The Only Exception

1 Apenas você pode me chamar de "seu".


Notas iniciais
Hoy pessoal, bem, não vou falar nada aqui ainda (se controla com os spoilers), converso com vocês lá embaixo... Então boa leitura o/

Eu sou um completo idiota.

Essa é a verdade que rege minha vida e eu tenho que aprender a viver com ela.

Bem, meu nome é Eren Jaeger, mas isso você já sabe por que eu tenho certeza que aquela sua amiguinha que eu comi depois da festa sábado passado te contou.

Ah não precisa ficar sem graça, é normal isso acontecer depois de metade da faculdade ter passado pela minha cama.

Se eu me orgulho disso? Céus, não.

Mas não é algo que eu possa evitar.

– Eren... — Ouvi a voz de Armin me chamando cada vez mais perto. — Ereeeeeeennn! — Sentia seu dedo cutucar minha bochecha. Estava com dor de cabeça demais para me mexer.

– Me erra Armin... — Murmurei ainda deitado na grama. Estava no lado mais isolado do pátio da faculdade, quase dentro do bosque, o lugar perfeito para descansar.

– Eren, o professor Levi vai te matar se você faltar mais uma aula dele! — Protestou me sacudindo. Putamerda, quando queria ele era pior que a Mikasa!

– Eu vou trancar a disciplina dele. — Respondi esperando que ele me deixasse em paz. Puro engano.

– Ai vai fugir de casa também? Por que até onde eu sei ele é o seu vizinho e melhor amigo do seu pai. — Esbravejou o loirinho, fazendo eu me sentir ainda pior.

– Ele não mora lá em casa, e quando ele for visitar meu pai é só eu ir embora. — Resmunguei enfiando a cabeça debaixo da bolsa, esperando me livrar daquele falatório.

– Ninguém vai estranhar, né? No dia anterior você seguia ele igual a um cachorrinho, e depois foge como o diabo quando vê cruz. — Ironizou puxando a minha mochila e me puxando para sentar.

– Eu não corria atrás dele como um cachorrinho. Não exagere. — Me sentei bem á contra gosto, aceitando a água que ele me ofereceu. Vou te falar, nada como água quando se está de ressaca.

– Ah, não? Preciso das fotos do celular da Hanji-san pra te provar? — Ergueu uma das sobrancelhas escondidas pelos cabelos dourados. — "Levi-san, posso te ajudar nisso?", "Levi-san, posso ir até a cafeteria com você?", "Oh, você é incrível Levi-san"... — Começou com uma imitação ridícula da minha voz.

– Urgh, já chega! — Resmunguei de péssimo humor. — Eu não vou e pronto, acabou, que saco Armin, me deixa em paz! — Voltei a deitar sentindo minha cabeça pesada.

– Deixo quando você parar de agir feito criança! — Se irritou me puxando de novo pelo casaco, me impedindo de descansar minha cabeça naquela grama que parecia estar me chamando.

Suspirei pesadamente.

– Armin, por favor... Você não estava lá, você não viu o jeito que ele me olhou como se... Como se eu fosse o maior erro da vida dele ou algo pior. Então... Não me obrigue a passar por isso de novo. — Falei com a testa apoiada no seu ombro fino, sentindo o cheiro calmante que só meu melhor amigo tinha.

– Eren... — Ele suspirou também, fazendo um carinho reconfortante no meu cabelo. — Eu duvido muito que o Levi tenha te olhado assim alguma vez, mas se você diz... Só, por favor, pare fugir disso. Disso, e de todo o resto

– Eu não estou fugindo de nada!

– Está sim! E eu, que estive ao seu lado desde que eu me entendo por gente, sei bem disso! — Gritou e eu apenas gemi agoniado. O filho da mãe estava bem perto do meu ouvido e agora minha cabeça estava me massacrando. — Eu sei que depois do que aconteceu no ensino médio você nunca mais foi o mesmo, e só por isso que eu nunca me meti nas merdas que você fazia, mas dessa vez... Ele é diferente, Eren. E você sabe disso. — Seu tom de voz agora era mais ameno, como se acalmasse uma criança assustada.

– Diferente por que ele me deu o fora depois? — Resmunguei já sentindo minha garganta fechar. Putamerda, eu me recuso a chorar outra vez por conta dele! Me. Recuso.

