The Olimpians – Livro 4: The Last Crown

10 Começamos Os Preparativos Para Nossas Mortes.


Notas iniciais
Tô atrasada, sumi, não postei e não avisei, sei de tudo isso. Peço desculpas, mas fiquei atolada em tudo e mais um pouco. Estou estudando para provas, meu trabalho é o dia todo, tô fazendo curso Técnico, peguei Covid (pela terceira fucking vez), depois peguei uma infecção de nariz (saiu sangue), me intoxiquei com remédio (e ganhei 11Kg como consequência disso e mais uma tonelada de problemas, um perigo), tô toda arrebentada de tudo que fiquei doente e ainda fiquei travada em The Olimpians (infelizmente), agora Marvel deu uma parada (o que é falta de tempo muito mais do que de ideias). Então, vamos ao que importa de verdade. 1 - The Olimpians vai receber 1 (UM) capítulo e volta pro hiatus (ainda não tem nada além dos 11 capitulos iniciais prontos, preciso de mais tempo); 2 - Vou TENTAR postar mais de Marvel esse mês para compensar meu sumiço, MAS meu semestre vai ser corrido (começo de TCC), então talvez eu suma até o fim do ano em algum momento, mesmo assim vou tentar postar um pouco nos próximos meses (eu tenho bastante material para trabalhar essa fic por hora); 3 - Eu AINDA respondo comentários, mesmo quando não tenho tempo nem pra respirar eu tenho tempo para os meus leitores (sim, sou dessas autoras que sabem a importância de um leitor que para para comentar e acompanhar uma história); 4 - Pode ser que eu suma sem viso prévio novamente (embora eu não goste disso, mas gente, realmente tem dia que mal consigo pensar direito). Duvidas? Comente ou mande MP. Por hora, vamos ao capítulo. Aproveitem e... BOA LEITURA!

Melindra

15 de Fevereiro

Na manhã da partida, eu e Hades resolvemos reunir nossos times.

Vamos trabalhar em dois grupos, mas somos uma única equipe, além do que, tínhamos problemas em comum para resolver com nosso pessoal. Então era melhor lidar com isso de uma vez.

—Agradeço a todos por virem tão cedo. –Hades tentava soar mais amigável que o normal. –Como já explicamos antes, os times de busca tem que sair pelo menos uma hora antes, então não quero enrolar demais nas explicações. –Todos concordaram. –Agora vamos para o Hades, onde vamos usar a passagem especial que Nix tem no meu palácio como principal acesso ao castelo dela, abaixo do Tártaro. Sugiro que todos sigam as orientações sobre como se mover naquele lugar à risca, sob risco de uma morte muito pior do que os seus piores pesadelos.

—Além de tudo isso, mais um detalhe importante, especialmente para aquelas que estão deixando crianças pequenas para trás. –Pude notar a atenção extra de Vivian, Lizandra, Lilliel, Lana e Néra enquanto falava. –Não sei de quanto em quanto tempo vamos poder mandar uma de cada grupo para a superfície ver as crianças, eu mesma não tenho ideia de quando vou rever minha filha já que sou a chefe de um desses grupos, então estejam preparadas para tudo. –Todas pareciam ainda mais tensas e preocupadas. –Sei que algumas ainda têm filhos com meses ou dias, que precisam do leite materno, por isso pedi que Kaíros e Nix façam um grande favor pessoal e nos garantam uma forma de mandar esse leite para as crianças. Então levem equipamento para isso e quanto aos recipientes os dois já concordaram em ajudar com isso também. –Vi olhares aliviados em todo o grupo, incluindo nos pais das crianças, que provavelmente estavam preocupados com todos os detalhes possíveis.

—Sabemos que vai ser difícil fazer tudo isso e, por vezes, sacrificar o contato com pessoas importantes para cada um, então tenham em mente não perder o objetivo dessa missão: garantir que essas pessoas que amamos tenham um futuro. –Dessa vez, mesmo com as palavras duras de Hades, todos reagiram, atentos e determinados.

—Agora vamos, o começo da nossa jornada não vai ser mais fácil só porque Hades está nos guiando pelo submundo. –Alertei guiando todos enquanto o deus dos Mortos abria caminho.

Todos concordaram, já completamente alertas e caminhamos para a escuridão.

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Reyna

Não foi uma escolha, apenas decidimos não sair do acampamento Meio-Sangue antes da missão, então, não foi surpresa que Ethan estivesse dormindo mesmo com a minha mensagem a dois dias de que o Olimpo estava um caos (até por que ele provavelmente não tinha dormido direito nos dias anteriores por causa disso).

Frank e Hazel estavam ali para ajudar, enquanto Minerva supervisionaria tudo e eu seria o meio termo (ou algo do tipo) para as preparações.

