Notas iniciais
Agradecimentos especiais para as minhas lindas leitoras que comentaram:
-Alexia Oliveira;
-Milena Corrêa.
=X=
Eu sinto um certo prazer em escrever os cap's do Gray.
Os da Lizandra ou são hilários ou terriveis.
Acreditem ou não os piores são os da Lilliel.
É um parto escrever a narrativa dela.
Enfim aproveitem pessoal.

Gray


Depois daquela confusão no hotel saímos correndo o máximo que conseguimos.


Eu assumi o volante por que tanto Lilliel como Lizandra pareciam um pouco abaladas demais para dirigir e quando digo um pouco estou sendo irônico, pois ambas parecem igualmente perdidas.



A Interestadual 80 estava com o transito leve e aproveitei para pisar fundo.



Não era meu costume sair correndo feito um doido por ai, mas dessa vez eu deixei isso de lado e deixei o carro alcançar facilmente os 150 Km/h.



Enquanto isso eu via Lilli tentar fazer Lizi se acalmar e parar de chorar.


Algo que nunca vi minha amiga fazer com frequência quando não tinha haver com a mãe.


Na verdade tirando a fuga aos quinze anos lembro perfeitamente de todas as vezes que ela chorou assim desde que nos conhecemos.



–Vamos Liz, estou começando a achar que vou morrer aqui então por favor pare de chorar e converse comigo. É sério.



A voz de Lilli parecia estar claramente desesperada e eu realmente levei aquelas palavras a sério.



–Não... não é nada grave. Eu só lembrei da minha mãe. Deuses, você não sabe como é parecida com ela.



–Serio? Acho que sou parecida com a minha mãe, embora eu não seja tão doida como ela.



Lizi riu do comentário e tirei o pé do acelerador.


Finalmente elas pareciam ter melhorado.

–Então o que aconteceu durante a noite que te deixou assim? Seu pai? Sonhos loucos? Ambos? -Lilliel parecia preparada para tudo e eu fiquei sem entender.


–Todos e mais um pouco. -Lizandra respondeu já cansada.


Claro que eu levei um susto ao ouvir aquilo, mas quem poderia me culpar, essas duas parecem irmãs gêmeas.


–Então... -Lilli parecia ansiosa.


–A primeira parte foi estranha. Um corpo esquartejado na parede falando comigo e dizendo que eu não deveria estar ali. Era algo antigo velho e terrivelmente poderoso, mas me senti atraída até ele. Como se não pudesse evitar querer tocar o rosto que via. Ele disse que era o primeiro rei, aquele que caiu antes dos outros.


Lilli pareceu ter visto um fantasma e eu não poderia culpa-la.


Pensar que enquanto tinha sonhos de arco e flecha Liz sonhava coisas bizarras ao meu lado era no minimo pra me deixar tonto.


–O que mais? -Lilli parecia se esforçar para continuar.


–Ele me chamou de “linhagem” e depois quando tentei tocar seu rosto meu sonho mudou e fui falar com meu pai. Só que Teresa e Annabeth estavam vigiando ele.


–Por que alguém vigia um deus? -Perguntei já aliviado pela mudança de assunto.



–Não sei, mas o fato é que ele disse que encontrou alguns parentes da minha mãe que podem cuidar para que eu fique mais tempo longe do acampamento e possa até mesmo ter uma vida “normal”. Disse que irei conhece-los se voltar viva para o acampamento. Nem me disse seus nomes para me dar um “incentivo”, acredita?



–Acredito. Meu pai disse que quer me dizer algo, mas só se eu voltar viva ou morrer. Que ele vai me contar de qualquer jeito dai.



–Acredito que o mesmo se aplique a Liz e eu. Meu pai disse que queria me dar algo especial. -Comentei um pouco alheio.



Lizandra riu baixinho como se entendesse meu pai e continuou.


–Depois meu sonho foi pra Las Vegas, aonde tentavamos conseguir dinheiro em um cassino. Estavamos tão detonados que acho que era para pagarmos um hospital.


