The One With The Snowstorm.
1 The one With The Snowstorm
Notas iniciais
10/12
Não havia muito que pudesse ser feito. Bella já havia se conformado.
Charlie e Sue estavam viajando, Phil estava doente e ela jamais iria incomodar Reneé apenas para celebrar o natal. Não era seu feriado preferido de qualquer forma. Vai ser como um dia qualquer, não tem porque ficar triste, era o que ela dizia a si mesma, tentando se convencer.
Mas ainda assim, não conseguia evitar sentir um incômodo após desligar a ligação com sua mãe.
“Que cara é essa?“ perguntou uma Alice muito menos alegre que o normal.
“Minha mãe disse que o Phil está com alguma espécie de catapora” ela suspirou “e mesmo que ele fique bem até dia 25, como eu nunca peguei na infância, ela não quer que eu vá para o natal.” Bella não conseguiu evitar e revirou os olhos.
“Que merda. Acho que o Grinch visitou todos nós esse ano então.” O descontentamento era visível na voz de Alice.
“Como assim?”
“Não sei sobre Alie, mas minha mãe e meu pai estão na suécia e não vão conseguir voltar até o natal por causa do tempo” Bella sequer havia percebido que Rose tinha chegado ao pequeno café, que era quase como uma segunda casa para seu pequeno grupo de amigos “então esse ano vamos ser eu e o Jazz sozinhos comendo pizza porque eu com certeza vou conseguir ferrar com qualquer coisa que a gente tentar cozinhar.”
“E meu pai vai ter plantão esse ano, natal e ano novo. Então mamãe vai passar o natal com minha vó e aquele marido novo dela.” respondeu Alice, com uma careta engraçada em seu rosto. Bella não conhecia o Vôdrasto de Alice, mas sabia o quanto ela facilmente gostava de todo mundo. Suas habilidades sociais só empatavam com as do irmão de Bella. Pra ela não gostar de alguém, deveria realmente ter um motivo.
Bella estava prestes a perguntar sobre a careta que Alice fez quando mencionou o marido da avó, porém a conversa foi interrompida pela garçonete que trazia cafés e bolinhos. Ao olhar pros bolinhos Bella se lembrou de seu irmão e percebeu como Emmett e Jasper estavam atrasados.
“Você pode trazer mais três bolinhos e três cafés por favor?” Ela sabia que seu irmão provavelmente chegaria com fome.
Enquanto a garçonete anotava o pedido, Bella ouviu uma voz alta e grossa, mas que parecia carregar toda gentileza do mundo em sua entonação. Uma voz que Bella reconheceria em qualquer lugar.
“Estávamos esperando o Edward, mas ele teve que passar no trabalho resolver alguma coisa.” Emm falou enquanto dava um selinho em Rose. Jasper fez o mesmo em Alice.
O pequeno grupo, incompleto, de Bella, contava sobre o final de ano atípico para Jazz e Emm enquanto tomavam café sentados no grande sofá laranja do estabelecimento. Uma cena comum, se não fosse pelo tema da conversa e a falta de um dos integrantes, falta essa que Bella jamais admitiria que estava sentindo.
“Acho que Charlie e Renneé vão ligar pra te contar, mas de qualquer forma, somos só nós esse ano grandão” O irmão de Bella, que era muito mais apegado aos pais do que ela jamais seria, com certeza ficaria bem mais chateado. Era melhor avisar logo.
“Eu odeio quando você chama a mãe e o pai assim. Você sabe.”
“Melhor do que chamar de mamãezinha com quase 30 anos igual você.” A resposta de Emm veio em forma de dedo do meio e careta. Muito maduro, Bella pensou. Antes que Emmett pudesse pensar em algo para responder Bella, ou mesmo perguntar o por que teríamos de passar esse final de ano sem nossos pais, Rose se intrometeu e interrompeu a discussão.
“Vocês dois não comecem por favor ou vou socar a bunda dos dois. “
A resposta de ambos foi uma gargalhada em uníssono, Emmett com sua voz grossa e Bella…bom, a risada de Bella era mais parecida com um porco sendo levado para o abate. Mas o mesmo olhar travesso de quando aprontavam quando crianças estava estampado em seus rostos e não deixando dúvidas de que aqueles dois eram realmente irmãos.
Porém, a risada logo foi interrompida por um grito muito mais estridente que o normal vindo da Alie.
“Bom, é isso, eu oficialmente não tenho lugar pra passar o natal” a expressão em seu rosto era tão magoada que todos podiam jurar que ela começaria a chorar a qualquer momento.
“Edward acabou de me mandar mensagem falando que vai ter um plantão do dia 24 pro 25.”
O clima ficou consideravelmente mais triste depois disso. Não apenas Alice que passaria o natal e o ano novo sem seus pais e seus irmãos, mas Emm e Jazz que eram melhores amigos de Edward ficaram visivelmente abalados por Edward não conseguir uma folga no final do ano. Rose estava bastante sentida por Alice, e por si própria. Bella não estava se importando muito com a própria situação de passar o natal sem seus pais, pois tinha seu irmão para suprir, assim como foi ao longo da vida. Mas ver Alice, que de sempre foi uma força inabalável nas festividades de final de ano, assim como a mais animada e apegada ao natal, sem ninguém para comemorar, afetou a todos.
Por mais que, no fundo, Bella não conseguisse evitar um sorriso discreto ao saber que Edward estaria ausente no natal.
Como ninguém mais tinha ânimo para ficar na cafeteria, todos decidiram subir para o apartamento que Bella e Rose dividiam, logo acima do estabelecimento. Edward e Jasper moravam em frente às duas, e Emmett morava do outro lado da cidade por ser mais perto de onde ele trabalhava, mas todos ficavam, voluntária ou involuntariamente, a maior parte do tempo na casa de Bella e Rose.
Era o maior de todos os apartamentos então acomodava todos os seis amigos de forma aconchegante.
Ao longo do tempo até mesmo Edward passou a frequentar mais o apartamento, por mais que sua irmã não morasse mais ali, pois Alice agora tinha seu próprio flat onde também ficava seu pequeno ateliê. Por ser a melhor amiga de Bella desde a infância, Alice passava mais tempo com Bella do que em sua própria casa, obrigando Edward a ir para lá também.
No começo ele não se sentia confortável, sabia do desprezo que Bella tinha por ele desde…bom, sempre. E ele mesmo não era o maior fã de Bella. Desde a infância uma rivalidade havia surgido, pois Edward sentia que Bella estava roubando sua irmã, e melhor amiga. Ele costumava pregar peças pouco engraçadas, algumas vezes até arriscadas quando como ele encheu o armário da Bella de aranhas na esperança de espantar ela e ter sua irmã de volta só pra si.
Com o tempo, Bella cresceu e na adolescência parou de chorar e começou a revidar, riscando os Cd’s de suas bandas preferidas, escondendo fotos pornográficas de revistas adultas onde ela sabia que Esme acharia e brigaria com Edward por semanas por causa disso.
Mas tudo isso havia ficado no passado. Edward sabia que sua irmã sempre seria sua irmã, Bella não precisava mais se vingar e tudo que restava agora era um sentimento mútuo de mágoa por tudo que aconteceu no passado.
E eventuais…alfinetadas.
Ambos eram sempre cordiais, mas de todos os seis amigos, Bella e Edward eram os únicos que só se conectavam na amizade por serem amigos em comum de outras pessoas. E levando em consideração o passado, sempre soltavam algum comentário sarcástico quando estavam juntos.
Quando todos chegaram ao aconchegante apartamento 20, decidiram ver um filme juntos, com a temática mais distante possível de todas as comemorações natalinas, assim concordaram em um filme de terror.
Mas a mente de Bella estava distante, uma parte do lado bobo de sua mente não pode deixar de fantasiar com a ideia de Edward preso no hospital em pleno natal, sem ceia, sem presentes, apenas um jaleco e sua cara de bunda habitual, enquanto ela e seus amigos se sentavam perto de uma lareira com chocolate quente e marshmallow nas mãos.
Involuntariamente e sem perceber, Bella deixou escapar uma risada alta. Que teria passado despercebida se sua risada não fosse tão incomum e diferente.
Quando se deu conta, todos estavam olhando pra ela.
“O que pode ser tão engraçado em “ A hora do pesadelo” pra liberar seu porquinho?”
As engrenagens na mente de Bella começaram a formular uma desculpa, já estava cansada de passado anos ouvindo o Grupo De Defesa do Edward Cullen LTDA dizer que o passado deveria ficar no passado e todos deveriam ser amigos agora.
