The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
55 Onde Paramos Mesmo? Ah, Sim. Por que Foi Embora? É, Família Pode Realmente Ser Complicada
Notas iniciais
Lizandra
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22 de Dezembro
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Sinceramente, a única coisa que eu pedia era que Lilli e Gray não arrumassem muitos problemas.
Lembrei assim que eles saíram que a tal de Ashlley parecia realmente problemática na minha visão pelo olho do Carlo e isso me preocupou muito.
Mas o fato foi que apesar de ter falado a verdade para a Lilliel eu queria ver o que vai acontecer nessa conversa entre Lear e Reynald, por que me sinto particularmente culpada pelos dois.
Realmente, consciência pesada é um porre.
E devo dizer que eu estava começando a ficar mais nervosa com isso cada segundo. Já fazia mais de cinco minutos que Ashlley e Halley desceram acompanhadas de Lilliel e Gray, mas apesar de alguns ecos de berro nenhuma explosão aconteceu e nenhuma palavra ou movimento foi feito pelas duas pessoas a minha frente.
Isso é de matar até os deuses de ansiedade.
Tanto Lear como Rey não se moviam ou não falavam, ficavam apenas se encarando sem parar e nem piscar.
Senti a mão de Leon no meu ombro e ele sussurrou tenso:
–Faz quase dez minutos que eles estão desse jeito, se continuar assim isso não vai dar certo.
Para a nossa surpresa no mesmo instante Lear e Reynald reagiram, o filho de Ares esfregou as pálpebras resmungando:
–Aquela deusa intrometida.
Já meu novo primo suspirou pesadamente:
–Kaíros, você precisa casar de uma vez.
E para a minha surpresa foi Rey quem resolveu se aproximar ficando cara a cara com Lear que apenas encarava-o de forma indecifrável, entre a raiva e a ansiedade.
–Não acredito que você está aqui e sinceramente não consigo entender o que aconteceu antes ou está acontecendo agora. -Reynald conseguiu dizer.
–Se você não entende nada, posso dizer que se serve de consolo eu até sei alguma coisa, mas fui pego de surpresa pelo que fizeram. -As palavras de Lear eram contidas, mas seus punhos fechados demonstravam claramente que ele não estava calmo.
Então eu senti uma pontada nos meus olhos e vi, de dois ângulos diferentes Drew levar uma pequena, e legitima, surra.
Quando minha visão voltou ao normal eu estava a beira dos risos.
–Nossa, isso vai deixar lembranças. -Consegui dizer.
–E como. -Para minha surpresa, foi Lear quem concordou parecendo levemente tonto pela visão do que acontecia com a irmã dele.
–Afinal, o que aconteceu? As duas brigaram? -Ouvi Leon ao meu lado curioso e preocupado.
–Não, eu acho que as duas já se entenderam, mas a Drew perdeu uns três dentes com o soco que a Ashlley deu nela. -Expliquei.
Leon riu, mas foi a reação de Reynald que mais gostei.
–Espera! -Ele pareceu levemente ofendido. -Aquela cadela levou uma surra e perdeu dentes, sem a minha presença para apreciar esse fato. -Adoro quando Rey dá esses chiliques, é o único momento que ele dá um “sinal” e a melhor parte era que o “cadela” não era brincadeira como quando ele e Hall conversam. -Sem problemas, depois converso com a garota que fez isso e pergunto se ela pode fazer mais uma vez, no minimo.
Fiquei olhando meu amigo com aquele jeito que ele só tem quando se sente relaxado e menos ameaçado, algo meio raro no acampamento. Sem falar que no começo é estranho quando você descobre que esse brutamontes filho de Ares pode parecer gentil mesmo quando é “malvado”.
Depois Rey encarou Lear e respirando fundo disse:
–Onde paramos mesmo? -Lear olhou confuso para Reynald. -A nossa conversa.
–Ah, sim. Por que foi embora? Por que não ligou ou voltou para me procurar?
Rey estava pronto para responder, mas eu cortei ele para explicar a minha parte da culpa.
–Desculpa, mas a culpa foi minha. Eu fugi do acampamento quando tinha quinze anos e a irmã do Rey ligou para ele ajudar a me procurar. No final, foi ele quem me encontrou. -Estava me sentindo muito culpada por aquilo desde que descobri o que tinha acontecido.
