The Only Exception.

Prólogo.

Mais um dia difícil na cidade de New York. Estava nevando muito naquele dia e o inverno se fazia tão rigoroso. Por sorte, eu gostava bastante de usar roupas grossas, cachecóis, chapéus e todas essas coisas mais fechada e escura. Fiz um carinho em meu gato, Ringo, quando acordei e fui direto ao meu armário. Separei um dos meus sobretudos grossos verdes, cachecol colorido, calça jeans escura e camisa branca. Simples e prático, ainda mais que branco com preto se pode entrar em todos os lugares.

Suspirei e encarei minha cara amassada no espelho e girei meus olhos. Eu conseguia ficar mais feio quando acordava. Entrei no chuveiro e tomei um banho rápido e me vesti. Não demorou muito para meu celular começar a tocar para dizer que eu estava atrasado e eu não estava tão atrasado assim, só queriam que eu fizesse mais cedo o trabalho ‘sujo’ daquela revista. O problema é que eu estava sem motivação alguma para ir trabalhar.

“Bom dia, Ringo...” Murmurei, indo para cozinha. “Espero que você não tenha um dia de cão, como eu sempre tenho.”

Ringo apenas bebeu seu leite quando coloquei seu pires no chão e eu peguei alguns cookies, para comer no caminho, enquanto ia em direção à garagem do prédio para ir pra maldita redação de uma revista adolescente mesquinha. Coloquei uma música alta para disfarçar que não tinha um trânsito infernal enquanto eu rumava à revista – que tinha uma Starbucks no meio do caminho -, contra minha própria vontade. O editor tinha me ligado e dizendo que tinha algo excitante pra mim. A última vez que ele disse isso, eu fui obrigado a fazer uma matéria sobre a vida do Joe Jonas. Isso foi um saco, confesso. Um dia ainda vou fundar um jornal pra falar de coisas decentes. Notícias que valem a pena ser comentadas.

Cheguei à redação e fui direto para o editor. Já que ele tinha algo excitante pra mim, eu deveria pegar logo antes que alguém pegasse em meu lugar. Suspirei ao pôr a mão na maçaneta e girá-la. Sorri falso ao olhar o meu chefe relaxado em sua confortável cadeira. Ele sorriu grande ao me ver e pegou uma bolinha de borracha que costumava ficar jogando de um lado para o outro. Suspirei.

“O que tem pra mim?” Perguntei e ele me ofereceu a cadeira.

“Eu quero que me olhe nos olhos!” Inclinou-se para mim e me olhou nos olhos. Arqueei a sobrancelha debruçando-me sobre a mesa dele, apoiado em meus cotovelos. “Você vai fazer uma matéria sobre ‘Relacionamentos homossexuais e heterossexuais’, hm? O que me diz?”

“Você só pode estar brincando comigo.” Dei uma risada debochada. “É sério isso? Isso aqui é uma revista adolescente”

“É sério!”, Ele falou com um sorriso grande no rosto. “Eu tenho certeza que você vai conseguir dar um up nessa sua carreira. Eu sei que é uma revista adolescente, mas eu andei pesquisando; adolescentes gostam de saber como a mente do homem funciona.”

Parei para olhar a sala do Mr. Charlie Spencer. Era um tanto aconchegante e tinha percianas cinzas na janela. Uma cadeira confortável e com um sistema de aquecimento próprio. Confesso que cheguei a invejá-lo por aquela posição, porque eu travalhava em um cubículo, com um computador ruim – que por sinal ainda era dos brancos encaridos -, com uma mesa de madeira compensada e alguns telefones. Por sorte, eu ainda tenho um notebook pessoal com o qual prefiro trabalhar.

“Minha carreira ainda não deu um up por sua culpa.” Girei os olhos. “Eu tenho talento pra substituir o Lerry, você sabe bem disso.”

Lerry era, supostamente, nosso melhor repórter. Ele ficava com as principais matérias da revista, entre elas as colunas de comportamento que era a parte que mais me interessava. Já que eu estava destinado a trabalhar em uma revista adolescente, que seja numa posição de destaque.

“Vamos fazer o seguinte, então...” Falou, jogando sua bolinha colorida de um lado para outro. “Eu vou chamar o Lerry e dar a matéria pra vocês dois. Quem tiver a melhor escrita na matéria, fica com a coluna de comportamento e debate.”

“Agora sim vale a pena!” Sorri vitorioso, saindo em seguida da sala e indo direto para meu cubículo particular. Lancei um olhar mortal para Lerry quando ele foi para a sala de Charlie.

Nessa matéria eu tinha uma vantagem sobre o Lerry: eu sou homossexual, sei muito bem como funciona esse universo e sei muito bem como mostrar os dois lados da coisa. Me basta fazer com que os adolescentes vissem em mim um exemplo de que ser homossexual é ótimo e que tirem a venda de muitos sobre homofobia.

Infelizmente – pela primeira vez eu ia dizer essa frase seguida desse adverbio – eu estava completamente sozinho, o que pra mim era bom, mas para a matéria nem tanto. Talvez eu só tivesse buscando a linha errada de começo.

Notas finais

Obrigada desde já.