Comecei a rir.


Para tentarmos conseguir dinheiro em um cassino o negocio deveria estar realmente ruim.


–Como estavamos? -Lilli perguntou séria.


–Eu estava com a cabeça enfaixada, assim como minha perna esquerda. Você estava com a perna direita machucada a ponto de mal poder coloca-la no chão e o olho enfaixado. O Gray era o que estava melhor, por que pelo que vi estava com o braço direito queimado.


Desviei rapidamente o olhar pelo retrovisor para Lizi.


–Eu era o em melhor condições? Isso por que estava com o braço queimado?


–Comparado com o que ela disse de nós duas Gray, tenho que concordar. -Lilli parecia perdida.



–Acha que pode acontecer?


–Talvez. Eu sonhei com alguém que me chamou de “linhagem” também. Mas não era um corpo esquartejado. Era um homem alto, com pele morena e olhos prateados. Tinha cabelos brancos e ao seu redor as imagens do tempo ficavam flutuando. Ele toucou uma imagem da Roma antiga e logo estavamos em um sobrado tomando uma bebida quente. Depois ele me mostrou uma cena da batalha dos titãs e então paramos no apartamento da minha mãe ontem a noite. Era como se ele fosse o senhor do tempo.


–Cronos! -Eu e Lizi gritamos furiosos.


–Não. Perguntei se ele era Cronos e ele quase me fritou. Disse para nunca mais repetir aquele nome nojento com designação a ele, mas disse que também era um senhor do tempo e que um dia iria substituir Cronos. Depois ele disse que se eu tivesse muita sorte mesmo, iria descobrir de onde minha família tinha começado e por que a “linhagem” é tão importante para os deuses.


–Bom, ninguém me chamou de “linhagem”, mas agora até eu estou ficando preocupado com isso. Por que dois seres tão estranhos e aparentemente poderosos chamariam as duas assim? -Não era por nada mas eu realmente queria saber algo e uma das duas talvez pudesse responder.



Lizandra pareceu pensar em algo.


–Lilli, você sabe se algum deus já se envolveu com sua família?

–Sim, Hypnos e Hades. Mas meu pai disse que eu sou de uma linhagem especial que vem se ligando e atraindo os deuses há muito tempo. Que sou de uma linhagem tão antiga quanto perigosa.


–Minha mãe me contou que era bisneta de Ares, mas que antes dela houveram outros. Deuses e deusas que se envolveram com nossa família, ela dizia que um dia me contaria sobre eles. Mas ela morreu antes disso, então tudo que sei é o que meu pai me disse no solstício de outono sobre minha família estar ligada aos deuses a tantos éons quanto eu poderia imaginar.



Meu cérebro deu um nó duplo.


–Peraí! As duas são tipo o Rig e a Téa? Só que ao invés de os deuses anteriores serem seus parentes diretos são como antepassados?


–Sim, acho que é isso mesmo. -Lizi disse já com cara de quem poderia desmaiar de cansaço.



Lilliel pulou para o banco da frente e se ajeitou ao meu lado.


Eu não sei se essa garota tem noção de como me sinto perto dela, mas espero que sinta ao menos a metade do que estou sentindo desde que a vi pela primeira vez.


–Quer algo pra beber Gray?


Olhei para Lilli de relance. Ela parecia de bom humor, algo que eu adorei.

–Um pouco de água seria bom, embora eu prefira algo quente nesse frio.

Todos rimos.

Lizandra se arrumou no banco tentando diminuir o frio que sentia embora não fosse nada fácil fazer isso já que fora o tempo horrível que fazia esse ano ainda tinha o fato de estarmos seguindo pelo norte do país.


Lilliel fez o mesmo e envolveu o corpo com o manto de Thanatos que aparentemente devia ser mais quente do que eu imaginava ou acalmava ela muito.



