The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
39 Pelos Deuses! Até Pra Ser Idiota Tem Limite!
Notas iniciais
- Milena Corrêa, ficou na dúvida de quando foi que Gray e Lilliel começaram a namorar se não teve pedido. Culpa minha, mas na verdade ficou subentendido, mas garanto que farei um pedido apropriado.
- A Granger, nossa, ela me deu outra canseira. Falou da dor da Lilli ao acordar, ficou com pena do Gray, em dúvida sobre a Liz acordar ou não, e sobre a família da Lilli. Isso sem falar da indignação dela com a estranha reação da Lilli ao Gray, ou a curiosidade quanto ao que o Carlo fez ou sua felicidade quando ele foi trolado pela Liz ou a reação dele no final.
Fora isso pessoal, espero que tenham gostado das informações sobre o Carlo. Aliás, alguém leu?
Bom, a ficha da vez é de um personagem que foi mais citado do que apareceu (assim como o Leon), mas prestem atenção nela.
Agora se divirtão, esse cap foi particularmente... interessante, mas nem tanto quanto o próximo.
Lizandra
Deuses!
Como as coisas tão certo tão rápido quanto vão desandar?
Certo, a pergunta foi retorica, mas de alguma forma isso se encaixa muito bem na nossa situação, do Gray e da Lilliel mais que a minha, só que isso é detalhe agora.
Quando o carro parou na frente do Lótus me preparei para perdermos dez anos ali dentro, além da nossa sanidade final, mas ao contrário disso tudo pareceu que havia entrado na ilha dos Afortunados com a permissão do tio Hades, o que não deixa de ser estranho, só que de uma forma boa.
Para começar assim que passamos da porta um dos “empregados-carcereiros” veio na nossa direção. Ele era alto e magro, com os ossos salientes e pronunciados, a pele negra como café e olhos opacos, os cabelos oleosos e brancos curtos quase colados contra a pele do couro cabeludo. O homem se curvou breve, mas respeitosamente, na nossa direção e cumprimentou meu primo estranho.
–Senhor Carlo, que bom que voltou. Vejo que trouxe outros donos do tempo do cassino como companhia, então todos devem receber o tratamento especial, certo?
–Exato Bernard, da forma como o dono manda.
O homem torceu o nariz.
–Não me chame por esse nome mortal. -Resmungou.
–Quer que te chame como? Caveira Negra? — Carlo provocou.
–Prefiro o nome que escolhi do que Bernard. — Retrucou o homem.
–Desde quando Máv̱ro Kranío é nome de gente? -Francamente, Carlo não sabe o que é limite.
E eu sou uma idiota, por que no minuto seguinte o cara do hotel virou nosso “colega” de areia negra que o Gray tentou enfrentar e voltou a forma humana em seguida.
–Perdão pelo lapso, as vezes acontece de assumir a outra forma fora de hora.
Nesse momento que nós três gritamos, por que até então ainda estavamos sem reação.
–Como assim?! Você é o areia-negra-cara-de-caveira?! -Quem gritou isso foi a Lilli, o que achei um milagre, mas ela logo sentiu a dor do machucado e grunhiu.
–Mas eu matei você com aquela flecha! -Esse foi meu irmãozinho.
–Como assim você tem forma humana?! -E eu fui na que ninguém parecia ter notado.
Carlo começou a rir e o homem, Máv̱ro, rolou os olhos um tanto descontente.
–Sim e antes que pergunte todos tem outras formas, nem sempre humanas, mas que se disfarçam com perfeição como nosso pai desejou.
–Pai? -Gray parecia perdido.
–Urano. Bom, Kaíros também, mas isso é um tanto confuso. -Máv̱ro pareceu desconfortável, mas eu estava curiosa.
–Explica, por que ninguém fala nada pra gente antes de acontecer. -Falei na cara dura mesmo.
Ele suspirou vencido.
–O meteorito que forjou essa fortaleza é vindo do Caos e foi banhado no sangue de Kaíros doado voluntariamente. O deserto que nos cerca faz parte do ventre mais estéril de Gaia foi banhado no sangue de Urano por pedido dele. Quando as forças que deveriam proteger Urano foram acuadas por Gaia ao redor do meteoro a união do sangue de Kaíros e Caos se manifestou e se uniu ao sangue de Gaia e Urano, como consequência fomos expelidos do meteorito que se infiltrou na terra e fez a mãe terra recuar. Então todo o deserto em que estamos virou a casa de Urano e Kaíros, Gaia não pode interferir nem negar energia vital ao lugar por que quem suga essa vida é o Caos que aqui deixou um pedaço e eu, bem como meus irmãos, fomos impelidos a proteger esse lugar e aqueles que nos deram a vida, além de não terem nos renegado.
Pisquei duas vezes.