–Lizandra, você não tem culpa de nada. Eu só não estava no acampamento quando você fugiu por que a Clarisse me chutou daqui e mandou que que eu desse um jeito no meu humor de luto pela sua mãe. -Reynald não saiu de onde estava, mas eu sabia que ele estava sendo verdadeiro.
–Espera. Ela é Lizandra Zelothya, filha da Kira e Hermes? -Lear parecia confuso, mas perto de se localizar.
–Sim, é ela. -Dessa vez foi Leon que se meteu na conversa.
Lear então ficou encarando Reynald, que decidiu responder as perguntas que meu primo tinha feito antes.
–Primeiro, eu nem deveria ter saído aquele dia e você lembra que falei que alguém importante tinha morrido a poucos dias, só não falei que minha irmã me chutou daqui por que eu estava deplorável. Segundo, eu avisei que teria que sair para resolver um assunto familiar. Além disso eu deixei o número do meu celular em cima da mesa de centro do seu apartamento e você poderia ter me ligado. -Reynald parecia chateado agora. -Você podia ter me ligado também e eu nem tinha o seu celular.
–Eu não tinha seu celular, por não encontrei nenhum tele... -Foi quando Lear lembrou de algo importante. -Mãe! Droga. Minha mãe apareceu no meu apartamento e me acordou, só que ela já tinha saído pelo apartamento jogando todos os papéis soltos no lixo. Estava tão cansado e sonolento que nem falei nada.
–Como assim sua mãe chegou e fez o que bem quis? -Eu compreendo o que Rey sentia.
–Sei lá. Ela é doida desde antes de eu e a Ash nascermos. O que interessa é que nenhum de nós queria deixar o outro sem noticias, as coisas só se complicaram e depois terminou desse jeito e só para você saber eu perguntei para Afrodite de você, mas ela disse que não poderia interferir, depois eu fui burro o bastante para não vir até aqui. Claro. -Já Lear parecia se sentir o maior idiota da terra.
Reynald porém apenas deu um meio sorriso.
–Mas agora acho que a Liz mesmo ajudou que tudo se arrumasse. -Reynald então segurou a mão de Lear e com um sorriso maior disse. -Quer conhecer a residência principal?
Lear deu uma risada divertida.
–Odiaria que não me convidasse. -Respondeu e eu suspirei vencida.
Os dois entraram na casa grande e eu comecei a descer pela colina com Leon as minhas costas em silêncio.
Foi mais ou menos no meio do caminho que encontrei Lilliel e Gray acompanhados de Clarisse. Os três pareciam um pouco cansados, ainda que visivelmente satisfeitos.
Lilli acenou na minha direção gritando:
–Reynald e Lear se entenderam?!
–Entraram na Casa Grande e acho que já sabe! E as duas?!
Nesse momento Lilli já estava perto e parou de gritar:
–Entraram no chalé de Afrodite, avisei o pessoal para ficar longe de lá até as duas saírem e depois do que aconteceu com a Drew acho que vão ficar bem longe. -Ela parecia ansiosa para contar, mas eu tirei esse prazer dela.
–Eu sei, seu olho e o da Ashlley se ligaram ao meu nessa hora, então eu assisti a tudo. -Respondi rindo.
–Que droga, queriamos contar para vocês. -Gray se manifestou.
–Bom, ainda vamos poder esperar que eles terminem. O que conhecendo eles o pouco que conheço, mas pelo que já vi de vocês vai ser entre a noite e amanhã de manhã. -Brinquei.
–O pessoal de Afrodite vai pirar. -Leon disse rindo.
Depois dessa todos rimos, mas resolvemos descer até a praia, aonde Clarisse esperava para conversar e saber de tudo o que aprontamos.
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E pela milésima vez todos respiramos profundamente depois de olhar o relógio de pulso do Gray.
Não que fosse exatamente uma novidade que as coisas ficariam dessa forma, mas nós ainda estavamos esperando que nossos primos voltassem a esse mundo.
Sim. Lana e Carlo assim como Lear e Reynald ainda estavam na Casa Grande, além de o chalé de Afrodite continuar interditado por Ashlley e Halley. Isso por que já são seis da tarde, o que quer dizer que vamos embora daqui durante a madrugada ou amanhã pela manhã.
