The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
34 Realmente, É Demais Pedir 5 Minutos de Paz?
Notas iniciais
- A Granger, acho que ela não foi a única surpresa com a Hera ser madrinha da Liz, mas foi a única que me falou isso. Aliás a sua reação foi muito legal.
- Mila Galanthus, sério, eu ainda quero entender por que todo mundo acha que Hera é do mau. Eu sempre (desde que entendi que ela é uma mulher traída) achei que as pessoas exageram e que ela nem é tão ruim quanto deveria. Quanto ao Gray burro de carga... também fiquei meio com pena dele.
- Milena Corrêa, bem, acho que realmente é difícil entender como a Liz faz piadas até quando tá morrendo, mas como já tinha falado, se ela não rouba...
Comentário geral do cap anterior, sim, eu amei escrever a conversa da Hera e da Liz, mesmo que nem todos tenham falado ou expressado surpresa eu acho que fiz algo legal.
Quanto a esse cap, por favor não me matem nem se animem, certo?
Eu tenho planos para o que vai ser apresentado até o final da fic e... bom, não se animem.
LEIAM AS NOTAS FINAIS.
É UMA SURPRESA.
Gray
Sabe, o meu dia já estava bom demais para que eu precisasse passar por aquilo.
Não sei o que aconteceu com Liz enquanto eu tinha meu ataque de raiva e pedia carona, na verdade talvez seja melhor até não saber já que ela estava com uma pena da pavão nas mãos, mas minha irmãzinha parece muito bem até para uma semi-deusa meio morta.
Tão bem que o fato de ela não ter berrado enquanto eu cuidava da perna dela foi quase um milagre, por que a perna dela estava de longe pior que a da Lilliel no primeiro dia, muito pior.
Mesmo assim ela não deu um pio e quando terminei ao invés de brigar ou fazer piadas com a minha situação ela fechou os olhos e dormiu como uma pedra, tanto que dava para duvidar que Liz estava viva de verdade.
Bom, viva eu sei que ela estava, mesmo que Lizandra dormir às seis e meia da noite seja quase sinal do apocalipse, agora a minha situação sim era digna de morte.
Nós conseguimos chegar em Mesquite antes das seis horas graças ao casal da caminhonete, mas as duas não podiam fazer nada sozinhas naquele momento, então eu precisei ajudar Liz no banho, o que significa que minha irmã tava quase sem roupa e eu precisei carregar ela nos braços.
Com a Liz isso é quase igual a levar um gato ou um cachorro, é fofo e engraçado, você quer coçar atrás da orelha para ver ele se derreter com aquele olhar de animal abandonado antes dele virar a cara e te deixar falando sozinho.
Certo, um cachorro não faria isso, mas, a Liz é um gato.
Então até foi bom minha irmã estar dormindo, por que realmente seria terrível passar pelo mesmo com a Lilliel e ter que ouvir aqueles comentários infames dela quando eu já estava perdido.
Então depois de conseguir manter cada pensamento meu fixo na iminente ameaça de morte que era Thanatos e a senhora Erza enquanto carregava Lilliel até o banheiro, a trazia de volta para o quarto e a colocava sobre a cama, mesmo assim uma parte muito ciente daquele inferno fazia questão de enumerar cada maldito detalhe.
Aquela era a garota pela qual eu estava apaixonado usando só as roupas íntimas, enrolada em uma toalha enquanto eu a levava para tomar um banho sentada em um banquinho plastico e tinha que ficar atento a qualquer ruído que indicasse que ela estava caída no chão ou passando mal.
Parte boa, ela não passou mal e eu não precisei socorrer ela sem roupa, daí, claro, vem a parte ruim de tudo isso.
Vem do fato que eu precisei ajudar Lilli a ir enrolada na toalha do box do banheiro até o quarto, com o corpo ainda molhado soltando vapor da água quente contra o meu próprio corpo que estava quase tento um colapso total de controle e só não teve foi por puro milagre mesmo.
Minha tia e minha madrasta devem estar rindo tanto da minha situação agora, o que é até triste imaginar.
Depois sai correndo do quarto e me enviei no banheiro longe do alcance do espelho, ou eu realmente teria feito uma bela besteira, por que o meu corpo tava pegando fogo em vários sentidos.
