Quando Chandler acordou naquele dia, não imaginou que acabaria em um beco atrás de um bar, com as calças arriadas e Monica o encarando com uma expressão chocada. Também, qualquer um ficaria com uma expressão daquela se presenciasse a situação inusitada em que o homem havia se metido.

Tudo começou quando Chandler combinou que teria uma noite livre das crianças. Apesar de amá-las de todo o coração, ele queria um tempo sozinho com sua esposa, aproveitar que ambos teriam folga naquele dia e se aproximarem ainda mais.

Ross não podia estar mais animado em aceitar. Na verdade, o homem se sentia o encantador de crianças, mesmo que os filhos de Chandler sempre o encarassem decepcionados quando descobriam que iam para a casa do tio.

- Não é que a gente não goste deles. — disse a menina de seis anos. — É que ele nos trata como se fôssemos crianças...

- Sim, e com a idade avançada que você tem, realmente pode ser estressante. — o pai brincava colocando a filha no carro.

- Ele nos deixa comer sorvete sempre que queremos. — o menino disse com os olhos brilhando.

- Bem, quando você for maior e tiver problemas de personalidade por estar acima do peso, mandarei a conta do psicólogo para ele.

Agora, duas horas depois, ele esperava a esposa chegar para fazer uma surpresa. Não que a surpresa estivesse em casa, Deus o livrasse disso. Monica era tão metódica e controladora que do trabalho conseguiria perceber que ele estava mexendo de alguma forma na casa e ficaria completamente louca. Ele tinha reservado uma mesa em um ótimo restaurante e sabia que ela ficaria muito feliz com aquilo.

O único problema é que ela tinha pensado na mesma coisa. Tinha combinado com Phoebe que, assim que chegasse em casa, levaria Chandler e a mulher, que as crianças chamavam de tia, ficaria ali com eles.

Nem é preciso dizer que as crianças adoravam ficar com Phoebe. Elas se divertiam com as loucuras que a mulher inventava, como se vestir de deuses gregos e sair pela casa governando todos (claro que escondendo todas as partes trágicas da mitologia para manter a "inocência" deles). Porém, quando chegou em casa, viu que os filhos não estavam lá.

- O que você fez com os meus filhos?! — ela fingiu espanto.

- Finalmente me livrei deles. Já estava na hora, não acha? Atrasando as nossas vidas assim. — ele se aproximou para beijar a mulher. Só que ela não deixou.

- Sério, cadê eles?

- Estão com o seu irmão. Porque eu tenho uma surpresa.

- É? — ela tentou fingir animação.

- Você está explodindo de animação, o que foi?

- É que... — ela estava sem graça. — Eu tenho uma surpresa também.

- Vamos à sua então. — ele disse rápido.

- Por quê? O que é a sua?

- Um restaurante. Mas sei que a sua é muito melhor. — ele dizia ainda bem próximo da esposa.

- É um bom restaurante, pelo menos? — ele balançou a cabeça, concordando. — Mas a minha ainda é melhor. Nós vamos para um bar. E vamos beber.

Ele deu um passo para trás, fingindo estar tão surpreso e impressionado que não conseguia falar.

- Oh... My... God... Nós nunca fizemos isso!

- É o que deixa tão incrível! — ela riu o puxando.

- É um restaurante muito bom — ele defendeu a ideia dele.

- Não, vamos fazer o que eu quero e você sabe disso. — ela sorriu e foi em direção à porta. — Vamos logo!

O homem caminhou balançando a cabeça.

- Gostaria de saber quem criou a ilusão de que em algum momento os homens controlaram os relacionamentos.

- Não sei quem criou isso, mas, que estava completamente errado, estava...

Não demorou muito e o casal estava sentado na mesa de bar, pedindo a primeira rodada. Aquilo teria sido mais divertido se todo o clima de cabaré não lembrasse tanto Chandler de seu pai travesti dançando em um poste (visão do inferno de que ele vinha tentando esquecer-se desde então).

Contudo, Monica não poderia estar mais animada com aquilo. Ela fazia piadas ruins para o garçom, dizia para que Chandler flertasse com mulheres sozinhas, fingindo que eles fariam um threesome (coisa que ela havia vetado há muito tempo no relacionamento deles) e ainda queria que ele arrumasse uma briga.

- Já me olhou? Com esse porte atlético e essa cara de valentão, eles vão me arrebentar!

- Mas brigas em baaaaaaar — ela puxou a letra, um pouquinho afetada depois de tantas doses, — são tão seeeeeeeeeexies — terminou de falar de um modo totalmente não sexy.

- Não vou me meter em briga alguma. E vou ao banheiro. — levantou e percebeu que estava mais sóbrio do que devia para começar a gostar daquele lugar. Talvez a sua surpresa tivesse sido melhor.

Caminhou até o banheiro, difícil de encontrar por ser tão escondido. Surpreendeu-se com o tamanho da fila para ter acesso ao local. Nem se importou tanto com o tempo de espera, mas quando um dos caras decidiu ficar do lado dele e o cantar descaradamente, percebeu que deveria sair de lá.

Pensou em voltar para a mesa e esperar um tempo, mas sua bexiga parecia que ia explodir. No momento, a única opção que tinha era procurar outro local que pudesse se aliviar. Foi quando o beco entrou na história.

Ele tentou seguir discretamente para o local, mas não teve muito sucesso. Quando chegou lá, começou a desabotoar as calças, percebeu que o homem que estava dando em cima dele apareceu ali. Provavelmente o homem teve uma ideia bem diferente do que acontecia, porque começou a se aproximar de um apavorado Chandler.

O pavor só piorou quando Monica apareceu atrás dele. E finalmente ela conseguiu a briga que queria. O problema? Quem estava na briga era ela, que pulou no pescoço do homem que ela achava que ia atacar o seu marido e começou a puxar cabelo, arranhar e tentar chutar.

Chandler não sabia se ria ou chorava quando o homem jogou a esposa no chão e o encarou confuso antes de ir embora. Ele correu até lá, onde Monica o encarava com um sorriso.

- Acho que deveríamos ter ido à sua surpresa...

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