Explicar os detalhes para o meu amigo foi fácil, Ethan se prontificou a fazer tudo que pudesse para ajudar, o problema é que precisaríamos de uma reunião com o Senado, o que sempre gera mais confusão do que solução no começo.

Dito e feito.

No momento em que viram Minerva, metade dos presentes ficou descontente e quando disse que estávamos trabalhando com os gregos para proteger uma deles… É, não foi animador.

Eu sei, vocês devem estar se perguntando: como tudo isso continua acontecendo se agora os dois acampamentos são amigos?

Amizade não funciona de forma tão simples e nem todos conseguem se dar bem com os gregos de forma natural. Ouso dizer que casos como eu e Piper, minha amizade com Lana e Leon, Frank e Hazel com Nico, Percy e Annabeth ou mesmo os membros da Linhagem são muito raros.

Aprendemos a nos suportar e auxiliar, então nem todos gostam de algo mais do que entregar mantimentos em casos de emergência. Ainda assim, na maior parte do tempo estamos mais para colegas de classe que não lembram que estudam juntos, se é que podemos colocar assim.

Por isso levou um pouco mais de tempo até eu conseguir explicar o que realmente estava acontecendo com Galatea e quando consegui, bom, todos queriam pegar suas armas e montarem guarda no acampamento Meio-Sangue para proteger a garota. Então eu tive que dissuadir os legionários disso, explicando que a missão não ficaria parada e que alguns dos nossos já estavam na escolta. Isso me tomou mais ou menos umas duas horas de reunião até conseguir encarar Ethan que ficou ao meu lado.

—Agora, com tudo esclarecido, vem a nossa parte: preparar todos os legionários para lutar e morrer se for necessário. Seremos parte da linha de frente durante o parto no Olimpo e, mais do que nunca, precisamos assegurar nossas fronteiras para quando a missão passar por aqui, por que não se enganem, eles virão passar alguns dias aqui e esse pode ser o pior momento que esse acampamento já viu.

Notei que vários dos nossos estavam amedrontados.

—Quanto tempo a missão deve durar? –Vi que era Zachary e sorri satisfeita.

—Cerca de cinco meses e meio, mais ou menos.

—E eles devem ficar aqui por quanto tempo? –Ele estava preocupado, mas objetivo.

—Acredito que uma semana, talvez um pouco mais ou menos dependendo do que acontecer.

—Você acha que podemos fazer isso enquanto Mark está fora, caçando os monstros que comentou?

—Não temos escolha Zack. –Todos me encararam surpresos pelo uso do apelido. –Ou fazemos tudo isso e ainda nos preparamos para a viagem ou a Coroa de Júpiter vai morrer e tudo estará perdido.

—O que é tudo? –Um legionário mais novo se arriscou.

Engoli em seco e, por fim, fui tão direta quanto precisava.

—A porra do mundo inteiro.

E como nem Minerva ou Frank e Hazel me desmentiram, a reunião foi encerrada e todos colocados para trabalhar o mais rápido possível sem precisar de mais nenhum detalhe além de que estávamos em estado de guerra.

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Clarisse

Você não vai fazer omeletes sem quebrar a porra dos ovos.

Então coloquei todo mundo em treinamento intensivo.

Vamos lá, todo mundo aqui sabia que uma missão impossível foi entregue a mais de cinquenta pessoas a dois dias, se eles pensaram que não sofreriam na minha mão para ajudar quando a hora chegasse, foi por que eles são burros.

Ares não é muito de estratégias, mas eu tenho aprendido um pouco, então deixei ele encarregado de ajudar Jack nos treinos, meu pai ficaria com a esgrima e o filho de Hermes com o corpo a corpo.

Separei os mais novos do acampamento dos mais velhos e ninguém com menos de quatorze anos iria para as linhas de frente sem um bom motivo, todos treinariam, mas não teriam as mesmas funções.

Os menores ficaram com a parte de mover nossos equipamentos, manter tudo limpo e organizado, ajudar o chalé de Apolo, servir de suporte nos cuidados dos campistas do submundo e tudo mais. Eles ainda tinham que ser fortes e estarem preparados, afinal o perigo poderia aparecer a qualquer momento e nada poderia ser mudado, então o treino era obrigatório para eles continuarem em forma e capazes de se defender. Apenas defini que a carga de treino seria a metade dos demais.

No começo os mais velhos não gostaram, mas quando deixei claro que os menores trabalhariam tanto ou mais do que eles, todos se calaram. Também deixei bem claro que para quem quisesse me desafiar sobre a questão era só me derrotar em um combate individual direto.

