eram, na verdade. E Sirius só mostrava ter medo da tia Bella, deu para ver que no fundo todos eles se amavam como família, independente da escolha de cada um...

– E você quer ter isso de volta?

– Quero. Andrômeda se afastou por casar com um nascido trouxa, Sirius se afastou porque não concordava com os ideais de puro sangue e Régulus se afastou dos dois porque aceitou a Marca e “morreu” depois. – explicou – Mas veja só hoje... Minha mãe é apaixonada por uma sobrinha mestiça, o melhor amigo era um também e ela está presa. Régulus não é mais comensal e se entendeu com os outros, Sirius acabou casando com uma puro sangue e a perdeu, e aceitou o irmão de volta. E Andrômeda não julgou o Régulus quando ele lhe pediu perdão. Eles vivem em harmonia agora. – argumentou sob os olhares atentos da noiva – Minha mãe não tem mais um marido ou filho presentes, e mesmo que tenhamos concordado em morar na minha casa... Ela acabará ficando sozinha. E sei que sente falta da família.

– Como?

– Eu encontrei um retrato outro dia nas coisas dela. – respondeu – Uma foto dela com as irmãs e os primos comemorando o último natal antes de se separarem. Ela também aprendeu a lição com esse tempo em Azkaban... E acho que eles merecem uma segunda chance.

– Isso é muito lindo da sua parte... E me faz ainda mais orgulhosa de ter escolhido o marido certo.

– Bajuladora. – brincou.

– Sempre. – concordou. – E como pretende juntá-los?

– No casamento. – respondeu rapidamente. – Vou essa semana falar com a minha mãe e, se ela aceitar, converso com os outros logo em seguida. Pensei que ela poderia entrar com o Régulus... Eles só se afastaram porque ele “morreu”. Obviamente será difícil, nem eu tenho contato com os outros. Mas tem uma pessoa que pode ajudar.

– Quem seria?

– Violet. É amiga de todos eles, e é amada também.

– É... Talvez dê certo...

Draco estava decidido a reunir os Black, mas alguém fora mais rápido. Alguém que amava Narcissa e não conseguia imaginar alguém como ela presa em Azkaban... E fora visita-la.

– Olá irmã – cumprimentou assim que a loira entrou na sala de visitas.

– Andrômeda... – sussurrou surpresa e até mesmo estática.

Fazia tanto tempo! Tantos anos... Narcissa quase não acreditou ou ver a sombra da adolescente que um dia foi sua irmã aí, na sua frente, em Azkaban. Nunca mais se viram, e aquela visita era no mínimo estranha...

Mas então lembrou-se de uma vez em que debochou da irmã por se casar e aceitar ser fadada à desgraça. Se voltou para vê-la, certamente era para dar-lhe o troco.

– Veio para dizer que estava certa o tempo todo? – atacou — Ou se vangloriar por estar livre e viva enquanto eu estou aqui?

– Não Narcissa, eu jamais faria isso. – negou, preocupada ao perceber algumas manchas roxas nos braços da loira.

– Então o que quer?

– Minha irmã de volta.

– Como é? – repetiu surpresa, porém, não pode esconder um sorriso de escárnio.

– Você se lembra da nossa infância Cissa? – disse a morena, ignorando a afronta. – Em Hogwarts? Éramos tão unidas! As três!

– E você acabou com tudo ao decidir trair nossa família por um trouxa. Sim, infelizmente eu lembro.

– Não Cissa, eu não trai ninguém...

– Ah não? Então abandonar suas irmãs e seus pais por alguém que odiávamos não foi traição? – ironizou.

– Como poderia trair as pessoas que amava? Mas Cissa, entenda... Não mandamos no coração! Eu não pretendia me envolver com o Ted e muito menos engravidar dele! Mesmo infeliz, eu iria ignorá-lo e seguir minha vida com vocês, minhas irmãs! Eu as amava, amo!

– E, no entanto, olhe onde estamos...

– Era para ser uma despedida... Ted e eu...

– Poupe-me dos detalhes sórdidos, por favor.

– Estou falando a verdade! – ergueu o tom de voz. – Ted e eu juntos não estava planejado, mas aconteceu... Eu o amava Cissa, muito! Mas estava disposta a deixa-lo para manter nosso relacionamento de irmãs, não queria perder minha família...

– Mas perdeu.

– Fica quieta Narcissa! – repreendeu-a, como não fazia desde que eram adolescentes. – Você teve dois filhos, sabe o que uma mãe sente... Você seria capaz de interromper sua gravidez? Impedir que Draco ou Ellizabeth nascessem?