Então simplesmente inventou uma desculpa sobre efeitos especiais toscos e sangue falso.
Mas seu cérebro sem querer havia criado a solução perfeita para esse ano! E o melhor, sem Edward.
Bella poderia aproveitar com seus amigos e seu irmão sem se preocupar se ouviria uma piada sobre si mesma a cada 5 segundos, ou reclamações sobre o jantar que ela havia se esforçado por horas estar “salgado demais” ou “doce de menos” (o que era uma mentira e Bella sabia disso, havia estudado por anos em uma das melhores escolas culinárias de Nova York e sido aprovada com louvor) ela sabia que era só Edward sendo idiota como sempre.
Bella então lembrou que seus pais haviam comprado um chalé na praia, uma das muitas tentativas de evitar o divorcio quando Bella era pequena. Não era muito grande, mas tinha quarto suficiente pra todos, uma cozinha grande o bastante para uma ceia apropriada de natal e a lareira era grande o suficiente pra todos assarem marshmallows ao redor.
Bella não sabia se seus amigos topariam uma viagem tão longe de última hora, mas assim que o pensamento se formou ela se viu convidando a todos.
“E se nós fossemos para o chalé dos meus pais em La Push? Desde o divórcio, ninguém vai lá, então deve estar precisando de uma boa limpeza, mas acho que é melhor do que passar o natal sozinho ou comendo pizza.”
Assim que a ideia chegou ao ouvido de cada um de seus amigos, seus olhos brilharam como se estivessem vendo o papai noel em pessoa.
Logo, o filme havia sido esquecido e estavam todos na cozinha, Rose planejando a rota menos movimentada para final de ano, afinal era a melhor motorista entre todos ali, Alice e Jasper fazendo uma lista de coisas que precisariam levar e Emmett implorando pra Bella várias comidas que ele julgava imprescindível ter.
Bella pela primeira vez em muito tempo sentiu que esse natal talvez fosse ser bom. Sem briga com quem ela passaria o natal e depois ano novo. Sem Renee reclamando por nunca acertar no presente e muito menos na comida, sem Charlie apressado para acabar o natal e ir pra sua viagem de pesca anual.
Só Bella, seus amigos e seu irmão e a sensação de que esse ano o natal seria bom.
14/12
Edward estava puto. Não tinha outra palavra pra descrever o quão irritante era o fato de que não somente ele teria que passar o natal trabalhando como também perderia uma viagem com seus amigos.
Mas saber que a ideia havia sido de Bella parecia piorar ainda mais as coisas. Não tinha necessariamente um motivo pra isso, Edward sabia que era melhor do que deixar sua irmã passar o natal sozinha já que seus pais também não estariam disponíveis na data.
Mas ele não conseguia evitar a sensação que há muito ele não sentia.
Bella está roubando minha irmã de novo.
Ele sabia que era idiota se sentir assim. Não era culpa dela que seu chefe era um estúpido que premiou todo seu esforço ao longo do ano com mais trabalho. Talvez se não fosse pelo seu chefe ele também iria na viagem.
Ele estava cansado. Esse ano ele tinha ido além do que poderia, esperando uma promoção no hospital, ele pensava que se provando o ano inteiro, trabalhando até tarde, pegando casos desafiadores e mostrando que conseguia resolver, emendando um plantão atrás do outro, a vaga de diretor clínico seria sua.
Mas o único reconhecimento que ele havia ganhado era de “disponibilidade”. Ele havia deixado tanto de sua vida pessoal passar esse ano, que todos imaginaram que ele não teria com quem passar o fim de ano. Você passou seu aniversário aqui, dia das mães você estava de plantão. Não conseguimos pensar em ninguém melhor pra cobrir o natal do que você. Assim você não passa sozinho e todos podem passar com as famílias. As palavras do seu chefe ainda ecoavam em sua mente. Ele jamais imaginou que seria essa a imagem que ele estava mostrando no hospital.
E mais injusto ainda foi o fato de que decidiram a escala sem perguntar. Acharam que estavam fazendo um grande favor a Edward, que ele não teria mais ninguém e iria passar o natal sozinho se não fosse naquele lugar.
Mas ele ficou quieto. A vaga de diretor clínico ainda não havia sido decidida. Talvez esse fosse um teste final.
Com esse pensamento em mente, ele desceu do metrô e andou em direção à cafeteira de sempre. Ele não entendia porque estavam sempre naquele lugar. Era apertado demais, cheio demais pro tamanho do espaço e o café estava longe de ser o melhor. Tudo bem que era extremamente perto de sua casa, mas ainda assim, não precisavam estar sempre lá.
Enquanto olhava no lugar de sempre, um sofá alaranjado que com certeza já havia visto dias melhores, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Bella, o que era estranho porque ela quase nunca falava diretamente com ele.
Alice não pode falar agora então pediu pra eu mandar mensagem. Pega o de sempre e sobe aqui pra casa, não vamos conseguir descer, Alice ta ajudando Rose a fazer as malas, Jazz ainda ta no apartamento de vocês guardando coisa e Emm ta no mercado comprando o que faltou.
Edward suspirou alto. Não bastava ser o único que ficaria pra trás nessa viagem, ele ainda tinha que servir de delivery.
Enquanto esperava o pedido ficar pronto, seu celular vibrou de novo.
OI Edward, será que você pode trazer bolinhos de canela também?
Ele estava ficando mais irritado. Não entendia de onde Bella tinha tirado tanta confiança de que ele estava ali de entregador. Porque ela não descia e buscava ela mesma os malditos bolinhos? Não era como se ele tivesse sem nada pra fazer, estava morto de cansaço e tudo que ele queria era subir pro seu apartamento e dormir até que tivesse que trabalhar de novo.
“Dois bolinhos de canela também pra viagem por favor, aquele glaceado com recheio de doce de leite.”
Ele sabia que esse era o preferido de Bella e não estava nem um pouco disposto a descer de novo caso ele levasse o bolinho normal. Ele sabia que ela só comeria desse de qualquer forma. Pelo menos era o que ele dizia a si mesmo.
Logo ele estava batendo na porta do apartamento 20 carregando uma bandeja de cafés e uma sacola com bolinhos e muffins. Não havia como ele abrir a porta, nenhuma de suas mãos estava disponível.
Enquanto ele tentava sem jeito abrir a porta com os cotovelos, um vulto castanho bateu de encontro com ele e logo a bebida que ele equilibrava com toda sua força estava no chão, nas paredes e no dito vulto.
“BELLA? VOCÊ TA BEM?’ A voz de Alice e Rose vinham do quarto à direita, a preocupação nítida em sua entonação.
Merda.
Ele ouviu um gemido de dor vindo do vulto, que agora ele sabia que era Bella, e se preocupou. Afinal 2 cafés espressos, três cappuccinos e um chocolate quente estavam agora espalhados por suas costas, barriga, pescoço e colo. Sua parte médica logo se preocupou e ele apoiou ela com cuidado na cadeira que estava próxima a porta largado à sacola de bolinhos na entrada, enquanto sua irmã vinha preocupada com uma Rose alarmada logo atrás.
“Cacete isso dói” Em vão, Bella tentava abanar o pescoço e colo com as mãos.
“Calma, Alice, vai no meu apartamento e pega o kit embaixo da pia da cozinha, Rose me da um pano com água pra limpar a Bella…”
“E chama o Emm pra limpar o chão pra mim, por favor. “
Edward riu. Todos sabiam o quanto Bella era maluca com limpeza. Uma poeirinha fora do lugar ela já aspirava o apartamento inteiro.
Rose trouxe o pano que Edward havia pedido e, por costume, começou a limpar Bella.
“Eu sou capaz de me limpar sozinha. Não precisa se incomodar, não deve ser tão feio.”
“Café quente pode causar queimaduras até de terceiro grau Bella, deixa eu dar uma olhada.”
Ele já havia atendido dezenas de casos assim desde a época da residência. Só dessa vez, espero que ela não seja teimosa.
Alice chegou rápido trazendo um kit de emergência que Edward mantinha em seu apartamento, Jasper e Emmett logo atrás, um olhar preocupado em ambos os rostos.
Edward separou pomada pra queimaduras, bandagens e esparadrapos, mas só então percebeu um pequeno problema.
“Err…Preciso que você…tireablusa pra eu poder limpar e olhar o machucado.”
“Precisa o que? Fala devagar.”