–Então, você meio que é um tio distante e, desculpe o que vou dizer, estranho da nossa família? -Arrisquei.
–Isso mesmo. Mas levando em conta alguns dos seus parentes mais diretos eu nem sou o mais estranho.
Era verdade, então concordei.
–E os outros quem são? Seus irmãos? -Lilliel perguntou baixo.
–O cachorrão, aliás ele tem a forma de um Rusk, é o Thi̱río e, sim, ele que escolheu o nome. O grandão de gelo é o Kataigída Krýo. O que tem armadura de lobo negra é o Máv̱ri̱ Psychí̱ . O enlatado de vermelho é Stratió̱ti̱ tou Polémou. O que tem cara de um demonio de chifres é o Thi̱río Daímonas. O que parece ser feito de energia é Zo̱í̱ Ago̱goú. E o que não lutou com ninguém é Díkaios.
–Caveira Negra, Besta, Alma Negra, Tempestade Fria, Soldado de Guerra, Besta Demônio, Condutor de Vida e O Justo. -Carlo traduziu com um sorriso debochado.
–Olha, só queriamos nomes, nada de frescuras, apenas uma denominação individual e que nos representasse, mesmo que fosse óbvio como a luz do dia o que eles significavam sobre nós. -Máv̱ro cuspiu as palavras irritado oscilando de forma entre o humano e o monstro. -Enfim, cansei dessa brincadeira. -Ele sacudiu as mãos e em seguida estendeu ambas na nossa direção, eu peguei todas. -Peguem as chaves de acesso aos quartos e façam o que quiser no cassino, eu vou me retirar por que ainda tenho dores daquela flecha de sol e lua bloqueando minha forma de monstro completa.
E depois dessa ele deu no pé virando uma nuvem de areia se infiltrando no sistema de ar do hotel.
–Como puderam perceber Máv̱ro é um tanto dramático, mas é um cara legal assim como os outros e é o único além do Díkaios que conversa normalmente com humanos sem muitos... como dizer, problemas. Os dois não matam ninguém sem motivo, é isso. -Dessa vez foi Carlo que pareceu desconfortável.
Eu achei graça, não sou a única doida homicida da família afinal, mas as caras de Gray e Lilliel foram muito boas, o que me fez pensar na história dos quartos.
Tinhamos chaves para dois quartos e pela cara de Carlo ao notar isso aquilo não era comum, já eu podia sentir o cheiro do dedo de Kaíros nessa história e, acho que apesar de tudo, meu primo não demorou a notar isso também.
–Bom, já está decidido, temos dois quartos e quero passar algum tempo conversando com o Carlo sem interferência, então vocês dois que se entendam no outro. -Informei sem nenhuma dúvida.
–Como assim no mesmo quarto? -Lilliel parecia que tinha levado um tapa no lado bom do rosto.
–Você tá de brincadeira comigo? -Já Gray estava desesperado mesmo.
–Divirtão-se. -E o Carlo estava adorando.
–Eu não aceito isso de jeito nenhum. Por que eu tenho que ficar com o Gray no mesmo quarto? -Eu precisei me segurar para não dar uma resposta mais cínica do que a que me escapou.
–Qual o problema? Não é como se não tivessem feito de conta que eu estava no quarto a alguns dias atrás para atrapalhar, então por que reclamar agora que não vão precisar se preocupar comigo.
–Liz, isso não é muito exagerado da sua parte? -Sim, eu estava com pena do Gray, mas isso é detalhe.
–O que? Correr o risco de você aparecer na porta do quarto e os dois começarem a se agarrar? Valeu, mas não. Prefiro não correr tal risco. -Direta, cínica e direta, eu me amo.
–Isso não é justo Liz. -Gray diz ainda mais desesperado, mesmo que se controlando.
–A vida não é justa amigo, isso não é exclusivo de semideuses. -Carlo intercede no meu lugar.
–SEUS DEMONIOS! Isso não vai ficar assim! -Depois desse “surto” da Lilliel ninguém falou mais nada.
Carlo apenas pegou as bolsas e levou as dela para o quarto definido junto com as coisas de Gray, enquanto meu irmãozinho levou as minhas para o quarto que descobrir já ser do meu primo.
Deixamos as bolsas em um canto, Gray sentou no sofá e eu deitei na cama de solteiro vazia, ficamos em silêncio por alguns minutos em que fiquei revisando a luta contra os guardas de Kaíros e Urano.
Aliás acho que teria feito isso o resto do dia, mas depois de uma meia hora esperando Carlo voltar com Lilliel podemos dizer que Gray cansou do silêncio
–Liz, você não pode fazer isso e mesmo que eu entenda que de alguma forma quer me ajudar isso é errado. A Lilliel perdeu a memória e sei que agora mesmo que ela tenha lembrado de algumas coisas tudo parece um sonho nublado, como quando a gente desmaia e acorda em um lugar estranho. Forçar as coisas desse jeito não vai me ajudar em nada. -Gray ainda estava tentando me convencer a mudar de ideia.