Cara, eu realmente não estava dando sorte e quanto Lilliel disse que estava vestida, pronta para que eu arrumasse sua perna novamente as coisas não melhoraram. Ainda que ela estivesse vestida, eu tentando me desviar de tudo que queria fazer, aquilo era demais para qualquer um com a sanidade intacta, coisa que não estou nem perto de ser.
Mas, mesmo assim eu consegui fazer o curativo sem fazer besteira nenhuma e teria tido sucesso em ir tomar meu banho se a própria tentação não tivesse me provocado no limite quase nulo que meu auto-controle tinha a aquela altura do campeonato.
E até parece que eu ando com um estoque tão grande assim de auto-controle.
–Pronto, agora por favor descanse que eu preciso tomar um banho para dormir.
Uma risada baixa escapou dos lábios dela e eu respirei fundo para ignorar aquilo, o que foi um erro.
–Vai dormir sem cueca novamente, tenho certeza. Mas, se quer saber, não estava tão mau assim ontem.
Aquele foi o limite para a minha sanidade limitada e auto-controle zerados no negativo.
Meu corpo reagiu tão rápido que até eu me surpreendi.
Um segundo eu estava de costas para ela e no outro minha boca já estava grudada na dela, minha língua totalmente enroscada na de Lilliel.
O lado racional da minha mente conseguiu registrar o que havia acontecido, mas, nem de perto parecia propenso a voltar ao comando do corpo, na verdade ele parecia se divertir com aquilo e eu não poderia culpa-lo, por que estava aproveitando muito tudo.
Eu só sei que quando virei havia agarrado a gola da camiseta dela e puxado-a da cama, depois de ter beijado ela ainda segurando aquela camiseta larga dos infernos lembro de ter grudado meu braço em volta da cintura da Lilli com tanta vontade que um gemido baixo escapou da sua garganta, devo admitir que aquilo me deixou feliz.
Claro que eu pensava que Lilliel iria me dar um tapa a qualquer momento, mesmo com ela retribuindo, por isso me surpreendeu quando senti seus braços passarem em volta do meu pescoço.
Na mesma hora todas as células que tenho do meu pai devem ter ligado, por que a mão que estava grudada na camiseta passou para a nuca dela e o outro braço começou a descer tão certeiro pela cintura dela, depois foi direto para a coxa, o que fisicamente não era o caminho certo, e ficou ali por vários minutos.
Os mesmos minutos que levara para Lilliel conseguir me puxar e nós dois cairmos na cama que ela deveria estar dormindo, aquilo estava indo rápido demais. O problema é que nem eu e nem ela estavamos realmente ligando para aquilo, ainda que na hora em que caímos na cama minha mente tenha começado um alerta de que fazer qualquer coisa mais que alguns beijos e amassos ali seria altamente errado, além de perigoso.
Mas, as coisas não pararam ali.
Lilliel arrancou minha camiseta e eu tinha começado a levantar a blusa dela quando fomos devidamente interrompidos.
Lizandra levantou com um grito de dor.
O susto foi tanto que eu fui parar na porta do banheiro ofegante com uma cara de culpado, enquanto Lilliel estava ofegante na cama com minha camiseta ao seu lado parecendo que tinha levado uma surra e olhava acusadoramente para o culpado, lê-se eu.
Enquanto eu e Lilli estavamos ali ainda ofegantes pelos nosso amasso segundos antes Liz ofegava de uma dor na perna machucada, que foi o que me tirou daqueles instantes de vergonha pelo que estava por fazer.
Respirei fundo e fui até Liz para examinar a perna dela, felizmente não havia piora do estado da perna desde o tratamento, então eu encarei ela.
–É só a dor da ferida? Tem alguma outra coisa te incomodando na perna? Calor ou coceira? Até mesmo uma sensação incomoda você pode me falar que eu vou tentar ajudar.
Liz respirou fundo e quase chorando conseguiu responder.
–Só está doendo, então me de algo para aliviar. Qualquer coisa... por favor...
Concordei e fui até minha bolsa aonde peguei tudo o que tinha de remédio humano, amassei dois comprimidos de dipirona e anti-inflamatórios, misturei com um anti-ácido de sabor laranja, que era só pra disfarçar o gosto horrível dos outros dois, e peguei um fundo de néctar em um copo.
Levei tudo até Liz que fez cara feia para os remédios humanos, mas tomou e por fim cobriu tudo com o néctar, por fim ela deitou tentando respirar. Sentei ao seu lado e afaguei os cabelos negros.
