P.O.V. Sophia.

Eu já estou ficando de saco cheio desse joguinho.

—O que você quer?

—Porque eu tenho que querer alguma coisa?

—Volturis não fazem nada de graça. Você, Alec Volturi, assassino de homens, mulheres e criancinhas do nada quer ser meu amigo? Eu acho que não. Acho que tem algum outro motivo por trás disso.

—Somos parecidos você e eu.

—Não. Eu sou tudo o que você não é e tenho tudo o que te falta.

—Ela não é uma fada de verdade é?

—Não. Sangue de fada tem um cheiro extremamente atraente, se você chegasse perto de uma, com certeza um dos dois já estaria morto. Porque tá interessado na Hope?

—Eu só quero saber o que ela é?

—Ela é uma bruxa.

—Uma bruxa? Bruxa, tipo...

—Do tipo que lança feitiço, faz talismã etc.

—Puro sangue?

—É. Tem sua informação, agora se manda.

—Mas, eu não vim pela informação. A informação foi só um bônus.

P.O.V. Alec.

Ela olhou para a entrada da festa. E pediu para o barmen uma nova dose de uísque.

—Eu odeio a minha família.

—Quem é o sujeito? Um novo membro do seu clã?

Ela riu.

—Você não podia ser mais ignorante. Ele é Silas Salvatore, é o primeiro imortal do mundo, um dos dois rostos que geraram milhares de duplicatas. Tem dois mil anos e é um dos melhores manipuladores mentais que eu conheço. Ele pode compelir massas.

—E é amante da sua mãe?

—Aquela é Amara. Ela é tão velha quanto ele.

—E aquele é o híbrido.

—Isso.

P.O.V. Hope.

Isso não ta acontecendo. Isso não ta acontecendo.

—Oi querida.

—O que você está fazendo aqui?!

—É uma festa. Todos foram convidados.

—Mas, esses são os meus amigos! Meus! Eu já tenho que ser a filha do Klaus Mikaelson vinte e quatro horas por dia, todos os dias!

Quando eu percebi já tinha saído. Eu tapei a minha boca com as mãos.

—Desculpe.

—É tão ruim assim ser minha filha?

—Eu te amo, mas eu sempre vou ser a filha do Klaus. Sempre. Você não sabe como é, viver na sombra de alguém.

—Na verdade, eu sei. Eu sou o filho bastardo lembra?

—Mas, sou eu que estou sempre na mira lembra? É fácil pra você falar, você é imortal.

—Lembra da promessa que eu te fiz quando era criança? Nada, nunca vai machucar a minha garotinha.

—Você só esqueceu que eu tenho dezesseis anos agora e tomo remédio pra depressão e graças ao simples fato de ter nascido sua filha e ter sido sequestrada, atacada e etc eu desenvolvi síndrome do pânico. Você não sabe como é ter um ataque de pânico. A garganta fechando, as mãos suando, a inquietação, os pesadelos.

—Seus ataques de pânico voltaram?

—Tive um ontem de manhã. Eu só queria um dia, um único dia sem coisas ruins. Sem monstros, ameaças. Eu queria poder não ter que me dopar pra conseguir dormir. Eu queria não ter medo da janela do meu quarto.

—Querida...

—Devia ter deixado a mamãe me abortar. Eu queria que ela tivesse me abortado.

Isso me deu uma ideia. Eu to tão cansada. Isso não é viver.

Depois que a festa acabou e o meu pai me apresentou para a nova namorada dele, nós fomos pra casa. Eu escapei, fui até a farmácia e comprei um monte de remédios.

Eu entrei no quarto. Todo mundo já tava dormindo. Escrevi uma carta, dizendo adeus e pedindo encarecidamente para ninguém me trazer de volta.

—Eu já to cheia dessa vidinha miserável.

Eu ingeri uma dose cavalar de remédios e para me certificar de que daria certo, eu tomei com uísque dentro de uma banheira.

Senti a escuridão me levar e então, eu tava no quarto do meu pai. Dai eu lembrei que ele era a âncora.

—Que merda.

—Hope? O que foi querida?

—Não se atreva a me trazer de volta. Eu já to cheia dessa vidinha miserável.

—Do que está falando? Hope?

—Eu posso ter sido a sua redenção, mas você foi a minha ruína.

Eu agarrei nele e foi estranho fazer a travessia.

Ele foi até o meu quarto, derrubou a porta acordando a casa inteira.

—Niklaus! O que está fazendo?

Derrubou a porta do banheiro e eu vi o meu próprio corpo.

—Ai Meu Deus! Foi ela?

—Hope? Hope! Ai o meu bebê! Minha filha, minha filhinha!

Minha mãe chorava desesperadamente e abraçava o meu corpo morto. Meu pai forçava seu sangue pela minha garganta, mas eu já tava morta.

—Não vai funcionar. Eu já to morta. Acabou. Finalmente acabou. Graças á Deus.

—Kol, liga pra Davina liga. Diz pra ela que eu dou o que ela quiser pra trazer minha filha de volta.

Meu tio achou a carta, não não era uma carta. Era um bilhete. Ele começou a ler em voz alta:

Querida família, eu amo muito todos vocês, mas eu não posso viver mais um dia nesse inferno. Eu não consigo dormir sem remédios, não consigo sair de casa sem estar com medo. Sempre com medo. Eu to realmente cansada dessa vidinha miserável. Por favor, respeitem a minha decisão e me deixem morta. Me deixem morrer em paz. Eu passei a vida sendo a filha do Klaus Mikaelson, mas a minha morte vai ser só minha.

Com amor,

Hope Mikaelson.

Meus pais convocaram a Davina e a forçaram a me trazer de volta. Me levaram pro hospital e me fizeram lavagem estomacal.

Eu acordei na cama de hospital, toda cheia de tubos enfiados nas minhas veias.

—Oi amor. Ta acordada.

Minha mãe veio primeiro, depois o meu pai e meus tios e a minha prima. Eu abri a minha boca e a frase saiu como um sussurro:

—Seus filhos da puta.

—Eu vou chamar a enfermeira.

Sophia foi chamar a enfermeira e a moça de cabelos loiros e olhos azuis disse que estava estável. Mas, precisaria ficar mais um tempo internada.

—Eu pensei que tinha perdido você.

—Você nunca vai me perder mamãe. Nem mesmo quando eu morrer, de novo. Caramba, vocês são mesmo egoístas. Eu mandei não me trazerem de volta. Quando eu tava morta, eu era livre.