Notas iniciais
Os gritos de pedido de ajuda não eram ouvidos, todos em volta agiam como se nada estivesse acontecendo. Porque ninguém fazia nada? Porque todos passavam por nós e nada faziam?
Meus pés estavam fixo no solo, como se algo estivesse me impedindo de correr, eu não podia fazer nada senão gritar.
– Katerina! Fuja! — berrei, com dificuldade. Ela também não me ouvia, era como os outros. Será que ela também estava fingindo?
Ela estava desesperada, olhava freneticamente para todos os lados, procurando o verdadeiro monstro que a caçava como um verdadeiro animal que procurava por sua presa. Gritei como nunca na vida ao vê-lo com um sorriso diabólico, à uma longa distância dela. Porque ela não fugia? Porque continuava a procurar parada?
Fraquejei e caí no chão ao vê-lo pendurado em seu pescoço fino e delicado, sugando toda sua vitalidade, toda a vida que ela tinha.
Era ele, o monstro.
Lorde Niklaus.
– Não! — berrei. Senti um brusco chacoalhão nos ombros e abri os olhos, vendo meu pai, preocupado e apavorado.
– Filha! Sou eu, seu pai! — olhei para os lados e enruguei o cenho. Eu estava em minha casa, em meu quarto. O que fora tudo aquilo? — Respire fundo. — o fiz e encarei meu irmão que estava parado a porta, com medo.
– Sammy? — perguntei.
– O que? — meu pai perguntou confuso.
– Porque está parado aí? Venha. — pedi.
– Caroline, com quem está falando? — perguntou meu pai.
– Samuel, ora.
– Seu irmão está na casa de sua tia, Lucy.
– O que? Desde quando? — perguntei olhando para a porta, não o vendo mais ali.
– Desde anteontem. — respondeu mais confuso do que eu. — Deve estar com saudades dele. — assenti, não me convencendo de que seria isso. — Tudo bem, volte a dormir, eu estarei em meu quarto.
– Tudo bem. Boa noite, pai. — deitei-me e puxei o cobertor, vendo-o sair, com sua vela. Revirei os olhos em descrença e enruguei o cenho ao sentir algo molhado tocar minha bochecha. Bufei e me sentei, pegando o travesseiro, franzindo a sobrancelha ao ver uma mancha, uma mancha que eu não sabia o que era, afinal, estava escuro. Levantei-me e fui até a escrivaninha, pegando o fósforo e uma vela nova, logo a acendendo e iluminando o travesseiro, arfando ao ver uma grande mancha de sangue, que desapareceu, assim que pisquei.
Fitei-me no espelho e me perguntei o que estava acontecendo comigo, e então voltei a dormir, tendo o mesmo sonho, tendo as mesmas sensações de incapacidade.
Aquilo só queria dizer alguma coisa.
Katerina estava em perigo.
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