Nem sei se preciso rir ou chorar dessa situação.
–Será que eles demoram muito mais ou antes do jantar vão aparecer com a maior cara de pau como se nada tivesse acontecido? -Comentei distraída.
–Talvez eles apareçam, mas vai ser difícil alguém acreditar que nada aconteceu. -E esse foi meu namorado dizendo algo inesperado. -Afinal, se eles se parecem com a Lilliel e o Gray vai estar na cara o que quer que eles estejam fazendo. -Eu queria apenas dizer que ele estava certo, mas ouvir Leon dizer algo assim me fazia questionar o que realmente passava pela sua mente.
–Relaxem, agora esta tudo como precisa ser, principalmente para que a Drew leve outra surra. -E Clarisse parecia adorar tudo aquilo.
Não poderia culpa-la, eu também tinha esperanças de uma nova surra em Drew. Uma que eu pudesse apreciar pessoalmente, mesmo que a atual irritação dela pelo chalé estar fechado já fosse alguma coisa.
Ficamos assim por mais uns dez minutos quando notei uma sombra mais densa vindo na nossa direção pela praia, levei menos de um minutos para notar que eram duas pessoas e menos ainda para identificar um homem e uma mulher. Levantei na mesma hora chamando a atenção dos outros que logo em seguida levantaram.
–Aquele é o Carlo? -Gray parecia ter identificado nosso primo antes de todos os outros.
–Bom, se é ele mesmo, aquela é a Lana e isso significa que os dois saíram escondidos pelo caminho secreto atrás da Casa Grande. -Eu imaginei que era isso por que da direção que eles vinham e sem um batalhão de campistas as suas costas essa era a única explicação possível.
–Existe um caminho secreto para vir da Casa Grande para a praia sem passar por todo o acampamento ou pelo menos sem ser visto por nenhum campista? -Tudo bem, Lilliel tinha o direito de fazer essa pergunta.
–Sim, mas leva entre dez e vinte minutos a mais para ter essa paz. -Clarisse como sempre, sabia exatamente sobre a quantidade de tempo que se perdia em trajetos. Afinal, ela havia com os anos se tornado uma boa estrategista e essa habilidade era necessária muitas vezes.
Não demorou mais que cinco minutos para Lana e Carlo chegarem aonde estavamos, ambos pareciam ótimos, quase como se estivessem nos Campos Elíseos.
–Então, resolveram aparecer. -Dessa vez Leon abriu a boca e, sinceramente, eu odiei.
Adoro Leon, mas ele deu a chance que Carlo precisava para justificar suas piadas.
–Com certeza, mas acho que digo por qualquer um da Linhagem ou que estejam envolvido com um dos meus primos que não era bem na companhia de outras pessoas que eu gostaria de estar.
Ponto para ele.
Eu senti minhas bochechas queimarem diante daquilo, por que, querendo ou não, eu não apenas sabia do que meu primo falava, como também concordava.
As minhas costas ouvi Lilliel e Gray rirem, enquanto meu namorado se movia desconfortavelmente ao meu lado, acho que ele havia descoberto da pior forma que piadas sobre relacionamentos são muito perigosas em casos normais, no caso da minha nova família... é um pouco pior.
–Então, onde estão Lear e Ashlley? Tenho certeza que aqueles dois estão causando em algum lugar. -Apesar de tudo, Carlo sabia o que era prioridade e quem eram nossos primos.
–Lear e Reynald estavam na Casa Grande, acho que ainda estão. Já Ashlley e Halley... elas interditaram o chalé de Afrodite pelas últimas horas. -Respondi um tanto em dúvida.
–Espera! -E Lana ficou realmente surpresa. -O que o resto do chalé está fazendo sem poder entrar lá até agora? E principal, o que a Drew disse disso?
–Não acho que ela está em condições de dizer algo sem dois dentes e depois da pequena surra que ela levou da Ashlley. -Lilliel por outro lado estava se divertindo muito.
Lana levou uns dois minutos antes de começar a gargalhar de felicidade e depois de mais cinco minutos rindo ela conseguiu voltar a falar:
–Não posso acreditar que alguém finalmente surrou aquela vaca. Só fico triste de ter perdido essa cena, mas acho que foi incrível... alguma chance da pessoa que fez isso repetir a dose?