No final do dia, quando a maioria dos campistas parecia mais morta do que viva devido ao primeiro dia de treinos, Steven, do chalé de Hécate, veio falar comigo.

—Acha mesmo que tudo isso vai nos ajudar?

—Não vai atrapalhar, mas estou aberta a sugestões se acha que pode ter uma ideia.

Ele pareceu pensar.

Lembrei que Steven era um dos mais velhos e também um dos primeiros a vir para o acampamento quando a promessa de reconhecer os filhos foi feita. Alguns ainda vinham tarde para o treinamento, às vezes porque a família pagava por proteção e outras porque a mãe não deixava a criança vir.

—Vamos seguir o que você quer fazer, mas vamos dividir um pouco os treinos por especialidades. –Indiquei que ele continuasse. –Meu chalé vai treinar a parte física, só que menos que o de Ares, e essa diferença de tempo vamos converter em produzir poções, magias protetoras e de cura em amuletos, tudo. Vai ser nosso martírio pessoal.

—Acha que podemos conseguir isso com os outros chalés? –Perguntei séria e ele pareceu surpreso.

—Aprova a minha ideia?

—Sim, é boa. –Ele me encarou por alguns segundos. –Steven, pode não parecer, mas tenho que manter vocês vivos e fortes para ajudar quando a missão precisar, então eu preciso de boas ideias.

—Obrigatoriedade do treino extra de arco e flecha para os membros do chalé de Apolo que não estão na enfermaria. –O rapaz soltou assustado. –Aumento da produção de armas de qualidade pelo chalé de Hefésto e… –O garoto parecia apavorado, então segurei seu ombro de leve. –Eu…

—Respira. –Ele concordou. –Agora vamos beber um refrigerante com Misty e Jack, tenho certeza que ambos podem nos ajudar com o planejamento.

—E o senhor Ares?

—Meu pai foi descansar, não precisa se preocupar.

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Melindra

Aparatamos em uma paisagem familiar e ao mesmo tempo completamente nova.

Todos pareciam confusos com as árvores e o clima quente, muito diferente do frio que fazia no acampamento Meio-Sangue.

—Onde estamos? –Percy tomou a frente se preparando para o que poderia vir.

—Uma ilha no Brasil. –Notei a surpresa dele. –Essa ilha foi comprada há muitos anos das divindades nativas daqui, uma espécie de refúgio de férias para os gregos. Um dos nossos semideuses detém a posse legal dela para os mortais.

—Por que não estou surpreso com isso? –O filho de Poseidon estava certo.

Existem poucas coisas sobre os deuses que surpreendam outros deuses e ele nos conhece relativamente a bem mais da metade da sua vida.

—Bom, o importante é que podemos ficar por aqui por alguns dias antes de uma nova partida.

—Imagino que o ideal é preparar turnos de vigilância e dividir as tarefas para manter todos prontos para uma fuga. –Concordei com ele. –Caso alguém fique para trás na evacuação de emergência, o que vai acontecer?

—Isso é algo que não sabemos. –Ele me olhou desconfiado. –Vamos colocar assim, se a pessoa ficar para trás em um ataque de monstros, quais as chances dela estar viva quando Kaíros conseguir buscá-la? –Percy pareceu entender. –Se for apenas uma fuga, pois os monstros estão se aproximando, as chances serão maiores, mas se o ataque já estiver em andamento, não sei dizer se será um resgate ou recuperação de corpo.

—Não, eu entendi. Na verdade estou sendo ingênuo. –Ele parecia chateado. –Esqueci que essa não é uma situação como a nossa, onde você podia cuidar de quase tudo. Temos muito mais pessoal do que quando Annabeth estava grávida e, mesmo com a divisão para as buscas, ainda temos muito mais do que seis pessoas.

—Eu entendo. –O filho de Poseidon me encarou. –Também queria que as coisas fossem mais simples, como foram da última vez.

Ele fez uma pequena careta.

—A senhora faz parecer que quase não morremos.

—Eu não morreria.

—Às vezes eu odeio você.

Aquilo me fez sorrir.

—Eu sei. –Notei que Annabeth estava chegando com Pipper, Chris e Will ao seu lado. –Algum problema? –Resolvi não enrolar.

—Não, por hora estamos tranquilos. –A jovem deusa hesitou. –A senhora disse que tem um complexo na ilha e que vamos usar, mas é seguro?

Confirmei, sem entender a pergunta.

—O que a Annie quer saber é se podemos contar com alguma medida extra de segurança além das nossas armas e pessoal. –Chris foi mais direto.

—Não. –Encarei Pipper e grunhi. –E ela pode ser tirada do grupo de escolta a qualquer segundo dependendo do que acontecer do lado de fora.

