The Olimpians – Livro 4: The Last Crown
8 Ajudo a Iniciar o Fim do Mundo.
Notas iniciais
Percy
10 de Fevereiro
Por um breve e feliz momento eu esqueci completamente como as coisas podem ficar malucas a um ponto em que nenhuma lógica poderia ser aplicada.
Isso aconteceu no momento em que Quirón me pediu para buscar alguns semideuses no terminal rodoviário de Nova York, o que de modo geral não era a coisa mais estranha do meu dia e até dava um certo ar de normalidade a estranha tensão pairando no ar desde o final do ano.
Claro que eu devia saber que nada é tão estranho que não possa ficar muito pior.
A prova?
Alecto estava escoltando as crianças junto com o sátiro encarregado.
Sim, uma Fúria protegendo semideuses.
Veja o quanto a situação estava ruim sem eu nem saber.
Alecto por outro lado apenas me encarou e resmungou algo como “ordens superiores em tempos de crise”, que foi quando eu soube que de fato existe uma crise.
Cara, eu realmente não tive sorte até agora.
Então, entramos na mini-van do acampamento eu, Alecto no banco do carona, um sátiro e cinco semideuses.
Deuses, foi uma viagem e tanto, o que não melhorou quando Alecto saiu voando pela porta para despedaçar um grupo de monstros a poucos metros do topo da colina meio sangue.
Não questionei aquilo.
Não questionei quando pensei ter visto o vulto de Lana passar por nós ou quando uma chuva de raios começou a vaporizar monstros na fronteira do acampamento ou mesmo quando vi todos os veículos da Linhagem parados perto da Casa Grande.
Eu não pretendia questionar nada daquela situação infernal e completamente maluca, pelo menos até ver Annabeth e as crianças junto com todos os outros deuses naquela sala.
Depois disso eu precisava de respostas, mesmo aquelas que sabia que não iria gostar ou, talvez, principalmente delas.
—O que houve?
Minha namorada hesitou.
—Rigardo e Galatea nos chamaram.
Merda.
—O que eles disseram?
—Que começaram o fim do mundo. –Eu encarei Annabeth em dúvida e ela fez uma careta. –Essas foram as exatas palavras deles, então nós começamos a reunir todo mundo aqui, por que Teresa disse que iria buscá-los.
Grunhi.
—Você ligou pra minha mãe? –Perguntei já vencido pela crise.
—Avisei Sally, não que ela tenha se sentido melhor com o que contei, mas parecia que ter alguma notícia já ajudava.
—A Linhagem foi andar? –Ela assentiu. –Estamos esperando mais alguém?
—Alguns romanos. –Suspirei me sentindo exasperado e Annie notou. –Vá brincar um pouco com as crianças, acho que é bom você ter alguns momentos de paz com eles.
Concordei e logo me vi soterrado de crianças animadas, incluindo alguns da Linhagem, mesmo que em menor número.
Tentei não pensar no que estava por vir, embora de algum modo eu soubesse perfeitamente o que era.
==========X==========
Levou mais tempo do que os deuses aparentemente queriam, mas Teresa apareceu com Rigardo e Galatea ao seu lado.
Curiosamente os semideuses que busquei essa manhã foram mantidos próximos aquela confusão com os deuses.
Que o Caos me proteja.
Ninguém ousou falar nada.
Quirón guiou todo o acampamento para o refeitório onde um lugar para todos os deuses já estava improvisado.
Aquela cena me lembrou de quando a profecia sobre Zöe foi feita.
O dia em que conhecemos Teresa e nossas vidas deram sua guinada mais dramática até hoje (e contando com os Titãs e Gigantes isso é grande coisa).
Observei que dessa vez Teresa e os Três Grandes pareciam esperar algo, e não era Rachel, que estava parada pacientemente ao lado deles.
Tive medo de perguntar quem eles poderiam esperar, mas então eu vi Kaíros e soube que havia começado.
Galatea estava sentada ao lado de Teresa entre ela e Hades, com Rigardo protetoramente parado ao seu lado sob o olhar intenso de Poseidon e o olhar furioso de Zeus.
Ao redor deles era fácil ver o olhar preocupado de Atena e Hera, a apreensão de Afrodite, a irritação de Deméter, a tensão de Ártemis (embora nesse caso eu me pergunte se isso não tem mais relação com Kaíros); Hefésto e Apolo olhavam ao redor como se tentassem vigiar o lugar com Hermes enquanto Dionísio parecia a beira de um ataque dos nervos. Mesmo Ares não parece muito calmo e acho que é um perigo para qualquer um se aproximar dele com aquela faca nas mãos.
E estou focando apenas nos principais, ignorando Perséfone, Héstia e… Parei por um momento reconhecendo a figura sombria ao lado da rainha do Submundo e sentindo meu sangue gelar ao ver Nix.
Eu esperei que algo fosse feito ou falado, qualquer coisa, mas todos permaneceram calados.
Era como se nenhum deles se atrevesse a iniciar a questão, mesmo que todos já soubessem de algo.