–Tente descansar, eu sei que é difícil e que está doendo, mas vai dar tudo certo e sua perna vai ficar boa novamente, você vai ver. -Sussurrei tentando acalmar Liz um pouco.
Ela deu um sorriso forçado, mas de tanta dor e cansaço acabou adormecendo.
Respirei fundo e encarei Lilliel me olhando feio.
–Fique de olho nela. Eu preciso tomar banho e não posso fazer os dois ao mesmo tempo, caso ela ou você passem mal de um grito que venho correndo. Se quiser brigar comigo depois pelo que aconteceu tanto faz, mas, estou de saco cheio de ser o bonzinho que dá espaço.
Não fiz questão de esperar uma resposta.
Apenas fui para o banheiro, joguei minhas roupas no chão e entrei debaixo da água morna, mesmo sabendo que deveria colocar no frio, mas, sendo inverno o morno já era o máximo que eu aguentava.
Fiquei ali por uns quinze ou vinte minutos agradecendo o susto de Liz, meu corpo havia desligado as terminações que Lilliel tinha ligado com o susto e aquilo de certa forma me deixava feliz, por que significava que eu não iria pirar novamente hoje ou tão cedo.
Dessa vez eu não recebi nenhuma visita divina, mas quando voltei para o quarto Lilliel ainda estava acordada e me encarava, fiz a besteira de sair do banheiro só de toalha.
–Bela visão. -O comentário estava cheio de sarcasmo, mas ignorei.
Fui até minha mochila e peguei um short's, coloquei por baixo da toalha e virei para encarar Lilli sentada na cama.
–O que foi dessa vez? -Resolvi começar.
–O que foi aquilo?
Pergunta errada, minha paciência havia desligado quando agarrei ela e ainda não havia voltado.
–O que você acha que foi aquilo depois do beijo que me deu ontem? Que sou um santo que iria ficar a vida inteira só olhando enquanto você foge como um animal acuado e ferido? -Soltei tudo de uma vez. -Eu estou tentando entender o que está acontecendo toda a vez que cruzo o seu caminho desde o acampamento e nada estava fazendo sentido no começo por que faz anos desde que tentei ter um relacionamento ou tive um. Agora me diz você o que foi aquilo ontem, por que ali a minha capacidade de controle foi embora.
Lilliel engoliu em seco e pareceu perdida.
–Eu... -Levou vários minutos, mas eu esperei pela resposta. -Desculpe, não foi algo pensado, só aconteceu e eu não sei como dizer isso ainda. -Ela desviou o olhar e aquilo me irritou um pouco.
Passei as mãos no cabelo arrumando os fios molhados, depois a encarei tentando conter aquela irritação que tomou conta da minha mente.
–Não diga nada então. Quem não sabe o que dizer tem duas possibilidades, ou não é bom com palavras e sim com ações ou não sabe o que quer, mas, posso te garantir que sou o primeiro e que sempre tento respeitar o limite dos outros, então não me faça de idiota.
As palavras saíram tão rápido que quando me dei conta Lilli me encarava quase assustada, mas não falou nada quando virei e puxei um cobertor, para em seguida me jogar na cama com a toalha na cabeça.
Antes de dormir ainda falei mesmo que ela já estivesse dormindo.
–Vai dormir, você também precisa descansar e amanhã o dia vai ser puxado novamente.
Não houve resposta e eu apaguei cansado como estava.
Acredito que a noite de Liz e Lilli foi muito calma, por que a minha foi outra tortura cheia de visitas e provocações muito piores que as da minha irmã.
Na verdade apenas uma visita, Kaíros.
No começo eu não sabia aonde estava, mas era um lugar muito bonito e estranho.
O comodo em si era como uma sala de lareira onde o fogo tremulava amarelo e na frente dele uma pequena grade na cor prata, mas também tinha muito mais, como os grandes sofás pretos extensíveis próprios para uma sala de leitura ou de cinema domestico, cortinas roxas com cordas pretas adornavam os cantos das paredes e em duas das paredes haviam estantes de cor tabaco forradas de livros indo dos mais novos aos mais antigos incluindo papiros, a parte visível das paredes era de uma cor cinza clara. A exceção era pelas paredes da lareira e uma outra que eram de uma cor creme com listras vermelhas e era forrada de quadros de diversos pintores de todas as épocas, no chão o piso branco e preto tinha tapetes também roxos, no meio do grande conjunto de sofás havia uma mesinha de centro na cor tabaco com alguns livros e duas grandes canecas de chá quente repousavam ao lado de uma bandeja de biscoitos de leite.