Mas eu apenas respirei fundo antes de joga-lo contra a parede.
–Não me venha com essa Gray, nem você acredita que pode dar mais cinco minutos para a Lilliel resolver essa questão da memória ainda confusa dela, afinal, admita, que nem que pudesse poderia fazer seu corpo reagir menos a ela. Pensa que não vejo que você passa metade do seu tempo rangendo os dentes desde que eu acordei no hospital todas as vezes que olha para a Lilli ou ouve a voz dela ou mesmo sente aquele perfume preenchendo o lugar, você perdeu o seu autocontrole a algum tempo e vem se mantendo longe dela por pura força de vontade.
Quando a porta abriu Gray se virou imediatamente, mas eu continuei tirando as ataduras da minha perna, sabia que demora dos meus primos tinha um motivo: Lilliel se recusou a sair do quarto e Carlo deve ter refeito o curativo do que quer que tenha debaixo daquelas ataduras na cara dela. Por isso não me surpreendeu ver ele ali com a cara de quem poderia ter esganado nossa prima pela teimosia desenfreada.
Eu não sei como, mas ele parecia bem por dentro do que estavamos falando e irritado como parecia estar depois de meia hora na companhia exclusiva de Lilliel, não hesitou em despejar tudo o que queria na cara de Gray.
–Se quer saber eu pararia de me importar com isso de ser o cara certinho correria para aquele quarto e torcia para os deuses estarem muito ocupados para vigiar minha vida. Claro que a pessoa naquele quarto não poderia ser a Lilliel se fosse eu, mas no seu caso isso parece ser bom e é o meu conselho. Aquela garota irritante e idiota precisa mesmo ser jogada contra a parede e forçada a reagir, tomar uma decisão de uma vez por todas, por que ficar irritada daquele jeito é... como alguém pode ser tão imbecil no mundo de perguntar “o que você acha que devo fazer?”, quando tá na cara que ela sente o mesmo que você. -Nessa hora ele apontou o dedo na cara de Gray antes de dar um grito de pura irritação. -Quando se trata de amor nessa família só tem azarado e idiota! Então Gray, vê se entende, ficar aqui chorando por que ela teve uma perda temporária de memória pelo choque já era, a mente dela pode até ainda estar enevoada, mas isso se resolve com outras medidas também. Então, decida de uma vez, tome uma atitude ou fique ai esperando o milagre. -Nessa hora ele se afastou e chutou a parede com força, quando voltou mancando para a cama ocupada de roupas Carlo nem ligou de tira-las dali, apenas se jogou com vontade.
Gray parecia preocupado com o que quer que estivesse pensando.
–Mesmo que você diga isso Carlo, não é exatamente simples como parece e nem como se eu planejasse arrumar uma namorada que me faz perder a sanidade no meio da missão.
Foi quando eu não aguentei e desatei a rir como uma condenada.
Pensar que Gray agora estava hesitante por que teve tempo de raciocinar e lembrar que não tinha um mísero preservativo na carteira foi o cúmulo dos absurdos. A dois dias ele nem fazia questão de ter lembrado disso, mas esse idiota precisava parecer mais com o tio Apolo as vezes.
Acho até que não fui a única a notar isso, por que depois de alguns minutos Carlo também começou a rir como um condenado, de tão comica e absurda que a situação havia se tornado.
Quando eu consegui parar de rir e respirar reparei que a cara de Gray não era das melhores, mas isso não me impediria de provoca-lo.
–Sério? Vocês quase transaram comigo dormindo na cama do lado, sem cortina a alguns dias e agora você simplesmente diz que não pode fazer isso agora por que lembrou que não tem uma camisinha no meio das suas coisas? -Pelo tom avermelhado que o rosto dele assumiu eu entendi que era vergonha mesmo, se não Gray teria gritado como faz quando falo sore essas coisas. -Bom, que seja, mas não pense que vou deixar você simplesmente esquecer as coisas como estão até voltarmos ao acampamento.
Levantei da cama a duras penas por conta da perna e fui até minha bolsa de roupas jogada no canto do quarto, abri o zíper e comecei a procurar a fonte constante de irritação que me fazia uma vez por mês querer matar Clarisse com requintes de crueldade.
Eu sabia que ela havia colocado aquilo em algum canto da minha mala por que, primeiro: Clarisse havia aparecido no Chalé enquanto eu arrumava minhas coisas para a missão com aquela cara de quem sabia de algo, o que acho que era a compatibilidade de Gray e Lilliel.
