The One Who Must Not Be Named

1 Something's Gotta Give


Notas iniciais
Oie, galera! Tudo bem? Essa é a primeira fanfic que eu escrevi em muitoooo tempo, espero que gostem!

“I haveneverheard a silence quite soloud
I walk in theroomandyoudon't make a sound, make a sound
You'regoodat making me feelsmall
If it doesn'thurt me, why do I still cry?
If it didn'tkill me, thenI'mhalfalive”

24 de junho de 1977

Aquele que não deve ser nomeado?

By Daiana Fawley

Há sete anos que a comunidade bruxa não vive uma intocável paz, estamos presenciando a ascensão de um novo bruxo das trevas que vem, cada dia mais, conquistando seguidores e apoiadores para sua causa. Desaparecimentos e mortes misteriosas estão, infelizmente, se tornando recorrentes em nossa comunidade. E isso é culpa nossa. Subestimamos o poder das trevas, e com isso o deixamos crescer.

Não há só um responsável, falhamos todos como sociedade. Talvez por medo, medo de que se encarrássemos o problema ele se tornaria real. E ele é. Deixamos que um bruxo se autodeclarasse Lord e que seu grupo terrorista de seguidores virassem os temidos “Comensais da Morte”.

Entretanto, isso não é novidade para nenhum de vocês, todos sabemos que estamos vivendo tempos difíceis. O que é, de fato, novo para todos nós é a mais recente “regra” imposta por “Lord Voldemort” e seus correligionários, a qual proíbe toda a comunidade bruxa de pronunciar o seu nome. O que é, deveras, irônico, pois nos últimos anos, Voldemort se esforçou para que sua clandestinidade fosse inexistente, para que todos soubessem quem ele é.

Eu peço que todos vocês que estejam lendo isso não se deixem calar pelo medo. Não temam um nome. Chamem-no pelo nome que esse sanguinário se autodenominou, Voldemort. Não tenham medo. Resistam.

Depois de ler o artigo, três vezes seguidas, Marlene colocou o Profeta Diário cuidadosamente sobre a mesa. Muitos sentimentos a percorreram nesses poucos minutos de leitura, desde apreensão até orgulho. Daiana Fawley, a autora da matéria, era a mãe de Alice, uma de suas melhores amigas, e por isso, ela ficou receosa. Marlene sabia que o Profeta estava sendo filtrado e, de certa forma, censurado nos últimos tempos. E, mesmo sendo importante informar a população do perigo que estavam correndo, os jornalistas e editores estavam com medo de se exporem e virarem alvos ao anunciarem as notícias. Todos menos Daiana Fawley. Ela nunca minimizou o risco que era Voldemort e seus apoiadores, porém nunca os atacou dessa maneira. Hoje, ela não mediu palavras, e por esse motivo, Marlene temia as consequências que esse ato poderia desencadear à família de Alice, mas sem deixar de admirar a autora nem por um segundo. Sua coragem deixava Marlene deslumbrada.

— Marley?

A voz de Lily, que estava a sua frente na mesa, a tirou do transe. A amiga a olhava com um ar preocupado, que só piorou quando percebeu o que Marlene tinha acabado de ler.

— Alguém desapareceu? Ou morreu? — ela perguntou alarmada – É conhecido? Ah, Lene... Quem foi? Uma das meninas? Que não tenha sido uma delas...

— É a mãe da Lice... – Lily a lançou um olhar desesperado — ...Calma! Ela tá bem, mas olha só o que ela escreveu.

Lily suspirou aliviada ao ouvir que nada de mal tinha acontecido com a família de sua amiga e pegou o jornal que Marlene estava estendendo em sua direção. Marlene a encarou enquanto ela lia as palavras escritas por Daiana. Sua expressão foi mudando ao longo do artigo, mas Marlene conseguia ver que sua amiga estava apreensiva. Lily demorou longos cinco minutos até colocar o Profeta novamente sobre a mesa, o que deu certeza a Marlene que ela tinha relido a matéria várias vezes, igual ela mesma tinha feito minutos atrás.

— Foi... — Lily não sabia como descrever o que acabou de ler.

— Corajoso? — Marley sugeriu.

— Sim... sem dúvidas foi, mas... não sei. Eu temo por eles. Daiana provavelmente já estava sendo monitorada pelos seguidores de Voldemort e se não estava, agora está. Eu só espero que nada aconteça com ela e com a Lice.