Então do nada um homem, o mesmo de Evansville, surgiu em um tipo de distorção do espaço.
A mesma pele bronzeada refletindo em dourado, o cabelo muito longo e prateado, que em seu primeiro movimento ficou preto e depois voltou a ser prata para ficar oscilando de cor a cada cinco minutos. Os olhos multicoloridos mudando de cor sem parar, as vezes demorando no azul me encaravam de forma divertida e irônica a ponto de me fazer sentir saudades das piadas da Liz antes mesmo de Kaíros falar algo.
Ele sentou no sofá e me encarou para em seguida indicar o outro movel a sua frente.
Engoli em seco e fui para o sofá com a certeza que seria preferível lutar com Clarisse até que ela deslocasse todos os meus membros para depois volta-los ao lugar do que continuar ali e conversar o que quer que fosse com Kaíros.
Meu anfitrião no entanto parecia muito relaxado com um sorriso besta antes de levantar as sobrancelhas em uma clara provocação.
–Então foi quase lá, mais um pouco e vocês teriam ido além das expectativas. Mas, se Liz acordasse no meio seria no minimo complicado.
Aquelas palavras eram a tradução da minha consciência quanto Lizandra acordou, por que foi quando me dei conta que estava prestes a transar com Lilliel em um impulso e nem sabia dizer se teria parado por vontade própria mesmo com a certeza que naquele exato momento, naquela situação em que estavamos aquilo seria um erro irremediável.
–Eu sinto muito por aquilo. -Consegui responder largado no sofá. -Eu só... não sei de mais nada.
–Mas eu sei. Você é humano e tem presa, francamente, entre nós dois, se eu fosse humano e sua tia também eu não estaria sendo tão paciênte ao ponto de esperar por mais de um éon para te-la em meus braços. Por isso agradeço ser o deus do tempo e imortal.
–Então sabe quando minha tia vai aceitar casar e ter uma dúzia de filhos com você? -Provoquei.
–Não, mas isso também não quer dizer que não vai acontecer amanhã ou daqui a dez anos ou mesmo mil anos. Eu ainda posso esperar, tenho tido a paciência que nenhum outro deus teria em condições normais por tanto tempo que seria um pecado trair a confiança dela e a minha palavra agora.
As palavras e o olhar de Kaíors eram tão parecidos com os que vi em Melindra no sonho que tive com as caçadoras que foi quase chocante, era como ver uma repetição daquele sentimento de abandono de quem não escolheu estar sozinho daquela forma, mas, também não tem escolha no que diz respeito ao amor.
Encarei a mesa de centroprocurando evitar o olhar de Kaíros a todo o custo.
–Me desculpe, sinto que sempre que conversamos algo leva com que tenham esses olhares. Você, Melindra, Lizandra e Lilliel, quase como se fazer parte da “Linhagem” fosse um fardo maior do que podem suportar. De certa forma isso me faz sentir culpa.
Então uma risada ecoou pelo recinto.
Levantei o olhar assustado e encarei Kaíros ainda rindo.
–Nossa, você é mesmo parecido com Ártemis mais do que imagina, me faz pensar que quando ela me aceitar um filho nosso seria igual a você, garoto, por que de alguma forma nunca vi homem criado de forma tão parecida com o que sua tia espera e capaz de falar da mesma forma. -O riso cessou e ele ficou sério. -De certa forma essa ideia me deixa feliz e triste ao mesmo tempo, de uma forma um tanto ciumenta, mesmo assim queria te mostrar algo sobre a Lilliel.
Aquilo gelou a minha espinha, por que no final ele deu um sorriso malandro
–Por favor, me diz que não são imagens dela com outro cara na cama. Qualquer outra coisa da vida dela, menos isso.
Kaíros deu outra gargalhada.
–Mesmo que tenham imagens desse tipo elas farão parte do futuro e não do passado, sendo assim acho que você pode achar interessante algumas coisas, agora assista.
Ele estalou os dedos e só tive tempo de dizer:
–Mierda!
No momento seguinte imagens pularam nas minhas vistas.
