Notas iniciais
Agradecimentos:
-Alexia Oliveira;
-Gih Castro;
-Milena Corrêa.
=X=
Não vou falar muito agora por que estou realmente dormindo no PC.
Qualquer coisa aguardem que vou responder direitinho nos reviews.
O próximo é da Princesa de Hermes, aguardem...

Lilliel


Continuei tentando evitar o olhar de Gray e Lizandra, mas isso só me obrigava a recordar tudo que Kaíros me obrigou a “assistir” na noite anterior.



Me encolhi e fechei os olhos fingindo dormir para pelo menos não encarar os dois.



Cada segundo daquela viagem no tempo, ou pelo menos é o único nome que posso dar aquela sessão de tortura gratuita voltou como se fosse agora a minha mente.



Se eu não tivesse visto aquilo ou me lembrasse de tudo.



Demonios!



Por que eu tenho que ser tão azarada?



FLASHBACK ON:



Assim que fechei os olhos e comecei a sonhar soube que aquela noite prometia ser infernal.



Primeiro que se fossem sonhos de meio-sangue eu sabia que não tinha fuga, mas pelo menos era aleatório demais para culpar alguém.



Só que Kaíros estava sentado na minha frente em uma sala muito, mais muito chique e arrumada mesmo.



Aliás ainda sinto raiva por não ter lembrado do nome dele no primeiro encontro.



Kaíros, irmão Gêmeo de Cronos. Filho preferido de Urano.



Tudo bem, essa lenda eu só achei na biblioteca lá de casa e na dos meus avos, mas fui muito burra até cair na armadilha.



A sala de estudos era do tipo de gente muito rica de verdade.



E acredite quando digo que a biblioteca na casa dos meus avos é uma prova muito boa disso.



Ele ainda estava bem diferente do dia anterior.



Por que que me lembre Luti vestia roupas mais sociais no nosso primeiro encontro, não camiseta e jeans descalço.



–Vejo que chegou.



–Me chamou aqui novamente pra que? -Cuspi entre dentes e ele sorriu.



Inferno!


Ele tem um sorriso muito bonito para que eu continue brava.

–Não chamei. Meu pai quer falar com sua amiga como eu queria falar com você ontem, automaticamente como ocorreu ontem você foi puxada ao meu encontro como ela ontem. Mas isso é natural em se tratando de vocês.


Minha cabeça deu um nó.



–Espera ai! O que uma coisa tem haver com a outra afinal de contas?



–Bom, vocês deveriam estar juntas desde sempre. Apesar de tudo é natural que vocês fiquem uma ao lado da outra. O destino de uma só se completa de verdade com a outra. Não tem segredo quanto a isso. Se os outros “Zelothya” estivessem vivos, certamente estariam lado a lado com os “Eucaristia”, afinal são pessoas que se completam e que precisam umas das outras.



Minha cabeça começou a girar e fiquei tonta.



–Calma lá tiozinho. Como assim?



–Isso não vem ao caso, mas uma hora cedo ou tarde vocês duas iriam se encontrar e ficariam juntas. É o destino das duas nunca mais se separar. Assim como faz parte do destino de ambas os dois rapazes e o que está por vir.


–Que dois rapazes?

Luti olhou para a minha cara divertido e estalou os dedos.

Imagens de Leon e Gray apareceram na minha frente.

Era o que faltava.

Não bastava meus problemas e a gozação de Lizandra, agora tinha que aguentar Luti, o estranho deus do tempo fazer o mesmo.


Foi nessa hora que ao pensar que ele era o deus do tempo que ele poderia me fazer sentir mais vergonha que um milhão de Lizandras.



–Isso mesmo. Acertou em cheio. -Luti sorriu divertido.



–O que pretende me mostrar para me torturar? –Eu estava mais que irritada agora, estava desesperada na verdade.



–Para te torturar... ordem cronológica ou de minha preferência?



–Tá me zoando se acha que vou responder! -Gritei com ele



–Tudo bem. Em ordem cronológica então. Vamos começar e não teremos pausa para a pipoca ou banheiro.


Eu iria retrucar, mas quem disse que deu tempo?

Logo eu estava em um lugar diferente.

Um tipo de campus universitário e olhava para uma mulher de uns vinte anos muito bonita e familiar lendo um livro em alemão encostada no gradil do estacionamento.