Segundo: eu achei aquilo na minha bolsa na noite do primeiro dia da missão e mesmo que felizmente nem Gray ou Lilli tivessem visto ou existisse qualquer prova de que as coisas ficariam assim, algo, uma intuição ou pressentimento, me disse para não jogar aquele presente idiota fora.
Pensando bem, eu acho que Clarisse não é tão idiota para o amor quanto os outros querem acreditar e que ela antecipou com perfeição que Gray e Lilliel ficariam juntos, afinal ela sabe muito bem, melhor que meu irmão ou prima, que eu amo o Leon.
Quando finalmente achei o pequeno estojo na minha bolsa abri e peguei o presente de Clarisse ainda embrulhado no papel branco, levantei e segui até a minha cama antes de jogar aquilo para Gray.
–Se for agradecer a alguém, espere chegarmos ao acampamento e procure a Clarisse. Aquela doida me dá um desses todo o mês e todo o mês eu pergunto o que ela acha que vou fazer com isso.
Assim que Gray rasgou o papel irritado pela minha forma de falar o pacote de preservativos caiu no seu colo e ele me olhou como quem não sabia de grudava no meu colarinho pra saber como eu tinha aquilo ou se ficava alegre ou ainda se precisaria se beliscar para saber que estava sonhando.
No final ele não fez nenhum dos três e respirou fundo.
–Por que diabos você tem isso? Ou melhor, por que Clarisse te dá um desses todo o mês? -Na verdade a pergunta dele era a segunda, já que a primeira eu respondi quando joguei o pacote.
Respirei fundo tentando não ficar irritada com a razão que me deram quando perguntei o mesmo.
–Segundo Clarisse e Chris, isso é um incentivo para que eu crie coragem e me declare para o Leon de uma vez. Não me pergunte o por que eles acham que isso vai resolver alguma coisa ou me dar coragem de me declarar, porque sei tanto quanto você. Só que como foi ela que sorrateiramente colocou isso na minha bolsa antes da missão eu repito que se quiser agradecer a alguém deve fazer isso a ela no acampamento.
Carlo deu uma senhora gargalhada antes de sentar na cama.
–Bom, eu pretendia te dar uma das minhas, mas parece que você tem pessoas que te conhecem mais do que pensa e se importam com você. Uma verdadeira família. -Havia algo naquelas palavras que me deixaram feliz de ter Carlo ali, conversando com Gray. -Quando eu sai do quarto a Lilli disse que iria tomar um banho, não entendi por que, mas, se eu tivesse que apostar diria que ela está se sentindo como você sobre dividirem o mesmo quarto. Então, talvez, quem sabe, não seja a hora de mandar tudo para o inferno e fazer o que quer, mesmo que os deuses estejam vigiando a gente. -Dessa vez Carlo tinha um sorriso descontraído e até divertido incentivando Gray.
Meu irmão parecia um tanto quanto confuso e seu olhar mudava entre eu e meu primo para o pacote de preservativos em suas mãos, até levantar e ir para o banheiro em silêncio.
Encarei a porta por um minuto antes de me virar para Carlo:
–O que acha que ele foi fazer?
–Não faço ideia garota, mas sei que ele vai acabar fazendo o que precisa, pelo menos espero que ele seja esse tipo de pessoa.
Ficamos em silêncio esperado algo acontecer e depois de uns vinte minutos o barulho de água fez ambos ficarem curiosos, depois o silêncio voltou e quinze minutos depois Gray abriu a porta. Os cabelos estavam molhados e a camiseta perecia levemente úmida, como se vestida por cima da pele molhada, ele encarou Carlo:
–Ela estava indo para o banho?
–Sim, provavelmente ainda não terminou, mas isso deve acontecer em poucos minutos se conheço bem os meus primos. -Carlo parecia em dúvida.
Gray respirou fundo e começou a andar até a porta.
–Certo. Não precisam aparecer para desejar boa noite.
Olhei pela janela, o sol ainda claro.
–Gray é de dia, não tem como desejar boa noite antes das próximas oito horas.
–Espero então que não me interrompa nesse meio tempo Lizandra. -E dizendo isso ele fechou a porta do quarto deixando eu e Carlo com cara de “quê?”.
Claro que isso durou só uns dois minutos antes de ambos desatarmos a rir.
Olhei no relógio na cabeceira da cama e constatei que eram onze da manhã, o que dá para Gray sete horas até a noite, mas, tudo bem.
Ouvi um suspiro e me virei para encarar Carlo, ele parecia levemente satisfeito com o resultado daquilo.
–Então, finalmente a cabeça dura da Lilli vai se dar bem. Dá até um pouco de inveja de pensar que ela encontrou que merece, quem vai amar só ela.
Sorri para aquele comentário.