– Não, por que ele gosta de você. E fez o que fez por que você...

– Por que eu mereci? — Mordi o lábio com força. Essa tinha magoado. — Obrigado por dizer que eu sou um puto, muito obrigado Armin, agora me deixe em paz. — Me levantei com o intuito de me afastar dele, mas fui puxado para um abraço meio desajeitado.

Olhei para aquela coisinha pequena e loira com aquele grandes olhos azuis e tive certeza que Armin se aproveitava -e muito — da aparência "adorável" para impedir as pessoas de ficarem bravas com ele.

– Existem pessoas boas nesse mundo também, Eren... Por que não dá uma chance a elas ao invés de agir como se todo mundo não prestasse? — Murmurou com o rosto colado nas minhas costas. — Machucar e ser machucado faz parte da vida, aceite isso. — Falou me soltando e vindo para a minha frente.

– Não adianta Armin, eu não vou. — Falei pela milésima vez, vendo-o suspirar desanimado.

– Tudo bem, vou dizer ao professor que aquele calouro maluco que estava frequentando as aulas do terceiro período só pra olhar pra ele, vai fazer falta. — Brincou com um meio sorriso tristonho, se despedindo com um aceno de cabeça e correndo em direção ao prédio.

Observei-o mais tropeçar do que correr pelo gramado por alguns momentos antes de voltar ao meu lugar de origem: Deitado embaixo da mangueira, no meu amado edredon velhinho e fingindo que eu não existo naquela parte esquecida do campus.

Bem, deixe-me explicar como as coisas acabaram assim.

Na quinta-feira da semana passada eu me ofereci para ajudar o Levi-san a desocupar o sotão, ele ia jogar um monte de coisas fora e fazer uma faxina no lugar. Segundo ele, estava precisando de espaço para uma coisa que ele quera fazer já há algum tempo — e não quis me dizer o que era — e aquele espaço seria perfeito.

Ai você me pergunta: "Quem diabos se oferece para ajudar numa faxina?!"

Simples: Um idiota que estava topando qualquer negócio para ficar, sei lá, até mesmo uns minutinhos a mais perto da pessoa mais incrível que já conheceu.

Quando o Levi-san se mudou para a casa ao lado da minha, eu ainda tinha catorze anos (quatro anos atrás, nossa, me sinto velho) e ainda era um garoto retardado, que fazia coisas retardadas... Céus, por que a gente é sempre tão idiota quando criança?

Ele havia se mudado para dar aulas na universidade local, pelo que eu entendi, ele atuaria principalmente no curso de física, referente a parte de astronomia. E... Putamerda, fiquei impressionado, até por que eu sempre imaginava professores de universidade bem velhos e caindo aos pedaços, já ele... Ele vencia até a Mikasa quando nos ajudava com os treinos de Karatê, sem contar que... Ele era realmente muito bonito. Na verdade, acho que "muito bonito" ainda era pouco e...

Tá Jaeger, não vamos perder o foco.

Ele era bem chato com algumas — várias — coisas, como bagunça, barulho demais, brincadeira demais... Enfim, tudo que um pirralho da minha idade naquela época fazia, então ele sempre reclamava muito comigo. Mas eu não ligava, eu ficava rindo secretamente das suas broncas exageradas depois, principalmente quando ele falava sobre germes. Era uma das poucas vezes que ele abandonava aquela cara de peixe morto e fazia alguma expressão.

Se bem... Quanto mais eu o ia conhecendo, mais comecei a perceber como sua expressão mudava sutilmente quando estava feliz, triste, mal humorado, frustrado... Só que era preciso conhecê-lo um tanto melhor para diferencia-las do seu tédio usual.

Quem havia indicado a casa para ele havia sido meu pai, e pelo que eu soube, eles eram bem amigos na época da faculdade (foi o Levi-san que fez meu pai parar de enrolar e chamar a minha mãe para sair de uma vez por todas) então não tinha problema se eu passasse várias tardes enfiado na casa do vizinho, e de certo modo o Levi-san parecia gostar da minha presença lá.