–Quem sabe, se a hora que a Ashlley sair do chalé a Drew falar alguma besteira é grande a possibilidade de que tenha a sua chance de ver uma cena parecida. -Acho que Lilliel era outra que queria assistir a próxima surra da Drew.
Resolvemos voltar para a área dos chalés a fim de tentar, de alguma forma, liberar o chalé de Afrodite para os outros campistas.
Para a nossa surpresa Lear e Reynald haviam acabado de parar na frente do chalé da deusa do Amor com uma expressão preocupada, não que eu os culpe por isso, afinal acho que eles sabem exatamente o que e a quanto tempo estava acontecendo ali.
A alguns metros do dois estavam os demais campistas de Afrodite que pareciam entre a raiva extrema e o divertimento. A mais irritada era Drew, que tinha um lenço com gelo sobre a boca, e a que mais se divertia era Piper, acho que ela tinha mais motivos do que parecia para isso.
Seguimos até Lear e Reynald que sorriram para nós.
–Onde estavam, procuramos vocês dois na Casa Grande. -Lear aprontou para Carlo e Lana.- Queriamos saber o que realmente estava acontecendo.
–Francamente Lear, um idiota pervertido como você ainda tem dúvidas do que estava acontecendo com a gente? -Carlo parecia um tanto divertido e irritado.
–Sei lá, apesar de tudo as vezes acho que você não tem como fazer o que é necessário. -Aquela provocação velada era óbvia para qualquer um com um pouco de imaginação.
–Posso garantir que posso muito bem fazer o que é necessário quando a hora e a pessoa for certa, se tem dúvidas... -E com aquela frase do tipo “pergunte para a minha garota” Carlo fez Lear rir.
Mas quem entrou mesmo na onda da brincadeira foi Lana.
–Bom, posso garantir que ele não está brincando, embora quem arrastou esse lerdo para a dentro da Casa Grande fui eu.
Todos começamos a rir, mas eu tinha uma dúvida válida, embora muito perigosa.
–Sei que vou me arrepender de perguntar isso, mas, por favor digam, vocês foram direto pro quarto mesmo?
Lana deu uma risada divertida antes de responder:
–Sim, conversamos muito e... acho que pode imaginar que conversar não foi a primeira coisa que nos preocupamos em fazer. Aliás, não sei como você ficou três anos perto do Leon e nunca beijou ele, sério Liz, é um milagre que você ainda seja virgem se eu não fiquei mais que dez minutos sem beijar o Carlo desde que nos vimos.
Senti meu rosto queimar loucamente, mas não tanto quanto como depois do que Leon falou:
–Se ela ainda é virgem é por que eu sou um cara muito controlado e paciente Lana, é só por isso.
Juro que perdi duas batidas o meu coração nessa hora.
Então todo o nosso grupo começou a rir da minha cara, menos Leon que parecia irritado com o assunto.
Mesmo assim quando senti seu braço em torno da minha cintura me pressionando contra o seu corpo precisei sorrir, eu entendia perfeitamente o que Lana tinha falado e, de alguma forma, as vezes acabava pensando como ela. A única coisa que realmente sei é que Leon disse que quer fazer isso certo, não sei ao certo o que ele quer dizer com “certo”, só imagino que signifique em um lugar que não seja no acampamento e onde possamos ter qualquer tipo de privacidade, ainda que ache que isso de privacidade nunca vai acontecer desde que descobri que sou parente da Lilliel.
No final mesmo sem palavras todos haviamos decidido esperar mais um pouco para que Ashlley e Halley saíssem sozinhas do chalé, sem precisarmos arrancar elas de lá.
Leon havia me abraçado envolvendo minha cintura com um braço e os ombros com o outro, prendendo minhas costas contra seu peito e, tenho que admitir, aquilo era bom.
Ao meu lado Lilliel e Gray se abraçavam pela cintura um do outro trocando olhares de uma conversa bem silenciosa que aparentemente os dois tentavam começar. Só não faço ideia do que pode ser.
Parados a minha frente Lana e Carlo se mantinham o mais próximos que poderiam sem se abraçar com ambas as mãos dadas e os rostos próximos, sorte da minha irmã que não tem trinta centímetros de diferença de altura para o namorado. Eles poderiam se beijar sem que um precisasse subir em um banquinho ou o outro quase ajoelhar no chão.