–É sempre assim? Um único amor perfeito?
Carlo riu.
–Nada é sempre perfeito. Acontecem brigas, opiniões diferentes, mas... o laço que nos une a quem amamos e nos ama é completo, então, mesmo que briguem ou fiquem meses, anos separados vão sempre esperar um pelo outro. Depois que se olham pela primeira vez nunca mais existirá outros, exceto se forem os deuses os parceiros, mas a “Linhagem” nunca vai ter outros a menos que sejam muito teimosos ou... acho que chamam de pessoas que não dizem “não”. Mas pessoas como sua mãe e tia Erza, vão amar e esperar apenas o seu deus, mesmo que seja doloroso. -Aquilo foi dito com um sentimento tão forte que eu senti o impacto das palavras contra meu peito.
–Conhece algum dos seus primos que tenha encontrado essa pessoa e não a viu mais? -Eu não sei pro que tinha perguntado aquilo.
–Bom, eles nunca falaram nada, mas, acredito que Lear e Ashlley encontraram esse amor eterno, só que o por que não estão com eles ou se um dia vão reencontra-los não posso dizer. Gostaria de poder dizer que todos acham quem estão destinados, mas casos como o seu e da Lilliel não são comuns. Meus outros primos dariam um olho aos deuses para acharem essa pessoa e eu também. -Carlo deu um sorriso meio “qualquer que seja ela”.
Ficamos alguns minutos em silêncio e pude notar que apesar de provocador, Carlo é uma pessoa muito agradável para ter uma conversa aonde cada um fala ao seu tempo e que quando necessário o silêncio pode seguir por vários minutos sem que o outro se sinta intimidado ou abandonado.
Carlo é alguém realmente maduro apesar da pose de idiota, a pessoa que estiver destinada a ama-lo e ser amada por ele, provavelmente, vai ser alguém de muita sorte.
Continuamos em silêncio por mais um tempo, até que de alguma forma estranha ouvimos vozes no quarto ao lado, não exatamente vozes, mas algo como gemidos.
–Deuses! Essas paredes são finas? -Eu não queria ouvir o que quer que Gray e Lilliel estivessem fazendo.
–Na verdade são grosas, mas como é a Lilliel e a parede não é a prova de som nós dois acabamos ouvindo. Faz parte do elo entre a “Linhagem”, por isso os quartos da casa dos meus avos são a prova de som. -Carlo fez uma careta também.
Levantei determinada e olhei para Carlo.
–Isso ainda é um cassino, então podemos ir lá jogar pela próxima hora pelo menos?
Carlo riu.
–Vamos fazer melhor, tem uma cafeteria no segundo andar que faz o melhor cappuccino do mundo e tem sofás muito confortáveis. Quero saber mais sobre você e sua mãe.
Por um momento me senti desconfortável, mas em seguida a ideia me pareceu realmente boa.
–Tudo bem, mas quero saber mais dos “Eucaristia”, acho que Lilliel não contou tudo.
–Não contou nada se falou das próprias experiências.
Carlo me ajudou a levantar e seguimos para o segundo andar em silêncio, por que minha perna mais chão é igual a dor, mas, enfim, de qualquer forma chegamos e meu primo tinha razão, os sofás eram muito confortáveis e o cappuccino então, divino.
Meu primo sentou no sofá a minha frente e me encarou.
–Então, o que preciso contar para começar?
–Como é a nossa família? Sabe, viver entre eles? -Admito que de todas as minhas duvidas essa era, de verdade, a maior.
Ele riu.
–Bom, depende do seu humor também. No geral é legal e a gente se diverte, tem histórias engraçadas, tristes, de momentos e as que marcam, mas, se quer realmente saber, eu gosto. Admito que nem sempre, mas acho que não viveria sem eles e mesmo com todas as queixas da Lilliel, eu sei que ela também é assim.
Acabei rindo ao pensar que Lilliel realmente pareceu ansiosa para um dia fazer parte da família louca que me descreveu no acampamento.
–Acho que entendo, me sinto ansiosa em conhecer todos. Você falou que Lear e Ashlley são gêmeos e tem dois irmãos mais novos, Briana, a mais velha de dez anos, e Akito, o caçula de oito. Quem são os outros? Quem é irmão de quem?
Carlo deu um sorriso bobo e tomou mais do seu cappuccino.
–Bom, eu sou o mais velho e tenho dois irmãos. Ross, ele tem vinte anos, e Bianca, de quinze. Os dois são muito espertos e tem personalidades irritantes as vezes, acho que pelo mesmo motivo que a maioria dos outros, azar no amor. Tenho um primo mais velho, Akihito, de vinte e oito anos, depois vem a Raquel, de vinte e quatro, e o Luce, de dezenove. Os três são unidos, mas as vezes ficam mais chatos que o normal e os três são advogados, uns bestas nesse ponto.