As tardes que passávamos juntos eram sempre incríveis pra mim, foi ele que me fez ser o apaixonado por astronomia que eu sou hoje. Quando pequeno, eu e Armin fuçavamos coisas a respeito na internet, mas nada se comparava ao que ele poderia me falar em uma tarde jogando conversa fora enquanto comíamos os biscoitos da minha mãe.

E foi pouco mais de um ano depois, quando eu já tinha quinze anos e estava no inicio do ensino médio que aquilo aconteceu.

Como eu já disse, eu era retardado, nunca tinha imaginando que alguém podeira mentir olhando no seu olho, até aquela tarde.

Eu participava do time de natação da escola, era algo que eu gostava e era somente duas vezes por semana, o que era ótimo uma vez que eu estava praticando Karatê e Kung-fu também. E foi nesse cenário que eu me apaixonei pela primeira vez... E foi pelo capitão do time.

Não, " me apaixonei" de forma alguma seria a palavra correta, acho que "me senti atraído" serviria melhor.

Foi uma época confusa por que... Eu nunca tinha sentido nada do tipo, nem tinha ideia do que era, só tive uma reação estranha uma vez que estávamos sozinhos no vestiário e ele... Meio que me tocou "sem querer" onde não devia.

Fiquei sismado com isso na época, perdi noites lendo blogs na internet sobre o assunto até chegar a conclusão de que... É, era atração sexual mesmo.

Eu não pretendia falar nada sobre isso, até que ficamos sozinhos até mais tarde no treino outra vez e ele me beijou. Vou ser sincero, eu gostei na época, mas ainda lembro que me senti como se faltasse alguma coisa. Uma coisa bem significativa, que continuou faltando nos meus relacionamentos posteriores, mas eu resolvi ignorar.

Passamos uns três meses só aos beijos aqui e ali, as vezes ele tentava alguma outra coisa, mas eu não deixava, não me sentia confortável com esse tipo de contato até que... Durante um treino ele anunciou que iria se mudar na próxima semana e que iria sair do clube.

Eu realmente gostava dele, admito, gostava mesmo, e sim, eu queria me despedir adequadamente mas... Não daquele jeito. Ele disse que era a ultima vez que a gente ia se ver, e que... Eu deveria mostrar que me importava com ele. E eu, retardado, acabei... Indo naquela conversa.

Aí acho que vocês já imaginam bem o que aconteceu, mas se não, vou resumir: A gente transou, foi horrível, doeu pra caralho, chorei até soluçar, gemi de dor a cada segundo e dei graças a deus quando tudo terminou. Fora que eu mal podia levantar por que... Nossa, doía muito!

Ele se arrumou e saiu primeiro que eu, não liguei, sempre fazíamos isso pra não dar muita bandeira, embora eu tivesse me sentido meio... Descartado naquela ocasião. Levantei me sentindo meio enjoado, tomei uma ducha e comecei a me trocar bem lentamente. Fiquei bem assustado quando percebi que estava sangrando, mas achei melhor ignorar.

Ai quando fui pegar minhas coisas percebi que ele tinha levado a minha mochila e deixado a dele. Peguei seu celular para ligar para o meu e tinha uma mensagem aberta que tinha acabado de ser enviada.

Não sou de ficar mexendo nas coisas dos outros, juro, eu ia fechar a mensagem de imediato, mas quando vi meu nome nela...

Até hoje eu ainda não sei dizer se ler aquilo foi a melhor ou a pior coisa que eu poderia fazer no momento.

Doeu saber que eu fui apenas uma aposta. Doeu muito.

Doeu também saber que grande parte da escola sabia dessa aposta, e estava se divertindo com tanto de tempo que ele demoraria para me comer.

Doeu com o inferno, doeu mais do que o que agente tinha feito minutos atrás.

E não foi a toa que quando ele apareceu de volta na porta do banheiro, provavelmente se dando conta da troca das mochilas, seu olhar parecia tão assustado quando viu minha expressão de puro ódio, e logo em seguida seu celular na minha mão.

Ainda me lembro que ele ensaiou um "eu posso explicar..." mas não dei tempo de terminar a frase. MInha mente entrou em frenesi e eu só consegui bater nele com toda a minha força, até que minhas mãos estivessem esfoladas de tantos socos.

