The Only One

1 Capítulo 1 - The Only One


Notas iniciais
Bom... Como é um lugar onde só há pokémons e como sabemos, eles se entendem, escrevi as falas deles... E também coloquei nome em cada um deles pra facilitar o entendimento.MissFantasy (Tay-chan) essa fic é dedicada a você, espero que goste.

.: Lopunny — Kiddy:.

— Eu mandei correr! Qual é o seu problema? – ouvi a voz de Franz, um gallade enorme e com um temperamento nada amigável. Parecia sempre estar de péssimo humor e sempre que se aproximava de mim soltava uma de suas piadas idiotas sobre minha pelagem.

Nós nos conhecemos desde que ele era um kirlia e eu um buneary. Não era algo que me dava orgulho, ainda mais porque Franz era um dos muitos pokémons que adorariam ver meu couro esticado em uma das cavernas dos onixda região.

A razão disso era óbvia sou um lopunny e para melhorar a situação toda, um lopunny macho e shiny... Como se a minha espécie não fosse predada o suficiente por isso.

Senti um toque em minhas orelhas imensas e ganhei um leve puxão em uma delas, podendo ver assim a sombra que se projetava de alguém atrás de mim. Arrepiei-me por completo ao perceber que provavelmente eu estaria com mais um saldo negativo nas contas daquele pokémon.

— Felon. – Franz sorriu maldoso e cruzou os braços. – Eu insisti em avisa-lo para não ir até lá, mas... Sabe como é o Kiddy.

— Sei... É por isso que não é seu dever cuidar dele. – respondeu em seu típico humor sério e falta de expressão. – Saia.

Felon é um lucario. Seu humor geralmente oscila entre ausente e indiferente. São raras as vezes em que está com algum senso de cuidado para comigo ou Franz, mas diziam que antes da minha chegada era bem pior.

Eu não o conheço bem. A verdade é que quando cheguei ainda buneary, ele não me suportava, era como colocar dois polos diferentes juntos. E eu juro por Arceus... Eu tento não ser um estorvo, tento não atrapalha-lo...

Caminhou na direção na qual vim com o gallade e a verdade é que tive que segui-lo para receber meu castigo devidamente. Andei com cuidado, ainda batendo em alguns galhos pelo meu tamanho... Não há muito tempo que evoluí, na verdade não há três meses ainda e não me acostumei com isso.

Quando paramos, observei seu olhar calmo e pensei em pedir desculpas pelo que fiz, mas não era errado. Não era por maldade.

— Kiddy, agora você é um lopunny, deve saber que há coisas que você pode, coisas que você não pode, coisas que nunca deve sequer pensar em fazer.

— Mas... – tentei argumentar. – Eu não sabia que ia quebrar e cair, Felon, eu juro. – era um hábito horrível o meu... Todas as vezes que eu estava envergonhado, juntava as mãos e brincava com meus próprios dedos.

— Eu sei que não foi por querer, mas tentar subir em um ninho de spearows é quase um suicídio. Se o fearow estivesse aqui, você estaria em uma encrenca enorme, sorte a sua que estou aqui para arrumar suas besteiras.

— Hunm... Desculpa... – falei em um tom baixo e olhei para o chão.

— Pare com essa cara indefesa, você já é adulto. – reclamou e isso só fez meu rosto queimar por perceber que eu era encarado. – Kiddy.

— Você está bravo comigo?

— É claro que estou, mas você não teve culpa. – tocou minha cabeça e suspirou. – Eu sei o quanto você queria ver os filhotes.

Olhei para ele assustado, afinal, tinha medo... Mas seu rosto estava tão calmo. Segurou-me o queixo e encarou profundamente meus olhos, o que fez meu coração disparar. Não consigo ver a maldade nele, mesmo que as histórias sobre seu passado sejam contadas por tantos...

Eu já o conheci lucario... E ele cuidava de mim desde sempre, mesmo que de longe. Tomei coragem para abraça-lo há pouco tempo e agora é uma das coisas que mais gosto de fazer, sentir o pelo dele no meu e saber que podia contar com meu amigo.