—E por que eu teria que sair? Pensei que quem era escolhido não tinha opção. –A McLean não parecia gostar de ouvir aquilo.

—Verdade, mas você tem um dos charmes mais poderosos que existem e se o combinarmos com o poder da Névoa da filha de Plutão… Bom, vamos dizer que nesse exato momento a Névoa está trabalhando a todo o vapor para esconder todos nós e nossa conversinha, entendeu?

—O que significa que eu posso ser solicitada a ajudar Hazel a fazer algo ainda maior. –Piper não precisou de mais detalhes. –Vou me preparar para isso.

—Eu agradeço. Mesmo assim, não se preocupe, temos vários semideuses poderosos ao redor do mundo cuidando para que as coisas continuem escondidas como estão, até mesmo os famosos.

—Não gosto disso. –Ouvi Will resmungar e encarei meu enteado curiosa. –Desculpa senhora.

—Não, eu quero saber.

Ele hesitou, mas acabou respondendo.

—Os semideuses famosos, assim como os legados com poder, são pessoas que estão em um ponto que beiram a divindade mortal. –Indiquei que ele continuasse. –Só que a maioria beira a loucura e a megalomania extrema, quase todos são viciados em alguma coisa e os menos piores são viciados em sexo e pornografia.

—Verdade. –Comentei, o que deixou todos surpresos, então tive que explicar algo complicado. –A maior parte dessas pessoas são relativamente poderosos, alguns filhos e filhas do meu marido ou Afrodite, e quase todos abandonaram os deuses de algum modo. E, em um resumo nada agradável, isso não faz bem à saúde mais do que viver correndo de monstros.

—O que isso quer dizer? –Percy estava confuso.

—Quer dizer que abandonar os deuses completamente causa uma rápida degeneração da mente deles, já que abandonar os deuses para eles significa abandonar a si mesmos. –Annabeth explicou. –Acho que você lembra quando conversamos com meu primo, ele disse que alguns moradores de rua são filhos de deuses, não apenas gregos ou romanos, nórdicos e até mesmo de outros panteões. Muitos deles enlouquecem fugindo do mundo ao qual pertencem, então é só imaginar que uma pessoa com muita fama, que tem o sangue dos deuses e renega essa origem, também vai sofrer os efeitos colaterais, só que de outras formas.

—Então a loucura de um morador de rua é a compulsão por vícios de um artista? Quero dizer, colocando que ambos sejam descendentes de deuses. –Percy olhava para a namorada ansioso.

—Basicamente. –Annabeth me encarou. –Acha que eles vão ajudar?

—Vamos começar por aqueles que não rejeitaram os deuses, depois, se for mesmo necessário, vamos cobrar os outros. –Encarei Rigardo e Galatea com os outros membros da escolta e suspirei cansada. –Sei que eles não são muitos, mas são os mais poderosos que ainda seguem os deuses, não o contrário. Enquanto isso, vamos acomodar nossa gestante antes que algo mais aconteça hoje. Amanhã temos um dia cheio pela frente organizando tudo que ficar em aberto depois da reunião de mais tarde.

—Espera, onde está esse complexo que você falou? –Chris perguntou por fim.

—Na sua frente. –Disse estalando os dedos e fazendo a grande casa aparecer na frente deles, como se sempre tivesse estado ali. –Podem entrar, a porta está aberta.

E assim que eu disse isso a porta se abriu, dando passagem para todos.

Mesmo Annabeth ficou um pouco surpresa em ver aquele lugar pela primeira vez.

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Ártemis

18 de Fevereiro

Já estávamos na ilha a mais de três dias, o que considerei algo bom, afinal não precisar fugir a cada dois dias significava que tínhamos alguma paz para cuidar de outros problemas, como os novatos.

Fiquei encarregada de cinco deles, dois gregos e três romanos.

Apolo estava cuidando do treinamento de Alphonse, Alicia e Edward.

Jason, Dakota e Chris estavam verificando as armadilhas e alarmes ao redor da casa enquanto Will preparava mais garrafas de tônico para armazenar. Galatea assistia Teresa treinar Rigardo e Percy, já Annabeth estava no notebook conversando com alguém sobre planos para a missão.

Encarei os cinco à minha frente e fiz uma careta.

As duas garotas gregas tinham dezesseis anos.

Emily, filha de Phobos, e Andrea, filha de Despina.

Observei elas por alguns instantes.

Emily tinha cabelos escuros e cacheados presos de forma desajeitada, sua pele era de um marrom mais escuro que o chocolate e seus olhos ardiam em chamas como os de seu pai. Ela era alta e magra, mas empunhava uma mistura de machado com lança, talvez uma alabarda, que parecia já ter sido usada por outros guerreiros antes dela. Em seus olhos o brilho do poder de Phobos era evidente, então eu tomei cuidado na hora de encará-la.

