The Olimpians – Livro 4: The Last Crown
1 Um Presságio Momentâneo Pode Ser Pior Que Uma Profecia.
Notas iniciais
Teresa
05 de Dezembro
Acordei agitada.
Eu lembrava daquela sensação como nunca antes, era mil vezes mais forte que das outras vezes e dessa vez foi apenas por um segundo.
Aquilo sim foi diferente.
Não durou, não ficou e eu não sentia mais.
Foi um momento e depois nada.
Só que foi o suficiente para me acordar ofegante pelo susto.
O que eu poderia fazer agora ou como?
Eu sabia o que aquela breve sensação significava e de onde ela vinha.
Havia começado e não poderia fazer nada, dessa vez era muito maior do que tudo que eu poderia um dia ter sonhado.
Senti um braço me envolver pela cintura e o calor do braço dele contra a minha pele igualmente quente fez as chamas surgirem como um verdadeiro incêndio.
—Teresa, eu sei que para te acordar desse jeito é importante, mesmo assim existe alguma chance de você voltar a deitar até daqui algumas horas? –Apolo estava sonolento, mas ainda sabia o que queria e quando queria.
Aquilo me fez rir.
Ele podia ser um deus galinha e um tanto infantil, mas era sempre a mesma pessoa comigo e essa era a melhor e maior estabilidade da minha vida desde que nasci. Apolo e os nossos filhos.
—Já vou voltar a dormir. Só preciso ver uma coisa e já volto.
—Acho que as meninas ainda estão dormindo, mas tudo bem.
Eu não precisava falar para ele o que eu queria ver, Apolo sabia que se eu disse que já voltava era porque falava a verdade. Era nosso pequeno acordo.
Levantei pegando o hobby de seda branca que estava no sofá do quarto, sai para o corredor até o quarto vizinho decorado com pequenos Sóis, nuvens, Luas e Estrelas onde as duas camas estavam perfeitamente quietas.
Tudo o que eu podia ver da porta era o pequeno e lento movimento das cobertas levantando e abaixando com as respirações.
Andei até o meio das duas camas e observei as minhas pequenas filhas dormindo tranquilamente, duas pequenas deusas muito exigentes. Amaterasu e Tsukuyomi conseguiam ser mais exigentes que muitos deuses nos seus piores dias, além de serem realmente duas crianças lindas e dizer isso pode soar estranho, mas é verdade.
Respirei fundo e andei um pouco mais entre as duas camas para ver melhor os rostos das minhas meninas.
Não posso dizer que minha vida é um mar de rosas ou mesmo que minha relação com Apolo não tem seus momentos de crise, embora isso seja realmente raro. Mas meus filhos são tudo que eu poderia sonhar para que a perfeição de tê-los ali baste para a minha vida toda.
Os cachos vermelhos alaranjados dos cabelos delas são realmente mais claros que os dos irmãos, mas a cor da pele de ambas é idêntica. Amaterasu tem a pele cor de ouro e os olhos cor de prata como Ryuu, algo que parece ser definido pelo poder que usam ser relacionado ao Sol, e Tsukuyomi tem a pele cor de prata e olhos cor de ouro como Yue, algo sobre a Lua. Particularmente Ártemis adora as duas, mas ela é uma tia bem coruja com os outros três.
Continuei olhando alternadamente para as duas sem tocá-las, ou ambas despertariam e aquilo viraria o caos.
Elas estavam tão relaxadas e dormiam tão profundamente que seus rostos redondos de criança pareciam ainda mais fofos.
Suspirei cansada.
Saber que essa paz poderia ser colocada à prova muito em breve me deixa mais tensa a cada segundo.
—Teresa. -Ouvi um sussurro da porta do quarto e quando virei Apolo estava parado lá com Easley ao seu lado.
Fui até a porta e fechei a mesma cuidadosamente e me virei para os dois já no corredor.
—O que foi? –Algo me dizia que aquilo não era um bom presságio.
Easley mudou o peso do corpo várias vezes, como faz quando fica ansioso ou nervoso, algo que fez muito no dia do próprio casamento.
—Melindra me pediu para te dizer que teve uma sensação. –Easley não parecia muito confortável em dizer aquilo.
—Mas ela está bem? –Aquilo poderia interferir mais do que qualquer coisa na gestação avançada da minha nora.
—Sim, ela e o bebê estão bem. Só que ela ficou bem agitada me dizendo para vir confirmar se você tinha sentido e eu precisei chamar Hera com urgência para acalmá-la enquanto vinha aqui.
Precisava rir daquilo.
Minha nora é única mesmo.
Olhei para meu filho mais velho e segurei sua mão nas minhas.
—Tudo bem. Diga a Linda para relaxar e se acalmar. Sim, eu senti a agitação, só que agora... Só me cabe esperar, assim como sempre tive que fazer e vou ter que fazer mais uma vez. Mais do que nunca, agora é deixar nas mãos do destino.
Easley assentiu, depois me deu um beijo na testa e um rápido abraço em Apolo antes de sumir das nossas vistas em um breve redemoinho de fogo.
—Ele realmente ama aquela garota. –Apolo comentou distraído.
—Ela esperou mais de mil e quinhentos anos para que ele pudesse amá-la sem medo. Easley, mais do que os irmãos, sempre teve muito medo de se relacionar com uma mulher. Ele sempre achou que se Hefésto me largou por tão pouco, como filho do ferreiro, acabaria fazendo o mesmo com qualquer relacionamento que tivesse. –Falar aquilo me deixava triste, mas mesmo assim era a verdade e meu próprio filho já havia me falado isso mais de uma vez.
—Ainda bem que Melindra não apenas esperou ele nascer, como estar pronto para ela. Mesmo que no final as coisas se resolveram de uma forma que eu não esperava. –Apolo me abraçou por trás me pressionando contra seu corpo enquanto envolvia minha cintura com seus braços. –Acho que eu entendo um pouco como ela se sentiu quando eles enfim se entenderam e, no final das contas, esse tempo que ela precisou esperar a mais é culpa dos seus genes divinos, isso eu garanto.
Aquilo me fez rir e Apolo me pegou nos braços seguindo até nosso quarto.
Mas eu tinha certeza que a última coisa que meu marido pretendia agora era voltar a dormir e isso de certa forma era muito bom.
—
—
—
Continua...
Fale com o autor