The One - Fic Interativa
2 Sobre rosas, tortas e amor à primeira vista
Notas iniciais
Jackson entrou no salão, observando as selecionadas. Haviam chegado há dois dias, e o príncipe ainda não havia tido uma oportunidade para conhecê-las melhor. Eram todas lindas, jovens e sorridentes, mas como seriam suas personalidades?
Ele não queria para si uma Rainha que fosse arrogante e não se importasse com a população. Jackson queria uma rainha que fosse como sua mãe, uma mulher que, além de linda, era inteligente e justa. Jack sorriu ao se lembrar da história que sua mãe havia lhe contado poucas semanas atrás, sobre como uma garota chamada Celeste quase havia vencido a seleção. Ele não queria uma Celeste. O futuro Rei queria uma America.
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– Senhorita Natalya, o príncipe deseja falar com a senhora – falou uma criada.
De repente, todas as cabeças do salão a encaravam. Algumas selecionadas a olhavam com inveja, algumas apenas lhe analisavam com curiosidade. “O que há de tão especial nela para o príncipe querer falar com ela primeiro”, pensavam. Bem, aparentemente não havia de diferente, eram todas lindas e Jackson ainda não as conhecia. Mas ele precisava começar de algum lugar, e apenas decidiu que seria com ela.
Ela andou decidida até o príncipe, não tropeçou nem hesitou. Ela sabia como fazer aquilo, como impressionar as pessoas enquanto andava. Era uma modelo, afinal de contas.
– Vossa alteza – disse, fazendo uma reverência.
– Senhorita... – ele precisou olhar o broche pregado na roupa dela para se lembrar do nome da garota. Natalya Grace Chevalier, casta dois – Natalya.
– Aceita caminhar comigo? – ele ofereceu o braço para ela, como qualquer cavalheiro faria. Ela passou o braço envolta do dele, se sentindo um pouco constrangida por estar tão perto assim dele. Jackson era lindo e educado, quase como um príncipe de contos de fadas.
Dirigiram-se para um grande jardim externo, com diversas flores, árvores e um lago relativamente grande com uma fonte no meio. Era tudo muito bonito, mas Nat era uma dois. Estava acostumada com coisas bonitas e não seria impressionada tão facilmente.
– Então... – ele olhou para os próprios pés, envergonhado – Me desculpe, isso é muito embaraçoso. Sou péssimo com essas coisas.
Ela riu, uma risada musical e que o fez sorrir.
– Não tem problema, Vossa Alteza.
– Ah, chega de Vossa Alteza por hoje! Estamos sozinhos, por favor, me chame de Jackson.
Ela olhou para ele, pensando se deveria aceitar a sugestão.
– Só se Vossa Alteza parar de me chamar de senhorita – Natalya sorriu novamente para ele. Tinha um sorriso brilhante e educado, o sorriso de uma rainha.
– É justo.
Jackson a conduziu até um local aonde havia uma toalha refinada e uma cesta igualmente bela, à margem do lago.
– Um piquenique? – ela disse, enquanto se sentavam e ele retirava as coisas de dentro da cesta. Uma torta, pratos, talheres. Uma jarra de suco de uva e taças. Um buquê de rosas vermelhas.
– Não gosta de piqueniques? – ele estava confuso, sua mãe havia lhe dito para fazer um piquenique. Todas as garotas deveriam gostar de um piquenique romântico à beira do lago.
– É claro que gosto. Só não me parece muito... Real?
Ele se sentou e serviu um pedaço de torta para ela.
– O lado bom de ser filho de uma cinco é que você não fica preso no que é adequado ou não à realeza. – Jackson pegou o buquê e ofereceu para Natalya, que o pegou delicadamente – gostou?
– São lindas, obrigada. Rosas vermelhas... Muito bonitas, mas eu sempre preferi as azuis.
Ele deu um sorriso tímido, como se estivesse se desculpando por não saber.
– Rosas azuis realmente combinam com você.
Nat não sabia se ele estava a elogiando ou criticando, e não estava muito interessada em saber. Talvez ele fosse explicar depois.
– Suponho que sim. Nossos gostos refletem nossa personalidade, afinal de contas.
– Rosas azuis são belas, refinadas e difíceis de agradar. Do que mais você gosta? Preciso saber, para não correr o risco de lhe trazer mais presentes inúteis.
– Gosto de cavalgar. Música clássica e sorvete de limão. Gosto de moda e de aprender línguas. E você?
– Gosto de meninas sinceras como você, que tem coragem de me dizer que não gostaram das minhas rosas – o príncipe sorriu vitorioso.
– Eu gostei das flores!
Jackson piscou para ela e se levantou, indo até a beira do lago. A garota não hesitou em lhe seguir.
– Posso lhe perguntar o quê está fazendo? – Natalya falou.
– Já está perguntando, não é? – ele se abaixou e pegou uma pedra lisa e mais ou menos achatada no chão – sabe fazer uma pedra quicar na água?