Sua pata se embrenhava pelos fios rosados de minhas orelhas e eu roçava a cabeça na dele em um ato, que até então era inocente... Até eu perceber o quanto ele fica tenso com esse carinho.

— Está tudo bem? – preocupei-me, afastando um pouco. Suas patas desceram para minha cintura e as minhas para seu peito.

— Sim. – encarou-me e podia ver que estava envergonhado com isso, então, afastou-se um pouco. – Já... Pode ir.

— Quero passar um tempo com você.

— Não é a hora.

— Nunca é. – resmunguei.

— Afazeres que logo também terá. Volte para a caverna e logo mais estarei lá.

E era a verdade. Logo eu teria afazeres de adulto e esse dia não tardaria. Voltei à caverna e comecei a pensar em que eu sabia fazer e minha surpresa não foi maior porque já sabia o que seria da minha vida.

Franz cuidava da proteção do lado oeste e norte, enquanto o Felon protegia o sul e o leste. Os demais pokémons cuidavam de suas famílias e alguns cuidavam dos órfãos... Como os jumpluffs que cuidaram do Felon e Franz...

Eu não sabia fazer nada. Não conseguia caçar comida direito, sempre irritava os outros pokémons e nenhum deles me respeita. Não sou forte para luta contra os maiores e não tenho filhotes ou família. A única coisa que tenho é a lembrança do meu ex-treinador, que também me odiou desde que nasci por eu ser diferente.

Amaldiçoo meus próprios pelos e por muitas vezes tentei arranca-los, ficando quase totalmente pelado... O que causou mais risos dos demais pokémons e por Arceus! Como essa lembrança volta... Volta em uma dor intensa.

...

— Ele é rosa! – ouvia o pequeno cubone falar e os demais pokémons rirem.

— Ele ou ela? – Franz insistia em continuar aquilo.

Em pouco tempo, um a um, os pokémons começavam a rir e a cochichar pelos cantos. Desde o pequeno oddish até o gyarados do lago leste. Não conseguia lugar para me esconder sem ser apontado e ter os pelos puxados por um ou por outro.

Minha escapatória seria meu ninho, mas nem ao menos isso eu tinha. Enquanto eu era um buneary ainda conseguia um buraco, mas e agora? Acabo de evoluir e não tinha mais onde ficar.

Corri para perto do riacho e ignorei as risadas sombrias dos gastlys. Quando encarei a água, não conseguia me reconhecer. Eu era o que afinal? Um lopunny? Mas por que eu sou rosa? Por que todos riem disso?

Por que esses pelos são tão feios?! Por que tinham que nascer em mim? Por que ninguém quer ser meu amigo? Por quê?

E quando eu me dei conta, já estava arrancando os pelos da orelha... E das patas... Tinha uma plateia imensa que só sabia rir e apontar... Até que senti algo segurar meus braços tão fortemente que saí de meu devaneio raivoso e encarei o lucario, que antes era imenso, agora da minha altura.

— Pare! Não vê o que está fazendo? – rosnou.

— Eu me odeio... Odeio essa porcaria cor-de-rosa!

Ouvi o “metal sound” desferido por ele, que fez com que todos ao redor, inclusive eu, ajoelhassem e tentassem tapar os ouvidos. Aquele som era ensurdecedor e irritante... A ponto de fazer qualquer pokémon desmaiar.

.:.:.:.:.

Acordei na caverna dele, deitado em seu ninho e com muitos tufos de pelo faltando em meu corpo, não só os rosados. Felon estava arranhado, queimado e cansado, mas aparentava tanta calma que cheguei a duvidar de que era ele mesmo.

— Felon...

— Está tudo bem agora Kiddy. Eles vão te deixar em paz. Não vão implicar pela cor do seu pelo ou por você ser macho.

— O que você...

— Nada. – levantou-se de onde estava e sentou-se ao meu lado. – Eu prometi proteger os pokémons daqui e estou fazendo isso. Você também mora por aqui.

— Você... Sempre briga com os outros por minha causa... Isso não é justo.

— Também não é justo eles mexerem com alguém tão dócil. – tocou minha cabeça. – Esta é uma época de muita chuva, Kiddy. Pode ficar aqui se não tiver lugar para se esconder até seu pelo crescer de novo.