Eu encarei Teresa e ela encolheu os ombros em uma mensagem: eu não posso fazer nada, nem eles.
Foi estranho, mas eu entendi: Rigardo e Galatea não poderiam pedir a resposta, eles já tinham. Os deuses não podiam agir, como sempre.
Alguém tinha que fazer o trabalho sujo de começar o maldito fim do mundo oficialmente.
Ah, dane-se.
Dei um passo à frente e sem encarar Rachel, o que provavelmente me faria perder a coragem, olhei para Galatea e Rigardo.
—O que, em nome do Caos, vocês aprontaram dessa vez?
—Ah, merda. Isso não vai prestar. –Teresa resmungou ciente de que estava me devendo uma.
Os olhos de Rachel brilharam mais verdes do que nunca e a névoa verde do Oráculo de Delphos rodeou seu corpo, enquanto sua voz multiplicada soava distante.
“Seis filhos do Amor verdadeiro virão
Os três imortais aos céus acenderão
Uma nova era irá brilhar
E sob seu comando os deuses caminhar.”
Ótimo.
Agora eu sei que estamos na mesma confusão de antes, nada muito assustador.
Droga.
“A filha do Mar e o filho do Inferno irão gerar
A Coroa com direito de o Céu sustentar
Os filhos do Tempo e a Coroa mais antiga devem decidir
O Sol e a Lua precisarão mudar e avançar
Nos Vales da Morte os frutos devem recolher e dividir
E no berço divino seu nome vão proclamar.”
Minha mão queimou e notei que várias outras pessoas também sentiram aquilo, incluindo alguns deuses, o que era preocupante. Teresa foi a única deusa na nossa missão e as coisas não foram muito simples já naquela vez, o que poderia fazer tantos deuses serem escolhidos?
Só que antes que eu tivesse a minha chance, Lilliel e Lizandra se aproximaram e a filha de Thanatos tomou a frente.
—Qual a função da minha família?
Achei que nada poderia ser mais estranho até a névoa se dividir, formando outras duas Rachel’s feitas de fumaça na nossa frente.
“A procura pela origem dos destruidores não está onde se vê, mas onde se vai.
Viajantes devem ir, enquanto outros devem caçar
Alguns devem proteger, enquanto outros devem se preparar
Nem tudo foi contato, nem tudo que foi contado é verdade”
Então uma das esculturas de fumaça desapareceu e eu pensei que as coisas ficariam menos estranhas, até a outra Rachel fantasma começar a falar.
“O destino manipulado deve ser revelado e o preço deve ser pago
Para os escolhidos o caminho deve se abrir para sentarem em seus tronos
Aqueles que não se decidirem vão se arrepender em dor”
E então minha amiga encarou o vazio e me deixou realmente assustado.
“E quando tudo acabar o mundo nunca mais será o mesmo
Nem mortais ou imortais poderão fugir em nenhum panteão”
Eu achei que nada mais poderia ser tão assustador.
—E lá vamos nós de novo. –Teresa suspirou.
—Droga. Fudeu. –Leon
—Garçom, outra rodada de quase morte. –Lilliel
É claro que eu estava errado.
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Annabeth
Depois que a profecia foi proferida (junto com todos os avisos bizarros que a Linhagem pediu), eu comecei a lista de participantes da missão.
Comecei com a maioria esmagadora dos membros da Linhagem, que inclui todos os seus parceiros (até os divinos): Lilliel, Gray, Lizandra, Leon, Carlo, Lana, Misty, Jack, Vivian, Ryuu, Melindra, Easley, Ashley, Halley, Lear e Reynald, isso antes de as coisas começarem a ficar estranhas.
Akihito (o mais velho dos primos), foi escolhido, assim como Krista (a engenheira da família), Bianca (uma jovem repórter) e Brianna, uma garota de doze anos (irmã dos gêmeos Ashlley e Lear).
Então vieram os romanos e eu soube que aquilo era uma brincadeira de mau-gosto.
Reyna, Yue, Néra, Mark, Frank, Hazel, Dakota, Jason e outros três legionários que eu não conhecia por nome, mas um foi o que correu para avisar sobre as estátuas quando o deus de Roma nasceu.
Entre os gregos estavam: Percy, Clarisse, Pipper, Chris, Nico Di Angelo, Will Solace (eu já podia ver o drama), Sam (de dezoito anos, filho de Thanatos), Emma (de dezesseis anos, filha de Éris), Dorothy (de quinze anos, filha de Hécate), Alicia e Alphonse (os gêmeos de treze anos de Zeus), Edward (meu cunhado de doze) e Melissa (de dez, filha de Hades). Além de outros dois semideuses do Acampamento que apesar de estarem em seu segundo ano possuíam um treinamento único.
As Caçadoras de Ártemis: Helen, Felícia, Eliene e Thalia.