Edward sentiu o sangue subir pra suas bochechas, Bella não era uma paciente no hospital. E ele não estava no hospital.
Mas ele já havia feito esse mesmo procedimento várias vezes, ele era um profissional, droga.
Não entendia o porque estava corando desse jeito.
“Preciso que você tireasuablusabella”
“Eu acho que entrou café no meu ouvido, não tô entendendo”
“Tira a blusa pra eu ver os machucados” Ele tinha certeza que seu rosto estava da cor de um pimentão agora e ele simplesmente não conseguia entender o porquê. Era Bella, a mesma Bella que ele conhecia desde criança, não que ele já tivesse visto ela nua ou algo do tipo, mas como médico, ele ja havia passado por essa situação inúmeras vezes atendendo pacientes. Não era algo sexual, ew não. Ele sacudiu a cabeça pra esse pensamento.
Mas alguma coisa na situação, talvez culpa de ter derramado o café, talvez porque ele passou tanto tempo odiando Bella que a simples ideia de ajudar, ou cuidar dela, lhe parecesse vergonhosa. Sim, era isso.
Não eram os olhos castanhos sempre tão calorosos de Bella os quais ele se pegava encarando as vezes e inventava que estava com tanto sono que nem sabia pra onde estava olhando.
Muito menos seus cabelos macios os quais ele cheirava discretamente o aroma de morango sempre que passava perto o suficiente e se alguém percebia ele dizia que era mais uma pegadinha e espirrava dizendo que era alérgico a Bella.
Muito menos sua pele macia a qual, embora vermelha nesse momento, ele sonhava inconscientemente tocar e acariciar e pela manhã se convencia de que era só um sonho estupido e sem significado.
Edward sacudiu a cabeça como se para afastar os pensamentos e explicou da maneira mais profissional possível que precisava ver onde exatamente o café tinha caído para que ele pudesse limpar, tratar e por os curativos.
Bella queria debater, jamais iria tirar a blusa na frente do Edward, tinha certeza que ele faria alguma piadinha, mas aquilo estava realmente doendo. E Edward era médico afinal.
A maneira profissional com que ele falou, lembrou Bella a primeira vez que ela ralou o joelho e o tio Carlisle precisou cuidar. Ela odiava médicos, odiava remédios, mas de alguma forma, ela sentiu conforto na forma que o pai de Alice explicou tudo pra ela.
Foi quase a mesma sensação que ela sentiu agora com Edward. Mas suas bochechas vermelhas ainda deixavam Bella desconfiada.
E ela não iria tirar a blusa ali no meio de todo mundo.
Droga, péssimo dia pra usar um sutiã velho.
“Vamos pro quarto então, eu não quero um bando de curiosos perto de mim” Ela brincou fazendo uma careta pro seus amigos, mas logo a careta divertida se contorceu em uma de dor.
“Antes de levar minha irmã pro quarto e tirar a blusa dela você precisa conversar comigo e com meu pai” Emmett brincou, fazendo Edward corar ainda mais, o que parecia impossível, mas o rubor já havia alcançado suas orelhas.
Edward decidiu ignorar e Bella simplesmente mostrou o dedo do meio pro irmão que riu como se tivesse contado a melhor piada do mundo. Eles foram até o quarto e Bella se sentou na cama enquanto Edward esperava.
Eles estavam desconfortáveis, isso seria óbvio até para um cego que entrasse no quarto naquela hora. Eles não entendiam muito bem o porquê, mas ambos sabiam que não havia muito que pudesse ser feito, a pele onde o café tinha caído ainda estava ardendo e parecia arder mais a cada segundo. Com esse pensamento em mente, Bella concluiu que era melhor ir logo com isso.
Ela tinha uma viagem pra fazer pela manhã, afinal de contas.
Com certa relutância ela começou a tirar a blusa, cobrindo os seios com os braços e torcendo para que Edward fosse minimamente decente e não soltasse nenhuma piadinha naquele momento.
Um silêncio confortável pairava no ar enquanto Edward cuidadosamente cuidava das queimaduras de Bella. Agradecendo aos céus que foram apenas machucados superficiais, Edward deixou um suspiro de alívio da culpa que sentia escapar pelos seus lábios.
Era um sentimento estranho, para dizer no mínimo. Após anos de pegadinhas, piadinhas, e brigas de ambos os lados, ter Edward, de todas as pessoas, cuidando dela com mãos tão habilidosas, era uma experiência completamente nova.
Para os dois lados.
Enquanto Bella tentava afastar a fagulha de…carinho? Gratidão? Bella não conseguia identificar que sentimento era esse que surgiu dentro dela com esse pequeno ato de cuidado vindo de Edward, mas tentou afastar mais que depressa de seus pensamentos.
Edward por outro lado tentava se concentrar em cuidar dos ferimentos e não pensar no quão próximo ele estava dela naquele momento. O cheiro de morango que vinha dos seus cabelos havia sido superado pelo de café, mas na proximidade que Edward estava, ele conseguia sentir mais do que perfeitamente aquele cheiro que por algum motivo era reconfortante.
Não demorou muito para terminar.
“Obrigada” Foi tudo que Bella conseguiu dizer timidamente.
“Bom, era o mínimo que eu podia fazer, afinal de contas eu deixei o café cair.”
“Foi um acidente, não precisa ficar se culpando.”
A única resposta de Edward foi mais um suspiro longo.
O silêncio dessa vez era desconfortável. Parecia que ambos queriam dizer algo, mas não encontravam as palavras certas.
Após um minuto que pareceu durar uma eternidade, o silêncio foi quebrado por Edward.
“Acho que vou indo nessa, consegui uma folga até o dia 21 já que vou trabalhar no feriado e acho que vou dormir direto até lá.” A risada que ele deu era mais de nervoso que brincadeira. Ele estava realmente cansado.
“Bom, se você tivesse falado antes, ia sugerir que você fosse com a gente amanhã e aproveitasse pelo menos uns dias na cabana dos meus pais pra descansar um pouco dessa loucura toda que você vive mas…”
“Muito em cima da hora né?” Edward completou por ela. Por mais que ele quisesse ir, a ideia sequer passou pela sua cabeça. Era longe, mas não tão longe a ponto dele não conseguir ir e voltar a tempo de trabalhar dia 21 a noite.
Mas agora era tarde. Ele ficou remoendo por tanto o tempo o fato de que não iria estar lá no natal, que sequer considerou que ele poderia ir mesmo assim.
“Você tá fazendo uma cirurgia na Bella ou algo assim?” a voz de Alice surgiu do outro lado da porta com uma risadinha logo em seguida. “Porque tão demorando tanto?”
Só nessa hora Bella percebeu que ainda estava sem sua blusa.
Mais que depressa ela se vestiu enquanto Edward corou novamente, talvez pela intimidade do momento, e ambos saíram pela porta enquanto Bella agradecia mais uma vez.
Edward pegou sua mochila e seu kit e se despediu de seus amigos que, apesar de tristes, conseguiam ver o cansaço estampado em seu rosto.
Enquanto Edward fechava a porta atrás de si, Bella se viu dizendo algo que jamais imaginou.
“Você deveria ir, sabe” ela hesitou por um momento “se conseguir arrumar uma mala a tempo, não precisa de tanta coisa, já que você vai ficar só um pouco mas…”
“Ia me fazer bem. “ Edward completou. Desde quando eles completavam os pensamentos um do outro?? “Vou pensar, mas agora eu preciso mesmo descansar. Obrigada Bella”
Os outros olhavam pra aquela interação estranha como se estivessem vendo um alienígena fazer contato pela primeira vez com a terra. Bella e Edward jamais haviam sido tão… amigáveis?
Que porra aconteceu naquele quarto? Ecoava pelos pensamentos de todos. E o espanto em seus rostos deixava claro o que se passava em suas mentes.
Os cinco no apartamento de Bella e Rose continuavam preparando as coisas para a viagem que ocorreria logo cedo pela manhã, tentando não pensar muito no que havia acontecido naquela noite enquanto Edward tentava dormir, sem sorte alguma.
Muitos pensamentos corriam em sua mente. As estranhas interações com Bella, a ideia de talvez aproveitar um pouco com seus amigos antes de ser obrigado a tortura de passar o natal trabalhando e o maldito cheiro de morangos que não saia de seu nariz.
Enquanto isso, do outro lado do corredor que separava os apartamentos da Bella e Edward, Bella se encontrava quase como um espelho, rolando de um lado pro outro, sem conseguir dormir.