— Não quero que cresçam.

— Por quê? Eles são tão bonitos.

...

E foi ali que eu percebi que o único que gostava dos meus pelos rosados era o Felon... Também foi ali que lembrei o motivo da minha admiração por ele e porque eu queria estar perto... Na verdade muito perto.

— Trouxe isso para nós dois. – ouvi a voz dele e percebi que trazia algumas frutas. Colocou perto do monte de feno em que estou sentado e sentou à minha frente.

— Não precisava eu...

— Você trouxe mais feno pra cá. – comentou. – Obrigado. – simplesmente disse, fazendo com que eu ficasse confuso. – Você também trouxe mel.

— É... Eu... Trouxe. – senti o rosto esquentar.

— Pode arrumar do seu jeito, está ótimo. – aproximou-se, sentando ao meu lado. – Seu pelo está muito macio.

— Mesmo?! – comecei a brincar com meus dedos e minha cauda começava a se mexer sozinha e freneticamente. Senti o focinho dele encostar em minha orelha e isso arrepiou todos os pelos do meu corpo.

— Esteve no campo das roselias...

— S-sim. – comente, pegando uma berry qualquer e comendo nervosamente.

— Está arrepiado. – o focinho desceu para meu pescoço, mas logo senti a ausência do mesmo, pois Felon começara a comer, deixando-me parado.

Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu... Também não foi a última. O jeito dele estava me deixando completamente sem norte e mesmo que essa primavera estivesse apenas começando, sentia que seria longa demais.

Nos dias seguintes eu só conseguia ficar mais confuso que nos demais. A cada dia Franz e Felon lutavam mais um contra o outro, a cada dia eles saíam mais feridos que nunca e eu só pensava em me esconder.

Muitas vezes pude ouvir meu nome em suas discussões e não conseguia perguntar a razão daquilo, pois o lucario havia entrado em um modo mal humorado que chegava a assustar até mesmo os pokémons de grande porte.

A noite quente de hoje me fez começar a dormir sob a sombra de uma árvore enorme. A verdade é que eu estava com medo de ir para a caverna e o gallade aparecer por lá para me atacar como em outras noites.

Senti um arrepio estranho por todo o corpo só em lembrar, mas não só por isso. Ultimamente tenho sensações controversas. Muitas vezes quero lutar para defender o Felon, e outras quero correr dele.

O ar fresco fazia bem para mim, mas aquele cheiro doce de alguns pokémons nessa época era incrivelmente forte. Senti a presença de alguém próximo e olhei para trás, vendo o lucario com um corte pequeno no pescoço.

— Felon! – ia levantar, mas ele fez um gesto para que eu continuasse sentado. – Está machucado... – comentei baixo.

— É só um corte. – comentou e sentou-se bem perto de mim. – Enfim... Paz.

— Por enquanto. – minha respiração pesou e fiquei extremamente sem jeito ao estar com ele tão perto.

.: Lucario — Felon:.

Então era isso. Desde que Kiddy se juntou a nossa área, as confusões só aumentaram. Sempre tive um lado protetor fora do comum quando o assunto era ele, pois sei muito bem como é ser abandonado por um treinador e sei melhor ainda o como é ser diferente.

Sou o único lucario da região e o único que sempre rejeita qualquer interação que não seja de luta... Ou os afagos daquele bendito lopunny desde que era um buneary.

Tentei seriamente me afastar dele quando ainda não tínhamos muito contato, mas era impossível. Era uma criatura indefessa nas patas de um gallade nada confiável. Eu, bem mais velho, nunca havia sentido isso antes, mas a necessidade de protegê-lo passava dos limites em muitas vezes.

No entanto... Como a maioria dos pokémons, ele evoluiu... Evoluiu e se tornou o lopunny mais dócil e bonito que conheço. Infelizmente os demais não o respeitam justamente por isso e por sua pelagem shiny de causar inveja em qualquer fêmea... Além do cheiro.

É incondicional na primavera que a maioria dos pokémons selvagens tenham um perfume para atrair o sexo oposto, mas o Kiddy não é selvagem. O cheiro que ele exala é algo fora do comum para meu olfato... Não só para meu...