Andrea era quase o oposto em muitos aspectos: tinha cabelos brancos e lisos perfeitamente trançados, profundos olhos azuis gélidos e mesmo a pele levemente acastanhada era tão pálida que poderia confundir alguém desavisado. Ela também era alta e magra, empunhando uma lança, seu olhar era selvagem e indicava claramente o perigo de se aproximar demais, assim como sua mãe.

Os romanos tinham dois garotos e uma garota.

Dana tinha dezesseis anos, cabelos e olhos castanhos, pele acastanhada no mesmo tom que Pipper e um sorriso contagiante, exatamente como Íris, a deusa do Arco-Íris, sua ancestral. Ela tinha um gládio e não era alta, talvez até um pouco baixa se comparada aos demais, mas parecia capaz de lutar tão bem quanto qualquer outro.

Darren, de dezessete, tinha cabelo crespo, olhos castanhos esverdeados, sua pele um pouco mais clara que a cor do chocolate, parecido com Lilliel, e era neto de Austro, o deus do vento sul. Ele também era alto, mas robusto, agitado, e, como a fornalha de uma locomotiva, parecia exalar calor sempre que se movia. Eu sabia que não precisava me preocupar com ele em uma luta.

Sean, o outro romano de dezessete anos, tinha cabelos e olhos castanhos claros, sua pele bronzeada denunciava as horas que passava trabalhando sob o sol, mas seus olhos demonstravam uma certa competitividade, exatamente como sua mãe, Vitória. Ele parecia um legionário padrão, nem alto demais, nem baixo, estava no peso ideal para ser um obstáculo para os inimigos, provavelmente já esperando ser deixado pelos aliados para não perderem tempo. Ele sabia sobreviver, algo que a cicatriz que seguia da sua bochecha até o peito denunciava.

—Imagino que já sabem o por que preciso avaliar os cinco hoje, certo? –Todos concordaram. –Então, vocês vão lutar comigo e depois me dizer o que podem fazer, por isso espero que não mintam, já que não quero demonstrações das habilidades perto da casa e nem agora. Se mentirem e isso prejudicar a missão eu mesma vou matar o espertinho que me causar problemas, entendido? –Outra confirmação. –Então vamos começar.

Não foi difícil, eu não facilitei e me mantive acima do nível deles, mas alguns me surpreenderam.

Emily, apesar da impulsividade, conseguia pensar com clareza e era uma boa guerreira, superior até mesmo ao seu pai; seu poder era o mesmo de Phobos, embora mais fraco, não durando muito tempo. Sua maior qualidade na hora de se mover era a agilidade, que fazia com que ela pudesse se recuperar muito rápido das mudanças na hora da batalha. Eu precisava garantir que isso fosse mais explorado sem deixá-la negligenciar as outras áreas.

Andrea não se movia sem necessidade, o que era tanto uma qualidade quanto um defeito, ela parecia não conseguir interagir com as pessoas e ser muito independente, o que para uma filha de Despina podia ser um problema. Seu manuseio da lança era muito bom, só que às vezes ela hesitava em momentos cruciais, o que era perigoso para a sua segurança. Isso me deixou desconfiada que ela pode não ser uma pessoa muito confiante. Andy, como disse que queria ser chamada, podia invocar neve, uma bem fria e incomoda, capaz de causar problemas para os seus alvos… É, igualzinho a mãe.

Dana foi uma surpresa, já que eu não esperava que ela lutasse tão bem e isso quase me fez cometer um erro, mesmo assim isso me deixou feliz. Ela era rápida e esperta, sabia se virar em meio a imprevistos e se adaptar às mudanças com uma facilidade assustadora. Se fosse encontrar alguma falha seria a força dos golpes, os quais nem sempre eram potentes o suficiente para afetar o inimigo de forma completa ou fatal, o que não era um problema de verdade. Dana podia criar algumas ilusões usando a refração da luz nas gotículas d’água presentes no ar, segundo ela seu poder tinha mais relação com a água e por consequência com os pais de sua ancestral: Oceano e Tétis.

Darren foi… Abafado, literalmente. O garoto era um legado romano, mas também grego, como Frank, e ainda por cima tinha Austro e sua contraparte grega, Noto, como ancestrais diretos, sendo Austro o mais novo; então, sempre que ele se movia, seu corpo parecia gerar ar quente, foi irritante. Ainda assim, fiquei feliz em ver que o romano podia lutar com o gládio de forma satisfatória, mas sua especialidade era lutar com facas e corpo a corpo com o uso dos punhos, tanto que tinha uma arma adaptada com um soco inglês de ouro imperial no cabo, para fazer as duas coisas sem precisar trocar o equipamento. Sua habilidade, segundo o próprio, era gerar ar quente, muito mais do que ele já gerava, o que às vezes podia causar incêndios acidentais quando estava em regiões secas. Eu agradeci pelo aviso.

