Notas iniciais
Hey (:
Então, Eu tinha desenhado uma capa, mas fiquei com preguiça de editar, e como eu estava ansioso pra postar essa oneshot...
Ahh, e dessa vez eu fiz do ponto de vista da Kari. Quis alternar um pouco, já que os dois últimos foram do ponto de vista do TK.
Boa leitura (:

[HIKARI]



A vida é tão... Sei lá. O mundo gira, o tempo vai passando, e de repente, numa dessas reviravoltas, as coisas acontecem tão depressa que você fica meio que “oi? Hã? Sério?”


Parece que foi ontem que salvamos o digimundo pela segunda vez, e quem diria... Eu, Hikari Kamiya com leucemia.

Pois é, a vida passa e te ensina que nada é como a gente imagina. Não que eu não esteja feliz com minha vida. Mas é que não é nada fácil aceitar que talvez esses sejam os meus últimos dias. Nunca pensei na minha morte, de fato. E foi aí que a vida me mostrou as possibilidades.



– Oi? Posso entrar? – Minha linha de pensamento foi quebrada quando uma figura conhecida abriu a porta.

– Claro. – respondi num sorriso. Fechei o livro que estava lendo e o guardei de volta à estante.


– E aí? Tudo bem?

– Acho que sim... Estou tentando lidar isso da melhor forma possível. Mas acho que não está dando muito certo. Eu tenho que ir ao médico amanhã pra entregar uns últimos exames, porque semana que vem já começam as sessões de quimioterapia, eu estou muito nerv...

– Quer sair? – perguntou ele me interrompendo.

– Sair? Como assim sair? Eu estou aqui nos meus últimos dias, e você ainda me pergunta se eu quero sair?

– É, sair... – respondeu ele com brilho nos olhos. – Já que esses são os seus últimos dias na Terra, que sejam dias felizes então.

– Você não me ajuda em nada falando assim.

Ele apenas riu.

– Vem logo! – disse ele me puxando para fora do quarto.

Talvez ele tenha razão. Só vou piorar a minha situação ficando o dia inteiro no meu quarto.

***

– Um bar? Você me fez sair de casa pra vir num bar... – Talvez eu estivesse errada quando pensei que era melhor sair de casa. – E olha só esse nome – disse em reprovação apontando para a placa do local – “Bar dos Cornos”.

– Ué, parece ser um lugar bem interessante... Vem, vamos entrar. – disse ele ainda sorridente.

Apenas revirei os olhos e o segui.

O lugar era bem agitado, o que deixava o clima ainda mais estranho. Mas também, que gênio é esse que resolveu colocar esse nome? Gostaria de conhecer essa criatura. E pior que conhecer o dono do local, é conhecer as criaturas que se encantam com o nome e entram. A INDIRETA É PRA VOCÊ MESMO TK.

– TK, você é corno?

– Não – respondeu rindo. – Por que pensa isso?

– Não sei. Imagino que aqui seja um lugar de consolo para pessoas com apêndices na cabeça.

– Você quer dizer chifres...

– Tanto faz.

– Quer alguma coisa pra beber? – perguntou ele se sentando a beira do balcão.

– Acho que vou querer um refrigerante.

– Moço, traz um refrigerante para a jovem aqui e uma tequila com gelo e limão no ponto pra mim... – disse ele se dirigindo ao garçom alto com um chapéu de chifres em sua cabeça. Realmente, o lugar era bem interessante. E bem adaptado também.

Mas espera aí? O TK vai beber?

Ele apenas bebeu um grande gole de sua bebida e chacoalhou a cabeça fazendo uma careta estranha.

– Desde quando você bebe?

– Desde alguns segundos atrás. Vamos dançar? Adoro essa música... – e bebeu mais um gole da tequila.

– Dançar? Como assim? Nem está tocando música... Você está bem?

– Estou ótimo, é que de repente me deu um calor. Parece que tá subindo uma chama dentro de mim. Woow! – respondeu ele retirando a camisa social que estava vestindo por cima de outra. – Moço, solta uma música legal aí... – pediu ao garçom que nos atendeu.

TK me levou até o centro do salão. Delicadamente senti a mão de TK segurar a minha cintura, e com a outra pegou a minha mão direita. Levei minha mão esquerda até o seu ombro.

– Você sabe dançar?

– Não.

– Que ótimo, eu também não.

A música começou a soar nos alto falantes do local.