Acabei rindo, o que fez Carlo me encarar um tanto carrancudo.
–Nossa, você parece odiar advogados. Aliás, os outros não trabalham?
–Só não gosto da hipocrisia envolvendo a profissão e, respondendo sua nova pergunta, sim todos trabalham. Ashlley foi modelo por alguns anos e agora é professora de artes-marciais na academia de seguranças da família. Lear quase foi jogador de futebol pela faculdade, mas o que gosta e é bom de verdade é com decoração pesada. Reformou a casa dos meus pais em todos os detalhes do concreto a madeira, até refazer o piso de pedras sozinho. Eu sou médico, sempre fui do ramo até na época do colégio. Ross é aprendiz de produtor musical e Bianca é chefe do jornal da escola. -Podia ver claramente que Carlo se orgulhava do que falava sobre os primos e os irmãos.
–E depois três advogados? Dureza. -Brinquei.
–Pode zoar, eles são seus parentes também. -Acho que minha careta falou tudo, por que ele resolveu continuar. -Depois tem a Krista, vinte e três anos, engenheira. Josh, dezoito anos, atualmente quaterback da faculdade com propensão a seguir a carreira. E o Lionel, quatorze, apaixonado por biologia, talvez vire médico ou algo no ramo, mas não arriscaria. Ainda tem a Vivian, vinte e seis anos, mãe e professora de dança. A Nera de vinte e dois é aluna de artes plásticas, mas faz desenhos de roupas como estilista. Por fim a Misty, dezessete anos, chefe do clube de natação e deve ir para a faculdade de biologia marinha.
Quando Carlo parou de falar eu estava meio, totalmente, perdida e nem ao menos sabia ao que dizer quando ele completou.
–A Lilliel pretendia estudar história antiga, não sei se ainda vai fazer isso, mas ela já tinha decidido até que faculdade iria frequentar.
–Eu sei, ela comentou no acampamento a respeito disso, mas também não tenho certeza. Acredito que como é teimosa deva cursar só para dizer que foi até o fim, mas posso estar enganada, afinal os ruídos no quarto pareceram mais promissores do que imaginei que seria.
Carlo começou a rir daquilo como se nada pudesse estar mais perto da verdade do que aquelas palavras.
Então respirei fundo e perguntei o que estava me sufocando desde meu encontro com Kaíros, desde a visão da minha família.
–O que sabe da minha família? Minha avó? Meus primos? Meus tios e tias?
Carlo se moveu desconfortável.
–Quer mesmo perguntar isso agora Liz?
–É o que mais quero na verdade.
Meu primo deu outro suspiro longo e desconfortável.
–Seus dois tios, irmãos mais novos da sua mãe, estão tão doentes quanto ela na mesma época e idade, afinal Kira ainda sabia como amenizar os sintomas pelo menos na sua frente. Suas tias se apaixonaram por eles e mesmo sabendo o que viria queriam ficar ao lado deles, quando souberam do acordo da sua mãe e que seus tios eram os últimos além dela a carregar a doença resolveram não ter medo de ter os filhos que queriam com eles. Você tem quatro primos, os irmãos Mark, de dez anos, e Sander, de oito. Além das irmãs Ully, de nove, e Fall, de sete.
Dois meninos e duas meninas? Eu queria conseguir articular uma palavra e expressar para Carlo a minha felicidade, dizer que aquilo me deixava com vontade de sair agora de Las Vegas e dar um jeito de achar minha avó, os meus primo meus tios e dar um abraço forte em todos.
–E minha avó, Julia, o que sabe dela?
–Continua na fazenda da família com Peter, Sara e Helen, as crianças, Brian e Luke.
Senti meu rosto se contorcer em uma careta.
–Meu tio chama Luke?
–Sim. Segundo a tia Erza você é a cara dele, mesma cor de pele, cabelo e os olhos azul cristal, meio que na nossa família as características dos pais não servem lá de muita coisa. Meu pai é loiro, o cabelo da minha mãe é castanho e o meu é preto. Lear e Ashlley são “loiros” e os pais deles tem cabelo preto. Tia erza é ruiva e Thanatos tem cabelo preto, Lilliel é quase alva. Mas tenho três primos ruivos e mais dois alvos.
–Eu entendi, mas Luke...
–Bom, de agora em diante se te chamarem de Lizandra Luke posso te garantir uma coisa, vai ter base para concordar e deixar todos doidos. -Carlo estava quase rindo.
–Não vejo graça. -Sim, eu estava um pouco mau humorada.