Com um susto notei que a mulher era minha mãe antes de eu nascer.



Nessa hora eu pensei:



“NÃO! Não me diga que Luti vai mesmo me aprontar essa.”


Mas quer saber, ele fez.

Fez até pior no final.

Logo eu podia ver a cara de tédio de Erza jovem, como se o que quer que fosse acontecer em seu dia não fosse novidade alguma.


Então ela pareceu confusa. Como se seu dia perfeito de verão começasse a nevar.



Olhei ao redor assustada como minha mãe agora fazia.



A pele levemente bronzeada parecia mais fria que gelo, os olhos violetas encaravam tudo ao redor assustados e o vento que soprava fazia os longos cabelos ruivos balançarem de leve como fogo dando a ela o aspecto de um furioso animal encurralado.



Admito que acho minha mãe a mulher mais linda do mundo.



Quando ela e eu encontramos a causa daquilo eu tive certeza absoluta que odiaria aquela noite por anos e mais anos.



Era meu pai.



Thanatos.



Ele estava bem informal para um deus. Principalmente o da morte.


Jeans escuros, camiseta branca e blusa cinza. A pele cor de café parecia reluzir enquanto os olhos dourados brilhavam ao encarar minha mãe.


Assim que ficou próximo o bastante meu pai se curvou como um cavalheiro para minha mãe e disse:



–Não era minha intenção ser cativado por sua presença. Tampouco estava a lhe procurar ao passar por aqui, mas foi inevitável não me encantar por ti ao vê-la pela primeira vez. Assim como posso garantir que meus esforços para permanecer longe de teu caminho não foram menores do que mais de mês isolado no Hades.



Ele levantou e a encarou.



–Mas mesmo sabendo que isso é um erro, um jogo do destino eu não posso simplesmente ignorar o feitiço que me prende a pensar em você. Então me dê a chance de tentar corteja-la, mesmo que ambos saibamos as consequências de tamanho egoísmo. Sakuya Erza.



Assim que terminou Thanatos pegou a mão da minha mãe e beijou delicadamente.



Ela parecia a beira de um ataque.



Aliás eu também estava.



Meu pai era “O” deus.


Se não fosse o fato de que eu saberia até se fosse cega, surda e muda que ele é meu pai, poderia facilmente me apaixonar por Thanathos.


Demônios!



É por isso que sou estupidamente romântica quando alguém age assim?



Mal de família?


Que seja.

Minha mãe acabou aceitando os galanteios de Thanatos e como ela sabia quem ele era desde o início era fácil para ela aceitar quando ele sumia para trabalhar, assim como meu pai sabia que ela amava estudar e passava várias horas só olhando o empenho dela nos estudos.


Teria realmente adorado ver até aquele ponto, mas Luti tinha planos diferentes.



Sim, eu vi o namoro deles na parte fofa e, o pior, na parte quente.



Quando eles se acertaram de vez e arrumavam tempo livre o apartamento de faculdade da minha mãe ficava com as roupas de ambos jogadas pelo chão.



E Luti não me poupou dos detalhes sórdidos.



Roupas voando.



Mãos agarrando corpos e tudo mais que um filho não quer ver os pais fazerem em todos os cômodos de uma casa.



Deuses!



Aquilo beirava o doentio.



Depois de tentar desviar o olhar sem sucesso, por que Luti pensou muito bem nisso, eu vi a parte que minha mãe descobria que estava grávida. Eu estava a caminho e não sabia muito bem se queria ver a reação dos dois com isso.



Para minha surpresa não foi nada ruim ou trágico.



Thanatos pareceu chocado e emocionado, o que foi estranho.


Já minha mãe estava feliz e preocupada.

Ouvi Thanatos se desculpar por ter causado aquela situação e que era obvio que aquilo iria acontecer, mas também disse que milagrosamente não se arrependia de nada.

Minha mãe riu e disse que não pretendia contar nada a família sobre ele, segundo ela seria melhor ou mais divertido assim.


E foi.



Pude assistir a reação dos meus avos quanto a gravidez e a proposta do aborto.


Minha mãe se sentiu tão ofendida que saiu da casa deles para a casa de uma amiga.