Marlene não respondeu, apenas a encarou com um olhar de compreensão. Era exatamente isso que ela sentia. A confusão entre fazer o que era certo e as consequências que isso poderia trazer estavam acabando com ela. A guerra já havia começado, pessoas já haviam desaparecido e mortes já estavam acontecendo, e Marlene, mais do que muitas pessoas de sua idade, entendia a magnitude do que estava ocorrendo. Seu pai, Vincent Mckinnon, tinha um cargo importante no Ministério da Magia, era chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia e, anteriormente, da Seção de Aurores, e se opunha veemente à Voldemort, o que o tornava um de seus principais alvos.

— E, que história é essa de não poder pronunciar o nome dele? — Marlene perguntou incrédula citando o ponto central do artigo — Isso é um absurdo! E se alguém falar, o que eles farão? Matar? É isso? Vão matar alguém por falar um nome?

Diferente de Marlene, Lily não tinha perguntas sobre qual era o motivo dessa nova “norma” determinada pelos Comensais da Morte.

— É como a mãe da Alice disse na matéria, Marley. Eles querem que as pessoas tenham pavor da figura de Voldemort como um todo. O medo de seu nome só vai ajudar a ampliar o medo dele em si.

— Como se as pessoas já não estivessem apavoradas!

— Eu sei...

— Você acha que eles vão mesmo punir quem pronunciar? — Marlene perguntou, dessa vez o tom de preocupação sobressaiu o de incredulidade.

— Eles alguma vez não cumpriram uma promessa? — Lily respondeu simplesmente.

As duas amigas se encararam, ambas com a certeza de que a outra, mesmo que com medo, não obedeceria a nenhuma exigência posta por Voldemort e seus adeptos.

— Ah, você ainda tá aqui.

Marlene nem precisou se virar em direção a porta para saber quem estava se referenciando a ela. A voz desagradável de Petúnia era reconhecível mesmo há a quilômetros de distância. Marlene apenas revirou os olhos, a hostilidade da irmã de sua melhor amiga não era novidade, ela até achava engraçado. Mas Lily não tinha a mesma opinião, ela já estava longe de se importar, como uma vez fazia, com os comentários de Petúnia sobre ela mesma, contudo, não tolerava quando a irmã fazia isso com suas amigas. Lily já estava pronta para a repreender, mas Marlene foi mais rápida.

— Petúnia, querida. Que bom te ver – Marlene sorriu debochadamente para Petúnia, enquanto ela se sentava o mais longe que podia das duas — Essas últimas 8 horas que eu passei sem olhar pro teu distinto rosto foram, realmente, tristes. Sim, eu ainda estou aqui, mas vou pra casa hoje. E sabe, não sei como vou sobreviver sem a tua brutalidade matinal pra me acordar pro mundo diariamente.

Lily nem tentou abafar sua risada, amava o modo que Marlene lidava com sua irmã. Petúnia já não sabia para qual das duas direcionar seu olhar de desprezo.

— Que bom – disse finalmente – Válter e sua irmã irão jantar aqui hoje e eu não quero que nada do seu mundo esteja aqui. E isso incluiu ela.

Petúnia finalizou indicando Marlene com a cabeça.

— Me deixa adivinhar, isso também me inclui? — Lily perguntou. As duas irmãs se encararam por um momento e, para a surpresa de Lily, Petúnia negou.

— Não — ela disse – Guida quer te conhecer...

— Quem?

— Guida — Petúnia respondeu irritada devido a interrupção — a irmã de Valter.

Lily a encarou horrorizada. Isso não era algo comum. Petúnia nunca, em plena consciência, a convidaria para um jantar em família.

— Está bem, mas... porquê? — foi a única coisa que Lily conseguiu perguntar.

— Para ver se eu sou a pessoa ideal para Válter...

— E o que eu tenho haver com isso?

Petúnia olhou Lily como se ela fosse um acéfalo por ainda não ter entendido o sentido dessa conversa.

— Me deixa reformular a frase, Guida quer saber se a nossa família é ideal para Valter. Desde que a mãe deles morreu, ela se sente responsável por ele e pelo seu “futuro familiar” — Lily olhou de esguelha para Marlene e viu que ela estava segurando o riso — Então, por favor, tenta ser normal e não me faça passar vergonha.

O “por favor” de Petúnia parecia ter lhe causado uma dor física, pelo fato de que pedir algo para a irmã era como levar uma bofetada na cara ou, talvez, por essas duas palavras não fazerem parte de seu vocabulário.