Tive o trabalho de semanas para afastar o Franz e mais outros que vinham em busca daquele cheiro. Deixei a área livre e agora podia ficar em paz... Para tentar explicar a razão de tantas lutas.

— Hunm... Sente esse cheiro? – ele perguntou com os pelos arrepiados.

— Não. – respondi simplesmente. A razão era óbvia. Não podemos sentir o próprio perfume da primavera... É algo que apenas outros pokémons e os humanos sentem.

— Nossa, você devia, porque... – foi procurando o cheiro e acabou olhando direto pra mim. – É... O seu cheiro.

— Você gosta?

— É bom... É... – ficou com aquele jeito envergonhado novamente, que em outra situação me deixaria completamente irritado, mas era tão dele que seria um crime tirar toda essa “fofura” que sua frágil figura expressa. Encarou-me ainda mais tímido que antes e escondeu-se atrás das orelhas, fazendo o cheiro doce ficar ainda mais forte. – F-Felon...

— Sim?

— S-Se você está com esse cheiro q-quer dizer q-que está p-procurando uma f-fêmea?! – encolheu-se ao perguntar. – Estou atrapalhando...

— Não... – toquei seu ombro e vi todos os seus pelos arrepiarem ainda mais. – Fique tranquilo. – encarou-me preocupado. – Eu não costumo correr atrás de fêmeas na primavera. Não tenho espaço pra elas na minha caverna.

Riu baixo e tentou relaxar um pouco, mas eu o via desviar o olhar todas as vezes que olhava pra ele. Peguei a ponta de uma de suas orelhas enormes e comecei a afagar aquele monte cor-de-rosa tão macio.

— Gosta desses pelos estranhos, não é?

— Não são estranhos, são macios. – comentei. Silêncio se estabeleceu entre nós novamente e aquilo já formava um clima muito ruim. – Kiddy...

— Felon, por que você tem brigado tanto com o Franz por minha causa? Eu não quero que você e seu irmão de criação se estranhem só porque...

— Porque nós dois gostamos de você? Kiddy, algum dia um teria que lutar contra o outro pra ver quem ficaria contigo. – falei de uma vez o que acontecendo e seu olhar ficou tão confuso que tive vontade de bater nele até acordar, mas o que fiz foi tocar seu focinho. – Vai dizer que não percebeu isso? Franz e eu só fazemos o que é natural... Lutar pelo pokémon que nos interessa.

— E-eu? – parecia ainda atônito.

— Sim. – confirmei e juntei-me a seu corpo. – Qual a surpresa?

— Eu... Sou um Pokémon estranho, Felon. Pare de brincadeiras. Meu pelo é rosa e eu sou... Sou...

— Você é um macho de shiny lopunny. E daí?

— Daí que você é um lucario.

— E daí?

— Daí que lucarios machos ficam com lucarios fêmeas. – piscou confuso. – Lucarios fêmeas lindas e não lopunnys feios e fracos.

— Eu não quero um lopunny feio e fraco, quero você. Kiddy, você é o lopunny mais bonito e dócil que já conheci, como queria que eu não me apaixonasse?

— Eu... Eu...

— Cala a boca e me deixa terminar. – rosnei. – Você é único, você... É gentil e não desistiu de se aproximar de mim. Eu quero você.

— Para com isso eu sou...

— Você é o que? – segurei seu corpo e o deitei na grama. – Diz... Diz logo o que você é... Não nega seus instintos...

— Eu sou... – vi sua expressão de choro se formar e com isso, ganhei um abraço apertado daquele ser felpudo e perfumado. – Eu sou seu, Felon.

...

Eu não me importava com o fato dele ser rosa, de ser um lopunny ou ainda ser o mesmo “bebê chorão” de sempre. A verdade é que naquela noite nada foi importante, só o fato de estarmos juntos e pra mim era o suficiente, porque Kiddy é único.

Único no jeito de ser, único no jeito de agir e único shiny que conheço... Mas além disso, ele é o único pokémon que quero manter sempre perto de mim pelo resto da minha existência.

... O único.

Notas finais
>< É só isso! Espero que tenha ficado bom.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!