Sean foi o pior, sem brincadeira. Parecia que eu estava lutando com a mãe dele e, não importa a versão, Vitória é um pé no saco de todos os deuses em competições (ainda lembro de uma vez em que estávamos competindo para ver quem era o mais idiota e ela ficou irritada por perder para Hefésto). O garoto não queria aceitar que eu tinha ganho o treino de avaliação. Eu posso lidar com o ar quente de Darren ou o olhar do medo de Emily, mas fiquei muito tentada a matar esse garoto. Felizmente (eu espero), ele é um excelente espadachim, o que não deve me dar nenhum trabalho para aperfeiçoar suas habilidades, aparentemente o garoto herdou habilidades relacionadas ao avô, Palas, deus dos guerreiros.

Levei mais tempo do que esperava para decidir o que fazer com os cinco e por fim os dividi em dois grupos.

Coloquei Sean com Emily, esperando que a vontade dele de ganhar balanceasse a impulsividade dela e o olhar do medo dela controlasse o excesso de confiança dele.

Darren, Dana e Andy estariam juntos para tentar manter uns aos outros sob controle; minha esperança era que o poder de Dana fosse fortalecido ao ficar em meio a dois extremos, o frio congelante de Andrea e o calor abafado de Darren, enquanto esperava que os dois ajudassem um ao outro a manter seus poderes calmos.

Não era uma ciência exata e eu estava tomando um caminho potencialmente perigoso, ainda assim era a minha escolha e minha responsabilidade lidar com os cinco.

E no mais, o que de pior pode acontecer?

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Nix

19 de Fevereiro

Encarei a imagem onde o trio que Ártemis havia juntado treinava de forma exaustiva para conseguir combinar suas habilidades ou, se preferir, tentar não atrapalhar um ao outro no meio da luta. Isso me fez questionar se a deusa da Lua tem a mínima ideia do que desencadeou quando juntou esse grupo ou colocou o filho de Vitória com a filha de Phobos.

Um sorriso de diversão pura me escapou e recebi um olhar duvidoso da semideusa ao meu lado.

—A senhora está espiando a missão novamente, não é? –Havia um claro tom de reprovação na voz dela.

—Não posso evitar, Arty acabou de criar uma situação divertida e nem imagina o que a aguarda. –Sorri da forma mais cínica possível. –Para uma deusa casta, essa garota vive se metendo em problemas que envolvem amor e ódio.

—A senhora é terrível.

—Provavelmente. –Observei Ashlley com calma. –Aconteceu algo?

—Não de verdade, apenas Kaíros pedindo para conversar com a senhora na superfície. –Ela fez uma careta. –Ele não disse sobre o que era e como os outros lados da missão ainda estão calmos…

—Entendo, eu irei ver o que meu sobrinho deseja. –Levantei de meu trono seguindo para uma das portas que levaria ao mundo exterior. –Pode cuidar das coisas até eu voltar?

—Sim. Lear e Rey estão dormindo, Hal resolveu usar a biblioteca, Akihito está cuidando da segurança e Brianna foi junto.

—Isso é bom. –Vi que Ash não entendeu. –Enquanto pudermos ficar nessa calma, significa que o perigo não chegou, quando não tivermos tempo para esse tipo de coisa, aí sim será preocupante de verdade.

—E o excesso de calma não a preocupa?

—Com certeza, mas não tem nada que possamos fazer além do que já estamos fazendo. –A porta se abriu e dei um passo adiante. –Não se esqueça de comer, Ashlley.

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Encontrei Kaíros em uma doceria na costa leste, onde a noite já começava a tomar o céu.

—Devo ficar preocupada com o seu pedido? –Ele negou com um sorriso enquanto me sentava à sua frente. –Então, o que ouve?

—Tive uma conversa com as outras “Coroas”. –Indiquei que ele continuasse. –Eles pareceram aliviados de finalmente cumprirem suas funções e ficarem livres desse problema, o que imagino que é culpa nossa.

—Verdade.

—Em todo o caso, eles me pediram para ver com a senhora sobre garantir um tempo extra, para terminarem os preparativos.

—Ah, sim. Eu imaginei isso, então já negociei isso a alguns anos, por precaução.

Kaíros não questionou, apenas se serviu de outra garfada do bolo sobre a mesa.