Tudo estava pronto para a viagem, os carros já estavam com as malas no bagageiro, a rota já havia sido decidida. Seus ferimentos ainda doíam, mas era suportável, Edward havia feito um bom trabalho. Não era nada disso que incomodava Bella.
Porque eu convidei ele? Era a única coisa que ela conseguia pensar. Ela estava feliz por ele não poder ir. Porque então ela, de todas as pessoas, incluindo Alice, foi quem escolheu chamar ele?
Com esse pensamento rondando sua cabeça por horas, Bella viu seu celular piscando na cabeceira da cama.
Que estranho.
Lá pelas três da manhã Edward desistiu de lutar contra sua vontade. Levantou da cama e pegou uma mochila pequena.
Enquanto separava algumas coisas em pilhas na sua cama, se viu escrevendo uma mensagem pra última pessoa que ele esperaria mandar uma mensagem às três da manhã.
Eu vou.
Bella não se deu ao trabalho de desbloquear o celular, pela notificação na tela ela pode ler e simplesmente sua mente se acalmou e dormiu.
Do outro lado do corredor, Edward se apressou e jogou algumas roupas de frio, um casaco de lã que sua mãe tricotou anos atrás, alguns produtos de higiene e outras coisas que ele precisaria pra apenas cinco dias. Colocou a mochila do lado da cama, preparou um timer para as 7:30 da manhã e rapidamente ele dormiu.
O sorriso em seu rosto, quase um reflexo exato do que estava estampado no rosto de Bella.
15/12
Mesmo com as poucas horas de sono, Bella acordou antes do seu despertador tocar.
A ansiedade para a viagem era um sentimento forte que mesmo nas horas mais escuras da manhã já dominava seu corpo.
Ela levantou, fez sua higiene matinal e preparou o café da manhã para todos seus amigos.
Quando a mesa estava posta e ela estava terminando de coar o suco de laranja, a porta abriu.
Edward, que assim como ela estava ansioso para esse momento, também não conseguia esconder a animação para a viagem e estava pronto bem antes do horário combinado.
Ele pensou em sair, descer até a cafeteria e comprar uma bebida, mas quando abriu a porta do corredor, viu pela fresta que a luz do apartamento de Bella estava acesa.
Com dois toques tímidos, com medo de que elas estivessem esquecido a luz acesa e estivessem dormindo, Edward tinha esperança de que Bella tivesse acordada.
Era um sentimento estranho mas, depois da breve interação de ontem, ele se encontrava ansiando por mais.
Por sorte, a porta abriu e Bella deu um sorriso como se estivesse esperando que fosse ele do outro lado da porta.
“Não conseguiu dormir?” Sua voz era baixa, provavelmente para não acordar Rose.
“Você também não, pelo visto”
“Sei que parece bobo mas… acho que todos nós estávamos precisando dessa viagem. Sair um pouco do caos que é Nova York e não sei, acho que o clichê de sair da rotina.”
“Como estão as coisas no restaurante?”
“Quer entrar? Tô terminando de preparar o café, assim a gente pode conversar melhor”
Por algum motivo, por mais que ele já tivesse entrado naquele apartamento mil vezes, Edward sentiu seu coração palpitar.
Eles se sentaram à mesa e mordiscavam sanduíches enquanto conversavam.
Nenhum dos dois estava realmente prestando atenção na conversa.
Bella não conseguia tirar os olhos do cabelo de Edward, que pareciam muito mais macios e tentava segurar a vontade repentina de passar sua mão.
Edward por outro lado estava tentando entender de onde vinha a vontade de ficar mais tempo perto dela. Já havia aproximado sua cadeira o máximo possível com a desculpa de que falaria baixo pra não acordar ninguém, mas a verdade é que ele queria ficar perto dela.
Eles não perceberam quando o sol nasceu.
Não perceberam quando os pássaros começaram a cantar, nem os carros na rua.
Estavam tão absortos na estranha familiaridade que crescia que seu único foco era continuar ali naquela bolha de calma recém descoberta.
Eles não perceberam quando Rose acordou.
Nem quando ela fotografou aquela estranha interação e mandou uma mensagem para Alice.
Finalmente.
Alguns minutos depois, ou horas, Bella não saberia dizer, eles se afastaram quando ouviram a porta abrir e Alice entrar com um sorriso no rosto.
“Bom dia, achei que vocês ainda estariam dormindo. Principalmente você irmãozinho. Você não estava acordado a um milhão de horas ou algo do tipo?”
“Bom, eu precisava arrumar minhas malas, né?” Ele sabia que sua irmã ficaria feliz com a notícia, e escolheu não contar por mensagem pois queria ver sua reação pessoalmente.
Mas ele não esperava que ela fosse ficar tão feliz a ponto de pular e saltitar como ela estava fazendo agora.
Mas, seu sorriso diminuiu subitamente.
“E o seu trabalho? Você não foi demitido foi? Porque SE AQUELES FILHOS DA PUTA DE DEMITIRAM DEPOIS DE TUDO QUE VOC-”
“Calma Alie, não, eu não fui demitido. Eu vou voltar até o dia 21. Só achei que fosse ser bom descansar um pouco e aproveitar o final de ano com minha irmãzinha o máximo que eu puder.”
Alice decidiu não comentar nada sobre o fato dele e Bella estarem ali sozinhos conversando.
Desde a adolescência ela sempre sentia que as brigas constantes entre Bella e Edward, e as alfinetadas e indiretas na vida adulta eram simplesmente algo a mais não resolvido entre eles dois.
Mas ela esperava que em algum momento eles fossem perceber sozinhos e se resolver, mas a forma que eles se afastaram quando ela entrou mostrou que talvez ela precisasse dar um empurrãozinho para que as coisas acontecessem.
Rose vendo que Alice havia chegado decidiu finalmente sair do quarto. Não demorou muito para que Jasper e Emmett chegassem e logo eles estavam prontos para partir.
Vendo que não caberiam todos em um carro só, e sabendo que precisaria voltar antes, Edward avisou que iria dirigindo seu carro e que os outros poderiam ir todos no carro de Rose conforme o combinado antes.
“Mas você vai sozinho? Sei que são apenas 5 horas de distância mas acho perigoso você dirigir tudo isso sozinho Edward.” Alice parecia genuinamente preocupada.
“Principalmente porque você não dorme direito há dias.” Completou Rose, piscando para Alice.
Como se compartilhassem o mesmo neurônio, Alice entendeu exatamente o que Rose estava pensando. “Eu acho que os casais podem ir no meu carro e a Bella vai com você, pra não ficar de vela.”
“Sim, imagino que vai ser mais confortável pra você Bella.” Dessa vez foi Jasper que completou. “Você tá sempre reclamando quando saímos só nós cinco” ele riu.
“Bom… acho que não tem problema para mim.” Mas ela estava relutante. “Se não tiver problema pra você, claro.” Ela disse olhando para Edward.
“Por mim tudo bem” Mais do que bem, mas tão rápido quanto o pensamento veio, Edward sacudiu ele pra fora de sua mente. O que está acontecendo comigo? “Mas eu escolho a música” Ele piscou para Bella.
E assim, eles entraram no carro.
Um silêncio desconfortável se instaurou no carro de Edward. Mais que depressa ele escolheu a primeira playlist que viu e apertou play.
Assim a viagem seguiu por um tempo. Bella cantarolando baixinho algumas músicas que ela conhecia e ele concentrado na estrada.
No carro a frente, porém, o clima era enérgico. Rose e Alice haviam deixado Jasper e Emm a par de tudo e, apesar dos protestos, a maioria da parte de Emmett, logo todos embarcaram no plano de transformar essa viagem em algo que talvez encerrasse de uma vez por todas as brigas constantes que Alice aguentava desde adolescência.
Eles só não sabiam exatamente como.
“Eu não sei se vai dar certo, e também não é meu plano preferido dar minha irmã de bandeja dessa forma, mas no chalé são apenas três quartos. O dos meus pais, o meu e o da Bella.” Emm coçou a cabeça se perguntando se realmente deveria dar essa ideia. “Eu e a minha ursinha podemos ficar no meu” ele esticou a mão e fez um carinho na perna de Rose, que dirigia. “Vocês podem ficar no quarto dos meus pais. A Bella provavelmente vai querer ficar no dela mesmo. A gente pode colocar um colchão pro Edward no chão de lá.”
Alice, mais que contente, aceitou o plano. Além disso, também pararam no caminho para comprar alguns visgos de natal, na tentativa que eles caíssem na brincadeira. ‘Compras de última hora’ ela justificou, quando Edward protestou pela parada não combinada.