Eu podia ver Lilliel em uma cozinha como se tivesse acabado de levantar com uma camiseta larga e de calcinha, uma cena familiar quando você conhece Lana, mas, nada divertida ali. Ela olhou pela janela em direção aos prédios próximos sorrindo.
A cena mudou e agora Lilliel estava nua de costas tomando banho enquanto a água deslizava pelas suas costas e cabelo, com outra mudança agora ela dormia nua sob o fino lençol em uma cama estranhamente familiar.
Na imagem seguinte Lilliel beijava o corpo de um homem, o qual eu não via o rosto, de uma forma que me deixou inflamado entre o ciúme e o desejo, até notar algumas cicatrizes que me eram tão familiares quanto minha alma, por que eram as minhas cicatrizes de treino.
Era eu que estava ali.
A imagem seguinte foi ainda mais clara, pois ela estava sentada sobre o abdómen anterior, o meu, nua com longos cabelos platinados deslizando pelos ombros até a cintura aonde minhas mãos a seguravam acariciando sua cintura e ela sorria de uma forma tão linda que nunca pensei que poderia ver.
Então tudo sumiu e eu estava novamente na frente de Kaíros.
–Mas... mas o que demônios foi isso agora?! -Encarei-o, ele sorria divertido com sua pequena traquinagem. -Era eu naquelas imagens, aquelar cicatrizes são minhas e, até mesmo, a da vez que Liz rasgou meu peito sem querer, tudo, estava tudo ali. Como?!
Kaíros deu de ombros.
–Da mesma forma que Lilliel sabia sobre a dracne, ainda que pelas escolhas dela o que apareceu foi Kampe, e da mesma forma como ela já sabe que vocês provavelmente não vão mais para o cassino, é o futuro mais provável. Só que no caso de vocês eu não sei dizer exatamente como isso vai se resolver, apenas sei que vai ser em breve.
Eu ainda estava encarando Kaíros um tanto quanto perdido, afinal, o cara é doido.
Respirei fundo e me preparei mentalmente para não falar besteira, o que normalmente é perda de tempo.
–Da forma como você fala, faz parecer que não sabe como vai ser o resultado mais provável por mais variações que possam existir. -Resmunguei contrariado e ele riu.
–Claro que sei da chance mais provável quanto da mais segura, não só para você e a Lilliel ou a missão como para Lizandra e Leon ou os outros, mas, isso, não significa nada quando vocês todos são tão cabeças duras.
Me dei por vencido naquele assunto, por que discutir com Kaíros sobre isso era um desperdício de tempo e paciência.
–Tudo bem, eu já entendi a ideia geral, mas, afinal, você me chamou só para isso?
Então o clima na sala ficou tenso, muito tenso mesmo, e eu fiquei esperando a resposta por mais de cinco minutos em silêncio.
–Amanhã. -A voz de Kaíros soou distante e, até mesmo, culpada. -Do jeito que as coisas estão, amanhã, vocês podem morrer e se isso não acontecer, bom, não posso dizer que vocês sairão minimamente ilesos, por que seria mentira. Uma grande mentira. -No final ele me encarou e respirou fundo. -Vocês estarão oficialmente dentro da minha casa e meus guardas, como já deve ter notado, não são tolerantes ou fracos, embora as vezes relaxados no começo.
Engoli em seco ao lembrar que o relaxo deles em Denver, afinal quase morremos e pelo que Kaíros falou eles não estavam sérios.
–Sim, Melindra comentou algo. -Resolvi tentar não pensar naqueles monstros.
Kaíros deu uma risada curta.
–Posso imaginar, afinal, ela é única.
–E todos eles não são? Seus descendentes?
Ele me encarou sorrindo.
–Sim, mas, ela é diferente, por assim dizer, já que está realmente destinada a um imortal divino desde sempre e para a eternidade, não por uma vida ou alguns dias. Ela nasceu para amar ele e mesmo que aquele deus ainda não tenha se dado conta que é esperado desde antes de nascer, bom, ele também nasceu para amar só ela.
Ficamos em silêncio por algum tempo.
Era como se ambos precisassem de alguns instantes, ele ficou encarando o fogo dançar na lareira e eu olhando distraído para o teto.
Acho que haviam passado quinze minutos quando simplesmente falei:
–De onde Lizandra tirou aquela pena?
–Presente de Hera, pra variar. -Ele estava tão distraído que não conseguia acreditar no que dizia.