Vi meu pai aparecer para meus avos e se apresentar como “Pai da criança que Erza espera”, claro que meus avos quase infartaram quando descobriram tudo e correram pedir desculpas para minha mãe.



Orgulhosos do jeito que os três eram acabou do jeito que eu vivia. Indo para a casa dos meus avos com frequência e morando com minha mãe naquele apartamento em Manhattan.



Então não era mais minha mãe.


Mas sim Ashley.

Por que eu tenho que ver a vida da minha prima maluca meu deus amado?

Não foi o bastante ver meus pais se agarrando ainda tinha que ver minha prima caçando garotas nas baladas?

Eu realmente era muito azarada.

Novamente Luti pensou em tudo para não me deixar perdeu um minuto.

Durante a festa a fantasia e de mascaras Ashley notou alguém interessante.

Deu pra notar, por que ela dificilmente presta atenção em qualquer garota, pra chamar a atenção dela a pessoa tem que ter algo a mais, mesmo que a própria nunca tenha notado isso.


Pude ver ainda minha prima ir até a garota e se “apresentar”:



–Boa noite. Tem companhia? -Ela atacou colocando os longos cabelos negros atrás da orelha distraída.



–Ainda não, mas posso rever isso.



A garota respondeu encarando minha prima com olhos de um verde intenso enquanto mechas do cabelo castanho claro teimavam em deslizar pelo seu ombro para a frente do corpo.



Ashley sorriu.



–Como vai ser? Nome ou sigilo?


–Que tal um pouco dos dois. -A garota respondeu com um sorriso e os olhos laranja de Ashley faíscaram em ansiedade.

–Sou Ash. Posso ser sua companhia hoje?

Não acreditei quando vi a idiota usando o apelido de infância.

A outra garota sorriu.

–Sou Hall. E acho que vou gostar de aceitar sua proposta.

Bom, as duas se acertaram.

E muito.

Nesse ponto Kaíros tinha pensado um pouco e foi bonzinho comigo.

Me manteve do lado de fora da porta do quarto do apartamento de Ashley até que julgou que eu poderia entrar sem problemas e, realmente, não tive problemas.


Mesmo não tendo sido nada legal na minha opinião, ao menos não foi pior que ver meu pai e minha mãe no ato.



Ash e Hall dormiam profundamente, abraçadas.



O relógio marcava quase duas da manhã e começou a correr até marcar quase cinco horas.



A garota chamada Hall começou a acordar e olhar ao redor. Ela encarou Ashley e fez uma cara estranha entre o constrangimento e o arrependimento.



Ou ela era burra ou se deixou levar na primeira festa do tipo.


Foi o que pensei, mas precisei mudar e ideia.

–Não acredito que fiz isso. Não posso estar tão desesperada por um relacionamento ao ponto de ficar com uma completa estranha. Eu me prometi nunca fazer esse tipo de loucura. -Ela sussurrava, mas o poder de Luti deixava tudo audível.


Hall levantou, pegou as roupas no chão e se vestiu correndo.



Pegou um papel no criado e escreveu uma mensagem que dizia?



“Desculpe fugir desse jeito, mas acho que quebrei uma promessa pessoal ao me deixar levar ontem.



Não é que não tenha gostado, pelo contrario na verdade.



Apenas... acredite, se envolver comigo vai te colocar em perigo além do que você pode aguentar.



Mesmo assim, obrigada por ontem.



Sinceramente, Hall.”



Depois saiu do apartamento sem ruídos.



Ashley acordou só horas mais tarde e da forma como ela costuma trabalhar como um demônio posso imaginar que ela estava exausta para não notar que a garota tinha sumido antes.



Assim que viu o recado minha prima olhou ao redor confusa.



Ela viu um tipo de lenço perto do bilhete. O tipo de peça pessoal e não de festa, que uma pessoa dificilmente esqueceria de proposito sem motivo.



A expressão que minha prima tinha era familiar, apesar de um pouco diferente, como a que eu tinha quando descobri o que Oliver tinha feito comigo.



Solidão. Tristeza. Abandono.



Só que no meu caso eu fui destruída pela forma como ele me tratou e jogada fora.


Ash tinha achado alguém especial para ela e essa pessoa partiu sem explicar nada, por que queria que minha prima ficasse em segurança e por que parecia estar insegura quanto ao que tinha acontecido.