– É diferente! Meu marido era puro sangue, estávamos bem com a família!

– Você conseguiu tudo que sempre quis, não é? – perguntou Andrômeda com os olhos marejados. – Um bom casamento, um marido rico e bonito, filhos perfeitos... E teve a felicidade de se apaixonar por ele.

– Um bom casamento, como você mesma disse.

– Sim... Ted poderia não ser rico, mas me amava. – continuou – Theodore me ajudou quando descobri que estava grávida e, mesmo não estando nos planos, eu me arrisquei. Não poderia perder meu filho, eu já o amava desde o momento que descobri, fazia parte de mim!

– Você foi fraca!

Fraca? Fraca, Narcissa?! E o que é ser forte? Abandonar uma criança em qualquer lugar por ser mestiça ou abortá-la? – perguntou incrédula – Merlin, como você mudou... Seria capaz de abortar seu filho?!

– Já disse que é diferente!

– Se Lucio não gostasse da ideia de ter uma filha mulher, você seria capaz de impedir que Lizzie nascesse? – perguntou e, após não obter resposta, ergueu o tom de voz — Responda Narcissa!

– Não!

– Então por que eu tinha que fazer isso? – indagou mais calma. – No momento que descobri que gerava um ser dentro de mim, nada mais importou. Dora é tudo para mim e eu nunca mudaria o que aconteceu Cissa, nunca.

– Vou repetir minha pergunta. O que faz aqui?

– Apenas quero minha irmã de volta. – murmurou. – Somos uma família Cissa, por favor... Já se esqueceu de tudo que passamos juntas? Dos natais em que juntávamos as famílias e brincávamos no carpete? Nós três, Régulus e Sirius? Éramos felizes! E não me diga que ainda compartilha dos ideais dos nossos pais de sangue puro, porque se fosse assim jamais teria como melhor amigo um mestiço. Nunca se apaixonaria por uma criança mestiça filha de uma “sangue ruim” e não iria cria-la tão bem quanto a criou. – acusou – Por favor Cissa, me diz que ainda resta um pouco da Narcissa doce que conheci...

– Violet não tem nada a ver com isso.

– Vai negar que a ama? — sorriu — Sei que Bella também a amou, e nunca pensei que minha irmã cruel iria criar uma mestiça tão bem e com tanto amor...

– Violet recebeu uma criação perfeita de puros sangues. – falou Narcissa, recusando-se a abandonar seu orgulho e confirmar tudo que a irmã lhe dizia.

– Ah sim? Violet cresceu sabendo que existem diferenças entre puro sangue, mestiços e nascidos trouxas, mas também aprendeu a não diferenciá-los. Ela não tem preconceitos e jamais demonstrou ser metida ou orgulhosa, e isso só acontece quando a criança é educada desde pequena a respeitar as diferenças e aceitar. E obviamente ela aprendeu isso com vocês duas. — sorriu – Cissa, não é possível que alguém que faça isso ainda pense da mesma forma que nossos pais! Por favor Narcissa, diga que podemos esquecer o passado, nos perdoar e seguir em frente... Que podemos ser... apenas... irmãs. – pediu encarando-a, porém, Narcissa mantinha o olhar em seu colo.

No fundo, bem no fundo, sabia que Andrômeda estava certa e que deveria abandonar aquele orgulho idiota que construiu desde que nasceu. Mas também não queria. O orgulho foi a única coisa que lhe sobrou da guerra, a dignidade... E a irmã havia sim abandonado a família por um trouxa. Narcissa quis dizer muitas coisas, mas nada saiu.

– Talvez Sirius esteja certo e eu seja uma idiota... Será que não sobrou nada da Narcissa que conheci? – disse levantando-se, cansada de argumentar contra o enorme orgulho da irmã caçula e recolhendo sua bolsa, tudo sob o olhar atento de Narcissa, que travava uma batalha contra si mesma. – Talvez seja tarde demais, não é? Talvez realmente tenhamos nos perdido... Talvez... Droga, são tantas possibilidades! – riu sem humor, caminhando para a porta. – Mas eu não vou desistir de você Cissa, não novamente. Não vou abandoná-la.

– Você já o fez. Quando saiu pela porta da nossa casa e nunca mais voltou. – respondeu ressentida.

– Então é disso que se trata? – perguntou sorrindo – Você acha que eu a abandonei?

– Não me venha novamente com aquela conversa de que escolheu sua filha. Você não pensou nas suas irmãs quando resolveu se envolver com o idiota do Tonks. Onde ficou aquela promessa? “Irmãs para a vida inteira... Para sempre e eternamente”. — recitou – Mesmo sabendo que suas irmãs a amavam, você escolheu ter um caso escondido com um nascido trouxa. Engravidou dele e foi embora. O “para sempre” nunca foi tão curto...