Ver meu sobrinho quieto e sério daquela forma não era comum, já que, mesmo quando eu o provocava, Kaíros fazia as caras mais engraçadas do mundo, sempre reclamando e resmungando como uma criança. Vê-lo tão apático era algo estranho, quase errado.

—O que você tem?

Ele me encarou um pouco triste e sorriu.

—Apenas me preparando para o que vem por aí. –Uma risada irônica lhe escapou. –Porque vai doer muito.

Eu não discordei.

—Você sabia disso no dia em que me procurou pedindo por uma saída, por uma forma de assegurar o futuro de todos os deuses greco-romanos. Você sabia que isso aconteceria e que o preço seria cobrado da sua imortalidade, eu te alertei do perigo de tomar esse caminho e você não mudou de opinião.

—E o que eu deveria fazer? Deixar que tudo fosse destruído e colocado ladeira abaixo? –Infelizmente eu não tinha uma resposta para aquilo. –Não tia, alguém tinha que fazer algo. Apenas aconteceu de eu e meu pai termos acesso a essa informação e a senhora concordar em agir, porque se tivéssemos esperado mais… Talvez coisas piores tivessem acontecido.

Eu não podia negar a verdade nas palavras de Kaíros, mas às vezes me pergunto por que um deus tão comprometido e leal precisar passar por tudo isso, como se não fosse digno de se quer ser reconhecido pelo que faz.

—Eu te fiz uma promessa quando você me procurou, quando alteramos o destino e aceitamos pagar o preço pelas nossas mentiras, pelas mentiras que só o próprio Destino conhece e aceitou. Eu vou cumprir essa promessa.

Kaíros sorriu de uma forma triste e dolorosa.

—Eu sei, não estou preocupado com isso.

Ele voltou a comer o pedaço de bolo de forma mecânica, com o olhar distante e eu tive pena do destino dessa criança tanto quanto das outras “Coroas”.

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Gray

21 de Fevereiro

Estamos sendo atualizados sobre as datas por Hades e Melindra, que tem uma melhor noção de como o tempo passa aqui, onde quer que aqui realmente seja.

Passamos pelo palácio de Nix há vários dias, ainda que eventualmente voltemos lá para pegar mais suprimentos, isso acontece a cada três ou quatro dias e em geral as Fúrias tentam minimizar o tempo que perdemos com essa parte.

Então, aqui estamos, em meio a nada com lugar algum, no escuro e procurando por algo que nem sabemos onde está.

Mentira.

Eu sei onde estamos, mais ou menos…

Depois dos domínios de Nix, em algum lugar na fronteira do reino de Erébus.

E você talvez me pergunte: isso é ruim?

Bom, não é divertido.

Nix e Erébus dividem aspectos do mesmo domínio, mas se formos classificar, o território da deusa das Trevas Superficiais é como um campo de roseiras selvagens com cactos crescendo descontroladamente, alguns secos e outros ainda vivos. Você se machuca muito por lá.

Erébus… Bom, é como o reino de Nix, só que lá tudo está morto e tudo que está morto ainda está coberto por muito arame farpado.

É doloroso ficar aqui.

Normalmente, como um filho de Apolo, eu não sobreviveria aqui nem por um dia, mas como tenho a benção da minha tia e a lua ocupa parte dos domínios de Nix, isso não me faz tanto mal quanto a um dos meus irmãos, o que não deixa de se desconfortável pra caramba.

—Você parece pálido. –Lilliel tocou a minha testa preocupada. –Não é melhor pedir para Ryuu te ajudar?

Segurei a sua mão e beijei seus dedos.

—Ainda não preciso recorrer ao meu irmão. –Ela pareceu desconfiada, mas era verdade.

Conversei com meus irmãos mais velhos, tanto Yue como Ryuu concordaram que em algum momento eu precisaria ir para a superfície para uma “recarga”, só não agora.

Ryuu ficou de me monitorar e manter Hades informado do meu estado.

Parece que ele também vai precisar voltar em algum momento, assim como Vivian e Carlo, apesar disso, os dois têm vantagens sobre mim.

Meu irmão tem uma ligação tão forte com seu gêmeo, que é como se Yue pudesse canalizar luz do sol para ele. Já Vivian está tão ligada a Perséfone em seus dois aspectos que isso dá a ela uma forma de recuperar suas energias pelo submundo.

Carlo, por outro lado, precisa do sol para manifestar suas habilidades médicas herdadas de Apolo, já os poderes da Linhagem vem dos deuses do submundo, então seu modo de batalha não fica prejudicado.

—Tem certeza disso?

Acabei sorrindo para a preocupação dela.

—Absoluta. –A puxei para um abraço. –Prometo que se precisar não vou hesitar em falar com ele.