Ao lado deles Lear e Reynald se mantinham com os braços nos ombros um do outro, passariam facilmente por amigos se eu não os conhecesse.
Tudo parecia ótimo e que terminaria assim antes de termos qu arrombar o chalé de Afrodite. Claro que estavamos enganados.
Ninguém viu quando jogaram a pedra, só quando os poderes de Carlo explodiram ela ao nível de areia as costas de Lana foi que a atenção de todos se virou para a pessoa. Não sei nem como me surpreendi ao ver Jack parado ali.
–Depois eu sou o idiota? O cara chega e a Lana já abre as pernas para ele e eu que não tenho motivos para não gostar dessa vagabunda. -Jack pegou outra pedra e jogou na direção de Lana. -Essa prostituta que querem me fazer acreditar que é um bom exemplo de irmã e dá pro primeiro que aparece na frente dela.
Jack lançou outra pedra, mas como as anteriores elas eram vaporizadas pelos poderes de Carlo que se mantinha de forma protetora ao lado de Lana e minha irmã, mais uma vez, não conseguia entender o que acontecia. Ela sempre ficava confusa diante das reações agressivas do nosso irmão com qualquer que fosse o assunto envolvendo se quer o seu nome.
Na verdade mesmo os outros campistas que faziam parte do grupo de Jack pareciam estranhar, mas nunca falavam nada por que Lana sempre me defendia e isso para eles era mais que motivo para odiar ela.
Fiquei encarando Jack reagir como um animal selvagem e me perguntando se aquilo nunca teria um fim, se nem mesmo Lana um dia teria paz dessa raiva insana dele.
Eu não queria fazer ou ver algo especifico, mas ainda assim minha mente foi tomada por pensamentos e imagens de Jack, todas relacionadas a Lana, nada do que ela fazia parecia diferente da forma como interagia com os nossos outros irmãos.
Demorei um minutos para entender que não era Lana a diferença e sim como Jack a via, quando notei isso Carlo simplesmente seguir até meu irmão e o socou com força no estomago fazendo o cair no chão se contorcendo, só que meu primo estava calmo.
–Carlo, não precisa fazer isso tudo. Concordo que a razão é realmente estúpida e, sinceramente, acho até que alguém deveria ter notado isso antes, mas não vai resolver nada. -Tentei fazer Carlo realmente se acalmar, já que ele não estava nada feliz com as ofensas dirigidas a Lana.
–É, o motivo é realmente idiota, só que ele é irritante.
Lana puxou Carlo um pouco para longe de Jack tentando ao mesmo tempo acalma-lo e dar uma bronca pela briga, falhando no segundo ponto.
–Não faz isso, sério. Não ligo para o que o Jack possa dizer, eu sei perfeitamente que estou longe de ser perfeita, só que levar as palavras dele a sério é um erro. Além disso não quero que bata nos meus irmãos por eles serem idiotas, mesmo que mereçam.
O único erro de Lana foi ficar perto de Jack e o meu não ficar de olho no imbecil, por que meu irmão retardado conseguiu levantar e de alguma forma tentou socar minha irmã. A sorte dela é que o soco de Carlo realmente foi forte demais e Jack acabou acertando o ombro de Lana.
Meu primo por outro lado ficou tão bravo que aproveitando o desequilíbrio de Jack acertou o joelho no estomago do meu irmão com força o bastante para faze-lo vomitar sangue.
Carlo acenou para Lear e Reynald que ampararam Lana, pelo visto o soco de Jack havia feito algum estrago considerável para minha irmã sentir dor da forma como parecia. Foi quando lembrei que Jack treinava socos em traves de ferro, então ele realmente deveria ter machucado ela.
Meu primo por outro lado chutou o corpo contorcido de Jack para depois pressionar o pé contra o estomago do meu irmão.
–Não me interessa se você ama a Lana como mulher e não como irmã, ou se isso te faz odiar a existência dela ou mesmo o fato de que ela nunca te viu do que mais um irmão. Eu estava procurando por ela desde o dia em que nasci e, por mais bizarro que seja, sei que ela estava me procurando. Por isso eu vou te avisar apenas uma vez, toque ou machuque ela fisicamente ou com palavras, ofenda ela novamente e você vai desejar ter encontrado com os titãs e ser morto por eles. Eu juro pelos deuses e pelo meu sangue que nem o Tártaro vai ser tão terrível quanto o que vou te fazer passar se fizer qualquer coisa com a Lana.