Por fim (e não menos estranho) os deuses: Ártemis, Apolo, Juno, Ares, Atena (que havia assumido sua aparência romana), Hades, Perséfone, Nix (o que foi assustador), Kaíros (nem um pouco menos preocupante), Teresa e eu.
Encarei a minha lista e me aproximei de Teresa um pouco assustada.
—Terminei.
—Muitos?
—Sessenta e um, se eu não tiver errado em nenhum nome.
—Não é bom. –Ela suspirou e depois encarou o jantar que parecia um pouco mais tranquilo do que o esperado. –Vamos ver se podemos ficar alguns dias aqui, mas prepare tudo para caso tenhamos que fazer uma saída de emergência.
Hesitei por um momento.
—O que acha que o Oráculo queria dizer com destino manipulado? –Decidi perguntar.
Notei o olhar dela firme em Kaíros e Nix a alguns metros dos outros, ainda que eles não estivessem conversando.
—Não sei, de verdade. Só aprendi que nesses casos você deve desconfiar daqueles dois.
—Pode ser um problema?
—Manipular o destino sempre é um problema, eles o levam para outro nível.
—E o que podemos fazer Teresa?
—Nada. –Ela levantou e encarou todos os presentes. –Absolutamente nada.
Vi minha chefe se afastar até alcançar Apolo, que a abraçou pela cintura e a beijou, tornando a expressão de Teresa muito mais suave do que enquanto conversávamos. Agradeci mentalmente que ele estivesse na missão, ou o humor dela ficaria muito pior do que da outra vez.
Encarei Kaíros e Nix a distância e fiz uma nota mental de manter um olho nos dois, embora tudo que eu precisasse fazer fosse perguntar para ambos sobre aquilo era bom esperar, talvez as coisas se resolvessem de forma mais rápida do que com a minha interferência.
Mas afinal, o que diabos está acontecendo nessa missão?
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11 de Fevereiro
Os deuses que não estavam na missão partiram durante a madrugada.
Não era tão estranho já que mesmo com liberdades especiais para o caso da gestação da Galatea eles ainda tinham que seguir certas regras, o que incluía o mínimo de interferência direta na maior parte do tempo.
Eles tem que guardar isso para o parto, que seria o pior momento pelo que tenho ouvido nas últimas semanas.
Além disso, algo me diz que eles vão ter muito trabalho nos próximos meses com os outros panteões.
Urgh!
Pensar nisso me dá dor de cabeça.
—Eles já foram? –Me assustei quando Teresa apareceu do nada. –Desculpe por isso.
—Não, eu estou com muita coisa na cabeça.
—Imagino.
Notei que ela também parecia pensativa.
—Desde quando a senhora sabe?
Ela suspirou.
—Foi no começo de dezembro, só não sei se a noite em que senti aquilo foi quando aconteceu ou um pouco depois.
—Dezembro… Por isso os deuses se fecharam?
—Melindra também sentiu. –Ela me encarou. –Os deuses queriam ir atrás deles, mas eu não deixei, não era hora de lançar uma missão.
—As crianças da Linhagem.
—Elas seriam o termômetro para o que teríamos que enfrentar com Galatea e Rigardo Além disso, poderíamos usar esses nascimentos para ocultar os dois por algum tempo, o que é a melhor opção a longo prazo.
Observei o céu da varanda da Casa Grande.
—Eu devo perguntar para Kaíros?
—Não.
—A senhora tem certeza disso?
—Não.
—Então… –Deixei a questão em aberto.
—Dependendo de como isso afetar os planos dele, existe apenas um imortal que pode conseguir essa resposta.
—Lady Ártemis.
—E eu não vou perguntar. –Eu e Teresa viramos assustadas para a porta. –Não se enganem, existem coisas que ele não conta nem para mim, não importa o quanto eu peça. –Vi a deusa da Lua sentar em uma das cadeiras e suspirar. –Eu simplesmente não sei o que fazer.
—Aceite casar com ele. –Teresa resmungou.
—Agora? –Ártemis olhava incrédula para nós.
—Antes tarde do que nunca. –Dei de ombros me metendo onde não devia.
Ártemis me encarou atentamente e depois fez uma careta.
—Pare de conviver tanto com Hera e Teresa, está pegando os maus hábitos das duas. –Ela mudou sua atenção para a deusa ao meu lado. –Vamos precisar dividir a missão.
—Você percebeu. –Foi o que ouvi.
—Com a resposta do Oráculo para Lilliel, até um surdo perceberia. –Ártemis levantou e me encarou. –Vou precisar ver a lista de participantes mais tarde. –Ela se virou. –Vamos precisar dos outros para isso. –E sem mais ela entrou novamente na Casa Grande.
—Dividir a missão? –Encarei Teresa que suspirou.
—Eu amo a minha cunhada, mas às vezes eu quero quebrar a cara dela. –Ela deu leves tapinhas nas minhas costas. –Vá dormir um pouco, vamos ter muito trabalho mais tarde.
Eu não discuti aquela questão.
—
—
—
Continua...
—
—
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No próximo capítulo: Dead God.
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