–Bom, mas Julia e Peter estão cansados, não que eu não entenda, tenho visitado eles para ver os rapazes e sua avó sente falta da sua mãe. Ela sempre fala que Kira era o Sol dos dias nublados e a brisa dos dias ensolarados, acho que Julia teria aceitado sem reclamar ficar doente no lugar da sua mãe. E... -Quando Carlo olhou na minha direção levantou da cadeira correndo e me abraçou. -Foi mal, desculpa.
Levei a mão até os olhos e notei que estava chorando, mais uma vez.
–Eu... quando isso... -Acho que Carlo notou que eu não tinha percebido que estava chorando por que se afastou um pouco.
–Acho que você não tem noção, mas a nossa família é bem chorona e qualquer coisa alguém está as lágrimas. Sua mãe era assim, não era? -Acenei que sim com a cabeça e Carlo deu uma risada baixa. -Aposto que ela sempre chorava assistindo filmes de comédia ou aventura ou mesmo de guerra.
Funguei antes de conseguir responder.
–Chorava sim, mas quando era drama ou romance alagava a sala de tanto que chorava.
Carlo riu.
–Imagino, meu pai é da “Linhagem” e só não chora mais por que falta lágrimas nessas horas.
Comecei a rir.
–Tudo bem, mas me explique, por que a Lilliel perdeu a memória e por que eu precisei lembrar de tudo junto com ela para acertar as coisas?
–Ah, isso. Bom, a causa real da perda de memória pode ter muitas variações, mas, em um primeiro momento eu poderia dizer que talvez seja algo quanto ao fato de que ela usou uma carga de poderes nada simples o que gerou uma certa quebra de resistência nas defesas normais contra danos físicos, neurológicos ou mesmo de habilidades. Por isso quando o golpe acertou o rosto dela ocorreu um leve dano cerebral pela força da pancada e apagou a parte mais recente da memória que ela tinha. Você era a única de nós que tinha as memórias mais próximas daqueles momentos então quando as ideias de ambas sobre o momento foi a mesma seus poderes se ligaram e o dano cerebral foi reparado. -Carlo era muito técnico, o que me deixava com dúvidas.
–E se eu não estivesse lá? E se a Lilli fosse a única “Linhagem” naquele quarto? Ela iria recuperar a memória algum dia?
–Sim, mas não tenho como dizer o tempo que isso tomaria dos dois, por que a Lilliel precisaria aprender a usar seus poderes para ver o que aconteceu naqueles momentos e com você ali tudo foi simplesmente despejado na mente dela. Então por pior que pareça e por mais confusa que ela tenha ficado no primeiro momento isso pode ter economizado meses de enrolação.
–Certo. -Eu estava prestes a encerrar as perguntas quando lembrei do que tinha acontecido no carro. -Carlo, por que falou que iria burlar o anel para me ajudar?
Ele piscou duas vezes.
–Ah, isso.
–Sim, isso. -Retruquei.
Ele coçou a cabeça desconfortável então me encarou.
–Os anéis só podem ser retirados por quem o usuário ama e que a pessoa ame a “Linhagem” em questão. Leon está muito longe daqui para tirar o anel ele mesmo, então eu recriei a lembrança do toque dele nos seus dedos em uma visualização do tempo, assim o anel saiu.
Eu queria sorrir e chorar ao mesmo tempo.
–Então, ele realmente me ama.
–Você não parece supressa.
–Eu... já sabia, só não sei lidar com isso muito bem.
–Nada bem, não é Liz?
Aquilo era verdade, mas eu não iria confirmar, então tentei mudar um pouco o foco. Não deu lá muito certo.
–O que mais pode me dizer sobre as características da nossa família? -Desviei do assunto anterior e Carlo não pareceu se importar.
–Para nós amor é eterno, então você e o rapaz, Leon, se ele retribuir, assim como Lilliel e Gray eu posso garantir que não vai ser um verão. Assim como mais de dez minutos de privacidade pode e vai resultar em peças de roupa voando, mãos agarrando o corpo do outro e até algumas encrencas dependendo de onde isso acontecer. Então, como imagino que você, diferente da Lilliel, é virgem não fique longe de pelo menos duas pessoas para vigiar até chegar em casa.
Sim, ele falou aquilo e eu senti meu rosto ficar tão quente quanto um vulcão em erupção, algo que poderia afirmar saber como era mesmo sem ter certeza.
–Isso soa um pouco exagerado. -Murmurei.
–Eu vi meus pais fazerem isso minha vida toda, assim como meus tios e avos, posso até garantir que se Thanatos e Erza não tivessem feito um acordo em se afastar depois do nascimento da Lilliel minha tia teria mais meia dúzia de semideuses em casa. Se ainda duvidar é só olhar as reações daqueles dois depois de hoje, vai ser milagre se eles ficarem um dia sem ir pra cama.
–Mas o acampamento... -Sim, Carlo conseguiu me fazer ficar com vergonha e sem fala.