Voltamos a observar enquanto Melindra, Easley, as Caçadoras, Hades, Perséfone, Ryuu, Yue e Mark terminavam outra reunião diária.

Eles sempre se reúnem no começo e no final de cada dia para determinar o que faríamos e depois comparar informações, ou a falta delas.

Desde que chegamos as coisas têm sido complicadas.

O domínio de Erébus é grande e traiçoeiro.

Lana não pode correr pelas áreas inexploradas, então sua velocidade fica para patrulha das áreas já mapeadas.

Vivian não tem como manifestar as plantas aqui, assim como Perséfone, e as que consegue acessar… Segundo elas é difícil de compreender o que tocam.

A filha de Éris tem se saído bem quando encontra alguma alma vingativa ou causadora de caos vagando por aqui (elas parecem vir pra cá com alguma frequência), já a de Hécate está fazendo o impossível e o irmão da Lilli é… Sam é Sam, o que significa que ele tem conversado com todos os mortos vagantes e até levantado alguns das tumbas malditas.

Não desmerecendo Emma e Dorothy, por que elas podem ser assustadoras em suas áreas, mas meu cunhado me surpreendeu.

Em minha defesa, o pessoal de Thanatos não fica falando sobre seus dons particulares e a maioria nem gosta de ter um.

Lilliel pode matar uma pessoa só de tocá-la e Sam… Ele é parecido com um necromante.

Eu sei, estranho, mas a explicação dele é mais ainda.

Samuel diz que é uma espécie de sacerdote capaz de invocar os mortos de seus túmulos em momentos úteis ou necessários. Segundo ele, não é como Ares ou Hades e sim algo mais sútil, como coletar informações ou realizar rituais em que os mortos precisam se envolver.

Como eu não entendi metade do que Sam tentou dizer, ele tentou por horas, até chegar nisso, o que é meu melhor chute, eu comparei a um necromante e ele deu de ombros dizendo “pode ser”. Sei que meu cunhado não gostou da comparação, então evito mencionar quando ele faz seu lance e o chamo de invocador, o que parece agradá-lo mais.

Esse foi o principal motivo de eu ter evitado perguntar para Emma e Dorothy o que elas faziam, mas acabei descobrindo mesmo assim.

Emma é uma mediadora e uma provocadora.

Eu sei, irônico.

Aparentemente, Éris pode causar toda a discórdia do mundo, mas seus filhos podem herdar características incomuns e, segundo Emma, ela tem um irmão capaz de plantar sementes e colher frutas de ouro. Fora isso, alguns nascem com dons menores e outros puxam características de seus avós divinos (nesse caso, Zeus e Hera), por isso ela nasceu com o dom da mediação e também da provocação.

Quando Emma quer, ela faz a paz reinar onde está com apenas a sua presença e o mesmo se aplica a sua provocação, só que ambos os poderes se tornam muito mais fortes conforme ela fala e quanto mais alto falar, maior o poder. Isso explica por que ela costuma sentar ao lado do Quirón e escrever bilhetes para ele durante as reuniões do acampamento Meio-Sangue.

Já Dorothy… Ela é uma feiticeira dos espíritos.

Parece bobagem falando assim, mas a garota pode controlar espíritos elementais, o que significa que ela vem invocando e mantendo os espíritos que podem nos ajudar no reino de Erébus desde que chegamos, incluindo os poucos espíritos de fogo que vivem aqui. Dothy também pediu para os espíritos das sombras e das trevas ajudarem nas buscas, o que faz dela um ativo poderoso e muito mais útil do que eu.

Suspirei cansado e encarei Lilliel.

—Quais as chances de termos sorte e essa missão terminar antes de Galatea dar à luz? –Tentei não soar dramático, o que provavelmente foi inútil.

—Já viu a quantidade de deuses, semideuses, legados e Linhagem que essa missão reuniu? –Assenti. –Então querido, isso é só uma ilusão. –Ela notou a minha cara. –Temos a maior concentração de azar por milímetro quadrado considerando as palavras da profecia. Supere.

Eu queria poder retrucar as palavras da minha namorada, só não tinha um argumento decente. Resolvi que nesse caso a melhor opção era continuar abraçado a ela e manter o pensamento positivo no anel de noivado que deixei com minha mãe para quando voltássemos.

Não era a solução, mas vale mais do que ficar pensando que posso morrer a qualquer momento.

Continua...

No próximo capítulo: Deuses São Um Pé No Saco.

Notas finais
Agradecimentos especiais para o comentário da ***Milena Corrêa*** Sei que não tô respondendo seus comentários direito, mas não posso dar spoiler das minhas ideias. Hoje os agradecimentos ficam aqui e até o capítulo onze que tá... Interessante.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.