Olhei para Lana que apesar de ainda estar com muita dor parecia chocada com o que ouvia, apesar de tudo minha irmã é muito mais tapada para essas coisas que eu, e, para a minha surpresa, ela resolveu ir até Jack. Dessa vez ela não afastou Carlo, mas parecia um tanto quanto cansada e suspirou pesadamente buscando as palavras que precisava.
–Desculpa Jack, sinceramente eu nunca notei e mesmo que tivesse notado não poderia fazer nada. Não é por que você é meu irmão ou por que é mais novo, outros dos nossos irmãos, alguns até mais novos que você já se declaram para mim e a verdade é que nunca vi nenhum como mais do que meus irmãos. Mesmo os indefinidos que depois eram filhos de outros deuses nunca vi eles como algo além de irmãos, nenhum campista nunca foi algo além de um irmão ou amigo.
Apesar de dúvidar Jack conseguiu falar aos gritos:
–Mentira. Você transou com o Steven do chalé de Hécate.
Todo mundo, o acampamento inteiro, olhou para Lana e depois para o filho de Hécate que estava a menos de dez metros do tumulto.
Só que quando Lana o encarou o garoto de uns vinte e poucos anos fez sinal com os braços e ombros de que não fazia ideia do que meu irmão falava. Então minha irmã pareceu entender.
–Quando foi que soube disso afinal? -Lana parecia saber quando, mas perguntou mesmo assim.
–No dia seguinte a minha chegada no acampamento. -Jack respondeu.
Minha irmã conseguiu rir.
–Primeiro, não foi o Steven. O nome do cara com quem eu transei é Steve e ele é um vizinho da rua em que minha mãe mora. Eu tinha quinze anos e ele dezessete, o cara era lindo, um gato e não deu risada quando me declarei para ele um mês antes de você aparecer no acampamento. Segundo que na época eu já sabia que o que sentia por ele não era amor, só que conhecia o Steve desde que me lembro então, sim, eu perguntei se ele poderia ser o meu primeiro. Além disso eu fiquei com ele mais umas duas ou três vezes naquele ano e só, hoje ele é casado e eu sou amiga da esposa dele que sabe exatamente tudo isso.
Eu achava impossível alguém rir daquilo, mas Carlo conseguiu.
–Qual a graça? -Jack parecia irritado.
–Eu estava me perguntando com quem Lana tinha deixado de ser virgem e, por algum motivo, essa história se encaixa perfeitamente como resposta. -Depois ele olhou minha irmã sorrindo. -Sério, você não tem cara de quem deixaria isso acontecer naturalmente e, de certa forma, gosto de saber que você sabe o que quer.
–Não é questão de saber o que quer, eu me sentia atraída por ele e queria que fosse o Steve, usei meu poder de decisão para perguntar e dá mesma forma que recebi um sim, poderia ter recebido um não. Aliás, eu sou madrinha da filha mais velha dele, então você vai conhecer ele alguma hora, até por que o Steve ainda mora na rua da casa da minha mãe.
–Sem problema. O primeiro ele pode até ser, só que eu sou o último e isso é o mais importante. -Carlo deu um sorriso convencido.
Uma risada ao meu lado me fez encarar Lilliel e Gray, que com um sorriso cínico disse:
–Pelo menos ela contou sem nenhum problema. No meu caso Luti resolveu me dar uma viagem nada legal.
Carlo riu.
–Uma vez fiquei preso o fluxo de memórias do seu pai. Kaíros foi me resgatar sem problemas, só que a passagem de volta tinha pedágio na primeira vez que Apolo e a Teresa transaram. Imagina a minha felicidade. -Apesar de tudo Carlo sorria.
Aos seus pés Jack parecia se sentir um nada.
–Eu... nunca tive nenhuma chance mesmo? -Conseguiu dizer olhando para Lana.
–Desculpa Jack, mas ninguém do acampamento nunca teve. Mesmo antes de ver o Carlo pessoalmente eu já sabia que era ele, que quando encontrasse a pessoa certa seria... seria instantâneo. Além disso, eu sei que não seria a pessoa certa para nenhum de vocês, da mesma forma que a única que serve para o Leon é a Liz e vice-versa.