–Cama é relativo, nunca deixe os dois na cozinha sozinhos por mais de cinco minutos e se notar que o negocio tá esquentando demais, dê no pé antes deles te jogarem porta a fora. Acredite, eu sei do que falo. Se quer saber até sua mãe era assim com Hermes antes de descobrir que estava grávida de você.
–É, eu sei.
Carlo piscou duas vezes.
–Como assim “eu sei”? Por acaso acessou o “tempo” sem querer? Ou …
–Sim, Kaíros me trollou, assim como fez com a Lilliel e o Gray.
–Isso explica muita coisa. Ele já me trollou uma vez, mas me ajudou. Fiquei mais forte, sabe? Uma pancada de deixar até Afrodite com vergonha, mas eu mereci também. No final foi bom. De todo o modo agora eu entendi por que o Gray não tomou a iniciativa, afinal além de ser muito certinho ele deve ter ficado pensando no que aconteceu com a Lilliel. Se bem que agora, acho que ele deve estar aprendendo tudo que um filho ou filha de Apolo sabe de berço.
Encarei ele confusa.
–Não entendi. -Acabei deixando escapar.
–Bem, como descendente de Apolo vai entender na pratica, mas digamos que, quem tem o sangue de Apolo tem um instinto muito bom nessa área, quase tão bom quanto Afrodite, se é que me entende.
–Preferia não ter entendido.
Carlo deu outra gargalhada e eu fiquei pensando enquanto admiravamos a cidade do terraço mágico, minha vida era cercada de tantos segredos e curvas, túneis escuros e charadas que poderiam enlouquecer uma pessoa em poucos minutos. Só que mesmo assim eu não me sentia mal.
Saber que isso era normal por não ter um contato que os demais membros da minha família acabava me fazendo pensar que de algum modo estranho eu fui protegida.
O carinho e cuidado de Hermes e minha mãe, a atenção distante de Hera, o amor quase paternal do Sr. D quase que somente comigo, os poucos e sinceros amigos que tenho no acampamento, Gray, Lilliel, Carlo e Leon, cada um deles me fazia agradecer pelo menos um pouco pelas coisas serem como eram.
E com relação a pessoas como Drew e Jack, bom, eu espero sinceramente que eles sejam bons em aceitar avisos de perigo, por que quando eu colocar meus pés naquele acampamento novamente a primeira coisa que pretendo mudar é o chalé de Hermes e desse ponto para quebrar todos os dentes da boca daquele piranha vai ser um pulinho.
Principalmente se eu ver ela se atirando para o Leon como ano passado, dai eu vou arrancar a pele da cara dela com as unhas.
O mais estranho foi que pensar isso me deixou tão feliz que eu cochilei no sofá do terraço, como calor do sol no rosto e o cheiro de erva cidreira e boldo que emanava de Leon, além sensação áspera do toque dele na minha testa.
Enfim, foi um sono perfeito.
Até eu acordar, como sempre.
Continua...
Notas finais
Nome: Lana Robin Cavendish
Idade: 23 anos
Mãe Elene Olvia Cavendish
Filha de Hermes
Olhos azul escuro
Cabelos loiro
Altura: 171 cm
Peso 80 Kg
Lana é atualmente uma das campistas mais velhas do acampamento junto com Percy, Clarisse e Chris que ficam o ano todo hospedados nos chalés.
É também junto com Halley uma das garotas que mais causa comoção entre os rapazes.
Ela poderia facilmente ter pego o cargo de "Conselheira" do chalé, mas não curte nada essas coisas desde a época que Connor e Travis foram, literalmente, obrigados, por ela, a ficar com o cargo. Foi ela também que, novamente, escolheu o novo conselheiro, razão pela qual se culpa pelos problemas de Lizandra, mas está sempre disposta a ajuda-la.
Inclusive Lana é uma das irmãs mais chegadas de Liz e foi, além de Connor e Travis, a única filha de Hermes a conhecer Kira antes dela morrer e ir no seu enterro.
Lana tem uma mania detestável na opinião de Gray: dormir de calcinha e camiseta (assim como a Lilliel) e ela frequentemente é quem atende a porta do chalé de manhã quando ninguém acordou ainda, o que gera situações muito inusitadas.
É uma das melhores amigas de Reynald e Halley, mas assim como os dois não consegue arrumar um namorado descente.
É uma das melhores campistas do acampamento e ajudou Gray a se adaptar ao lugar, mas a mesma não faz questão de se destacar nem na preguiça, muito embora sua beleza faça isso por ela.
Terá uma papel interessante no final da fic.
Lana, aparência:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=408745029252414&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&l=134ac1914b&permPage=1
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=408745079252409&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&l=134ac1914b&permPage=1
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