Talvez Bella e Edward reclamassem um pouco mas não havia muito o que fazer. Ela riu consigo mesma.
Após terem finalmente encontrado um plano, eles voltaram a conversar amenidades e planejar o que fariam quando chegassem.
Todos continuaram dessa forma até a parada acordadapara o almoço em um Mcdonald’s na beira da estrada.
Bella se sentiu mais do que satisfeita ao sair do carro. Precisava de um pouco de ar. Ela se sentia tensa desde que entrou no carro com Edward.
“Eu estava mesmo precisando esticar as pernas” Rose disse enquanto se espreguiçava. “Vai fazendo nosso pedido Emm? Só vou no banheiro”
Bella achou estranho que Alice seguiu ela e nenhuma das duas fizeram o esforço de sequer olhar pra ela.
Ela se sentiu confusa enquanto entrava no restaurante.
Coincidentemente, Jasper se sentou em uma mesa com apenas 4 cadeiras e apoiou as bolsas de Alice e Rose em duas delas enquanto Emmett estava no caixa. Bella começou a achar que eles realmente se incomodavam quando ela estava “de vela” e refletiu que talvez fosse melhor dar intimidade prós seus amigos. Fez seu pedido e se sentou em uma mesa afastada enquanto esperava.
Para sua surpresa, Edward se sentou do seu lado. Sua testa franzida era uma confirmação de que ele estava tão confuso quanto ela com a situação.
Logo foram chamados pra buscar seus respectivos pedidos e voltaram à mesa que estavam antes enquanto olhavam para seus amigos na outra concentrados no que parecia ser uma conversa animada.
“Eu sei que eles não devem ter feito por mal, mas você também está se sentindo…”
“De lado? É” ela riu. E Edward não deixou de notar que mais uma vez eles estavam completando frases um do outro. “mas acho que faz sentido. Eles estão sempre me fazendo companhia mas sei que às vezes eles preferem fazer… coisas de casais”.
“Um brinde a nós solteiros então” ele disse levantando sua latinha de coca cola.
Bella não respondeu, mas brindou com ele, rindo.
Quando todos haviam terminado de comer, voltaram aos carros e a sensação de estar sendo deixados de lado ainda mais presente, já que Emm, Rose, Alice e Jasper entraram no carro de Rose com apenas um aceno de cabeça e um ‘vejo vocês lá’.
“Posso escolher as músicas dessa vez?” Bella sabia que Edward não iria reclamar, mas era o carro dele, afinal de contas, não custava perguntar.
Ele apenas acenou que sim com a cabeça.
“É melhor tirar Debussy ou eu vou dormir no volante Bella” ele brincou. Mas Clair de lune era a música que sua mãe tocava pra ele dormir quando era criança, e ele estava tão cansado que a possibilidade não era tão pequena.
“Não sabia que você conhecia Debussy.”
“Acho que tem muita coisa que você não sabe sobre mim” ele refletiu “passamos a maior parte da vida implicando um com o outro, acho que mesmo com todo tempo que nos conhecemos, não nos conhecemos de verdade.”
“Que tal um jogo então?” Ela sugeriu. “20 perguntas, não pode passar a vez já que não temos bebida.” Um sorriso estava em seus lábios, ela não queria passar mais duas horas em silêncio no carro.
“Você começa então”
“Cor preferida?”
“Essa é sem graça, mas azul.”
“Por quê azul?” Ela estava curiosa.
“Sem essa, minha vez agora. Com quantos anos você deu o primeiro beijo?”
Esse é o caminho que ele quer ir então? Seu sorriso aumentou.
“17” seu rosto estava vermelho. “Mas em minha defesa eu estava muito entretida com meus livros para me importar em beijar alguém antes disso. Minha vez agora… com quem foi seu primeiro beijo?”
“Tânia, na formatura do nono ano.” Ele fez uma careta.
“Porque a careta?”
“Bom, era minha vez, mas vou deixar essa passar.” Ele conseguia perceber a curiosidade em seus olhos. “Eu já tinha falado pra todo mundo que tinha beijado quando não tinha ainda, então naquela noite prometi que faria isso. Mas ela já estava bêbada quando foi pra festa e com meia hora começou a vomitar.” Sua careta aumentou “não foi muito… agradável.”
O rosto de Bella se contorceu de nojo.
“Agora é minha vez. Cor preferida?”
“essa não era uma pergunta ‘sem graça’?”
“Eu ainda tô pensando”
“Hmm, minha for favorita muda de acordo com o dia. Mas hoje acho que é amarelo.”
“Por que amarelo?”
“Acho que estou com saudades do sol. O tempo está nublado e escuro há bastante tempo. Acho que vai nevar logo.” Suspirou. “Estou sentindo falta do sol.” Bella refletiu que pergunta faria agora, mas antes que se desse conta, falou “porque você me odeia?”
Ele quase bateu o carro com a pergunta dela.
Ele não a odiava. Nunca odiou, pra falar verdade.
“Quando você chegou, amiga nova de Alie, eu sei que vocês só tinham 10 anos, mas eu sentia que você iria ‘roubar’ ela de mim sabe? Eu acho que era mais medo que ódio o que eu sentia por você. Pelo menos no começo. ”
“A lagartixa no meu sapato e o palhaço na minha mochila eram pra me afastar então?” ela riu e dessa vez sua risada foi tam alta imaginando um Edward de 11 anos bravo procurando maneiras de afastar ela de sua irmã, que sua risada parecia mais o guinchado de um porco.
“O que é tão engraçado assim? A última vez que te vi rindo desse jeito foi quando você jogou corante azul no meu shampoo”
“Me desculpa por essa” mas ela ainda estava rindo “mas porque você disse ‘no começo’?”
“Bom, quando você começou a revidar, eu não tinha mais medo, já sabia que Alice seria sua amiga e continuaria minha irmã. Mas era engraçado ver suas ideias e isso me forçava a continuar.”
A conversa fluiu no carro, o clima era muito mais leve que na primeira metade da viagem.
Era diferente, mas imensamente bom, essa nova familiaridade que crescia entre eles. Talvez porque em todos os anos que se conheciam, eles nunca haviam ficado tanto tempo juntos sozinhos desde o momento que ele cuidou dos ferimentos dela.
Mas ambos, sem expressar uma palavra sobre isso um pro outro, concordavam que era bom.
Logo pinheiros dominavam a paisagem, e apesar de La Push ser uma cidade litorânea, o clima estava bem mais frio. O carro a frente saiu da estrada e entrou em uma floresta densa e mais algumas curvas, num caminho que só Emmett saberia guiar, eles estacionaram em frente a uma casa grande, as paredes de madeira com janelas longas de vidro que revelavam um pouco do interior da casa, a pequena varanda cujo piso ainda tinha manchas de tinta da guerra de balão que Bella e Emmett brincaram tantas vezes na infância.
Todos saíram dos carros e começaram a pegar as malas e mochilas. Além de roupas e itens pessoais, os carros estavam carregados com comidas (pois o mercado mais próximo ficava a 40 min de distância) e itens de decoração natalina. Alice havia insistido nessa parte.
Assim que eles entraram no chalé viram que teriam muito trabalho pela frente.
A casa estava empoeirada. Parecia abandonada há anos, e com certeza eles encontrariam um ninho de aranhas se procurassem o suficiente.
Todos começaram a ajudar, Rose e Bella limpavam a cozinha, Alice e Jasper ficaram com os quartos. Edward varria a sala enquanto Emmett reclamava de ter que limpar os banheiros sozinho.
O sol já estava se pondo quando finalmente a casa estava habitável novamente.
“Acho melhor deixar pra montar a árvore amanhã” suspirou Alice enquanto se jogava no grande sofá da sala “eu não tenho uma gota de energia no meu corpo. Acho que nem consigo comer. Só vou tomar um banho e dormir”
Nessa hora, Bella abriu a porta da cozinha e o cheiro do que quer que ela estivesse preparando lá dentro trouxe a tona a fome que todos estavam sentindo.
“Na verdade, acho que consigo comer sim” Alice se levantou e foi em direção a cozinha. Todos seguiram logo atrás dela.
Não se sabe como, mas Rose e Bella além de limparem a cozinha, haviam preparado uma refeição completa. A mesa estava posta e de canto de olho Edward notou que até mesmo a geladeira já estava cheia.