Depois disso Lana se afastou de Jack e Carlo seguiu atrás dela para ver o estrago no ombro.
Alguns campistas de Apolo receberam um sinal de Gray e correram até Jack ver o tamanho do estrago que Carlo causou, pelo visto nada bom, por que um deles saiu correndo para pegar a prancha para carregar meu irmão de lá.
De certa fora estava com pena de Jack, surrado e humilhado duas vezes em dois dias, sem falar em ameaçado três vezes nos mesmos dois dias.
Ouvi um gemido de dor e me virei na direção de Lana seguindo até ela e Carlo, meu primo parecia um pouco preocupado.
–Acho que trincou... -Ouvi ele comentar distraído. -Posso arrumar isso agora... só não sei se... -Carlo pareceu irritado por um momento e depois disse, de uma forma muito contrariada: -Posso resolver isso agora de várias formas, só que o chato do Kaíros quer que eu te pergunte ao... acho que já sabe que a minha família ama de verdade apenas uma vez. -Lana concordou. -Ele que eu faça algo que esse dois malucos já fizeram no mausoléu, isso ou mata nós dois ou... -Mas Carlo não precisou terminar.
–Ou liga nós dois pela eternidade. Ouvi falar de algo assim ontem e no dia anterior também. Por mim, pode ser a qualquer hora.
Carlo sorriu e levantou pegando Lana nos braços, para em seguida desaparecer em um vórtice negro.
Eu estava pensando aonde os dois tinham se enfiado quando alguém teve uma ideia diferente da minha de procurar Carlo e Lana.
Acho que não fiquei tão surpresa quanto deveria no momento que Leon me arrastou para a lateral do chalé de Afrodite enquanto a recente confusão continuava a se resolver e me beijou como no dia anterior, só que dessa vez eu estava plenamente consciente quanto joguei a blusa dele no chão e puxei a camiseta pelo seu pescoço.
Eu realmente deveria estar mais do que louca por que Leon era a voz da razão, algo que ele definitivamente não parecia querer ser quando tirou minhas mãos do cinto da sua calça.
–Mas nem sonha em fazer isso agora. -Sua voz saiu irritada e rouca, o pior é que eu gostei.
Ele me puxou para cima e me fez passar as pernas envolta da sua cintura, prensando meu corpo contra a parede externa do chalé em seguida e eu sabia que estavamos os dois deixando aquilo ir muito mais longe do que poderiamos, só que sinceramente não ligava para isso.
Só que Leon não pensava assim...
Ele me colocou no chão o mais rápido que pode e a primeira coisa que fez foi socar a parede do chalé com força respirando mais ofegante do que eu e, com certeza, mais irritado do que nunca.
–Por favor, passa a minha camiseta.
Ainda sem conseguir respirar direito peguei a camiseta do chão e estiquei para ele, só que depois que Leon pegou ficou apenas respirando fundo e, apesar de saber que não era bom para nenhum de nós, estiquei a mão deslizando a ponta dos dedos pelas costas dele.
–Se você quer me matar existem formas menos torturantes e certas de conseguir isso.
–Acredite, não quero que você morra.
–Tudo bem, se eu estiver certo amanhã você está ferrada, então pode provocar hoje.
–Como assim?
Leon colocou a camiseta e pegou a blusa no chão para em seguida me dirigir um sorriso travesso e ao mesmo tempo pervertido, depois sussurrou no meu ouvido:
–Vai saber na hora certa.
Ele me puxou pela cintura e saímos da lateral do chalé na mesma hora que a porta finalmente se abriu, Ashlley e Halley saíram, mas pararam assim que nos viram, depois a filha de Afrodite disse calmamente:
–Eu disse que havia alguém se agarrando do lado de fora.
–Eu garanto que nosso agarramento não é nada comparado com o que vocês estiveram fazendo. -As palavras revestidas de raiva saíram instantaneamente da minha boca.
–É claro, se fosse comparado... bom, você não estaria tão irritada. -E Ashlley levou a medalha de ouro em resposta atravessada.
Felizmente alguém era idiota o bastante para irritar aquelas duas o bastante para me deixar feliz.