Tudo mudou e agora eu estava acompanhando Lear.



Nessa hora eu quis gritar que já não bastava ver Ashley caçar garotas, ainda teria que ver Lear caçar garotos?



“Nada contra meus primos e suas opções, o que diabos eu tinha que ver tudo isso?” foi o que fiquei pensado e para minha surpresa a resposta foi muito mais que inesperada.



Lear se aproximou de um rapaz quase tão grande quanto ele.



O rapaz estava encostado em um canto da festa, claramente desgostoso com a música, os braços enormes cruzados sobre o peito.



O cabelo castanho com corte militar ainda aparente apesar de já estar mais longo do que seria normal para parecer militar e os olhos vermelhos fitando todo o ambiente ao redor.



Deuses!



Eu tinha visto aquele cara de relance uma vez.


No acampamento, provavelmente conversando com Clarisse ou Chris na mesa de monitores.


Lear sorriu na direção do rapaz que notou e ficou alerta, talvez pensando que fosse um monstro.



O que meu primo pode ser, todos eles.


–Noite. Algo em mente?

O rapaz que não sei o nome piscou duas vezes antes de responder.

–Tipo?

Lear se encostou ao lado do rapaz se apoiando na parede.

–Meio que tá na cara que você não gosta muito do rumo que essa balada vai tomar e, entre nós, eu também não. Depois de certa hora, balada gay não me desce mesmo sendo mais fácil arrumar com quem ficar. Então, estou te chamando para ser minha companhia durante um tempo.

O rapaz sorriu.

–Quanto tempo?

Lear riu.

–Precisamos definir isso já, ou podemos deixar para ver como vai ser o tempo?

O rapaz sorriu alto e descruzou os braços.

–Certo. Normalmente eu iria querer um tempo pré-determinado, mas vou deixar pra ver como vai ser.


–Tudo, bem. Mas sem nomes no começo, vamos ver como isso termina antes de dar uma de que realmente isso vai ser sério ou umas horas.



O rapaz sorriu e quase infartei. Realmente eu deveria ter notado um sorriso daqueles no acampamento.



Ele estendeu a mão.



–Rey.


Lear sorriu.

–Tora.

O que o idiota do meu primo tinha em mente para usar uma parte do segundo nome eu não sei, mas quem disse que entendo minha família?


Luti dessa vez foi muito mais bonzinho comigo.



Nem na porta do quarto me deixou.


Me jogou dentro do quarto quando os dois já estavam dormindo de velhos.

O relógio rodou pouco mais de uma hora e o rapaz, Rey, levantou assustado buscando o celular pelas roupas do quarto.


Assim que pegou notei que o parelho estava vibrando com uma imagem de caveira na tela.



–Oi Clarisse... Como assim fugiu?- Um silêncio longo se estendeu por uns cinco minutos. -Certo. Entendi. Não, eu posso dar um jeito de chegar ai, só... Não me pergunte.



O rapaz desligou o celular e se vestiu correndo. Foi até a cama e acordou Lear que ainda dormia.



–O que foi? -Meu primo parecia cansado. -Preciso ir. Tive um problema de família e uma prima fugiu.



Minha irmã me ligou louca pedindo ajuda.


–Certo. -Lear respondeu mais dormindo que acordado.

O rapaz riu e pegou papel na mesa de centro da sala, escreveu o número do celular e saiu do apartamento correndo.


Horas mais tarde quando acordou eu sabia que Lear lembrava muito pouco da conversa com o rapaz e quando minha tia chegou de surpresa no apartamento recolhendo todos os papeis soltos e jogando no lixo eu quase xinguei a maldita mania dela.



Logo eu voltei a encarar Luti na minha frente sorrindo como um bobo.



–O que achou?


–Que você é doente. Por que me mostrou isso?

–Use a imaginação. Você tem muita coisa para fazer com isso. -Eu posso fazer, não quer dizer que vá.


–E quem disse que sua existência foi uma simples escolha?



–Como?