–Por que Hera daria algo a Liz ou a qualquer semi-deus sem motivo? -Sim, eu não tinha acreditado.
–Sei lá. Por que uma madrinha precisa de um motivo para dar um presente a sua afilhada. Não deveria ser normal? -Ele ainda estava supertranquilo.
–Sim, madrinhas realmente... -Foi quando a ficha me caiu de vez. -MADRINHA?! Desde quando?!
Kaíros coçou o ouvido como se meu breve grito o tivesse deixado surdo.
–Sei lá. Que me lembre desde sempre e foi Hera que se ofereceu, inclusive era ela, que a pedido de Kira, estava selando os poderes de Lizandra até alguns dias atrás. -Ele esticou a mão e pegou a caneca de chá. -Morno é melhor do que quente para o chá nesse lugar. -Comentou distraído.
–Eu já posso ir embora? -Sim, precisei perguntar.
Kaíros deu outro de seus sorrisos marotos.
–Tudo bem, mas antes um breve aviso. Liz e Lilli vão me fazer um favor, resolver um mau entendido de alguns parentes no acampamento e talvez precisem da sua ajuda.
–Que tipo de ajuda elas poderiam precisar. -Principalmente no acampamento, acrescentei mentalmente.
–Assim que elas souberem melhor o que precisam fazer vão te contar. -Ou seja, ele resolveu me dizer que vai aprontar com elas antes de avisa-las. Perfeito. -Bom, eu vou dar um breve desconto para vocês pelos problemas que vou causar, então aproveitem.
Eu pensei em retrucar e perguntar o que aquilo queria dizer, mas, como todos os deuses, Kaíros apenas sumiu sem deixar nada no lugar e isso significa que cai na escuridão, mas, pelo menos dormi em paz.
Na verdade dormi foi além da conta.
17 de Dezembro
Bem, as coisas poderiam ter dado muito mais errado antes mesmo de acordarmos, então eu acho que de alguma forma nosso dia começou muito bem apesar de tudo que veio depois.
De certo modo as coisas não começaram exatamente bem, afinal nós três dormimos muito além da conta ou dos nossos planos, o que quer dizer que perdemos hora.
Na verdade foram as duas pestes que me acordaram depois de finalmente fazerem o mesmo e me esperarem por meia hora.
Aliás, não me julgue errado ao chama-las de pestes.
Você não estava no meu lugar quando Liz me deu um choque ou quando dei de cara com Lilliel sem o shorts, o que significa que eu fui tirado do meu mundo do descanso na base da surra e jogado no inferno do “vou mostrar, mais está proibido de tocar”.
Como não podia nem puxar a orelha das duas eu dei um grito digno da Clarisse, o que fez as duas me encararem confusas e, até mesmo, com medo.
–Suas pestes malditas, poderiam ter me sacudido ou gritado, mas, não é legal dar choque nos outros. -Esbravejei.
–Ei! Quem deu o choque foi ela, eu não fiz nada. -Lilliel se defendeu.
–Quieta. Você faz coisa pior que ela para tentar dar uma de santa aqui. -Inclusive deixou meu corpo inteiro ligado em menos de um minuto, acrescentei mentalmente.
–Posso imaginar. -Lizandra sussurrou e lancei um olhar mortal para ela que encolheu. -Pode cuidar das nossas pernas, estão doendo de verdade.
Suspirei agoniado.
A irritação passou e fui na direção da minha mochila para pegar minhas coisas, quando voltei as duas já tinham começado a tirar os curativos.
Fui primeiro para a perna da Liz que foi a mais difícil e a mais simples.
Simples por que eu conseguia me concentrar no que fazia e difícil por que aquilo estava de longe muito pior que a perna da Lilliel no dia que se machucou. Na verdade já era para ser chamado de milagre os nervos, veias e artérias terem se desviado das barras dando a minima esperança de que aquilo poderia ficar bom com muito cuidado.
Enquanto eu cortava e retirava o acumulo de pus, que inevitavelmente, me faziam tirar pequenos pedaços de pele e músculo muito danificados, ou muito infecionados, Liz mordeu o travesseiro com força e se agarrou ao lençol retorcendo-os em suas mãos, seus gritos de dor mau contidos facilmente audíveis pelo quarto inteiro.