As duas se encararam por alguns segundos, Lily tinha certeza de que isso era muito importante para sua irmã porque, do seu próprio jeito frio, Petúnia estava praticamente implorando pela sua ajuda. O silêncio foi quebrado pela risada de Marlene.

— Então, você quer dizer que seu futuro conjugal está nas mãos de Lily?

— Basicamente – Petúnia disse contrariada, chocando Lily por ter admitido. A Petúnia que ela conhecia nunca admitiria isso, mesmo sendo verdade — Então, por favor não estrague a minha vida mais do que...

— ... Eu já estraguei – Lily complementou — Está bem, o que você quer que eu faça?

— Apenas seja agradável e fale o mínimo possível.

Depois de finalizar o café da manhã, as duas amigas voltaram para o quarto e começaram a arrumar a mala de Marlene.

— Eu queria que você ficasse mais tempo aqui, conviver com Petúnia é muito mais suportável quando você tá aqui pra tirar ela do sério — Lily disse abraçando Marlene enquanto ela dobrava as roupas de qualquer jeito e as atirava na mala.

Marlene já estava na casa de Lily há duas semanas. Todos os anos ela a visitava por uns quatorze dias, os melhores dias das férias de Lily em sua casa. Mas não entendam mal, não é que Lily não gostasse de suas férias de verão, ela amava voltar para casa para ver o seu pai, mas Petúnia pesava a balança para o lado negativo. Há anos Lily já tinha aprendido a lidar com sua irmã e suas grossuras, no começo tinha sido doloroso, já que quando as duas eram bem pequenas elas eram companheiras, mas isso mudou quando a magia de Lily despertou. Desde então, a frieza havia tomado conta da relação entre as duas.

— Ah, Lils... você sabe que eu adoraria, mas acho que sua irmã não ia ser tão fã da ideia – Marlene retribuiu o abraço de Lily rindo – E, além do mais, acho que o James ia ter um treco se eu ficasse mais um tempo fora, esse menino não consegue viver sem mim.

Potter. Lily revirou os olhos. Para ela, um dos únicos defeitos de Marlene era ter ele como melhor amigo. Os dois eram inseparáveis desde o momento em que nasceram, literalmente. Marlene e James eram primos, Sabina, a mãe de Lene, era irmã do pai de Potter. E, para melhorar, Sabina e Euphemia, mãe de Potter, tinham engravidado na mesma época, além de terem conseguido o grande feito de terem dado à luz no mesmo dia. James adorava zombar da cara de Marlene por isso, já que ela nasceu um pouco prematura, uma semana antes do esperado, ele dizia que ela não queria viver nem um segundo sem ele. Esse era o único dia do ano que Lily deixava suas desavenças com Potter de lado, no aniversário deles. Porém, mesmo não gostando de Potter e querendo que qualquer outra pessoa no mundo fosse melhor amigo de Marlene, tinha uma coisa que ela não podia negar, a relação dos dois era linda. Os dois eram como irmãos, James até insistia em dizer que ele era o irmão mais velho e ela a sua irmãzinha por ter nascido exatos treze minutos antes dela.

— Não me olha assim, Lily. Você sabe que ele não é mais aquele idiota de dois anos atrás.

Isso era outra coisa que Lily não podia negar, mas que não ia admitir nunca. James Potter havia mudado. Lily percebeu isso no decorrer do último ano letivo, ele não era mais aquele imbecil que ficava atormentando a vida dos outros colegas. Ele amadureceu e ela havia percebido, mas isso não mudava o fato de que ele continuava sendo um palerma metido e arrogante. E Lily acreditava que isso era algo que estava muito enraizado nele pra ser mudado.

— E... — Marlene continuou — você sabe que pode vir me visitar sempre que quiser, eu prometo que não te obrigo a visitar o James ou... — ela encarou Lily pensativa — ...eu posso colocar uma ordem de restrição na minha casa enquanto você estiver lá — sim, eles também eram vizinhos – Por favorzinho, Lily! Mamãe adora quando você vem lá em casa, eu até acho que ela gosta mais de ti do que de mim. É até triste sabe... Lily, Lily, Lily...

Marlene começou a fazer uma imitação de sua mãe que fez a barriga de Lily doer de tanto rir. Quando se recuperou do ataque de risos, Lily encarou o amontoado de roupas que Marlene jogou na mala.

— Bom, se você pelo menos aprendesse a dobrar as suas roupas direito ela talvez gostasse mais de você do que de mim – Marlene a encarou com um falso olhar de ofensa.

— Lily, isso é um caso perdido! — Marlene disse exasperada – eu tento, tento e tento, mas dobrar as roupas não faz parte dos meus talentos!