– Cissa...

– Bellatrix e eu ficamos destruídas depois que foi embora, como poderia ser diferente? – ironizou, ainda encarando o vazio. – Ela prometeu que mataria você e sua filha, mas eu sei que ela nunca faria isso.

– Ela foi bem convincente.

– Ela foi a única irmã que tive, esteve comigo até o fim... E mesmo não concordando comigo às vezes, ou brigando, esteve ali para mim. E eu para ela. – respondeu ressentida. – “Para sempre”.

– Pelo amor de Deus Narcissa! Eu só sai de casa porque nossos pais, e vocês duas, foram orgulhosos e preconceituosos o bastante para me impedirem de ter minha filha! Queriam que eu tirasse a criança e casasse com o idiota do Rabastan e tivesse filhos puro sangue! – explodiu – Eu abandonei vocês? Vocês que me abandonaram! Me expulsaram de casa como a um cachorro! Como se eu fosse suja! Tem ideia do que eu senti quando ouvi minha própria irmã dizer que iria me caçar até o fim do mundo e me matar? Para depois acabar com a raça do ser que eu chamava de filho?! Vocês não fazem ideia do quanto eu sofri em ver o ódio nos olhos dos nossos pais, nossa mãe!

– Você prometeu! – exclamou Narcissa, levantando-se também. – Prometeu que nada iria nos separar, que nunca iria embora! E o que fez? Abriu as...

– Não ouse terminar essa frase! – interrompeu. – Eu as abandonei porque fui jogada de casa. Não por vontade própria! Acha que não senti a falta de vocês? Bellatrix e você eram minhas melhores amigas! Fiquei esperando por anos que esse rancor entre nós acabasse e eu pudesse abraçar minhas irmãs novamente! Com medo de que Bella estivesse na minha porta para cumprir a promessa!

– Bella está morta.

– Eu sei, e apesar de ter sido uma péssima pessoa e talvez uma das mais cruéis, continuava sendo minha irmã mais velha. E eu a amo. Assim como amo você. – confessou chorando. – Só quero que isso acabe Narcissa, todo esse rancor, ódio, mágoa... Isso tem que acabar! E como eu disse, nada mais vai me impedir. Não vou desistir.

– Por que ainda insiste nisso? Como tem tanta certeza que...

– Ellizabeth. – respondeu limpando as lágrimas do rosto. – Sendo sua filha deveria ter sido criada como Draco, mas não. Ela é gentil, doce... Respeita as diferenças e as aceita. Ela não é orgulhosa ou preconceituosa, então em algum momento do caminho você mudou e a criou de forma diferente. E isso me dá a certeza de que você pensa diferente. – sorriu cansada — Sangue puro realmente garante superioridade? Snape era mestiço e foi um dos mais brilhantes bruxos que conhecemos. Violet é mestiça e mostrou-se tão poderosa que poderia fazer o que quisesse. Voldemort era mestiço. Theodore era nascido trouxa e mesmo assim era metamorfomago, e você sabe o poder que é necessário para isso.

Narcissa estava de olhos fechados e, em seu coração, sentiu-se uma idiota. Qual era mesmo seu argumento? Ah sim, o abandono... Na época eram apenas adolescentes, jovens apaixonadas pela vida! Eram tão unidas! As irmãs Black eram a realeza, mas acima de tudo... Sinônimo de união. Todos diziam o quanto se apoiavam e o quanto poderiam ser perigosas juntas.

– Eu também perdi uma irmã Cissa... E um marido. – avisou caminhando até a porta novamente.

Mas elas prometeram que nunca iriam se separar. Andrômeda havia jurado que não deixaria suas irmãs por ninguém, mas mesmo assim o fez. Foi embora e nunca mais voltou.

“Mas ela está aqui agora...”, repreendeu-se Narcissa. Até quando deixaria que seu orgulho a guiasse? O que ganhou com ele?

Uma cela suja em Azkaban.

– Você está certa. – disse finalmente, apertando os olhos antes de abri-los novamente e encontrar a irmã com a mão na porta, parada. – Eu jamais iria abandonar minha filha ou... abortá-la. Nem mesmo que Lucio ou nossos pais mandassem. Lizzie nasceria e eu iria garantir isso. Você está certa... O amor de mãe é o sentimento mais forte que pode existir.

– Abandonaria sua família por ela? Lizzie?

– Sem ao menos pensar.

– Então...

– Não deveria exigir o mesmo de você. – disse engolindo seu orgulho. Era amargo. – Me desculpe.