Aquela situação me fazia duvidar da minha escolha de não decepar a perna no dia anterior, por que a minha vaga esperança dependia muito mais de um milagre que de qualquer outra chance de realizar um bom trabalho como curandeiro nos próximos dias. Eu não sabia nem se do jeito como as coisas estavam indo eu poderia manter a perna dela no lugar e não precisar cortar hoje ou amanhã.
Não via o que poderia fazer e aquilo me assustava de muitas formas.
Quando finalmente terminei tudo Lizandra estava quase desmaiada, suada e ofegante como se tivesse corrido A maratona, de certa forma eu entendia aquilo. Ela estava com principio de febre e nas duas vezes que vi essa garota doente além de mais manhosa do que um gato, minha irmã ficou tão sensível a dor que quase matou eu e Clarisse de preocupação.
Deixei Liz descansar depois de encher os buracos na sua perna de algodão em bebidos em néctar e enfaixar sua perna com tudo que pude pensar de unguentos.
Encarei Lilliel que tinha uma cara de poucos amigos e como eu sou um idiota agi como todo idiota age.
–Certo, pode me olhar com essa cara feia se quiser, por que eu não fiz nada de errado ontem e se não gostou deveria ter falado, batido ou xingado, até mesmo os três. Então pelo que aconteceu aquela hora não vou me desculpar, mas sinto muito pelo que falei depois, afinal, por mais que fosse verdade não deveria ser tão grosseiro.
Ela ficou em silêncio e eu comecei a cuidar da perna dela, que não estava tão ruim quanto poderia parecer, na verdade estava muito promissora e aquilo me fez desejar que a perna de Liz melhorasse daquele jeito.
A infecção era minima comparada com o dia anterior e isso me deixava feliz, mesmo que o estado da cicatrização fosse nulo e foi esse fato que me fez precisar remover pequenos pedaços o tecido exposto como foi com Liz.
Lilliel não gritou tanto, mas ela não estava com febre ou mesmo se forçando além do próprio limite como minha irmã sempre fazia e isso de certa forma fazia grande diferença nas reações tomadas, até mesmo as minhas.
Terminei a perna dela e me virei para arrumar minhas coisas, foi quando Lilli respondeu minha questão.
–Não deveria pedir desculpas por falar a verdade. -Ela estava um pouco rouca.
–Não foi por isso que pedi desculpas, foi por ser grosseiro na forma como falei. -Retruquei.
–Por que é sempre assim tão certinho?
Precisei respirar fundo duas vezes e encarei ela.
–Por que eu, apesar de ter toda a educação que recebi da minha mãe para horar a minha tia, ainda sou o perfeito filho do meu pai nos pontos mais perigosos e você é o que me deixa a cinco segundos de ser a cópia perfeita de Apolo quando falam dele e Teresa juntos. Se quiser detalhes pergunte mais para a Lizandra.
Lilliel ficou em silêncio.
Já eu estava ciente que Lizandra ouvia tudo e o fato de ela não ter feito piadas ainda tinha duas razões nada legais, por que a primeira era a dor naquela perna e a outra por que ela sabia que a coisa já estava mais do que feia para precisar alfinetar, o que em outras palavras significa que ela pode muito bem estar se divertindo.
Olhei no relógio de pulso sobre as minhas roupas, passava do meio dia, haviamos perdido quase um dia inteiro da missão e se eu tivesse certo perderiamos mais uma a duas horas para conseguir sair do hotel além do tempo até conseguir arrastar as duas para o ponto. Fui para o banheiro e levei um susto.
Certo, Kaíros havia falado em desconto, então não era de se estranhar dois pares de muletas encostadas na pia. Peguei ambas e voltei para o quarto.
–Minha visita dessa noite deixou isso para vocês. -Avisei já voltando para o banheiro.
–Que visita? -Lilliel.
–Luti. -Logo em seguida já tinha fechado a porta, por que a última coisa que faria era falar para ela ou Liz sobre o que haviamos conversado no sonho.
Resolvi tomar um banho rápido e já colocar uma roupa para tentar pelo menos começar nossa saída.
No final levamos cerca de uma hora e meia para sairmos do hotel, as duas conseguiram tomar um banho rápido e se trocarem sem a minha ajuda, o que me ajudou muito.
No caminho do ponto de ônibus paramos em uma padaria e comprei comida para aquelas duas esfomeadas.