— Mas magia faz!

Marlene a encarou perplexa, chocada com própria burrice. Então, com um aceno da varinha, as suas roupas se dobraram perfeitamente.

— Sabe, as vezes eu esqueço que já tenho dezessete anos e posso fazer magia...

— Eu percebi – Lily disse rindo e, como resposta, recebeu uma “travesseirada” na cara.

Depois de uma breve guerra de travesseiros, que Marlene saiu vitoriosa sob as rendições de Lily, as duas se jogaram cansadas na cama.

— Mas é sério, Lils... vem passar uns dias lá em casa.

Lily rolou os olhos para a cara de cachorro sem dono de Marlene mas concordou.

— Tá, tá tá, quando eu voltar da viagem com papai e Petúnia eu dou uma passadinha lá.

— Não fale como se fosse um sacrifício ir me visitar, Lily!

Marlene tentou sustentar um olhar sério e indignado, mas não conseguiu, ela nunca conseguia fingir que estava brava com alguém por muito tempo. Porém, Marlene estava certa, tirando o fato de que Potter estaria há poucos metros de distância, não era sofrimento nenhum ir visitar Lene. Lily adorava os seus pais e também os seus irmãos mais velhos, Aaron e Finn, quando eles estavam em casa.

Em seguida, as duas desceram as escadas em direção a porta de entrada, Marlene carregando a própria mala com auxílio de magia, finalmente lembrada de que era uma bruxa.

— Vou sentir saudades! — Marlene disse abraçando Lily já no lado de fora da casa – divirta-se hoje na janta – Lily revirou os olhos – e não se esqueça de me escrever depois contando tudooo que aconteceu. E também não esquece de dizer pro teu pai que eu mandei um abraço e que eu fiquei muito chateada por ele não ter me acordado pra dar tchau!

— Você sabe que ele te ama, Marley.

— Tá, mas mesmo assim – ela disse rindo – Ah, e fala pra ele que se tiver desaparecido um livro da biblioteca dele não fui eu!

— Qual você pegou? — Lily falou rindo.

Todos os anos um livro sumia “misteriosamente” da biblioteca particular de Darren Evans e reaparecia, também misteriosamente, no ano seguinte quando Marlene vinha visitá-los. isso já era uma tradição.

— Eu já disse que não fui eu! E... MERLIN!

Marlene parou de falar abruptamente, como se tivesse se lembrado de algo crucial.

— O que fo...

— Eu esqueci de dar tchau para Petúnia!

Lily começou a gargalhar enquanto observava Marlene entrar em casa correndo para se despedir de sua irmã. Lene sabia que Petúnia não fazia questão de sua despedida, e era por esse exato motivo ela se sentia obrigada a se despedir.

Momentos depois, Lily ouviu o berro reconhecível de Petúnia seguido por uma Marlene gargalhante vindo em sua direção.

— Ela bateu a porta na minha cara! Acredita? — Marlene não sabia se continuava rindo ou se tentava, sem sucesso, ficar séria.

— O que foi que você fez?

— Eu apenas conjurei um buque de petúnias pra agradecer a estadia e a boa companhia por essas duas semanas que eu fiquei aqui!

— Conjurou na frente dela?

O sorriso travesso de Marlene foi resposta suficiente para Lily.

— Sabe, um dia ela ainda vai envenenar a sua comida quando você tiver aqui – Lily disse enquanto a abraçava novamente.

— Vai nada, ela me adora! — Marlene falou enquanto retribuía o abraço.

Quando elas se separaram, Marley ainda a segurou pelos ombros.

— Mas sério, Lils. Se a janta for muito insuportável você foge e vem lá em casa. Pode aparecer a qualquer horário, se for de madrugada é só tacar uma pedra na minha janela pra me acordar ou, qualquer coisa, dá um berro, você sabe que eu tenho sono pesado...

Lily assentiu e sorriu para a amiga.

— E, pelas barbas de Merlin, eu já disse mas vou falar de novo, não se esquece de escrever me contando como foi! Lembra que eu sou curiosa e curiosidade mata, Lily! E você não vai querer ser responsável pela morte precoce de sua melhor amiga, vai?

E, antes que Lily pudesse negar ou afirmar se escreveria, Marlene rodopiou e desapareceu com um estalo. Ela adorava uma saída dramática.

Notas finais
E aí, gente? O que acharam? Deixem nos comentários. Esse capítulo foi mais uma introdução, mas espero que tenham gostado. Beijos ♥