Todos se sentaram e, cansados demais para sequer conversar, o jantar seguiu em silêncio.
Logo todos estavam se arrumando para dormir, tinham combinado de se levantarem cedo no próximo dia, Rose e Emmett iriam buscar lenha para a lareira enquanto os outros iriam começar a decoração e montar a árvore.
Enquanto aguardava sua vez de tomar banho, a cabeça de Bella se deu conta de uma coisa que poderia ser uma preocupação.
“Onde o Edward vai dormir?”
O sorriso largo de Alice era quase idêntico ao que se encontrava no rosto de Rose enquanto ela respondia.
“A gente já pensou isso. Eu e Emm vamos dormir no quarto dele, Jazz e Alice vão ficar no quarto dos seus pais e o Edward pode colocar um colchão no chão do seu quarto, ou algo assim”
Edward coçou a cabeça, preocupado com a ideia de dividir o quarto com Bella. Eles estavam mais próximos, sim. Mas tão próximos assim? Ele não sabia dizer.
“Por mim tudo bem” Foi o que ele ouviu Bella dizer.
“Não precisa se incomodar, eu durmo no sofá.”
“Se você dormir no sofá vai acordar congelado amanhã, além de não termos nenhuma lenha pra lareira, vai nevar essa noite. Os quartos têm aquecedores. Não vou ser culpada pela sua morte e te deixar congelar ai”
Após o banho, Bella foi pegar o colchão de ar no guarda roupa do quarto de seus pais e começou a encher para Edward dormir. Mas sua cabeça ainda era tomada por uma preocupação. O colchão era fino, quase o suficiente para que o peso de seu próprio corpo já encostasse no chão gelado. Com Edward, muito mais alto e maior que ela, o colchão e nada seria a mesma coisa. Eu durmo aqui então.
Quando Edward saiu do banheiro, uma calça preta de moletom sendo seu único pijama e viu que Bella estava deitada no colchão no chão e havia cedido a própria cama, seu coração se apertou.
“Não sabia que você queria dormir comigo Bella” ele brincou.
O rosto de Bella ficou vermelho enquanto ela explicava.
“Besteira, não vou deixar você congelar nesse chão frio”
“Eu também não.”
Uma pequena discussão se formou até que ambos chegaram a conclusão que seria melhor dividirem a cama.
Era grande o suficiente para eles e uma parede de travesseiro no meio separando seus corpos.
Quando foram dormir, exaustos pela pouca noite de sono no dia anterior e toda a energia gasta arrumando a casa, nenhum dos dois percebeu enquanto seus corpos inconscientes migraram na direção um do outro.
Quando Bella abriu os olhos de novo ainda era madrugada, apenas os primeiros raios fracos de sol iluminavam o céu, e ela não conseguia se mexer. Algum peso a segurava na cama. Ainda sonolenta, começou a se mexer tentando se levantar.
Os braços de Edward seguraram ela com ainda mais firmeza.
Ao perceber que o peso que segurava ela ali era simplesmente Edward abraçando ela enquanto dormia, suas bochechas ficaram tão vermelhas que ela poderia ser confundida com um tomate.
Ela se virou, lentamente, e tentou acordar Edward. A pilha de travesseiros que deveriam separar eles já se encontrava no chão. Edward, que pela primeira vez dormiu um sono confortável, até demais, se recusava a acordar.
Derrotada, Bella voltou para posição que estava e deixou o sono tomar conta de seu corpo mais uma vez.
16/12
Quando Bella abriu os olhos de novo, já era manhã. A luz do sol clareava todo o quarto pela larga janela na parede do quarto. O peso dos braços de Edward não apertavam mais.
Na verdade, Edward não estava em nenhum lugar do quarto.
Bella se levantou, fez sua higiene matinal e colocou um suéter vermelho.
Quando olhou pela janela, notou pequenos flocos de neve caindo. Alguns brilhavam quando tocados pela luz do sol.
“Já era hora Bell” Rose disse enquanto entregava uma xícara com chocolate quente que Bella aceitou com prazer.
“Está nevando?” seus olhos ainda fitos na janela, a neve aqui era muito mais bonita que em Nova York. Os prédios não cobriam sua visão e os pinheiros, o sol, transformam simples o gelo que caía do céu, em um espetáculo.
“Sim, Emm e eu vamos sair antes que fique mais forte.”
Logo, eles se despediram e foram em direção a floresta, Rose segurando um machado pesado e Emm empurrando um carrinho.
Talvez eles trouxessem lenha o suficiente pra não precisar de uma segunda viagem.
Alice já estava com as caixas e mais caixas de coisas natalinas, guirlandas, pisca-piscas, inúmeros papais-noel e renas e até mesmo uma sacola cheia de viscos de natal. Com dois casais na casa, Edward pensou que fazia sentido e riu consigo mesmo.
Jasper conectou o celular na caixinha de som e logo uma série de músicas festivas pode ser ouvida por todos na casa.
O clima era alegre.
Bella e Edward estavam colocando meias na lareira quando Alice os chamou e pediu pra pendurarem os pisca-piscas do lado de fora da casa, entregando um emaranhado de fios e luzes e saindo apressada para pendurar as luzes na cozinha.
Bella colocou seu casaco cáqui que combinava com a calça que estava usando, enquanto Edward vestiu um moletom preto.
“Acho que vamos precisar de uma escada” Bella pensou em voz alta enquanto saiam da casa. “Tem uma na garagem atrás da casa.
Enquanto caminhavam, Edward não pôde deixar de notar como a camada de neve parecia ter aumentado, cobrindo seus pés agora.
Logo Bella estava em cima da escada, enquanto Edward segurava habilidosamente a base da escada e um emaranhado de fios. Bella havia cobrido metade da varanda com luzes, quando uma aranha pulou em sua direção.
Com o grito, Edward assustou e perdeu o equilíbrio, soltando a escada.
A próxima coisa que ele viu foi Bella caindo, e a única coisa que ele conseguiu fazer foi tentar segurar seu corpo.
Em vão.
Bella caiu por cima dele.
A neve gelada molhando suas costas, ele olhou pro rosto dela, confuso e tão próximo ao seu.
“Você ta bem?”
Bella apoiou o rosto nos ombros de Edward e começou a rir.
“É a segunda vez que você tenta me matar essa semana” e sua risada se intensificou, o som de roncos saindo do seu nariz enquanto ria, fez com que Edward risse junto, embora seu rosto tenha ficado vermelho com a afirmação.
“Desculpa. Você gritou e eu me assustei.”
“Tinha uma aranha” Bella agora havia rolado pro lado de tanto rir e a neve também molhava sua roupa, mas o braço de Edward ainda segurava firme sua cintura. “Ela pulou em mim.”
Quando se acalmaram, Edward estendeu a mão pra Bella.
“Vamos entrar e trocar essa roupa molhada. Não vai ser divertido passar o natal doente”
“Desde quando vocês andam de mãos dadas?” A voz de Alice era curiosa quando viu eles entrando na casa.
E só então Bella e Edward notaram seus dedos entrelaçados.
Edward coçou a cabeça enquanto Bella sorriu sem graça, sem saber como explicar pra Alice.
“Eu ouvi gritos, estava indo olhar se tava tudo bem, mas acho que sim né?” O tom curioso substituído por uma certa malícia. Foi quando ela olhou pra cima. Um dos primeiros viscos que ela havia pendurado se encontrava bem acima de Bella e Edward.
Sem dizer nada, ela só apontou.
Quase em sincronia, seus olhos viram a pequena planta pendurada.
Bella por um momento sentiu ansiedade correr pelo seu corpo.
“Que bobeira” era a voz de Edward rindo “é só uma planta” e com isso, ele foi em direção ao quarto em busca de um casaco seco.
Bella concordou com a cabeça e riu fraco, acenando para Alice enquanto seguia Edward. Mas não podia deixar de admitir que queria que a brincadeira de Alice tivesse funcionado.
O restante do dia foi preenchido com conversas e risadas que distraiam ela daqueles pensamentos. Seu irmão trouxe não somente lenha, mas a árvore de natal, que todos montaram durante a tarde. À noite eles acenderam a lareira enquanto bebiam vinho e relembravam natais anteriores no chalé, Emmett contando a maioria das histórias.
Perto da meia noite, Bella se levantou e se dirigiu ao quarto. Jasper e Alice já haviam ido deitar pelo menos meia hora antes.
Inconscientemente, instintivamente, Edward seguiu ela.