–Acha realmente que você nasceu só por que seus pais resolveram arriscar? -Luti me encarava de uma forma arrepiante. -Sempre que eu vislumbrava as chances do futuro em algum momento, com ou sem minha interferência, um grupo exatamente como o de agora aparecia. Meu sangue gelou nas veias e eu mal pude respirar. -Você, Lizandra, Lear, Ashley, Briana, Carlo, Akito, Ross, Bianca, Akihito, Raquel, Luce, Krista, Josh, Lionel, Vivian, Néra, Misty, Mark, Sander, Ully e Fall. Não importava como eu tentasse ver o futuro em algum porto todos vocês apareciam na mesma época com idade similares. Depois de muitos nos apareciam Reira e Orlando. Sempre os mesmos “Eucaristia” e “Zelothya” não importando os caminhos serem os menos prováveis.


–Isso não quer dizer nada. -Consegui sussurrar.



–Não vou tentar te explicar como isso funciona, mas tenha em mente: se nem eu posso realmente mudar o futuro, o que você acha que veio fazer aqui?



Engoli em seco.



–Se ainda não acredita abra a pasta, são imagens diversas do futuro que andei tentando visualizar sem muito sucesso admito. Mas essas são possibilidades em aberto, depende das suas escolhas sobre os documentos de agora.



Peguei a pasta sobre a mesa e abri com um medo mortal.



Deveria ter deixado em cima da mesa mesmo.


De dentro diversas imagens pularam mostrando cenas confusas e estranhas, algumas muito constrangedoras. Ashley com uma garota no apartamento dela dali a algumas semanas.


Eu nem sabia se era minha prima ou quem era a garota, mas reconhecia o apartamento da minha última visita.



Outra de Lear, ou do carro dele e dois rapazes sentados no capô se beijando. Mas só sabia que eram dois homens por que ninguém ali tinha peito e eram ambos muito fortes para serem garotas.



Outra de Lizandra em um tipo de quarto, que me era muito familiar, se agarrando com um cara que eu não podia ver direito, mas era muito maior que ela. E não era um agarramento de briga.



Por fim podia ver eu mesma no meu quarto, no meu apartamento, com um rapaz. Detalhe que no inicio eu estava beijando a barriga dele até que o cara me puxou e enterrou o rosto na curva do meu pescoço.



Pra piorar eu e o rapaz estavamos sem nenhuma roupa.



Sabe o que era triste nisso tudo?


A imagem estava muito escura para saber quem era o cara ali comigo o o cara com a Lizandra.


E eu sei que Luti tinha feito aquilo de proposito.



–O que achou?


Fechei a pasta as presas e ele riu enquanto as imagens sumiam mais rápido do que eu poderia pensar.


–Isso... eu não... mas o que diabos é isso? -Consegui sussurrar.



–Algumas das suas chances para o futuro e do futuro dos outros se tudo acontecer bem, isso se você mexer alguns pauzinhos na vida dos seus primos, claro.



Senti todas as minhas forças me deixarem.



–Era isso? Eu posso ir embora agora?


Luti sorriu.

–Claro, meu pai está pra liberar sua amiga. Então acho que consigo te mandar agora. -Luti pareceu pensar um pouco e depois disse meio distraído. –Não diga a Lizandra que meu pai que a chamou. O velho tem problemas para demonstrar sentimentos normalmente e prefiro que ele não se torne mais contrario a isso.



–Que seja. Eu só quero ir embora.



Luti sorriu e estalou os dedos.



FLASHBACK OFF



Um estalo de dedos me fez voltar a realidade do carro.



–Tá viva Lilli? -Lizandra disse já voltando a mão ao cambio do carro.


–Sim eu estou viva, só distraida. -Sussurrei.

–Pensando no seu sonho com Luti? -Gray disse parecendo distraído.

Encarei ele furiosa.

–Sim, e dai?

–O que ele te falou de verdade? -Ele me encarou quase como meu chefe.

–Não é da sua conta. Mas eu falo sério quando ele falou da minha família. Então acredite, foi muito constrangedor. Satisfeito?


Gray voltou a encostar no banco e pareceu ficar envergonhado.


–Que seja. Achei que era mais importante, já que você parecia em choque. -Resmungou do seu canto.



–Acredite, eu estou em choque.



Lizandra suspirou na direção e acelerou ainda mais em direção a nosso destino.

Tinhamos pouco mais de uma hora até Hays, Kansas, e quem sabe até Denver ainda hoje para poder dormir em paz.


Como sempre eu errei.



Continua...



Notas finais
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