Nas horas seguintes discutimos um pouco sobre coisas importantes, como começar a ir para o sul em direção ao estado de Nevada e concordamos que deveriamos estar em Colombus até o meio dia, por isso nada de paradas até lá.



Tinhamos saído do hotel às oito horas, então tinhamos uma boa margem para alcançar nosso destino sem grandes problemas, afinal já estavamos em Ohio.



Talvez se eu pudesse controlar meu medo e minha raiva até lá fosse possível melhorar a ponto de ajudar Liz e Lilli quando elas precisassem.



==========X==========



Quando chegamos em Colombus eu estava realmente cansado por dirigir durante quatro horas sem descanso algum.



Mas também teve uma coisa boa, por que consegui manter uma conversa sem discussões com Lilli por um bom tempo. Depois que Liz acordou e entrou na conversa aquilo virou um festival de piadas e besteira.



Foi naquela hora que descobri que garotas podem ser assustadoramente pervertidas.



Depois disso me recusei a desconfiar delas.


Paramos a quinhentos metro de um hospital na frente de três restaurantes, sendo um uma pizzaria a pedido de Lizandra. Juro que ela deve ser a pessoa mais viciada em pizza que conheço.


Felizmente nosso cronograma de viagem estava indo muito bem. Com sorte, algo que estranhamente estamos tendo, estariamos em Evansville no fim do dia procurando um lugar para dormir enquanto as duas me pediam para comprar mais comida.



Sério. Não sei se todos que são ligados a mais de um deus comem do jeito que elas comem, mas espero que não.



Muito embora eu esteja com medo das possibilidades envolvendo Lilli e Liz.



Senti alguém segurar no meu ombro e me assustei. Assim que virei vi que Lilli já tinha votado da lanchonete com quatro sacolas cheias nas mãos.



–Tudo bem Gray? Aconteceu alguma coisa no café?


Pisque duas vezes antes de ter certeza, mas minhas mãos também estavam cheias de sacolas com bebidas e comida.


Tinha me distraído muito e nem notei que tinha feito compras para um pelotão (ou para minhas acompanhantes).



–Não é nada, só acho que estou cansado além do que imaginei.


Lilliel pegou as chaves e abriu o porta-malas do fusca colocando as sacolas lá dentro, por que com a gente só ia um pouco de comida e as malas sem as quais iriamos morrer se perdessemos o carro.


Lilli tirou as sacolas da minha mão e colocou junto das suas já fechando o parta malas.



–Pode deixar que a Liz dirige agora. Ou eu mesma faço isso. De qualquer forma até Evansville serão mas umas cinco horas de viagem se quisermos ficar perto o bastante do nosso destino antes que algo dê errado.



–Por que acha que algo vai dar errado?


–Por que vai. Eu já vi um pedaço do nosso futuro e preciso mudar ele. Assim como o que Liz viu pode acontecer, desde que eu mude o que eu vi.


–O que você viu?


Lilliel fechou os olhos e então a voz de Lizandra ressoou atrás de nós:

–Ei! Pessoal, me ajudem aqui.

Me virei e a cena quase me fez pensar que tinha morrido: Liz com umas doze caixas de pizza nas mãos e mais algumas sacolas com refrigerante penduradas nos braços.


Di Imortales! O que vamos fazer com tudo isso?


–Comer! -Liz e Lilli responderam em sintonia perfeita.

Procurei ignorar aquilo, mas elas tinham falado sério.

Comemos pizza no capô do fusca ouvindo musica italiana e tomando refrigerante por quase duas horas sem parar.


Mas o mais incrível mesmo foi ver mais da metade daquelas pizzas sumirem por obra das duas sozinhas.



Por que eu nem meia pizza inteira consegui comer...


Sério, elas vão me enlouquecer.


Continua...


Notas finais
COMENTEM!!!
COMENTEM!!!
COMENTEM!!!
Estou esperando suas opiniões pessoal.
Quase esquecendo, mas se alguém achar que a fic merece recomendação eu meio que vou ficar muito feliz e não vou reclamar.