P.O.V. Jean.

Depois do acontecido em Nova Orleans eu decidi que precisava de um novo começo, por isso decidi me matricular num internato, o Colégio Dover na Inglaterra.

Imagine a minha cara quando eu vejo o mesmo povo que estava todinho matriculado na minha antiga escola, matriculado aqui.

—Vocês estão me perseguindo ou algo assim?

—Não.

—Olha, mais que mentiroso. Saca só o que eu achei no lixo.

Eu estendi o desenho pra ele.

—Tá. Agora você me pegou.

—É a minha cara desenhada ai. Desembucha.

—É um tipo de grafic novel.

—Sobre o que?

—É sobre um garoto e uma garota que se amam mais que tudo, mas nunca podem ficar juntos.

—Porque?

—Porque tem uma maldição.

—Pra uma boa entendedora meia palavra basta. Agora, em que consiste a maldição?

—Basta um beijo dele que a menina morre.

—E quem lançou a maldição?

—O próprio Demônio.

—Agora é que deu enrosco. Certo, mas a quanto tempo a maldição existe?

—Milhares de anos.

—Puta que o pariu. Milhares de anos, feitiços muito antigos e muito poderosos são atados a algo ainda mais poderoso, a lua, um cometa, uma duplicata e essa maldição foi lançada á milhares de anos e ainda existe. O que significa que ele tem que tê-la atado a algo que pudesse existir tanto quanto.

-O que?

—Maldições nada mais são do que feitiços. Feitiços malignos e um feitiço tão poderoso precisa de algo em que se ancorar ou ele se desfaz. Mas, porque eu?

—Porque você é linda.

—Estamos falando sobre Reencarnação?

—Sim.

—Olha, eu posso ter só dezessete anos, mas eu já vi muita coisa na vida. Então, acredito em você e como eu sou imortal temos muitas chances desta vez. Você é um ótimo desenhista.

—Mas, não acertei nos olhos. Tem sempre alguma coisa com os seus olhos.

—Se você diz.

—O seu nome está diferente muito diferente.

—Eu sei. Reencarnação e anjos. Uau!

—Está chocada, mas não tanto quanto eu esperava.

—Eu sou uma híbrida de vampiro e bruxa, minha mãe é uma híbrida duplicata e o meu pai é um Original. Eu sou sobrenatural até o último fio de cabelo.

P.O.V. Daniel.

Ela ficava numa ala separada, para dormir.

—Porque o seu quarto é tão afastado?

—Eu não sou eu quando to dormindo. Boa noite Daniel e fique longe daqui, tranque portas e janelas.

Naquela noite houve um incêndio. Botaram fogo no alojamento de Jean, mas ela saiu ilesa. Eu a tirei de lá e aquela que eu carregava com certeza não era a Jean.

Ela foi parar na enfermaria, mas os enfermeiros não conseguiram ministrar nada porque as agulhas não passavam pela sua pele.

—O que é isso?

Felizmente ela encontrou uma maneira de se curar sozinha. Eu não sei como, mas ela conseguiu. Ficou inconsciente por dias e deu curto em todos os equipamentos da enfermaria, eu fiquei com ela o quanto pude.

—Eu amo você.

Eu fui para o balcão e ela acordou.

—Jean!

—Penn. O Tod? Eu sinto muito.

—Você não provocou aquilo.

—As sombras eram exatamente as mesmas, a mosca e tudo mais.

—Não foi você. Não quero ouvir.

—Tá bom.

Ela saiu.

—Pela primeira vez meu corpo todo dói, mas estou viva. Morta, mas viva.

—Já é alguma coisa.

—Eu me lembro.

—De que?

—De tudo. Do incêndio, você me carregando, de estar nos seus braços...

—Estava delirando.

—Talvez. Mas, não é só disso que eu me lembro. Eu me lembro disso.

Ela me estendeu o retrato.

—Do dia em que o retrato foi tirado. Lady Lucinda Priori.

—Como assim?

—Não me trate como idiota Daniel. Eu sei o que sei.

Ela olhou pra baixo.

—Os médicos e céticos passaram a minha vida inteira dizendo que eu era doida.

Ela subiu na beirada da sacada.

—Veremos quem tem razão.

—Jean? Não Jean, desce dai.

—Eu vou descer.

Ela se virou pra mim, me deu um sorriso disse:

—Vejo você do outro lado.

Então ela se atirou.

—Não!

Eu vim por baixo e a peguei antes que atingisse o chão. Então ela ficou me olhando, fascinada.

—Eu posso... tocar nelas?

—Pode.

Ela tocou as minhas asas bem de leve quase que com medo de feri-las.

—Essa é a coisa mais linda que eu já vi. Com certeza uma das criações de Deus.

As lágrimas escorriam pelo seu rosto.

—Sempre vai ser você Jean, como sempre foi.

Ela pegou o meu colar nas mãos e disse:

—Eu te dei isso.

—Á muito tempo.

Ela abriu o medalhão e viu as fotos.

—Sou eu. Bom, era eu. Como isso é remotamente possível?!

Ela olhou para as sombras e começou a se apavorar.

—Tá tudo bem.

—Não. Todas as coisas ruins que já me aconteceram foram por causa dessas coisas.

—Não. Elas não podem te ferir só ficam observando.

—Os incêndios, toda aquela gente que morreu. A Fênix Negra.

—Jean, as sombras não causaram os incêndios e nem você. Elas são anunciadoras, veja.

Eu toquei a sombra.

—Pense nelas como portas para o passado. Elas estão ligadas aos momentos mais importantes da sua vida.

—O que é isso?

—Nossas vidas juntos. Estamos apaixonados á milhares de anos. Jean, todos os seus sonhos e visões são reais.

—Então somos reencarnações de alguém que já morreu?

—Você sim, mas eu sou...

—Um anjo.

—Um dos anjos caídos sim.

Estávamos prestes a nos beijar quando o Cam apareceu e interrompeu.

—Para! Não faça isso Jean, se beijar o Daniel você morre. Eu já vi isso acontecer milhares de vezes.

—Eu sei.

—A maldição é minha punição por não escolher um lado na guerra.

—Não dê ouvidos á ele Jean.

—Fique Jean, eu escolho você. Eu escolho o amor.

—Oh, Daniel.

—Não escuta ele Jean! Se beijar o Daniel você morre!

—Não. Não, dessa vez é diferente. Eu prometo que vai ser diferente!

—Ele está mentindo Jean. Não escuta ele. Fique comigo, eu posso te proteger.

—Você me viu na minha forma verdadeira, vai ser diferente. Essa pode ser nossa chance. Por favor.

—Jean, eu posso te oferecer muito mais do que ele. Um futuro, uma vida.

—Eu não posso te perder outra vez.

—Parem de falar! Eu sei o que eu quero. O verdadeiro amor prevalece e o Diabo que se dane.

´-Não. Não!

Eu senti os lábios dela nos meus e quando o beijo acabou ela ainda estava lá. Eu tive que rir.

—Viu? Ainda to aqui.

—Você acha que venceu a maldição? Não faz ideia do perigo que ela está correndo! Lúcifer sabe que ela não é batizada, que ela é uma híbrida, que ela é Balcoin, Petrova e Mikaelson. Ele suspendeu a maldição porque quis e não por sua causa. Vai vir buscá-la.

—Então que ele venha. Ter um alter-ego do mal tem suas vantagens. Ser eu tem suas vantagens.

—O que quer dizer?

—Eu sei fazer armadilha pra anjo. E tenho uma arma que pode matá-lo. Dessa vez, não vamos fugir. Vamos revidar.