Bella caiu num sono sem sonhos, mas quando Edward se deitou ao seu lado naquela noite, ela percebeu. E moveu seu corpo para mais perto. Quase como numa rotina recém criada, Edward envolveu seus braços nela.
17/12
A camada de neve estava mais grossa naquela manhã.
Os seis amigos decidiram que o dia seria na praia, então logo após o café, fizeram uma trilha pela neve andando na floresta por um caminho familiar para Bella.
O dia estava definitivamente muito frio para um banho de mar, mas uma pequena fogueira foi montada rapidamente ao redor de alguns tocos de árvores que serviriam como bancos.
Bella resolveu fazer uma caminhada pela beira do mar, Alice acompanhou ela e Rose disse que ficaria “para colocar ordem” e evitar que os três homens pulassem na água gelada.
Enquanto conversavam sobre o dia, os planos para o restante da viagem, Alice concluiu que era o momento ideal para tirar de Bella o que ela estava querendo saber desde antes da viagem.
“O que está acontecendo entre você e meu irmão?”
“Como assim?”
“Bom, vocês estavam de mãos dadas, estão conversando, e conversando de verdade, não apenas trocando farpas e brigando. Eu perdi alguma coisa?”
Bella suspirou.
“Eu não sei Alice.” Como explicar o que ela estava sentindo quando nem ela mesma sabia o que era? “A vida inteira a gente discutiu, se magoou.” um riso triste escapou dos seus lábios “aquele dia que ele cuidou das queimaduras, que ele cuidou de mim, alguma chavinha virou no meu cérebro. Mas nem eu mesma entendo o que é.”
“Você… gosta dele?” um olhar esperançoso tomava as feições de Alice.
“Bom, eu não odeio mais ele.”
“Isso não responde a minha pergunta.”
“Eu não sei. “
Logo o tópico da conversa mudou, percebendo que Bella não se sentia pronta ainda para falar sobre isso, Alice respeitou.
O restante do dia foi novamente envolto em conversas, músicas e risadas.
“Que tal um jogo?” Emmett disse enquanto tirava uma garrafa de tequila da bolsa.
“Qual?”
“Eu pensei no clássico, verdade ou desafio”
“Qual é Emm, não temos mais 15 anos.” Jasper riu
“Eu topo” Rose e Alice falaram juntas.
Derrotado, Jasper concordou.
Todos olharam para Bella e Edward, que apenas acenaram com a cabeça.
Com uma garrafa vazia de cerveja no meio deles, Emmett girou.
Bella e Alice.
“Alie, verdade ou desafio?
“Verdade”
“O que realmente aconteceu com a cadeira de praia do seus pais?”
Alice estava vermelha. Ela jamais imaginou que Bella começaria jogando tão sujo assim.
“Eu sentei e ela rasgou. Menti pra todo mundo dizendo que um cachorro veio e rasgou ela. Mas na verdade a cadeira já era velha tá” ela mostrou a lingua pra Bella.
Mais um giro na garrafa.
Rose e Edward.
“Verdade ou desafio?
“verdade” Ele estava com medo
“Qual o lugar mais estranho que você já…” e ela fez um gesto obsceno com as mãos.
“Meu Deus Rose” Alice Riu.
“Mandou bem ursinha, ele ta vermelho”
“Disneylândia, 1998. Último carrinho da montanha russa.”
Todos riram.
O jogo continuou.
Jasper, com medo das perguntas, escolheu desafio e agora se encontrava enterrado na areia até a garrafa parar nele de novo.
Alice e Rose já estavam bêbadas e o nível das perguntas ficou consideravelmente mais baixo à medida que o álcool subiu em seus corpos.
Mais um giro.
Alice e Bella.
“HÁ vingança.” Alice gargalhou. “Verdade ou desafio”
Bella refletiu por um minuto. Alice conhecia muito bem para usar os segredos de Bella contra ela nesse jogo. “Desafio”
Alice estava esperando por esse momento, como uma criança espera pela manhã de natal.
“Eu desafio você a beijar alguém da roda”
Se não estivesse tão tarde, todos veriam o rubor imediato que subiu pelo rosto de Bella.
Ela olhou pra frente, seu irmão, ew não, jamais. Repulsivo.
Ela olhou para a direita, Jasper enterrado na areia. Se ela fosse um pouquinho má, poderia se vingar de Alice, mas ela jamais faria isso.
Bom, só sobrava ele então.
Ela virou seu copo antes de olhar para a esquerda. Sem pensar muito, colocou as duas mãos no rosto de Edward e o puxou para o beijo mais desajeitado da história.
Edward ficou confuso, mas logo retribuiu.
Quantos seus lábios tocaram, tudo ao redor era como um simples borrão. Ele só conseguia focar nos lábios macios de Bella que se moviam em sincronia com os seus, agora não mais desajeitados.
Passou uma mão pela cintura dela e continuaram …
Até ouvirem um pigarro alto.
“Dá pra soltar minha irmã?”
Emmett já estava em pé, indo em direção a eles.
Só então eles recobraram a consciência de onde estavam e o que estavam fazendo.
“Edward é melhor soltar minha irmã logo ou eu vou socar sua cara”
Rose segurava um Emmett bêbado enquanto Alice ria, Jasper parecia ter dormido na pilha de areia que se encontrava.
Sem saber o que dizer, eles apenas riram sem jeito. Edward tirou seus braços da cintura de Bella e eles se levantaram.
“Acho melhor a gente voltar, já tá tarde” foi a única resposta que Bella conseguiu dar. Edward continuou em silêncio, ainda processando o beijo.
“Vou com Emm pra casa e volto ajudar vocês” Emmett protestou, mas não discutiu.
“Eu vou com Jasper também, sei que ele está dormindo mas vou ajudar no banho e depois venho pra gente buscar as coisas.”
“Não precisa” Bella pensou “Eu ajeito tudo aqui, podemos voltar amanhã então não vou desmontar a fogueira. Só levar as comidas e o resto pra casa”
Rose e Alice concordaram.
Edward ainda na mesma posição, claramente afetado pela quantidade de bebida que havia tomado naquela noite e pelo beijo repentino, não falou nada.
Bella começou a arrumar as coisas. Guardou as comidas e jogou as garrafas vazias no lixo.
Só então Edward se moveu. Levantou do lençol e dobrou ele, guardando na cesta junto das outras coisas.
“Desculpa por isso” Bella falou depois de longos minutos.
“Não tem porque pedir desculpa” ele sorriu. “Na verdade, acho que eu que tenho que pedir desculpas, não sei o que deu em mim. Era pra ser só um selinho né?” ele passou a mão pelos cabelos, nervoso.
“Acho que todos estamos um pouco bêbados hoje” seu riso era fraco.
A caminhada de volta pra casa foi silenciosa. Bella presa em seus próprios pensamentos, lembrando do beijo e amaldiçoando seu irmão por ter interrompido. Ela queria mais. De alguma forma, Edward era viciante. Ficar perto dele, conversar com ele, ela não conseguia se impedir.
Inconscientemente ela tocou seus lábios, lembrando do beijo e do que sentiu.
A conversa que teve mais cedo com Alice voltando a sua mente.
‘Você gosta dele?’
Bella não queria admitir, empurrava com toda força esses pensamentos para o fundo de sua memória, mas após o beijo, a única resposta que vinha em sua mente era sim.
Os próximos dias foram recheados de brincadeiras e conversas. Bella e Emmett mantiveram a tradição de construir um boneco de neve, o que acabou virando uma guerra quando ela mirou uma bola nele e acabou acertando Rose.
Ninguém se importou com o fato de que a camada de neve estava tão grossa que era possível deitar no chão e não encostar na grama.
Ao invés disso, Jasper se jogou no chão puxando Alice com ele e fizeram anjos na neve.
Edward sempre procurava um motivo para falar com Bella, fosse pedir ajuda com alguma coisa, ou simplesmente conversar algo sem sentido. Ele precisava ficar perto dela.
Desde o dia na praia eles vinham fugindo dos viscos de Alice também. Eles pareciam estar em todo lugar. Em cima da porta, no meio da sala, em cima do fogão e até mesmo no banheiro Bella havia encontrado um.
Bella não fazia ideia de onde ela tinha tirado tantos, mas não importava onde ela olhasse, ela encontrava um.
Eles voltaram à praia, dessa vez sem jogos. Emmett ainda estava decepcionado com o frio da água, ele esperava poder nadar em algum momento.
Alice fez uma coleção de conchas e pendurou algumas na árvore de natal no meio da sala.