– Nunca tentei – ela admitiu.
Ele se abaixou um pouco e jogou a pedra, que quicou duas vezes.
– Venha cá, eu te ensino.
Ela corou um pouco quando ele colocou uma mão em sua cintura e passou a outra para o outro lado de seu corpo, quase como se estivesse lhe abraçando por trás. Jackson pegou sua mão e a conduziu, fazendo com que ela jogasse a pedra no lago de forma mais ou menos correta.
A pedra afundou.
– Você é um péssimo professor! – ela riu, aquela risada doce e melodiosa que ele havia ouvido mais cedo.
– Você que é uma péssima aluna – de repente, ele se lembrou do que o Rei Maxon havia lhe dito. Deveria perguntar para cada uma das garotas, no momento que julgasse adequado, o que faria se fosse rainha. Jackson não sabia se o momento adequado era agora, mas não custava tentar.
Notando que o príncipe havia ficado sério de repente, Natalya parou de rir.
– Está tudo bem?
– O que? Ah, sim. Só por curiosidade, o que faria como seu primeiro ato como Rainha?
Ela hesitou um pouco antes de responder. Já sabia que essa pergunta seria feita e tinha uma resposta formulada em sua cabeça, mas não sabia se essa resposta era adequada. Talvez criticar o modo como os Schreave governavam Illéa não fosse uma boa idéia.
– Eu tentaria mudar a política externa de Illéa. Nosso país não tem muitos aliados fortes e não é considerado uma grande potência, isso poderia facilmente mudar se modernizássemos as industrias e a educação.
Ele olhou para ela longamente. Era uma resposta complexa e inusitada, uma coisa que ele nunca havia pensado em fazer.
– E você sabe dessas coisas como...?
– Meu pai é embaixador. Apesar deu quase não o ver, ainda assim aprendi uma coisa ou outra.
Jackson estendeu o braço para ela, e ambos caminharam de volta para o castelo em silêncio.
Se fosse um teste, Natalya não tinha muita certeza de que havia passado.
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Era irônico que ela tivesse sido uma das primeiras a ser chamada para ter um encontro com o príncipe, já que provavelmente Rosalinda era a única que não estava nem um pouco interessada nele.
– Você gosta de cavalgar? – Jackson disse, para quebrar o gelo.
– Gosto muito, apesar de não ter tido muitas oportunidade para fazer isso em minha vida. Sou uma seis, apesar de tudo.
Ele olhou para ela intrigado para a loura. Jackson não conseguia dizer se ela estava mandando uma indireta para ele, ou se estava apenas sendo sincera.
– Bem, agora você é uma três.
O silêncio voltou a se instalar. Era um silêncio estranho, o silêncio mais barulhento que ambos já tinham escutado.
– Você tem família? – Jackson já estava ficando irritado com aquele joguinho.
– De certa forma podemos considerar que sim – Rosalinda não revelaria nada para ele, não naquele momento.
– Como assim? – ele pressionou.
– Eu não os conheço, mas suponho que estejam por aí em algum lugar.
Silêncio novamente. Caminharam até embaixo de uma árvore, onde se sentaram. Era engraçada a forma com que o príncipe agia como um plebeu, alguém da casta quatro ou cinco. Isso deixava Rosalinda intrigada. Ela estava esperando um mauricinho pomposo e arrogante, não um cavalheiro inteligente e com um senso de humor razoavelmente agradável.
– Você tem um sotaque engraçado. De que província você veio?
– Noruécia.
– É sulista, uhn?
– O que você quer dizer com isso – perguntou ela, um pouco defensiva.
– Apenas que você nasceu no sul.
Rosalinda teria de tomar mais cuidado daqui para frente. Um passo em falso e tudo estaria arruinado.
Foram até os cavalos, e Jackson lhe mostrou os cavalos que poderia escolher.
– Essa é a minha, se chama Nyx – disse, apontando para uma égua negra e forte. Era linda, mas parecia perigosa para alguém com pouca experiência com cavalos.
– E aquele? – Rosalinda apontou para um cavalo menor, marrom. Ele era manso e dócil, e a garota foi fazer carinho nele.
– Ah, este é o Pippin. Quer montar nele?
– Quero! Ele é lindo.
Jackson a ajudou a subir em cima do cavalo e a ensinou os comandos básicos, depois subiu no seu próprio e cavalgaram por algum tempo. Pararam ao lado de um coreto*. O príncipe desceu do cavalo e, como o bom cavalheiro que era, foi ajudar Rosa a descer.
A garota, certa de que conseguiria descer sozinha, começou a passar a perna para o outro lado do cavalo. Quando apoiou o pé no estribo, se desequilibrou, caindo em cima de Jackson.
Seus rostos ficaram a centímetros de distância.
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A garota com quem ele ia se encontrar agora era a mais diferente de todas. Bem, pelo menos na aparência. Seus cabelos coloridos destoavam do ambiente formal do palácio, e ele tinha certeza que a ouviu falar palavrão pelo menos duas vezes.