As duas conseguiam andar sem muitos problemas e isso me deixou com a maior parte das mochilas, ainda que cada uma tivesse tentado levar suas coisas eu não deixei, mas elas me forçaram até que cada uma ficasse com pelo menos uma mochila.
Pegar o ônibus e seguir até Las Vegas não foi a parte difícil, a viagem durou pouco mais de uma hora e descemos no último ponto quase às três e meia da tarde, já que aquela linha não ia até o centro da cidade, e sim até a entrada. Paramos perto de uma lanchonete que a julgar pelas marcas de pneu no chão tinha horas de muito movimento, mas com certeza não estavamos em uma delas, resolvemos ir até lá para ver se conseguiamos alguma informação sobre as linhas de ônibus para o centro da cidade ou mesmo um táxi se necessário.
Havia cerca de três ou cinco carros no estacionamento, sendo que um deles tinha o logo da lanchonete, o que indicava que deveria ter no máximo quinze pessoas lá dentro e de alguma forma isso não me animou nada.
Assim que entramos notamos que ao invés de quinze, o lugar tinha umas dez pessoas se muito e isso me animou menos ainda.
–Arrumem uma mesa meninas, eu vou ver com o dono se ele pode nos ajudar.
–Certo papai, sua filha aqui vai se comportar como uma criança junto com a mamãe. -Lizandra resolveu brincar, o que significa que ela também não está gostando de nada.
Isso por que eu e Lilli trocamos farpas o caminho todo enquanto Liz apenas sorria cínica.
–Sou mãe de ninguém aqui não para essa brincadeira besta. -Lilliel quase rosnou enquanto passava pela mesa ocupada indo para os lugares ao fundo.
Uma risada soou do meio daquelas pessoas chamando nossa atenção, mas decidimos ignorar, o que de certa forma foi ainda pior.
–Ora, seria difícil mesmo você ser mãe de alguém sendo anormal desse jeito, Lilliel. -A voz masculina na mesa fez Lilli se virar como se ouvisse um fantasma. -Ainda lembra da minha voz então. Como você é triste garota. Parece que ainda esta rastejando na lama que te joguei.
–Oliver? -Lilliel parecia assustada.
–Quem mais seria? Ou foi outra pessoa que conseguiu dormir com você, tirar sua virgindade e ainda faturar milzinho em uma aposta, além de te humilhar na frente de toda a classe, isso para não falar da escola? -Sim, eu iria matar aquele cara agora.
O tal de Oliver iria visitar meu tio Hades e eu pagava até as moedas para garantir que ele fosse fervido em óleo quente pela eternidade sem descanso, por que se preciso depois de morto seria capaz de trabalhar nos campos de punição para garantir isso.
A questão foi que ao invés de ir estrangular o infeliz meu corpo agiu por conta própria e avançou na direção de Lilliel que parecia em choque, como na visão que Kaíros tinha me dado em Evansville.
Os meus passos eram tão firmes que quando alcancei Lilliel ainda sentindo aquele desejo possessivo e o ciúme quase mortal de qualquer um que pudesse toca-la ou mesmo gostar da sua presença, eu juro, pensei que algo de ruim iria acontecer.
Ao invés disso minha mão se juntou a sua cintura virando-a na minha direção fazendo ela me encarar, minha outra mão levantou seu rosto e me inclinei beijando-a, dessa vez eu sabia exatamente cada movimento que meu corpo havia feito antes de meus lábios estarem nos dela e estava satisfeito.
Não era em uma situação assim, mas era dessa forma que eu sempre quis beija-la a primeira vez e dessa vez consegui pelo menos um pouco daquilo.
Continua...
Notas finais
Mas meio que é para apresentar os personagens como eu imagino eles um pouco, não está exatamente como eu imagino, mas bem próximo ao menos eu garanto.
Lizandra Hanabi Zelothya
Idade: 18 anos.
Mãe Kira Alexis Zelothya.
Filha de Hermes.
Olhos Azul cristal ou Azul escuro (varia um pouco com o humor).
Cabelos negros até a cintura e pele bronzeada.
Altura: 168 cm.
Peso 74 Kg.
Curiosidade: Quando usa a Benção de Ares os olhos da Lizandra ficam de um vermelho muito chamativo.
Imagens de referência.
Aperência:
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Olhos:
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https://www.facebook.com/photo.php?fbid=379495385510712&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=1&permPage=1
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com a Benção de Ares:
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Arma:
Espada Meia-Lua
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