–Saiam agora daqui. -Claro que o mais incrível era que Drew conseguia gritar mesmo sem alguns dentes arrancados na marra. -Suas anormais malditas. E você sua... sua coisa, nunca mais volte a entrar nesse chalé. -Ela apontava para Halley.
Precisava tanto de uma fonte de um minimo de felicidade e satisfação que quando Ashlley acertou aquele soco em Drew o sorriso apareceu sem que eu notasse. E quando minha prima falou acho que fiquei ainda mais feliz.
–Primeiro, a Hall é filha de Afrodite e tem todo o direito de ficar no chalé. Segundo, sua mãe me deve várias explicações do por que não me mandou vir aqui de uma vez. Terceiro, você de algum modo pode ser minha tia, só que acredite, parecido com a Dite, eu só tenho a cara, por que a personalidade é de Ares. E por último, mas não menos importante, ofenda a minha namorada mais uma vez e vai implorar que os deuses te matem. Vai desejar ter desafiado Ares para uma luta e falo sério.
Quando Ashlley terminou Halley pareceu chateada.
–Você poderia ter me deixado bater nela, eu queria fazer isso.
–Sinto muito, mas foi automático.
Comecei a rir enquanto seguia até onde Lilliel e Gray estavam com Lear, Reynald, Clarisse e Chris acompanhada de Leon, logo Ashlley e Halley estavam com a gente, mas minha prima tinha notado a falta de alguém:
–Carlo e a garota ainda estão na Casa Grande?
–Não, eles já arrumaram um baita confusão aqui e a Lana se machucou, depois ele falou algo sobre o Kaíros estar irritando ele quanto ao vínculo e os dois sumiram quando minha irmã concordou sem nem pensar com qualquer coisa que ligasse ela e Carlo.
–A garota é corajosa, mas eu até que entendo. -Ashlley comentou.
No segundo seguinte Carlo e Lana emergiram de uma sombra, minha irmã visivelmente cansada e com dor mal se mantendo em pé.
–Calma, respira. Se concentra em respirar que eu mantenho a gente em pé. -Apesar de Carlo parecer calmo eu podia ver que ele sentia tanta dor quanto Lana.
–O que aconteceu com vocês? -Lilliel foi a primeira a conseguir falar.
–Kaíros... icor... sangue... -Lana conseguiu dizer ofegante
Na mesma hora todos fomos até os dois e ajudamos meu primo e minha irmã a sentarem, eu não lembrava, mas depois de tudo ontem fiz Leon me contar o que eles haviam feito no mausoléu, então eu imaginava o que aqueles dois tinham feito.
–Ficaram loucos. Isso pode matar até um deus. -Lear parecia realmente irritado.
–Briga com o Kaíros, ele ficou tagarelando na minha cabeça. E a Melindra resolveu ajudar ele dessa vez. -Carlo parecia cansado.
No final nos conformamos com aquilo, afinal, com Kaíros e Melindra não se discute.
Ficamos sentados esperando a concha do jantar, que algo me dizia que iria ser tarde hoje, cada um tentando entender o nosso longo dia.
Claro que a nossa calma durou pouco.
–Lembrei! -Ouvi Gray dizer um pouco surpreso ao meu lado e fazendo Lilliel que estava sentada entre suas pernas olhar para ele. -Tem algo que eu deveria ter feito a alguns dias e fico esquecendo ou não acho o momento certo para dizer, então agora que parece que as coisas preocupantes estão resolvidas... -Gray segurou a mão de Lilliel e depois de dar um beijo nela disse daquela forma melosa e tipica dele: -Apesar de estar alguns dias atrasado com o pedido, você quer ser a minha namorada, futura noiva e esposa?
Não me surpreendi quando Lilliel começou a rir, para em seguida responder:
–Claro que sim. Mesmo estando com no minimo quatro dias de atraso.
Dessa vez eu que precisei rir.
–Correção Lilli, são doze dias de atraso. No minimo desde aquela parada no posto.
Para minha surpresa Leon me apertou em seus braços e com uma voz de quem sorria me repreendeu:
–Não se esqueça que em grande parte por você me evitar como pretendente o meu ficou atrasado por no minimo três anos.
Depois dessa todos riram.
Acho que eu até um pouco mais que os outros.
–
–
–
Continua...
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