The One Person That Mattered The Most
1 Extreme Boredom (Tédio Extremo)
Notas iniciais
Sherlock estava deitado no sofá ao canto da sala. Suas mãos estavam unidas embaixo de seu queixo, de modo que parecesse que estava fazendo uma oração. Seus olhos estavam fechados, sua testa enrugada e sua boca torcida, num claro sinal de frustração.
Sentado em sua poltrona de costume, do outro lado da sala, John o observava. Ele, mais do que ninguém, sabia que Sherlock poderia ficar naquela posição por horas e horas sem trocar uma única palavra com alguém. E, de fato, já haviam se passado mais ou menos 40 minutos em que o detetive se encontrava daquele jeito. John pensou ser apenas outra “esquisitice” de Sherlock, e então voltou seu olhar para o jornal em suas mãos.
Os olhos de Sherlock se abriram de supetão, e ele soltou um grito:
- AAAAAAH! – Sherlock se levantou tão abruptamente que algumas fotos e mapas pendurados na parede caíram.
O corpo de John tremeu de susto, e com isso o jornal que segurava também. Irritado, ele se virou para Sherlock e disse:
- O que DIABOS foi isso?
- TÉDIO, JOHN! – Sherlock respondeu, enquanto passava por cima da mesa de centro para chegar até sua poltrona habitual – Apenas... Tédio. – Disse, quando se sentou.
- E precisava fazer todo esse teatro? – John olhava-o por cima do jornal, com uma de suas sombrancelhas levantada.
- Você sabe que eu adoro um pequeno show. – Sherlock retrucou, mostrando um resquício de sorriso ao fazê-lo – Me passe esse jornal. Vamos ver se há algo interessante.
Seus olhos azuis percorreram as notícias.”Não, não, não! Preciso de casos novos, preciso sair da mesmice” Ministro da Fazenda se suicida! E sua esposa afirma: Não entendo por que ele fez isso. Henry era um homem tão feliz “Chato” Sherlock pensou, “É óbvio que a esposa o matou. Olhem a manga da blusa dela na foto!”.
- Pare, John disse.
- Pare com o que?
- Eu já sei o que você vai fazer: vai resolver todos os casos um por um. Pare de se gabar Sherlock, eu já estou farto de saber que você é inteligente pra cacete.
- Mas eu estava resolvendo-os em pensamento! – Sherlock então percebeu que ele sempre fazia isso, sempre falava em voz alta pensando que tudo estava acontecendo dentro de sua cabeça. – Ok, desculpa. Mas... Não é possível que essas sejam as notícias de hoje. Londres se tornou tão entediante! O que eu farei, John? O que farei sem novos casos? EU ODEIO FICAR ENTEDIADO!
- Não se desespere Sherlock, vai aparecer algo. – O médico vasculhava seu cérebro em busca de algo para acalmar seu amigo — Vamos pensar que você está de férias! Isso, você está de férias. Pessoas normais viajam nas férias, saem com os amigos, lêem livros, vão ao cinema... Você deveria tentar, não é tão ruim assim – John estava se levantando de sua poltrona, afinal tinha um consultório lotado para atender.
- Sério mesmo John? – Sherlock não conseguia acreditar. Estava passando por um tipo de tédio estupendamente profundo, como nada que ele havia experimentado antes. Precisava viver algo novo, algo inédito em sua vida – Você realmente acha que eu... – Sua expressão mudou repentinamente. John sabia o que era, ele havia tido uma idéia. – VOCÊ É BRILHANTE JOHN WATSON!
Foi tudo o que Sherlock disse ao se levantar abruptamente, colocar seu casaco e e enrolar seu cachecol em volta de seu pescoço. Antes de bater a porta atrás de si, ouviu Watson gritar:
- Aonde você vai?
Ele colocou seu corpo entre a porta e o batente, de modo que John conseguisse apenas vizualizar o enorme sorriso que tinha no rosto.
- Vou me apaixonar!
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