No dia 19, enquanto todos estavam sentados à frente da lareira mais uma vez, Alice decidiu que iriam antecipar a ceia de natal. Edward teria que voltar no dia 21, então amanhã a noite eles comemoraram mais cedo, não fazia sentido esperar que um deles fosse embora. Ficaria incompleto.
Todos concordaram animados.
Já era automático para Bella se deitar e procurar os braços de Edward ao redor dela, seria estranho quando voltassem, ela pensou.
Mas culpou o ambiente em que estavam. Era diferente, fora da rotina corrida e caótica de Nova York. Ela não sentiria falta quando chegasse em casa era o que dizia a si mesma.
O beijo bêbado insistia em perturbar sua mente, mas ela empurrava a vontade pro fundo dos seus pensamentos e se contentava em ter o abraço de Edward.
20/12
No dia seguinte, todos acordaram cedo. Tinham muito o que fazer. Rose e Emmett se ofereceram para ir à cidade buscar os presentes que faltavam, enquanto Alice e Jasper iriam ao mercado buscar mais bebidas para a ceia.
Edward estava achando estranho o comportamento de seus amigos, sempre saindo juntos e deixando ele e Bella pra trás, mas não reclamou.
A neve estava densa quando Bella começou a cozinhar. Edward estava arrumando as malas para sair cedo no outro dia, mas nenhum dos dois, sozinhos naquela casa, percebeu quando os ventos aumentaram.
A música era alta, Bella gostava de cozinhar assim.
Já era final da tarde quando Edward saiu para buscar mais lenha na garagem e se deparou com uma neblina de neve ao seu redor.
“Será que eles vão demorar muito?” Ele gritou para Bella na cozinha “sei que forks não é longe, mas se continuar assim eles não voltam hoje”
Nessa hora Bella sentiu o celular vibrando no bolso da calça.
“Alô? Emm? Tá tudo bem aí?”
“Oi Bells, não. Não sei como tá por aí, mas aqui tá uma puta nevasca. Fecharam a estrada que liga forks a La Push por precaução. Acho que eu e os outros só vamos conseguir voltar amanhã, desculpa”
Bella sentiu um arrepio passar pelo seu corpo.
“Como assim Emm?”
“A polícia fechou todas as estradas que dão pra fora da cidade. Nós vamos ficar num hotel e passar a noite enquanto esperamos baixar a neve”
“O que aconteceu?” Edward estava preocupado, a expressão no rosto de Bella não era a mais feliz.
“Tudo bem Emm, se cuidem e vai me avisando.”
“Você também bells” e com isso ele desligou a ligação.
Bella explicou rapidamente a situação para Edward, que agora estava preso na casa junto com ela. Os ventos haviam aumentado e ela tinha certeza que a neve cobriria suas pernas se ela fosse lá fora agora.
Ele ficou preocupado. Agitado. Sua maior angústia era se seria capaz de voltar para o trabalho até o dia 24.
Os ventos aumentaram ainda mais naquela noite.
Eles trocaram poucas palavras durante o jantar. A cabeça de Edward se culpando agora pela decisão de acompanhar os amigos na viagem e arriscar tudo que ele passou o ano inteiro lutando para conseguir. Sua promoção estaria em risco se ele não voltasse a tempo.
Mas ele não conseguia se arrepender. Não.
Uma parte dele estava feliz, ele se divertiu mais naqueles poucos dias do que durante o ano inteiro. Conversou com sua irmã e bebeu com seus melhores amigos. Todo estresse e cansaço que corroiam sua mente o ano inteiro não estavam presentes. Ali naquele chalé, ele sentiu como se todo o peso fosse tirado de seus ombros.
E tinha ela. Ele jamais se arrependeria de ter passado esse tempo com ela. O beijo não saia de sua mente e ele tinha que se controlar todas as noites enquanto sentia seu corpo tão próximo ao dela, controlar a vontade que tinha de repetir aquele beijo. Mas não era só isso. A cada conversa, cada interação, cada pedacinho dela que era novo pra ele, ele sentia seu coração pedir por mais.
Ele abraçava ela todas as noites, sentindo o cheiro dos seus cabelos, sentindo sua respiração tão próxima da dele.
Ele tinha medo de que quando voltassem a Nova York tudo aquilo passaria. Que eles voltariam a ser estranhos um pro outro ou simplesmente não interagiriam mais.
Ele estava tão preso em seus pensamentos que se assustou quando Bella passou seus braços ao redor dele. Nem havia percebido que ela estava sentada ali do seu lado.
“Hey, eu sei que você vai conseguir voltar. Amanhã a nevasca já vai ter passado. E se não passar, bom, que se foda seu chefe.” seu tom agora era de revolta “ele fez você trabalhar pra um caralho o ano todo, te deu plantão em todos os feriados e como prêmio te presenteou com mais trabalho no natal” mais um suspiro escapou pelos seus lábios. “Não é justo. Você é muito melhor que aquela merda de hospital que não te valoriza e…”
Bella não conseguiu terminar a frase. Os lábios de Edward firmemente pressionados contra os dela a impediam.
Esse beijo começou diferente do outro. Não era desajeitado e bêbado. Era urgente. Era necessário.
Suas línguas travavam uma batalha enquanto as mãos de Bella puxavam levemente os cabelos dele. Ele apertava a cintura dela com uma das mãos enquanto a outra explorava seu corpo. Mais uma parte dela para descobrir, ele riu em meio ao beijo com o pensamento.
Quando eles pararam em busca de ar, foi apenas pra descobrir que precisavam ainda mais um do outro.
Bella deixou todos os pensamentos que, nem ela sabia a quanto tempo segurava pra si, saírem do fundo de sua mente, todo sentimento, tudo que ela queria. Ele. Era isso que ela precisava todo esse tempo.
A urgência do momento foi quebrada pela voz de Edward, rouca e baixa.
“Você tem certeza Bella?” Seus olhos transmitiam toda a necessidade que ela sentia dela.
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“Você sabe que isso pode estragar nossa amizade, né?” Seu riso de nervoso, mostrava a preocupação que ele tinha em manter ela na vida dele, mesmo que apenas como amiga.
“Edward, só cala a boca, porque agora, fisicamente, não há nada que eu
queira mais do que você." suas palavras carregadas de desejo.
Mais do que contente em cumprir com o pedido dela, suas bocas se encontraram de novo. Com mais certeza dessa vez, suas mãos exploravam seus corpos com vontade e paixão.
Naquela noite, após percorrerem o corpo um do outro inúmeras vezes no sofá em frente a lareira, concluíram que todas as conversas sobre o futuro deveriam ficar para o depois, quem sabe até para quando estivessem em Nova York. A única coisa que importava era aquele momento, a pequena bolha que eles construíram juntos. Edward sabia que não queria nada além daquilo e não deixaria Bella escapar de seus dedos, era só uma questão de formalidade. Talvez até mesmo pediria pra Emm a ‘benção’ de namorar com ela. Ele tremeu com o pensamento de encarar o irmão de Bella.
Lá pelas três da manhã, quando Edward se levantou para buscar um cobertor para os dois, voltou assustado quando ouviu um som grunhindo acompanhado por uma gargalhada. Ele se acalmou quando viu que era, novamente, o jeito único dela rir.
Quando Bella viu sua cara confusa, apenas apontou pra cima em meio aos risos.
No teto da sala, bem em cima de onde eles se envolveram tantas vezes naquela noite, pendia graciosamente um visco de natal.
Mini epílogo:
21/12
Emmett estacionou o carro com dificuldades na entrada da propriedade.
A neve estava alta dentro da área externa do chalé, ele teria muito trabalho para limpar e conseguir levar o carro até lá.
Rose, que estava dormindo ao seu lado, acordou com a parada do carro. Eles sacudiram Alice e Jasper no banco de trás, e todos saíram do carro.
A caminhada do portão até a casa não foi longa e eles pisaram em silêncio na varanda, temendo acordar Bella ou Edward que ainda deveriam estar dormindo, pois a casa se encontrava absolutamente silenciosa.
Emmett pôs a chave na fechadura e rodou com calma para evitar fazer barulho. Ele girou a maçaneta e choque.
Ele não conseguia acreditar no que estava vendo.
Largou as sacolas pesadas que carregava e antes que qualquer um pudesse prever ou sequer entender, um grito ecoou por todos, acordando Bella e Edward que dormiam no sofá, vestidos apenas pelo edredom que os cobria.
“SOLTA MINHA IRMÃ!”
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