Dei um sorriso. Ele foi me guiando, e devagar fomos pegando prática. Foi ótimo estar ali. Sei lá... Parece coisa da alma, sabe? Quanto estou com o TK, nada precisa fazer sentido. Nada importa. Nem mesmo os “bêbados chifrudos” a nossa volta.

A música fazia cócegas nos meus ouvidos. Sem querer, nossos rostos foram ficando mais próximos, e em pouco tempo não existia mais espaço entre nós. Nossos lábios se tocaram de leve. Devagar, o beijo foi se intensificando, e quando o ar foi necessário, nos separamos.

I'll sing it one last time for you, and then we really have to go. You've been the only thing that's right. ♪♫

Eu vou cantar uma última vez pra você, então nós teremos mesmo que ir. Você foi a única coisa certa em tudo que eu fiz.

Light up, light up, as if you have a choice. Even if you cannot hear my voice, I'll be right beside you dear ♪♫

Anime-se, anime-se, como se você tivesse escolha. Mesmo se você não puder ouvir minha voz, eu estarei bem ao seu lado, querida.

Aquilo foi tão bom. TK e eu. Ali, no meio dos bêbados. Juntos. Dançando. E a música ao fundo descrevia tudo.

Sei lá. Parece que a gente foi feito pra ficar junto. Parece que independente de estarmos juntos ou não, de um modo ou de outro, sempre estaremos ligados. É como se minha alma precisasse ficar perto da dele pra se manter forte. E era isso mesmo que eu estava precisando. Força.

***

– Não sabia que você jogava tão bem assim... – disse ele boquiaberto segurando seu taco de jogo, enquanto eu acertava a ultima bola no buraco da mesa de sinuca. – Se eu soubesse que iria perder, nem tinha te chamado.



– Pára de reclamar, você estava perdendo por pouco...

– Vem... Vamos sentar ali! – disse ele guardando os tacos de jogo e apontando para uns puffs localizados no canto do salão.

– Moço, trás mais um copo de tequila. – disse se direcionando ao garçom que passava na nossa frente.

– Você não acha que está bebendo demais?

– Nahhh... Eu não fico bêbado tão fácil. – As apalavras saíram meio enroladas.


– Tem certeza? Com esse copo já são dez...

Ele apenas recostou sua cabeça no meu ombro.

– Viemos para curtir a noite, não é mesmo?

Sorri.

– Tem razão. – e sussurrou em resposta fechando os olhos — Obrigada por me fazer esquecer os problemas. Você é um grande amigo... – e vacilei ao dizer esta última palavra.

E o inesperado aconteceu. TK dormiu no meu ombro. Era tudo o que eu precisava... Um amigo bêbado.

Peguei algumas notas que estavam na carteira do TK e o deixei dormindo no puff, e fui em direção ao balcão pagar a nossa conta.

Entreguei o dinheiro ao rapaz que estava atendendo no caixa, e quando estava quase me virando pra ir pegar o TK, tive uma idéia de última hora.

– Moço, será que você pode me emprestar uma caneta?

Ele me entregou a caneta meio confuso tentando imaginar o que iria fazer com aquilo.

Cheguei ao lugar onde TK se encontrava e comecei a rabiscar seu rosto. Não pude resistir. Aquilo era uma terapia pra mim. Talvez agora ele aprenda a não se embebedar tanto e deixar a responsabilidade de levá-lo para casa nos ombros da acompanhante.

No fim das contas levei TK para dormir em minha casa. Como todos já eram três horas da manhã e todos já estavam dormindo, acomodei-o no meu quarto mesmo.

***

– E você teve que me levar embora depois de tudo... Eu sou um idiota. – TK falou coçando a nuca. – E olha pra mim agora, com uma ressaca terrível.

– Sem problemas, TK. É pra isso que servem os amigos, não é? Além disso, eu queria te agradecer pela noite maravilhosa. Me diverti muito.

– Ótima noite? Te carreguei pra um bar de chifrudos, fico bêbado, dormi, você teve que me trazer pra sua casa... É pouco pra noite ter sido ruim? Não estou te entendendo...

– Simples. Se olhe no espelho! – respondi com um sorriso maléfico.

Ele, um pouco confuso, foi até o espelho.

– O que fizeram comigo ontem à noite? – perguntou boquiaberto. E numa fração de segundo percebeu a minha vingança... – Tudo bem, acho que mereço isso.