– Cissa? – perguntou surpresa, não esperava um pedido de desculpas tão cedo. – Isso é um truque?

– Não era isso que queria? – ironizou abraçando-se com os braços e virando as costas para a irmã, poderia ter engolido seu orgulho, mas não estava pronta para encará-la. – Severo foi meu melhor amigo... Talvez o mais brilhante que conheci. Um mestiço na Sonserina. – riu – Lembro que ninguém gostava dele, ainda mais pela proximidade com a Evans. A primeira vez que conversamos foi quando alguns garotos da Grifinória derrubaram seus livros. Não me conformei em ver a Sonserina ser humilhada e ele ficar simplesmente... parado. E o ajudei. – contou – Andar com uma Black aparentemente o ajudou a ter mais amigos na Sonserina...

– Ele só precisava de uma chance. – concordou Andrômeda, aliviada pelo rumo da conversa.

– Violet não era muito diferente. – continuou – Quando eu soube que a Bella deveria cuidar da filha do meu melhor amigo eu senti... Simpatia. Mas é impossível não se apaixonar por ela... Uma criança tão doce, mas ao mesmo tempo... tão... ele. Sem contar a incrível semelhança entre ela e a Sra. Snape. Chegamos a nos ver algumas vezes e, Merlin, os olhos eram iguais. – disse fechando os olhos. – Tê-la por perto me fez ver o quanto estava enganada sobre a superioridade do sangue puro. A Escolhida era uma simples mestiça! Tudo em que acreditei foi por água abaixo...

– Então você mudou.

– Acho que sim... – concordou sem perceber, imersa nas memórias – Quando Lizzie nasceu eu percebi que ela não deveria ser como o Draco, eu sabia do que ele aprontava em Hogwarts e da falta de bons amigos... E mudei. Lucio era fissurado em nossa filha e sequer percebeu a mudança de educação, dizia que ela era como eu na escola... E não parecia ser algo ruim. É incrível o que uma criança pode fazer, não? Sem qualquer intenção Violet mudou minha família. Ou quase toda ela.

– Para melhor?

– Considerando que não estamos mortos e que meu filho está de casamento marcado com a filha da Ministra... – insinuou. – Sim, talvez. E talvez... – disse tomando fôlego e virando-se para encarar a irmã, que já chorava novamente – Talvez não seja tarde demais.

Um sorriso enorme abriu-se no rosto da morena.

Não...

Não era tarde demais.

Notas finais
Pierce e Meryl acabaram concordando com o casamento!! E Meryl foi quem deu o primeiro passo... Tudo que importa é a felicidade de sua filha, então para que impedí-la? E ao que parece os Seyfried são bem felizes hein? kkkkkkkkkk Draco lutando pela irmã é tão fofinho ^^ E ele realmente está se redimindo. Quer reunir a família! Acham que dará certo? Tranquem Sirius e Narcissa numa sala e vamos ver o que acontece kkkkkkkkk O que acham do momento “para sempre”? Narcissa guardou mágoa de “criança” por muito tempo, acabou justificando suas ações pela promessa que Andrômeda não cumpriu... E foi difícil hein? Quanto orgulho! Mas com o tempo, quem sabe... Afinal, não é tarde demais. E agora... A curiosidade mais “chocante”: Curiosidade #8 - Em uma versão alternativa, Mary não seria a traidora! Vitor Krum (*o*) enganaria a Vi até o fim e partiria seu coração sem piedade. Nesta realidade, Sophie encontraria um novo amor e Violet seria consolada pelo Draco (pela recente perda do namorado-noivo) e eles acabariam tendo uma noite juntos! Ou seja... Descobririam que sempre tiveram mais que uma amizade e a nova Sra. Malfoy não seria loira, mas uma garota de olhos azuis e cabelos negros. *o* Snape ficaria vivo e Eileen morreria. Ele permaneceria em sua casa até morrer aos 92 anos, levaria a Violet ao altar com um enorme orgulho e conheceria e se apaixonaria pelas gêmeas, levando-as como uma segunda chance. Não pode ver a filha crescer, mas veria as netas. As ensinaria tudo que sabe e seria um avô muito coruja. Nesta realidade Dimitri também não existiria. Cheguei a pensar em uma short fic sobre isso, focando na Violet e no Draco e a revelação do grande amor... Realidades Alternativas e seus mistérios... kkkkkkk E para quem ficou curioso, aqui está o link de Fire and Ice, final alternativo para Secrets & Lies: https://fanfiction.com.br/historia/642524/Fire_and_Ice/ Até o próximo capítulo!