– Senhorita Sarah, gosta de música?
– Pode me chamar de Sarah. Eu gosto de respirar? – ele riu com a ironia dela. Sarah era enérgica e animada, não gostava de ficar sem fazer nada por muito tempo. Quando ele ofereceu o braço a ela para poderem caminhar juntos ela aceitou, mas logo se soltou para poder caminhar livre.
– Ha ha. Muito engraçado – apesar de tudo, ele riu – o que você fazia na sua província?
– Era produtora musical, como meus pais. Mas sempre gostei mais de arquitetura! Por falar nisso, o palácio é uma das construções mais belas que eu já vi!
A animação dela o deixava feliz, era bom conversar com alguém tão sorridente e animada que não tinha medo de ser ela mesma.
– Porque pintou seu cabelo assim? É bonito, mas diferente.
– Pintei exatamente por isso. É bonito, e eu gosto. Nenhuma razão especial. Não sou uma rebelde sem causa nem nada do tipo.
Eles se sentaram em um banco, onde Jackson sabia que Maxon e America haviam se encontrado pela primeira vez. Naquela noite fatídica que definiu toda a relação deles.
– Você acredita em amor a primeira vista? – perguntou ele, curioso. O príncipe gostaria de saber se seus pais haviam se apaixonado imediatamente. Além disso, perguntar sobre o amor era uma boa forma de conhecer as pessoas.
– Por quê? Já se apaixonou por mim? – A morena sorriu, aquele sorriso de moleca que vivia aparecendo em seu rosto – acho que não. Quer dizer, pode existir atração física, mas amor... Para amar alguém você tem que conhecer a pessoa, tem que saber como ela age, quais são seus pensamentos... Do contrário, você está se apaixonando por uma ilusão.
– Acho que o amor a primeira vista é bonito. Você se apaixona por alguém sem nem mesmo conhecê-la, e tem que aprender lentamente a aceitar suas qualidades e defeitos.
Sarah riu dele, como se ele não fosse o príncipe. Era fácil se esquecer disso quando Jackson tirava a máscara de príncipe frio e polido.
– Pare de rir!
– Ah, isso é uma ordem, Sr. Príncipe?
Ele olhou para ela irritado e bufou.
– Você é ridícula!
– Ah, sou é?
– Sim!
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Jackson já estava dormindo quando começou a ouvir um barulho no corredor. Eram como passos, como alguém que está tentando ser silencioso, mas só está fazendo mais barulho.
Curioso como era, resolveu sair do quarto para procurar a origem do barulho. Estava intrigado o porquê dos guardas não terem parado o invasor.
Colocou o robe* e saiu do quarto, seguindo os passos. Os guardas não o interromperam, já que era o príncipe e não devia explicações a nenhum deles. Os passos o levaram até a cozinha, o que era curioso. No palácio haviam várias coisas para roubar, e a cozinha não era o local onde as mais caras ficavam.
Jackson acendeu as luzes. Olhando para ele com uma cara assustada estava uma menina loura com cara de anjo e lindos olhos azuis.
– Eu... – começou ela.
– O que...? – ele estava curioso, confuso e com sono. O príncipe se lembrava do rosto dela entre as selecionadas, mas não sabia seu nome.
– Eu queria fazer uma torta – ela murmurou.
– Uma o que? – nada que aquela garota falava fazia sentido. Torta?!
– Torta. De maçã?
– Você está me perguntando? Como passou pelos guardas?
– Os guardas da minha porta estavam dormindo – ela falou, como se fosse a coisa mais normal do mundo – quer me ajudar?
Em um minuto ela já tinha colocado a farinha, os ovos, o açúcar e as maçãs em cima de uma bancada, e começava a procurar as outras coisas que precisaria.
– Senhorita...
– Arya.
Agora ele se lembrava: Arya, casta três. Seu sobrenome era alo parecido com Raygan. Talvez Reagan, ele não sabia.
– Bem, Arya, eu não acho que seja uma boa ideia.
– Porque não? Porque provavelmente você vai ter problemas por isso.
– Só se você contar para alguém. Agora, vai me ajudar ou não?
Ambos começaram a preparar a torta, embora Jackson mais atrapalhasse do que ajudasse.
– Mistura a massa!
– Sim, senhora – ele disse, rindo dela. Arya cozinhava muito bem, e provavelmente ficaria irritada se saísse errado.
– Você está fazendo errado! Minha massa! O que você fez com a minha massa?! – os olhos dela estavam desesperados.
– Calma, querida. É só uma torta. – ele começou a rir.
Arya nunca tinha feito uma torta que não ficasse perfeita. Suas tortas eram as melhores da província.
– Só uma torta? Seu... – e jogou um monte de farinha na cabeça dele.
– Quantos anos você tem? Isso não vai ficar assim! – ele falou, pegando um copo de leite e jogando na cabeça dela.
Ficaram nisso até o amanhecer, quando decidiram que seria melhor limpar tudo.
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