Sorri.

– Vem... Eu vou te ajudar a tirar isso do seu rosto. – E vacilei ao me levantar.

Senti uma enorme fraqueza, e quando voltei a mim, já estava caída no chão.

– Sra. Kamiya, vem rápido! – Berrou TK. Foi a única coisa que ouvi antes de desmaiar.

***

Acordei em uma cama de hospital, com minha mãe sentada em uma cadeira ao meu lado.

– Kari, que bom que acordou filha... – sua expressão estava triste – O médico nos disse que você está muito fraca, tem perdido peso, e muito sangue também. E essa sua febre não quer passar. Ele pediu pra nós optarmos em fazer a quimioterapia ou um transplante de medula imediatamente. O que você acha minha filha?

Eu hesitei em responder a essa pergunta. Não queria sofrer durante a quimioterapia, mas em compensação, não queria comprometer a vida de ninguém, tendo que doar sua medula.

Fui salva ao ouvir um “TOC TOC” vindo do outro lado da porta. Era o TK. Ele trazia flores em suas mãos.

– A dorminhoca acordou... – disse ele se achegando perto da cama, e arrumando as flores em um vaso que estava em cima de um criado- mudo. – Não me dê mais um susto desses! – e se inclinou dando um beijo na minha testa.

– Seu irmão e seu pai chegarão daqui a pouco... Eles estão muito preocupados com você! – Depois disso, ela apenas sorriu e seguiu em direção a porta. — Bom, eu vou descer para tomar um café. Cuide dela pra mim, TK.

– Sem problemas!

E fechou a porta, nos deixando sozinhos.

– E agora? Já decidiu o que vai fazer? – questionou acariciando meu rosto.

– Ainda não sei.

– Me deixa... Te ajudar? Quero doar minha medula a você.

Ele queria... Me ajudar? Não que eu não quisesse a ajuda dele. Mas é que... Ele é só um amigo. Um grande amigo, pra falar a verdade. Por quê?

Quando me dei conta, já estava imersa nas minhas lembranças com o TK. Não era a primeira vez que ele queria me ajudar ou salvar de alguma coisa.

– Não, não posso deixar você fazer isso... – murmurei.

– Não, eu é que não posso deixar você optar pela quimioterapia. Nem sempre dá certo e...

– Mas e você? Você pode morrer... – as palavras saíam de forma tão fraca.

– Que se dane. Eu não posso te perder! Não agora. – Vi uma lágrima descer pelo seu rosto. – Me deixa te ajudar?

Abaixei a cabeça.

– Tudo bem.

Houve um momento de silêncio. E senti quando seus lábios recostaram nos meus. Aquele momento pareceu durar uma eternidade.

– Eu te amo. – Sussurrou olhando nos meus olhos.

Light up, light up, as if you have a choice. Even if you cannot hear my voice, I'll be right beside you dear ♪♫

Anime-se, anime-se, como se você tivesse escolha. Mesmo se você não puder ouvir minha voz, eu estarei bem ao seu lado, querida.

Desejei que aquele não fosse o nosso último momento juntos.

***

[TRÊS MESES DEPOIS]

Me descobri na varanda do meu apartamento, com os cotovelos apoiados ao muro da sacada. Coloquei meus fones de ouvido, o que me deixou um pouco desconfortável, já que de uma forma bem estranha parece que tem alguém me chamando, ou o telefone está tocando, ou a casa está pegando fogo. Mas é sempre a mesma coisa. Tiro os fones e nunca está acontecendo nada.

Só que dessa vez eu estava errada. Senti quando alguém chegou por trás me abraçando. Era ele. Takeru. Agora, meu namorado.

– O que está ouvindo? – ele perguntou enquanto brincava com meus dedos.

– A música daquele dia. A nossa música.


E ele sorriu ao se lembrar. Aqueles momentos foram valorosos pra mim. Não pela duração. Mas pela intensidade com que elas aconteceram. Momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

I'll sing it one last time for you, and then we really have to go. You've been the only thing that's right. ♪♫

Eu vou cantar uma última vez pra você, então nós teremos mesmo que ir. Você foi a única coisa certa em tudo que eu fiz.


Notas finais
E ae? Gostaram? Achei o final um pouco sem... Não sei. Só sei que faltou alguma coisa rs'
Qualquer erro me avisem!
Reviews?
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