Nunca na minha vida eu tinha batido tanto em alguém, acho que eu só não recebi nenhuma punição severa por isso por que não tinha como ninguém provar que fui eu. A não ser que quisessem mostrar à diretoria as suas mensagens sobre a aposta (e correr o risco de acabar com a cara igual a do miserável).

Naquela noite, quando eu sai dali, fiquei rodando na rua até tarde. Não queria voltar pra casa, não queria ver ninguém... Exceto uma pessoa.

Acho que foi um dos maiores sustos que eu já dei no Levi-san. Simplesmente apareci bem tarde da noite, meio ensanguentado e chorando copiosamente na sua porta. Mal esperei que ele abrisse antes de pular nos seus braços, onde parecia que o mundo não iria me alcançar.

Ele e Armin são as únicas pessoas a quem eu contei o que houve até hoje. Teria contado a Mikasa também, mas ela era muito próxima a minha mãe, tive medo de ela falar alguma coisa.

Depois disso eu acordei para a verdade que estava na minha cara mas eu nunca tinha dado a devida importância. O mundo não é cruel, como Mikasa diz ás vezes, as pessoas é que são.

E o olhar atravessado que me seguia nos corredores da escola fazia questão de me lembrar disso a cada instante.

Algumas semanas depois... E eu ainda me sentia um trapo. No inicio achei que não ia me afetar tanto, mas aquela sensação de ter sido usado e descartado não me largava nem por um segundo. Até que alguém lá da sala sugeriu que eu fosse a uma festa que o pessoal do terceiro ano ia dar.

Dessa vez, eu podia ver os sorrisos disfarçados na minha direção.

Claro, é divertido fazer o Jaeger de idiota, não é?

Ok, vamos jogar esse jogo.

Mas com as minhas regras.

Eu inventei à minha mãe que ia dormir na casa de Armin e pedi pra ele guardar segredo e então fui a tal festa. Quando eu cheguei lá, o garoto que me convidou me ofereceu uma bebida alcoólica, eu nunca tinha bedido, por isso aceitei mas só fingi que bebi. A noite avançava, ele ficava mole e eu não.

Pedi seu número de telefone só pra confirmar uma coisa.

Foi a mensagem dele que eu vi naquele dia no vestiário.

E assim foi a minha segunda vez. Admito que não doeu... Em mim. Por que, literalmente, fodi aquele garoto sem dó nem piedade. Amarrei-o nada cama e o fiz gritar, eu pensei que estivesse realmente doendo quando vi sangue sujando sua pele clarinha... Isso até ele começar a pedir por mais desesperadamente e... Acho que foi ali que eu me tornei o que sou hoje.

Eu gosto de estar por cima e ver aquele olhar perdido, necessitado, desesperado.

Depois dele, naquela mesma festa, eu peguei a irmã dele, e depois mais uma garota da minha sala que nunca lembrei o nome.

No fim do ensino médio, eu tinha ainda mais olhares tortos na minha direção... Mas dessa vez eram olhares de desejo e não de zombaria.

Eu sei que é errado, mas... E daí? Todo mundo se fode nessa vida, eu sou apenas alguém que já passou dessa fase.

Nem preciso dizer que é óbvio que Levi descobriu. Armin e Mikasa já sabiam por que estudavam comigo e me conheciam desde criança, mas Levi... Eu não sei explicar, acho que aquele homem tem alguma região no cérebro programada para ler minha mente.

Me lembro que a nossa conversa começou ruim e terminou desastrosa. Ele me acertou um soco no rosto como eu nunca havia levado antes e me mandou crescer (por que sempre me dizem isso?!), disse que se eu sabia a dor de ser machucado, não deveria machucar as pessoas... Tarde demais. Eu estava viciado naquilo.

Além do mais... Eu tenho uma natureza vingativa, e gosto muito dela.

O ensino médio acabou, e eu entrei na universidade. Eu e Armin cursamos Física, e a Mikasa Engenharia Mecânica, mas fala que vai fazer Medicina ou Enfermagem depois pra cuidar de mim quando os namorados das garotas que eu pego vierem me bater.

E... Não sei explicar como, mas essa minha mania me perseguiu até o campus.

Continuei indo á festas e ficando com várias pessoas, ou quem sabe várias ao mesmo tempo... Até que conheci uma garota que... Não sei o que era aquilo, eu só senti uma atração imediata pela baixinha de olhos cinzentos e jeito mal humorado...

