Notas iniciais

Obrigada, pessoas

Um.

Eu passei boa parte do tempo olhando para o word e nada saía. Girei os olhos e me foquei. Eu precisava achar um jeito para conseguir fazer a primeira linha ao menos e mostrar que estava bem a frente do meu caríssimo amigo Lerry. Estava cansado de escrever sobre artistas adolescentes que não sabem fazer música de verdade.

Até que eu tive um clique genial. Eu não escreveria meu próprio relato e sim, relatos das minhas próprias relações para poder formar uma opinião mais sólida a respeito do lado heterossexual e completar minha opinião sobre o lado que convivo diariamente. Um debate. Peguei meu gravador e saí. Eu ia conseguir o cargo que era um dos melhores da redação porque eu era o melhor repórter dali. Embora eu fosse o melhor repórter daquele lugar ainda estava meio perdido.

Fui apé até a Starbucks – embora tivesse um frio terrível – e tentei pelo caminho achar para quem ligar e decidi começar pelas loiras da minha vida. Com certeza, eu não seria bem recebido de volta e exatamente por isso eu precisava de um bom café forte antes de ligar para minha primeira vítima: Jacqueline Vanek. Por sorte, essa era aspirante à modelo, o que quer dizer que adora um flash.

Suspirei, empurrando com a mão livre a grande porta de vidro da Starbucks. Entrei, buscando com os olhos uma mesa. Quando achei, apontei para a doce moça que me conduziu com um sorriso profissional até a mesa. Agradeci com um sorriso e me sentei, me livrando das luvas. Logo em seguida veio um garçom e eu pedi frapuccino e uma torta. Os cookies não aguentariam o que eu ia passar depois dali.

Quando o garçom se virou, segurei meu iPhone e busquei pelo número da Jac. Ela tinha me dado seu novo número atrás de um serviço. Suspirei entediado enquanto colocava meu notebook em cima da mesa com todo cuidado do mundo. Por curiosidade, olhei a mesa do lado e senti um frio prcorrer minha espinha. Era Brendon Urie que estava lá, me observando. Fiz um aceno com a mão para ele e o mesmo retribuiu o gesto.

“Jac?”, Murmurei. “É o Ryan, eu preciso de um favor.”

Brendon veio se aproximando da minha mesa. Assenti, o fazendo sentar-se em minha frente e dar um de seus maravilhosos sorrisos que coloriam o mundo. O sorriso que eu mais amava. Ele parecia ter a pele mais branca e mais cedosa, com isso, lábios mais corados e ainda mais convidativos. Desviei os olhos para baixo e prestei atenção na menina que já estava gritando, praticamente, por minha demora.

“Jac, desculpa.”, Falei um pouco mais alto. “Eu quero fazer uma entrevista contigo.”

“Sério?” Ela quase gritou em meu ouvido, histérica.

“Sério. Não sei se você vai gostar do tema, mas eu preciso.” Continuei com o tom baixo e Brendon encarou o garçom trazendo meu pedido. “Aceita?”

“Aceito. Vem aqui em casa assim que quiser.”

“Certo. Eu tô na Starbucks e chego logo após.” Comemorei mentalmente. “Obrigado desde já.”

“Beijo.” Desligou e eu virei minha atenção para o homem a minha frente. Dei um sorriso, ajeitando minhas mãos sobre a mesa e encarei o rosto meigo de Brendon que fez um sinal para o outro garçom de onde estava.

“Me desculpe, eu estava trabalhando.” Torci os lábios. “Quando chegou em New York?”

“Ontem à noite.” Sorriu. “Eu soube que você tá trabalhando numa revista por esses lados.”

“Yeah.” Tomei um gole do meu frapuccino. “Não é algo que estupendo, mas ao menos eu estou empregado.”

“Eu estava a sua procura.”, Brendon confessou baixinho e eu arqueei a sobrancelha. Ele e eu tivemos um caso amoroso num passado não muito distante. Um ano ou dois, mais ou menos, eu sou horrível com datas – é por isso que a luz, água, telefone vivem sendo cortados lá em casa. “É que eu só conheço você aqui em New York e eu ainda tô sem emprego. Me deixa ficar na sua casa até eu me ajeitar?”

Arqueei a sobrancelha, meio desacreditado. Aquele não era realmente o meu dia. Primeiro, o meu chefe resolve me dar uma matéria comportamental que eu sinceramente ainda estava meio perdido e também para Lerry que tinha contatos com os melhores psicólogos de New York, mas eu tinha vantagem de ser homossexual e seguir uma linha mais realista. E, pra piorar o meu dia, um dos meus antigos namorados decidiu surgir na minha vida pedindo abrigo. Okay, essa era a hora de provar que seríamos amigos além do sexo.

“É sério?”

“É sério, Ryro”. Suspirou “Eu prometo que não entro no seu quarto para ver você nu trocando de roupa.”

“Se você fizer isso eu acabo com sua vida.” Rosnei, girando os olhos. “Okay, mas você dorme na sala.”

“Eu não posso reclamar de nada, qualquer lugar é melhor que a rua.” Sussurrou, me fazendo girar os olhos novamente. “Vai querer algo em troca?”

“Uma entrevista.” Falei, piscando. “Eu peciso ir, tenho uma entrevista com a Vanek.”

“Você está entrevistando seus ex-namorados?” Brendon arregalou os olhos e eu deixei em cima da mesa um dinheiro do frapuccino e o endereço para Urie. Assenti com a cabeça por sua pergunta e saí correndo. Estava atrasado e Lerry já teria feito metade da sua matéria. “Te vejo em casa!” Gritou.

Me virei de costas e mandei o dedo do meio. Pude ver Brendon rindo enquanto eu andava furioso até um ponto de táxi. Eu estava puto comigo mesmo por deixar o Brendon morar na minha casa, porque somos diferentes um do outro e já provamos uma vez que não nos damos bem morando juntos. Acabei esquecendo de pegar meu expresso para viagem e rosnei baixinho enquanto entrava no táxi – que eu demorei um ano para conseguir.

Eu tinha razão. Era mais um dia de cão na minha vida em New York. Agora eu ia rever a Jac, levar algumas bolsadas e me lembrar porque eu já não acreditava mais no amor. Escrever sobre algo que eu não acreditava, embora aquilo fosse só o começo da minha vida como repórter da coluna comportamental.

Precisava enfrentar isso. Dar o melhor de mim para dar uma levantada a mais naquela revista. Então, dentro do táxi, ouvi meu celular tocando e era uma mensagem de texto de um número restrito. “Você é o melhor que há em mim.”, dizia.

Não apaguei a mensagem, mas não sei se gostei de tê-la recebido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.