Espera um segundo.

Baixinha.

Olhos cinzentos.

Mal humorada.

E me derrubou com um gancho de direita quando tentei me aproximar.

O Levi tem uma irmã loira?!

E é nesse ponto que a minha vida ficou complicada de vez. Depois de quase perder um dente, acabei fazendo amizade com a garota, seu nome era Annie, e ela disse que até teria ficado comigo... Se ela não fosse lésbica e eu um tarado. Eu não sou tarado, mas... Acho que minha fama não é bem essa.

Ela cursava psicologia e eu meio que acabei sendo cobaia dela várias vezes. Gostávamos da companhia um do outro, ela me disse que gostava do modo como eu sabia a hora de falar e a hora de ficar quieto, e eu apenas respondia que tinha passado minha infância morando ao lado de alguém que me ensinou isso na marra.

Mesmo sem saber do que aconteceu no meu passado, ela me disse eu tinha um sério problema com relações amorosas. Não tirava a razão dela, nunca tive um namorado ou namorada de verdade na vida. Só sexo. Segundo ela, eu não confiava nas pessoas, e se não sentia falta disso, é por que eu já devia ter esse "espaço do meu coração" preenchido por alguém, por isso não sentia carência.

Agora imaginem a minha cara quando a imagem de Levi veio na minha mente naquele exato segundo.

Vida, eu sei que você gosta de me foder, mas essa foi crueldade.

E é aqui... Que voltamos ao que aconteceu semana passada quando fui ajudar o Levi-san na faxina.

Quando terminamos, ele disse que finalmente eu tinha aprendido a limpar alguma coisa direito, e me convidou para beber alguma coisa em comemoração por livrar a casa da poeira, ácaros e germes (me pergunto se ele não deveria ter feito biologia).

Abrimos uma garrafa de vinho... Depois outra... E assuntos estranhos começaram a surgir, até que acabamos dançando (isso mesmo, dançando) uma valsa meio bêbada no meio da sala dele e com o seguinte diálogo:

– Eren... Você precisa parar de comer minhas alunas e flertar com as amigas delas depois, as médias dessa segunda prova já estão baixas o suficiente. — Reclamou com a cabeça deitada no meu ombro.

– Nada sobre os alunos? — Brinquei inalando o cheiro do seu xampu enquanto girávamos harmoniosamente pela sala. Acabei tomando uma cotovelada dolorida pelo cometário.

– Você entendeu o que eu disse, idiota. — Resmungou fazendo seu halito quente bater no meu pescoço. — Pare com essa galinhagem, isso ainda vai se voltar contra você.

– É assim que eu sou Levi-san. — Suspirei chateado com aquele assunto, sempre que ele se lembrava daquele fato, era hora de me dar lição de moral.

– Não, não é assim não. — Parou a nossa valsa bêbada, se afastando para olhar nos meus olhos. — O Eren que eu conheci é um garoto doce...

– E idiota. — Cortei-o.

– Um idiota que eu diria que deveria haver mais como ele no mundo. — Ditou com um olhar na minha direção que eu não conseguiria descrever nem se tentasse pelo resto da minha vida.

– Você acha que... Eu ainda posso amar alguém? De verdade? — Indaguei me permitindo abrir o coração por um momento, aquele olhar fixo no meu estava me tirando dos eixos.

– Você é o único que duvida disso. — Respondeu com os lábios tentadoramente próximos aos meus.

Não aguentei.

Puxei-o pela cintura e colei meus lábios nos seus em um beijo sedento, e pela primeira vez na minha vida, realmente apaixonado. Quase gemi baixinho quando o senti correspondendo, arranhando minha nuca e me puxando para mais perto com a outra mão... Me dominando como nunca antes ninguém fez.

Não sei o que estava pensando naquela hora, mas lembro que nada no mundo parecia mais importante do que tê-lo mais perto... E mais perto...

E se você não entendeu o que aconteceu depois daí (ou só não está acreditando, tipo eu), eu vou resumir: Nós não transamos, nós fizemos muito além disso. Não sei explicar ao certo o que foi aquilo, mas lembra que eu comentei que em todos os meus envolvimentos anteriores faltava alguma coisa? Não com ele. Era como se eu me sentisse completo pela primeira vez.

Nunca pensei que ficar por baixo (também conhecido como dar o...) pudesse ser tão bom. Ele conseguia me arrancar o raciocínio, me enlouquecer por completo a ponto de nem ligar se meus pais me ouviriam quase gritando o nome dele na casa ao lado, a propósito, fiquei completamente rouco no dia seguinte por causa disso.

Dessa vez, eu não me levantei e fui embora.

Dessa vez eu fiquei, dormi junto ao seu corpo quentinho com a cabeça apoiada no seu peito, ouvindo seu coração bater pesadamente pelo cansaço enquanto ele fazia carinho no meu cabelo.

Eu pensava que tudo ia ficar bem agora.Mas é como eu falei, a vida ama me foder.

No dia seguinte Levi me disse que não me queria daquela forma e o que havíamos feito tinha sido um erro.

Não sei se o "Não te quero desse jeito" doeu mais do que "Isso foi um erro". Talvez o "Eu não deveria ter deixado isso acontecer" tenha sido pior, mas uma vez que eu ouvi tudo isso junto, tava tudo incluído na mesma apunhalada que senti no peito.

Viu? Nisso que dá sentir alguma coisa pelos outros.

Depois que eu saí da casa dele, foi outro momento da minha vida em que eu andei a esmo por quase toda a cidade, enquanto havia somente uma pessoa que eu queria ver. Só que dessa vez, era exatamente dessa pessoa que eu estava fugindo.

No dia seguinte, sexta feira, eu acabei indo dormir na casa da Mikasa, não queira encontrá-lo de jeito nenhum. Chorei um rio no colo dela — aliás, acho que eu e Armin éramos especialistas nisso — e no sábado, bebi mais um rio quando acabei em mais uma festinha só que dessa vez... Eu não consegui ficar com ninguém.

Isso mesmo, Eren Jaeger, o cara que já deve ter passado pela cama de quase todo mundo no campus, não pegou absolutamente ninguém. E olha que me deram mole como se fosse doce no formigueiro.

Mas era impossível... Eu não conseguia parar de pensar em Levi nenhum segundo. Se ele queria que eu parasse com a galinhagem, havia conseguido com sucesso.

No domingo, tomei um porre ainda maior, fui parar no hospital pra tomar glicose. Na segunda voltei para casa, mas logo que eu ouvi a voz dele na entrada perguntando por mim, eu fugi pela janela e me escondi na casa de Armin.

Na segunda a tarde me chamaram para uma festa na praia, e claro que eu aceitei, era oportunidade perfeita para sumir. Já vou avisando, só fiz merda. No lugar de beber, fui experimentar outras coisas e acabei tendo alucinações horríveis com criaturas gigantes que comiam gente, aí o Levi-san aparecia e me salvava delas.

Eu mereço, né? Puta que pariu, a vida tem uma obssessão em me foder.

Agora, já era sexta feira e... Deus do céu! Eu necessitava de um descanso. Pensei em ir pra casa, mas achei melhor tomar café na universidade — ver se minha cara melhorava um pouco, ou minha mãe ia surtar. — e tirar um cochilo por aqui, já que estava com minha mochila com as minhas coisas mesmo (ou vocês estavam achando que eu sempre trazia meu edredon para a faculdade?).

Tomei um banho, comi um misto quente só pra não dar razão a Mikasa que vivia reclamando que eu não comia direito, e me deitei embaixo de uma mangueira que dava uma sombra deliciosa, na beira do bosque, onde quase ninguém ia. Exceto Armin que sabia que eu ficava por lá. Falando nele, aposto que quando ele sair da aula ele vem aqui.

Suspirei pesadamente. Eu só queria dormir, por tipo, um mês...

Fiquei apenas deitado do jeito que estava até que ouvi passos se aproximando. Não falei que ele vinh...

– Eu vou te dar cinco minutos para se explicar antes que eu comece a bater em você. — Minha coluna se arrepiou com o som da sua voz imponente atravessando minha pele.

– Explicar o quê? — Resmunguei me encolhendo um pouco mais onde estava. Não queria olhar pra ele de jeito nenhum, queria correr dali, mas sabia que ele me alcançaria.

– Acha mesmo que eu não procurei saber onde você estava? Você pode conseguir esconder suas façanhas de Grisha e Carla, mas não de mim. — Senti-o se aproximando até a sua mão tocar o meu ombro. — Francamente Eren, estou decepcionado com você.

Não aguentei.

Sentia como se mil agulhas perfurassem meu coração de uma só vez. Nunca ele tinha dito que estava decepcionado comigo. Mesmo quando eu fazia besteira, ele dizia que eu poderia aprender com meus erros, mas nunca...

– Se me odeia tanto, por que diabos está aqui? — Murmurei já sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

– Não ponha palavras na minha boca, seu moleque. — Seu tom parecia bem irritado, mas não liguei. Sinceramente eu também estava puto.

– Me deixa em paz. — Odiei o tom chorado que a minha voz saiu.

– Não, eu não sou o Arlert ou a Ackerman que você consegue dobrar com algumas lágrimas. — Sua voz era dura e séria. — Agora você vai levantar daí e ir comigo pra ca...

– EU FALEI PRA ME DEIXAR EM PAZ! — Gritei mesmo, afastando sua mão de mim com um tapa e me sentando com as costas na árvore, encarando seu olhar surpreso. — QUE SABER?! VOCÊ ESTAVA CERTO MESMO! SE EU SOU A PORRA DE UM ERRO PRA VOCÊ, EU TE DIGO O MESMO DE VOLTA! — Céus! Eu chorava e gritava ao mesmo tempo, mas não importava. Havia passado uma maldita semana com aquilo preso na garganta. — NÃO SEI QUE MERDA VOCÊ FEZ, MAS... EU... Eu não... Consigo parar de pensar em você. — Acabei murmurando baixinho, abraçando minhas pernas junto ao peito e escondendo o rosto entre meus joelhos.

– Acho que foi a declaração mais mal educada e mais adorável que já ouvi. Típico de você. — Comentou com um sorrisinho cretino que me fez desejar quebrar cada osso do seu rosto.

– VAI SE FODER! — Quase rosnei de raiva.

– Hoje não Jaeger, quem sabe mais tarde. — Devolveu cínico, e eu perdi o resto de controle que tinha, avançando na sua direção e...

Sinceramente eu não sei por que ainda tentava acertar esse filho de puta.

Acabei deitado de cara na grama, com o braço imobilizado atrás das costas e com ele montado em mim.

– A minha intenção nunca foi essa, mas é ótimo saber que agora você conhece a sensação de ser comido e abandonado no dia seguinte, como você mesmo vem fazendo há um bom tempo, não é? — Sussurrou próximo ao meu ouvido e eu nem conseguia falar de tanta raiva, só me debatia furiosamente, grunhindo como um animal.

Não vou negar que me senti um pouco mal por que... Eu me lembro que eu já fiquei com pessoas que até gostavam de mim na época e as desprezei completamente depois.

Senti minha raiva diminuir um pouco e meu coração apertar mais ao pensar em todo mundo que eu machuquei... Putamerda, já estou quase encharcando a grama aqui.

– Mas eu quero que saiba que você entendeu tudo ridiculamente errado, Eren. — Continuou e eu não pude deixar de ficar pasmo. Como assim eu entendei errado?! Não tinha com o quê se atrapalhar, ele foi bem claro quando me disse aquelas coisas... — Eu não disse que você foi um erro, eu me referi a ir pra cama com você.

– Ah, que ótimo. — Ironizei e acabei levando um tapa atrás da cabeça.

– Entendeu errado de novo. Eu não deveria ir pra cama com você sem antes pelo menos explicar a situação que é você idiota demais pra notar. — Falou soltando meu pulso aos poucos e saindo de cima de mim.

– Q-Que situação? — Indaguei enxugando as lágrimas, que não eram poucas. Eu odeio esse lado do meu temperamento que chorava tão fácil. O-de-io.

– Que eu não te quero por isso. — Falou descendo a mão pela minha coxa, e dando uma leve apertada. — Te quero por isso aqui. — Colocou a mão em cima do meu coração, me deixando completamente sem ação.

Era isso que ele fazia comigo só com aqueles olhos... Ele tirava meu norte, meu chão, qualquer sentido que não fosse ele.

– L-Levi... — Eu ia dizer alguma coisa, mas seu indicador sobre meus lábios silenciou qualquer frase que eu poderia formular.

– Deixe-me explicar melhor o que eu quis dizer. — Seu dedo foi substituído por seus lábios nos meus, e eu não pude conter um suspiro longo e entregue.

Suas mãos alcançaram minha nuca e logo sua língua encontrou a minha, me tomando daquela maneira que apenas ele era capaz. Abracei sua cintura, colando nossos corpos e sentindo seu coração batendo contra meu peito, seus lábios macios se movendo deliciosamente contra os meus, e suas mãos me comandando daquele jeito que fazia minha coluna arrepiar.

– E agora? Vai para casa comigo pirralho idiota? — Mordiscou meu lábio inferior, me provocando.

– Vou pra onde você quiser. — Não consegui segurar um sorriso bobo, enquanto ele se levantava e me puxava pela mão.

Naquela tarde ele me mostrou o que tanto fazia no sotão. Era um mini planetário.

Me lembro que quando eu era criança, eu sempre quis ir em um, mas o que mais próximo ainda conseguia ser muito longe de onde eu morava. Quando fui pela primeira vez, foi ele que levou, e acho que ele ainda lembra do quanto eu fiquei apaixonado por aquela visão.

Acabamos nos amando ali mesmo, debaixo dos milhares de pontinhos brilhantes que representavam estrelas, o que só não era uma visão mais bela do que o seu rosto corado com aquele olhar intenso fixo no meu, como se enxergasse a minha alma naquele momento enquanto ia e vinha com força dentro de mim, me fazendo arquear a coluna e passar as pernas em volta da sua cintura, pedindo por mais... Mais um beijo, mais forte, mais uma carícia, mais rápido...

Sentir seus lábios na minha pele, descendo pelo meu pescoço, percorrendo meu peito e sugando minha pele tão luxuriosamente era... Sublime. Seu toque parecia purificar todos os meus pecados, apagar todas as marcas e cicatrizes invisíveis do meu corpo e do meu coração, para só então macular-me novamente, de uma forma deliciosa... Me tomando para si.

Me marcando como seu.

Minhas unhas desciam pelas suas costas, meu quadril se movia no ritmo do seu quase que por vontade própria. Era assustador como meu corpo parecia naturalmente programado para obedecê-lo, para me entregar àquelas mãos firmes e fortes como nunca, jamais, me passou pela cabeça fazer um dia.

Por toda a madrugada, nós aquecemos aquele sotão com o calor dos nossos corpos deslizando um sobre o outro, com o atrito da pele suada, dos lábios necessitados. Apenas aquelas falsas estrelas eram testemunhas, e elas foram a última coisa que vi antes de focar minha visão em seus olhos cinzentos e sucumbir ao maior prazer que já tinha sentido em minha vida. Nem me surpreende ter praticamente desmaiado em seus braços logo depois.

Admito que tive medo de tudo dar errado no dia seguinte, mas quando acordei com seus lábios sobre os meus tive certeza de uma coisa...

Vida querida, você pode me ferrar o quanto você quiser, mas ainda assim eu vou te agradecer eternamente por ter colocado o Levi no meu caminho, o único que fazia eu me sentir inteiro, o único que poderia me chamar de seu, e a minha eterna única exceção.

Notas finais
Hoy o/ Algumas breves explicações: O lemon não é detalhado, mas mesmo assim eu preferi marcar 18+ por que não queria correr o risco de ter a história excluída. Também não marquei estupro como aviso por que o que o Eren teve com o tal carinha lá (por pior que tenha sido) foi consensual (entre aspas por que né...). Muito obrigada de todo o coração a quem chegou até aqui, me desculpem por não conseguir escrever nada muito romântico, mas eu queria escrever algo mais real, algo que eu já vi acontecer, e que mesmo não sendo uma história fofa, eu considero bem adorável. Se encontraram erros, por favor, me avisem, não tive tempo de conferir. Espero profundamente que tenham gostado, e opiniões pooooor favooor? *carinha do gato de botas*. #AVISO: A história continua em: http://fanfiction.com.br/historia/558239/Your_Only_Exception/ . A gente se vê o/ Kissus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!